Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 03h00

Criminalidade e insegurança

Impunidade

Prescrição atinge 30% dos crimes contra a vida (Estado, 2/3) e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de forma louvável entende que a Corte deve analisar a possibilidade de início da execução de pena após sentença do Tribunal do Júri. E eu entendo que deveria preocupar-se também com os demais crimes, que igualmente prescrevem, estimulando a criminalidade em razão da impunidade. Interesse que Dias Toffoli não demonstrou no julgamento sobre a prisão após condenação em segunda instância.

JOSÉ WILSON DE LIMA COSTA

JWLCOSTA@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Crimes contra a vida

É bem-vinda a ação do ministro Toffolli para apressar o cumprimento de pena nos crimes contra a vida, muitos dos quais acabam prescrevendo. Entretanto, o ministro tem atuado para adiar condenações por crimes de corrupção, mais ligados ao colarinho-branco. Toffolli precisa entender que a corrupção é delito muito grave, pois sangra recursos de educação, saúde e segurança pública, áreas carentes de recursos e que afetam diretamente o aumento dos crimes cuja condenação o ministro se empenha em acelerar.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Punição exemplar

Acostumado com a impunidade, o condenado pela Justiça Paulo Maluf e as pessoas que criaram o esquema de lavagem de dinheiro para ele devem estar decepcionadas com a punição exemplar que estão recebendo. Um exemplo de que o crime não compensa.

RICARDO FIORAVANTE LORENZI

RICARDO.LORENZI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Sem anistia para policiais

Os policiais militares do Ceará amotinados sabiam que poderiam ser presos e apenados nos termos e limites da lei. Desafiaram a ordem constituída e não podem, pois, fazer jus ao anistiamento, porque premiar os infratores da lei é o mesmo que convidar seus congêneres a fazerem o mesmo, iniciando-se o processo de desordem e indisciplina na categoria em geral. A não anistia, além de ser legal e justa, serve como exemplo e desestímulo a eventuais aventuras semelhantes.

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO

CARNEIROJCC@UOL.COM.BR

RIO CLARO

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Cultura

Carnaval sem limites

Questionado em entrevista ao Estado (1.º/3) sobre a necessidade de limites às manifestações do carnaval, Alê Youssef, secretário municipal de Cultura de São Paulo, disse que “ataque ao carnaval é ataque à cultura nacional”. O carnaval é, sem dúvida, um fato cultural, mas a explosiva expansão verificada nos últimos anos é mais do que isso. É também uma desmedida apropriação comercial da festa que tem provocado desdobramentos importantes. Conforme reportagem desse mesmo jornal, os tradicionais blocos de carnaval da cidade passaram a enfrentar dificuldades, até mesmo financeiras, em face do fenômeno dos megablocos. São naturais as relações dinâmicas entre diferentes protagonistas e fatos culturais, mas nesse caso parece que uma tradição de décadas está sendo afetada negativamente no novo contexto. Outra implicação da expansão tem que ver com a distinção entre público e privado – sempre problemática em nossa realidade. Se a dimensão econômica do carnaval sobressai, em que medida empresas podem apropriar-se do espaço público para ali auferir seus lucros, especialmente se, considerando as megadimensões da festa, alguns direitos relacionados a esse espaço ficam comprometidos? Não se trata, é evidente, de impor limites, mas de aprimorar mecanismos que não permitam a degradação do tradicional em função do novo, nem confundir, ainda mais, a questão pública com interesses privados.

VALTER VICENTE SALES FILHO

VALTERSAOPAULO@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Águas de março

E chuvas de abril

Fim de carnaval, para evitar a comoção e fomentar a prevenção vale uma lembrança sobre as águas de março e as chuvas de abril, fechando o verão. As habituais, anuais e previsíveis chuvas do verão tropical, próximas ao litoral, demandam lógicas reflexões visando ações tecnológicas. O desenvolvimento urbano, técnico e politicamente correto, precisa de algo mais que palavras de críticas ou de elogios. Para a infraestrutura devem ser utilizadas adequadas culturas, ambiental e tecnológica. Menos locução, mais atitude e ação. A sociedade brasileira ainda tem uma insuficiente percepção e valorização dos profissionais das áreas tecnológicas. Precisamos valorizar e bem utilizar a engenharia e a tecnologia como fatores determinantes para a melhoria e segurança da qualidade de vida do cidadão. As gestões públicas, em todos os níveis, precisam de um exercício ideológico para atingir o resultado lógico, aplicando, por exemplo, a geotecnia, a hidrologia e a ecologia. Mas para tocar em frente é indispensável uma equipe profissional experiente e competente. As tragédias naturais são inevitáveis, mas é possível reduzir sua gravidade para limites aceitáveis. Melhores técnicas de engenharia permitem convivência mais harmônica do homem com a natureza. A construção de um bom caminho na direção do progresso passa por isso. É preciso acordar e deixar de lado as improvisações.

