Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Crimes de guerra

É desolador constatar o que está acontecendo no nosso mundo neste século 21, durante a epidemia do novo coronavírus. Os EUA, sob ordens de seu presidente, Donald Trump, entraram em rota de colisão com os aliados (4/4, A8). Assim, vários países – Canadá, Alemanha, França e Brasil – denunciaram a proibição da exportação de máscaras e até a tomada (creio que “roubo” seria o melhor termo) de respiradores, essenciais para pacientes graves, inicialmente solicitados por outras nações. A Alemanha acusou os EUA de praticar “pirataria moderna” e adotar práticas do “Velho Oeste”, porque uma carga de máscaras foi retida na Tailândia. Continuando a lista de acusações, máscaras inicialmente vendidas à França foram enviadas pelos chineses para os EUA, que pagaram adiantado três vezes o preço inicial. Assim sendo, parece que EUA e China, nessa tragédia da pandemia, mandaram às favas qualquer princípio de ética, ignorando que fazem parte da humanidade. Estamos numa guerra contra o novo vírus, cada país luta suas batalhas, mas nosso mundo deverá vencê-la e sair fortalecido. Esses fatos denunciados não poderiam ser considerados “crimes de guerra”?

LUIGI VERCESI

LUIGIAPVERCESI@GMAIL.COM

BOTUCATU

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Mundo de ficção

O que parecia ser um mundo de filme de ficção se transformou em realidade: o planeta Terra isolado por um vírus letal e imerso numa crise que levará décadas para ser combatida. O modelo da globalização revelou-se minúsculo diante de um microrganismo. A ciência precisa evoluir, com os laboratórios oferecendo o que de melhor e mais moderno possa existir, sem paliativos. Mais do que nunca, ficou claro que investir em pesquisa é, sobretudo, preservar a humanidade de pandemias.

CARLOS HENRIQUE ABRÃO

ABRAOC@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Quebra da quarentena

A reportagem Comércio já reabre na periferia... e as demais matérias na página A10 do Estado de sábado mostram o outro lado da situação de isolamento da população. Atitude corajosa do jornal mostrar esse aspecto da questão. Mas a quebra da quarentena não é só na periferia de São Paulo, temos notícias esparsas de estar ocorrendo em outras localidades Brasil afora. Mesmo com a ajuda que o governo federal dará, o montante não será suficiente para muitas famílias resistirem até o término do isolamento total. Quer critiquem ou não, é um dilema entre a medicina e a economia, que terá de ser enfrentado com a cabeça fria. Neste momento é a medicina que comanda. A pergunta que fica é até quando e se há a possibilidade de um isolamento menos restritivo. Na Coluna do Estadão (A4), as notas Dá uma... e ...forcinha, aí mostram o perigo do isolamento total. Afinal, a economia igualmente decide sobre a vida das pessoas. A título de ilustração, tome-se a ampliação de uma rodovia para diminuir os acidentes fatais. A estrada ideal teria duas pistas separadas por um canteiro protetor, mas o custo seria elevado e o ente governamental, sem dinheiro para construí-la da forma ideal, resolve eliminar o canteiro. Decisão econômica que certamente resultará em mais mortes. Ou seja, a economia acaba tomando decisões que afetam a vida – e a morte.

JOSÉ LUIZ ABRAÇOS

OCTOPUS1@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Outra realidade

Além dos hospitais de campanha que estão sendo erguidos por causa da pandemia, teriam de ser providenciadas também “moradias de campanha” para milhões de brasileiros que vivem nas comunidades. Como exigir isolamento social em casa onde vive uma família de oito pessoas, sete delas jovens e crianças, num barraco de quatro por oito metros? E lembrando que as escolas públicas estão fechadas! Nossa realidade é bem distinta da de EUA ou Alemanha.

ROGÉRIO RIBEIRO

ROGERIO.RIBEIRO@DAAD-ALUMNI.DE

SÃO PAULO

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Falta de hospitais

Há cerca de 40 anos, o então presidente João Figueiredo recusou a ideia proposta por João Havelange, presidente da Fifa à época, de promover a candidatura do Brasil a sediar uma Copa do Mundo de Futebol. “Você já viu uma favela no Rio de Janeiro ou uma seca no Nordeste? Você acha que eu vou gastar dinheiro com estádio de futebol?”, argumentou. A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, enfim realizados no Brasil, exigiram obras bilionárias, que, aliadas à corrupção desenfreada, nos privaram da possibilidade da construção dos hospitais de que hoje não dispomos para fazer frente à pandemia que grassa no País.

