Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2020 | 03h00

GOVERNO BOLSONARO

‘Fiat lux’

No Estadão de ontem, um tremendo susto: o presidente quer que banquemos um subsídio para os templos religiosos. Um absurdo! Nem pensar que sejamos contra a proliferação de igrejas evangélicas, alvo dessas isenções, porquanto são altamente prestigiadas pelo governo Bolsonaro em troca de apoio aos atos do governo e de olho nas próximas eleições. Mas não podemos concordar com essa sangria dos cofres públicos, cujos valores nós, o povo, teremos de financiar para as centenas de igrejas evangélicas, quando é largamente sabido que a maioria de seus dirigentes tem vida nababesca, carros de luxo, excelentes residências, tratamento de estética dental para o deputado pastor Marco Feliciano de mais de R$ 150 mil e até helicópteros, enquanto o povinho paga religiosamente seu dízimo. Como a nossa Constituição federal proclama a laicidade do Estado, não podemos aceitar essa relação de acertos do governo em troca de votos da tal “bancada evangélica”. Surreal! O povo tem de estar atento a esses inescrupulosos favores do governo em vergonhosa troca de favores eleitorais.

UBIRATAN DE OLIVEIRA

uboss20@yahoo.com.br

São Paulo

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Alça de mira

Então, o governo estuda subsidiar a conta de energia elétrica das igrejas?! Como mudar este país, se a alça de mira tem como alvo o bolso do pagador de impostos? Já pagamos a luz de quem mora nas favelas, pois lá os “gatos” dão muito trabalho para a Enel identificar os consumidores e, assim, resolve facilmente taxando a conta de luz de quem tem endereço fixo. Por que não tratar todos igualmente? Se gastar muito, paga mais, se gastar pouco, paga menos. O que espera o governo, que os beneficiados criem consciência sem sentir o peso no bolso? Isentar as igrejas não é uma forma de “comprar” consciências também? Que tal dar escola decente? Educar um povo ainda é o melhor caminho, mas não dá votos. É isso?

IZABEL AVALLONE

izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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Iluminação

Várias religiões mantêm programas de TV à noite e de madrugada mostrando milagres em seus templos abarrotados de fiéis pagadores de dízimos. Em vez de o presidente Bolsonaro se preocupar com as contas de luz, deveria orar para que seus deuses iluminem esses lugares e eles paguem os impostos devidos.

CARLOS GASPAR

carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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Dízimo

A imunidade dos templos religiosos é absoluta nos termos da Constituição federal e dela se aproveitam os vendedores de sonhos e ilusões para arrecadar mundos e fundos em desfavor da miséria e da incredulidade humanas. Querer subsidiar a luz dos templos é jogar a conta final para o contribuinte, ou seja, mais um dízimo pesado que não se sustenta na atual conjuntura do Brasil.

CARLOS HENRIQUE ABRÃO

abraoc@uol.com.br

São Paulo

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Conversão

Viro evangélico, sem pestanejar, se o bondoso presidente Bolsonaro também mandar pagar minhas contas de energia elétrica.

VICENTE LIMONGI NETTO

limonginetto@hotmail.com

Brasília

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Que tempos...

Eu nunca pensei que, no nosso país, o presidente da República um dia tivesse de cuidar até das contas de energia elétrica dos templos religiosos.

EUCLIDES ROSSIGNOLI

clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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INSS

Fora do ar

Uma vergonha a falta de respeito ao cidadão que depende do atendimento do INSS (9/1). Estou desde 18 de março de 2019 esperando um simples desmembramento de Certidão de Tempo de Contribuição (CTC) para dar entrada em minha aposentadoria como professor em São Paulo e não tenho resposta. Fixaram prazo de 45 dias para solucionarem e já se vão dez meses. Estou com 61 anos de idade e 44 de contribuição e não me atendem. Estão esperando o quê? Que eu morra?

LUIZ ANTONIO AMARO DA SILVA

zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos

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Licença-saúde

O INSS deveria fazer uma auditoria no serviço de saúde dos seus funcionários. Constatando as costumeiras fraudes, demiti-los sumariamente a bem do serviço público.