PAULO CESAR BASTOS, engenheiro civil

PAULOCBASTOS@BOL.COM.BR

SALVADOR

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Líderes omissos

Enquanto o Rio, no dia em que comemora 455 anos de fundação, sofre mais uma tragédia com as chuvas de verão, seus governantes abulicamente marcam essas datas com sua ausência. Essa é característica que teremos de evitar nos candidatos que elegeremos nos pleitos eleitorais que se aproximam, rumo a um processo de reconstrução da Nação brasileira. Lideranças do passado recente e atuais primam em eternizar o sofrimento de grande parte da nossa sofrida população.

JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

CRIMES PRESCRITOS

É absolutamente inaceitável e totalmente condenável que nada menos que cerca de 30% (!) das ações sob responsabilidade do Tribunal do Júri prescrevam em razão da longa tramitação e de todo tipo de chicanas e procrastinações da defesa, impedindo o Estado de punir os criminosos investigados, reforçando, assim, a confortável sensação de que o crime compensa neste país da impunidade (Prescrição atinge 30% dos crimes contra a vidaEstadão, 2/3). Por oportuno, cabe citar o que bem disse o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli: “O Poder Judiciário deve estar comprometido com o combate aos crimes dolosos contra a vida – verdadeira e trágica epidemia em nosso país –, dando prioridade aos julgamentos do Tribunal do Júri, evitando-se prescrições, adiamentos e dando atenção máxima aos casos de feminicídio. O Judiciário está fazendo sua parte nestes que são os piores crimes, pois atentam contra a vida das pessoas”. Cabe, igualmente, registrar as palavras do coordenador do grupo de trabalho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Rogerio Schietti: “Homicídio é o crime mais grave, que não tem reparo. Da mesma forma que não pode existir Justiça sumária, como se fazia há séculos, também não pode ter julgamentos excessivamente longos, porque isso implica a perda da qualidade dos julgamentos. (...) Por isso, precisamos ter uma Justiça mais ágil neste país onde há uma excessiva litigiosidade. Nós somos um dos países em que mais se praticam crimes no mundo. Um número astronômico, de guerra, de homicídios. O Brasil é um país que tem alto índice de criminalidade e baixo índice da punição dos autores”.  Como se diz, justiça tardia é justiça falha. Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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TRISTE NÚMERO

Dados estatísticos comprovam que temos mais de 65 mil assassinatos ao ano no Brasil, em grande parte pelo péssimo funcionamento do Tribunal do Júri e alto índice de prescrição, consequência da impunidade. Banir o tribunal do júri seria uma solução, ou apenas torná-lo eficiente com o veredicto de culpado ou inocente, sem formalismos e de rito sumário. Talvez assim possamos apagar este triste número de mortes violentas no Brasil, que nos envergonha no cenário mundial.

Carlos Henrique Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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IMPUNIDADE

30% de crimes contra a vida prescrevem. O Brasil, de uma forma ou outra, é o país da impunidade, porque os legisladores (parlamentares) não querem prisão após a condenação em 2.ª instância, que diminuiria este problema. Acho que todo mundo sabe por que, não é?

Maurício Lima mapeli@uol.com.br

São Paulo

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LIBERADO

Se 30% dos crimes contra a vida prescrevem e temos, ainda, um grande porcentual de crimes que não são solucionados, está liberado matar no Brasil.

Vital Romaneli Penha vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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MIOPIA

O réu tem direito de permanecer em liberdade até o fim de todos os recursos, ou seja, até o trânsito em julgado, segundo a Constituição. Baseado nisso, o STF, por 6 votos a 5, proibiu prisão após condenação em segunda instância, libertando um bando de ladrões do dinheiro público. Agora, o ministro Antonio Dias Toffoli muda seu entendimento e se manifesta favoravelmente à prisão depois de condenação por tribunal de júri para determinados crimes. O míope presidente do STF não consegue enxergar que roubo de dinheiro público é tão funesto quanto os crimes de homicídio.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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CONSEQUÊNCIAS