JOMAR AVENA BARBOSA

JOAVENA@TERRA.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Planos de saúde

Nosso plano de assistência médica, sempre ligeiro nas atualizações, cancelou os exames laboratoriais e de imagem já marcados. Até consulta médica agendada foi cancelada. Aceitável, pois vivemos período de exceção. Entretanto, medidas severas são propostas e implementadas, como redução de jornada, home office, ajuste de salário, etc. E como perguntar não ofende, os planos de saúde participarão desta guerra insana contra esse maldito vírus? Ou se absterão de dar sua contribuição?

JOSÉ PERIN GARCIA

JPERIN2014@ICLOUD.COM

SANTO ANDRÉ

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Educação cívica

Em propaganda educativa contra o coronavírus na TV observei que a criança em cena, enquanto ensaboa as mãos na pia, deixa a torneira aberta, jorrando água em abundância. Propaganda pedagógica e antipedagógica ao mesmo tempo. Afinal, os recursos hídricos do planeta estão escasseando.

MARCELO LIMA ARAUJO

MARCELODELIMAARAUJO@YAHOO.COM.BR

RIO DE JANEIRO

ORÇAMENTO DE GUERRA


A Câmara dos Deputados já aprovou o orçamento de guerra, dinheiro extra para exclusivamente gastar para conter o avanço da covid-19. Mas sugiro verificar se não há, naquelas letrinhas miúdas no final do texto (não visíveis a olho nu), cláusulas para permitir desvio de finalidades, para uso interno da Casa e para beneficiar parlamentares, como, por exemplo, aconteceu recentemente na Câmara Municipal da cidade de São Paulo e foi homologado pelo prefeito. “O seguro morreu de velho.”


Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo


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A NOVA FARRA DO BOI


Dá para ouvir, a quilômetros de distância, os gritinhos de excitação emitidos pelos políticos “patriotas” com a aprovação da PEC que cria o chamado “orçamento de guerra”. Trata-se de um orçamento “paralelo” ao outro que está em vigor, mas com a “vantagem”, segundo um deputado, de tirar todas “as amarras” do governo (ou deles, congressistas?), permitindo inclusive que se passe por cima da “regra de ouro” que impede o governo de se financiar para pagar gastos correntes como salários e benefícios (aí está o ponto importante para os pilantras), e vai se transformar em “regra de corrupção”. Adeus ao “teto de gastos”, que eles vinham tentando violar a qualquer custo, mas não conseguiam. Outro aspecto importante (para eles) é o caráter emergencial deste orçamento, que vai permitir novamente a prática de “tenebrosas transações”, uma vez que todos os novos contratos poderão ser celebrados sem concorrência, por dispensa de licitação. Vejam que a coisa está do jeito que os diabos, ou melhor, que os safados gostam. Para sentir o verdadeiro frenesi que esta PEC causou nos “patriotas”, é só comparar a tramitação da importante reforma da Previdência com o desta PEC. A primeira levou 5 meses e foi aprovada em segundo turno por 370 votos a favor e 124 contra. Já a PEC do “orçamento de guerra” foi aprovada em dois turnos depois de apenas 4 horas de discussão por 423 votos a 1 contra. Quando interessa “ao bolso”, os malandros se mobilizam rapidinho. Além de todos estes abnegados médicos que no momento estão na linha de frente combatendo o maldito vírus que nos ataca, está faltando um médico como o francês Joseph-Ignace Guillotin, que contribuiu muito com a “assepsia” promovida pela Revolução Francesa.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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O FUNDO FICOU DE FORA


Em razão da clausura social, perdulários e alienados parlamentares, desconexos da crise recessiva em evidência, direto de seus insalubres domicílios (coitados!), derrubaram a emenda ao projeto do “orçamento de guerra” que transferiria recursos do fundo de campanhas eleitorais para o combate ao coronavírus. Sem qualquer piedade ao isolamento forçado dos comissários, resta-me aguardar quem será o proeminente cara de pau a requerer à mesa diretora gratificações orgânicas pelo trabalho em ambiente inóspito e compensação financeira pelos “lucros cessantes” causados pela interrupção das tenebrosas transações acertadas no escurinho dos gabinetes e no submundo das comissões parlamentares. As fétidas e discrepantes justificativas pelo feito, como disse um ex-parlamentar em tempos nada saudosos, despertaram-me “os instintos mais primitivos”. Cambada de...!


