Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 03h00

Pandemia

É agora ou nunca

Preocupado com a economia do Brasil, carro-chefe de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro continua a criticar as medidas de cerceamento de movimentação tomadas por Estados e municípios, em especial o fechamento do comércio, para evitar aglomerações. Governadores e prefeitos sabem muito bem que a “bomba” vai estourar nas mãos deles, pois a maioria do povo brasileiro não tem condições de pagar um seguro médico e, para piorar, a rede hospitalar pública não aguenta uma pandemia. O presidente sabe, ou deveria saber, que o brasileiro é, vamos dizer assim, indisciplinado e otimista e nem sempre leva a sério os pedidos das autoridades. Por isso deveria preocupar-se com os reais problemas que esta pandemia vai causar no Brasil e parar com picuinhas. Está na hora de agir minimamente como um estadista e honrar os 57 milhões de votos que recebeu.

MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Esse presidente...

Para não reconduzir o PT ao poder votei em Bolsonaro. Hoje estou decepcionado, principalmente pelo fato de que seu comportamento não melhora. Ele estaria salvo se lesse os editoriais do Estado... O pior é que seus assessores leem, mas ele é ele, e “se acha”.

RICARDO FIORAVANTE LORENZI

RICARDO.LORENZI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Os Bolsonaros

A família Bolsonaro, com a boca fechada, é uma poetisa.

OSWALDO BAPTISTA PEREIRA FILHO

OSWALDOCPS@TERRA.COM.BR

CAMPINAS

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Purga

Num país cujos habitantes não aguentam mais a esquerda retrógrada e corrupta e estão perdendo a paciência com a direita míope e inconsequente, será que o vírus é a esperança que nos resta para expurgar o que há de pior e fazer emergir lideranças legitimamente comprometidas com o desenvolvimento do País e o bem-estar do seu povo? Só espero que a vacina não tarde até 2022...

ELY WEINSTEIN

ELYW@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Falta de recursos públicos

Diante do cenário econômico mundial, afetado pelas consequências da covid-19, com queda da produção industrial, do comércio e do consumo, além de mais desemprego para milhões de trabalhadores formais e informais, teremos também a diminuição de salários, pela redução de jornadas que certamente virá. Fatalmente o caixa do Tesouro Nacional vai sofrer significativas quedas de arrecadação. Seriam muito bem-vindos os bilhões do Fundo Partidário para atender a esta emergência. E por que não reduzir jornadas, salários e privilégios do setor público, resguardados os funcionários ligados à área de saúde? Por que não enviar já ao Congresso as reformas tributária e administrativa, eliminando a estabilidade dos servidores e as aposentadorias integrais? Que tal bloquear os cartões corporativos e os auxílios diversos, diminuir as verbas de gabinete, as despesas com viagens e carros, impor limites às verbas de atendimento médico e odontológico, eliminar os “prêmios” concedidos a juízes condenados, reduzir as mordomias e os almoços e jantares com iguarias desnecessárias, em todos os Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário?

RUBENS MORAIS

RUBENS@JUMIL.COM.BR

BATATAIS

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Corrupção

Onde estão aqueles R$ 51 milhões que estavam nas malas num apartamento na Bahia? Foram devolvidos? Se não, por que não doá-los para a saúde e amenizar um pouco este momento? Ou é proibido mexer nessa grana?

JOSÉ CLAUDIO CANATO

JCCANATO@YAHOO.COM.BR

PORTO FERREIRA

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Fundo 157

Milhões de brasileiros que declararam Imposto de Renda entre 1967 e 1983 têm ativos aplicados, mas se esqueceram deles. São os antigos Fundos 157, cujo montante representava em 2012 a “bagatela” de R$ 1,5 bilhão, não resgatado e espalhado em diversos bancos. Esses recursos poderiam ser usados pelo governo federal em medidas para enfrentar o coronavírus, mediante medida provisória (conforme o artigo 62 da Constituição federal). Porém preservando o direito de seus beneficiários ou herdeiros por meio da formação de um cadastro centralizado e gerenciado, digamos, pela Caixa.

MILTON CÓRDOVA JÚNIOR

MILTON.CORDOVA@GMAIL.COM

VICENTE PIRES (DF)

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Apreensão: e depois?

