Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 03h00

Tragédias das chuvas

Baixada Santista em alerta

A chuvarada que caiu na Baixada Santista durante a noite e a madrugada de segunda para terça-feira já estava nas previsões da meteorologia – apenas nestes primeiros dias choveu o equivalente esperado para todo o mês de março. Durante toda a segunda-feira a Defesa Civil do Estado emitiu alertas. Mas faltou maior cuidado em isolar potenciais áreas de risco, encostas de morros, principalmente no Guarujá, em Santos e São Vicente, as cidades com maior número de mortes por soterramento. Diante da previsão dos acontecimentos feita por satélites e equipamentos meteorológicos, fica a pergunta: por que o poder público não entrou efetivamente em ação, evitando o caos que se viu? Recursos para tal, como se sabe, existem.

ELIZEU FERREIRA DOS SANTOS

ELIZEUFERREIRASANTOS@GMAIL.COM

SÃO VICENTE

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De culpas

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, culpa a população pelas enchentes que assolam a cidade. Não foge muito do que falam aqui, em São Paulo, onde a culpa sempre é de São Pedro, que manda a chuva... Mas as enchentes se repetem todos os anos no verão e até onde me lembro já se vão mais de 20 anos sem uma solução mínima para esse tormento que atinge a população – e com mais rigor os mais pobres, que residem nas periferias.

MARCOS BARBOSA

MICABARBOSA@GMAIL.COM

CASA BRANCA

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Astro-rei

O Rio de Janeiro, definitivamente, não está preparado para as intempéries – nem para nada. No fim da contas, quem livra a cidade do caos das tempestades não é exatamente a prefeitura, mas o Sol. Viva o astro-rei!

RICARDO C. SIQUEIRA

RICARDOCSIQUEIRA@GLOBO.COM

NITERÓI (RJ)

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Coronavírus

Sequenciamento genético

Liderado por pesquisadores científicos do Instituto Adolfo Lutz em parceria com a USP e a Universidade de Oxford, grupo obteve em tempo recorde o sequenciamento genético de amostra de coronavírus isolado de paciente contaminado e recém-chegado da Itália. Com a mesma competência, pesquisadores do Instituto Butantan produziram 78 milhões de doses de vacina contra a gripe influenza para atender à programada vacinação antecipada em todo o País, resultado do apoio do governo de São Paulo aos cientistas paulistas durante décadas. Em contrapartida, o  Ministério da Educação cortou quase 12 mil bolsas de mestrado e doutorado em 2019.  

Voltando aos idos tempos da Terra plana...


FREDERICO FONTOURA LEINZ

FREDY1943@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Disseminação

A esta altura da epidemia, que já virou pandemia, sabe-se que há 72 novos casos confirmados de coronavírus por hora. De acordo com dados atualizados da Organização Mundial da Saúde (OMS), existem no momento mais de 87 mil casos e cerca de 3 mil óbitos em 58 países. Causa espécie, desconforto e pavor total saber que alguns dos principais infectologistas e epidemiologistas do mundo – como Marc Lipsitch, da Universidade Harvard – temem que, ao ritmo atual, o coronavírus contamine até um terço (!) do planeta em um ano. Salve-se quem e como puder!

J.S. DECOL

DECOLJS@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Imposto de Renda

Descaso com o contribuinte

Baixei o programa, início do martírio, do Imposto de Renda (IR) e, como já era sabido de antemão, a tabela progressiva continua esfolando trabalhadores e aposentados, os mais prejudicados pelo famigerado imposto. Segundo o Sindicato Nacional de Auditores Fiscais, de 1996 a 2018 – 22 anos – o IPCA, a taxa oficial de inflação, somou 309,74%, enquanto a tabela do IR foi corrigida em 109,63%. Portanto, naquela altura já acumulava defasagem de 95,46%, que, somada à de 2019, de 4,31%, beira os 100% de corrosão no bolso dos pagadores do imposto. A não correção da tabela é um grande negócio para o governo, um filé: apropria-se da diferença entre o índice de correção e o da inflação, em detrimento de todos os trabalhadores, que não têm como fugir, pois os contracheques estampam todos os meses a desgraça.

