Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Os moitas

Parece que o vírus da insensibilidade está atacando concomitantemente ao da covid-19, da dengue e outros mais corriqueiros. O último a ser atacado foi o sistema bancário, que aumentou juros de empréstimos num momento de excepcionalidade. Alia-se a outros, como bilionários que preferem ter salas patrocinadas em museus americanos e europeus a fazer doações representativas no momento, a funcionários públicos aferrados a privilégios, a empresários privados que aproveitam a oportunidade para majorar produtos de primeira necessidade. São os moitas. Acham que somos cegos, como o fomos durante anos para o enorme volume de dinheiro corrompido. Que, aliás, ainda se pratica, diante de nossas leis tão lenientes com práticas abjetas.

SERGIO HOLL LARA

JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Aumentos extemporâneos

Enquanto todos os segmentos se unem pelo bem comum, que é otimizar recursos no combate ao coronavírus, a indústria farmacêutica anuncia reajuste nos preços dos medicamentos! Seria cômico se não fosse trágico. Falta de bom senso e sensibilidade. Mas há outros setores que se recusam a dar sua colaboração neste momento difícil que o Brasil e o mundo atravessam. Entre eles estão aqueles funcionários públicos que recebem os mais diversos tipos de “auxílios” e penduricalhos e não abrem mão dessas imoralidades.

ELIAS SKAF

ESKAF@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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A farra dos penduricalhos

Muitos setores da sociedade têm sido chamados, de fato, a contribuir na luta contra o coronavírus. Resta, agora, a categoria dos privilegiados servidores públicos, cujos ganhos estão acima dos recebidos pelos brasileiros comuns. No Poder Judiciário, no Executivo e no Legislativo não se tem notícia ainda de nenhuma forma de adesão. Todavia, sem demora, os indecentes penduricalhos, de que tanto se tem falado, devem ser cortados, indo essa milionária verba para o Ministério da Saúde. Afinal de contas, já não tem o menor sentido moral que o piso salarial de um deputado, de um juiz ou de um governador se fixe acima de R$ 20 mil, quando o de um professor corresponde a menos de R$ 3 mil. Além dessa desproporção, frise-se que os tais penduricalhos são criados pelas próprias categorias. Essa transferência de valores, sim, seria moral e oportuna.

FABIO HENRIQUE FARIA

CASCATAFM@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Castas públicas

Ah, como é bom fazer parte das castas públicas. O funcionalismo se nega a ter os salários reduzidos, bem como a perder as benesses que somente eles têm, como a intocabilidade de seus empregos e a garantia do salário no fim do mês. A contraproposta é taxar grandes fortunas, como se sua aprovação fosse rápida e eficaz. Portanto, uma cortina de fumaça para esconder, mais uma vez, a dura realidade que temos de financiar. Enquanto isso, a população está apreensiva, pensando em como fará para enfrentar o dia a dia sem dinheiro. E na Câmara Municipal paulistana um jabuti é inserido para a punição de crimes de corrupção praticados por seus funcionários ficar mais difícil, se não impossível. A nós, pobres mortais, que ficamos à míngua, resta-nos torcer para que o bom senso prevaleça e esta epidemia vá embora, porque aquela outra praga vai continuar.

ADEMIR ALONSO RODRIGUES

RODRIGUESALONSO49@GMAIL.COM

SANTOS

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Corte nas gorduras

Por quanto tempo haveremos de suportar os “empréstimos caridosos” dos privilegiados de plantão, que estão no Executivo, no Legislativo e no Judiciário? São castas privilegiadas que não dão sequer sinalização de abdicar de seus “direitos adquiridos”. Estou cansada de conversinha bonita para elas ficarem bem na foto. Espero, de coração, que deem espaço a quem não suporta mais mentiras e, sobretudo, hipocrisia. Não falo por mim, mas por milhões de desempregados, doentes ou não. O Estado tem de dar o exemplo, sim, cortar da sua própria carne a parte que nos obrigaram a engordar.

GLORIA MONTEIRO DE MORAES

GLORINHAFERNANDES@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Proteção inadequada

Segundo o noticiado, o Estado de São Paulo registrava na segunda-feira 1.451 casos confirmados do vírus em profissionais da área de saúde. Só o Hospital Albert Einstein tinha 348 deles e Sírio-Libanês, 104. O verdadeiro número dos infectados, todavia, deve ser ainda maior, muito maior. Enfim, se isso acontece em hospitais com tanto renome, é preciso rever com urgência os equipamentos de proteção utilizados por todo o pessoal que possa vir a ter contato direto com pacientes infectados. Em todos os hospitais! Pois quem se contamina o faz involuntariamente e da mesma forma contamina os demais à sua volta.