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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NA CÂMARA


Que tal o ilustre autonomeado “primeiro-ministro do Brasil”, Rodrigo Maia, o “Botafogo” na lista de propinas da Odebrecht, colocar em votação os projetos parados sobre as vergonhosas vantagens de que os parlamentares desfrutam, como direitos a vale-paletó, assessores, cartão corporativo e outros penduricalhos, ao invés de ficar dando entrevistas criticando a demora do governo em distribuir os benefícios por causa da epidemia?   Podia também aprovar o projeto de destinação do fundo partidário ao combate desta doença que nos assola.


Luiz Antonio Amaro da Silva zulloamaro@hotmail.com

Guarulhos


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AINDA NÃO CAIU A FICHA?


Realmente estamos vendo e sentindo o caos no mundo, e no Brasil não é diferente. Será um estardalhaço na economia, que estava retomando o crescimento; na saúde, que sempre rastejou para dar o mínimo a parte da população; e, para piorar, os problemas da segurança vão continuar com o desemprego, a fome e os bandidos nas ruas. As famílias que podem pagar uma funcionária fizeram sua parte, as dispensaram e estão arcando com seu salário. Vamos falar francamente: os grandes empresários e parlamentares estão com a vida ganha. Para estes não faltam saúde, dinheiro e muito menos segurança. Onde entra a colaboração dos senhores? Políticos não abrem mão do fundo eleitoral, os donos dos convênios não pensam em aliviar seus pacientes? Não é a hora de ajudar seus clientes/eleitores? Muitas pessoas estão vendendo refeições para poder sobreviver, pois os boletos chegam, e ainda assim vemos os golpistas aumentando o preço do gás, falsificando álcool gel e máscaras. Senhores, coloquem a mão na consciência, caixão não tem gaveta. Ainda não caiu a ficha?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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TODOS IGUAIS


A covid-19 está mostrando que, quando a agonia das incertezas sobre a própria vida, que até então eram apenas para aqueles que se enfileiravam pelas abomináveis filas sem fim do SUS, se torna uma imposição para todos, então, e só agora, então, todo o mundo deve esquecer as questões da economia e as políticas de Estado para pensar, tão somente, no isolamento social e na salvação de todos. A covid-19 irmanou os brasileiros numa fraternidade nunca antes vista. Fez-me lembrar de uma passagem histórica que li, de quando em Herculanum as feras em jaulas se deitavam no colo de suas vítimas na arena, quietas e ordeiras, pela avalanche de lava quente que se aproximava. Sim, as tragédias unem e irmanam, e tomara que as distâncias entre os homens não tenham diminuído apenas por ora, quando fica evidente que todos somos iguais, assim na vida como na morte.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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BOLINHO PARA TODOS


Muitos se espantam com a resistência a ficar em casa nas periferias, principalmente das grandes cidades. Seguindo o fiel estilo de Maria Antonieta, última rainha da França, esses “muitos” são todos membros das elites econômicas deste país, desacostumados com gente do próprio grupo social empilhada em corredores de hospitais esperando para ser atendida ou, até mesmo, morrendo por falta de atendimento, equipamentos ou remédios. Mas essa é a realidade do nosso povo que vive fora da bolha Paulista/Faria Lima e que depende do SUS para sobreviver. Vergonha alheia de todos os governantes posando de guardiões da saúde pública e que, com certeza cartesiana, virarão suas costas para a saúde pública e para a criação de novos protocolos de prevenção de futuras pandemias assim que esta crise se resolver. Morrendo no SUS? Bolinho para todos e bora pro Einstein!


Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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IGNORÂNCIA TAMBÉM MATA


