Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 03h00

Governo Bolsonaro

Pelo olhar de Werneck Vianna

"Programa político não há. A luta é pelo poder" - essa frase define bem a visão do cientista político e professor da PUC-Rio Luiz Werneck Vianna sobre o governo de Jair Bolsonaro, em sua excelente entrevista publicada no Estadão (14/3). Diz ele sobre a manifestação popular convocada pelo Planalto que o adiamento, por ela já estar esvaziada, foi sopa no mel, com a desculpa da pandemia do coronavírus. E que vê nos atos adiados "uma tentativa de forçar os limites da institucionalidade para rompê-la". Lembra, com propriedade, que quando os militares assumiram o poder em 1964 "não apelaram para as massas" e ao tomarem o poder pelo menos tinham um programa de modernização do País, sem desculpar os graves excessos cometidos então. E "hoje qual é o programa?", questiona. Não compartilha a ideia de que este governo, que nem a economia faz andar, esteja tonto, entende que seu projeto é conquistar todo o poder político para si. Werneck Vianna considera que as instituições estão, sim, ameaçadas, mas resistem. Elogia o comportamento da imprensa, que não se verga às ofensas e ameaças de Jair Bolsonaro. E diz que até o ditador italiano Benito Mussolini (1925-1945) era mais bem preparado que Bolsonaro, pois tinha um programa de governo: "Aqui é um fascismo nu". Mamma mia!

PAULO PANOSSIAN

PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Ataques à mídia

A respeito do editorial A cartilha que Bolsonaro não leu (13/3, A3), mesmo sendo bolsonarista, devo, a bem da verdade, concordar com o texto em si.

ERNANI DA SILVA SILVA

ERNANI.SILVA1945@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Autofagia

O processo político democrático desencadeia forças ensandecidas que podem destruí-lo.

EUGÊNIO JOSÉ ALATI

EUGENIOALATI13@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Recifes artificiais

Enquanto o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) critica o projeto do governo de afundar sucatas no mar, porque vão atingir áreas com espécies em risco, o presidente da entidade apoia a ideia. Os locais previstos pelo ministro do Meio Ambiente, que decididamente não é do ramo, atingem áreas onde vivem 110 espécies ameaçadas de extinção. Só quem ignora o que seja um ecossistema, no caso, submarino, e sua importância para a humanidade poderia tomar uma decisão tão estapafúrdia. O litoral brasileiro é um dos mais privilegiados do planeta, com tantos locais naturais de magníficas belezas e corais. Caberá ao Congresso salvar o Arquipélago de Fernando de Noronha, e outras áreas especialíssimas, da sanha do ministro e do próprio presidente, que sabidamente não preza a natureza. Pois é exatamente nas áreas de preservação ambiental que se encontram os berçários dos peixes e outras criaturas da fauna marinha. Interferindo de maneira tão radical nesses locais, o governo prejudicará até a indústria pesqueira. O Brasil não precisa sacrificar locais como Noronha e Angra dos Reis para realizar a pesca esportiva.

GILBERTO PACINI

BENETAZZOS@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Coronavírus

Falta de leitos

As autoridades preveem uma bem provável falta de leitos hospitalares e de UTI nesta crise de coronavírus. É o momento para lembrar que boa parte dos leitos hospitalares está ocupada por vítimas de acidentes de trânsito. O Hospital das Clínicas já chegou a ter 33% dos leitos de pronto-atendimento ocupados por acidentados, muitos deles acabando na UTI. Mossoró, uma das cidades mais ricas do Nordeste, chegou a ter 78% - a maioria, motociclistas. E Brasil afora a situação é de calamidade, com algo como 40 mil mortes por ano no trânsito, mais 400 mil sequelados. Ou seja, só aí, algo em torno de 440 mil que necessitaram de atendimento emergencial. Acabei de viajar por 15 dias de carro no Paraná e em Santa Catarina e fiquei impressionado com a quantidade de motoristas e motociclistas trafegando bem acima da velocidade permitida, uma diferença grande da última vez que lá estive, provavelmente resultado das falas irresponsáveis de Bolsonaro. Espero que agora, com a necessidade de leitos e UTIs, os brasileiros se deem conta de que não podemos continuar assim. Coronavírus não é a primeira epidemia brasileira e provavelmente nem será a mais mortal.