JORGE A. NURKIN

JORGE.NURKIN@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Holofotes no Pacaembu

Sugiro a reativação do antigo Hospital Sorocabano, na Lapa, atualmente desativado.

CLAUDINER GOMES DE OLIVEIRA

J.CLAUDINER@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Admirável mundo novo

Os chamados “50+” passaram de invisíveis a protagonistas. Hoje são o principal grupo de risco. Amanhã, no mundo pós-revolução do coronavírus, será um enorme risco para a sociedade se ela não valorizar o conhecimento, a experiência e o potencial de consumo desse grupo etário, que atualmente já soma mais de 55 milhões de pessoas. Precisamos integrar as características mais relevantes de cada grupo etário para a construção de uma sociedade realmente plural e inclusiva, rica na diversidade, saudável em seus propósitos e fortalecida em seus valores.

MAURO WAINSTOCK

MAURO.WAINSTOCK@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

ELEIÇÃO 2020


Leio que a ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com sua costumeira segurança, adiantou, mais uma vez, que a suspensão das eleições municipais agendadas para o mês de outubro de 2020 não está no horizonte daquele tribunal – adiantando que sua discussão é prematura. Ignora que boa parte do campo político nacional – personagens (e não simples figurantes) e interessados diretos, junto com eleitores – já colocou o tema em discussão no Congresso Nacional. Apenas para lembrar à diligente ministra do STF, o governo japonês e a cúpula do Comitê Olímpico Internacional (COI) também hesitaram em admitir a suspensão dos Jogos Olímpicos de 2020, mas, com o transcorrer dos dias e o agravamento da crise na saúde no mundo, foram vencidos pela realidade e acabaram capitulando em alterar a sua realização para julho de 2021. Evidente que não fizeram ouvidos moucos com as manifestações de dirigentes esportivos e até mesmo de chefes de Estado que ameaçaram não participar dos jogos, caso fosse mantida a data pré-agendada. A presidente do TSE e sua atual composição – incluindo seu futuro presidente – poderiam levar em consideração que a crise que assola o mundo é grave e tende a alcançar o seu período mais crítico (pico) no Brasil em junho e/ou julho do corrente ano, quando ainda estariam para ser realizadas as convenções partidárias. Além do decurso de outras datas candentes na preparação do pleito. Lembrem-se: o bom dirigente é aquele que se adianta ao eventual imprevisto – no caso, é a prudência que recomenda acuidade.


Noel Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

Jacarezinho (PR)


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O VÍRUS DO POPULISMO


A entrevista com o cientista político Steven Levitsky (‘Coronavírus isolou líderes populistas’Estadão, 19/3, A16) joga uma luz sobre as ações dos líderes populistas e os efeitos da pandemia do novo coronavírus no panorama político mundial. Mas, de acordo com a nova pesquisa Washington Post-ABC divulgada nos Estados Unidos no domingo (29/3), há empate técnico na disputa eleitoral pelo voto popular (Biden 49% x Trump 47%). Donald Trump leva vantagem sobre quem é mais confiável para cuidar da economia (52% x 42%) e do novo coronavírus (47% x 43%), mas perde na confiança sobre cuidar do sistema de saúde (41% x 51%). Nas eleições de novembro nos Estados Unidos, vencer o vírus do populismo será um enorme desafio porque a eleição é indireta. Trump pode perder novamente nos votos populares, mas conseguir mais votos no Colégio Eleitoral.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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PEDRA NO CAMINHO


Bolsonaro versus Organização Mundial da Saúde (OMS), governadores, opinião pública, covid-19 e Luiz Henrique Mandetta. Uma pedra no meio do caminho separa um presidente afoito, deseducado, tosco e que acha que pode tudo da sensatez e do bom senso. O fim desta história não é nada promissor.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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SANDICES


Muitas das vítimas dos nazistas na Segunda Guerra Mundial caminharam para a morte em câmaras de gás, imaginando ingenuamente que tomariam um banho coletivo. Muitos daqueles que ouvirem as sandices criminosas de Bolsonaro nesta pandemia, interrompendo o isolamento social, também caminharão enganados para os braços da morte. No RNA do coronavírus certamente consta a palavra “mito”.


Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte


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EU TAMBÉM NÃO TENHO MEDO DE MORRER


Estou com 82 anos e, a exemplo do presidente, também pratiquei muito esporte na minha juventude e não tenho medo de morrer. Não me preocupo com o vírus, mais do que me preocupei sempre. Porém, não me considero imune ao coronavírus, pois não sou irracional. A morte nunca me preocupou. Afinal, sendo certa e sem data prévia para acontecer, não adiantaria em nada eu ter medo. Contudo, não significa que sou uma pessoa despreocupada em me resguardar de acidentes e doenças. Ademais, tenho de me preocupar com a minha família e as demais pessoas que fazem parte da minha existência, no sentido de que, em morrendo, farei falta a elas em determinadas situações. Não me recordo de outro presidente pior do que Jair Bolsonaro. Nem Dilma Rousseff, para terem um parâmetro. Se eu estivesse em seu lugar, jamais tomaria as atitudes estapafúrdias que o presidente vem tomando. Eu estaria “ligadão”, para usar uma gíria usual, 24 horas por dia, nas necessidades da população brasileira e do País, sem distinção de qualquer tipo, uma vez que o chefe de Estado o é de todos. Jamais usaria as redes sociais para me manifestar, visto que o cargo é para ser exercido diuturnamente e o presidente, quando tiver de expor qualquer problema ou opinião, deve se dirigir a todos ao mesmo tempo. Nessa hipótese, eu o faria pelos órgãos oficiais, pelas emissoras de comunicação e pelos jornais tradicionais. O Estadão de 26/3 publicou reportagem sobre um tal de “gabinete do ódio”, inventado pelo presidente e coordenado por um dos seus filhos. Trata-se de outra jabuticaba sua, que está substituindo o Conselho da República, previsto na Constituição. A situação é de tal maneira esdrúxula que o “gabinete do ódio” é composto por seguidores de um guru das arábias, que vem tendo uma influência repugnante e indevida no governo do Brasil. Ora, essa decisão é ilegal e o presidente deveria responder por tal atitude desde já. Ele deve explicações à Nação sobre a legalidade desses assessores, que aparentemente ocupam instalações do Palácio do Planalto ilegalmente. Com certeza, lá não é a Casa da Mãe Joana. Também deve nos informar se tais assessores têm currículo que os credencie a assessorar o presidente do Brasil. Se têm caráter ilibado e se estão vinculados oficialmente à administração do Palácio do Planalto e remunerados por verba pública que atendem às normas legais.


Gilberto Pacini benetazzosgp@gmail.com

São Paulo


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ÓDIO A BOLSONARO


Bolsonaro é militar genuíno, de lisura e disciplina espartanas, virtudes intrínsecas à carreira militar. Mas, ao chegar à Presidência, deparou-se com uma cultura política viciadíssima, conivente com maracutaias, onde não se prega um prego sem estopa... Contra si tem a má vontade da imprensa tradicional, inconformada com a sua escolha para presidente, adepta e refém dos barões do café, dos bacharéis e dos indefectíveis intelectuais bolorentos, nostálgicos do poder e das sinecuras. Para se blindar desta malta, Bolsonaro precisa de auxiliares que o defendam do sistema sórdido, pantagruélico e desestabilizador. E são estes protetores a que os aflitos e desnorteados chamam de “gabinete do ódio”. Na verdade, o “gabinete do ódio” está em todos os lugares públicos deste país e é formado pelos maldizentes, por aqueles que sabotam as boas iniciativas de Bolsonaro, desacostumados da seriedade, da compostura, do patriotismo e do amor ao Brasil e ao seu povo.


