Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Mil vítimas da covid-19

Entrincheirado em seu bunker digital, o presidente Jair Bolsonaro defende o orçamento de guerra e o isolamento vertical contra a pandemia do novo coronavírus. A base aliada do governo conta com o apoio da tropa de choque do presidente para tentar evitar a pauta-bomba de liberação de recursos para Estados e municípios. O gabinete do ódio dispara torpedos virtuais contra o isolamento horizontal, defendido pelo ministro da Saúde, que é atingido por fogo amigo. Enquanto isso, as primeiras mil vítimas são enterradas no Brasil real, em cenário desolador de isolamento social.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

*

Estados pedem ajuda

Nesta hora, Estados querem mais dinheiro do governo federal. E o governo federal poderia aproveitar a oportunidade para exigir dos governadores medidas comprovadas de redução das despesas de custeio, em pelo menos 20%. E os novos recursos não poderiam ser aplicados em despesas correntes nem em redução de dívidas. Teriam de ser direcionados a medidas de combate à epidemia, exclusiva e comprovadamente.

HARALD HELLMUTH

HHELLMUTH@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Recuperação nacional

O Brasil está enfrentando o maior desafio de sua História: a pandemia e a crise que virá na sequência. Não é difícil prever que teremos uma retração sem precedentes do produto interno bruto (PIB), uma explosão do desemprego e uma enxurrada de falências. Isso tudo, na verdade, já está acontecendo, o ritmo da pandemia está traçado, teremos mais algumas semanas devastadoras antes que as coisas comecem a melhor. E não há previsões de como a devastação econômica vai evoluir. Seria ótimo se o governo apresentasse um plano pós-pandemia, visando à criação de empregos e à prevenção das falências. A retomada das atividades econômicas será lenta, com ritmos diferentes entre os diversos setores. Levará muitos meses para termos um cinema lotado, por exemplo. Tudo isso tem de ser contemplado num plano de recuperação nacional que o governo já deveria estar elaborando. Temos pouco tempo para preparar o começo da retomada.

MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

*

Liberação da cloroquina

A utilização do torniquete só é recomendada num membro do corpo que, como consequência, poderá sofrer amputação, quando a morte por hemorragia for inevitável. Por analogia, é fácil responder à pergunta do leitor sr. Geraldo Siffert Júnior (Usar ou não usar?, 10/4) sobre a autorização para ministrar a cloroquina em pacientes em estado terminal. Nessa questão, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, se antecipou a liberar o uso desse remédio, com a correspondente indicação médica e a autorização do paciente. Mas entendo que, no caso, a autorização deva ser da família, pacientes em estado terminal, por óbvio, perdem a condição de assumir tal decisão.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

*

Estruturas perenes

Ao ensejo da mensagem do leitor sr. Luiz Antônio Alves de Souza (Outro hospital fechado, 10/4), lembro que desde 2015 o governo do Estado de São Paulo planeja a tomada de posse do Hospital Panamericano, no Alto de Pinheiros. Esse hospital já foi desapropriado e, antes mesmo de ser invadido, o então governador Geraldo Alckmin previa uma reforma de R$ 50 milhões (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/10/reforma-do-hospital-panamericano-nao-tem-data-para-comecar.html). Para Doria pensar: que tal usar o dinheiro dos hospitais provisórios para estruturas perenes?

JULIANA BLAU

JULIANABLAU@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Não é tão simples

Tenho lido as manifestações de leitores neste Fórum sobre a utilização dos hospitais fechados na cidade de São Paulo, como o Panamericano, o Sorocabano e o Evaldo Foz, fechados há mais de 20 anos. Se houvesse tempo de reformá-los, essa seria uma boa opção, claro. Porém a reforma e adequação levariam muito mais tempo que a montagem de um hospital de campanha, novo, higienizado e construído de maneira apropriada para tratar pacientes com doença infectocontagiosa específica. Não é só equipar um hospital fechado para que ele possa ser usado, é preciso trocar toda a tubulação de água, verificar o esgoto, trocar e adequar a fiação elétrica e instalar filtros especiais, entre outras obras. Esses hospitais deveriam ser reaproveitados, sim, são edifícios sólidos que deveriam voltar a ter utilidade pública. Mas no meio da pandemia não seria como hospitais.

