Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 03h00

OPERAÇÃO SPOOFING

Demorou

Ministério Público Federal pede a condenação de Glenn Greenwald por 126 condutas criminosas. Estava demorando!

ROBERT HALLER

robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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Liberdade de imprensa?

Conceito de receptação: ato de adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte. Ora, se um hacker obtém de forma ilícita – logo, criminosa – dados pessoais de determinados cidadãos, o dito jornalista que os recebe e publica comete o mesmo crime do receptador de um celular roubado. Não estamos aqui falando de liberdade de imprensa. Este tal Glenn Greenwald tem mesmo de ser indiciado, ao contrário do que parte da imprensa militante de esquerda defende. Ou não?

JORGE CARRANO

carrano@carrano.adv.br

Niterói (RJ)

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Invasão

Nada que ver com liberdade de imprensa. Glenn Greenwald não foi denunciado por divulgar informações, mas por ter participado com os hackers da invasão de celulares. Insisto: nada que ver com liberdade de imprensa!

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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Cumplicidade no crime

O jornalista Glenn Greenwald várias vezes citou os EUA como modelo jurídico quando acusava Sergio Moro e os procuradores, dizendo que lá seria inadmissível e criminosa a atuação da Lava Jato. Da mesma forma, pela lei americana Greenwald seria o chamado accessory after the fact, aquele que ajuda o criminoso após o crime. Com a diferença de que em seu caso a conversa com o hacker foi obtida legalmente. O jornalista ainda vai elogiar nosso sistema judiciário.

ALBERTO DWEK

aldwek@gmail.com

São Paulo

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Repto

Desafio qualquer jornalista brasileiro a ir para os EUA, aliar-se a um grupo de hackers, entrar nos celulares das autoridades locais, roubar mensagens postadas e divulgar isso num site próprio. Será que ele teria a proteção da Corte Suprema de lá, como o Greenwald tem aqui?

MAURÍCIO LIMA

mapeli@uol.com.br

São Paulo

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CORRUPÇÃO

Caixa-preta do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) gastou a enorme quantia de R$ 48 milhões para abrir a “caixa-preta” e detectar irregularidades em operações com JBS, mas nada foi encontrado. Estranhamente, não foram investigados os empréstimos do BNDES para empreendimentos fora do Brasil, que são justamente o alvo de calote ao banco, sendo, absurdamente, o governo brasileiro o fiador. Provavelmente é aí que está a corrupção bilionária.

LUIGI VERCESI

luigiapvercesi@gmail.com

Botucatu

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Luanda Leaks

Para mim não há nenhuma novidade. José Eduardo dos Santos agiu em Angola como todos os esquerdistas que chegam ao poder: roubou, locupletou-se e permitiu que sua filha fizesse o que bem entendesse com as maiores empresas estatais do seu país. A tal Isabel nunca foi uma “Ronaldinha dos negócios”. É apenas uma grande e esperta cleptocrata. Nós, brasileiros, conhecemos muito bem os “Ronaldinhos” espertalhões que ficaram milionários em função dos cargos que seus pais ocuparam.

LEÃO MACHADO NETO

lneto@uol.com.br

São Paulo

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GOVERNO BOLSONARO

Cultura

No Brasil dos últimos tempos parece ter-se convencionado que cultura é só teatro, cinema, carnaval e música pop. Por isso um titular da Cultura tem de vir das artes cênicas. Esquecemos que um museu como o Nacional ou o da Língua Portuguesa, dos mais significativos de uma cultura esquecida, consumiram-se no fogo e por motivos ridiculamente prosaicos: uma gambiarra na sala do diretor ou um curto-circuito em holofote mal cuidado. Essas duas instituições, que deveriam estar sob a guarda de uma pasta da Cultura, para a classe artística aparentemente são menos importantes que um teatro/cinema/show privados, em que ganham muito dinheiro, mas, ainda assim, precisariam de recursos públicos. Sem falar na ideologia, de um lado ou do outro, que domina os que disputam o butim.