SÉRGIO DAFRÉ

SERGIO_DAFRE@HOTMAIL.COM

JUNDIAÍ


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Orçamento da União

Emendas

No Congresso só é votado o que interessa às “excelências” e as beneficia. O resto é o resto. No Orçamento já está previsto para cada qual o seu respectivo quinhão. Já o que realmente interessa aos cidadãos não consta de nenhuma votação...

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Motim

Imperdoável

Em qualquer sociedade, motim de qualquer força armada é uma ameaça inadmissível, que em outros tempos mereceu até pena de morte para seus participantes. Na democracia, para mantê-la inadmissível é essencial assegurar a punição, impedindo qualquer tipo de perdão. Neste nosso Brasil, mais ainda, precisamos de uma proibição clara e objetiva para enfrentar o poder das corporações. Talvez fosse uma boa ideia classificar o motim como crime hediondo ou a ele equipará-lo.

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

LARPAP@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO


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O papa e o rabino

Salvando judeus

Sobre reportagem Vaticano abre arquivos do papa Pio XII (3/3, A16), quero registrar o livro lançado internacionalmente The Mith of Hitler’s Pope: How Pius XII Rescued Jews from the Nazis, do rabino David Dalin, doutor em História, ordenado pelo Jewish Theological Seminar, que lhe concedeu um doutorado honoris causa. Em português o título é O Mito do Papa de Hitler, livro lançado recentemente pela Editora Quadrante.

LUIS TADEU DIX

TADIX@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


EMPATIA PÚBLICA

Queda de braço entre o Poder Executivo e o Parlamento. Eis o que mais está em evidência hoje no noticiário político da grande imprensa. Diante da situação aflitiva que vive o País, tentando desesperadamente sair do atoleiro em que os governos petistas e, antes deles, os de simpatizantes tucanos chafurdaram a economia com populismos nocivos e demagogias hipócritas, e, além disso, atormentado pela sombria conjuntura externa, agravada por uma epidemia até certo ponto promovida a paranoia pela mídia, que paradoxalmente prega calma à população, o que menos nossos homens públicos deveriam desejar, se focassem mais no bem comum, é a formação deste ambiente de rusga e de fogueira de vaidades, do qual quem vai sair chamuscada é a sociedade brasileira. Que tal uma dose um pouco maior de serenidade e empatia pública?

Paulo Roberto Gotaç prgotac@hotmail.com

Rio de Janeiro

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O PRESIDENCIALISMO PRESCINDE DE PRESIDENTE?

Há, na conjuntura atual, um esforço que surpreende. Apesar de Jair Bolsonaro, o Congresso sabe o que importa. Como se no presidencialismo o protagonismo político não estivesse na Presidência da República. Impõe-se uma interpretação de um presidente descartável, livre para o exercício reiterado de amesquinhamento do cargo e de crimes de responsabilidade, sem a necessidade de um impeachment. A atitude só não é suspeita dada a ironia explícita: a pauta econômica, as reformas, precisam da esperança eleita pelo “mercado” através de Bolsonaro virar realidade e, afinal, ir ao encontro de Rodrigo Maia. Contra a felicidade nacional não cabe o estorvo inoportuno de um impeachment. Afinal, somos todos liberais a um ponto, até o ponto em que economia e política não se misturam. E Bolsonaro, de resto, continua sendo Bolsonaro, como sempre foi. Qual o problema, se não atrapalhar a economia e o “mercado”?