JONAS DE MATOS

jonas@jonasdematos.com.br

São Paulo

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EM SÃO PAULO

Ainda o Minhocão

A mobilidade urbana é um dos maiores problemas da nossa metrópole. O prefeito anterior estrangulou artérias viárias com ciclofaixas, introduziu ônibus articulados, reduziu a velocidade em vias expressas e turbinou a chamada indústria da multa. Resultado: perdeu, fragorosamente, a reeleição. O pretendido fechamento do Minhocão para veículos só fará o trânsito ficar mais caótico ainda, pela transferência desses veículos de uma via expressa para ruas e avenidas lotadas, aumentando o tempo dos trajetos e o estresse dos cidadãos. Fechar essa via todas as noites e nos fins de semana já não é suficiente? Os especialistas em trânsito não deveriam avaliar sua conveniência e sua viabilidade? Fechar uma das mais importantes artérias viárias da cidade vai fazer os motoristas migrarem para a bicicleta ou o transporte público?

JOSÉ ROBERTO DOS SANTOS VIEIRA, engenheiro civil

jrdsvieira@gmail.com

São Paulo

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ARGENTINA

Primeiro prego

O novo governo da Argentina anunciou uma medida econômica “criativa” e “inovadora” para conter a inflação no país: o congelamento de preços. Ora, até as focas de circo itinerante sabem que isso não vai dar certo. É o primeiro prego no caixão do atual mandato presidencial. Não surpreenderá ninguém se essa administração não chegar ao fim do seu mandato. Até porque não seria a primeira vez que isso ocorreria na História recente da Argentina.

OSCAR THOMPSON

oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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HARRY E MEGHAN

Emprego real

Sou vendedor de queijos artesanais em São Paulo e outros Estados. Ofereço a Harry e Meghan duas vagas. Fixo mais comissão. Fins de semana livres.

JOÃO ISRAEL NEIVA

jneiva@uol.com.br

São Paulo

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“Antigamente, para ganhar dinheiro, o negócio era abrir um sindicato. Hoje, com isenção de impostos e agora também com o aventado subsídio da energia elétrica, o melhor negócio é abrir um templo religioso!”

MILTON BULACH / CAMPINAS, SOBRE A ÚLTIMA IDEIA ESTAPAFÚRDIA DO PRESIDENTE JAIR BOLSONARO

mbulach@gmail.com

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“Somente a luz? Por que não também água, aluguel, telefone, alimentação, etc...?”

LUCIANO HARARY / SÃO PAULO, IDEM

lharary@hotmail.com

ENERGIA SUBSIDIADA


Sobre a matéria Bolsonaro quer subsidiar conta de luz de igrejas (Estadão, 10/1), o presidente pretende subsidiar luz para favorecer templos evangélicos fazendo essa caridade com o chapéu alheio, o do povo. Tudo pela reeleição! Que subsidie, então, para todas as escolas públicas e privadas.


Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas


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PARA QUEM VAI A CONTA?


Para crescer, as igrejas nunca precisaram de subsídios do governo. Por que, agora, dar a elas subsídios que, ao fim do dia, serão pagos por todos nós? O presidente, que se diz avesso a aumento de impostos, não sabe que isso aumentaria a carga tributária? Se o governo quiser saber o que pensamos sobre essa novidade, faça um referendo popular.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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SUBSÍDIO


A falta de fé produz a escuridão. E, como no Brasil a luz divina não mais consegue iluminar os templos, Bolsonaro será o farolete da fé...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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O OBJETIVO DO PRESIDENTE


O presidente Bolsonaro, nos seus quase 30 anos de vida pública, foi filiado a muitos partidos, mostrando de forma clara a sua ideologia conservadora. Agora, com uma crise com seus aliados do PSL, sigla pela qual foi eleito, ele decide partir para a criação de outro partido. E busca apoios de todas as formas, inclusive liberando incentivos para várias organizações para facilitar a coleta das assinaturas necessárias para o registro partidário. Cabe, então, a indagação: o que o seu mandato mudou para melhor em relação aos presidentes anteriores? Cabe aos seus eleitores a devida reflexão.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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‘O DESAFIO DE 2020’


