Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2020 | 03h00

Pandemia

Socorro da OMS

Tenho acompanhado atentamente pela mídia o avanço dos casos de covid-19 e todos os países estão adotando medidas severas para contenção do coronavírus, como suspensão de aulas, de eventos, até restrição de pessoas nas ruas, fechamento de museus, atrações turísticas e toda atividade em que haja acúmulo de pessoas. No Brasil, até agora, apenas algumas escolas particulares suspenderam as aulas. Considerando nosso deficiente sistema de saúde, que atua à beira do colapso por falta de equipamentos, agentes e leitos, a Organização Mundial da Saúde (OMC) deveria orientar o Ministério da Saúde, pois podemos estar a caminho de mais uma tragédia evitável, sem precedentes na nossa História.

Daniel Marques

danielmarquesvgp@gmail.com

Virginópolis (MG)

Muita calma nessa hora

O fato é que a covid-19 chegou ao Brasil, como era esperado, e inexoravelmente seguirá o seu ciclo em progressão geométrica, já plenamente previsto pelas autoridades sanitárias. Mas diariamente recebemos uma enxurrada de informações, principalmente por aplicativos, atormentando nossa vida, que nem sempre são precisas e não raro têm origem duvidosa. No meu modo de ver, essas mensagens descabidas só se prestam a disseminar medo, tumulto, preocupação, terror, pânico. Enfim, fomentar uma histeria coletiva, que não nos levará a lugar nenhum. O Brasil dispõe de uma plêiade de médicos infectologistas e virologistas de altíssima qualidade que estão profundamente envolvidos em todo esse processo, informando e educando a população no sentido de evitar contaminação e contágio, discutindo e aperfeiçoando o melhor tipo de tratamento clínico a ser ministrado, em especial dirigido aos pacientes idosos, os mais vulneráveis. Além disso, seguem estudando o comportamento do vírus em climas tropicais. Isto posto, a população deve manter a calma e seguir com todo o rigor os protocolos preventivos e as orientações dos médicos especialistas e das autoridades sanitárias - tudo isso vastamente divulgado pela mídia responsável.

David Zylbergeld Neto

dzneto@uol.com.br

São Paulo

Economia

Contágio do vírus

O coronavírus, em geral, representa risco de vida basicamente para idosos ou pessoas com saúde debilitada. Levando em conta as medidas internacionais para evitar a propagação, é bem possível que ainda neste ano a humanidade vença a luta contra a doença. Mas a crise econômica decorrente do combate à epidemia está pegando a economia mundial em estado vulnerável, endividada e com juros muito reduzidos. Diversos segmentos estão sendo diretamente afetados e não têm pulmão para aguentar a privação a que estão sendo submetidos. Se começarem a quebrar, o mal econômico pode se propagar com mais velocidade e virulência do que o vírus. E seus efeitos ameaçam se estender por um bom prazo. Ações coordenadas das grandes economias seriam capazes de impedir um risco sistêmico, mas, dada a conjuntura, não deve ser fácil. Se cada qual se preocupar tão somente em salvar o que puder da própria pele, o Brasil vai precisar que os políticos comecem a se preocupar com o País e agir rapidamente, fazendo muito do que se têm recusado a fazer por falta de interesse. Quais as nossas chances de sucesso nesse cenário?

Jorge A. Nurkin

jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

Temos estadistas?

Enquanto no Congresso Nacional se pensar mais no próprio bolso e na carreira política, 

o Brasil continuará estagnado. Dane-se o País!

Milton Bulach 

mbulach@gmail.com

Campinas

Governo Bolsonaro

Hora de decisão

O momento é de cuidadosas reflexões e decisões, tanto na área econômica como na política, pois "competência gera confiança". Portanto, este é o momento de o governo Bolsonaro dizer a que veio, e não ficar com rusgas nas redes sociais.