PAULO M. B. ARAUJO

pmbapb@gmail.com

Rio de Janeiro

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Pedradas

Num momento tão delicado, em que artistas querem impor suas ideologia e vantagens, o convite a Regina Duarte para a Cultura deveria receber apoio e sugestões para acertar e acalmar essa classe que não se cansa de lutar por privilégios.

GERALDO SIFFERT JUNIOR

siffert18140@uol.com.br

Rio de Janeiro

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Canja

A Regina Duarte recomendamos cautela e caldo de galinha, que não fazem mal a ninguém. Há que ter cuidado, pois na vida pública prevalece a exceção.

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

fransidoti@gmail.com

São Paulo

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AXIOLOGIA

Banalização do mal

Parabéns ao professor Ives Gandra pelo artigo sobre o desvirtuamento do conceito de liberdade (21/1, A2). Pessoas de baixíssimo nível cultural pretendem expor sua ignorância e agressividade sob pretensa atividade cultural, ao desvirtuarem o conceito de liberdade. O mal se banaliza numa sociedade sem ética.

JOSE ED. BANDEIRA DE MELLO

josedumello@gmail.com

Itu

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Sábias palavras as do professor Ives Gandra. Com conhecimento, cultura e clareza didática expressa o que a imensa maioria dos brasileiros pensa a respeito desse bochornoso vídeo da Porta dos Fundos. Obrigado.

CARLOS A. ARELLANO

caas.arellano@gmail.com

São Paulo

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DPVAT

Burocracia leonina

A devolução do pago a maior devia ser feita diretamente na conta do pagador (está no recibo). As exigências burocráticas leoninas farão muitos não receber.

DÉCIO ANTÔNIO DAMIN

deciodamin@terra.com.br

Porto Alegre

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“A imprensa é livre, mas o conluio é crime”

HELENA RODARTE COSTA VALENTE / RIO DE JANEIRO, SOBRE GLENN GREENWALD, A TRANSGRESSÃO DA LEI E A OPERAÇÃO SPOOFING

helenacv@uol.com.br

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“Um pouco de reflexão é necessário: jornalismo não é crime, mas também pode haver jornalista criminoso. As instituições não podem servir de escudo para malfeitos”

LUIZ FRID / SÃO PAULO, IDEM

luiz.frid@globomail.com

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“E a jornalista (?) Manuela d’Ávila?”

GUTO PACHECO / SÃO PAULO, IDEM

jam.pacheco@uol.com.br

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A DENÚNCIA CONTRA GLENN GREENWALD


Aparentemente não existe mesmo motivação para que a Justiça decida por aceitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o jornalista Glenn Greenwald, que nem indiciado pela Polícia Federal foi. É fato que cercear a liberdade de imprensa ronda o imaginário de gente que tem medo da verdade. Já foi tentada no governo passado, com o fantasioso discurso da democratização dos meios de comunicação, e continua viva por aí. Mas não se deve perder o foco de que a atividade de hackers, que invadem a privacidade de quem quer que seja, também é crime e, logicamente, deve ser combatido e punido. Glenn tem o direito ao sigilo da fonte, mas não pode ter envolvimento de colaboração com a ela. Isso é que deve ser investigado, e para ele é a oportunidade de esclarecer sua ainda nebulosa participação no caso. Basta colaborar.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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ATAQUE À IMPRENSA LIVRE


Inaceitável que membros do Ministério Público Federal ataquem jornalistas no exercício profissional. A denúncia contra Glenn Greenwald desperta profunda indignação e lança descrédito sobre a Justiça brasileira, que urgentemente precisa sair à procura da dignidade perdida. É um ataque à imprensa livre.


Valéria Hartt valeriahartt@gmail.com

São Paulo


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INATINGÍVEIS


Se “é problema quando você praticar atos que afetam a liberdade de expressão”, como afirma o ministro Marco Aurélio, do STF, sobre o caso do jornalista Gleen Greenwald, seria calamitoso considerar inatingíveis, perante a lei, jornalistas que pretendem ir além do que a Constituição federal lhes permite, a exemplo do item XII do Art. 5.º, que estabelece que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial (...)”, entre outros. É oportuno lembrar ao defensor dos colarinhos emporcalhados, Gilmar Mendes, que o advogado em questão deve, sim, ser investigado.