BEATRIZ CARDOSO

BIA.POULTRYVET@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Não agora

Ainda a respeito da possível utilização de antigos hospitais que se encontram fechados na cidade de São Paulo, de fato há que levar em conta que os hospitais de campanha são erguidos muito rapidamente e desenhados para as necessidades objetivas do momento. Eles são térreos e o acesso é direto para as ambulâncias, que contam com grandes estacionamentos disponíveis. Reformar hospitais fechados há décadas é muito mais complicado e demorado. Os elevadores não estão operacionais, o desenho rígido das instalações antigas é pouco funcional. Claro que os hospitais fechados devem ser reabertos para uso da população. Mas não para uma situação de emergência como esta.

FRANCISCO EDUARDO BRITTO

BRITTO@ZNNALINHA.COM.BR

SÃO PAULO

*

Antes do novo coronavírus

Eu era feliz e não sabia!

MARIO MIGUEL

MMLIMPEZA@TERRA.COM.BR

JUNDIAÍ

 

A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

O artigo de José Serra no Estadão de 9/4 (Democracia na calamidade) é perfeito sobretudo no seu fecho espirituoso: “A saúde no Brasil durante a calamidade depende da democracia e não da calamidade instalada na democracia”, com ligeiras alterações a fórmula sintética com que ele o termina. De fato, continuando ainda a endossar seus comentários, exceto os governadores e os Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo federais, este último restrito ao Ministério da Saúde, o que se pode observar no restante do Executivo só pode ser chamado de calamidade, caos, desgoverno. Acho, sobretudo, patética a demonstração de supina ignorância e desprezo pela ciência a insistência do presidente Bolsonaro e de seus partidários ruidosos nas tais cloroquina e hidroxicloroquina. O que entendem eles todos, que não são médicos nem cientistas pesquisadores, de medicamentos e seus efeitos terapêuticos? A posição do ministro Luiz Henrique Mandetta é irrepreensível e de acordo com a prudência aplicável a uma autoridade pública na área da saúde numa situação crítica como a que vivemos: o médico particular pode receitar tais remédios a um paciente, a responsabilidade é dele, seu CRM é que está em jogo, mas não cabe ao Ministério da Saúde recomendá-los enquanto não houver um posicionamento claro e definitivo da sua eficácia clínica da parte do Conselho Federal de Medicina e da comunidade médica. É como se o Ministério da Saúde devesse ter recomendado João de Deus porque vários “pacientes” diziam ter sido curados por ele. Será que o nosso presidente não entende ou não quer entender isso?

Paulo Afonso de Sampaio Amaral drpaulo@uol.com.br

São Paulo

*

DECRETO FEDERAL

No país onde o coronavírus é apenas uma “gripezinha”, fica definido a partir de hoje que: o uso ou não de medicações passa a ser de atribuição exclusiva do presidente da República; as orientações sobre controle de doenças transmissíveis serão feitas pela cúpula do palácio; todos os expoentes de pesquisas científicas e da área médica serão substituídos por curiosos, curandeiros e afins, cabendo a estes definir as normatizações na área da saúde.

Marcelo Rosa de Rezende bivitelino@uol.com.br

São Paulo

*

PANDEMIA & RECEITUÁRIO

A continuar “receitando” cloroquina, Bolsonaro será processado por exercício ilegal da Medicina...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

*

PASSEANDO POR BRASÍLIA

O péssimo exemplo da molecagem do presidente da República saindo na sexta-feira, em Brasília, para passear pela cidade, cumprimentando pessoas, expõe à Nação e ao mundo o tipo de político totalmente desequilibrado e irresponsável que é Bolsonaro. Faz isso só por birra, para contrariar a orientação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, de quem morre de ciúmes e inveja, por sua popularidade, simpatia e capacidade de diálogo com a Nação. A irresponsabilidade de um mandatário versus o bom senso de Mandetta, o médico que não abandona seu paciente Brasil.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

*

MARCHA DA INSENSATEZ

Quem leu o comunicado da Sociedade Brasileira de Imunologia e outros de quem é do ramo? As posições podem mudar na ciência, e mudam. Nesta aflição planetária, tomara mudem rapidamente rumo a mais soluções. Depois de testes, testes, testes... e a validação. O processo tem sido explicado em relação à cloroquina e a outras drogas (como o atazanavir e o ritonavir). O ministro Mandetta esta semana afirmou que estão abertos a qualquer novidade. No caso da cloroquina, a droga ainda não foi suficientemente testada para ser adotada horizontalmente pelo ministério em escala nacional. Ademais, pode ter efeitos adversos graves, como arritmia e parada cardíaca. Contudo, cada médico está livre para prescrever a droga. Em consulta com o paciente e sua família, que devem ser informados dos riscos. Mas a militância bolsonarista politiza até terapia em pandemia (que de resto ignora). Segue, obediente e agressivamente, na sua marcha da insensatez.