Jaime Manuel da Costa Ferreira jaimeferreira04@gmail.com

São Paulo


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FIM DA TRÉGUA


Votei em Bolsonaro (acuado, só no segundo turno) para demonstrar minha intolerância com quem institucionalizou a corrupção como método de governo. Nunca nutri expectativas otimistas a respeito dessa pessoa, que acabou sendo eleita. Havia, sim, alguma expectativa de que a qualidade de algumas pessoas no governo, especialistas em suas áreas, poderiam “empurrar este trem com a barriga” até que, enfim, pudéssemos ter alternativas melhores em 2022. Aceitei correr o risco de um governo medíocre para não premiar quem se locupletou com a corrupção. Assim, não houve, de minha parte, surpresa ou decepção com Bolsonaro.  O governo, como um todo, está conseguindo alguns bons resultados, apesar de estar sendo liderado por um inepto, incapaz de manter um diálogo com alguém que não “reze pela limitadíssima e errática cartilha” dele (e dos seus gurus radicais). E, tanto quanto sempre, é hora de falar de política, sim! Temos de focar, prioritariamente, nossa atenção ao problema maior que é superar este tempo de pandemia, dando atenção a todos os brasileiros e prevenindo uma ameaçadora catástrofe econômica subsequente. Paralelamente, não podemos nem devemos relativizar a tosquice e a mediocridade do nosso presidente nem a importância de sempre dele cobrar responsabilidade e sabedoria, missão árdua, já que ele, ao que tudo indica, não consegue nos oferecer isso, por ser incapaz ou por não querer mesmo.


Helio Alves Ferreira  hafstruct@hotmail.com

Osasco


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MARCHA DA APURAÇÃO


Além das abstenções, brancos e nulos, dentre votos válidos na eleição de 2022, só um candidato não computará para si os dos mortos pela covid-19. Jair Bolsonaro.


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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PASSO ERRADO


200 chefes de Estado de todo o mundo no mesmo passo, no combate ao coronavírus. Só um presidente de República de passo errado. Adivinhem quem é o soldado marchando fora de compasso.

  

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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O ASPECTO ECONÔMICO


O G-20, em comunicado, se diz “determinado a não poupar esforços, individual e coletivamente, para proteger vidas; salvaguardar empregos e a renda das pessoas; restaurar a confiança, preservar a estabilidade financeira, estimular a recuperação e o crescimento econômico; impedir a interrupção do comércio e da cadeia global de suprimentos; ajudar todos os países carentes de assistência; coordenar ações nas áreas financeira e de saúde pública; e combater a pandemia”. Entenderam? O G-20 citou literalmente: vidas, empregos, renda, estabilidade financeira, recuperação e crescimento econômico, não interrupção do comércio e da cadeia global, etc. Logo, Bolsonaro não é o único a também dar ênfase ao aspecto econômico na atual crise do coronavírus, os países mais ricos certamente também estão, e a única diferença é o tamanho do PIB de cada um dos países e o histórico de cada país quanto ao verdadeiro exercício da democracia, o que sempre se revela pelas distâncias que existem entre os grupos mais e menos privilegiados de uma sociedade, ou seja, os que agora estão mais ou menos protegidos de doenças, biológicas, ideológicas e históricas.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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FOME E DESESPERO


Com a classe média confortavelmente em suas casas, curtindo o início de outono e ouvindo seu jornal de notícias ruins favorito, João Doria vai surfando no mito do bom moço e zelote da saúde. Despercebido do olhar desse público, já se percebe o aumento de furtos em supermercados, ainda de forma desorganizada, particularmente naqueles próximos à periferia. Mas não temam. Com a indefinição sobre o prazo da quarentena, em questão de dias começaremos a ver saques em supermercados de forma generalizada. Lembrando que já existe um protocolo de medicamentos que promete até 90% de cura rápida a todos os sintomáticos da covid-19, até quando teremos mais políticos pensando mais na próxima eleição do que no povo? Procura-se um estadista.


Oscar Thompson OscarThompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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SOLUÇÃO MAIS INTELIGENTE E BARATA


Ao invés de construir quartos de hospitais de lona no estádio do Pacaembu, no Anhembi, parques, ginásios, em outros Estados, no País inteiro, haveria uma solução mais inteligente e muito mais barata. Por que não requisitar hotéis, hoje em sua maioria vazios, e adaptar os quartos com as camas hospitalares dos estádios, os mesmos respiradores e outros equipamentos que iam para esses estádios e locais? Teria já uma infraestrutura mais completa e confortável para os pacientes, os médicos, enfermeiros e outros, pronta. Onde vão se trocar os médicos e o resto do pessoal, onde vão descansar e se alimentar, perto dos estádios? Nas barracas de pastéis, de cachorro quente, água de coco e cerveja, sentados nos banquinhos sujos, embaixo de uma lona furada? E se chover? Tem tudo nos hotéis: cozinhas, restaurantes, quarto para os médicos, enfermeiros, etc. Terão onde se trocar, tomar banho, descansar, se alimentar. Ar-condicionado nos quartos. Tudo e todos perto. Na Europa, os vizinhos dos hospitais até entregam comida para estes profissionais todos. Aqui será possível? E em poucos dias.