Sabe-se que uma epidemia segue uma curva ascendente até que, após atingir um ponto máximo, começa trajetória descendente até a extinção, porque surge uma barreira natural, representada pelos indivíduos que adquirem anticorpos em contato com infectados. Como o atual isolamento não pode ser indeterminado e também não permite a produção de anticorpos, pergunta-se: o que acontecerá quando os locais de trabalho, estudo ou lazer voltarem à atividade e pessoas infectadas, mas que não apresentam sintomas, entrarem em contato com as que ficaram isoladas?

ARLETE PACHECO

ARLPACH@UOL.COM.BR

ITANHAÉM

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Tempo para pensar

Qual a vantagem do isolamento social? Prazo. Apesar de no longo prazo não haver como evitar o contato com o vírus, no curto prazo, ao menos, se consegue. E o que se ganha com isso? O atendimento hospitalar não entra em colapso por uma avalanche de casos graves, todos se manifestando ao mesmo tempo, e há tempo necessário para que remédios e tratamentos adequados estejam disponíveis, possivelmente até uma vacina. Com diz Yuval Harari, “as vantagens competitivas da raça humana são o poder de raciocínio e a capacidade de colaborarmos uns com os outros”. Para que as usemos no enfrentamento ao vírus é preciso ganhar tempo.

JORGE ALBERTO NURKIN

JORGE.NURKIN@GMAIL.COM

SÃO PAULO

SOCORRO AOS INFORMAIS


A crise resultante da pandemia da covid-19 exige mais que os R$ 200 prometidos pelo ministro Paulo Guedes aos informais, que constituem 40% do total da força de trabalho. A hora exige solução mais efetiva do que a distribuição desse limitado montante, lembrando que boa parte dos informais consegue rendimentos de R$ 1 mil ou mais e vai ficar sem receber. A melhor alternativa será adotar a ideia da Renda Cidadã ou Renda Mínima, proposta do senador, deputado e vereador Eduardo Suplicy. Talvez R$ 500 pudessem ser um valor razoável. Quanto ao impacto econômico, vale lembrar que a quase totalidade do valor será destinada ao consumo, e com nosso nível de tributação, 40% ao menos voltam para os cofres públicos.


Mario Ernesto Humberg marioernesto.humberg@cl-a.com

São Paulo


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INCÊNDIO DIPLOMÁTICO


É mal de família: o medíocre deputado federal Eduardo Bolsonaro criou um grave entrevero diplomático quando disse que a China é culpada pelo novo coronavírus. A embaixada chinesa repudiou, dizendo que Eduardo “contraiu vírus mental”, e ainda pediu retratação ao Planalto. Assim como no início de sua gestão Jair Bolsonaro ofendeu os chineses e Hamilton Mourão teve de apagar o incêndio diplomático, desta vez não foi diferente: já que o presidente está sempre ausente, e parece se recusar a criticar seu filho (deixando o Brasil em segundo plano), Mourão novamente entrou em cena para tentar amenizar o atual desconforto diplomático, dizendo que a palavra de Eduardo não reflete o pensamento do Planalto. O estrago, no entanto, está feito e não pode passar em branco. Sendo quebra de decoro parlamentar, a Câmara precisa acionar o Conselho de Ética e, se possível, cassar o mandato de Eduardo Bolsonaro.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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FOGO!


O Brasil exporta US$ 65 bilhões para a China comunista – alguém precisa avisar ao deputado Eduardo Bolsonaro, carinhosamente conhecido como Tonho da Lua, filho do presidente da República, de que uma pequena retaliação chinesa pode quebrar o Brasil ao meio. A imediata perda do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro seria uma medida adequada para apagar este incêndio que pode arruinar o Brasil, caso o presidente Bolsonaro resolva defender seu filho.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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VERDADES OCULTAS


Que Eduardo Bolsonaro é um radical e destemperado, como o pai e seu staff militar, todos já sabem, por isso não causaram espanto suas odiosas declarações contra a China, sobre uma suposta ocultação da epidemia da covid-19. Classificando ocultação de verdades como típico de ditaduras, esqueceu-se, convenientemente, de citar a ditadura de 1964 como igual, que ocultou e proibiu a divulgação pela imprensa do surto de meningite meningocócica que assolou o País na década de 1970.


Lauro Becker bybecker@gmail.com

Indaiatuba


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BOLSONAROS


A atitude da família Bolsonaro é lamentável. Vejamos a declaração de Eduardo criticando a China como se fosse ela a responsável pelo novo coronavírus. Tal declaração não cabe a um político sem conhecimento de causa. Ele deveria se colocar no seu lugar e cumprir suas obrigações, deixando de dar declarações infundadas, como o pai, que colocam o País em situação delicada perante o mundo, desnecessariamente.