Carlos A. Idoeta arlosidoeta@yahoo.com.br

São Paulo

*

CIÊNCIA E ACHISMO

É compreensível que a população, amedrontada pela agressividade da covid-19, esteja ansiosa pelo surgimento de um medicamento curador desta doença o mais rápido possível. É preciso ficar claro, entretanto, que este medicamento ainda não existe. Todas as drogas existentes no mercado, consagradas para uso em diversas doenças, passaram por um processo científico complexo, rigoroso e demorado até atingir não só a validação, mas também a segurança necessária para uso, pois os efeitos colaterais podem ser muito maiores que os benefícios. Não pode ser diferente com a cloroquina para eventual tratamento do coronavírus. A comunidade científica é clara quando diz que, pela agressividade da pandemia, esse medicamento pode ser usado em casos selecionados, como experimentação, mas não há ainda evidências quanto à sua real eficácia e segurança. O exemplo recente da fosfoetanolamina, lançado irresponsavelmente como curadora do câncer, sem evidências válidas, foi um dos maiores absurdos científicos da nossa história. Não há sentido algum, portanto, em o presidente Jair Bolsonaro achar voluntariosamente que a cloroquina funciona simplesmente porque ele quer ou porque um médico admitiu ter tomado a droga. Isso não é ciência. É achismo. Se, como diz o ditado popular, “de médico e de louco todo mundo tem um pouco”, Jair Bolsonaro tem muito...

Luciano Harary, médico lharary@hotmail.com

São Paulo

*

DEBATE POBRE

O combate ao coronavírus no Brasil está envolto por um debate pobre: de um lado, o presidente da República; e, de outro, a comunidade científica e seu próprio ministério. Não se estimula a população ao controle rigoroso das comorbidades (diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, hepáticos, renais, etc.), que impede a progressão do vírus. Talvez porque a maior parte da população não tenha acesso aos médicos e aos medicamentos de ponta que as estabilize. Também os óbitos são apontados apenas em números e pontos geográficos. Mortes lancinantes e dolorosas, mas não é dito se os hospitais lançam mão de recursos analgésicos para ensejar aos infelizes, no mínimo, alguma amenização e dignidade terminal.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

*

SABOTAGEM

Os sabotadores do governo de Bolsonaro: 1) os governadores: não tomam uma iniciativa para reduzir as despesas de custeio e tentam se valer da situação de epidemia para receber dinheiro e crédito para “fazer desaparecer pendências”, ou seja, repassá-las para os contribuintes; 2) os governadores têm apoio no Congresso para esta desavergonhada manobra. O Congresso barra o repasse do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral para o combate ao coronavírus. Tem apoio no Supremo Tribunal Federal (STF) para isso. E também barra a redução dos proventos de servidores. 3) A imprensa não condena nem uma nem outra atitude. Mas critica o discurso do presidente da República por defender o emprego de remédio usado por médico. 4) A elite que se considera “culta” permanece omissa: quem cala consente. Governadores, Congresso e imprensa julgam que sairão incólumes diante do julgamento da cidadania. A sabotagem é contra a sociedade.

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

*

NECROPOLÍTICA

Trump, Merkel, Macron, Boris Jonhson, Putin, Fernández, López Obrador, Shinzo Abe, Pedro Sánches, Sebastian Pinera, Giuseppe Conte e todos os líderes responsáveis do mundo dizem: “Fiquem em casa”. Bolsonaro diz: “Devemos voltar à normalidade”, “os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o seu pão de cada dia”. Quando no Brasil os cadáveres forem contados aos milhares, devemos nos lembrar disso.

