Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 03h00

Pandemia

Momento de recolher as armas

Leio sempre com atenção os editoriais do Estado, quase sempre precisos. Aproveito para expressar minha opinião no meio deste recrudescimento de informações sobre nosso presidente, que, de fato, fornece rico material para críticas. Essa autoridade realmente segue num barco próprio de insensatez, o que já foi bem observado pelas pessoas do Brasil em geral. Contudo observamos que aqueles que tocam o governo se empenham em fazer o melhor. Num momento como este todos devemos focar na covid-19, nas suas consequências, buscar informações precisas, apontar erros ou omissões que possam prejudicar o andamento da defesa contra o vírus. Deixem por um tempo o Bolsonaro fazer sozinho suas “micagens” e aparições, no mínimo, esquisitas. Ele está em campanha desde que assumiu o governo e quanto mais baterem nele mais ele vai gostar. Falar dele é o que mais quer. Por outro lado, evitem elogiar muito os seus ministros, pois Bolsonaro pode achar que os holofotes devem ser só para ele e demitir os bons quadros que lá estão. Como em jogos de futebol de várzea, o dono da bola tem sempre de estar escalado, senão ele a leva embora para casa.

NELSON MATTIOLI LEITE, médico

NELSONMLEITE@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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União nacional

Concito o presidente da República, governadores, prefeitos, senadores, deputados e demais políticos a se despirem de suas ambições políticas e filosóficas e unirem forças em torno da luta contra um mal maior que nos aflige: a covid-19. Está na hora de pôr nossas vaidades de lado, esquecer os desentendimentos e interesses pessoais e lutar unidos. Não é hora de brigas e picuinhas, pois a população brasileira é a mais prejudicada com essa desinteligência. O momento exige união nacional em torno do extermínio, o mais breve possível, dessa pandemia que nos assola.

JOSÉ OLINTO OLIVOTTO SOARES

JOLINTOOS@GMAIL.COM

BRAGANÇA PAULISTA

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Quarentena política

O momento é grave. Proponho que os conflitos políticos também entrem em quarentena. Por amor ao Brasil.

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cabeças pensantes

Em tempos extremos cada um tem de fazer a sua parte. A pior alternativa é se apavorar: nesse caso se perde a razão e prepondera a emoção, nem sempre a melhor conselheira. Assim sendo, nosso ministro da Economia e seus auxiliares devem pensar o hoje para municiar o Ministério da Saúde com o dinheiro necessário para combater a moléstia, que leva a população a se entrincheirar, não produzir, não ganhar e não gastar. Uma catástrofe para o mundo capitalista. Num momento destes, gorduras devem ser diminuídas: privilégios, verbas para campanhas políticas, até impostos, são alguns exemplos. Privilégios, diriam alguns, são direitos adquiridos; deles as pessoas não abrem mão espontaneamente, mesmo em ocasiões críticas em que o País apresentará déficit enorme, à custa de milhares de empregos. Por que não fazer como nossos bancos, que conseguem arrastar a devolução da correção dos planos econômicos, pagando a conta-gotas, por mais de 20 anos? Verbas de campanha são um desperdício, poderiam ser reduzidas a apenas um valor simbólico. Quanto aos impostos, o pagamento será reduzido pela falta de movimento econômico. Mas não poderíamos pensar em diminuir impostos dos cidadãos mais afetados pela crise, num tipo de curva ABC de importância e aplicação de alíquotas? Precisamos de ideias, saídas, soluções. Cabeças pensantes em matérias que não são dadas em aulas de Economia. Soluções contributivas, não restritivas. Que nos façam olhar o sol adiante de nós, e não as trevas que ficam às nossas costas.

SERGIO HOLL LARA

JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Tudo passa

O editorial A vida, o emprego e o estômago (23/3, A3) evidencia a necessidade de um grande esforço nacional em todos os níveis para equilibrar o binômio prevenção da covid-19 e economia. Não será fácil, mas vamos conseguir. Tudo passa e nos fortalece como seres humanos. Deixo uma sugestão referente aos cartões de crédito: parcelar em seis vezes sem cobrança de juros os valores atuais.