Mara Fage maratfage@gmail.com

São Paulo


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PITÁGORAS


Qual o tipo isolamento ideal para a atual pandemia, o horizontal ou o vertical? O primeiro se caracteriza pelo radicalismo de isolar toda uma população ou grande parte dela, o que, vamos combinar, é impraticável pela óbvia razão de que uma parte considerável dela terá de se expor a fim de prover as necessidades de um volumoso contingente de confinados. Com isso, os prestadores de serviços essenciais terão de ser mais numerosos e, portanto, estarão sujeitos a riscos maiores, podendo a solução imaginada virar um problema inesperado. O segundo, o vertical, se identifica pela vigilância mais rigorosa aos que apresentam maior suscetibilidade ao vírus – em bom português, aos idosos –, deixando os demais grupos em situação de poderem praticar um nível maior de atividade. Tal estratégia corre o risco, no entanto, de provocar um recrudescimento da doença, além de deteriorar com rapidez a saúde psicológica dos segregados, o que, certamente, tornará mais complicados os respectivos tratamentos. O ideal talvez seja uma espécie de restrição diagonal cuja intensidade, como ensina o velho Teorema de Pitágoras, admite muitas soluções mediante ajustes rápidos nas magnitudes dos catetos, o vertical e o horizontal.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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EIS A QUESTÃO


O Brasil está diante de uma hamletiana questão a respeito da polêmica sobre o isolamento horizontal ou vertical da população: vida ou vírus, eis a questão.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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ISOLAMENTO OU NÃO?


Existe uma terceira possibilidade que não está sendo considerada: autoimunização assistida. Em todas as discussões sobre a matéria, vira, vira e cai-se no mesmo discurso, o problema é o total desconhecimento e, por causa dele, melhor é desacelerar a situação de contágios para não sobrecarregar o sistema de saúde. Leitos já estão resolvidos, temos dezenas de milhares somente aqui nas cercanias da cidade de São Paulo, graças ao esforço concentrado de diversos empresários do setor de hotelaria e de entretenimento. Equipamento necessário “respiradouro mecânico”, igualmente resolvido. Tudo pronto e já passamos da hora de criar a barreira imunológica natural. Uma solução é montar grandes áreas de isolamentos assistidos para abrigar pessoas voluntárias fora do grupo de risco e que sejam integrantes da cadeia produtiva e dos setores essenciais. Essas pessoas devem ser inoculadas com o vírus e ficarem de quarentena num ambiente segregado, monitorado e assistido até se completar o ciclo da doença. Pessoas fora do grupo de risco devem ter baixíssimo índice de doenças e está criada uma leva de autoimunes. Sai uma, entra novo grupo e assim por diante. Por outro lado, e ninguém fala, a quarentena vai ter uma data final, quando voltaremos à vida normal e nos encontraremos com o vírus, todos de uma única vez. E daí, quais serão os resultados?


Guilherme Pacheco e Silva guilherme@tagua.com.br

São Paulo


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ÉTICA E ANTICORPOS


No domingo, fui obrigado a desligar a TV, pois, como espectador, não mereço ter de assistir ao enterro de uma pessoa morta por covid-19 em que até os parentes foram recomendados a não estar presentes. Entendo isso como falta de ética jornalística: não vejo outra razão, se não provocar mais terror na população, da mesma forma que outras pautas, como sobre suicídios, são totalmente condenadas por redações e jornalistas éticos. Quanto à obtenção de anticorpos, posso recordar que certa vez presenciei o pai de um amigo incentivando o filho a brincar na terra, enquanto a mãe achou um horror a criança se contaminar toda naquela brincadeira. Foi quando o pai exclamou: “Deixa o menino adquirir anticorpos, ele vai precisar deles”. Esta semana, chamou-me a atenção o caso do general Augusto Heleno (72 anos), que contraiu a covid-19 e não teve quase nenhum sintoma. Provavelmente, deve ter adquirindo muitos anticorpos a partir da contaminação de vírus e bactérias adquiridos quando trabalhou na Amazônia, onde a malária está entre as doenças mais comuns. Então, o presidente comenta que as crianças pobres crescem andando nos esgotos, consequentemente os seus pais e avós cresceram da mesma forma, expostos a estas mesmas condições, e com certeza adquiriram muitos anticorpos que crianças abastadas não têm. Hoje em dia os anticorpos adquiridos pelas crianças em geral são aqueles aplicados pelo calendário de vacinação, e com certeza não protegem contra a covid-19. Agora, quem sobreviveu a várias doenças adquiridas brincando nas ruas, pisando no esgoto e até manipulando lixões, sabe-se lá que tipos de anticorpos adquiriram. Outra preocupação é que, se não forem autoimunizadas muitas pessoas (nas faixas fora de risco) até a chegada do inverno e com o fim dos isolamentos, poderemos ter uma crise ainda maior, lembrando que no Hemisfério Norte (Itália, Espanha, EUA) o frio está acabando. Assim, espero que Deus dê sabedoria e revelações aos nossos governantes para que possam nos conduzir pelas melhores veredas.