Nossas autoridades, com poder de mando, decidem sem pensar nas consequências para o País. Se houvesse parâmetros bem definidos e obrigatórios, já teríamos prisão em 2.ª instância, nos livrando do vexame de vermos um condenado ter autorização para viajar para Roma, por exemplo. Agora, descaradamente, sem nem pedir mais autorização, Lula foi para a França, com o nosso dinheiro, para falar mal do Brasil, como se não respondesse a processos. Gostaria de saber do juiz Vallisney de Oliveira, da 10.ª Vara Criminal Federal de Brasília, se não pensou nas consequências de sua decisão. Se outros condenados, e não presos, pedirem o mesmo a ele ou a outro juiz, como será a decisão? Outro exemplo: o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que encontrou o Estado que foi governado pelo PT quebrado e com salários atrasados, resolve dar aumento de 41% para uma categoria (não que não mereça), e não pensar em outras categorias ou nas consequências para os seus colegas governadores de outros Estados, também em situações de penúria. Caras autoridades, que se cumpra a lei para que o País não tenha de suportar mais rebeliões e greves ilegais. Viva a democracia!

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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A ‘TRATORADA’ DO SENADOR

A greve da Polícia Militar cearense acabou e notícias preliminares indicam que grevistas sofrerão punições pesadas e alguns serão demitidos sem direito algum. Uma greve policial é algo que não pode passar sem alguma correção, e todos concordamos com isso, mas como fica Cid Gomes, que se apossou de uma retroescavadeira e investiu contra os grevistas e talvez pudesse ter matado uma ou mais pessoas, entre policiais, esposas e filhos destes que estavam atrás da grade do local, se dali não houvessem disparados dois tiros que o atingiram? Pois é, a greve acabou, haverá punições aos grevistas, mas há silêncio sobre Cid Gomes. Por que, ele é especial? Licenciado, mantém a maldita imunidade parlamentar, um luxo de Terceiro Mundo de que políticos usam e abusam.

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

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A VIDA DIFÍCIL DE MORO

Com méritos de ser a figura pública mais popular do País, a vida do ministro da Justiça de Jair Bolsonaro não está sendo nada fácil. Por exemplo, no caso do motim ilegal dos policiais do Ceará, que tem apoio do presidente e de seus filhos parlamentares, Sérgio Moro só depois de alguns dias deste grave motim é que, demonstrando certo desconforto para não colidir com o que pensa o presidente, disse que, apesar de ser um movimento ilegal, “policial não é um criminoso”. Mas faltou acrescentar que, por estarem desrespeitando a Constituição, esses policiais amotinados deveriam sofrer duras penalidades. Afinal, é ministro da Justiça! Não é verdade?

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Paulo

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O JUÍZO DO TEMPO

Sérgio Moro, quando fala sobre os PMs amotinados no Ceará, parece que está pisando em ovos, dizendo que o motins, por muito tempo tolerados por sindicalistas esquerdistas, na realidade são ilegais. O governo petista do Ceará agora está tomando o remédio que por muitas vezes deu aos outros. Desde o surgimento do Estado e de Forças Armadas, os motins sempre foram tratados com muita dureza. No Império Romano, as unidades que se amotinavam e perdiam eram dizimadas, ou seja, aplicava-se um castigo coletivo em que um em cada dez era sumariamente decapitado. Quando venciam, punham um novo imperador. Desde lá os motins têm sido tratados com graus variados de dureza, e até os civilizados “britânicos” fuzilavam os líderes do motim. Modernamente, motins foram castigados por um período de prisão e, depois, sumariamente expulsos. Os petistas, quando apoiavam sublevações de policiais militares, depois de concluída a refrega, votavam anistias que desmoralizavam cada vez mais a aplicação de punições. Agora, todavia, quando no governo estadual, ao sentirem na carne o que são motins de policiais, eles hipocritamente são contra a votação de anistias, esquecendo o que propunham faz pouco tempo. Pois é, o mundo dá estranhas voltas, e o tempo ainda é um dos melhores juízes, quando se expõem muitas falsidades anteriormente praticadas, principalmente as esquerdas, tão falsamente “puras”.                

Ulf Hermann Mondl hermannxx@yahoo.com.br

São José (SC)

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RETRATO

Estado pintou no domingo um dos melhores retratos do presidente Jair Bolsonaro (O que é importante para o presidente, 1/3, A3), demostrando a pequenez e a falta de visão dos objetivos de seu governo, por ele revelados ao falar do que “gostaria de fazer pelo Brasil”. Gostei muito do retrato, mas arrisco carregar um pouco mais nas tintas, pois entrevejo nisso também um disfarçado desejo de conservar o poder da família Bolsonaro, pela reeleição em 2022. E, como o patrocínio declarado das tão importantes reformas administrativa e tributária (que deveriam ser prioritárias para o Executivo) pode pôr em risco os votos das poderosas corporações que hoje o apoiam, ele simplesmente faz de conta que não as conhece. Não tem jeito, mesmo. Como ele mesmo já admitiu, Jair Bolsonaro não nasceu para ser presidente da Republica.