Elizio Nilo Caliman elizio.caliman@yahoo.com.br

Brasília


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QUADRILHA


O que vemos nas conversas gravadas dos integrantes da quadrilha – que não foram vazadas por hackers, mas por investigadores oficiais – é que Glenn Greenwald, que ganha dinheiro vendendo bobajada confidencial roubada (fruto de violação da sagrada intimidade de autoridades públicas), associou-se à quadrilha que hackeou quase toda a República, assumiu o papel de tutor dos criminosos, visando a reduzir o risco de eles serem flagrados com as provas na mão, e ainda escondeu uma cópia de tudo em lugar seguro, sugerindo aos criminosos que apagassem sua cópia da muamba para não deixar rastros; e, se eles precisarem ter acesso às conversas roubadas escondidas por Glenn, não haveria problemas, pois tudo estaria à disposição dos criminosos, de forma íntegra e segura. O esquema da quadrilha é transparente. Impressionante, mas o ministro Gilmar Mendes, do STF, com uma liminar surrealista, blinda incondicionalmente o blogueiro que tutela uma quadrilha contra qualquer tipo de investigação. Se tudo isso não for enquadrado como participação ativa do blogueiro em quadrilha organizada (sob a sui generis proteção de ministro do STF), não existe mais direito nem Justiça no Brasil – dissolveram-se as instituições, acabou-se a República. E, finalmente, tudo isso nada tem que ver com liberdade de imprensa.


Olimpio Alvares olimpioa@uol.com.br

Cotia


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OPERAÇÃO SPOOFING


A denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o jornalista Glenn Greenwald no âmbito da Operação Spoofing não tem nada que ver com liberdade de imprensa e de expressão, como querem fazer crer a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), mas sim com a obtenção de material privado por intermédio da invasão criminosa de celulares. Este é o ponto central. Segundo a denúncia precisa do MPF, a que Greenwald terá amplo direito de defesa, a participação do jornalista ficou comprovada pela obtenção de áudio de conversa entre ele e um hacker demonstrando que ele “auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões”. A argumentação da OAB é simplista e tergiversa ao afirmar que a denúncia “criminaliza a mera divulgação de informações”, enquanto a ABJD, ao dizer que Greenwald e sua equipe têm “sofrido severas perseguições pela divulgação de material de altíssimo interesse público”, pouca ou nenhuma importância dá ao fato de o material ter sido obtido ilicitamente. A peça do MPF é técnica. São os defensores do jornalista que, na falta de argumentos, politizam acintosamente os fatos.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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À ESPERA DE GILMAR


Denunciado pelo MPF, o jornalista do The Intercept Brasil Glenn Greenwald vai recorrer ao STF somente após o retorno de Gilmar Mendes. Por que será?


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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EQUIDISTÂNCIA


A notícia que vem sendo divulgada dando conta de que o hacker Glenn Greenwald vai aguardar o retorno de Gilmar Mendes do recesso judiciário para encaminhar reclamação ao STF pela denúncia contra ele, por ter o referido ministro considerado a decisão do MPF uma afronta ao seu posicionamento anterior sobre o caso, aliada ao fato de o plantonista da Corte, a quem deveria ser encaminhada a ponderação, ser Luiz Fux, simpático à Lava Jato, dá bem a medida do clima de comprometimento e parcialidade reinante entre os togados, bem distante do que deveria caracterizar a missão do mais importante órgão do Judiciário, de guardar a Constituição e estabelecer justiça de maneira equidistante e impessoal.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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O STF E A LIBERDADE DE IMPRENSA


Bastou o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, do Ministério Público Federal, acusar o jornalista Glenn Greenwald de participar do esquema de invasão de celulares e roubo de mensagens principalmente de autoridades ligadas à Operação Lava Jato, que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestou-se de imediato dizendo que isso fere a liberdade de imprensa. Manifestações semelhantes já foram proferidas bem antes abertamente por Gilmar Mendes. Como sabemos, tem muito político e outras “autoridades” interessados em acabar com a Lava Jato para ver se escapam das garras da Justiça. Já que Gilmar Mendes defende esse tipo de postura, gostaria de saber sua opinião, de Dias Toffoli, Lewandowski e da própria OAB se o sigilo dos telefones e mensagens tivesse como alvo estes últimos citados. Certamente, por se considerarem acima dos demais mortais brasileiros, aí, então, seria crime e não teria problema nenhum com a liberdade de imprensa.


Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo


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E SE?


Se os hackers tivessem usado suas habilidades para saber de membros do Supremo Tribunal Federal (STF), isso também interessaria ao Glenn, do The Intercept Brasil? Ele seria isentado? Sr. Glenn Greenwald, “os fins não justificam os meios”, pois ao usar material de hackers, ilegal, sua fonte estava contaminada, então passou a ser cúmplice de um crime ao divulgá-lo.


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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O FIM DA PICADA


O impedimento da publicação ou divulgação de informações obtidas de forma lícita fere a liberdade de imprensa. Entretanto, o Ministério Público Federal deixou claro que Glenn Greenwald induziu e auxiliou aqueles que invadiram os celulares das pessoas que investigavam a corrupção praticada pelo PT. O sr. Gilmar Mendes determinou que Greenwald não poderia ser alvo de qualquer ato investigativo. Seria o fim da picada imaginar que ele estivesse acobertando tamanha irregularidade. Valha-me Deus!


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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BARBARIDADE


Com relação às conversas roubadas de autoridades, a clara participação do jornalista Glenn orientando os hackers não deixa qualquer dúvida. Depois de todos os nós que o STF deu no caso tentando livrar o jornalista, alegando liberdade de expressão, é de perguntar: é lícito jornalista cometer crimes? Como esperado, a OAB correu defender o tal jornalista que apresentou mensagens roubadas somente de quem mexeu com a alta cúpula do PT – demais nomes nem chegaram a serem expostos porque, certamente, o acerto foi combinado entre as partes. E que acerto foi este? Quanto o jornalista pagou por matéria criminosa? Agora, dizem, Glenn aguarda a volta de Gilmar Mendes do recesso para recorrer ao STF. Será que chegamos a este nível de baixaria? A defesa do jornalista vai escolher o juiz da ação? Temos um STF com cartas marcadas? Os ministros mostraram de que lado estão, mas não deveriam estar ao lado do que diz a lei? O simples fatos de os hackers estarem presos demonstra que praticaram crimes. E há, ainda, quem defenda essa barbaridade? Não se pode levar a sério um país que dá cobertura a bandidos.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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POBREZA E MEIO AMBIENTE


O ministro da Economia, Paulo Guedes, em Davos, proferiu uma inverdade evidente: “Destroem porque estão com fome”. No Brasil há pobreza inaceitável, mas não há miséria famélica. E, segundo, os que destroem – desmatam – têm recursos, são ricos, são ladrões gananciosos protegidos no Congresso pela banda ruralista, que chantageia o governo nas votações. Guedes tinha de dizer “qualquer coisa” para “aliviar” ou tentar camuflar a situação desacreditada do governo brasileiro. E não se resgata a pobreza não urbana da floresta e do sertão com os recursos de modernização econômica, elencados pelo ministro. Pautado nos compêndios das academias americanas, eventualmente lhe falte essa percepção. Fato é que até agora ninguém propaga um projeto de desenvolvimento regional sustentável para a Amazônia coordenado pelo Estado, conforme o modelo chinês de desenvolvimento. (Vide Como acelerar o Desenvolvimento Sustentável? em http://www.yaliseditora.com.br) O resgate de mais de 10 milhões de famílias, ou seja, de 40 milhões de habitantes, poderia ser iniciado neste governo com projetos de reflorestamento.


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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ANEDOTÁRIO


Paulo Guedes teve seu dia de síndrome Bolsonaro em Davos. O Posto Ipiranga abasteceu o anedotário nacional com mais um antológico besteirol: “pobres destroem o meio ambiente porque estão com fome”. São os pobres que põem fogo na Amazônia para plantar soja, vender madeira, criar gado e instalar mineradoras de ouro! Shame on you, mr. Guedes... chicago boy! 