CLÁUDIO BAPTISTA

CLABAP45@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Vacina de idosos

São Paulo tem a maior população de idosos e nenhuma medida extra foi tomada para facilitar a vida dos velhinhos. Cidades menores credenciaram farmácias para evitar aglomerações. Vamos esperar até quando, srs. governantes?

WALDIR GANDOLFI

GANDOLFI.W@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Hospitais de campanha

A principal preocupação quanto à pandemia do coronavírus é a incapacidade de oferecer atendimento hospitalar caso haja um pico epidêmico, quase inevitável pelo que vemos em outros países. O próprio ministro da Saúde já alertou sobre a possibilidade de colapso do sistema de saúde, que já não é como gostaríamos. É sabido que nossas Forças Armadas têm conhecimento e experiência na montagem e operação de hospitais de campanha. Acredito que esse tipo de instalação seja muito adequado para o problema, pois o tratamento das vítimas do coronavírus não exige instalações e equipamentos muito sofisticados – o principal seriam os respiradores. A montagem de hospitais de campanha é rápida e o treinamento de equipes médicas, relativamente simples, além de eles serem facilmente movimentados para áreas de maior surto, se necessário. Mas para isso é necessário planejamento, compra de material e equipamentos, treinamento e convocação de equipes. Sugiro ao sr. ministro Mandetta considerar esta possibilidade, para superarmos a crise com o mínimo de perdas.

VITOR L. MENDES

VLMMENDES@GMAIL.COM

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

A RESSACA


Não se trata de ressaca meteorológica, como quando o mar desperta depois de uma noitada tórrida com a lua e investe contra praias, rochedos, calçadas e edificações à beira-mar, causando enormes estragos. Nem tampouco de ressaca física e psicológica que os seres humanos enfrentam após uma farra que começa com a ânsia por divertimento ilimitado e termina na ingestão incontrolada de estimulantes etílicos e/ou alucinógenos, que levam a um despertar horrível. Aqui, vou tratar da ressaca econômica que se prenuncia em consequência das medidas draconianas recomendadas por autoridades sanitárias e que estão sendo impostas por autoridades governamentais, ciosas com seu prestígio político. O preço que a humanidade, principalmente a sua camada mais pobre, vai pagar em consequência dessa paralisação econômica drástica já começa a dar sinais, como no despertar de uma ressaca que começa com uma leve dor de cabeça, mas logo se tornará insuportável. Os sinais iniciais resultantes da “esbórnia” sanitária adotada apareceram em várias notícias publicadas pelo Estadão de segunda-feira (23/3), a saber: “Contração econômica que vem pela frente será gigantesca”; “(...) a equipe econômica abandonou, por algum tempo, severos compromissos fiscais (...)”, ou seja, a meta fiscal foi para o espaço; “A pandemia poderá impor uma perda de arrecadação de uns R$ 60 bilhões”“Com os dados atuais, pode-se estimar para o fim do ano um déficit primário (sem juros) de uns R$ 200 bilhões”, com as consequências que isso terá sobre a inflação e o câmbio; “A proporção de trabalhadores pobres deve crescer expressivamente” no mundo; “Empresários pedem um Plano Marshall para evitar colapso”, prevendo que “(...) os estragos na economia real serão muito mais profundos, com possibilidade de desencadear um caos social”; notícia do Washington Post que diz que “temor do coronavírus aumenta vendas de armas nos EUA”; muitos compradores de armas parecem temer “(...) um período de escassez dos gêneros essenciais com furiosos despossuídos tentando roubar o básico de quem ainda tem algo na geladeira”. Imagine-se aqui. Se tudo isso ou mesmo parte disso ocorrer, pode-se prever um sério desabastecimento de Engov nas prateleiras das farmácias nacionais.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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ÚLTIMA CHANCE


Irretocável o artigo A peste e a reforma das reformas, de Fernão Lara Mesquita (24/3, A2). Esta é, de fato, a última chance de o Brasil acabar, institucionalmente, com a privilegiatura que nos suga desde o nascimento da República. Fim da estabilidade, fim da irredutibilidade salarial e, principalmente, fim dos supersalários e privilégios obscenos do alto funcionalismo público. Menos que isso, e uma revolta nacional será inevitável.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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O DINHEIRO DO FUNDO ELEITORAL