Francisco José Sidoti

fransidoti@gmail.com

São Paulo

Reforma tributária

Grito de alerta

Em épocas críticas, políticos ligados a lobbies articulados procuram colocar jabuticabas em medidas de outras naturezas ou fazer aprovar de afogadilho programas e reformas que os favoreçam. É o que se passa com o texto da reforma tributária ora em processo de análise pelo Congresso Nacional. A omissão do Estado, ao não apresentar projeto de sua autoria, decerto para não se incompatibilizar com importantes parceiros, avaliza a ação dessas raposas. Assim sendo, resta aos pobres mortais, como nós, que pagaremos o pato caso essas espertezas se tornem realidade, acompanhar e protestar se excessos forem anunciados. O artigo do senador José Serra O que é essencial ficou de fora (12/3, A2) explica didaticamente abusos dessa natureza: uma reforma que aumenta tributos das famílias, tributa excessivamente serviços, educação (!), taxistas e profissionais autônomos, entre outros; afora pouco contribuir para a simplificação do sistema tributário. Não é essa a reforma pretendida pela Nação. Por isso nunca será demais estarmos alertas, acompanhar atentamente a evolução do texto da dita reforma, além de analisar possíveis motivos que levam políticos a defender a aprovação a toque de caixa num contexto descalibrado. Tenhamos em conta que a covid-19 passará, já as leis tributárias ficarão ad aeternum. 

Sérgio Holl Lara

jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

Imposto sobre dividendos

E quanto ao imposto sobre dividendos e consequente redução do Imposto de Renda das empresas, ninguém fala mais nada? Só os bancos e financeiras distribuíram R$ 52 bilhões em dividendos em 2019, grande parte para poucos privilegiados. 

Radoico Câmara Guimarães

radoico@gmail.com

São Paulo

REAGINDO À COVID-19

A Itália reagiu e continua reagindo muito mal à covid-19. Não só em relação à demora na percepção da transmissão, como bem apontou o vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, o que, entre outras coisas, motivou a quarentena geral, com consequências econômicas terríveis, mas, pior que isso, à grotesca e incabível atitude das autoridades sanitárias em se recusarem a recolher os corpos de pessoas que faleceram em casa, em decorrência provável da doença. É a desorganização total, incivilidade e barbárie. Já o Ministério da Saúde brasileiro está agindo corretamente ao estabelecer ações paulatinas de acordo com o andamento da doença, sem negligência ou precipitações e sem dar ouvidos a catastrofistas de plantão. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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'MADE IN CHINA'

Há informação de que a Itália pleiteia indenização da China pela propagação da covid-19. No mundo inteiro a doença cresce. Na China, ocorre o inverso, passou a pior fase, a doença regride. Recebemos nestas últimas semanas informações variadas quanto à origem deste nefasto vírus. Inclusive de que a covid-19 foi desenvolvido em laboratório, objetivando (entre outras coisas) a "depurar" a densidade populacional do país. Conhecemos alguns dos hábitos do nobre e milenar povo chinês. Para nós, do ocidente, são inaceitáveis. Considerando o "estrago" em todos os níveis gerado no planeta por essa doença, o governo daquele país deve ser responsabilizado. Tinha conhecimento do problema, não divulgou, agora que arque com as consequências.

José Perin Garcia jperin@uol.com.br

Santo André

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PANDEMIA

E pensar que toda esta inacreditável calamidade mundial começou com uma nojenta sopa de morcego na China... Argh!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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O BERÇO CHINÊS

A China deveria ser pressionada pelos demais países do mundo, em razão de ser o centro mais importante de geração de vírus de gripes, tais como: gripe de Hong Kong (H3N2), 1968/1969; gripe asiática (H2N2), 1957/1958; gripe aviária (H5N1), variadas épocas; Sars, detectada na China em 2002; Influenza, A, B e C, que apresentam vírus mutantes (inclusive o H1N1), praticamente atacando a humanidade todos os anos, a partir da China; novo coronavírus, covid-19, detectado no final do ano passado na cidade de Wuhan, verdadeira tragédia mundial. Oportuno lembrar que a peste bubônica, também gerada na China, no século 14, chegou à Europa via mercadores chineses de seda, matando mais de 70 milhões de pessoas em poucos anos. A causa de ser o berço dos vírus das principais gripes está relacionada ao trato de animais para consumo alimentar, alguns exóticos para os nossos padrões, em condições precárias de higiene e de conservação. Por exemplo, morcego, cobra, rato, taturana, cachorro, etc. Os restos não consumidos dos animais são acumulados de forma imprópria, demorando para serem levados ao lixo, apodrecendo e se transformando em viveiro de micróbios. Ainda que difícil tarefa, em face do tamanho do país, da sua enorme população e dos costumes arraigados, o governo chinês deveria empreender uma cruzada contra essa situação, minimizando os seus efeitos nocivos que com frequência atingem as populações dos demais países, evitando que sofram as consequências perversas desta conduta alimentar deplorável.

