Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2020 | 03h00

CONTRAPROVA NEGATIVA

Em tempos de teorias da conspiração e fake news, um pouco de dados científicos: 86% das infecções pela covid-19 não são diagnosticadas e 79% das transmissões acontecem a partir de pessoas assintomáticas. Conclusão de um artigo publicado na Science, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, em 16 de março. Vejam, pois, a importância do (nosso) isolamento social. Outro dado: a letalidade do vírus é de, em média, 3,6%. Percebam, isso é uma “média”! Na Itália, a letalidade é de 6,21%; na Coreia do Sul, inferior a 0,7%. Por que essa diferença? Não se pode desconsiderar que a idade da população tem influência nos números, pois os idosos estão mais suscetíveis a problemas respiratórios graves. Mas a verdade é que, enquanto na Coreia as mortes se dão em consequência da evolução natural da doença, na Itália as pessoas estão morrendo por falta de atendimento – em 18 de março, foram 475 óbitos. É fácil de entender isso. No mínimo 5% dos infectados precisam de aparelho de respiração e leito hospitalar por, aproximadamente, 15 dias. Ou seja, 5 entre 100 infectados, 50 entre mil, 500 entre 10 mil... Eis o colapso do sistema de saúde! E eis o que é mais trágico do que a própria morte: a morte por falta de atendimento. Um parênteses: o Brasil tem 16 mil leitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Sem o coronavírus, 95% já permanecem ocupados. Perceberam o tamanho do problema? Pois bem, o que os países bem-sucedidos no enfrentamento ao coronavírus fizeram foi o “achatamento” da curva de infecção, por meio de medidas drásticas de isolamento social e detecção rápida dos casos. Fizeram espalhar as infecções no tempo. Sem grande pico. Quando uns precisavam de leitos, outros deixavam o hospital. O Brasil teve o “privilégio” de antever o que aconteceria aqui. Era uma escolha matemática: o gráfico exponencial da Itália ou o achatado da Coreia do Sul. O presidente da República fez sua escolha. Ao tempo que as decisões deveriam ser tomadas, Bolsonaro dava declarações irresponsáveis e exemplos piores ainda. E seguem a inanição e as trapalhadas. Com a máscara mal colocada e cuspindo no copo do ministro sentado ao lado, anunciou que a Anvisa aprovou 8 novos kits de detecção do vírus, mas “não se sabe quantos serão produzidos, pois depende da capacidade de cada indústria”. Mas como assim? E o inciso XXV do artigo 5.º da Constituição? Põe o Estado lá para produzir quantos forem necessários! E que tal empréstimo compulsório sobre os juros de cartão de crédito e cheque especial sem repasse ao consumidor (artigo 148, I da Constituição) para aplicação exclusiva em novos leitos? Para quem esperava uma liderança minimamente capaz de governar o País, a contraprova deu negativo.

Mário Hildebrando Schell Felizardo Neto mariosfn@tjrs.jus.br

Porto Alegre

SINA

Defenestramos Dilma-Poste para eleger Jair-Dilmo. Que sina!

Renato Amaral Camargo natuscamargo@yahoo.com.br

São Paulo

LEITOS DE UTI

Dados divulgados pelo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) mostram que nos 5.570 municípios brasileiros existem apenas 50 mil leitos de UTI disponíveis em 545 municípios, 22 mil do SUS. Mesmo com a aprovação do decreto de calamidade pública, o Brasil nunca conseguiria construir um hospital com mil leitos em dez dias, como fizeram os chineses. Como sempre acontece, mais uma vez, a população mais carente é que vai pagar o pato.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

TEMOS MUITA COMPETÊNCIA

É muito encorajador ver as participações de nossos médicos nos noticiários a respeito do coronavírus. Percebemos que, além da figura diminuta que vemos no governo, há gente competente que nos mostra que nosso país tem qualidades que não acreditávamos mais que existissem. Devemos homenageá-los pela sua estatura e seguir seus conselhos para superar esta fase terrível.

