Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Orçamento de guerra

A aprovação na Câmara do chamado “orçamento de guerra” e posterior sanção pelo Congresso, concluídos os trâmites no Senado, garante que não haja mais desculpas para protelar a implementação de medidas urgentes e necessárias no combate ao novo coronavírus. Precisamos de agilidade na liberação de recursos e na tomada de decisões, milhões de pessoas estão vendo sua renda evaporar e o sistema de saúde, público e privado, tende a enfrentar nas próximas semanas demanda inédita. Se países ricos e desenvolvidos estão tendo problemas sérios no atendimento médico, imaginem como será no Brasil.

WILLIAN MARTINS

MARTINS.WILLIAN@GLOBO.COM

GUARAREMA

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Desorganização do Estado

A crise provocada pela covid-19 está revelando a desorganização e ineficácia operacional do Estado brasileiro no enfrentamento de uma pandemia, embora em 2019 ele nos tenha custado impressionantes R$ 4,3 trilhões, mais de 30% do PIB. Essa monumental quantia não foi suficiente sequer para a União manter uma integração de informações de saúde com as secretarias estaduais, destas com as prefeituras e dos municípios com os sistema de atendimento local. Demonstrou também a inexistência de um plano de contingenciamento sanitário com estoques estratégicos de insumos e medicamentos, de um registro preciso e detalhado do número de leitos e o respectivo suporte hospitalar, bem como a manutenção atualizada de uma lista de produtores, importadores e fornecedores aptos a atuarem em eventual premência sanitária, como agora vivemos. Perderam-se dias valiosos até que esse entrosamento fosse parcialmente alcançado. Como noticiado, faltam material de proteção e insumos básicos para a fabricação de medicamentos. E isso com o nosso setor industrial reclamando da queda de produção. Revelações assustadoras.

HONYLDO ROBERTO PEREIRA PINTO

HONYLDO@GMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Bolsonaro x Mandetta

Se pudesse, o presidente trocaria Luiz Henrique Mandetta por Osmar Terra (presente na reunião de médicos no Planalto), que, contrariando a OMS e o resto do planeta, imagina poder combater o coronavírus por isolamento vertical, tal como Bolsonaro. Só não o faz porque o povo confia na orientação do atual ministro da Saúde e essa troca teria consequências políticas e sanitárias imprevisíveis.

ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

ENIMARTIN@UOL.COM.BR

BOTUCATU

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Ciumeira

Que Bolsonaro é destemperado e despreparado é público e notório. Agora, fazer beicinho porque o ministro da Saúde aparece mais do que ele e tem o apoio da população e da mídia, que lhe falta... Lamentável.

LAURO BECKER

BYBECKER@GMAIL.COM

INDAIATUBA

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Humildade

Bolsonaro se queixa de que o titular da Saúde não tem humildade. Quem não tem é ele, que, não sendo da área de saúde, desacata as propostas e medidas do ministro que ele mesmo nomeou. Aliás, nem precisa de ter humildade, basta bom senso.

SHIRLEY SCHREIER

SCHREIER@IQ.USP.BR

SÃO PAULO

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Responsabilidade

“Quem tem mandato fala, quem não tem, como eu, trabalha” – frase proferida por Mandetta, o ministro que ganhou relevância na sua luta insana contra o presidente e contra o coronavírus, evitando que o problema se alastre. Para Bolsonaro, falta humildade ao ministro, todavia, para a grande maioria da população brasileira, sobra-lhe responsabilidade.

J. A. MULLER

JOSEALCIDESMULLER@HOTMAIL.COM

AVARÉ

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Corda bamba

O presidente precisa ter mais responsabilidade com o que fala e faz, até com o que pensa, de vez que é ele que está no comando do País neste momento de grave crise. Desautorizar ou criticar seus melhores quadros, como Mandetta e Sergio Moro, não contribui para que seus eleitores permaneçam do seu lado. Para além desse apoio imprescindível e ora maltratado por ele, o presidente ainda abre brechas perigosas para a volta da sofisticada organização criminosa, cujo líder condenado, graças à nossa Justiça cega e claudicante, “apoia” o Brasil deleitando-se à custa do nosso dinheiro, apenas à espera que Bolsonaro continue operando a seu favor pelo contínuo esgarçar do capital político que o levou à Presidência. Não é demais pedir encarecidamente ao presidente a humildade necessária a um estadista em período de grandes perigos para sua gente. Nem Mandetta “está extrapolando” nem Moro “é egoísta”. Nós é que estamos na corda bamba.