Refletindo sobre o artigo do professor Miguel Reale Júnior de 4/1, O desafio de 2020 (página A2), cheguei à conclusão de que o autor tem saudade do Clube do Poivre, liderado por Ulysses Guimarães, que dos seus devaneios acadêmicos e detalhamentos jurídicos gerou nossa atual Carta Magna, uma utopia de direitos que não se preocupa com a base de disciplina, deveres e obrigações que devem anteceder os benefícios desejados. O que dr. Ulysses chamou de a Constituição Cidadã tem se revelado a Constituição que tudo prevê e regulamenta, mas que sufoca a liberdade de produzir, gerenciar, enriquecer e criar empregos para nossa crescente população. Nosso presidente, infelizmente, não está se mostrando à altura do estadista de que o Brasil precisa para destravar a máquina governamental, inchada e incompetente.  Essa situação se deu pela confusão petista que julga o progresso estar na distribuição farta de dinheiro, sem a correspondente prestação de contas e comprovação de resultados, e a contratação de funcionários públicos pela sua posição ideológica em sintonia com o partido, e não por competência e mérito. Assim, o Brasil chegou a 2020 no estado precário em que está. O maior desafio que temos, professor Reale, creio eu, não está no compasso da “conciliação” e “harmonia” com o estado atual. Está em achar estadista(s) com condição de mudar os paradigmas do atraso, com coragem e transparência, educando o brasileiro para a consciência de que sem educação, disciplina e força de vontade, ou seja, pelo mérito individual, não há progresso sustentável. Para isso, um novo “clube do poivre”, com sua tolerância e discurso acadêmico, não será suficiente. Continuaríamos discutindo em cima do muro e esperando um futuro que não chega. O brasileiro tem pressa e quer mostrar sua competência; falta o governo destravar a máquina e dar a ele mais oportunidades.


Silvano Corrêa silvanocorrea2012@hotmail.com

São Paulo


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LEILÃO BEM-SUCEDIDO


O primeiro leilão rodoviário realizado pelo governo João Doria (PSDB-SP) se revestiu de sucesso e foi arrematado pelo consórcio liderado pelo Fundo Pátria Investimentos, em parceria com o fundo GIC, de Cingapura. É o maior leilão rodoviário realizado até aqui no País, concedendo 1.273 km de estradas (a média foi de 482 km) que vão da cidade de Piracicaba a Pindorama, divisa com Mato Grosso do Sul. E teve um ágio 73 vezes maior que o valor mínimo estipulado de R$ 15 milhões, arrecadando R$ 1,1 bilhão, contra o segundo colocado de R$ 527,05 milhões. A expectativa é de que este lote, chamado de Pipa, receba em 30 anos investimentos de R$ 14 bilhões. O resultado deste leilão é um bom termômetro para as mais de duas dezenas de concessões e privatizações programadas pelo governo do Estado de São Paulo. Se consumadas, devem propiciar R$ 40 bilhões de investimentos e milhares de novos postos de trabalho.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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PIRAÇÃO


Numa avaliação neuropsiquiátrica dos governadores do Rio de Janeiro e de São Paulo, é muito provável que seriam encaminhados a algum estabelecimento para tratamento. O do Rio de Janeiro pretende compensar o aumento do preço do petróleo criando um “colchão” como forma de avaliar o aumento. Deve ter imaginado para os fluminenses um “colchão de pedra”. A imaginação do governador paulista, por sua vez, vai além do que possa imaginar o pensamento humano. Está na “cachola” de João Doria a ocupação de vários hotéis de propriedade do Estado para serem cedidos ao zoológico, até agora não se sabe quais os propósitos dessa estapafúrdia ideia, ou é apenas mais um surto psicótico de uma das piores safras de políticos possuidores de surtos psicóticos constantes. E, para começar mal o ano de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem maioria a favor do juiz de garantias. Oremos a Santa Dulce dos Pobres para que cure a insanidade de nossos administradores e políticos em geral.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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SOBREPOSIÇÃO DE AGENTES ESTATAIS