Antônio Máximo maximojeremias@gmail.com

Rio de Janeiro


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‘PICARETAS’


Lula já chamou os parlamentares de “300 picaretas”. Cid Gomes também já os chamou de achacadores e o ex-presidente José Sarney disse que a Constituição de 1988 tornaria o País ingovernável. Por que nenhum destes 300 picaretas, nem os 80 senadores, nem os deuses do Supremo Tribunal Federal (STF) se manifestaram na época? Será por que estavam satisfeitos com os escandalosos benefícios conseguidos naquele governo corrupto e estão com medo de que este novo governo acabe com essas leis absurdas que aprovam no Parlamento só para livrar os amigos da cadeia e para conseguir mais benefícios? Estamos certos, sim, de dia 15 sairmos às ruas para protestar contra tudo isto que está acontecendo.


Idilio Vallini idiliovallini35@gmail.com

São Paulo


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‘A MECÂNICA DA POLARIZAÇÃO’


A melhor frase do ano foi escrita por Fernão Lara Mesquita (A mecânica da polarização, Estadão, 3/3, A2), falando sobre o voto distrital, que dá ao povo o direito de retomar mandatos (recall), recusar leis vindas de cima (referendo) e propor as suas próprias leis (iniciativa): “O resto é barulho para impedir você de pensar”. Aplaudo a sua capacidade de síntese. A “gritaria cotidiana” dos políticos, publicada nas diversas mídias, procura entorpecer nossas mentes e nossos sentidos de realidade, fazendo com que também gritemos e passemos a ser mais um triste figurante aderindo ao “circo” em que se transformou a política nos últimos anos.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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CONCILIAÇÃO


Concordo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto à necessidade de um novo impeachment agora (Hora de convergir, Estadão, 1/3, A2). Apenas agravaria a crise política. Mas algo precisa ser feito, e urgentemente. Sugiro a nomeação de um ministério sem pasta, uma espécie de ministro da Pacificação ou da Conciliação Nacional. Tenho também sugestões de possíveis titulares: Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF); Pedro Simon, ex-senador; Miro Teixeira, ex-deputado; Ayres Britto, ex-presidente do STF; além do próprio FHC.


Edvaldo Alves de Santana edv.alvesss@gmail.com

Brasília


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PREMATURAMENTE


Em comentário publicado anteriormente, chamei a atenção para um movimento crescente, encabeçado pelas oposições e os órgãos de comunicação descontentes com a supressão dos privilégios de que gozavam anteriormente, visando a desestabilizar o atual governo. Para enfatizar o que procuro demonstrar, vou me ater a duas opiniões publicadas no dia 1.º de março pelo Estadão e que comprovam a minha suspeita. A primeira opinião é da advogada Janaina Paschoal, a “musa” do último impeachment presidencial, expressada na Coluna do Estadão, que, analisando as condições para uma nova deposição, considera que o presidente “não cometeu crime de responsabilidade (com a divulgação do vídeo conclamando manifestação para apoiá-lo), mas (...)” – conjunção enigmática – e adiante afirma que “ele (o capitão) ficar isolado, essa é a receita para cair” (ou ser derrubado). A outra opinião é a do ex-presidente FHC manifestada no artigo Hora de convergir (para o que? pergunta-se), em que comete um ato falho quando, às linhas tantas, profere solenemente: “Por trás da votação no Congresso e das alegações jurídicas, no impeachment existe sempre um movimento popular, que não se vê no momento. Melhor nem cogitar, prematuramente, de tal movimento”. Para o bom leitor entendedor, interpretando a frase de forma inversa e sem nhenhenhém, significa que, no momento oportuno, este movimento deverá ser cogitado. Só faltou ele convocar um movimento popular, uma manifestação do tipo “Impeachment já” e sair na Avenida Paulista carregando um banner. Se a idade o permitir, é claro.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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BOLSONARO MONARCA


Do jeito que anda o governo Bolsonaro, com muitas dificuldades para se relacionar com o Congresso, talvez fosse melhor mudarmos para o sistema parlamentarista e deixarmos o presidente como chefe de Estado. Seus poderes estariam restritos à chefia das Forças Armadas e à dissolução do Parlamento. O presidente seria o poder moderador, aos moldes da monarquia parlamentar, como era o caso de Dom Pedro II. Assim ficaria atendida a vontade popular de dissolver o Congresso e a vontade do presidente de tornar-se um monarca, mesmo que fosse por tempo determinado.


Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro


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DO QUE O BRASIL PRECISA


O que é importante para o presidente (Estadão, 1/3, A3) não tem importância nenhuma para a Nação. O que realmente importa ao Brasil está sendo destruído pelo desgoverno de um clã familiar e um grupo de direita tão reacionário quanto anacrônico, saudoso do tempo das fogueiras medievais para incineração de pessoas e ideias. O editorial do Estadão de 1/3 ressalta a preocupação do presidente com a imprensa que o critica e o Congresso que ignora suas demandas descabidas. Uma árdua caminhada de mais três anos nos separa de uma nova eleição presidencial, quando os eleitores brasileiros, quem sabe, tenham aprendido que um país como o Brasil precisa eleger um estadista altamente qualificado para o cargo mais importante da Nação.

            

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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‘A PEQUENEZ DA PRESIDÊNCIA’


A respeito do contundente editorial A pequenez da Presidência (29/2, A3), cabe, por oportuno, reproduzir seu parágrafo final: “Por seus desatinos, por sua predileção pelas redes sociais, que não raro turvam a visão que um mandatário tem sobre a realidade, por suas injúrias e grosserias, pouco a pouco, Jair Bolsonaro tem apequenado não só sua voz de comando, mas a própria Presidência da República. Parece agir como se tivesse ciência de sua inaptidão para exercer o elevado cargo que ocupa e, assim, não vê alternativa a não ser rebaixar a própria instituição para nela caber. Não surpreende o protagonismo que o Congresso Nacional passou a ter desde a posse presidencial. Isso explica – mas absolutamente não justifica – a hostilidade com que o governo e seus grupos de apoio tratam o Poder Legislativo”. Com efeito, por sua incorrigível incontinência verbal e destempero de atitudes, Jair Bolsonaro vem reduzindo o cargo mais importante do País à presidência, com minúsculas. Pobre Brasil...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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A PRESIDÊNCIA APEQUENADA


Que existem muitos chantagistas no Congresso é verdade, mas o editorial A pequenez da Presidência acertou na mosca! É a definição mais perspicaz que define este presidente. Mas é verdade, também, que não é a única vez que a Presidência é apequenada, apenas a que não nos rouba.


Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo


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A ESCOLHA DE 2018


Na realidade, a pequenez é da política brasileira. Quando Bolsonaro foi candidato, ele foi escolhido por exclusão – os demais candidatos ou eram comunistas ou membros do coronelismo do “pudê”, porcarias que o povo já estava cansado de aturar. Foi como escolher o Cacareco, há 60 anos, como vereador em São Paulo. É claro que Bolsonaro não tem estadismo político algum, é um brucutu militar que fala pelos cotovelos, como falavam Lula ou FHC (apenas que estes eram comunistas, e aí se permite falar bobagens). Contudo, tem tido o tino de escolher algumas pessoas mais qualificadas (apesar de que a grande maioria é da fubazeira do período anterior). Tem tido a paciência de esperar os resultados (sem sair se gabando por aí, como fazia Lula), e aos poucos o País começa a dar sinal de vida. Basta apenas que o governo se recolha à sua insignificância de incompetente e corrupto, como ainda é. Entre um Lula e um Bolsonaro, este ainda é muitas vezes melhor.


