Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 03h00

FINANÇAS PÚBLICAS

Privatizações

Sem dinheiro em caixa, governadores propõem venda de hotéis a zoológicos, diz reportagem de Renée Pereira (7/1, B1). Claro que o Estado (em todos os níveis) deve sair das atividades que não lhe são próprias e hoje se prestam muito mais a atender a interesses político-partidários, quando não corporativistas pura e simplesmente, do que a servir à população. Mas os problemas orçamentários dos entes federativos não vão ser resolvidos dessa forma, uma vez que os recursos assim arrecadados podem até minimizar temporariamente os problemas de caixa existentes, mas se esgotarão rapidamente e os problemas estruturais continuarão. Somente com o enxugamento da máquina administrativa e a consequente redução do quadro efetivo do funcionalismo, mais a eliminação de privilégios, muitos dos quais hoje são considerados “direitos adquiridos”, bem como com foco em resultados objetivos para a população e parâmetros meritocráticos de administração, poderão efetivamente começar a ser resolvidos os problemas financeiros dos Estados. Como dizia vovó, “remendos em roupas esgarçadas não duram”!

JORGE R. S. ALVES

jorgersalves@gmail.com

Jaú

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Patrimônio público

As vendas de ativos públicos e as privatizações estão sendo levadas a efeito para cobrir despesas de custeio. Isso significa que se está consumindo patrimônio que não pertence aos representantes eleitos, mas à sociedade. Caso os orçamentos – a arrecadação de impostos – não sejam suficientes para cobrir as despesas de administração, que estas sejam reduzidas, a começar pelo número de representantes eleitos e de servidores públicos e seus vencimentos. O patrimônio só deve ser empregado para transformá-lo em outros itens de patrimônio. Nenhuma empresa privada quebra por excesso de custos administrativos. A capacidade de sobrevivência das empresas é demonstrada pelo lucro. O equilíbrio fiscal é o demonstrativo da saúde da administração da Federação, dos Estados e dos municípios. Os governos devem isso aos cidadãos contribuintes.

HARALD HELLMUTH

hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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Ano de glória

O lema, a meu ver, não deve ser “privatizar por privatizar”. O tema e sua resolução precisam ser bem estudados, não se justificam privatizações desnecessárias. Com efeito, há empresas que devem ser fechadas e liquidadas, porque são inviáveis mesmo nas mãos da iniciativa privada. Assim, a privatização precisa ser feita em empresas que justifiquem o seu encaminhamento para a iniciativa privada, que as tocará satisfatoriamente. O esgotamento do erário por causa dos recursos destinados à manutenção de empresas públicas falidas justifica as privatizações, mesmo porque os cabides de empregos serão extintos. Trata-se, então, de um benefício para o Brasil e se espera que 2020 seja o ano de glória das privatizações.

JOSÉ CARLOS DE C. CARNEIRO

carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

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Desperdício

Não são de estranhar as privatizações nos Estados, porque o dinheiro acabou e é preciso agir rápido para eles não ficarem totalmente insolventes. No governo do PT foram criadas mais de 40 estatais para abrigar funcionários públicos ineficientes. No Estado do Acre foi construída uma fábrica de camisinhas, quando existem várias indústrias farmacêuticas que produzem preservativos. Não terminaram a tal fábrica e tentaram vendê-la à iniciativa privada, que não se interessou. Este é um país de políticos irresponsáveis com o dinheiro público.

VILSON MANOEL SOARES

vilsonsoares@globo.com

São Paulo

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Bolsa Família

O governo federal quer a Receita em vistoria no Bolsa Família. Só agora? Quer dizer, então, que desde 2002 até hoje isso nunca foi feito? Onde estava o controle do programa? Será por isso, então, que até prefeitos foram encontrados como beneficiários do Bolsa? E isso tem de ser tratado por projeto enviado ao Congresso? Haja falta de responsabilidade com o dinheiro público!