Persiste o presidente da República em atrapalhar, quando não sabotar, as iniciativas do titular do Ministério da Saúde, por ter a ideia fixa de que a quarentena não é a melhor solução. Isso apesar de a quase totalidade dos mandatários do mundo estar obedecendo a essa diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS). Na semana que passou, mais uma vez ele voltou ao ataque, afirmando – pasmem – que seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), “extrapolou”, mas que não pretende demiti-lo “no meio da guerra”. Disse faltar “humildade a Mandetta”. Ora, o chefe do Executivo, como bem disse o jornalista Otávio Guedes, da Globo News, vem conduzindo um governo paralelo e contrário àquele comandado pelos seus ministros competentes, que, aliás, são a minoria em sua equipe. Todos nós que não estudamos Medicina somos ignorantes na matéria e temos de respeitar os seus técnicos, que estão arriscando sua vida para nos salvar. O que o ministro vem fazendo nestes dias conturbados é extraordinário, pois, além de sua jornada estafante, está sendo obrigado a ter uma paciência de Jó ante os ataques destemperados de um presidente, este sim, que desconhece o que é humildade. Bolsonaro mentiu, mais uma vez, quando disse que não vai demiti-lo “no meio da guerra”. Não vai porque não pode, pois sabe que, se o fizer, estará assinando a sua sentença de morte na política. Influenciado por assessores despreparados, comandados por um dos seus filhos, vem se comportando de uma maneira jamais vista por nenhum outro presidente que o antecedeu. Está atrasando as providências que já deveriam ter sido tomadas há tempo. Se, em lugar de ficar perdendo o seu tempo precioso nas redes sociais com pessoas despreparadas, tomasse conhecimento do que vem ocorrendo pelo mundo, certamente o seu comportamento seria outro. O presidente chegou a repassar um vídeo mentiroso em sua rede social, para ter de se desculpar em seguida. Isso, para um presidente da República, é um vexame. Enfim, o problema do presidente é que ele não admite ser contrariado, nem que esteja errado. Ignora que um líder se faz respeitar pelas suas qualidades, e não pela hierarquia. Ademais, sabe que a nossa economia vai regredir por causa do vírus, e com isso perderá o seu único trunfo para eventual reeleição. Para ele, a morte de “alguns” não é importante, desde que salve a economia e não atrapalhe seus planos. Porém, insiste em seguir essa linha egoísta. A ignorância também mata. E não mata apenas alguns.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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‘LAVORO’


Enquanto o ministro Mandetta trabalha, o dono da caneta continua a dar caneladas.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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IMPERADOR SÁBIO


Vocês conhecem a história do chinês? O chinês era o funcionário mais fiel do imperador. Foi servi-lo de sopa e caiu uma gota de sopa nas vestes do imperador. Furioso, ele mandou decapitar o servente. O servo, então, jogou toda a sopa (quente) no imperador. O imperador chamou-o de volta e perguntou a ele o porquê de ele ter feito aquilo; perguntou se ele estava maluco. O servo imediatamente respondeu: “Imagine o dano causado à sua reputação se o povo fica sabendo que o sr. me mandou decapitar por conta de uma gota de sopa. Sim, só me sobrou lhe dar motivo para a decapitação”. O imperador, compungido... o promoveu. Ir além do limite causa reações. Tudo tem um limite, acima do qual é possível haver ruptura. Foi assim com o governo Dilma, é assim agora. Luiz Henrique Mandetta está sendo um herói nesta crise do governo Bolsonaro. Fiel ao governo. Fiel à população. E fiel a ele mesmo. Na acepção da palavra, um servidor leal de verdade.


Bruno Hannud hannud.bruno@yahoo.com

São Paulo


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MINISTRO DA SAÚDE


In Mandetta we trust.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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MENOS ESPETÁCULOS


Estamos saturados de ouvir informações sobre a covid-19: como a doença se espalha, quais são os sintomas, como se proteger contra a infecção e quais são os motivos do isolamento social, apesar do seu custo econômico terrível. Sabemos, também, que os números declarados no Brasil de pessoas infectadas e mortes não refletem a realidade por falta de testes e que esses números vão aumentar muito nas próximas semanas, o que exige a colaboração de todos, pois o nosso sistema de saúde público e privado não dará conta. Sendo assim, vejo pouca utilidade nas entrevistas diárias do ministro de Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nas quais são dadas as mesmas respostas para praticamente as mesmas perguntas. O ministro pode usar os (longos) tempos dessas entrevistas para elaborar planos, por exemplo, junto com os ministros da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para produzir os ventiladores pulmonares, itens de proteção para os profissionais de saúde e máscaras de uso pessoal – todos em falta e que podem ser produzidos rapidamente no Brasil. Ele pode planejar para não dependermos no futuro da importação de insumos como a hidroxicloroquina, usada para tratar a malária, uma doença endêmica no Brasil. Ou seja, o ministro deve poupar seu tempo para tratar assuntos mais estratégicos. O que precisamos, agora, é de menos espetáculos e de um presidente que se comporte como um estadista, e não vise quase exclusivamente às malditas eleições. Boa sorte, Brasil!