Ariovaldo Batista arioba06@hotmail.com

São Bernardo do Campo


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PELA DEMOCRACIA


Somente a grandiosidade de um Estadão e a competência de seus jornalistas poderiam produzir um texto tão oportuno e satisfatório como A pequenez da Presidência. Com efeito, o presidente Jair Bolsonaro, após a conquista eleitoral, vem diminuindo o seu tamanho político e reduzindo sua estatura democrática, a ponto de demonstrar seus pendores ditatoriais, mesmo sabendo que os brasileiros não o aceitarão como exclusivo na direção da Pátria. Não será agredindo os demais Poderes legítimos da República nem demonstrando força com o entorno militar – aliás, elogiável pela ética e pela disciplina ­– que conseguirá postar-se como um futuro ditador, mesmo porque a sua condição para tanto seria menor que a sentida nos poderes ora exercidos, com vigilância e contenção. O Brasil não precisa nem deseja crises adredemente fabricadas, porque elas a nada levam, a não ser à retração e a sérios problemas na economia do País. Um exame de consciência desapaixonado poderá demonstrar ao presidente, ainda a tempo, que o caminho certo e desejado pelos brasileiros é o da democracia. E o que todos nós, brasileiros, desejamos é a arregimentação de forças em favor da democracia e de seu aperfeiçoamento constante. Fora disso, a Nação corre perigo.


José Carlos de Carvalho Carneiro carneiro.jcc@uol.com.br

Rio Claro


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A POLÍTICA DA IGNORÂNCIA


Lamentavelmente, o atual quadro político brasileiro não se encontra borrado apenas pela pequenez da Presidência, título do editorial do Estado de 29 de fevereiro. Também é turvo no ponto em que exibe os tais movimentos sociais, que se formaram com vista à última eleição e foram gritar nas ruas. Direito de manifestação é constitucional, mas, equivocado, expressa a esqualidez da consciência política de um povo. Informa-se que, nos desbussolados movimentos programados para o dia 15 de março, o Movimento Conservador, brotado na República de Curitiba, inclui na pauta a defesa da prisão em segunda instância, de modo oportunista. Lamentavelmente, é desconhecedor do que seja um julgamento em segunda instância, em verdade um falso colegiado, porquanto, salvo em processos midiáticos, os desembargadores simplesmente aderem aos votos dos relatores. Não discutem o caso e não fundamentam seus votos, como manda a lei, para darem conta de pautas massacrantes, que incluem, não raro, mais de 300 processos numa única sessão diária. Apenas aderem aos votos de seu colega relator, desfigurando, na prática, o princípio da colegialidade. Antes de pretensiosamente ecoar suas vozes nos espaços públicos, estes cidadãos deveriam no mínimo saber do que estão a apregoar.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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INCORRETO, MAS NÃO CORRUPTO


O presidente Bolsonaro fala pelos cotovelos e muito do que fala é politicamente incorreto, no entanto, jamais foi acusado de corrupção com o dinheiro público. Mas eis que, no Brasil, Bolsonaro falando é mais culpado que qualquer corrupto abrandado pelos corporativismos, pelos advogados bem falantes e pelas leis ambíguas e polivalentes.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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REDES


Qualquer cidadão pode repassar mensagens de rede pelo celular, também o presidente. Por que tanto (falso) histerismo?


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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ENQUANTO ISSO...


Enquanto o presidente Bolsonaro manifesta diariamente sua intolerância com a mídia, mente contra a séria jornalista Vera Magalhães, que provou ser verdadeiro o vídeo que ele disparou nas redes convocando a manifestação contra o Congresso para dia 15 de março e expõe sua megalomania cada vez mais crescente, o trabalhador brasileiro continua sendo usurpado com a não correção da tabela do Imposto de Renda, prometida em campanha. Não se iluda, presidente, o povo não é idiota e, certamente, não vai perdoar a continuidade deste assalto ao nosso bolso. Pode dar adeus à sua reeleição.