Laert Pinto Barbosa laert_barbosa@globo.com

São Paulo


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MUITO JUÍZO NESTA HORA


Na cidade de Wuhan, epicentro da pandemia do novo coronavírus, já não se registram mais casos novos. A doença lá está controlada após três meses de propagação. Aqui, dentro de uns dois meses, devemos também chegar a isso. Não há motivo para pânico, embora as medidas de isolamento, higiene e quarentena ainda se justifiquem sobretudo nos grupos de risco. O que não se justifica são os panelaços contra ou a favor de Jair Bolsonaro. Nenhum país superou pandemia alguma aprofundando suas divisões político-partidárias. Ao contrário, a hora é de união para vencer o inimigo comum e evitar o colapso econômico de um país já tão sofrido pelo estado de calamidade deixado pelos últimos governos. A epidemia nada tem que ver nem com o governo passado nem com o atual. É um acontecimento politicamente neutro. E, ao contrário do que alguns jornais divulgam, o governo vem tomando medidas corretas e responsáveis de enfrentamento da situação. Discurso de pânico, além de não ajudar, só leva a piorar os efeitos ruinosos da pandemia sobre o mercado financeiro e o setor produtivo. Tudo o que o País não precisa neste momento é de exacerbar picuinhas eleitorais mesquinhas, como vêm irresponsavelmente fazendo alguns canais de TV e veículos de comunicação. O fator histeria já se faz naturalmente presente em momentos desse tipo. Os mercados têm por natureza a tendência de superdimensionar tanto a boa quanto a má notícia. Não é inteligente, porém, jogar mais gasolina ao incêndio. O que importa, agora, é tentar manter a calma e tomar as providências higiênico-sanitárias ao alcance de cada um. A vitória ou a derrota diante do vírus será de todos, não importando a cor de sua panela.


Paulo R. Kherlakian paulokherlakian@uol.com.br

São Paulo


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EXPLORANDO A INCERTEZA


Deploro profundamente o panelaço. Quem o faz é por que não entende o momento atual. A extensão do dano causado pela epidemia do novo coronavírus dependerá do porcentual da população alcançado pela disseminação da doença, da eficácia do combate a ela e da duração do surto. Mas também do que terá de ser feito para conseguir conter a pandemia. Este esforço pode vir a custar tanto que, em tese, o que começou como uma crise na saúde pode vir a se transformar num colapso financeiro. Especialmente num ambiente de fragilidade política e econômica como o que vivemos e que dispensa comentários. Ocorre que o custo do pânico é muito maior do que o custo efetivo do enfrentamento da crise. A incerteza é o combustível que o alimenta. Só que ela é explorada e potencializada pelas forças políticas irresponsáveis e pela parcela da mídia que essas forças controlam. Estas só acordaram para se aproveitar da desgraça e tentar ganhar espaço, ao invés de procurar promover a união que uma situação tão grave como esta demanda.


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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NAU AOS VENTOS


No Estadão de 19/3/2020, o cronista Luís Fernando Veríssimo escreveu de forma sucinta que crises como as epidemias da peste negra e a febre espanhola são causas originadas pela opção das grandes nações em promover guerras de conquista de territórios que lhes garantam recursos minerais e/ou vegetais. A condição humana foi desdenhada da população e o tratamento dado à saúde, com uma medicina que segrega classes econômicas, foi criada, chamada SUS. O nosso presidente reage com um novo pacote, mas é recebido com estrepitoso entrechoques de panelas, já conhecido como panelaço. O Brasil pode ser comparado a uma nau em que o comandante está acamado, o timoneiro tomou umas e outras (mais outras), a bússola está quebrada e as velas rotas e sem trato. O ocupante da gávea aos brados anuncia: nau aos ventos. É muita oração nesta hora.


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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PANELAÇO


Como já se viu anteriormente há poucos anos, quando as panelas começam espontaneamente a bater alto e forte nas janelas, é sinal de que a água atingiu o ponto de fervura e a paciência e a tolerância da população estão a ponto de esgotamento. A contagem regressiva para o fim antecipado do governo JB foi iniciada. A ver quantos meses ainda dura...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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DESCENDO...


Jair Bolsonaro perdeu o Congresso e está perdendo seus eleitores. Uma façanha e tanto para pouco mais de um ano de mandato.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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ALTERNATIVA?


