Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Errou feio

Ao afirmar que “as incertezas que cercam o enfrentamento, por todos os países, da epidemia de covid-19 não permitem um juízo seguro quanto ao acerto ou desacerto de maior ou menor medida de isolamento social”, sinalizando, dessa forma, que o presidente Jair Bolsonaro teria o poder de decidir sobre o momento oportuno para maior ou menor distanciamento social, o procurador-geral da República, Augusto Aras, parece não ter entendido que a única certeza que a comunidade científica tem neste momento, com base no comportamento da doença no planeta inteiro, é a de que os países que demoraram a adotar a quarentena foram justamente os que mais sofreram e estão sofrendo até agora. Ou seja, o distanciamento social funciona, sim, sem dúvida, e seu manejo é uma questão técnica, e não política, posição esta defendida pelo Supremo Tribunal Federal na pessoa do ministro Roberto Barroso. Errou feio o procurador.

LUCIANO HARARY

LHARARY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Preço a pagar

O dr. Augusto Aras realmente comete um erro grave ao enfatizar os dados que levam a mudanças periféricas de entendimento a respeito dos elementos da pandemia, em vez de enfatizar o pensamento hegemônico na comunidade científica a respeito da prevenção contra a covid-19. Ninguém questiona que o afastamento social e o isolamento são as melhores formas de atrasar as contaminações e de evitar o colapso do sistema de saúde. O que se discute é o preço a pagar na economia por conta desse isolamento. Se for para liberar a convivência, que fique claro por que as pessoas estarão morrendo. E o mesmo seja feito se a decisão for contrária.

MARCELO KAWATOKO

MARCELO.KAWATOKO@OUTLOOK.COM

SÃO PAULO

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Economia x saúde

Na atual conjuntura a opção que se discute é o bolso ou a vida. Prefiro a vida!

CARLOS ALBERTO ROXO

ROXO.SETE@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Negação da realidade

Se o populismo der certo, vai dar errado. Relaxar o isolamento, na melhor das hipóteses, demonstra o desinteresse ou a ignorância de parte dos mandantes e autoridades do que aconteceu e está acontecendo mundo afora. Mas não parece tratar-se disso. Tudo indica que a negação da realidade é mais um fruto do puro populismo, mais uma aposta no quanto pior, melhor para tirar vantagem própria. Se por uma ironia do destino a covid-19 não matar aqui como tem feito nos países e localidades que não intensificaram a quarentena, o Brasil correrá o risco de ter populistas “heróis”, o que nos decretará um futuro funesto, aí, sim com um empobrecimento lento, doloroso e mortal.

ARTURO CONDOMI ALCORTA

ARTUROALCORTA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Precisa desenhar?

Votei no presidente contra o PT, sou do grupo de risco e não quero morrer! Será difícil entender algo tão simples?

CÁSSIO MASCARENHAS DE R. CAMARGOS

CASSIOCAM@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Lições da covid-19

A História relata diversos casos em que insetos foram usados como armas biológicas. Obviamente, a covid-19 não requer um inseto como vetor, tal como a dengue, a febre amarela e outras moléstias de ainda difícil controle em nosso país. Nesta pandemia, o vetor é o próprio ser humano. A covid-19 é uma doença que demonstra eficácia em causar morte, destruição econômica e miséria. A lição a tirar desta tragédia é a imprescindibilidade de se desenvolver uma infraestrutura de saúde pública forte que possa ser usada para responder prontamente ao advento acidental ou nefasto de um novo patógeno.

JOÃO MANUEL MAIO

CLINICAMAIO@TERRA.COM.BR

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

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Complicador burocrático

Os burocratas dos governos nas três esferas têm seus salários garantidos no fim do mês e não estão nem aí para o tempo, empurram com a barriga os trâmites urgentes para abrandar os problemas sociais do vírus famoso. Segundo Herbert de Souza, o Betinho, “quem tem fome tem pressa”. O sistema de aprovação e deferimento dos processos administrativos precisam ser simplificados ao máximo. Não é possível criar um conjunto de regras fundamentado na desconfiança da honestidade dos cidadãos. As normas emperram a máquina de tal forma que o tempo que se gasta para provar que tudo está certo é fundamental para evitar mortes e tragédias. O tempo é dinheiro, sim. Mas é também a salvação de vidas e da harmonia na sociedade.