A Lei n.º 13.964/2019 inseriu no Código de Processo Penal (CPP) o “juiz das garantias”, responsável pela persecução penal da audiência de custódia até o recebimento da denúncia. O objetivo da alteração legislativa foi garantir a imparcialidade do magistrado que conduzirá o processo e proferirá a sentença. A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) alega a inconstitucionalidade da alteração, sob o argumento (dentre outros) de violação da autonomia, independência e competência dos tribunais para legislar sobre organização judiciária e procedimentos em matéria processual. O relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 6.298 é o ministro Luiz Fux, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, o enfoque deste texto é outro: a sobreposição de funções. Vejamos: é cediço que o Estado paga o salário do magistrado para que ele exerça sua função com imparcialidade, dever de todo juiz. Também paga o Ministério Público, que é o fiscal da lei e tem a missão constitucional de defesa da ordem jurídica. Assim, é dever do membro do Ministério Público atuar com imparcialidade e exercer a fiscalização da imparcialidade do magistrado. O Estado paga, também, o defensor público, que defende o acusado e deve apontar e recorrer de qualquer parcialidade do juiz. Essa função também é exercida pelo advogado, pago pelo cidadão que tem condições financeiras de arcar com os custos da defesa privada. Por fim, o Estado ainda custeia os tribunais de segunda instância (Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) – 3.ª instância – e o Supremo Tribunal Federal (STF) – 4.ª instância –, os quais podem ser acionados para controle de eventual parcialidade do magistrado (por meio dos recursos). Dessa forma, há vários agentes estatais encarregados de controlar a imparcialidade do magistrado. Salvo melhor juízo, vislumbro a sobreposição de funções, em que o Estado custeia diversos atores que têm a mesma função: garantir a imparcialidade do julgamento. Há violação da eficiência e da economicidade. Se há juízes que não atuam com imparcialidade (o que é uma pequena minoria), devem ser responsabilizados na forma da lei, com suas decisões sendo reformadas e/ou anuladas pelos recursos. Não é eficiente e econômico a criação de outra figura estatal para controlar a imparcialidade do magistrado, gerando mais gastos para o Estado, se há outros agentes que exercem essa função.


Robledo Moraes Peres de Almeida, juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Piauí robledomp@yahoo.com.br

Teresina


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CABIDÃO


O juiz das garantias não trará empecilho à eficiência e muito menos à ineficiência do Judiciário, é apenas mais um cabidão de empregos que ampliará a fogueira da corrupção no judicial. Daqui a pouco se criarão ministros das garantias no STF, completamente aparelhado.


Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo


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CONFIANÇA


Salvo engano, juiz de garantias é o juiz do juiz, o que, “data vênia”, mostra a confiabilidade de nosso sistema judiciário.


Francisco José Sidoti  fransidoti@gmail.com

São Paulo


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A IMPARCIALIDADE DA JUSTIÇA


Dúvidas significativas que tenho quando vejo a defesa do juiz de garantia ser suportada pela imparcialidade que a existência desta função traria aos julgamentos. Até hoje, como não tivemos esse mesmo juiz, todos os casos julgados tiveram decisões não isentas? Os juízes hoje em atividade não têm a isenção necessária, e só com o juiz de garantia se trará essa isenção?


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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CRIMINOSOS PRIVILEGIADOS


Enquanto milhares de pessoas estão presas sem ter passado por nenhum julgamento, nossos políticos ficam discutindo o juiz de garantias. Brasil, o país dos direitos iguais! Dá um desânimo...


Luiz Frid  luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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MEDALHA DE OURO


Segundo pesquisa do Estadão, o ministro Gilmar Mendes é, no Supremo Tribunal Federal (STF), o campeão na concessão de habeas corpus nos últimos dez anos, tendo concedido o benefício 620 vezes de forma monocrática. Tal performance resulta na média de um habeas corpus por semana. Porém um detalhe curioso: em 2019 Gilmar Mendes se superou concedendo 250 habeas corpus, quase 1 hc por dia. Fica a pergunta: quem é que precisa de um juiz de garantias para se livrar da cadeia? Basta ter dinheiro para pagar um bom advogado.


Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo


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RECORDISTA


Gilmar Mendes, ministro do STF, que se considera absoluto e quer sempre ser o dono da razão e da verdade, é o recordista na expedição de habeas corpus desde 2009.


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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‘O FUTURO DO SUPREMO’


Embora atrasado, por causa da relutância em digerir algo indigesto como a defesa, pela advogada dra. Luiza Oliver, do STF e alguns de seus ministros velhos conhecidos dos brasileiros perante a opinião pública (Estadão, 6/1, A2), resolvi escrever, também como a maioria dos comentários, contra a sua apologia à Corte, ministros, e usando o Estado de Direito como justificativa. Direito de quem? Dos amigos dos amigos? Como vivemos hoje um Brasil maniqueísta de interesses escusos, resta acreditar que isso é mais um pau mandado, quem sabe talvez correndo atrás de uma indicação, cargo, nomeação que a princípio não merece ser lido ou comentado. Mas os leitores que realmente almejam um Brasil melhor não se cansam de ler, escrever, mesmo tendo de tomar um Engov depois. Há livros que apenas é preciso provar, outros que têm de ser devorados, outros, enfim, mas são poucos, os que se tornam indispensáveis, por assim dizer, mastigar e digerir (Francis Bacon).