ARTURO CONDOMI ALCORTA

ARTUROALCORTA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Economia

Disponibilidade de recursos

O Supremo Tribunal, se não adiarem a pauta, decidirá a questão da devolução dos recursos pertencentes aos poupadores, relativos aos vários planos econômicos de governo, no próximo dia 20. Ajudaria muito a economia se fossem liberadas as dezenas de bilhões aos indenizados, sem nenhum ônus para o governo. Quem deve são os bancos, que, aliás, lucraram R$ 100 bilhões em 2019. Fica a dica.

MÁRCIO DA CRUZ LEITE

MARCIO.LEITE@TERRA.COM.BR

ITU

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Recuperação da poupança

A recuperação da poupança, na realidade, virou um grande mico. Aguardando há mais de 12 anos uma solução, chega-se à conclusão de que é tudo um "passa-moleque". Nestes dias em que o governo procura ajudar os idosos, liberando parte do 13.º salário aos aposentados para que possam cobrir parte das despesas eventuais com a crise de coronavírus, chama a atenção a insensibilidade dos bancos (no meu caso, o Banco do Brasil) ao dificultarem a liberação de um dinheiro que pertence ao poupador. Minha revolta justifica-se por já ter mais de 80 anos e não ver nenhuma luz no fim do túnel dessa insensatez.

ADALBERTO AMARAL ALLEGRINI

ADALBERTO.ALLEGRINI@GMAIL.COM

BRAGANÇA PAULISTA

PAÍS SEM GOVERNO

"A verdadeira crise do País é não ter governo justamente quando ele é mais necessário", termina alertando o editorial do Estadão de ontem (15/3, A3). Pior foi ver o presidente saindo de sua quarentena para incentivar atos contra o Congresso e o Judiciário, promovido por alucinados bolsonaristas, usados pelo clã golpista, para transformar o Brasil numa republiqueta fascista de araque. Até quando as pessoas sensatas, os generais que assessoram a Presidência, o mundo empresarial sério e a nação brasileira vão tolerar este bando de arruaceiros? 

     

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

FENÔMENO POLÍTICO

As manifestações de ontem foram atos de desobediência civil e de coragem diante do coronavírus a favor de Bolsonaro. Um fenômeno político sem paralelo nos últimos tempos.  

Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas

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MANIFESTAÇÃO POPULAR

Ninguém sensato está questionando a constitucionalidade ou a legitimidade de uma manifestação popular, principalmente num país democrático como o nosso. Tampouco que um deputado, senador ou qualquer outro político com cargo majoritário não possa ser cobrado por quem o elegeu. Como o renomado jornalista e articulista do Estadão J. R Guzzo, em seu artigo com título Um povo incômodo, parece se sentir incomodado com essas supostas críticas, como sobre a manifestação de ontem, ora, o que se critica e está bem estampado também até nos editoriais da nossa respeitada grande imprensa é que essa manifestação está sendo promovida pelo próprio Palácio do Planalto. Ou, melhor, foi sugerida pelo ministro da GSI, general Augusto Heleno, e encampada pelo inepto presidente Jair Bolsonaro. É explícito e deplorável que o presidente queira jogar a população contra o Congresso Nacional. O Parlamento, mesmo com a ausência total de diálogo do presidente, em 2019 aprovou importantes projetos do Planalto, como a reforma da Previdência, a MP da Liberdade Econômica, o cadastro positivo, a nova lei das teles, das agências reguladoras, etc. E a reforma tributária e administrativa só não avançam porque o Planalto, mesmo prometendo há meses, não as envia ao Congresso. O que Bolsonaro deseja com a manifestação popular é auferir apoio dos eleitores (ele perdeu quase metade deles) sem que esteja governando o País.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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2022