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI

MARIONEGRAO.BORGONOVI@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Queda do PIB

Relatório do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) sobre a América Latina e o Caribe prevê queda de 5% no produto interno bruto (PIB) brasileiro neste ano. Nos dois últimos anos do desastrado governo da gerentona Dilma, o PIB caiu 7,3% e o vírus daquele momento chamava-se PT.

J. A. MULLER

JOSEALCIDESMULLER@HOTMAIL.COM

AVARÉ

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Solidariedade

Excelente a notícia no Estadão de ontem de que imigrantes brasileiros ilegais estão recebendo ajuda nos EUA (A6). Nela se constata a existência da solidariedade para auxiliá-los a enfrentar as dificuldades advindas do coronavírus. É muito reconfortante saber que nos momentos mais difíceis sempre aparecem pessoas solidárias para prestar socorro. Só posso cumprimentar e dar o meu apoio irrestrito a todos os que se dispõem a ajudar os semelhantes nas horas de necessidade. Parabéns!

LUIZ ROBERTO COSTA

LRCOSTA1@AOL.COM

SÃO PAULO

ESCÂNDALO

 

Escandalosamente, faltarão leitos em UTI para todos os doentes graves de covid-19. Escandalosamente, jamais houve, até então, escândalos quaisquer quando, por exemplo, doentes de câncer do SUS só conseguiam marcar exames para depois de um ano, ou quando doentes terminais de insuficiência renal tinham de viajar – e ainda têm – centenas de quilômetros para hemodiálises semanais. Ou seja, escândalo por escândalo, qual deles é o pior, aqueles que causam exaltações, sob as luzes dos holofotes, ou aqueles outros que jamais despertaram sentimentos tão exaltados, piedosos e humanitários, em tempos de normalidade política e de paz entre os grupos de interesse político atuantes?

 

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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VOO CEGO

 

O Estado de São Paulo tem 30 mil exames de coronavírus à espera de resultado. O problema é que a falta de testes e a demora na análise das amostras colhidas atrapalham o controle do surto, por não se ter em tempo real os números da circulação do vírus e, também, por não permitir saber se a transmissão está desacelerando ou não, como colocou a dra. Ana Freitas Ribeiro. Estamos num voo cego. O sistema de saúde no País está falido. É claro que não se quer que o Brasil esteja equipado para uma situação desta. Nenhum país do mundo está, mas no caso do Brasil, é mais grave. Máscaras tiveram de ser encomendadas no exterior. Respiradores, também, além de outros insumos. Por que essa dependência do exterior? Não temos estrutura para nada. Nem para fazer um simples curativo com BandAid. Temos um SUS sucateado. Isso explica por que governadores e prefeitos decretaram quarentena, restrição de circulação, etc. Porque não existe condição nenhuma de atender. Esses exames à espera de resultado distorcem completamente a estatística sobre a epidemia.

 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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SUBNOTIFICAÇÃO

 

As notícias que chegam nos dizem que em São Paulo há mais de 30 mil testes da covid-19 sem que se saiba o resultado e que muitas das pessoas que fizeram esses testes já morreram e estão enterradas sem que tenham entrado nas estatísticas. Essa subnotificação está provocando nas pessoas a impressão de que a pandemia não é grave, e já temos metade do pessoal nas ruas. Nosso governador deveria tomar providências a respeito.

 

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

 

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VALE TUDO

 