José Tadeu Gobbi tadgobbi@uol.com.br

São Paulo

*

SOCORRO ÀS SANTAS CASAS

A promessa do governo de oferecer empréstimo de R$ 5 bilhões às Santas Casas, como decidiu em 27 de março, está fazendo água... O presidente da Confederação das Santas Casas, Mirocles Véras, está decepcionado (Estadão, 8/4, A2). E diz que esses recursos, mesmo sendo insuficientes para enfrentar a epidemia do coronavírus, tem processo de liberação lento e burocrático, além de ainda precisar de autorização do Ministério da Saúde. A Caixa Econômica federal, responsável por repassar estes R$ 5 bilhões, enxerga, infelizmente, esses hospitais filantrópicos que atendem quase a maioria dos pacientes do SUS, como se fossem um cliente comum que pode esperar, e não um caso emergencial. O banco faz mil exigências de garantias, exige que transfiram suas folhas de pagamentos para a Caixa e até condiciona a liberação à compra de plano de seguros para premiar a atuação do gerente. Uma humilhação! Ou seja, como diz Véras, o que deveria ser um socorro se tornou um produto inacessível para os 2.100 hospitais filantrópicos que há mais de 500 anos atendem o povo brasileiro sem que recebam pelos serviços prestados um valor justo e adequado. Não é por outra razão que carregam uma dívida monstruosa de R$ 24 bilhões. E neste caos da epidemia o número de pacientes só aumenta. Enquanto isso, o governo, lerdo e improdutivo, silencia, como se não tivesse nada que ver com a saúde dos brasileiros.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

*

OS BANCOS NA CRISE

Bancos já receberam 2 milhões de pedidos de renegociação (Estadão, 7/4). Dois milhões de pedidos de clientes pedindo ajuda aos bancos para renegociação de dívidas, mais prazos e juros menores neste momento difícil que todos estão atravessando. A grande dificuldade dos bancos está no próprio vocabulário bancário, no qual não existe a palavra ajudar.

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

*

CRÉDITO PROIBITIVO

Bancos posam de bons moços na mídia, colocando-se ao lado de empresários, mas por trás das câmeras a história é muito diferente. Não só dificultam acesso a crédito novo, como reduzem limites vigentes há anos para clientes antigos. O Estado de 6/4 publicou reportagem que conta que um empresário disse que, após muito procurar, certo banco lhe ofereceu empréstimo com taxa promocional de juros de 7,6% ao mês. Se isso não enquadra o presidente e os diretores do banco no artigo 4.º da Lei n.º 1.521/51, agiotagem, não sei mais o que seria enquadrado ali.

Lauro Becker bybecker@gmail.com

Indaiatuba

*

TEMPOS DE GUERRA E DE PAZ

Os bancos afirmaram que ajudariam o enfrentamento da crise econômica provocada pela pandemia de coronavírus, porém passaram a não liberar empréstimos, aumentaram os juros e reduziram os prazos de pagamentos para dívidas novas. Assim, a crise atual serve para retirar as máscaras e definir aqueles que, passada a crise, farão jus a um novo arranjo social, político e legal. Quem não quer agora, de modo algum, assumir qualquer ônus social, ou simplesmente assumir um mínimo possível, não participando efetivamente do sacrifício de todos, também não poderá merecer, depois de passada a atual crise, bônus quaisquer e considerações que tradicionalmente são concedidas àqueles que realizam funções sociais importantes e indispensáveis. Quem sabe, e finalmente, haja então uma melhor tributação e uma maior socialização sobre os lucros destes bancos, tão pouco solidários com a sociedade em tempos de guerra, mas da qual retiram seus extraordinários ganhos em tempos de paz?

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

*

TRIBUTAR GRANDES EMPRESAS

“É possível que as grandes empresas tenham de pagar mais tributos” (Estadão, 9/4, B4). Palavras não faltam para classificar a ideia de Octavio de Lazari, presidente do Bradesco: exótica, peculiar, bizarra, brilhante. Tudo será resolvido com aumento dos tributos das grades empresas. Parece que estamos num novo mundo, a empresa é tributada e não repassa tais tributos para seus preços. Como um presidente de um banco tem a desfaçatez de apresentar tal proposta?