Luiz Antonio Ribeiro Pinto larprp@uol.com.br

Ribeirão Preto

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APAZIGUAMENTO NECESSÁRIO

Após a divulgação do desnecessário e impensado vídeo do presidente Jair Bolsonaro conclamando seus seguidores a irem às ruas “contra” o Congresso – o que causou verdadeiro furor por parte de seus opositores –, as declarações tanto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quanto do vice-presidente, Hamilton Mourão, foram no sentido do necessário e muito bem-vindo apaziguamento dos ânimos. Se o presidente se mostra um notório e obsessivo provocador, seus inimigos não deixam por menos e sempre que podem apelam para a tese do impeachment, sem pensar nas já conhecidas consequências deletérias deste processo. Como afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na sua coluna Hora de convergir (Estadão, 1/3, A2): “É difícil, dificílimo, pedir bom senso em momentos de polarização. Mas é o que o povo e o País precisam”. Sim, particularmente os 12 milhões de desempregados.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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O ‘RACHADÃO’

Se estava previsto para depois da manifestação do dia 15 de março, o que fez o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), anunciar que o Congresso deve votar (será?) nesta terça-feira, 3 de março, o veto do presidente Jair Bolsonaro ao famigerado e extorsivo orçamento impositivo (rachadão de R$ 30 bilhões)? Medo do povo? Qualquer que seja a decisão do Congresso, ficou cristalino que a incendiária medida adensou mais ainda o repúdio da sociedade à indecente postura de seus presidentes e respectivas boiadas. Bom avisar ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vivemos num sistema de governo presidencialista. Se ele deseja impor-se como primeiro-ministro, soou inconstitucional cavar apoio no exterior no lusco-fusco do carnaval. Desnecessário alertá-lo de que sabotar os projetos de interesse do governo e da sociedade agride descaradamente a República. Será que o deputado desconhece que seus profanos atos e insanas intenções podem deixá-lo no colo da Lei de Segurança Nacional? Abrolhos, “Botafogo”! O povo está atento.

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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O CORONAVÍRUS E AS BOLSAS

O coronavírus desvalorizou US$ 3 trilhões das bolsas de valores! Especuladores atentos devem ter vendido suas ações logo no início da epidemia, nos primeiros dias de janeiro. Deverão recomprá-las quando elas chegarem ao fundo do poço, provavelmente no fim de março. E ganharão uma montanha de dinheiro na grande roleta dos maiores cassinos do mundo, as bolsas de valores.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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SÍRIA

Enquanto todo mundo fica distraído com o coronavírus, que não vale nada, na Síria se está preparando um caldeirão que, quando entrar em ebulição, vai ser o gatilho para uma terceira guerra mundial, com a intenção de acabar com 95% da população mundial para a instalação da nova ordem mundial, já programada e prevista há mais de mil anos pelos judeus sionistas. Fiquem atentos.

Alberto Cosulich al.cosulich@gmail.com

São Paulo

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QUESTIONANDO

O mundo inteiro dedicado a encontrar um jeito de eliminar um vírus desconhecido que está matando milhares de pessoas, mas não tomam nenhuma medida para acabar com as guerras conhecidas que matam milhões de pessoas.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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‘OS TOUROS E O PERU’

A propósito do artigo Os touros e o peru (Estadão, 1/3, A10), Mario Vargas Llosa, quem diria! Geralmente tão lúcido, de repente, se revela um poço de insensibilidade, defendendo rinhas e touradas, e ainda se referindo com certo menosprezo e ironia aos “defensores dos animais”. Chega a sustentar que a “proibição das touradas” é uma “falta de respeito”, “desprezo” mesmo, pela liberdade! Equipara-a à “mente fechada que levou os inquisidores a proibirem os romances durante os três séculos coloniais na América Espanhola sob o pretexto de não encher a cabeça dos indígenas com besteiras, a origem de todas as censuras que buscam domesticar o pensamento e a liberdade de escolha dos cidadãos”. Ora, “besteira”, mesmo, mais ainda que o artigo todo, é essa frase, verdadeiramente inacreditável, sobretudo partindo de quem partiu. Gostaria de saber o que diriam a respeito alguns “fanáticos defensores de animais”, como seus colegas J. M. Coetzee (Nobel de Literatura 2003), Olga Tokarczuk (idem, 2018) ou o filósofo Peter Singer, professor de Princeton, ou Yuval Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, com milhões de livros vendidos no mundo, além de muita gente mais com a sensibilidade no lugar. Que decepção!