Neste período de “choro e ranger de dentes” por que estamos passando, podemos observar pelo noticiário que estão ocorrendo várias pendengas, verdadeiras masturbações verbais, que só têm servido para confundir os pobres mortais, como eu, que as presencia. Uma delas diz respeito ao questionamento que se faz ao dado oficial sobre o número de infectados pelo corona. Diversos locutores de televisão e outros jornalistas são unânimes em insinuar que o número divulgado é irreal, pois na verdade esse número seria muito, imensamente, terrivelmente maior – todas opiniões baseadas em “achismos”. Uma possibilidade objetiva pode ser inferida de um dado publicado na semana passada no Estadão (9/4, A10), quando informa que “desde o primeiro caso do novo coronavírus no País, foram 31.541 internações, das quais 11% foram pela covid-19”. Logo, os internados em razão do vírus são cerca de 3.500. Por outro lado, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que de todos os infectados apenas 20% são hospitalizados (internados), e daí se conclui que o número total de infectados (100%) é 5 vezes maior do que estes 3.500, ou seja, cerca de 17.500 infectados, número que não difere muito do dado oficial divulgado no dia 8/4, de 15.927. Quem não concordar, que apresente outra estimativa objetiva melhor. A segunda polêmica ocorre com relação ao medicamento contra malária, que tem apresentado resultados animadores e está em fase final de testes para que possa ser incluído no protocolo de terapia da covid-19. De um lado estão o presidente da República, seus assessores e alguns poucos médicos que são favoráveis ao emprego da droga de imediato. De outro, a maior parte da comunidade (ou corporação) médica, que é contrária à sua utilização sem o término dos testes e sua conclusão (se é realmente eficaz e se não tem efeitos colaterais danosos). Essa situação me faz lembrar um fato ocorrido com um querido tio há uns 60 anos. Ele teve um câncer bravo, bravíssimo, na época: um linfoma que, como o nome indica, atinge todo o sistema linfático e que em seis meses o matou. Quem cuidou dele nessa doença foi o maior médico que já conheci, em conhecimento médico, humanismo e em dedicação. Foi o saudoso dr. Piero Manginelli. Os bam bam bans de hoje, que aparecem no noticiário sempre que uma personalidade da República é internada nos hospitais de ponta em São Paulo, não chegariam à sola do sapato do dr. Piero. Durante meses, pelo menos duas vezes por semana eu ia buscá-lo em seu consultório para vir até a casa de meu tio examiná-lo. Depois de cada visita, no caminho de volta, ele me punha a par da situação da doença de meu tio. Um certo dia, voltando, ele permaneceu calado por um bom tempo, o bastante para que eu percebesse que a coisa estava feia. De fato, ao chegar à casa dele, o doutor me confirmou que o fim estava próximo. Voltei arrasado e logo avisei meu pai, que informou toda a família até que a má notícia se espalhou. Então começaram a aparecer amigos sugerindo tratamentos alternativos como o de um médico em Taubaté que desenvolvera um remédio na base de casca de Ipê ou outro que fez uma droga com pó de barbatana de tubarão, etc. Numa das últimas ou na última visita, eu perguntei a ele se poderíamos ministrar esses remédios, ao que ele respondeu: “Podem dar o que vocês encontrarem”. Traduzindo, ele deixou claro que não acreditava nessas terapias, mas que poderíamos tentar e, eventualmente, ter sucesso. É o caso desta hidroxicloroquina ou do tratamento com plasma de pacientes curados da covid-19. Estamos em guerra! Vale tudo para tentar conter este vírus miserável! O argumento de que esses remédios podem causar efeitos colaterais me parece ridículo. Que importa se um candidato ao crematório sofrer câimbras, azia ou outros efeitos quaisquer decorrentes de medicamentos que tomar ante a possibilidade de sobreviver? Por favor, “doutores do estetoscópio”, mais bom senso.

 

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

 

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UM PÉSSIMO CABO ELEITORAL

 

Preocupa a notícia de que quem adoece gravemente pelo coronavírus tem de ficar em respiração assistida por mais de 20 dias – senão morre – e que muitos equipamentos estão avariados. Pelo menos é o que se entende ao ver os governos buscando parcerias com escolas técnicas e empresas capacitadas ao reparo. A pandemia chegou e, entre outras coisas, demonstra que não temos um bom serviço de saúde, apesar de descrito na Constituição como “direito de todos e dever do Estado”. A ocupação de vagas é total e pacientes graves são obrigados a esperar na fila, onde morrem por falta de assistência. Se vierem muitos doentes do chamado “vírus chinês”, fatalmente morrerão. São Paulo e Rio de Janeiro, maiores pontos de infecção, precisam admitir que não fizeram a chamada lição de casa e seus sistemas são frágeis. Governos, setor de saúde e a sociedade precisam agir equilibradamente para evitar altos índices de alastramento do corona e, também, a instalação do vírus da miséria, decorrente do recesso nas atividades econômicas, que também poderá matar. O momento exige equilíbrio e ação. E uma observação: pelo rastro que pode deixar, o coronavírus não tem cara de um bom cabo eleitoral para as próximas eleições nem para as de 2022. Pensem nisso, senhores pré-candidatos, e trabalhem hoje na certeza de que o futuro a Deus pertence.   