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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CONGRESSO RICO, POVO POBRE


O Estadão de domingo publicou que o nosso rico Congresso paga pensão de até R$ 30 mil mensais para filhas solteiras de ex-congressistas que nunca trabalharam e provavelmente nunca contribuíram para a Previdência. Enquanto isso, os pobres trabalhadores que contribuíram durante 35 anos ou mais recebem aposentadoria em torno de R$ 2 mil no máximo. Ainda recentemente, o governo fez uma ampla reforma na Previdência para apertar o cerco aos pobres contribuintes do INSS, e nada foi feito para coibir as aposentadorias milionárias no setor público. É um profundo desrespeito com os pobres trabalhadores do setor privado. Quando será que vai ser feito um pouco de justiça com os desmandos no setor publico? A reforma administrativa tem de ser feita imediatamente, sob um sério risco de que a recuperação econômica que está vindo, com consequente aumento de arrecadação, acabe beneficiando apenas o setor público. O nosso Estado está de parabéns por estar sempre vigilante nos desmandos da coisa pública, pois precisamos domesticá-la imediatamente, em benefício de 200 milhões de brasileiros.


Marco Antonio Martignoni mmartignoni@ig.com.br

São Paulo


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BENESSE


A senhora Helena Hirata vive há 46 anos em Paris e sempre recebeu pensão mensal de R$ 16,8 mil do Estado paulista, por ser filha de um ex-deputado federal por São Paulo. Filósofa, estabeleceu em Paris uma carreira voltada a pesquisar, entre outras coisas, discrepâncias salariais na remuneração entre homens e mulheres. Como nenhum estudante brasileiro conseguiria bolsa de estudos na França que chegasse perto de tamanha facilidade com que certas pessoas, despossuídas de melhores valores e sensos morais, possuem, é fácil perceber por que o Brasil, há séculos, apresenta uma das discrepâncias de classes sociais mais absurdas do mundo. Num momento tão crucial em que vivemos, seria de bom tom se o governo e o Congresso Nacional revissem determinados direitos adquiridos que não representam direitos verdadeiramente, mas excrescências realmente. Chega de favorecimentos indevidos tão fartos e sem qualquer lógica, em detrimento de todas as lógicas tão fáceis e possíveis de serem reconquistadas. Ou o Brasil age de modo firme e com coragem ou jamais mudaremos a nossa história de desigualdades, absurdos e covardias. Parabéns, senhora Helena Hirata, pelo fato de a senhora não ter se afastado tanto de nossos problemas cotidianos.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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A PENSÃO DAS FILHAS SOLTEIRAS


Voltam à baila as pensões às filhas solteiras (Estadão, 19/1, A8). Criado em 1958, pela Lei n.º 3.373, no governo Juscelino Kubistchek, o benefício se estende a todo o funcionalismo, não só aos militares, como se disse erroneamente por muito tempo. Foi reformulado em 1990, mas aí virou caso de Justiça, e as beneficiárias argumentam direito adquirido. Casos como o da filha de ex-deputado que mora em Paris desde 1974, lá fez carreira e se aposentou, mas recebe da Câmara durante todo este tempo pensão de R$ 16 mil mensais, são, no mínimo, estranhos. Ainda há a suspeita de fraude em 19 benefícios pagos por 121 órgãos federais. É preciso rever as pensões não decorrentes de processos e contribuições previdenciários e só manter as que tiverem caráter humanitário, para evitar que a beneficiária passe fome e outras privações. Nada de valores que vão até R$ 35 mil mensais, como os do Senado e da Câmara. Esse dinheiro é pago pelo Tesouro e, em vez de atender a privilegiados, deve ser aplicado em serviços para toda a população.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                    

        

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FUNDO PERDIDO


Reportagem do Estadão apontou as pensionistas do governo federal. Infelizmente, isso se dá não só nessa esfera. Basta fazer o mesmo levantamento nos Estados e imagino que ocorra o mesmo nos municípios. Há uma famosa atriz cujo pai, ex-promotor, de maneira trágica assassinou sua mãe e se matou em seguida. Essa atriz recebe até hoje uma pensão, por conta do “direito” adquirido. Óbvio que já teve diversos namorados, inclusive viveu um tempo com um dos herdeiros da gloriosa Globo, porém nunca se casou e nunca se casará, pois isso implicaria perder esse “direito”. Quanto à reportagem de domingo, a desculpa da senhora Hirata, de que foi orientada por seus advogados a receber o benefício, é um acinte aos contribuintes e pensionistas brasileiros.


Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo


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$OLTEIRICE DE ARAQUE


Com efeito, num país que vive a mais severa e aguda crise econômica de sua história, com milhões de desempregados, subempregados e desalentados sem a menor perspectiva de recolocação profissional no horizonte mais próximo, causa espécie e profunda revolta o caso da solteirice para inglês ver das filhas de ex-parlamentares e de militares falecidos, que recebem gordas pensões do Congresso à custa do erário. É preciso urgentemente rever o benefício assinado nos anos JK, que não faz nenhum sentido nos dias atuais. Por oportuno, aviso que no momento estou solteiro – caso alguma delas queira iniciar um namoro sério.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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MUDA, BRASIL!


Mais excrecências foram “encontradas” no País. A boa notícia é que foram “achadas” ações de grandes bancos e empresas, na ordem de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões, em que o governo é sócio, e não sabia. Por outro lado, também foi “achada” mais uma mamata do Congresso Nacional que paga às solteironas – filhas de ex-parlamentares e ex-servidores – pensões mensais na ordem de R$ 35 mil, com um custo anual de mais de R$ 30 milhões. Afinal, para que casar, se o Estado já é um “maridão” para as 194 mulheres nessas condições? Está na hora de o governo Bolsonaro se aprofundar nesses temas, pois, certamente, irá se surpreender – e os brasileiros também. Urgentemente, muda, Brasil!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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ABSURDOS


Sobre a matéria Maia chama de ‘absurdo’ pagamento a solteiras e cobra STF (Estadão, 19/1), em primeiro lugar, não entendi as aspas no absurdo. Será que o Estado não acha tais pensões verdadeiro absurdo? Suponho que minha dúvida seja inapropriada. A tradição do Estadão me leva a crer que o entendimento dele é de que, realmente, entendemos todos ser absurdo tal pagamento. Indo ao problema em si, destacam-se dois absurdos reais, quais sejam: 1) a manutenção do status de solteira constitui-se numa indústria entre filhas de detentores de aposentadorias por trabalho em entidades públicas. Lembremo-nos, no meio civil, e no meio militar; 2) o STF não deveria sequer julgar tais pagamentos, ou, se julgasse tal privilégio, deveria se estabelecer que todo ministro do STF que tenha filha jamais deveria participar do julgamento, mas se declarasse ou fosse declarado em suspeição. Não se encerram nestes dois pontos os absurdos. Estabeleçam-se esses como os primeiros absurdos. Temos mais. Como podemos supor que alguém atravesse a vida sem trabalhar e merecer tal privilégio? Excluamos filhas incapazes, e neste caso até mesmo filhos. Mas essa deveria ser uma exceção. Conceder pensão vitalícia em favor de quem quer que seja é escárnio contra a sociedade. Temos, ainda, mais absurdos, e este me parece, no momento, o maior de todos. Se o Estado, num belo trabalho investigativo – eis o grande poder do jornalismo – não tivesse levantado o tema, o que Rodrigo Maia estava fazendo de concreto para eliminar o problema? É bastante político, no mau sentido, ele demonstrar indignação agora. Parece bonito, mas o que ele fez ao longo do tempo? Não só agora como presidente da Câmara, ele teve outras legislaturas anteriores, e o que fez ao longo desse tempo? Eis por que não se consegue aprumar o Brasil. Falta decoro. Falta este decoro ao Legislativo, ao Judiciário e a muitos dos participantes desses poderes. Será que nunca conseguiremos reunir gente de caráter para resolver problemas tão sérios como este? A seriedade nem é pelo valor, é pelo exemplo. Auguro que a excelente matéria do Estado suscite uma solução agora, mas o tema precisa ser seguido. Deixá-lo por conta dos participantes de Legislativo e do Judiciário, sem cobrança diuturna, é ser otimista demais.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

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