Sugiro ao sr. governador do Estado de São Paulo, João Doria, que, exercendo sua autoridade e liderança, faça uma campanha e oriente os 70 deputados federais que representam o Estado no Congresso Nacional para que abram mão e votem imediatamente a entrega da verba eleitoral de R$ 2 bilhões, aprovada para este ano, para o SUS utilizar no combate à atual pandemia. Será um gesto de altruísmo desta casta especial da sociedade.


Luiz Vinagre lvinagre@terra.com.br

Santos


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A QUEM PENSAM QUE ENGANAM?


Os governadores dos Estados, coadjuvados por seus prefeitos, sempre observaram passivamente a agonia das respectivas populações nas filas de emergência dos hospitais públicos, sem adotarem medidas efetivas para aliviar a gravidade da questão, lembrando-se dela sempre, no entanto, em época de eleições, quando era evocada nas campanhas como parte do eterno pacote saúde-educação-segurança. Repentinamente, porém, se vêem diante de um problema em escala mundial, o coronavírus, letal e aniquilador de economias de países, Brasil incluído, cujo controle se situa fora do alcance das mentiras dos palanques, o que os obriga a se apresentarem na linha de frente do combate à epidemia. Todavia, com um olho no padre e outro na missa, como a sabedoria popular recomenda aos espertos, aproveitam então o ensejo para colher dividendos políticos a fim de turbinar suas metas de poder implícitas nos próximos embates nas urnas. Para isso, intrigam e derrubam adversários, dispersando esforços no combate ao mal maior, usando, mais uma vez como munição, o sofrimento do povo. A quem pensam que enganam?


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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REMÉDIO QUE PODE MATAR


Estas medidas draconianas determinadas por governadores de Rio de Janeiro e São Paulo são o típico remédio que pode matar o paciente. A economia brasileira é frágil demais e está em péssimo momento para suportar tais medidas. Os panelaços do Rio são próprios de gente bobalhona, o presidente está certíssimo ao afirmar que tais medidas apenas inibem momentaneamente mais contaminações, mas não se sustentam no tempo, pois, enquanto não houver medicação adequada ou vacina, é uma guerra perdida. Pessoas que trabalham na informalidade – e são milhões neste país – não se sustentam mais de três dias sem seu parco ganha-pão. A maioria da população brasileira mal sobrevive com rendimentos miseráveis e a paralisação mata o sustento de toda essa gente. Simplesmente, medidas insustentáveis e um baque econômico fortíssimo num país que não possui estrutura alguma para manter tais medidas. Os danos serão incomensuráveis.


Paulo Alves pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro


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E SE FOSSE O PT?


Ontem, na imprensa, vimos Fernando Haddad criticando a condução do País por Bolsonaro na crise da covid-19. É fácil entender o pensamento deste povo: o Brasil lutando para salvar vidas e Haddad e o PT rendendo homenagens a Lula, o maior ladrão que este país conheceu e um dos maiores corruptos do mundo. Não sou defensor incondicional de Bolsonaro, mas fico pensando na condução deste processo pelo governo do PT, com cargos vendidos aos partidos e pessoas indicadas aos cargos com o intuito de roubar, sem nenhum conhecimento técnico. Comparem os antigos ministros do PT com o atual Mandetta, por exemplo. Haddad não deve se esquecer de que o País está se defendendo como pode em virtude do rombo que seu partido no poder deixou nas finanças do País, depois do maior esquema de corrupção conhecido no mundo. Haddad foi derrotado nas eleições passadas, que seja ao menos patriota.