DOCA RAMOS MELLO

DDRAMOSMELLO@UOL.COM.BR

SÃO SEBASTIÃO

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Jogo do poder

O mundo e seus dirigentes não estavam preparados para uma pandemia. O presidente Bolsonaro devia sentir-se satisfeito por ter ministros que nesta crise são importantíssimos e decisivos para termos menos mortes e podermos sair o quanto antes desta situação. É vital recuperarmos a tranquilidade e, então, a economia. Não há tempo para ataques desnecessários. O presidente já imaginou se esses ministros estivessem dispostos a “lucrar” com a crise?

TANIA TAVARES

TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Comportamento presidencial

Pelo momento que passamos, é bom recorrer a Cícero, tribuno romano, que dizia: “Não basta adquirir sabedoria, é preciso, além disso, saber utilizá-la”. E mais: “Qualquer pessoa pode errar, mas ninguém, que não seja tolo, persiste no erro”.

HENRIQUE BONETI

HBONETI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Líder

O que é liderança? Espírito de chefia, autoridade, etc. O mito não leu o livro... Lamentável!

MANUEL PIRES MONTEIRO

MANUEL.PIRES1954@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

BÔNUS DA INDECÊNCIA


Em meio à maior crise da história do Brasil, o Tribunal de Justiça do Ceará, Estado onde 40% das pessoas encontram-se abaixo da linha de pobreza, tentou presentear 24 juízes com um obsceno bônus de home office de 15%. Ou seja, para trabalhar no conforto de suas casas, no horário e ritmo que bem entenderem, 24 reis dos penduricalhos e mordomias receberiam algo em torno de R$ 5 mil a mais por mês. É muita indecência, falta de noção e de empatia com o contribuinte que se mata para pagar seus gordos salários.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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A FOGUEIRA DAS VAIDADES


Na medida em que vai se impondo cada vez mais a duríssima realidade desta crise, que afeta a vida individual, coletiva e progressivamente paralisa a dinâmica da economia, espera-se que ocorra uma convergência dos nossos recursos administrativos para o enfrentamento de suas consequências e a seguida recuperação para a normalidade. Este objetivo em comum, espera-se, deveria aproximar todas as tendências políticas a despeito de diferenças ideológicas ou mesmo de seu passado de conflitos. Mas não, a começar pelo presidente da República, principalmente de quem se esperaria uma postura altruísta neste momento, ele defende prioritariamente os interesses políticos pessoais e de seus asseclas. Claro, em prejuízo de todos.


Wulf Dittmar wulf@terra.com.br

São Paulo


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TEMPOS DIFÍCEIS


Tempos difíceis: disputas estéreis no âmbito dos cardeais do poder, sendo o presidente o principal protagonista e, talvez, até, a mais provável causa, quando introduz ruídos que, gerando perplexidade, interferem na orientação estratégica por ele próprio sancionada, talvez movido por assessoria da sua prole, que às vezes parece não trabalhar construtivamente para a solução dos problemas que afligem o País, na medida em que exacerbam a tensão ideológica. Por outro lado, não há como negar a ação de oportunistas impregnados de impulsos vingativos estimulados pela perda de poder e que aproveitam o atual estado de caos para expor uma aparente vulnerabilidade de um chefe do Executivo que tenta desafazer o velho cenário do toma lá dá cá, traduzido pela partilha de recursos e cargos a parlamentares, apelidada de articulação. Só resta a nós, membros conformados da sociedade, sustentar tudo isso mediante o pagamento passivo de impostos e assistir, como espectadores, aos desdobramentos, esperando por melhores dias.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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TEMPESTADE PERFEITA