Sim, vamos tirar Bolsonaro da Presidência, afinal, este é o sonho da nossa elite cultural, da política velha e de parte da mídia. Entretanto, gostaria de saber o que iriam fazer no dia seguinte. Penso eu que seria: 1) tira-se o ministro da Economia, Paulo Guedes, e coloca-se alguém com o perfil de Palocci ou Mantega, que estavam mais preocupados em ajudar nas trapaças; 2) tira-se o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e coloca-se alguém com o perfil de José Eduardo Cardozo ou Tarso Genro, que se comportavam como advogados dos presidentes do PT, escondendo as trapaças; 3) tira-se o ministro da Saúde, Mandetta, para colocar alguém milagroso que possa acabar com o novo coronavírus; 4) tira-se o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para voltar à farra do Dnit e seu monte de obras inacabadas para a roubalheira; 5) tira-se o ministro da Casa Civil, Augusto Heleno, e coloca-se alguém com o perfil de José Dirceu ou Gleisi Hoffmann; 6) tira-se a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, para colocar quem? 7) Tira-se o ministro de Minas e Energia e coloca-se alguém como Dilma Rousseff ou Edson Lobão; e, por fim, 8) tira-se a secretária da Cultura, Regina Duarte, que está tentando buscar a paz nos setores da cultura menos radicais. A resposta provavelmente, então, seria: queremos tirar apenas o presidente, entretanto não podemos ser ingênuos e pensar que após um impeachment os deputados do centrão não vão exigir a contrapartida do próximo presidente, como a volta ao presidencialismo de cooptação (coalizão), com distribuição de cargos e ministérios, e assim tudo volta à paz entre Executivo e Legislativo, pois tudo passa a ser resolvido nos conchavos do toma lá, dá cá. Ministros eficientes dão lugar a políticos sem escrúpulos que pensam em tudo, menos no Brasil.

         

Marcos de Sousa Campos marcosscampos@hotmail.com

Peruíbe


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O QUE QUEREMOS?


Exatamente! Então, vamos derrubar o presidente Bolsonaro e trazer de volta o PT com Lula, Zé Dirceu, Dilma, etc. Então é isso o que queremos para o Brasil?


Wiliam Rady dario_soares@live.com

São Paulo


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ARREPENDIMENTO


Não me arrependi de ter votado em Bolsonaro (Boçalnato), pois era a única forma de escorraçar o PT do poder. Também cheguei a votar em Lula, Palocci...


Albino Bonomi acbonomi@yahoo.com.br

Ribeirão Preto


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O PREPARO DO LÍDER


O papel do presidente Bolsonaro na crise só evidência algo que já era muito latente: o vice-presidente, general Hamilton Mourão, é um homem muito mais bem preparado para o cargo de comandante-chefe da Nação.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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DESINFORMAÇÃO LEVA AO CAOS


De uma nova doença para epidemia e, agora, pandemia. Nos últimos dias, o novo coronavírus virou o principal assunto do mundo e, por consequência, a maior preocupação para todos e pelos mais diversos motivos. Desde questões políticas, diversões, práticas futebolísticas, passando por pautas econômicas e chegando à saúde pública (a mais importante do momento). Mais do que lavar as mãos, passar álcool gel ou usar máscara, a maior prevenção contra o vírus que tem causado pânico mundial é a informação. Por isso é tão importante combater as fake news e não compartilhar conteúdo sem antes comprovar a fonte. Só se deve confiar naquelas notícias que nos são passadas por meio da imprensa e dos órgãos oficiais. Porém, além das notícias falsas, há também outros agravantes: o desencontro de informação é a falta de uma ação coordenada dos governos no Brasil e no mundo. O novo vírus causa estragos em vários lugares, mas o combate pode ocorrer com maior cuidado de todos. Aqui, na América, os jogos da Copa Libertadores da próxima rodada foram cancelados, assim como os campeonatos regionais e as edições do Lollapalooza no Chile e na Argentina. Enquanto isso, no Brasil, a organização do evento mudou a data para dezembro. Na maior capital do País e onde se concentra o maior número de casos do coronavírus confirmados, o metrô, os trens e ônibus continuam superlotados, levando pessoas para todos os cantos da metrópole. Alguns passageiros usam máscara, outros espirram e tossem sem nenhum cuidado, e assim seguimos esperando por milagres dos deuses. No mais, é aguardar para que a ciência possa encontrar o mais rápido possível remédio e/ou vacina que possam servir para um tratamento mais efetivo e que proteja aqueles que não contraíram o impopular vírus da covid-19.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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MEDO E SOLIDÃO