Marcos de Sousa Campos marcosscampos@hotmail.com

Peruíbe


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ENTRADA FRANCA


Parece que os aeroportos brasileiros transformaram-se em excelentes portas de entrada para o coronavírus: brasileiros que retornam do exterior não são submetidos a qualquer controle, nenhum acompanhamento. Pelo menos é assim que está no Aeroporto Internacional de Brasília: chegam e simplesmente vão para casa, sem que ninguém os aborde. Verdadeira casa da mãe Joana. Se é esse o padrão dos demais aeroportos brasileiros, o coronavírus agradece. Tragédia anunciada: o último que sair que apague a luz.


Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)


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CIDADANIA


Há muita histeria e muito ruído num momento em que tanto necessitamos de calma e reflexão, além de exemplos de gestos humanitários. Também é a hora de exercermos a cidadania e de imitarmos atitudes como a que teve a população da cidade de Cabo Frio (SC), que, com 98% dos votos, decidiu por meio de uma enquete realizada pela imprensa local que o prefeito, o vice-prefeito, secretários municipais e vereadores devem doar 50% de seu salário para ações de combate ao coronavírus. Houve um comentário explicando que os 2% restantes defendiam a doação integral.


Irene Maria Dell’Avanzi irenedellavanzi@hotmail.com

Itapetininga


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JORNALISMO NA EPIDEMIA


A edição de domingo 29/3 do Estadão estava primorosa. Toda a equipe de jornalistas e colunistas está de parabéns pelo trabalho dedicado, isento e responsável que está presente historicamente nas páginas do jornal impresso e no site, principalmente nestas últimas semanas de grave crise que ainda não atingiu o seu ápice. Excelentes os artigos do cientista Fernando Reinach sobre a progressão da pandemia (Ignorar, mitigar ou suprimir) e do economista Affonso Celso Pastore sobre o que devemos esperar de um governo que se preze (O papel do presidente em uma epidemia). Também ótima a entrevista de Luiz Carlos Merten com o cineasta Fernando Meirelles (‘Nossa civilização está apoiada em pilares muito frágeis’, diz Fernando Meirelles). O Estadão e toda a imprensa séria do Brasil têm sido um sopro de lucidez em meio à insana guerra cultural que vemos ser insuflada irresponsavelmente no Brasil.


Guilherme Pena gpmpena@uol.com.br

São Paulo


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Congratulo o Estadão pelo excelente noticiário que tem dado sobre a pandemia do coronavírus.


Fábio Konder Comparato

São Paulo


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DETERMINAÇÃO


As manchetes do jornal de domingo enfatizam a necessidade de serenidade, equilíbrio e solidariedade no combate à pandemia que nos assola. Sendo de gravidade sem precedentes, somaria a essas qualidades outras mais, como união de esforços, senso de oportunidade, visão da realidade, determinação, desprendimento e adoção de estratégias de combate exequíveis. Liderar não é ser só mandão, é enxergar a realidade, adotar uma estratégia exequível no presente e que se mostre acertada no futuro. O líder deve ser um aglutinador de pessoas que deverão seguir métodos de combate ao vírus com determinação, solidariedade e desprendimento. Respeito e reconhecimento da população virão a reboque do êxito alcançado. Na contramão das atitudes louváveis assistimos a setores que se omitem na solidariedade, serviços que aproveitam para majorar preços e políticos que abusam da situação para colocar jabuticabas em projetos de lei. Fazem isso certos da cegueira da população e da impunidade.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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ANÁLISE


Excelente o artigo Quarentenas e coberturas burras ou inteligentes, de Fernão Lara Mesquita (31/3, A2). Como sempre. Essenciais, também, os artigos de Fernando Reinach (O apagão dos testes, A10) e de Pedro Fernando Nery (O fim de 88, B4). O artigo do caro J. R. Guzzo do dia 29/3 (Opção safada, A13), então, o que falar? Obrigado. Artigos como os destes senhores são necessários, ainda mais nestes tempos de ópera-bufa e tragédias futuras já conflagradas. Artigos assim são o que me motiva a pegar o jornal todas as manhãs, com aquela ansiedade para explorar o mundo que surge nas folhas deste velho e bom jornal.


