Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

O milagre dos recursos

É intrigante: antes da pandemia, a saúde pública nunca foi levada a sério pelas autoridades, sempre alegando falta de recursos. Milhares de pessoas devem ter tido a saúde agravada ou morrido por falta de atendimento médico adequado. Mas de repente, com a chegada do coronavírus, bilhões de reais de várias fontes são destinados a combater a doença. Atitude louvável. Todavia, como termos a certeza de que tais recursos estão chegando ao destino e sendo usados na prática? Deveria ser criado um canal de consulta para informar detalhadamente e com total transparência o uso de todo esse dinheiro.

PAULO BOIN

BOINPAULO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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‘Emergência e democracia’

Paulo Delgado sintetizou a atitude desejável neste momento (8/4, A2): “É hora da união, de os estadistas de todos os setores afirmarem que é desaconselhável romper o isolamento e obrigatório o Tesouro impulsionar a salvação do País”. Farão isso? Conseguirão salvar o País?

FRANCISCO EDUARDO BRITTO

BRITTO@ZNNALINHA.COM.BR

SÃO PAULO

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Dinheiro na mão

Alguém poderia perguntar ao ministro da Economia se não é hora de corrigir a Tabela do Imposto de Renda na Fonte?

JOSÉ RENATO NASCIMENTO

JRNASC@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Banca ausente

É inacreditável como banqueiros podem ser insensíveis aos reclamos da sociedade diante de uma crise tão aguda de saúde e, consequentemente, financeira, que já se manifesta. O governo canaliza bilhões para atender às pequenas e microempresas e nem atendimento virtual os bancos estão oferecendo aos clientes. Atendimento pessoal do gerente da conta neste momento, então, nem pensar. Estão todos afastados ou em home office. Para não atenderem ninguém?! Enquanto a Nação inteira se defende como pode e empresas das mais diversas áreas fazem doações, esse setor da economia quer ganhar mais com a desgraça alheia?!

JOÃO MAGRO VENTURA

JOAOMV@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Planos econômicos

Neste momento tão difícil para todos nós, o Poder Judiciário poderia dar a sua contribuição retomando e apressando o julgamento das ações relativas aos planos econômicos para os poupadores, a maioria idosos, que não aceitaram o acordo indecente proposto em 2018. Os valores a serem devolvidos não oneram o Tesouro Nacional e já estão provisionados nos balanços dos bancos.

GERSON AZAMBUJA NEVES FILHO

GERSONAZAMBUJA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Cloroquina

Os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro estão fixados na cloroquina e não deixam os protocolos de pesquisa científica avaliarem direito a droga no combate à covid-19. Enquanto isso, debates importantes são ignorados. Por exemplo, foram registradas muito menos mortes provocadas por coronavírus em países com universalização da vacina BCG – nos países onde ela não é obrigatória há dez vezes mais mortes entre os infectados, pois o organismo fica com menos defesas imunológicas nos pulmões. Também promissora é a transfusão de plasma de curados, que se tem mostrado eficiente em ajudar o sistema imunológico de infectados e reduzir o risco de morte.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Usar ou não usar?

Responda sinceramente: se você tivesse um ente querido em estado terminal e um médico sugerisse uma medicação com possível efeito benéfico, mas ainda sem currículo aprovado, recusaria tentar seu uso? A cloroquina já é usada há muito tempo. Tem efeito comprovado em malária e lúpus, não é, portanto, um tiro no escuro. À falta de outro, por que não tentar?

GERALDO SIFFERT JUNIOR, médico

SIFFERT18140@UOL.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Bom senso

Em meio à atual pandemia, que apavora o mundo e põe em xeque a economia global, com ameaça de uma recessão de difícil recuperação, o dilúvio de opiniões nem sempre confiáveis, vindas às vezes de “especialistas” que não operam nas áreas ligadas ao problema, aliado a uma politização exacerbada por aqui, mas presumivelmente também em outros países atingidos, apresenta como indesejáveis subprodutos a confusão na opinião pública e um clima de inquietação quanto às perspectivas futuras para as sociedades. É imprescindível que todos os responsáveis pelas orientações sobre como proceder num momento tão delicado estejam isentos de implicações de poder e visem tão somente a divulgação de dados honestos, evitando, ao mesmo tempo, um aumento na densidade de indesejáveis incertezas, que só fazem aumentar a angústia coletiva. É óbvio que a total independência dos órgão técnicos ao assessorarem os governos é difícil de ser alcançada. Resta-nos, então, ter fé no bom senso e na grandeza de propósitos dos nossos dirigentes.