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

*

OPORTUNISMO

O Itaú fechou cerca 400 agências em plena pandemia, mas não poderíamos estar surpresos, pois se existe uma instituição aproveitadora, sem função social, que multiplica seus lucros ano após ano e ainda cobra juros de mais de 300% no cartão, estes são os intocáveis bancos no Brasil, um país onde, com mais de 200 milhões de habitantes, apenas cinco bandeiras tomam conta de todo o sistema bancário.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

*

ENCONTRO MARCADO

A urgência das medidas sanitárias e econômicas prevalece sobre toda e qualquer outra consideração sobre a pandemia no momento.  É, contudo, indispensável registrar que temos todos nós, brasileiros, um encontro marcado mais adiante com realidades que sempre preferimos ocultar: a carência de recursos humanos e o sucateamento da estrutura material do SUS; a inadmissível situação de saneamento básico no País, um horror medieval; os ultrajantes lucros dos nossos bancos e, em paralelo, suas exorbitantes taxas de spread/juros para crédito (que sempre tentam justificar com histórias da carochinha), sem iguais no planeta – tudo isso num oligopólio de meia dúzia que faz o que quer com 210 milhões de brasileiros; os privilégios sem fim das castas mais poderosas do funcionalismo público, em oposição à enorme maioria do funcionalismo mais humilde, dos trabalhadores da iniciativa privada e dos micro e pequenos empresários, que correm todos os riscos e não têm qualquer garantia. E, por fim, outro encontro marcado, este dos 7 bilhões de pessoas no planeta: o comércio legal e ilegal de animais silvestres, coisa desumana, abominável, enormemente prejudicial ao meio ambiente e que dizima espécies, movido por crendices populares sobre supostos poderes curativos. A necessidade de proteína animal pode e deve ser satisfeita com a criação dos animais comuns e normais, domesticados há milênios, sempre em condições adequadas, sem crueldade, sem imundície, sem abuso de hormônios e de antibióticos. Se a cultura de alguns povos tiver de mudar, que mude, já e para sempre; o que não dá é para o mundo inteiro pagar a conta.

Flavio Calichman ibracal@uol.com.br

São Paulo

*

GOVERNO REPUBLICANO

Estadão de 9/4/2020 trouxe entrevista com o presidente da General Motors na América do Sul, em que ele aponta as dificuldades que as montadoras estão passando com a crise do coronavírus e no que o governo pode ajudar (‘Sem resolver o problema da liquidez, empresas vão começar a quebrar’, diz presidente da GM). Apesar dos tropeços do governo Bolsonaro, em especial provocados pela ala ideológica, ou seja, os olavistas, há que reconhecer que pleitos como os das montadoras são tratados neste governo de forma republicana. Nada de exigir contrapartidas como doações ao partido ou “ajuda” aos amigos, como costumava ocorrer em governos anteriores.

Marcos Lefevre lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

*

A CRISE E OS SINDICATOS

Depois de mais uma incrível, fantástica e extraordinária (?) decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF) – aquele que fatiou o impeachment da inesquecível Dilma Rousseff ­– autorizando que os sindicatos interfiram na relação direta entre empregados e empregadores, foi noticiado que algumas dessas entidades já cobram taxas das empresas para anuírem os acordos de flexibilização trabalhista cuja finalidade é evitar demissões – isso neste grave momento que o Brasil e os cidadãos brasileiros estão passando e sofrendo. Aqui me vem um pensamento: considerando que a Justiça está libertando dos presídios inúmeros criminosos para que estes não sejam infectados pela covid-19, será que estas vagas, não poderiam vir a ser imediatamente ocupadas pelos dirigentes oportunistas sindicais que estão extorquindo os empresários? Em tempo: considerando que tais vagas nas cadeias não devem ficar ociosas, por uma questão de humanidade creio que seria possível isolá-las visando a que os ocupantes não se exponham aos vírus, o que obviamente implica não receber visitas.

David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo

*

ACORDO NA CRISE

Ricardo Lewandowski, pelego de sindicato.

Oscar Seckler Muller oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo

*

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO

Ontem se relembrou a morte de Jesus, que veio ao mundo – então dominado pelo egoísmo e poder de uns poucos, que se consideravam os donos da vida de seu povo – para despertar a semente do amor, que faz cada um atuar com respeito ao outro. Este amor, ao longo da História, vem sendo com frequência dominado pelo egoísmo, pela vaidade, pela ganância, pelo poder, pondo em risco a vida de bilhões de humanos e destruindo o sentido da vida, revelado pelo potencial existente em cada um de nós. O surgimento do desconhecido coronavírus parece ser um grande puxão de orelha na humanidade, para que cada um de nós desperte, passe a respeitar o próximo, e os governantes, políticos e homens públicos despertem, deixem de lado a política e passem a assumir suas responsabilidades no atendimento das necessidades e do bem-estar de seu povo.

Fábio Ribeiro da Silva fabio.r.silva@uol.com.br

São Paulo

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.