Rubens Pellicciari rubensp@mesquitaneto.com.br

São Paulo

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HORA DE SERIEDADE

Acabou a brincadeira com algo perigoso, como é a covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o grau do novo coronavírus ao status de pandemia. Nas duas últimas semanas, o número de casos fora da China aumentou consideravelmente e o número de países afetados triplicou, trazendo pânico econômico às bolsas de valores em todo o mundo. Hoje (dados de sexta-feira) já há quase 120 mil casos em 114 países, mais de 5 mil mortes e milhares de pessoas hospitalizadas. A OMS alertou que a projeção de casos de mortes e países infectados venha a aumentar nos próximos dias, suspendendo mundo afora quase todos os eventos esportivos e aglomeração de pessoas. O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que vem acompanhando os novos casos de perto. Com níveis elevados e casos graves, afirmando que todos os governantes deveriam estar preocupados porque a pandemia é seria e não tem passaporte, nacionalidade, cor, raça, religião nem vacina. Ainda sobre o termo usado, "pandemia", o diretor-geral disse que a palavra não pode ser usada da maneira incorreta. Pandemia é uma palavra que, se mal utilizada, pode causar medo e pânico irracional ou aceitação injustificada de que a luta acabou, levando pessoas ao sofrimento e morte desnecessários. No momento, estamos dentro de uma pandemia, porém não podemos entrar em pânico total.

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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O QUE DEVE TRANSCENDER A COVID-19

 

Vírus e bactérias fustigaram cruelmente a vida humana no passado (peste negra, gripe espanhola, etc.). A natureza se deslocou de seu rolo condutor, mas o combate humano, em seu terreno específico, salvou a humanidade. Já o coronavírus parece consciente. Provoca um terremoto mundial; tem aparência de orquestrado, deliberado. Seguem de roldão o terremoto econômico, a política, os costumes, as exposições, os casamentos, as quermesses. Na base econômica, o Ibex Espanhol 35 sofreu na quinta-feira a maior queda de sua história (14,06%). Wall Street acionou o vermelho pânico. O Fed (banco central americano), depois de algumas medidas emergenciais, caiu a duas horas antes do fechamento (8,5%, a maior queda desde 1987). Mercados amedrontados contam sem ilusões com a invisible hand de Smith. A suspensão dos voos Europa-EUA lembra os piores dias das guerras mundiais e os efeitos não se circunscrevem ao transporte. Não nos parece que bastem soluções tópicas. É necessário penetrar o mais profundamente possível nas causas várias do tal vírus, que não proveio unicamente da natureza inanimada.

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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A PANDEMIA E O BRASIL

O novo coronavírus (covid-19) entrou no Palácio do Planalto, pegou o secretário de Comunicação do governo e o presidente da República fez exames, que deram negativo. Outras autoridades, servidores e familiares ainda podem adoecer. Até o presidente americano, Donald Trump, pode estar infectado porque recebeu Bolsonaro e sua comitiva na semana passada. São Paulo noticia a transmissão comunitária do vírus e prevê que 460 mil poderão ser infetados, isto é, 10% da população do Estado. A China diz que o pior já passou e enviou ajuda à Itália, atual epicentro da pandemia, onde já morreram mil. O Distrito Federal proibiu aulas e reuniões com mais de cem pessoas. Existem 590 mil alunos com aulas suspensas em todo o País. Espera-se que tudo seja encaminhado da melhor forma. Para combater os trancos na economia, como a queda da Bolsa e a alta do dólar, será antecipada a liberação da primeira parcela do 13.º salário dos aposentados e a redução dos juros em empréstimos consignados. Que tudo se faça com rapidez e responsabilidade, tanto pelas autoridades quanto pelos cidadãos.

                 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                     

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O ESTADISTA

O presidente Jair Bolsonaro, depois de desdenhar da pandemia do coronavírus, percebeu que o buraco é mais embaixo. Voltou do seu périplo aos Estados Unidos e um integrante da sua comitiva foi diagnosticado com o vírus. Após a ficha cair, trasvestiu-se de estadista e pediu que o povo desistisse das manifestações marcadas para este domingo. Até que enfim, pois o momento é de união e de rezar para que Donald Trump - seu brother - não esteja contaminado também.

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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HOJE NÃO

Ninguém poderá dizer que a oposição brasileira, ou esquerdalha, não tem sorte. Por força do avanço do novo coronavírus, as manifestações programadas para hoje estão suspensas. Dessa forma, esta gentalha que quer ver o desastre do governo de Jair Bolsonaro por enquanto não ficará sabendo qual é o tamanho da indignação de milhões de brasileiros Brasil afora. Mas eles não perdem por esperar!