PAULO ROBERTO GOTAÇ

PGOTAC@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Quarentena

O momento pede quarentena para divergências políticas e convergência de todos no apoio às melhores práticas para preservação da vida e subsistência dos menos favorecidos

ARI COSME FRANCOIS

ARIFRANCOIS@HOTMAIL.COM

RIBEIRÃO PRETO

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Outro hospital fechado

Aproveitando a mensagem do leitor sr. Eduardo de Carvalho Tess Filho (9/4), informo que na Avenida Vereador José Diniz, no Brooklin, há outro hospital, o antigo Evaldo Foz, fechado há cerca de 30 anos, que poderia ser desapropriado e equipado pelos governos estadual ou municipal. Mas, como bem disse o leitor, montar hospitais de campanha (provisórios) dá exposição na mídia.

LUIZ ANTÔNIO ALVES DE SOUZA

ZAM@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

DO INFERNO AO CÉU


O Partido dos Trabalhadores (PT), em razão da calamidade pública consequente da covid-19, entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo liberação do FGTS aos operários. Durante 14 anos o PT foi governo e deveria saber, mas não sabe, que o FGTS é usado para financiar programas de habitação, obras de saneamento e infraestrutura. É, pois, vital para o bem coletivo. Se o PT quisesse, de fato, ajudar e se sair bem na foto, que tivesse solicitado ao STF a utilização do Fundo Partidário (R$ 927 milhões) e do Fundo Eleitoral (R$ 2 bilhões) para o combate à covid-19, e seria aplaudido pela galera. Outra opção para o PT melhorar a imagem será propor e lutar pela retirada definitiva de todos os penduricalhos nos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), onde os salários são invejáveis e os empregos, garantidos. Caso o PT lute com afinco pela extinção dos dois fundos e também dos penduricalhos, irá, para os eleitores, do inferno ao céu.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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A TIRIRICA


Quem tem um belo gramado sabe os estragos feitos pela tiririca. A praga se alastra e é de difícil eliminação. Só com herbicida. Os maus políticos e agentes públicos são a tiririca que se espalha em ambiente favorável. Contaminam nossa democracia. Estamos vivendo um momento de angústia e tristeza. E o que faz essa gente? Só pensa em si mesma. Onde a divisão de sacrifícios? Indústrias, comércio, escolas, lojas, bares, etc., com exceção de serviços essenciais, todos fechados e os empregados, afastados com redução de salários ou dispensados. Todos pagando sua cota. Muitos desesperados. Os agentes públicos, Legislativo, Judiciário, Executivo, todos do alto escalão, quando vão criar vergonha e contribuir com seus gordos salários para aliviar esta tragédia? Suas famílias em belas residências não estarão constrangidas?


Nelson Augusto Rigobelli nrigobelli@uol.com.br

São Paulo


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O SUPOSTO CARISMA


Apesar dos decretos que determinam o isolamento da população e a proibição de aglomerações, emitidos pelo governador João Doria, de São Paulo, Estado com o maior número de infectados pelo coronavírus, são comuns os relatos dando conta da plena atividade na chamada cracolândia no centro da capital e da realização de bailes funk em comunidades, ambos os locais exibindo condições extremamente favoráveis ao desenvolvimento da doença. Consta, também, que as forças policiais são recorrentemente acionadas, mas que, com a retirada delas, tudo permanece como antes. Que tal a eventual presença física, sem aviso prévio, do mandatário máximo em tais cenários, de modo a persuadir os que transgridem as ordens a cumpri-las e, ao mesmo tempo, elevar, mediante seu suposto carisma, o moral geral, a exemplo do que ocorria em Londres quando o rei em pessoa e o então primeiro-ministro Churchill compareciam aos locais destruídos da cidade após os raids da Luftwaffe em 1940? Seria também uma ótima oportunidade para anunciar medidas efetivas visando a melhorar as respectivas condições de vida das populações afetadas que ficaram, durante muito tempo, desassistidas, embaladas somente por promessas bradadas nas campanhas eleitorais.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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USO POLÍTICO DO CORONAVÍRUS


Não bastasse o governador paulista diariamente fazer propaganda de si usando pronunciamentos via tevê sobre o coronavírus, mais tarde outro personagem que deve ser seu secretário de Saúde, também diante das câmeras, pega um microfone para informar dados da peste atual e termina frisando que, se o governo Doria não tivesse tomado providências desde março, teríamos muito mais mortes. Ué, mas para que foi eleito? Quanto a Doria, se não tivesse feito isso e ainda dependendo de números reais, e não estimados, teria de tomar um pontapé no traseiro, que é o que acontece numa empresa quando esta contrata um gerente e este não corresponde.