ABEL CABRAL

abelcabral@uol.com.br

Campinas

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Esbanjamento

A deputada federal Jaqueline Cassol, do Partido Progressistas de Rondônia, gastou R$ 474 mil para custear despesas de seu gabinete durante o ano de 2019. O deputado do Partido Novo Vinicius Poit, de São Paulo, gastou R$ 56 mil. Se todos os 513 deputados gastassem como Jaqueline, as despesas com as cotas, ao fim de quatro anos, seriam de R$ 972 milhões. Seguindo o exemplo de Poit, seriam gastos R$ 114 milhões, ou 11% do gasto de Jaqueline. Alguns congressistas brasileiros continuam esbanjando o dinheiro dos impostos dos brasileiros, numa atitude inconsequente e irresponsável.

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA

jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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Por oito minutos

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) alugou uma nova sede, com contrato de R$ 11 milhões por ano, mas continua a usar a estrutura antiga. Dentre as alegações apresentadas como justificativa para a nova locação, uma é deveras surreal: o antigo prédio usado como sede é “distante” dos tribunais superiores, fica a dez minutos das Cortes, ao passo que o novo fica a dois minutos. Incrível o zelo e a preocupação com a saúde dos funcionários, diminuindo em oito minutos o trajeto de um prédio ao outro. Acontece que o CNJ, cuja atribuição é fiscalizar o Poder Judiciário, tem 15 conselheiros que se reúnem só a cada 15 dias. É inacreditável a desfaçatez, que beira o obsceno, para justificar o injustificável. Assim são tratadas as questões relevantes e que envolvem muito dinheiro público. Talvez fosse mais sensato e barato contratar o velocista jamaicano Usain Bolt como estafeta para percorrer a distância entre os prédios...

MARIO MIGUEL

mmlimpeza@terra.com.br

Jundiaí

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EM SÃO PAULO

Obras no Minhocão

Nada contra as obras de reforço do gradil que estão sendo feitas pela Prefeitura no viaduto, mas desde que começaram estão atrapalhando sobremaneira o trânsito na região. O Minhocão fica fechado para veículos diariamente das 20 às 7 horas e aos sábados e domingos o dia inteiro, período em que as obras poderiam ser executadas sem transtornos.

LUCIANO HARARY

lharary@hotmail.com

São Paulo

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“O Irã diz ter 13 cenários de vingança. Donald Trump fala em 52 alvos para retaliar. Afinal, é guerra ou jogo de truco?”

MOISÉS GOLDSTEIN / SÃO PAULO, SOBRE A ESCALADA DAS TENSÕES E DA RETÓRICA BELICOSA NO ATUAL CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

mg2448@icloud.com

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“A eventualidade de guerra entre EUA e Irã não passa de jogo de cena, com os dois enaltecendo seu poderio bélico, porém ambos torcendo pelo empate técnico e tratando os seus povos como se fossem meros torcedores. Mas a vaidade tem limites”

MARCOS CATAP / SÃO PAULO, IDEM

marcoscatap@uol.com.br

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POPULISMO E JORNALISMO


Não é nenhuma novidade que governos populistas desprezam a imprensa livre. O ex-presidente Lula passou seu mandato inteiro manifestando explicitamente seu desejo de “controlar” a mídia e a ex-presidente Cristina Kirchner perseguiu e incomodou, muito, o periódico argentino Clarín – apenas para citar dois exemplos. Jair Bolsonaro, é claro, não poderia fugir à regra, e a pérola mais recente que soltou sobre o assunto foi chamar jornalistas de “raça em extinção”. Em momentos de tensão, parece faltar raciocínio lógico ao presidente, pois ele esquece que só foi eleito graças à democracia plena em que vivemos, e não existe democracia sem imprensa livre. Se um dia o jornalismo desaparecer, desaparece a democracia também. Será isso o que ele realmente deseja?


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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‘RAÇA EM EXTINÇÃO’


Passamos 2019 apreensivos quanto às declarações polêmicas do presidente Bolsonaro e com as surpresas desagradáveis do Legislativo e do Judiciário. Estes em férias, então, pelo menos até meados de fevereiro estaremos sossegados sem Maia, Alcolumbre e seus comandados no Congresso e sem os seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que tantos dissabores nos causaram no ano findo. Mas essa calmaria pode se transformar numa tormenta de verão a qualquer momento, com uma “canetada” do plantonista do STF ou com uma entrevista de Bolsonaro. O presidente saiu na frente e deu início às intempéries deste ano. Disse que ler jornal “envenena” e generalizou jornalistas como uma “raça em extinção”. Discordo do senhor presidente, a quem admiro e considero. Se ler jornal envenenasse, hoje eu seria apenas pó, pois leio jornal há 50 anos e o pouco ou parte do conhecimento que tenho do Brasil e do mundo devo a esse importante veículo de informação. É claro que existem os maus jornalistas, mas os bons, os verdadeiros e honestos profissionais superam com folga estes que não honram a profissão que abraçaram. O ano está apenas no início e, pelo jeito, vamos ter de queimar muita Palma Benta, pois acredito que nem Santa Bárbara será capaz de nos livrar das tempestades vindouras.


Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí


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ENVERGONHADO


O presidente Jair Bolsonaro lançou mais uma pérola do seu repertório e conseguiu se superar no quesito “ridículo”: disse que “ler jornal envenena”. Mas, pensando bem, ele tem razão. Afinal, ler jornal com notícias que envolvem sua família – ex-mulher e filhote, ambos fazendo “rachadinhas” – deve ser, mesmo, muito embaraçoso. Isso sem falar nas suas entrevistas diárias repletas de baboseiras. Quanto a ele dizer que “jornalista é uma raça em extinção”, errou feio. Na verdade, deveria saber que presidente grosseiro e ranzinza é que está em extinção. Conclusão: é a vergonha querendo colocar a culpa na imprensa!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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REBAIXAMENTO


O apoio do Brasil à ação dos Estados Unidos contra o Irã rebaixa o papel internacional do Brasil e toda a nossa tradição diplomática, confirmando uma submissão incondicional ao presidente Donald Trump. O momento exige participação reforçando o papel da ONU para mediar o conflito. O governo Bolsonaro, por intermédio do Itamaraty, não pode ferir suscetibilidades persas e de países árabes, o que inclusive pode ter reflexos nas relações comerciais com o Oriente Médio. E sem deixar de lado a busca de formas de impedir um conflito mundial.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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EXPLICAÇÕES A DAR


Considerando que o Brasil integra a Organização dos Estados Americanos (OEA), ao lado dos EUA e de outras nações, o governo brasileiro deveria convocar o embaixador do Irã no Brasil para que ele informe qual a natureza e o objetivo da Força Quds, bem como explicar o que o general Suleimani estava fazendo no Iraque, ao lado do general iraquiano Abu Mahdi al-Muhandis, comandante da Kata’ib Hezbollah (Brigadas do Partido de Deus). Essa brigada é um grupo paramilitar iraquiano apoiado pelo Irã, com forte atuação na guerra civil do Iraque e da Síria, tendo lutado contra as forças de ocupação da coalizão na Guerra do Iraque. Como se observa, o Irã tem muita explicação a dar.


Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)


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POUPANDO DEMÔNIOS


Entre os vários comentários de especialistas, em sua maioria converge com a ideia de que não deveria ser morto o terrorista do Irã, que a mídia informa que seria no número 2 da nação iraniana. Entre os comentários, Salem Nasser, da FGV, comenta que foi “um ato típico do submundo” a manobra do governo dos EUA. E o ataque “liberou energia poderosa e uniu população”. O mundo hoje teme o mal. Esse pensamento acha sóbrio, humano, digno ficar de joelhos perante a pessoa que não tem um mínimo de respeito pelo próximo. Um terrorista desde que saiu da adolescência e se tornou um homem. Essa sabedoria para o mal, o terrorismo, disseminada em vários países, o tornou o segundo em seu país. Um belo exemplo de civilidade. Hoje o ladrão não pode ser chamado de ladrão. Um terrorista não deve ser chamado ou ser mencionado como um terrorista. Não. Afinal, podemos sensibilizar os demônios presentes em seus pensamentos e atitudes. Esse pensamento é atitude de homem fraco, sem dignidade. Homens dignos não fazem concessão perante o mal. Perante o mal se mantém em pé. De joelhos, apenas perante o Senhor.


Moacir de Vasconcelos Buffo moacirbuffo@gmail.com

Campinas


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BANDEIRA BRANCA


Duas bases militares iraquianas ocupadas pelos EUA foram alvos de mísseis disparados pelo Irã, em represália ao atentado que vitimou o general Suleimani. O truculento e agressivo presidente Donald Trump já havia listado 52 alvos persas em caso de ataques iranianos, desde que houvesse vítimas americanas. O total de 52 alvos remete aos 52 funcionários da embaixada americana em Teerã que foram tomados como reféns durante 444 dias, após a revolução iraniana, em 1979. Após trocas de ameaças, tudo indica que o conflito tende a se apaziguar. É o que o mundo espera!