Eliton Rosa elitonrosa@gmail.com

Rio de Janeiro


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AO STF SÓ O QUE É SUPREMO


Assim que recrudesceu a crise político-administrativa, o Supremo Tribunal Federal ganhou protagonismo e não saiu mais da mídia. Diz o artigo 102 da Constituição que “compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição” e decidir sobre ações que questionem a constitucionalidade de leis e atos normativos, e processar os chefes dos Poderes e demais detentores de foro privilegiado. Se fizesse apenas isso, a corte não teria ganhado a incômoda visibilidade, nem seus membros estariam sob o fogo cruzado dos que questionam seus atos. Os políticos têm sido os diretos responsáveis da ingerência judicial nas esferas de atribuição dos outros dois Poderes da República. Quando perdem no voto das Casas Legislativas, batem à porta do Judiciário para conseguir seus intentos através do “tapetão”. Melhor seria que, como ocorre nos países mais estáveis e desenvolvidos, os 11 ministros do STF só fossem provocados para dirimir dúvidas sobre a Constituição ou desempatar questões legais ainda pendentes das cortes intermediarias e superiores. Jamais atuassem sobre o caso concreto onde há um ou mais réus, como são os ruidosos processos em que condenados acabam libertos. A supremacia da corte tem sido usada, a nosso ver, indevidamente. Essas questões devem chegar ao fim, no máximo, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Preocupa-nos ver o STF perdendo seu tempo e autoridade com tabela do seguro de veículos, censura a produções humorísticas e coisas do gênero.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo


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O STF E O ESPECIAL DE NATAL


Toffoli derruba censura contra Porta dos Fundos e Netflix (Estadão, 9/1). Esta polêmica sobre o programa especial de Natal do Porta dos Fundos não teria existido se os diretores, produtores e artistas tivessem utilizado o nome e a imagem do pai ou genitor de qualquer um deles em substituição a Jesus Cristo no programa.


Darci Trabachin de Barros darci.trabachin@gmail.com

Limeira


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LIBERDADE DE EXPRESSÃO


A respeito do interminável imbróglio envolvendo o polêmico vídeo A Primeira Tentação de Cristo, do grupo humorístico Porta dos Fundos, que acaba de ser novamente liberado pelo STF, cabe, por oportuno, destacar as palavras de seu presidente, o ministro Dias Toffoli: “Consignei a liberdade de expressão, condição inerente à racionalidade humana, como direito fundamental do indivíduo e corolário do regime democrático, destacando que este regime pressupõe um ambiente de livre trânsito de ideias, no qual todos tenham direito a voz”. Com efeito, nestes tempos estranhos de viés autoritário e obscurantista do governo Bolsonaro, em beligerância diária e explícita contra a imprensa em geral, as palavras do ministro não poderiam soar mais apropriadas, pois não?


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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PORTA DOS FUNDOS


Não se trata de censura a decisão que baniu a exibição do filme do Porta dos Fundos, eis que viola a fé e estigmatiza a religião. Se cada um pode professar como lhe convém, qualquer crítica seria no mínimo inaceitável. Haveria espaço para um filme em prol do nazismo ou do fascismo pondo cobro à intolerância global? Evidente que não se percebe nos produtores uma finalidade em si, mas uma devassidão e exploração absurda a qual não mereceria entrar pela porta da frente de nenhum lar digno.


Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo


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BLASFÊMIAS


Segundo pesquisa, a censura é comumente o ato de restringir a liberdade e o conhecimento de informações destinadas ao público em geral. Ora, um povo que se vê impedido de obter a informação livre é um povo enfraquecido e controlado por um regime de governo ditatorial, o que, felizmente, no Brasil não existe mais. No passado, muitos escritores renomados e artistas ilustres dos quais nosso país só tem de se orgulhar foram vítimas da censura que, absurdamente, os levou ao exílio ou à prisão. Por isso a censura, hoje, é que é censurada. Todos têm o direito à informação e ao conhecimento não só com relação à imprensa, como também às artes quando expressam suas ideias tendo como objetivo a evolução do seu povo. Muito justo, obviamente, quando realmente se tratar de progresso cultural, administrativo e moral. Mas tudo na vida tem um limite e a liberdade de expressão também tem de ter. A liberdade de expressão não pode ser delegada àqueles que ousam corromper os sagrados princípios que todo ser humano deve ter para que uma sociedade seja edificada nos moldes da justiça e da dignidade. Mas é o que está acontecendo em relação a produções “artísticas” (nas aspas, porque mediocridade não é arte), pois, incrivelmente, há até quem defenda as chibatadas, dos agressores do mundo atual, a Jesus. Jesus, filho de Deus, nosso Pai, presente no sagrado mistério da Santíssima Trindade. Um ser puro, imaculado, que veio ao mundo para pregar o amor e a paz. Cujos ensinamentos conduzem à verdadeira felicidade e que, pelo amor que nos dedicou e nos dedica, foi tão humilhado, maltratado e crucificado. Informações bíblicas dizem que falar mal de Deus, insultá-Lo, difamá-Lo ou dizer mentiras sobre Ele é uma blasfêmia e mostra desprezo por Deus. Nossa atitude deve ser de amor, respeito por Deus. Ele é poderoso e nos ama. O simples ato de rejeitá-Lo já é uma blasfêmia. Sou a favor da liberdade na fé, seja qual for a religião, desde que tenha como base o amor que Jesus nos ensinou. Eu respeito, inclusive, os ateus. Mesmo porque existem pessoas maravilhosas na nossa História que não acreditam em Deus, mas abraçam uma missão tão altruísta e têm uma conduta moral tão elevada que, com certeza, terão a recompensa divina. Crer ou não crer é uma escolha de cada um. Só diz respeito à própria pessoa em questão. Mas ofender a Deus é um golpe terrivelmente ferino e covarde. Um desrespeito a Deus e a todos os cristãos. Um desrespeito inclusive ao Brasil, cuja população é na sua maioria cristã, que ama, segue e venera Jesus. Como cristã fiel que sou, tomo as dores do nosso Salvador. E apelo a todas as autoridades públicas deste país que não fiquem indiferentes e deixem impunes todas as blasfêmias dirigidas a Jesus. 


Nair Lúcia de Britto lucia.nair@yahoo.com.br

São Paulo

   

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LIBERDADES E LIBERTINAGENS


O.k., Porta dos Fundos! O.k., STF! E vamos, agora, fazer uma sátira democrática e bem-humorada com as sexualidades de santos e mártires de todas as culturas, com heróis nacionais e com patronos de artes e ofícios diversos. Só que não! Façamos também com pais e mães, filhos e irmãs... dos outros, claro! E que se danem religiões, crenças e venerações hipotéticas de toda espécie, e tudo sempre em nome das liberdades e libertinagens democráticas e republicanas. Mas, afinal, sempre foi mesmo muito difícil diferenciar os limites quando qualquer coisa parece ser legal e permitida, mas em nome de quê, mesmo?


Marcelo Gomes Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

       

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SUGESTÃO


Gostaria de sugerir aos “brilhantes” produtores do grupo humorístico Porta dos Fundos que, usando a sátira que tão bem sabem fazer, fizessem um filme em que os personagens fossem os senhores ministros do Supremo Tribunal Federal, travestidos de bandidos, gays e estupradores. Será que os personagens na vida real reprovariam, por se considerarem mais importantes do que Jesus Cristo?


Walter Carvalho walterdc@uol.com.br

Jundiaí


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LIBERDADE E DEMOCRACIA


Vamos lá: por anos a Justiça impediu que grande jornal paulista divulgasse dados sobre suposto crime praticado por membro da família Sarney; a mesma Justiça impediu que se publicasse a biografia (não autobiografia!) de Roberto Carlos. Agora, sob o ideal de liberdade de expressão (acima de tudo!), um único homem decide pela liberação do infame “filme” do Porta dos Fundos. Nos dois primeiros casos, homens poderosíssimos e seus rábulas pagos a peso de ouro impediram a divulgação do que queriam escondido. No caso do Porta, a imprensa, para manter o dogma da liberdade absoluta, promoveu a infâmia. Toffoli é o Judas da vez, mas todos os implicados lavam as mãos.


Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador


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NUNCA MAIS?


Estou de acordo que o lixo do Porta dos Fundos seja esparramado pelo Brasil e pelo mundo através do Netflix, afinal, censura nunca mais! Nunca mais, cara pálida? Experimente escrever que não acredita que o aquecimento global é causado pelos homens, mas sim que o clima do planeta já variou extremamente através de milhões de anos independendo das ações dos seres humanos... vão te esculhambar, calar sua boca com ironias e achincalhes! É assim que a coisa funciona neste país cujas principais instituições estão nas mãos de esquerdistas.


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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