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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CATÁSTROFE


O pico da pandemia se aproxima, segundo os cientistas. Os “donos” dos partidos políticos “patrioticamente” não abrem mão do dinheiro do fundo partidário e do fundo eleitoral, com apoio do Congresso. Doria alia-se a Lula e Marta Suplicy une-se a Paulinho da Força, comprovando uma vez mais que os semelhantes se atraem. Bolsonaro não faz nenhum gesto para apagar o incêndio. Realmente, estamos por um fio...


Ulisses Nutti Moreira ulissesnutti@uol.com.br

São Paulo


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VÍCIO


Bastou um politicamente calculado e matreiro elogio de Lula aos governadores e prefeitos pela adoção de medidas de isolamento contra a pandemia da covid-19 para que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), deixasse de lado sua declarada animosidade contra o ex-presidente e postasse em suas redes sociais palavras gentis e aveludadas a respeito. Como se viu, quem já surfou de forma oportunista na onda bolsonarista com o #bolsodoria, em 2018, não perde a chance de tirar proveito e vantagem de qualquer oportunidade que apareça. É como diz o velho mote “a raposa perde o pelo, não o vício”. Doria, a quem pensa enganar? Quem não te conhece que te compre.


Vicky Vogel vogelvick7@gmail.com

Rio de Janeiro


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RECADO AOS OPOSITORES


Desculpem-me o governador João Doria e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, mas ao ver estampada na capa do jornal The Washington Post e republicada pela mídia nacional foto do cemitério da Vila Formosa designado a pessoas pobres, inúmeras covas, lado a lado, só podemos entender que vocês se igualaram àquela propaganda mesquinha e vil que a ex-presidente Dilma usou para se reeleger em 2013. Naquela propaganda, se não fosse reeleita, faltaria “comida na mesa do pobre”. Agora, para destruírem o governo Bolsonaro, alertam para milhares de mortos enterrados como se fossem lixo, tudo para contrapor ao presidente que recomenda que a vida volte aos poucos ao normal diante desta pandemia. Vocês chegaram ao fundo do poço em matéria de oposição, isso num governo praticamente começando. Imaginem o que virá até 2022. Só se esqueceram de que conhecemos o fim político que a ex-presidente Dilma mereceu ao brincar com o emocional da população carente. Qual será o de vocês, junto com o PSDB? A conferir.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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PIRATAS AMERICANOS


Americanos atacaram carregamentos de máscaras e respiradores comprados pelo Brasil, pela França e pela Alemanha, no momento do embarque, no aeroporto de Shangai e na Tailândia. Um escândalo que vai parar em tribunais internacionais. Piratas históricos, americanos têm agora o capitão pirata mais Tramposo de sua história.


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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FALTAM MÉDICOS?


Com a possível falta de médicos, bem que o Ministério da Saúde poderia convocar ou contratar brasileiros graduados em Medicina fora do Brasil, sem revalidação do diploma, visto que este pessoal está desempregado.


Epitácio Mirada epitaciomiranda@globo.com

São Paulo


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PROTEÇÃO


Desde o começo da epidemia, tenho recomendado à minha família e meus amigos algumas medidas de proteção que não estão tendo a devida divulgação: 1) o uso de máscara sempre que se aventurar fora de casa. Se não bastassem as imagens de chineses circulando na rua com máscaras, recebi um e-mail da República Tcheca que credita ao uso da máscara o baixo contágio observado lá. Só posso atribuir as numerosas recomendações em contrário de nossas autoridades à necessidade de não faltar máscaras no mercado (o que aconteceu de qualquer jeito). 2) Tirar os sapatos ao entrar em casa e limpá-los. Isso já era um hábito em países do Primeiro Mundo há muitos anos. 3) Lavagem dos alimentos, em natura ou não, com água e sabão (enxaguando logo em seguida) tão logo cheguem em casa. Para alimentos industrializados, álcool em gel. 4) Limpeza das narinas com cotonetes embebidos em álcool (basta ver que um dos testes para averiguar a presença do vírus é justamente com cotonete) ou pingar soro fisiológico, assoando o nariz em seguida. 5) Agora, o que estranho é não haver nenhuma recomendação de usar óculos, já que os olhos são uma das vias de infecção. Mesmo quem não precisa de óculos poderia usar um par sem grau. O ideal seria um desses óculos envolventes ou para natação, mas isso seria pedir demais. Uma vantagem, não divulgada, é que os óculos apertam o nariz grudando melhor a máscara contra o rosto, impedindo a entrada de microrganismos por cima.