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

 

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PÃO E CIRCO

 

No jornal dos últimos dias leitores sugeriram ao poder público a utilização de hospitais que já existem mas estão fechados, com parte do dinheiro a ser gasto na construção de hospitais de campanha. Citam o Sorocabano e o Pan-americano como exemplos. Outros locais também poderiam ser utilizados: indico um imenso prédio e seus anexos chamado Fábrica do Samba, que ocupa uma área imensa próxima da Ponte da Casa Verde. O município de São Paulo gastou uma fortuna para construí-la, em local nobre. O Sambódromo é outro local que poderia ser usado pelas mesmas características. Construções que agradam aos foliões, mas nem todos os munícipes, que também pagaram pelas obras. Duas construções feitas para serem usadas apenas uma vez por ano, feitas na tentativa de cativar eleitores. Lembram o pão e circo do império romano.

 

Nelson Augusto Rigobelli nrigobelli@uol.com.br

São Paulo

 

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TRÁGICO ESPETÁCULO

 

O coronavírus está nos permitindo conhecer os repulsivos bastidores do mundo político brasileiro. Desde o início da pandemia, abriram-se as cortinas para um espetáculo sórdido, cujo enredo é nossa sobrevivência biológica e econômica. Na representação, com séculos de ensaio, os atores, ora no papel de anjos, ora no de diabos, desnudam seu verdadeiro caráter. Nós, na plateia, de quarentena e na incerteza de um acolhimento hospitalar adequado no caso de contaminação e complicações, assistimos a uma peça trágica, com todos os atores buscando o troféu maior: ganhar as próximas eleições. Nós? Ora, devemos aplaudir e votar, claro, naqueles que melhor atuarem nesta ópera bufa. Já passou da hora de, efetivamente, reformarmos este teatro chamado Brasil.

 

Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto

 

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ADIAMENTO DAS ELEIÇÕES

 

“É possível ter que fazer esse adiamento”, diz Barroso sobre eleições. Juntamente com as eleições para presidente, senadores e deputados em 2022. Quão imensa não seria a economia de dinheiro, de tempo e deslocamento da população na fase atual? O fundo eleitoral deveria ser aplicado no combate à covid-19.

 

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

 

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QUEDA DE BRAÇO

 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi entrevistado pela TV Globo no domingo e exigiu “fala única” do governo sobre a questão do coronavírus, além de dar um recado ao povo, “ou vocês acreditam no ministro ou no presidente”, praticamente selando seu destino na gestão Bolsonaro. Em qualquer disputa, a corda sempre arrebenta no lado do mais fraco.

 

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

 

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MANDETTA QUER SAIR EM VANTAGEM

 

Quando desponta na política tupiniquim um indivíduo que passa uma imagem diferente do que estamos acostumados, como parecia o ministro Mandetta, com imagem de seriedade e competência no trato contra a peste do coronavírus, logo seu comportamento muda, e, sentindo-se estrela e sonhando alto, desafia o presidente Bolsonaro, que não concorda com seu método de combate e mostra isso quase diariamente, tratando-o de forma humilhante, mas não o demite porque ele sairia em vantagem. Daí fica a pergunta: se o presidente não concorda com o ministro, por que não o demite e toma para si a responsabilidade desta missão de vencer o combate contra o vírus? Se demitir, troque por alguém que pensa como ele, aquele corvo pousado em seu ombro babando pelo cargo. Quanto a Mandetta, o momento propício para se demitir seria agora, sob a alegação de não poder continuar no cargo porque o presidente é contrário a ele, o que não o deixa trabalhar como é preciso. Essa hipótese o faria sair em vantagem, porque, se a peste for vencida, dirá que isso começou com ele e seu método de combate que a deixou sob controle. Se não, afirmará que, se tivesse permanecido no cargo, seu método evitaria a derrota, e, com apoio total de seu partido, poderá sonhar alto. Disputar a Presidência? Por que não?