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

ESQUERDA X DIREITA

A bipolarização política está praticamente morta, parece que contraiu o vírus. As agressões de esquerda e direita perderam a força. Tudo ficou sem graça. Ainda bem! Pelo menos alguma coisa boa precisava acontecer para compensar o estrago da pandemia. Estavam insuportáveis as picuinhas ideológicas. Quem vai se importar com a ideologia diante de um organismo neutro, mortal, que não precisa de passaporte para visitar os países e não pede licença para entrar na casa dos cidadãos? A prisão domiciliar forçada judia das pessoas e qualquer distração vinda da internet é efêmera e acaba rapidamente: só o que não acaba é a epidemia. Segundo o ministro Mandetta, precisaremos suportar o suplício até setembro. Ninguém merece!

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

GRANDE BATALHA

Estamos vivendo, no momento, uma situação que muitos de nós julgávamos ser impossível de vivenciar. Quem poderia prever que nossa vida em comunidade, no trabalho, no descanso e mesmo nos atos religiosos seria um salvo-conduto para o inimigo invisível, silencioso, invadir e tornar nossa vida um inferno apocalíptico? Nada podemos fazer, nada podemos tocar, apenas obedecer a ordens sanitárias das autoridades. E os bravos soldados médicos e enfermeiros, sem distinção de classes, travam diuturnamente uma luta contra o imponderável. Forças antagônicas procuram de todos os meios atrapalhar o andamento da missão salvadora, inventam situações e atos mentirosos, aumentam escandalosamente os preços dos produtos essenciais ao combate do inimigo, comandantes mal preparados, divergem de seus comandados, pondo em risco a vitória contra o inimigo silencioso, mas mortal. Nós estamos nos recolhendo em nossa casa, reclusos forçados pelas circunstâncias, obedientes aos nossos filhos, que não admitem nossas saidinhas, enfim, na expectativa de mais uma vitória da ciência dos homens. No momento, só nos resta orar a Deus para que pelas chagas do Seu Filho Jesus olhe pelo nosso mundo e nos livre mais uma vez dos infortúnios de uma pandemia apocalíptica. 

Aloísio De Lucca aloisiodelucca@yahoo.com.br

Limeira

QUESTÃO DE SAÚDE

No dia 1 de fevereiro, domingo, embarquei no Porto do Rio de Janeiro num navio italiano para um cruzeiro à Argentina. As filas eram imensas e foi um tumulto, pois todos os passageiros eram testados quanto à temperatura corporal, e fui o primeiro a ser retirado das filas que se formaram e encaminhado ao médico, para averiguação quanto ao coronavírus. Mas o carnaval decorreu em absoluta paz até o dia 25 de fevereiro, com as suas multidões de turistas e seus batuques e coreografias de sempre. Pânico, só depois. Houve aqui alguma intromissão das necessidades econômico-financeiras das instituições nos assuntos médicos da sociedade civil?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

COVID-19

Carnaval: o vetor nacional. Menosprezo de trágicas proporções.

Sérgio Augusto de Moraes Torres sergio.torres47@gmail.com

São Paulo

O QUE NOS AGUARDA?

Nos últimos anos tivemos várias epidemias. Algumas atingiram os animais: vaca louca, gripe aviária, gripe suína. Milhares de animais foram sacrificados. Outras epidemias afetaram os humanos: HIV, H1N1 e, agora, a covid-19. Ser humano tem de ser tratado devidamente. Em epidemias globais o melhor tratamento é a prevenção. HIV infecta através do sangue, H1N1 por contato direto entre pessoas, mas para a covid-19, muito mais contagiosa, a prevenção requer maiores sacrifícios de todos. O que nos aguarda no futuro próximo? Covid-20, 21...? O vírus da covid-19 já foi encontrado até nas fezes de pessoas contagiadas. Agora imaginem a tragédia da disseminação de um vírus ainda mais resistente e contagioso, que tem sido a tendência, num país como o Brasil, onde mais de 150 milhões de pessoas vivem sem saneamento básico, sem tratamento de esgotos, sem aterros sanitários. Todos os níveis governamentais, municípios, Estados e União, devem preparar todas as cidades com saneamento básico de qualidade, pois o próximo vírus pode ser fatal para a população brasileira.