Gerald Misrahi gersilm@hotmail.com

São Paulo


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PRORROGAR MANDATOS E ADIAR ELEIÇÕES


Desde 1932, quando foi organizada a Justiça Eleitoral, os mandatos eletivos têm duração de quatro anos, exceção ao de presidente da República, que já foi de cinco e até de seis anos e acabou também reduzido a quatro, com a possibilidade de reeleição. Tramitam hoje no Congresso Nacional propostas para a prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos e vereadores. A justificativa é a pandemia da covid-19, para a qual se propõem transferir o orçamento destinado às eleições. Mas o argumento principal é o mesmo de 1980: a coincidência de mandatos e a economia de gastos eleitorais. Em vez de realizar as eleições marcadas para 15 de novembro daquele ano, prorrogaram-se os mandatos e os novos prefeitos e vereadores foram eleitos em 82, ao lado de governadores (que voltavam a ser eleitos diretamente), deputados e senadores. Mas, diante das repercussões negativas, os de 82 também foram eleitos por seis anos porque chegou-se à conclusão de que realizar eleições só a cada quatro anos é inviável. Quem perde fica fora de cena por muito tempo. A não ser que a pandemia do coronavírus imponha restrições, prorrogar os mandatos será cometer hoje o mesmo erro de 40 anos atrás. Só interessa aos atuais prefeitos e vereadores, especialmente os mal avaliados e sem possibilidade de reeleição. Os demais e, principalmente, o povo querem eleição e mudança. É hora de responsabilidade e compromisso com a Nação.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                    


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IPTU


Repito meu apelo à Prefeitura de São Paulo para, enquanto o comércio está impedido de funcionar, que os pesados IPTUs que recaem sobre esses estabelecimentos sejam suspensos ou extintos nestes meses, diminuindo o custo e evitando a quebradeira geral.


Ronaldo Rossi ronaldo.rossi1@terra.com.br

Socorro


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TABELA DO IR E TARIFAS BANCÁRIAS


Tudo indica que esta pandemia de covid-19 veio para deixar profundas marcas na humanidade, tanto para pessoas físicas como empresas, pelo impacto na vida socioeconômica de todos. Entender a sua natureza e saber agir com sabedoria e agilidade são chaves para não desperdiçar tempo nem recursos essenciais para poupar mais vidas, eis o desafio que assoma à nossa frente. É o básico para encarar uma epidemia urbana dessa magnitude, que faz rever usos e costumes, muitas vezes, típicas de regiões insuspeitas coexistindo em áreas densamente ocupadas. Cifras sem precedentes estão sendo canalizadas (divulgadas) visando a minimizar os danos para a saúde pública (despreparadas) e para a economia (voraz) sem, no entanto, nenhuma perspectiva quanto à duração desta onda nem a amplitude tanto negativa quanto positiva de seu efeito. Quando virá a reação? Justificadamente, todas as preocupações estão convergindo, sistematicamente, para as camadas dos menos favorecidos das sociedades globais e globalizadas que, não obstante os avanços da Ciência e das tecnologias, não contemplam essas camadas. Ao contrário disso, são empurradas para a borda do caos, da miséria sub-humana ou são abandonadas na nulidade invisível da sociedade. Se esse é o caminho que a competição desenfreada traça para o planeta e o povo, resignado, imobilizado e passivamente, aceita como fatalidade, então nada há que discutir. E viva a covid-19! Porém, diante de toda esta demonstração de abundância de possibilidades legais, monetárias, fiscais, boa vontade, parcerias, etc., emergem, sem dúvida alguma, esperanças que se renovam. Assim, coloco estas duas proposições seguintes: 1) correção imediata da tabela do Imposto de Renda (IR); e 2) proibição da cobrança da tarifa bancária. Essas propostas visam tão somente a ampliar as possibilidades de criação de empregos, via garantia da massa salarial perdida pela defasagem ao longo dos últimos anos e pela distorção do entendimento da expressão “prestação de serviços”, invertido pelo sistema bancário. Senão vejamos: bancos usam o capital dos correntistas para emprestar aos tomadores mediante cobrança de juros e devem remunerar e não cobrar de novo. Todas as medidas de socorro anunciadas e, quando implementadas, serão os sustentáculos da economia nacional, que, somadas e estas, darão maior solidez ao longo do tempo. Nota: o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou em entrevista que a arrecadação de janeiro foi boa e crescente (questionado sobre crescimento do desemprego).


Massafumi Araki massafumi-araki@gmail.com

São Paulo

 

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