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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SEM RESPOSTAS


Quando George Bush decidiu invadir o Iraque, o pretexto foi a existência de armas nucleares fabricadas por aquele país, fato que jamais foi comprovado. Não houve qualquer pedido de desculpas, ao menos para as famílias das inúmeras vítimas. Agora, o ataque que matou o general iraniano teve como pretexto o fato de que ele estava planejando ataques a alvos americanos. Pergunto: tal alegação também ficará sem a devida comprovação, como aconteceu com as armas fantasmas? Para que servem órgãos internacionais, se quando necessário não se manifestam exigindo explicações? Ou será que toda esta pantomima macabra visa apenas a impedir o impeachment e garantir a reeleição de uma pessoa que não tem o equilíbrio como característica? 


Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém


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O COVARDE DECADENTE


O presidente dos Estados Unidos se esquivou de servir o Exército por cinco vezes, durante a Guerra do Vietnã. Donald Trump ordenou o ataque ao Irã durante um passeio num resort de luxo na Flórida. Os Estados Unidos têm muitos motivos para se orgulhar de muitos de seus ex-presidentes, mas Trump é um motivo de vergonha nacional. O mundo espera que a América se livre deste bufão covarde o quanto antes.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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SUN TZU


Segundo dados obtidos pela imprensa especializada, não confirmados pelo Pentágono, o drone utilizado para eliminar o general Qassem Suleimani, o MQ-9 Reaper, custa perto de US$ 65 milhões a unidade. Se confirmada tal informação e for acrescentada a este valor a despesa estimada de operação remota conduzida por pessoal altamente qualificado, além do artefato letal – míssil ou bomba guiada – empregado para eliminar o alvo móvel – no caso, o militar iraniano –, pode-se supor, sem muita margem para erro, que o custo total da ação não foi inferior a US$ 80 milhões. Pergunto: o mesmo desenlace não seria obtido se os EUA utilizassem, como já fez inúmeras vezes ao longo da história recente, recursos dos seus serviços secretos de inteligência para remover obstáculos na condução de sua política externa e para prover segurança aos cidadãos americanos alocados no exterior, evitando, assim, repercussões desagradáveis que, ao contrário do que se pode supor, acabarão por gerar efeito contrário ao esperado pelo presidente Trump em relação ao processo de impeachment ao qual está presentemente submetido e às possibilidades de reeleição? Terá sido compensador em termos de custo/ benefício a espetacular exibição de poder? Com a palavra, Sun Tzu. 


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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O PLANETA PETRÓLEO


Os Estados Unidos, incentivados pela Inglaterra e seus interesses petrolíferos, derrubou, em 1953, o primeiro-ministro Mossadegh, que nacionalizara a Anglo-Iranian Oil Company, que explorou o petróleo persa durante décadas com pequeno porcentual para o Irã. Em 1951, Mossadegh tinha sido capa da Time, como “Homem do Ano”, por democratizar e descolonizar a nação persa. Dois anos depois, a ação da CIA para defender os interesses das companhias de petróleo deu início à crise entre os Estados Unidos e o Irã. Com a queda de Mohamad Mossadegh, aumentou o poder do corrupto Xá Reza Pahlevi, até 1978. A queda do Xá levou à ascensão dos aiatolás, que tornaram o país uma teocracia xiita e antiamericana e inimiga da Arábia Saudita, sunita e submissa aos interesses geopolíticos ingleses e americanos. O Oriente Médio, com seu mar de petróleo, se tornou o grande barril de pólvora dos últimos 70 anos. Estados Unidos, Inglaterra, Rússia e China não tiram suas garras do trio Irã, Iraque e Península Arábica. Petróleo, colonialismo x nacionalismo e fanatismo religioso/ideológico pautam a história da região mais disputada e conturbada destes últimos cem anos.