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo


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POR UMA POLÍTICA DE ISOLAMENTO DINÂMICA


O nosso sistema de saúde não está sobrecarregado muito graças à corajosa política de isolamento social. Hora de começar a colher frutos: liberar lenta, gradual e paulatinamente as pessoas, priorizando principalmente (mas não só) o aspecto econômico e num processo integrado com a disponibilidade de leitos de nosso sistema de saúde. E de estabelecer um cronograma para isso. De forma conceitual. Exige-se coragem. Liderança. Mais uma vez. O preço de não tomar iniciativas (bem estudadas e bem implementadas) deste tipo é o de termos um custo econômico injustificado de um isolamento ainda necessário, mas acima do que o indicado.


Bruno Hannud hannud.bruno@yahoo.com

São Paulo


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A HISTÓRIA VAI JULGAR


Quando a História julgar os governantes atuais, serão julgados e condenados por ela, por sua inépcia, negacionismo, incompetência, populismo e politicagem rasa. E dirá que foram responsáveis por muitas dessas mortes. Aqui, o assustador é que o próprio Luiz Henrique Mandetta parece ter feito um acordo mórbido com o presidente Bolsonaro, para continuar no cargo, pois esta semana mesmo já deu uma amarelada no isolamento. Espero que esta gente seja triturada pela História.


Elisabeth Migliavacca

São Paulo


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‘UM MINISTRO ABUSADO’


Dizia Einstein que há duas coisas que são infinitas: o universo e a burrice humana. Lembrei-me disso quando li a piadinha sem graça, tola e inoportuna que fez o ministro da Educação, em provocação aos chineses. Será que o Itamaraty vai ficar calado?


Marcos Candau carvalhocandau@gmail.com

São Paulo


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DÚVIDA HAMLETIANA


A respeito do editorial Os incendiários e os bombeiros (8/4, A3), o governo Bolsonaro está diante de uma dúvida hamletiana: verde-oliva ou verde-Olavo, eis a questão.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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O MITO E O MICO


O velho Karl Marx já dizia que a história não se repetia, pois que na segunda vez tratava-se de farsa. Esse juízo de valor serve como uma luva para o caso brasileiro. O mito criou o “mico”. No meio da pandemia, surge um Frankenstein que se acha investido da missão civilizatória de levar a Ciência aos infiéis. Já estava na Bíblia a máxima diga-me com quem andas, que eu direi quem és.


Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo


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REPÚBLICA DAS BANANAS


É verdade que certas cenas no teatro do governo são características de “República de bananas”. Roberto DaMatta escreve que “o presidente deve não só ficar calado (...), mas fechar a boca de seus filhos”. Mas esta República colocou uma trava na corrupção com os mesmos atores, com decisões que não constam em nenhum compêndio de politologia. Machiavel deveria aplaudir, se pudesse. Os conhecedores da matéria e viciados em costumes perversos – acadêmicos, intelectuais, jornalistas, economistas e mesmo políticos – ficam espreitando “como gatos em cima do muro” para ver o que acontece.  Descerão para se acomodar – possivelmente desfrutar – do resultado. Alguns talvez se envergonhem de suas “sabedorias superadas”. Outros ainda se empenham para tentar evitar as evidências. Também deveriam se calar. A cidadania já exigiu a quebra de paradigmas comportamentais na política, na administração e na justiça. Não retrocederá. A República está prestes a deixar de ser “das bananas”, sem deixar de produzir – se possível, exportar – bananas.