É terrível ver como o destino do Brasil não importa. Só importa o que, na opinião de Jair Bolsonaro, pode beneficiar sua reeleição em 2022. Este senhor cobra do Congresso a votação de "projetos importantes", mas impede Paulo Guedes de propor as reformas administrativa e tributária que podem atrapalhar seus planos. Tudo o que faz é tentar responsabilizar os outros poderes da situação caótica do Brasil fazendo de conta que está tentando fazer projetos que não são apoiados pelo Congresso. É provável que tenha contraído o coronavírus (seu filho afirmou isso na Fox) que, na opinião dele, seria um boato inventado pela mídia, mas num ambiente de tantas mentiras mentir mais uma vez não importa. Para nosso país conseguir sair vivo das mãos dessa família será uma tarefa difícil e árdua. Como dizia Riobaldo Tatarana, temos de rezar para todos os deuses...

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

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CRISE

A verdadeira crise, não sendo a econômica nem a do coronavírus, é do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF); não é do governo que tem pencas de projetos de lei, de reformas, de decretos, de medidas provisórias emperradas na Câmara e no Senado. Por que não andam? "É muito ruim para a democracia que o Poder Legislativo seja tão detestado (...)", escreveu J. R. Guzzo no Estado em 15/3 (A14). "E muito pior, ainda, que os culpados disso sejam os próprios deputados e senadores (...)". Não é o "fascismo" que está sabotando o Congresso nem a direita (...)". "(...) 100 deputados, pelo menos, respondem a ações penais (...)" e bloqueiam a prisão após condenação em segunda instância por motivos óbvios. Por falta de confiabilidade, já deveriam estar alijados de seus cargos de representantes e dos respectivos vencimentos. O espírito do País está doente. Em geral, a cidadania tende à inércia e à omissão. Agora, ela precisa se mobilizar contra as chantagens dos que se opõem a mudanças e reformas.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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ODIADOS

Ótimo o artigo do J. R.Guzzo na página A14 do Estadão de domingo. Realmente, com um Poder Legislativo do nível do brasileiro, não será fácil governar. Odiados, são, também, chantagistas, como disse recentemente membro do governo, o general Augusto Heleno, referindo-se à verba do Orçamento. Aliás, como se não bastasse a fúria monetária, os congressistas não querem prestar contas das verbas recebidas. Onde vamos parar? Benito Mussolini dizia que "governar a Itália não era difícil, era inútil". Aqui, no Brasil, vamos indo para o mesmo caminho e os responsáveis somos nós, que os elegemos.

Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo

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'OS MAIS ODIADOS'

J. R. Guzzo é, provavelmente, o comentarista político que melhor entende os sentimentos da população mais esclarecida.

Marcos Lefevre lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

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FAB AIRLINES

Aplausos à sabedoria e à criatividade do povo Brasil afora, às ruas e avenidas, no dia 15 de março. Dentre tantos banners, faixas e afins, surpreso, encontrei uma citação ao meu time de coração em destaque: "Botafogo campeão". Como assim? Caída a ficha, rapidamente, gargalhei diante do que se seguia: "mais (ou Maia?) horas de voo que piloto comercial. Abaixo a 'nhonhocracia'". Precisa desenhar? Vida longa à "FAB Airlines", agradeceria ao déspota deputado Rodrigo Maia. Que a nossa lendária estrela solitária não se ofenda diante dos feitos desse improficiente torcedor, persona non grata à nação alvinegra.

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

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HORA DE TRABALHAR

O que a maioria dos deputados e senadores tem de saber é que o coronavírus veio para ficar, e pararem de ficar pensando sempre naquilo. Chega, agora é hora de somente pensar no País.  Políticos nota oito o povo não suporta mais!

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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INCOMPETÊNCIAS

Estou esperando o presidente Bolsonaro justificar a falta de resultados na economia culpando o coronavírus que ele afirmou que era "criação" da imprensa tendenciosa. 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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DESEMPREGO

Com a contaminação da indústria, do comércio e dos serviços pelo surto de coronavírus, o número de 12,5 milhões de desempregados no País certamente só fará aumentar nos próximos meses, até que a pandemia retorne ao estágio de epidemia e uma vacina surja para prevenir e combater o mal. Até que a situação melhore, infelizmente, ainda vai piorar bastante. Quem sobreviver verá...