A pandemia do novo coronavírus chegou a 1 milhão de infectados com 50 mil mortos, em todo o mundo. Aqui, no Brasil, os próximos meses serão dramáticos por causa da tempestade perfeita que vai atingir o sistema de saúde. Três epidemias juntas vão sobrecarregar os hospitais e os prontos-socorros. Já são quase 500 mil casos de dengue em todo o País. Haverá a gripe sazonal de inverno com os vários subtipos do vírus Influenza. Por fim, vários estádios de futebol serão hospitais de campanha para atender os infectados pelo novo coronavírus.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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NA PRÁTICA


Enfrentamos uma crise sem precedentes no nível da saúde e que trará consequências gravíssimas para a economia mundial e, sobretudo, em países fragilizados como o nosso. Vemos diuturnamente medidas serem anunciadas em âmbito federal, estadual e municipal e que, a meu ver, em sua maioria, são apenas para os seus portadores lançarem cada vez mais sua imagem ao público visando ao seu futuro político. Sem dúvida, a área da saúde vem em primeiro plano, e salvar vidas é o essencial, pois é o bem mais precioso que temos. Na área econômica, deveríamos ter medidas realmente eficientes e reais, pois o caos em que poderemos entrar em breve significara uma violência sem precedentes na história, pois sabemos que enfrentamos uma crise de empregos há mais de três anos e a tendência é de que o desemprego aumente ou os salários não sejam pagos, e por melhor índole que o ser humano tenha, faltando alimentos para sua família, ele agirá de forma inconsequente, pois é a lei da sobrevivência. As notícias de auxílio financeiro a empresas de pequeno e médio portes são anunciadas com ênfase pelo Ministério da Economia, pelos governadores e prefeitos, porém a prática é totalmente diferente. Como disse anteriormente, estávamos saindo de uma crise, e grande parte das pequenas e médias empresas que empregam grande parte da massa trabalhadora estava com dificuldades de sobreviver, e entre pagar salários e impostos, qual escolha prudente tomar? Pagar os salários e manter empregos ou pagar impostos? Digo isso pois, para poder se candidatar a um auxílio neste período para pagar a folha salarial, existem duas condições básicas perante os bancos: estar em dia com os tributos, e que se tenha a folha de salários na instituição bancária no mínimo há seis meses. Novamente, quem poderá usar estes créditos a juros baixos serão as grandes empresas, que normalmente não necessitam disso; a história se repete e somente os ungidos dos políticos serão beneficiados. Creio que as instituições governamentais saibam e tenham dados para saber que a grande maioria destas empresas está sendo protestada pelo governo federal ou estadual/municipal pela falta de pagamento de tributos, e, assim, já eliminam boa parte dos buscadores de crédito para manter os empregos. E, mesmo tentando parcelar esses impostos, a multa aplicada mais os juros fazem com que não se suporte o custo disso. No caso de folha salarial, também é sabido ou ao mínimo deveriam saber que os empregados das médias e pequenas empresas, muitas vezes, nem conta em banco têm, pois são devedores de empréstimos quando estavam desempregados ou têm conta há longos anos em seu banco preferido e não aceitam esta conta-salários, pois têm de pagar tarifas abusivas. Ou seja, parece que vivemos numa hipocrisia, lançam as medidas sabendo que a maioria não conseguirá e os bancos aproveitam a situação, como sempre – o que entendo até certo, pois é a mercadoria mais preciosa que existe no mercado –, porém com uma voracidade sem fim e limites, e não é preciso ir longe se compararmos a Selic com os juros praticados pelas instituições bancárias, que não permitem o desenvolvimento das indústrias pequenas e médias. Se realmente querem resolver a situação econômica, por que não flexibilizar um pouco essas restrições em âmbito de empréstimos para pagar a folha salarial? Para as empresas que devem os tributos, por que não podem colaboram e dar alternativas para parcelamento justo e, assim, conservar os empregos? Nenhum empresário fará um parcelamento justo economicamente e que possa pagar para fechar seu negócio. Infelizmente, o panorama é extremamente preocupante para as empresas e para a grande massa trabalhadora deste país. E continuaremos a ver promessas, soluções emergenciais, entrevistas e pronunciamentos sem realmente tentar solucionar ou minimizar os problemas que estamos passando e passaremos.