Luiz Antonio Amaro da Silva zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos


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SERPENTÁRIO BRASILEIRO


O cientista político Bolívar Lamounier, longe da folia, nestes feriados de carnaval preferiu estudar as serpentes peçonhentas (Aprendendo com o mundo animal, Estadão, 1/3, A2). E chegou à conclusão de que foi um bom caminho para entender melhor o Brasil, como explica no artigo publicado no domingo. Como ele diz, pouca gente sabe que as cobras são “surdas, enxergam mal e não ouvem bulhufas”. E que as serpentes venenosas se julgam poderosas, imbatíveis, inexoráveis e aptas a estraçalhar qualquer adversário. Lógico que este quadro descrito acima lembra o perfil de muita gente velhaca da classe política, principalmente do hoje presidente Jair Bolsonaro, que, soberbo, achando que tudo pode, se põe como surdo, enxerga mal as prioridades do País, despreza o diálogo com o Congresso, não sabe ouvir e, pior ainda, odeia quem de forma republicana lhe critica. E, sentindo-se poderoso, imbatível e inexorável, acha-se apto a estraçalhar qualquer adversário. Inclusive fiéis aliados... E como jamais teria respaldo até dos dignos generais de seu governo, se pudesse também acabaria com a imprensa brasileira. Enquanto isso, o Brasil que ele governa continua com PIB medíocre e com quase 50 milhões de brasileiros desempregados e subempregados. Ao menos hoje, em função da pesquisa de Bolívar, não somente entendo melhor sobre cobras, mas também sobre o Brasil.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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PAULO MALUF E OS COFRES PÚBLICOS


Lendo a reportagem sobre as ações da Eucatex no Estadão de 1/3 (Ações da Eucatex, da família Maluf, vão a leilão para pagar cofres públicos de SP), fico me perguntando se, além de retomada de todo o dinheiro (TODO mesmo) que o sr. Paulo Maluf garfou, ninguém ainda questiona a manutenção de nomes de familiares desse metralha de vias e obras públicas em São Paulo. A Avenida Salim Farah Maluf, importante via na zona leste, poderia (deveria?) voltar a se chamar “Avenida Tatuapé”, como era no começo... O complexo viário Maria Maluf também deveria mudar de nome. Entendo que, ao dar nome de seus pais a esses logradouros, o sr. Paulo não estava prestando uma singela homenagem a eles, e sim alimentando seu gigantesco ego (à nossa custa, claro). Espero que algum ilustre representante nosso na Câmara de Vereadores atente para essa questão.


Walter Ribeiro wal.ter@terra.com.br

São Paulo


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FUNDEB


O artigo do professor João Batista Oliveira (Fundeb, entre o princípio do prazer e o princípio da realidade, Estadão, 29/2, A2) se encerra com uma pérola: “Se precisar pagar um preço para isso, que se aumentem os gastos federais, desde que voltados (...)”. Mais do mesmo: algo não se sustenta porque é mal administrado e, aí, vem um especialista e sugere aumento dos gastos, e o contribuinte que se lixe. Chega de soluções dessa estirpe. Não se vê um que analise o problema e cuide da melhor aplicação da receita. No próprio artigo, o autor menciona que 70% da receita são destinados a pessoal. Nada se sustenta numa base como esta. Lembremo-nos de que, recentemente, o presidente do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foi demitido pelo ministro da Educação. Por informações do próprio Estado, o ex-presidente era indicação do deputado Rodrigo Maia, e essa demissão ocorreu por mau desempenho no trato dos recursos, o que corrobora o que menciono. Já na análise dos problemas introduzidos pela proposta de alteração do Fundeb, apresentada pela deputada professora Dorinha, um primor de análise do autor. Nada a objetar e me dominam as mesmas preocupações que revela o autor. Outra vez temos de ter em mente que o patrocínio da proposta vem de Rodrigo Maia, que, irritado com a perda de cargo de seu indicado, estimulou a proposta e ainda tenta incluir nela que o Fundeb saia da responsabilidade do Ministério da Educação. Uma absoluta insensatez! Algo fundamental que demonstra o mau uso do Fundeb. O autor expõe a ação nefasta de governadores e prefeitos apoiando a nova proposta, estimulados pelo aumento de suas receitas. Eis como os políticos tratam a nossa educação. Nossos legisladores estão, cada vez mais, levando o Brasil à insolvência, e grande parte da imprensa deixa de destacar isso.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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ÓLEO NO MAR, DE NOVO