Olavo Bruschini o.bruschini@terra.com.br

Monte Azul Paulista


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INTERESSES POLÍTICOS


Nos Estados Unidos, os Democratas rejeitaram o pacote de US$ 2 trilhões do presidente Donald Trump para salvar a economia e os empregos dos americanos. Observo que lá, como cá, a oposição sempre prefere defender os interesses políticos, ao invés de ajudar o povo.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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PAREM A MANADA


Até quando o governo vai fazer de conta que a economia não existe e entender que só faz sentido manter em quarentena os grupos de risco (idosos, imunossuprimidos e portadores de determinadas doenças crônicas)? Já passou da hora de sermos racionais e não ficarmos com o próprio governo agindo com mentalidade de manada. Procura-se um estadista.


Oscar Thompson OscarThompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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NEM UM PALITO


O advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira expôs suas considerações sobre Bolsonaro criticando, com razão, algumas idiotices do presidente, que demonstra despreparo e incapacidade de liderar o País nesta calamidade (Solução para o desgovernoEstadão, 23/3, A2). Ele e os filhos, estes uns “absurdistas” juramentados, levam a idiotia Brasil afora. Agora, o ilustre causídico imagina que poderíamos “ser persuadidos” pelo conjunto do Legislativo, Judiciário, OAB, ABI e CNBB “a reagir” em relação a este governo. Ora, dr. Mariz, esse conjunto de siglas não goza da menor credibilidade que seja junto ao povo que elegeu Jair Bolsonaro e junto ao povo em geral. Os dois Poderes, absolutamente detestáveis e não confiáveis, estão repletos de corruptos impunes. A OAB, uma organização totalmente parcial, é defensora da impunidade de políticos corruptos e criminosos em geral, preocupada em manter o faturamento de advogados medalhões. E a ABI, plena de jornalistas com simpatias por ditaduras e, pasmem, todos sempre falando em “defesa da democracia”. Quanto à CNBB, abstenho-me de comentar. Finalizando, eu diria que o que o doutor Mariz imagina como estimuladores de uma mudança não tem a capacidade nem de mover um palito.


Joao Paulo de Oliveira Lepper jp@seculovinteum.com.br

Rio de Janeiro


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OLHA O GOLPE


Foi surpreendente a manifestação do dr. Antonio Cláudio Mariz de  Oliveira, advogado tido como pessoa importante no meio jurídico, no Estadão de 23/3. Sem o menor pudor e sem nenhuma cerimônia, o artigo Solução para o desgoverno nada mais é do que um chamado às importantes entidades representativas de classes do País, tais como a ABI, a OAB, a CNBB, além, é claro, dos Poderes Legislativo e Judiciário, para que essas entidades mobilizem o povo, a sociedade em geral, para simplesmente deporem o presidente Bolsonaro! Surpreende-me essa pregação do advogado pelo simples fato de que está se insurgindo e levantando o povo a dar um golpe de Estado, quebrando todos os pressupostos da democracia que nos é tão cara.


Ubiratan de Oliveira Uboss20@yahoo.com.br

São Paulo


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DEFINIÇÃO


Eu tenho uma pergunta ao ilustre causídico dr. Antônio Cláudio Mariz de Oliveira no texto Solução para o desgoverno: “trabalho eficiente de persuasão” de dois Poderes e entidades contra o chefe de um terceiro Poder para desestabilizá-lo não seria um golpe?


Marco Antonio Esteves Balbi balbi393@gmail.com

Rio de Janeiro


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ANTIRREPUBLICANO


No artigo Solução para o desgoverno, o prezado advogado incita a população, juntamente com OAB, ABI e CNBB, a se mobilizar “em reação ao chefe do Executivo”, como se isso fosse uma atitude comum dentro dos padrões republicanos. O causídico, juntamente com aquelas entidades, se disse chocado quando se ventilou que o presidente estava apoiando a manifestação contra outros dois Poderes da República. Parece, então, para ele que essa atitude foi antirrepublicana, mas a dele não. Num momento dramático como este que o País está atravessando, com a economia em frangalhos e com perspectiva de piora, esse tipo de artigo em nada contribui para a saúde (desculpe o trocadilho) do Brasil.