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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A POLITICAÇÃO DA COVID-19


Hoje em dia, graças à internet, temos vários meios de checar notícias e pesquisar o que quisermos, ainda. O professor Eugênio Bucci, ao chamar o presidente do Brasil de “café-com-leite”, ofende os brasileiros. A bebida está na mesa de todos eles, além de ser apreciada em muitos lugares do mundo. Longe de ser uma bebida desprezível e, conhecendo como se deu a mistura desses dois produtos, o professor fez um belo elogio ao presidente Bolsonaro, pois, quando o café chegou ao nosso continente, a ideia de misturar café com leite era para fornecer a energia do café e o alimento do leite. Neste momento, precisamos de muita energia, não só do presidente, mas de todas as pessoas que torcem por um Brasil melhor, cujo foco deveria ser o combate à covid-19. Quem sabe se não houvesse tanta politização acerca do tema as pessoas levariam mais a sério a doença. Pensem nisso.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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AUXÍLIO EMERGENCIAL


Sobre o auxílio de R$ 600: quem tinha renda em 2018 fica fora, mas, se a pessoa perdeu o emprego em 2019, não conseguiu nova colocação, tornou-se motorista de aplicativo como MEI e, agora, está sem renda alguma, não deveria receber? Ter tido renda em 2018 não significa que a pessoa tenha renda agora, em 2020. Conheço uma pessoa que está exatamente nessa situação. E deve haver muitas.


Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo


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CADASTRO


Ainda bem que não tenho de me cadastrar para receber os R$ 600 na Caixa Econômica, como os muitos milhões de brasileiros trabalhadores informais não cadastrados no CadÚnico, no Bolsa Família ou qualquer outro registro público, porque eu simplesmente não saberia preencher todo o labirinto de procedimentos necessários. Sou jornalista, fui diretor de financeira, atuei no mercado de ações e tenho muita vivência no mundo empresarial, mas pouco conhecimento em informática, não estando familiarizado com o jargão da área. E os pobres necessitados têm?


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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COMPLICAÇÃO


Problema meu com outros órgãos; CPF retido. O que tem uma coisa com outra? O governo quer resolver problemas e acaba retendo R$ 600,00 do cidadão. Por isso que o brasileiro não confia no governo. É impossível confiar. Sempre aparece alguma coisa para complicar.


Minoru Takahashi minorinhotakahashi@hotmail.com

Maringá (PR)


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CIÊNCIA MÉDICA E JURÍDICA


Vivemos um momento de premência não só da ciência médica, mas também da ciência jurídica. O povo se encontra desbussolado sob o ponto de vista do Direito. As medidas provisórias são destinadas exatamente a esses momentos (urgência e relevância). É urgente a criação de um comitê de emergência composto de juristas notáveis para criar um acervo normativo compatível com as circunstâncias excepcionais, equitativo e que confira à Nação um mínimo de segurança jurídica, já fragilizada antes da crise. E o presidente da República não pode negar-se a tratar com justiça uma nação mergulhada em sua mais séria crise.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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DESINFORMAÇÃO MATA


Não é hora de vacilo, de espalhar na internet fake news sobre o coronavírus. Nesta hora de medo, pânico e terror, a desinformação, como vem fazendo nosso presidente da República e alguns de seus assessores diretos, só atrapalha e traz mais insegurança para toda a população. É fato de que Bolsonaro precisa decidir de vez se vai aceitar a Ciência, a Medicina e a cooperação como únicos caminhos possíveis para enfrentar uma pandemia de proporções inéditas. Bolsonaro (sem partido) precisa urgentemente desarmar o picadeiro montado em frente ao Palácio da Alvorada, onde frequentemente fala com apoiadores desinformados da realidade por que passa o mundo, afetado pela pandemia de covid-19, vírus que torna fracos pobres, ricos, celebridades e poderosos. Esse modo de agir da figura política mais importante do País, para o bem e para o mal, apenas atrapalha os trabalhos do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e põe em risco a população brasileira. Pasmem, Bolsonaro chegou a admitir que a relação entre ele e o mais importante ministro de seu governo neste momento de medo e pavor não está tão boa e pediu mais humildado ao ministro para ouvir suas sugestões. Esqueceram de avisar ao presidente que o combate aos efeitos de uma pandemia não é um concurso de humildade. E a humildade, neste caso, tem de vir de quem não é da área da Saúde. O coronavírus não escolhe e não restringe suas vítimas. O Brasil deveria mais é aprender com os erros da Itália, da Espanha e dos Estados Unidos.


Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul


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ESTUDAR O PASSADO


Gostaria de congratular o jornal O Estado de S. Paulo pela publicação da coluna História (6/4, H5) com o texto de Monteiro Lobato chamado Saco de Carvão, publicado em 1945 pelo jornal. Como é importante para a sociedade ter acesso a estes textos! Entender as dificuldades vividas pelo Brasil e pelo jornal à época da gripe espanhola, entender o valor dos homens e da liberdade de imprensa, entender que um país é construído pelos seus habitantes que lutam por um bem comum. Tempos difíceis sempre existiram, o que diferencia os povos é a forma de enfrentá-los. Espero que o Estado recorra mais vezes a este tipo de ação, pois nos beneficiamos muito com este tipo de publicação. O historiador Yuval Harari nos ensina que devemos estudar o passado não para predizer o futuro, pois o futuro pode ser completamente imprevisível. Devemos estudar o passado para nos libertar dele. Para evitar erros cometidos. Para imaginar outras alternativas diante de problemas que se repetem. Para não deixar que coisas que não entendemos o porquê hoje nos façam trilhar caminhos que poderiam ser mais bem escolhidos. Na verdade, apesar de acharmos que algoritmos governam a vida das pessoas, são elas que fazem as escolhas finais. Como a escolha de ficar em casa, de manter distanciamento de outros, de higienizar as mãos, de seguir as recomendações do Ministério da Saúde e muitas outras que podem significar a preservação da vida.


Cláudio Tinoco Mesquita claudiotinoco@me.com

Niterói (RJ)


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‘O SACO DE CARVÃO’


Em plena segunda-feira, esta semana, um presente tão lindo não teria de ser publicado num belo domingo de sol? Uma página (H5, 6/4) inteira de uma declaração de amor, de um “sapo” ilustre colaborador: Monteiro Lobato. “Todos na cama e o jornal a sair” (Nestor Rangel Pestana), graças à ousadia de um free lancer que não escrevia por força de contratos ou encomendas, mas sim por identificação. Uma página que nos convida à leitura e à releitura, tamanha sutileza. “O consumo da palavra pátria na sala de Julinho sempre foi grande.” Se a edição for impressa, bem fazem os leitores que guardarem com carinho este mimo. Monteiro Lobato, de uma maneira leve e linda, nos leva a sorrir e a chorar, com tamanho respeito pelo “nosso” jornal secular. Confinados estamos todos, e ainda assim o Estado nosso de cada dia chega sem falta, uma válvula de escape para dias bicudos. A gripe de outrora que fez quase todos “cair” não tirou o jornal da praça, graças ao toque de mestre de Monteiro Lobato. Hoje, se tem algo para “cair”, é a polarização que a covid-19 veio deflagrar. Uma declaração de amor ao jornal mais democrático da praça, de um pilar da literatura brasileira. Confinados estamos, todos os dias se parecem com domingo, logo, o presente em forma de artigo nos chega no dia de maior audiência. E nos enche os olhos de lágrimas e esperança. Monteiro Lobato, Notas & Informações ainda hoje estremece os alicerces do poder, esta seria a minha mensagem ao mestre. O jornal que teve Monteiro Lobato no comando e um “Capitão Julinho”, tão amado, não pode temer qualquer capitão. Obrigado.


Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos


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MONTEIRO LOBATO


O talentoso e visionário Monteiro Lobato, que assumiu espontânea e corajosamente a direção do Estado por três semanas, em 1918, por força da gripe espanhola, que mandou para a cama os editores, disse que “um país se faz com homens e livros”. Deveria ter dito “(...) homens, livros e jornais”, como o Estadão nosso de cada dia.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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FOCO NA VIDA