Em Provérbios de Salomão é dito: “Três coisas me são dificultosas (de entender), o caminho da águia pelo ar, o caminho da cobra sobre a pedra, o caminho da nau no meio do mar”. Não temos a liberdade da águia, estamos limitados como a cobra e vivemos a incerteza como a nau no meio do mar. Não existe nada que transmita mais liberdade do que a mobilidade de ir e vir, além do contato social, que é a essência do humano, conforme Yuval Noah Harari, autor do livro Breve história da humanidade. Sobrevivemos em razão de uma teia mítica que dá o suplemento criativo de desenvolvimento às ações humanas. Hoje vivemos como num filme de ficção científica em que as cidades parecem desertos. Diante de cenários como a praça da Torre Eiffel vazia, Madri deserta e toque de recolher na Itália, parece que estamos assistindo a um desfile dos extremos da alma. Momentos como este são olhos mágicos para reflexão. A lua brilha pálida na noite. No Jardim de Paris, o silêncio é absoluto, como se todos os parisienses, com esta pandemia, tivessem fugido do pálido luar. Na cidade em quarentena, o transeunte solitário ouvia o ruído de seus passos no solo macio onde as amendoeiras e cerejeiras balançavam ao vento. O coronavírus pousou como uma sombra na alma humana, trazendo medo e solidão.


João Misael Tavares Lantyer misael51@terra.com.br

São Paulo


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REDE DE APOIO


Solidariedade também é contagiosa! Isolar-se do convívio social presencial é uma medida preventiva obrigatória contra o novo coronavírus, especialmente para a população mais idosa, que apresenta a maior taxa de mortalidade pelo vírus. A questão é que essa atitude pode trazer sentimentos de solidão e de desamparo. Participe da campanha Seja um anjo da guarda: selecione pessoas da sua rede de contatos e converse diariamente pelo WhatsApp. Além de levar acolhimento, você poderá transmitir informações realmente confiáveis e enumerar unidades de saúde que possam atendê-lo em caso de necessidade. Atenção: o papel do voluntário não é fazer diagnóstico nem dar recomendações médicas. Espalhe esta ideia.


Mauro Wainstock mauro.wainstock@gmail.com

Rio de Janeiro


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SEM PÂNICO


O mito lorpa acertou: não há motivo de pânico. O psicomito se esquece, porém, de que foi esta cultura do pânico, do boato, de não checar fontes, anticiência e de fanatismo religioso que o elegeu. Resta-nos seguir as prevenções, para não piorar as mazelas sanitárias que já temos. E aos que olham só seu umbigo, um difícil esforço solidário com 40 milhões no subemprego, que não terão como fazer home office.


João Bosco Egas Carlucho boscocarlucho@gmail.com

Garibaldi (RS)


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COVID-19


O dia todo os canais de TV nos têm enchido o saco recomendando lavagem das mãos e uso do álcool gel em tudo, mas ninguém está falando sobre o que fazer em caso de contaminado confinado em casa: ele deve simplesmente se deitar e esperar a morte sem assistência? Outra questão é o não uso da máscara por quem não tem sintomas, não tem lógica não se proteger se alguém ao seu lado espirra podendo contaminar quem estiver por perto respirando o mesmo ar, afinal, todo mundo respira.


Fernando Andrade fernando.andradebarros@gmail.com

São Paulo


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UMA DOSE DE OTIMISMO


Nestes tempos de pandemia seguida de depressão generalizada motivada por isolamentos e confinamentos compulsórios, mas necessários, seria interessante que a grande mídia divulgasse, também em manchetes, ao lado das inúmeras e cansativas entrevistas com especialistas, notícias e possíveis investigações sobre a veracidade de alguns dados positivos que já circulam em órgãos de comunicação de menor alcance. Por exemplo, é certo que o último hospital para tratar coronavírus na China foi desativado? Que a Apple reabriu lá sua 42 lojas? Que foi obtido sucesso no tratamento da doença por meio de uma combinação de medicamentos consagrados, na Índia? Que a Cleveland Clinic criou método de teste que detecta o vírus em horas? Que na Coreia do Sul o número de novos casos está diminuindo? Que várias empresas de biotecnologia de renome internacional envidam neste momento esforços no sentido de desenvolver vacinas eficazes? Essas são algumas informações que, confirmadas, embora alterem pouco o ritmo de proliferação por aqui, pode servir de elemento de esperança e de expectativa psicológica positiva capaz de elevar o moral geral.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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