Vagner Ricciardi vb.ricciardi@gmail.com

São Paulo

CALAMIDADE PÚBLICA

O dinheiro liberado para amenizar a grave crise causada pelo coronavírus é muito bem-vindo. Essa medida vai ajudar a população. Mas, façamos uma reflexão: há dinheiro, sim! Em comparação com o que é pago de juros aos banqueiros, trata-se de merreca. André Lara Resende tem razão quando diz que o governo deve gastar. Com responsabilidade, mas deve!

Luiz Antonio Amaro da Silva zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos

BRASIL INJUSTO E DESIGUAL

É inaceitável a indecente e vergonhosa desigualdade social do Brasil. Não é possível que apenas 5% da população mais rica ganhe 95% da renda nacional e que 0,1% dos brasileiros mais ricos possuam 48% da riqueza do País. A reforma tributária é algo básico e essencial, eis que nosso sistema regressivo é um autêntico Robin Hood às avessas, que transfere recursos dos pobres para os ricos. Nossas desigualdades são vergonhosas, inconstitucionais, criminosas, burras e causam o sofrimento e a morte de milhões de brasileiros. Agora, com o coronavírus, milhões de brasileiros pobres correm sério risco de morte. Até quando?

Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo

RECESSÃO BRAVA À FRENTE

O Brasil está parado e deve permanecer assim por meses, cada mês representa 8,3% do ano, sugiro que a equipe econômica revise suas projeções de crescimento, certamente teremos uma recessão sem precedentes pela frente, o que indica a necessidade de turbinar as medidas de auxílio e estímulo à economia.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

BECO

Aqui, a esperança de ver uma luz no fim do túnel vai se esvaindo. Com a pandemia, fecharam o túnel...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

UM NOVO PARADIGMA

O capitalismo vai experimentar um de seus mais rigorosos testes. Quedas vertiginosas de PIB tensionarão os governos aos extremos. Muitas empresas – especialmente as grandes – não suportarão a folha de pagamento e a saída natural talvez seja a de se considerar pagar um salário-base, mais baixo, fixo e uma parcela em função do desempenho da empresa. Parceiros efetivos no risco. As mais ousadas farão o mesmo também na gestão. Por si só, isso tornará o capitalismo mais resiliente e poderá evitar uma “quebradeira geral”. Paradigmas diferentes exigem soluções diferentes. Estava na hora.

Bruno Hannud hannud.bruno@yahoo.com

São Paulo

PREVISÕES

Economistas, bancos e outros órgãos: risquem esta palavra do dia a dia até o fim do ano. Na situação atual, qualquer previsão é furadíssima.

Ariovaldo J. Geraissate ari.bebidas@terra.com.br

São Paulo

RESERVAS

Perguntar não ofende, mas e o tal colchão (reservas) de mais de R$ 300 bilhões, não poderia ser acionado por um desenvolvimento doméstico, em terra arrasada?

Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos

COMÉRCIO EM SÃO PAULO

Já que a Prefeitura determinou o fechamento do comércio na cidade, no mínimo tem de adiar o pagamento dos pesados IPTUs comerciais que recaem sobre esses estabelecimentos, ou cobrá-los sem juros e multa daqui a 90 dias, aliviando a crise que se avizinha.

Ronaldo Rossi ronaldo.rossi1@terra.com.br

São Paulo

SERVIÇOS ESSENCIAIS

Que tal sugerir para as autoridades estabelecerem um escalonamento de horários (farmácias, supermercados, etc.) por faixa etária? Assim, por exemplo, das 7h às 8h30, 60 a 75 anos; das 8h30 às 10h, 30 a 40 anos; e assim por diante, adequando esses horários ao comportamento presumido habitual dessas faixas etárias. Seria uma forma de distribuir a população, evitando cruzar faixa etária suscetível com faixa etária tolerante. É difícil, mas poderia ajudar a população a se organizar. 

Ricardo Hanna  ricardohanna@bol.com.br

São Paulo

CASAS LOTÉRICAS

Observação feita na manhã de sexta-feira (20/3) em casa lotérica próxima da Estação Morumbi da Linha 4: lotérica cheia, fila enorme. Não seria o caso de proibir as loterias?

Anneliese Fischer Thom fthom@uol.com.br

São Paulo

Deveriam parar com as loterias para evitar aglomeração de pessoas.

Victor Raposo victor-raposo@uol.com.br

São Paulo

 

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