A gente vai se impressionando com o cenário de funeral. Estamos apavorados e atordoados, mas não podemos esquecer que um número maior de pessoas – muito maior – contrai a covid-19 e se recupera. Por isso o foco não pode ser a morte, e sim a vida. E não podemos nos esquecer de que o Autor da vida ainda reina soberanamente no universo. O Estadão publicou reportagem esta semana com o depoimento de pessoas que contraíram a covid-19 e estão curadas. Entre as pessoas entrevistadas estão o infectologista David Uip e o renomado jurista Ives Gandra Martins. A matéria foi publicada na edição de 7 de abril. Dois aspectos chamaram a minha atenção na reportagem: o relato dos entrevistados de que tiveram medo da morte, a visão clara de que a vida é, mesmo, frágil, e as afirmações da necessidade de ser solidário e da dependência de Deus. O jurista Ives Gandra, de 85 anos de idade, chegou a afirmar: “Os médicos foram muito bons, mas acredito mais no médico lá de cima”. O medo da morte e o enfrentamento da realidade da vida, que de fato é muito frágil, talvez sejam as nossas maiores preocupações neste quadro de crise. Quem vai para uma UTI e é entubado, certamente, não tem mais em quem confiar, senão no médico dos médicos, conforme bem ponderou o professor Ives Gandra. Quando você se vê despido de tudo e em situação de absoluta fragilidade, só resta mesmo recorrer ao Senhor, que você ainda pode chamar de Pai ou de meu Deus. Talvez ao longo da jornada você tenha desistido de Deus e deu-lhe as costas. Mas Deus nunca desiste de nós. É tempo de reconciliação. Deus irá com você à UTI, até à sepultura e além dela. E ainda promete morar com seus filhos na Cidade Eterna, que vai descer do céu (Apocalipse 21:9-27). É tempo de se cuidar. Tempo de ter medo, mas não se apavorar. Porque temos Deus, que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos e pensamos (Efésios 3.20). Ele reina soberano e é o Senhor do universo. A vida é frágil, mas Deus é poderoso. Ele cura, salva pecadores e oferece vida eterna a quem crê em Jesus como senhor e salvador. Este vale pode ser o vale da sombra da morte, mas Deus está conosco (Salmo 23). Oremos! Essa coisa mata, mas tem cura.


Amilton Alvares oficial@2regisro.com.br

São José dos Campos


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BOA SAÚDE SEMPRE


Sem dúvida alguma, a pandemia do coronavírus já está provocando ampla reflexão em vários aspectos do cotidiano, entre eles a importância da prevenção de doenças. Um dos princípios médicos fundamentais, amplamente conhecido, é o de que fatores de risco tais como hipertensão, diabetes, tabagismo, alcoolismo, vida sedentária e obesidade, entre outros, não somente são predisponentes para ocorrência de várias doenças, como também, e não menos importante, dificultam a recuperação de tantas outras. É o que está acontecendo com a covid-19, que agride e mata mais os portadores dessas morbidades. Daí a necessidade cada vez maior da conscientização das pessoas quanto à aquisição e mudança de hábitos que independem de tratamento médico propriamente. Não fumar, praticar exercícios regularmente e alimentação adequada, sem açucares, gordura ou sódio em excesso, são algumas das medidas que dependem exclusivamente da vontade de cada um e que, se não forem praticadas, podem, sim, cobrar um preço alto a qualquer momento, como o desta pandemia. Quanto à questão da idade, é sabido também que a ação inexorável do tempo pode ser mitigada quanto mais cedo se adquirirem estes mesmos hábitos saudáveis, preferencialmente desde a primeira idade. É fundamental manter uma boa saúde sempre, pois, em momentos críticos como este, ela poderá fazer toda a diferença.


Luciano Harary, médico lharary@hotmail.com

São Paulo


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PARADAS CARDÍACAS


Publicação de 8/4/2020 e compilados na última semana pela Angioplasty.Org“Cardiac Arrest Deaths at Home in New York City Have Increased By a Startling 800%”. Paradas cardíacas estão acontecendo nos domicílios, mas familiares não chamam os paramédicos nem os bombeiros e, portanto, ambulâncias para transporte aos hospitais e salvar vidas, por medo da covid-19. Registraram uma queda significativa de chamadas para atendimento domiciliar. Dados estarrecedores: somente entre 30 de março e 5 de abril registraram 1.990 comunicações por paradas cardíacas em domicílio, quatro vezes mais que no mesmo período do ano anterior. Em resumo, como não houve autópsias e testes para a covid-19, quantos morreram por uma causa como uma doença coronária grave – e poderiam ter sido salvos – ou por covid? (Mike Greco, paramédico e vice-presidente local 2507). Houve também comentários médicos importantes do dr. Robert A. Harrington, de Stanford e presidente do American Heart Association. Mais um desafio médico a ser enfrentado, cuja saída e escolha não serão simples nem fáceis.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo

 

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