         

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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O ATAQUE À PAZ


O mundo já foi cordial, nenhum ato violento tinha peso global. Na época do atentado de Saravejo, que vitimou o arquiduque do império Austro-Húngaro, na Primeira Guerra Mundial, se eu descesse de um táxi à noite, não seria impactado pelo medo do terrorismo, e só saberia do fato pelos jornais, em pequenas doses. O ataque ao Irã pelos Estados Unidos mostra a nossa impotência, somos reféns do mundo conectado e fluído. Ficamos imóveis diante da rapidez dos fatos, pela torrente interminável de notícias e suas interpretações de diferentes fontes lidas com dois olhos tristes, um deles vazado todo dia com pedradas de assassinato, corrupção, roubo, mortes, etc. Queremos nos sentir seguros, mas a chuva de notícias negativas só traz mais insegurança. Não é apenas quando a vida pessoal é atropelada pelo mundo exterior, mas também quando a vertigem noticiosa engole e regurgita as nossas histórias e percepções cotidianas. O mundo perdeu a medida de entender a existência. Agora, ouço um cachorro latir na noite escura, que preenche o meu estado de espírito desprovido de imaginação que se recusa a sonhar, imaginar ou conjecturar a respeito de qualquer situação real, com exceção do presente, que é este latido, o resto cai num vácuo árido, teórico. Minhas tentativas de entender o planeta que vivo estão cada vez mais solitárias, já que meu pensamento é uma gota no oceano de tantas formas de interpretação dos fatos. Tudo mudou muito desde a Primeira Guerra Mundial: a morte de Qassem Suleimani, no Irã, foi acionada remotamente; e hoje já controlamos muitas doenças e a expectativa de vida quase dobrou. Mas a vida é mais solitária hoje. Quando viajo, sinto a estranheza em relação à forma tão rápida de tudo, a maneira como um novo lugar se revela instantaneamente e sem fingimento, no passado, no deslocamento, pernoitava-se para o descanso, uma viajem ao Rio de Janeiro eram sete dias, dormia-se em acampamentos, com conversas, sem pressa. O ar tinha um peso diferente, com menos ansiedade. O mesmo sol nasce, mas parece um pouco diferente do que no século passado.


João M. T. Lantyer misael51@terra.com.br

Salvador


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LIQUIDAÇÃO NOS ESTADOS


Nos Estados sem verbas, financeiramente quebrados (mas não deixam de reajustar seus servidores), segundo levantamento do Estadão, 13 governadores preparam 100 projetos de privatizações, concessões de ativos para equilibrar o caixa e tentar tocar obras de interesse público. Esses ativos vão desde estradas, linhas de metrô, trens, ônibus, terminais rodoviários, energia elétrica até estádios e zoológicos. Ou seja, literal liquidação! Se ela de fato ocorrer – é o que espero –, vai fazer um bem danado para o País, porque são 100 empresas estatais historicamente utilizadas pelos políticos como cabides de emprego, focos de corrupção e ineficiência, que há décadas sugam levianamente centenas de bilhões de reais dos contribuintes. E, finalmente, poderão passar para mãos da inciativa privada. Somente os projetos do governador João Dória (PSDB-SP), que promete até um trem de passageiros de alta velocidade entre São Paulo-Campinas até a cidade de Americana, poderá promover R$ 40 bilhões de investimentos. Espero que não seja mais um blefe dos governadores num ano novo que se inicia...


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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ESTADOS EM CRISE


Governadores de vários Estados prometem fazer de 2020 um ano de grandes privatizações. Sugiro um estudo para viabilizar as privatizações das Assembleias Legislativas. Seria uma economia muito significativa na folha de pagamento dos Estados. E os funcionários, bem como os deputados, seriam regidos pelo vínculo CLT, com registro em carteira de trabalho. Teriam de cumprir horários, de chegada e de saída, como também cumprir horários de almoço. E apresentar produtividade, para se manterem no cargo. É o caminho, com uma ampla reforma administrativa para reduzir as despesas obrigatórias dos Estados.


Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo


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MARAJÁS DO TJSE


O Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) pagou R$ 950.613,73 para os 13 desembargadores, no mês de dezembro de 2019. Somente Ruy Pinheiro da Silva recebeu R$ 100.620,84. Vossas Excelências sergipanas recebem vantagens eventuais que ultrapassam muito mais do que R$ 35.462,22, que é o salário oficial. No mês passado, o TJSE aprovou o reajuste de 3,5% dos vencimentos de servidores efetivos e comissionados. Atualmente, a dívida líquida de Sergipe é de aproximadamente R$ 4,6 bilhões. A gastança continua sem freio, como se Sergipe estivesse nadando em dinheiro. Enquanto não houver verdadeiros cortes nas despesas, o Estado continuará patinando em dívidas e pagamento de altíssimos juros.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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O STF EXPOSTO


Mais um brilhante artigo de José Nêumanne (Toffoli no paraíso do infrator, 8/1, A2). Expõe mais uma vez as armadilhas do Supremo Tribunal Federal (STF) em querer continuar controlando o País, protegendo os infratores. Conforme sua opinião, na tentativa de impedir ação contra Flávio Bolsonaro, o presidente Jair comprometeu-se a indicar André Mendonça (simpatizante de Marina Silva/Lula e auxiliar de Dias Toffoli na Advocacia-Geral da União), sucessor de Celso de Mello na primeira vaga no STF.  Se confirmada essa indicação, nosso capitão – para salvar os filhos – estará entregando o País, de bandeja, aos protetores dos infratores. Só a Lei Divina nos salvará.


Anibal D. Filippi aniverofil@uol.com.br

Santos


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‘TOFFOLI NO PARAÍSO DO INFRATOR’


O artigo de José Nêumanne (8/1, A2) é irretocável. Também muito corajoso, tanto quanto do Estadão de abrir espaço para o autor. Ele elencou todas as mazelas do STF. Se um item foi esquecido, ele não tem tanta importância diante do trabalho do autor, completo, preciso e objetivo. Refiro-me ao fato de que, dos 11 membros, somente um, Rosa Weber, teve experiência anterior como juiz. Todos os demais são neófitos na magistratura. Não parece ser isso muito arriscado? Notável, porque quase sempre esquecido, o fato levantado pelo autor no que tange à completa falta de controle do STF. É deplorável que um grupo tão privilegiado por muita coisa ainda tenha juntada a vantagem de nenhum controle externo. Será que por isso salários, viagens, saídas intempestivas do plenário, decisões contrariando a própria Constituição (direitos políticos de Dilma), refeições lautas regadas a vinhos premiados, constantes fugas de autodeclaração de suspeição, férias de 60 dias prevalecem e enojam a Nação?


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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A DESTRUIÇÃO DO ESTADO


A lucidez do artigo de Nêumanne no Estadão de 8/1/2020 (A2) nos leva à reflexão sobre a corrupção e sua submissão pelos poderes institucionais, culminando com a destruição do Estado de Direito. Remonta à velha obra de Arruda Campos dos tempos autoritários, a Justiça a serviço do crime, hoje organizado.


Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo


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OAB


Indignar-se pela “violência jamais vista contra a advocacia” (Coluna do Estadão, 8/1, A4) faria todo sentido, se a indignação pela violência da extrema desigualdade social no Brasil fizesse parte da preocupação da classe. E mais: para que serve um órgão que tem por finalidade “a defesa da dignidade e a valorização do exercício da advocacia”, se os próprios advogados não se dão ao respeito? Desde os de porta de cadeia até os dos mais altos postos seguem livres para cometer desatinos protegidos por um esprit de corps e/ou “prerrogativas” escandalosos. Eu admiro e parabenizo o profissional de boa-fé: é preciso serenidade e coragem para sobreviver intacto neste meio tóxico onde os bandidos dispõem de milhões para remunerar os que procuram avidamente brechas nas leis – e vão encontrar, claro, pois foram feitas por homens –, fingindo que é ali a morada da Justiça, quando na realidade apenas engordam suas contas bancárias.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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DRAMA SOCIAL PAULISTANO


A Praça Dom José Gaspar, com seus inúmeros moradores de rua, é o grande retrato da desigualdade social na capital paulista. Isso só ocorre porque autoridades políticas e governos não temem o inferno depois da morte. Enquanto isso, as dores choram e as lágrimas correm para algum lugar, se estancam nas portas de palácios. Que destinos terrenos deveriam ter homens públicos que ignoram ou fingem não ver suas obrigações?


Devanir Amâncio devaniramancio@hotmail.com

São Paulo

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