Mario Sergio Cappellari msc@ppcomercio.ind.br

Barueri


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‘A HORA É DE SALVAR VIDAS’


Eis a candente exortação mais pronunciada nesta quadra aflita que o bom senso divino faz das tripas coração para cativar os bem intencionados de espírito. Insistir é preciso. Mantendo fé e esperança para que gestos de grandeza finalmente batam na porta e na cachola do inquilino do Palácio do Planalto.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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DEPOIS DA HECATOMBE


Papel sujo da imprensa nacional e internacional, movida por uma ideologia canhota e tendenciosa, mas muito eficiente, contra o governo Bolsonaro. Especialistas em solapar estruturas... O general da reserva Eduardo Villas Bôas deixou isso bem claro, mas está convicto, assim como os eleitores de Bolsonaro, de que ele sairá por cima depois de todo este período convulsionado pela pandemia. Repito, papel sujo da imprensa e da oposição política, verdadeiros vírus coronado agindo contra os interesses da Nação para tentar a volta da mais podre esquerda que já governou em qualquer país do mundo, e que quase nos levou à falência. Quantos interesses foram contrariados por Bolsonaro, e esta é a medida do tamanho da resistência à sua gestão. Imaginaram já um ministério hoje formado por petistas, pessolistas e comunistas agindo neste período de pandemia? A eficiência nunca foi o forte desta banda podre, seus quadros sempre se destacaram pela primariedade dos seus componentes. O que seria de nós nesta hora? Certamente, essa convicção prevalecerá no julgamento do povo sobre a efetiva ação do governo neste momento de grande aflição mundial. E sairemos mais fortalecidos desta hecatombe, mais amadurecidos social, espiritual e emocionalmente. Afinal, tudo isso tem de ter um sentido maior, e é bom que nos conscientizemos disso.


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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ESCOLHAS


O novo coronavírus (covid-19) tem passaporte livre para entrar em qualquer país, fala todas as línguas e dialetos, não é simpatizante de nenhum partido político, não segue nenhuma religião, não torce para time nenhum e não tem qualquer que seja o preconceito. Dito isso, a questão agora é como cada um vai se comportar, em que vídeos, informações ou conselhos de redes sociais vai acreditar. Eu vou continuar seguindo o meios oficiais de comunicação e acreditando no que a Medicina diz.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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JUNTOS


Se hoje estamos todos juntos para combater um vírus que não escolhe classe social, então, que amanhã estejamos todos também juntos para combater a miséria que vitima apenas os mais necessitados.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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DOAÇÃO


Como cidadã, tenho certeza de que os Hospitais das Clínicas de São Paulo e de todas as regiões do Brasil agradeceriam aos ex-alunos e aos atuais estudantes das universidades públicas federais e estaduais de Medicina que colaborassem com doações materiais ou monetárias para eles, sendo esta uma forma de agradecimento pelos excelentes estudos gratuitos que receberam e recebem.


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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SOLIDARIEDADE


Em Israel, a população anda maravilhada com uma solução local desenvolvida para enfrentarem as graves consequências da epidemia: solidariedade. São notícias de toda parte mostrando o quanto isso é capaz de resolver. Quando nada mais dá conta do recado, solidariedade de cada um em relação aos demais costuma ser a melhor solução. Numa época em que é proibido dar as mãos, podemos dar uma mão a quem está precisando, ajudando naquilo que estiver no nosso alcance. Estes meses difíceis vão passar, mas a marca de quem estendeu a mão na hora da necessidade vai ficar.