Maria E. Amaral melisalf3175@gmail.com

São Paulo

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NA ECONOMIA

Guedes promete programa 'anticoronavírus' e cobra de Congresso aprovação de reformas (Estadão, 13/3). Para o atuário Paulo Guedes, o algoritmo coronavírus corrige distorções cronológicas na Previdência, em providencial liquidação do excessivo estoque de velharada imorrível. Ele não disse nada disso, mas que deve estar pensando, ah, deve!

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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PREVENÇÃO

As autoridades estão adotando medidas para que se evitem aglomerações. Haverá fechamento de creches, escolas e até a Justiça irá parar as suas atividades forenses. Sugiro que a praia e os botequins sejam interditados em prol da saúde pública. As pessoas produtivas que trabalham diariamente e contribuem para o desenvolvimento econômico do Brasil, desde já, agradecem.

Luiz Felipe Schittini fschittini@gmail.com

Rio de Janeiro

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ATÉ QUANDO?

A crise do coronavírus não é tudo isso que a grande mídia fala e o que se fala sobre problemas na economia é fantasia. Essas foram declarações do presidente Bolsonaro feitas em viagem aos Estados Unidos - e as complementou dizendo que houve fraude nas eleições passadas. Até quando vamos conviver com procedimentos inadequados de quem ocupa o cargo maior da nossa República?

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

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ELEIÇÃO FRAUDADA

Tem razão o presidente Bolsonaro, as eleições de 2018 foram fraudas, Fernando Haddad ganhou! Estamos vivendo o cenário de uma vitória petista: dólar nas alturas e Bolsa na lama.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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2022

Há alguns dias o presidente Bolsonaro afirmou ter havido fraude nas urnas eletrônicas. Logo agora, que sua eleição não pode ser contestada? Ou será material para a próxima?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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URNAS ELETRÔNICAS

Jair Bolsonaro crê ter havido fraude por meio do uso das urnas eletrônicas em nossa eleição de 2018. Que tal abrirmos os olhos e observarmos o que ocorre a respeito em outras democracias, por exemplo, nos EUA? Qual a lição que os especialistas americanos extraíram da experiência malsucedida da primária democrata em Iowa? Que, para registrar e contar votos, quanto mais tecnologia se utiliza, mais vulnerabilidade há. No Brasil, a questão tecnológica da fragilidade da segurança com o uso de urnas eletrônicas é a mesma, mas as conclusões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) são outras. Existem, também, a questão cultural e a tradição que não podem ser desconsideradas. Afinal, por aqui e na Venezuela a opinião das urnas eletrônicas já se tornou parte integrante do folclore eleitoral. 

Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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AMEAÇA SUPREMA?

Deu nas redes sociais que o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em jantar com o general Luiz Eduardo Ramos, alertou que, se a turma bolsonarista avançar, o STF tem instrumentos para lidar com a situação e vai usá-los. Ficam as dúvidas: isso foi uma ameaça ao povo? Neste fla-flu de interesses supremos não republicanos, o porta-voz da banda podre do STF tem o aval da banda boa da Corte? In casu, para o magistrado, o que representa "avançar"? Ministro, sendo ou não fake news, para todos os fins, oportuno refletir sobre o que disse o padre Fábio de Mello: "Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir. Queiramos a beleza do silêncio dos muitos". Seguramente, o seu pobre currículo não lhe concede o uso de palavras muitas. Seja sábio! Antes de falar, peça ajuda às cartas, aos astros e aos estagiários de Direito.

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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O REAJUSTE DO BPC

A guerra do intempestivo e irresponsável presidente Jair Bolsonaro contra o Congresso Nacional - que incluía até manifestação popular neste dia 15 de março - ameaça ainda mais as contas públicas. Isso porque, como troco, o Congresso derrubou, na semana que passou, o veto do Planalto que impedia reajuste de 100% sobre o valor da concessão do chamado Benefício de Prestação Continuada (BPC). Pessoas idosas de baixa renda (sem aposentadoria), acima de 65 anos, e pessoas com deficiência, que antes recebiam por mês R$ 261,50, agora vão passar a receber R$ 522,50. Mas, com as contas públicas em frangalhos, não há espaço para suportar mais essa despesa, que deve bater em mais de R$ 20 bilhões por ano. O governo diz que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal e Contas da União (TCU), enquanto, em atitude republicana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que vai tentar ajudar a reverter essa decisão fora de curva do Parlamento sobre o reajuste no BPC. O que causa indignação, porém, é que o presidente não está preocupado com as contas públicas. Se estivesse, já teria entregado o prometido projeto de reforma administrativa ao Congresso, que pode eliminar muito dos privilégios dos servidores públicos e com o qual o País pode economizar dezenas de bilhões de reais. Assim, o País teria até condições de fortalecer programas sociais e pagar este reajuste a milhões de beneficiários do BPC. Mas, corporativista que é, Bolsonaro senta em cima deste projeto. Ele não quer confusão para o seu lado, apenas pensa na sua reeleição em 2022.  