Moacir de Vasconcelos Bufo moacirbuffo@gmail.com

Campinas


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QUARENTENAS E COBERTURAS


Mais uma vez, o jornalista Fernão L. Mesquita produz um texto impecável (31/3, A2). Aliás, suas recomendações sobre o relevante papel da imprensa e a sua inestimável contribuição para o País são recorrentes e semanais.  Sublinha sempre a importância de que a ideologia seja retirada da cena da mídia. Foco nos fatos! No artigo em questão, é textual: “O vírus foi politizado como tudo o mais”. E, desafortunadamente, nada de suas recomendações são praticadas, ainda que o País caminhe perigosamente para o abismo do caos social. Como constatar? Basta ir aos jornais ou assistir ao noticiário na TV, diariamente.


Jose Antonio S. Bordeira sydreira@gmail.com

Petrópolis (RJ)


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COBERTURAS BURRAS OU INTELIGENTES


Muito oportuno o artigo do jornalista Fernão Lara Mesquita (31/3, A2), mostrando mais uma vez capacidade de entendimento da realidade. Todos nós sabemos que, se quisermos que o presidente Bolsonaro faça alguma coisa, o certo é dizer para ele não fazer, porque aí ele faz mesmo. Birrento. E isso não está ajudando o País neste momento difícil, ao contrário, está complicando.  Se ele é assim e todos nós sabemos disso, por que o sr. João Doria, o sr. Willian Bonner e grande parte da imprensa escrita e falada ficam provocando? Isso não ajuda nem um pouco. Dias atrás, a Globo ficou 90 minutos falando exclusivamente sobre o presidente e Bonner, irônico. Nas entrevistas com Doria, a primeira pergunta que os repórteres fazem é: E o presidente? Doria sorri, aproveita a bola levantada e chuta! Esta minha carta não é para defender Bolsonaro, é para dizer que, no fundo, todos são iguais, Bolsonaro, Doria, Bonner, parte da imprensa, birrentos. Isso não ajuda, ao contrário, só atrapalha. Façamos todos como o ótimo ministro Mandetta: ignora, passa por cima e vamos fazer o que tem de ser feito para o bem do País e de todos nós.


Nilo Sergio Pinto nilo@ciadomovel.com.br

Leme


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31 DE MARÇO


É inaceitável e vergonhoso que um presidente eleito democraticamente comemore os 56 anos do golpe militar de 1964. O abominável Jair Bolsonaro, mais uma vez, desrespeita o povo brasileiro, viola a Constituição federal, ataca os direitos humanos e a dignidade humana e ofende as famílias dos milhares de mortos, torturados, exilados e perseguidos pela ditadura militar que assolou o País por sombrios 21 anos de chumbo. É um dia de infâmia e uma data que deve ser sempre lembrada para que nunca mais se repita. Tragicamente, após 56 anos, ainda vemos muitos brasileiros dispostos a seguir adoradores abjetos de ditaduras e de torturadores.


Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo


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CAFÉ COM LEITE


Para os adeptos da farda, seja verde-oliva, azul ou branca, ontem houve festa nos quartéis comemorando a revolução mais fajuta que a humanidade já viu. No período, tivemos mortes e torturas (importa pouco porque foi com os outros, dizem), mas também tivemos a Ponte Rio-Niterói e a Copa de 1970, isso para não dizer a interminável Belém-Brasília. Como o povo não aprende com os erros, temos agora o capitão do mato, o louco. Quando eu era criança, isso lá vai alguns anos, nas brincadeiras, na pelada de rua, tinha sempre um cara diferente do grupo que dizíamos era café com leite, para expressar que a opinião dele não valia nada. Na pelada de rua, geralmente era o menino dono da bola, sempre colocado como ponta esquerda. Bolsonaro está nessa fase. É um café com leite que destoa de tudo, e pouca gente se interessa pelo que ele fala.


Luiz Francisco A. Salgado salgado@grupolsalgado.com.br

São Paulo

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