Jorge A. Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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A PALAVRA DO ANO


Com efeito, “a palavra do ano” deste bissexto, virótico e pandêmico 2020 será solidariedade. Quem sobreviver verá...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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INFORMAÇÃO CORRETA


A matéria Estudo liga isolamento a evolução mais lenta (Estadão, 2/4, A11) aventa a possibilidade de subnotificação dos casos de coronavírus (gripe chinesa). Menciona-se a lentidão nos testes como um dos fatores a causar a subnotificação. Se a pretensão é análise isenta das ocorrências, parece-me que todos deveriam se debruçar sobre o impresso no Diário Oficial do Estado de São Paulo, edição de 21 março 20, na página 5, na secção dedicada à Segurança Pública, onde se destaca que a resolução da SSP-26, de 20 março 20, estabelece, nos “considerandos”, no oitavo considerando, que: “Considerando que, segundo órgãos da Saúde Pública, durante a situação de pandemia, qualquer cadáver, independentemente da causa da morte ou confirmação de exames laboratoriais, deve ser considerado um portador potencial de infecção por covid-19”. A prevalecer a orientação atribuída à Saúde Pública, não teríamos em tal orientação algo grave e que, ao contrário de subnotificação, contribuiria de forma rica para inchamento no número de mortes causadas por covid-19? Age corretamente a Saúde Pública do Estado quando determina que qualquer morto seja considerado portado de covid-19? Nesta hora tão grave, o que mais se deveria buscar é informação correta, e não impor que, desde que sob dúvida, se atribua morte por covid-19. Informação correta é o que mais nos ajuda a encontrar soluções. Trabalhemos por isso.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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NUVEM ESCURA


Faltando uma semana para terminar o isolamento social determinado pelos governadores, o governador do Estado de São Paulo, João Doria, não sabia responder se de fato o isolamento iria acabar. Naquele momento, era quase unanimidade a continuação do isolamento social. Como sempre fui contra esse procedimento, que em vez de frear a propagação do vírus iria multiplicar o número de infectados pela convivência, senti que havia uma nuvem negra rondando a cabeça do governador. Seria pressão do setor produtivo ou a fome da população pobre e de trabalhadores informais que ficaram sem a entrada de dinheiro? Tinha certeza de que não era por motivo de pressão do presidente Bolsonaro. Depois da reunião dos governadores das Regiões Sul e Sudeste, ocorrida recentemente, parece que o isolamento social já não era unanimidade, porque a iminência de um movimento popular pedir a flexibilização do isolamento causou temor aos presentes. Se houver o fim do isolamento na terça-feira, dia 7 de abril, não será surpresa, muitos brasileiros vão agradecer, não agora, mas mais adiante...


Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba


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A ORDEM DO ESTÔMAGO


Quem vai decidir sobre a quarentena horizontal, vertical ou diagonal (sic) será o povo. Independentemente dos Três Poderes da República, o estômago será o poder máximo da decisão. No momento em que as pessoas começarem a sentir que precisam sair às ruas para ganhar o seu sustento diário, não haverá lei, ordem de governadores ou medo do vírus chinês que deterão quem quer que seja dentro de casa. Os saques e a desobediência civil serão constatados pelas cidades. Ou os governantes chegam a um consenso sobre as atitudes plausíveis sobre o recolhimento doméstico e entendem que não há uma receita padrão para um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, ou teremos uma época triste para ser gravada na nossa história recente. O espaço e o tempo são as duas variáveis decisivas para fundamentar as decisões num território continental como o Brasil.


Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro


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BEM-VINDO AO CLUBE


São quase 5 milhões de desalentados no Brasil (devido às circunstâncias), bem-vindo ao clube. Desalento: estado de quem se mostra sem alento; desânimo, abatimento, esmorecimento, etc. Não são férias forçadas, afastamento, tampouco confinamento. Longe de ser um problema novo, muito pelo contrário, um drama deste governo. Problema sério que se junta a um problema novo (covid-19). Logo, os desalentados recebem em sua casa aqueles que antes estavam na atividade. Quem estava na ativa sente na pele o que é ser um desalentado, para quem não há perspectivas de idas e vindas. Nada foi feito pelos 5 milhões de desalentados, confinados no desânimo, neste “desgoverno”. E aqueles que estão em confinamento para lutar contra a epidemia o nosso presidente quer que eles saiam de casa para lhe dar um alento. O nosso presidente não resolveu o problema de 5 milhões de desalentados na luta contra o desemprego. Estaria ele preparado para resolver a crise de coronavírus, que atinge 200 milhões de brasileiros?


Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos


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A UMA FAÍSCA


O Brasil, que nos últimos 40 anos só vem regredindo, com permanente perda de renda da população, com um mercado de trabalho cada vez mais precarizado, com um custo de vida nas alturas, parece que quer matar a sua população de miséria e fome. Aqui temos um custo de vida de Noruega com salário de Etiópia. Com alta do dólar, perda de produtividade e educação sempre e sempre precária. Um país com uma infraestrutura destruída e extremamente aquém das suas necessidades. Com tudo isso, por causa da covid-19, o governo ainda ameaça mais achatamento e mais corte de salário. O salário mínimo do País não sustenta uma pessoa por cinco dias! As pessoas neste país já não suportam mais tanto descaso e tanto sofrimento. A população já está no seu limite! E basta uma faísca neste país para irmos para a total convulsão social. 


Paulo Alves pauloroberto.s.alves@hotmail.com

Rio de Janeiro


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COVAS ABERTAS


Chocante a imagem das sepulturas abertas no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo (Estadão, primeira página de 3/4). Mas brasileiro é um povo turrão, birrento. Até agora, há uma boa parte criticando o isolamento, outros simplesmente o ignoram. Talvez quando tivermos testes – e constatarmos 200 mil infectados ou mais e averiguarmos todas as mortes, rapidamente chegando aos números dos EUA e da Itália – as pessoas comecem a se dar conta do tamanho do problema. Inês já será morta, contudo.


Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz


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RÁPIDOS NO GATILHO


No início da crise, ao invés de tomar medidas que impedissem o alastramento da covid-19, como fez a Coreia de forma bem-sucedida, os chefes do Executivo brasileiro preferiram esperar o “inevitável”. Mas, para massivamente abrir covas, aí sim!


Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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VILAVELHENSES


Em Vila Velha o pessoal não está levando a sério a quarenta. Há muita gente caminhando ou correndo no calçadão, ciclistas e vôlei na praia. Maior número de vítimas acontecerá em razão da imprudência, do descaso de alguns a disseminar o coronavírus, a exemplo do fumante a contaminar não fumantes. A diferença é que a covid-19 age rápido, é fatal.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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SEPULTAR OU CREMAR?


Sobre a reportagem Equador luta para recolher corpos de vítimas do vírus (1/4), pergunto: será que podemos imaginar um futuro para os seres humanos que sobreviverem a este apocalipse viral? Eu tenho a certeza absoluta de que não. Crise na saúde; colapso da economia; desemprego em massa; xenofobia; possíveis surtos de epidemias bacterianas, virais e fúngicas; crescimento exponencial da violência e muitos outros dilemas. Mas um que me preocupa, e muito, é o destino dos corpos das vítimas que infelizmente contraíram a covid-19 e que não sobreviveram. Vejamos a agonia das autoridades do Equador para recolher e destinar os corpos de vítimas do vírus. Qual seria o melhor destino? Cada família deveria escolher o destino digno que seu familiar tem de ter. Isso é óbvio para mim e para todos. Porém, pensemos. Neste momento em que o planeta e os seres humanos se encontram num caos avassalador e sem precedentes, todos acometidos por um vírus sobre o qual não há informações científicas precisas, será que apenas o sepultamento como conhecemos será o melhor destino desses corpos? Será que a cremação não deveria ser algo mais racional e lógico? Escrevo isso pensando que em muitos países, incluindo o Brasil, os corpos de vítimas assoladas por doenças contagiosas deveriam receber, mas não recebem, um tratamento, digamos, sanitário de melhores condições para evitar que contaminações do solo freático aconteçam. A Organização Mundial da Saúde, em 1998, publicou um relatório afirmando que os cemitérios seriam uma fonte potencial de poluição, podendo causar impactos ambientais no solo e lençóis freáticos em razão da liberação de substâncias orgânicas e inorgânicas e microrganismos patogênicos. Será que o Ministério da Saúde e outras instituições de saúde mundo afora já se planejarem quanto a esse assunto? Posso estar sendo fria e meio calculista, mas estou pensando na próxima geração de seres humanos que tomarão conta do nosso planeta pós-covid-19 e que serão acometidos ambientalmente com os erros que nós cometermos no presente.


Fernanda Rocha fernandarocha1701@gmail.com

São Paulo

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