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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O CONGRESSO E O BRASIL

A absurda derrubada do veto presidencial ao projeto de lei que estabelecia novos limites de renda para o ingresso no Benefício de Prestação Continuada (BPC) põe em xeque a crença nos bons propósitos de uma boa parte do Congresso, apesar de reiteradas declarações de seus líderes dando conta de que a instituição trabalha para o bem do Brasil. Indagada sobre a origem da articulação que levou à incrível atitude do Parlamento que nem mesmo estipulou, à luz da Lei de Responsabilidade Fiscal, de onde viriam os recursos adicionais necessários, prestigiada analista política de canal de televisão exclusivo de notícias respondeu, sem titubear, que tal coordenação partira dos partidos de esquerda. Precisa explicar mais ou quer que desenhe?

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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DESUMANIDADE

Chega a ser desumana a visão crítica ao Congresso Nacional pela ampliação do Benefício da Prestação Continuada (BPC) a idosos e deficientes que vivem com renda inferior a meio salário mínimo mensal, enquanto beneficia outros setores, como as Forças Armadas, com ampliação de investimentos em bilhões e isenta outros tantos poderosos de impostos. Um pouco mais de consciência social e compaixão, por favor! Está certo o Congresso. Que contingenciem sobre quem menos precisa. Economizar em cima dos mais pobres dos pobres é um absurdo. 

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

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JUSTIÇA

O governo, a mídia, enfim, a opinião pública, são mesmo seletivos. Acho até mesmo que coadjuvantes nesta avaliação crítica de uma decisão solidária, por humana e sensível à assistência às pessoas mais carentes, ainda que tenha um componente de demagogia e viés político-eleitoral. A revogação do veto do presidente da República, a meu ver, nada teve de escalafobética, tampouco de vendeta dos parlamentares (Congresso) aos últimos pronunciamentos do chefe do Executivo e seus ministros mais próximos. Apenas procurou fazer justiça aos mais pobres e necessitados deste país, depois de uma escandalosa reforma previdenciária e reformulação dos salários dos militares - incluindo indevidamente as polícias militares e corpo de bombeiros -, que lhes favoreceu de forma discriminatória em relação aos demais segmentos da população alcançados pela reforma da Previdência. Repito, o benefício faz justiça e repara um equívoco das alterações na legislação previdenciária, mesmo causando problemas nas combalidas finanças do Executivo federal - apenas dele, porque o Judiciário e o Legislativo flanam em céu de brigadeiro. Os R$ 20 bilhões alegados pouco representam às centenas de bilhões da reforma dos militares. É ou não é uma verdade?

Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)

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PARA UNS BPC, PARA OUTROS MAC

Há muita discussão a respeito do BPC, o Benefício de Prestação Continuada. Esse benefício não é justificado por mérito. A qualificação dos beneficiários se faz apenas por limitação de rendimentos. É uma causa meritória e parece ter amplo apoio no Congresso. Por outro lado, há anúncio de aumentos para servidores na casa de 41%. Já para os segurados do INSS há o MAC, ou seja, o Malefício de Assalto Continuado. Trata-se da prática continuada de fazer "meias correções" nos outrora benefícios. Por essa prática indecente, recebo atualmente algo como 0,55 benefício. Fui aposentado com direito ao teto. Sei que não sou o único, somos muitos milhares sendo vilmente espoliados por uma prática odiosa e injusta.

Mario Helvio Miotto mariohmiotto@gmail.com

Piracicaba

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DESCRENÇA

Não tem como não desanimar depois de ler em uma única página no Estadão (A10 de 12/3/2020) cinco notícias desalentadoras: Liminar suspende investigação sobre gabinete de Flávio Bolsonaro; Inquérito sobre Lulinha sai de Curitiba; TRF-4 manda soltar Renato Duque, que está condenado a mais de 130 anos de prisão; Assassinatos influenciam prévias do PT em São Paulo; e, para finalizarmos, a empresa contratada pelo MEC teve edital anulado pelo TCU. E ainda querem que continuemos acreditando em nossas instituições?

Luiz Roberto Savoldelli savoldelli@uol.com.br

São Bernardo do Campo 

 

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