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

Frase do ano: "Por que eu não fico quieto e vou fazer hambúrguer?" (Durski, empresário, 15/3, A12). Ou seja, que cada um cuide do próprio nariz ao invés de desperdiçar seu precioso tempo de vida (ou alguém ainda duvida do Covid-19?) em provocações nas redes sociais. Deixemos aos jornalistas a tarefa que lhes cabe. A nós, cabe nos manifestarmos apenas se for para colaborar.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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NEGÓCIO DA CHINA

O coronavírus (Covid-19), que vem abalando mercados e afetando a economia mundial, já conhecido desde os meados dos anos 1960, a meu ver, foi o melhor negócio da China: depois do surto, aquele país asiático se tornará o dono do mundo. Esperar para ver. 

Arnaldo Luiz de Oliveira Filho arluolf@hotmail.com

Itapeva

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COVID-19

A tuberculose, hepatite, pneumonia, aids, malária, rotavírus, cólera, meningite e febre amarela matam muito mais do que o coronavírus. O Covid-19 derrubou as principais bolsas de valores do mundo nas últimas semanas. Quando alguém perde muito dinheiro na bolsa, alguém ganha na mesma proporção, pois as operações de compra e venda são casadas. As companhias aéreas, hotéis e empresas de turismo tiveram perdas muito significativas. O pânico se instalou em todo o Hemisfério Norte, onde ainda é inverno, que é a época mais propícia para se espalhar o coronavírus. Escolas, museus, teatros e salas de eventos foram fechados. É preciso cuidar da saúde, mas o terror complica a solução de qualquer problema. 

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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PARANOIA

A paranoia da humanidade com o evento do coronavírus provoca muito mais malefícios do que a possível morte adicional de indivíduos que ocorreriam sem as drásticas e irrefletidas decisões tomadas por governantes no calor da emoção. A lógica tem perdido feio para a irracionalidade. O aumento da pobreza, o desemprego e o medo provocado pela histeria coletiva que estamos vivendo e muito mais prejudicial à humanidade que a morte adicional de alguns poucos indivíduos. Parafraseando Thomas Sowell, não é que eles não sabem pensar, é que eles confundem pensamento com emoção.

Oscar Seckler Müller Oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo

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NA PANDEMIA

A única explicação plausível para a corrida desenfreada às prateleiras de supermercado para comprar toneladas de papel higiênico, certamente, não é o novo coronavírus, mas o fato de estarem "obrando" demais...

Ricardo C. Siqueira ricardocsiqueira@globo.com

Niterói (RJ)

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LADO BOM

No Brasil, o novo coronavírus está isolando os maus políticos, reduzindo a chantagem política e calando a turma do quanto pior, melhor. Felizmente, está colocando em foco os bons governantes que temos e a importância de investimentos numa saúde igual para todos.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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A MORTE DE BEBIANNO

Sobre a morte prematura de Gustavo Bebianno, a maldade do Planalto corroeu o coração do ex-ministro. Grande perda.

Maria Lucia Ruhnke Jorge mlucia.rjorge@gmail.com

São Paulo

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RONALDINHO GAÚCHO

O famoso craque futebolístico brasileiro Ronaldinho Gaúcho, por possuir passaporte paraguaio falso, que ele maliciosamente alega tê-lo recebido como presente, como informou um jornal de televisão. (Pedido de passaporte é personalíssimo e nunca um presente de um terceiro). Assim, por este motivo, ele está preso em Assumpção, Paraguai, em cadeia comum e teve seu pedido de transformá-la em prisão domiciliar, negado. Ronaldinho, numa disputa futebolística entre detentos, marcou cinco gols, mantendo sua atuação de grande artilheiro. Com a devida vênia, aplico no caso, o ditado popular, "quem é rei nunca perde a majestade".

Antonio Brandileone abrandileone@uol.com.br

São Paulo

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TRIBUNAL

Após a terceira tentativa de libertação negada nos tribunais paraguaios, Ronaldinho Gaúcho deve estar sonhando com Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e grande elenco.

Luiz Henrique Penchiari lpenchiari@gmail.com

Vinhedo 

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