Alguém poderia fazer um desenho explicando por que não foram colocadas as barreiras de contenção em volta do navio que encalhou no Nordeste? Era evidente que haveria vazamentos do navio avariado, encalhado e adernado a ponto de o mar entrar pelas amuras. Será que mais este descaso é parte do desprezo do atual governo pelo meio ambiente ou é parte da birra contra os Estados nordestinos?


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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OS ARQUIVOS DE PIO XII


Pio XII, atualmente em processo de beatificação, omitiu-se publicamente diante da maior questão moral do século 20: o genocídio nazista. Seis milhões de judeus foram executados na Europa, continente em que a religião católica era dominante; ele era o seu pontífice então, e permaneceu em silêncio a respeito. Uma atitude sua, uma palavra sua poderiam ter aumentado a resistência de seu rebanho diante da barbárie assassina. E teriam minorado a barbárie significativamente. Houve padres que colaboraram com o nazismo e houve padres que, até arriscando sua vida, salvaram judeus. As pessoas que foram salvas reconheceram e ficaram gratas pela vida inteira aos seus benfeitores. Segundo a Igreja afirma, Pio XII teria secretamente ajudado a salvar milhares de vidas. Será? Agora, com a abertura dos arquivos do Vaticano (quase 80 anos depois), finalmente iremos saber. Nada como os fatos.  


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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‘OS TOUROS E O PERU’


Retrógrado texto de Mario Vargas Llosa defendendo rinhas e touradas (Estadão, 1/3, A10) , atos bárbaros contra animais não humanos, entre outros equívocos, apresenta “defesa da democracia” como se movimentos em prol de animais não humanos ameaçasse a civilidade. A ciência prova que vertebrados são seres sencientes, com emoções, capacidade cognitiva e de sofrer e, portanto, merecem respeito de seres humanos para formar sociedade compassiva para todos, humanos e não humanos. Texto favorável a primitivas cruéis expressões culturais nem deveria ser publicado por este prestigioso jornal.


Elizabeth Suzanne MacGregor emacgregor1504@gmail.com

Rio de Janeiro


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TOMARA QUE CAIA


A expressão acima, de acordo com nota publicada na coluna de Sônia Racy (Estadão, 3/3, C2), está sendo usada como exemplo de termo sexista a combater na moda. Salutar iniciativa, mas é interessante observar que outros termos muito mais graves em termos de discriminação são utilizados pela maioria, sem saber o seu significado. Em particular, pergunto: qual é a origem da expressão “judiar”? Alguma ajuda? Ou é fácil de entender a semelhança com judeu? Não está na hora de parar com essa (ignorante) expressão? Judiar pretende dizer “tratar alguém como os judeus foram tratados”. Tomara que caia toda e cada uma dessas expressões!


Adrian Gamburgo adrianorberto.ag@gmail.com

São Paulo


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MODA SEXISTA


Muito apropriada a foto de Mariana Ximenes na Polaroid de 3/3/2020 (página C2), de pernas cruzadas vestindo uma meia calça e blusa tomara que caia. Posou para a campanha contra termos sexistas na moda, para que a blusa “tomara que caia” passe a ser chamada de “blusa sem alça”. Como disse a própria Mariana: “Respeito é bom, a gente gosta, e é necessário”. Quando vão tornar a meia calça sexista e quando vão mudar o nome dela?


Marcio Roberto Ferraz marciorobertoferraz@yahoo.com.br

São Paulo


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MODA, COSTUMES & POLITICAMENTE CORRETO


Há que ter muito peito para fazer uma campanha demonizando o “tomara que caia”...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

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