Alzira Helena Barbosa Teixeira alzirahelena@terra.com.br

São Paulo

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‘TRADIÇÕES’?

Sou admirador do escritor Mario Vargas Llosa, mas fiquei decepcionado com sua coluna Os touros e o peru, (1/3, A10). Na coluna, Llosa usa de sua invejável inteligência para defender a tortura e a morte fútil de animais com argumentos desonestos. “Tradições” como touradas e rinhas de galo devem ser superadas pelo avanço da civilização, assim como a famigerada “farra do boi” no Brasil. Segundo a argumentação falaciosa de Vargas Llosa, uma “tradição cultural” como a luta até a morte de gladiadores deveria ter durado até hoje. Combater touradas não é “desrespeito à liberdade”, como sofismou o escritor, mas uma defesa dos princípios mais básicos de evolução, compaixão e benevolência.

Dagomir Marquezi dagomir@gmail.com

São Paulo

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INCIVILIZADOS

“Eu, por exemplo, embora já tenha assistido a algumas rinhas de galo no Peru, nunca me interessei muito por esse espetáculo, que até me desagradou pela violência explícita, mas reconheço que tenha uma tradição antiga na cultura peruana.” E as touradas, por acaso, são um espetáculo de grande afeto e respeito aos animais? “A ignorância é a mãe de todas as tradições”, dizia Montesquieu, este, sim, um verdadeiro intelectual. A civilização continuará passando longe de “intelectuais” como o sr. Llosa.

Vera Bertolucci veravailati@uol.com.br

São Paulo

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TRISTE MANIFESTAÇÃO

Até crianças entendem que uma competição, para ser justa e moral, deve ser realizada entre criaturas com potencialidades iguais. Portanto, até que a Ciência demonstre, cabalmente, que um animal é um ser racional, capaz de elaborar pensamentos e construir juízos de valores, entendo que touradas ou brigas de galos são atos predatórios, atos de barbárie, que em nada contribuem para o aperfeiçoamento espiritual e intelectual da sociedade, uma vez que competidores animais apenas têm a possibilidade de manifestar instintos de conservação de sua vida, e não táticas que envolvam planejamento intelectual. Destarte, o lamentável artigo do escritor Mário Vargas Llosa publicado em 1.º de março do corrente ano, sob o título Os touros e o peru, defendendo decisão do tribunal constitucional daquele país, que derrubou a proibição de touradas e rinhas de galo, sob argumento de preservação da cultura peruana, não merece mais que a lata de lixo. Dizer que os defensores dos direitos dos animais atentam contra a liberdade de escolha dos cidadãos é o mesmo que dizer que proibir espetáculos do coliseu romano, onde homens e feras se digladiavam, foi desprezo pela liberdade dos espectadores, fruto de mente fechada. Em respeito à própria imagem, melhor faria o escritor se permanecesse de boca fechada, conservando em seus leitores a ilusão de que se trata de uma criatura inteligente.

Arlete Pacheco arlpach@uol.com.br

Itanhaém

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LIBERDADE E ARROGÂNCIA

Não sei se Mario Vargas Llosa chegará a ler esta carta, mas não posso deixar de expressar meu desagrado com seu artigo Os touros e o peru, no Estadão de domingo (1/3). Defender a manutenção das rinhas de galo e das touradas, pelo aspecto cultural, é até aceitável, pode-se discutir. Mas afirmar que a proibição dessas disputas – que costumam levar à morte os animais de que dela participam – é um cerceamento da liberdade dos seus praticantes significa desconsiderar o ponto principal: a arrogância desses seres humanos que acham que podem dispor da vida desses animais em espetáculos sangrentos. Ainda que não pareça, já estamos no século 21, sr. Vargas Llosa.

Francisco Eduardo Britto britto@znnalinha.com.br

São Paulo

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VARGAS LLOSA

Confesso que li estarrecido o artigo do escritor em defesa das rinhas de galos e touradas, nas quais animais indefesos são, de forma cruel e covarde, torturados até a morte. Somente um país atrasado como o Peru pode considerar essa atrocidade como evento cultural. Só falta, agora, o sr. Vargas Llosa defender o retorno das lutas de gladiadores para manter a cultura romana. Alguém precisa informar este senhor que a civilização avança e os costumes também.

Joerci Molina joercitea@yahoo.com.br

Guarujá

 

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