Ademir Alonso Rodrigues rodriguesalonso49@gmail.com

Santos


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O MOMENTO É GRAVÍSSIMO


O destaque do artigo Solução para o desgoverno é a frase “é dever cívico persuadir a sociedade a se mobilizar contra o chefe do Executivo”. O momento que atravessamos é sério e potencialmente gravíssimo. O número de óbitos consequentes à pandemia do coronavírus é alarmante. Observo, entretanto, e com muito respeito profissional, o desempenho, a seriedade e os esforços dos participantes do grupo gestor da crise médica. Seu trabalho é motivo de orgulho para nós, brasileiros. É chocante, portanto, o texto o dr. Mariz de Oliveira. Além das palavras propositadamente hostis e ofensivas, o texto incentiva uma reação popular contra um governo legalmente constituído e clama por parcerias dos Poderes Legislativo e Judiciário ou de entidades como a OAB, a ABI e a CNBB, para provocar uma mobilização social como fora “um dever cívico indeclinável e impostergável que pretende obter que o presidente capitule e renuncie”. O momento, entretanto, não é de rancor ou de desagregação moral. Nas palavras de um líder espiritual, o momento é de coragem e de solidariedade, de apresentar e difundir os sentimentos mais humanos. O vírus agressor destaca nossa fragilidade humana e certas palavras permeadas de rancor estimulam a desagregação. A solidariedade, demonstrada, recentemente, pelas autoridades brasileiras, autorizando a liberação de máscaras para nossos irmãos da Itália, é um exemplo a ser seguido. A compreensão das autoridades brasileiras em ações humanitárias com nossos irmãos carentes, temporariamente, de recursos materiais, entre outros, destaca o caráter cristão do nosso povo.


Juarez Ortiz, médico cardiologista rlobo.transgiter@hotmail.com

São Paulo


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CRISE DE SAÚDE E POLÍTICA


Estadão mantém a coragem em seus editoriais Tropeço e recuo no combate à crise e O preço da pequenez (24/3, A3), ao reforçar um dos grandes problemas que enfrentamos nesta pandemia: o presidente da República. A presença de um néscio no cargo mais alto do poder fez atrasar medidas de contenção contra a covid-19 e difundir boatos de tratamentos falsos, conspiração chinesa e curas milagrosas. A pá de cal na sociedade seria a possibilidade de demissão em massa, retirada da medida provisória, mas os ataques à sociedade continuam. Nosso sistema de ciência e saúde pública foi desmantelado e, assim, estamos com base inferior de ferramentas para o enfrentamento do coronavírus, em relação a outros países.


Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas


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DAVID UIP


Só mesmo neste macunaímico país de cabeça para baixo poderia ocorrer fato tão bizarro: o médico infectologista David Uip, chefe do Centro de Contingenciamento do Coronavírus em SP, foi testado positivo para o contágio e está isolado em quarentena. Trágico. Melhoras, doutor!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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AMEAÇA FANTASMA


Como autoridades e pessoas importantes cercadas de todos os cuidados para evitar o contágio estão se contaminando? Uma das razões é o perigo invisível. Ou seja: os assintomáticos. De cada dez contaminados por coronavírus, só um irá apresentar sintomas relevantes. Os outros nove, não. Ou seja: a quantidade de contaminados provavelmente é dez vezes maior do que a quantidade de diagnosticados. Deste modo, se alguém estiver tossindo e com febre, deve-se tomar cuidado com essa pessoa, pois pode estar contaminada. Mas, se não tossir nem apresentar elevação da temperatura, isso não quer dizer absolutamente nada. Então, como se faz para ter certeza do estado de contaminação das pessoas com quem convivemos? Só fazendo o exame de cada uma, algo impraticável para o dia a dia. Isolar-se ou conviver com o risco, como diria Shakespeare, eis a questão!


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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DADOS


O Ministério da Saúde está divulgando diariamente o número total de pessoas que testaram positivo para covid-19, assim como o total de mortes. Seria interessante se passasse a divulgar também o número de pacientes que se encontram em tratamento domiciliar, assim como os internados em hospitais e, destes, os que estão em tratamento intensivo. Já que o índice total de contaminação, por mais que se intensifique a testagem, nunca será sabido com exatidão, ao menos a divulgação do número de casos, leves e graves, em tratamento poderia prover para a população, de forma real e transparente, uma dimensão mais aproximada do impacto da doença no sistema de saúde. Isso pressupondo, evidentemente, que o Ministério tenha, de fato, esses dados.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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DO CIRCO À UTI


Sobre a notícia de que serão inaugurados novos leitos para tratamento contra o coronavírus no Anhembi e no Pacaembu, gostaria de sugerir que fosse utilizado, ao invés do estádio do Pacaembu, o prédio da Fábrica do Samba, também chamado de Liga-SP (Liga das Escolas de Samba de São Paulo), pois é um prédio grande que já está construído. Imagino que abrigaria melhor leitos de hospital, dada a necessidade de preparo da infraestrutura no caso do estádio. Este conjunto, monumental, que ocupa vários quarteirões, foi construído do na gestão do prefeito Fernando Haddad e consumiu muito dinheiro, para uma finalidade discutível em termos de necessidade. Fica vazio a maior parte do ano. Lembra Roma na antiguidade com Cesar: pão e circo.


Nelson Augusto Rigobelli erigobelli@gmail.com

São Paulo


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PÂNICO NEM PENSAR!


Não há dúvida de que, com o avanço do coronavírus no Brasil, crescem também sentimentos como medo e incerteza, com o fechamento do comércio e a paralisação do transporte público nos sete municípios da região do ABC, mas até que ponto nós devemos realmente nos preocupar? Em meio à avalanche de informações desencontradas, a primeira recomendação é evitar o pânico. Ninguém raciocina direito quando está desesperado, por isso a razão inteligente precisa ser acionada na atual situação por que passa a humanidade. Respire fundo e vamos à guerra contra o vírus. A rápida expansão da covid-19 pelo mundo levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar pandemia global no dia 11 de março. De lá para cá, os números da doença só aumentaram assustadoramente, principalmente na Europa, onde o número de infectados se multiplicou, com mais de 15 mil mortes. O vírus já chegou a pelo menos 150 países em todos os continentes, exceto à Antártida. A hora é de cautela.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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VACINA CONTRA GRIPE


Começou a vacinação dos idosos na rede pública. Ouvi o secretário da Saúde do município de São Paulo, Edson Aparecido, dizer que disponibilizaram 264 Kombis para levar idosos a tomar a vacina. Mas não é para ficar em casa? E por que a Prefeitura, sabendo onde moram esses idosos, não leva a vacina e os atende em sua casa? Outro problema é que nem a campanha começou e não há vacinas disponíveis na rede particular. Como o governo pretende enfrentar o coronavírus, se nem a vacina da gripe tem suficiente? Ficam orientando a usar álcool gel sabendo que não há para vender. É assim que enfrentam esta pandemia?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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INDIGNAÇÃO


Governos se reúnem, editam medidas de enxurrada, a cada momento uma nova, para uma gente num país que não tem cultura ou consciência para obedecer. Estamos há dias confinados e ontem saí para repor produtos necessários para a casa, e me deparei com um pedaço da cidade, o bairro onde resido, com trânsito congestionado e pessoas circulando livremente, inclusive idosos. Sem chance. Nós, que precisamos que isso tão logo passe para retomarmos o fluxo normal, estamos em massa em casa, enquanto gente abusada sem controle faz um descaso total, não respeitando nada – e sem fiscalização. Espalhem, divulguem isso, façam viralizar. É incabível uma parte da população obedecer e outra sem a mínima necessidade de circular ser a agente contagiante deste vírus.  Estão de brincadeira conosco. Vamos exigir que só circule quem realmente precisa, com controle e autorização das polícias que temos.


Esdras Santiago esdras.sanzovo@gmail.com

São Paulo


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INDENIZAÇÃO


Por acreditar que a pandemia de covid-19, que atinge os cinco continentes, é resultado da omissão de Xi Jinping, um contabilista de 54 anos pede R$ 5 bilhões de indenização ao presidente chinês para “arcar com os prejuízos causados ao povo brasileiro”. O dinheiro seria destinado à União. R$ 100 bilhões ainda seriam pouco!


Walter Tranchesi Roriz wtroriz@hotmail.com

São Paulo

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