 

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

 

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FORÇANDO A MÃO

 

Especialistas dizem que o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, está “forçando a mão” para ser demitido por Jair Bolsonaro. Ora, se de fato isso ocorre, o presidente terá o mesmo poder do que a rainha da Inglaterra, como muitos já dizem. Aí só falta colocar na linha de tiro – leia-se demissão – o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Afinal, só depois de eliminar todos os que lhe fazem sombra Bolsonaro perceberá que está totalmente nu. Quem viver verá!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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SUSPENSÃO IMEDIATA

 

O presidente Jair Bolsonaro, na Sexta-Feira da Paixão, fez um novo passeio pela cidade de Brasília. O Brasil está passando por momentos muito difíceis neste início de 2020, enfrentando a epidemia do coronavírus e a rebelião do presidente da República. Divergindo drasticamente do ministro da Saúde de seu governo, embora não entenda bulhufas de Medicina, mas, contando com as orações que fez com um pastor, defronte ao Palácio do Planalto, que nos tornou “imunes ao vírus”, empreende uma batalha quixotesca contra a quarentena imposta pela Lei n.º 13.979, de 6/2/2020, sancionada por ele, que trata exatamente de medidas para o enfrentamento de emergência de saúde pública, em razão do coronavírus. Quando o presidente sancionou a lei em questão, não atinou que a nossa economia sofrerá, inexoravelmente, uma perda considerável, o que, aliás, ocorrerá com as das demais nações do planeta. Foi quando se apercebeu de que, com a economia indo mal, suas possibilidades de reeleição, já ínfimas, se tornariam nulas. Egocêntrico por natureza, resolveu lutar contra a quarentena, mas, sem força política para tanto, vem fazendo a sua batalha particular, sob o lema “ninguém vai tolher o meu direito de ir e vir. Ninguém”. Esse direito, de fato, é assegurado pelo inciso XV do artigo 5º da Constituição, porém deve-se atinar para o inciso II do mesmo artigo, que reza “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Neste caso, existe a supracitada lei da quarentena. O presidente não é ingênuo, sabe que influenciará muitos populares a fazerem o mesmo. De fato, o número de pessoas nas ruas tem aumentado, o que certamente fará aumentar o número de atingidos pelo vírus. Bolsonaro deverá responder pelo acréscimo de mortes no Brasil, decorrente de seu ato impatriótico. Ou os demais Poderes da República interferem desde já, afastando-o da Presidência, impedindo tal desatino. Muitos alegam que esse processo será desgastante. Entretanto, em face do grande número de prováveis falecimentos por causa do vírus, tal providência poderá ser acelerada se parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se dispuserem a fazê-lo, para que o presidente seja suspenso por 180 dias de imediato. Tudo de conformidade com a Carta Magna. Depois, se for o caso, o presidente reassume, mas aí o perigo maior já terá passado.

 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

 

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A PARTE DO SUPREMO

 

Aqueles que lidam com finanças públicas sabem que muitos dos superdimensionados orçamentos dos perdulários Poderes Judiciário, Legislativo, dos Tribunais de Contas, etc. quase sempre são elaborados sem critérios técnicos. Sem compromissos com a lógica e com a razoabilidade, a eles são aplicados empíricos e retilíneos porcentuais de reajustes sobre os números do ano anterior. Em razão disso, essas caridosas e generosas instituições, ao fim do exercício financeiro, revertem ao Executivo as “gorduras” e reservas técnicas “hiperestimadas” na Lei de Meios, sem contar que muitos agentes públicos as queimam em despesas supérfluas e desnecessárias para justificar acertos nas previsões pretéritas e futuras. Com o imperfeito e calculado ato, seus gestores “tiram onda” de austeridade e economicidade, dando conhecimento público do feito, ostensivamente. Pois bem, consta das redes sociais que o STF, em meio ao caos econômico pela pandemia da covid-19, abriu uma licitação, orçada em R$ 1,8 milhão, para a compra de cortinas motorizadas do tipo tela solar e blecaute, acompanhadas de caríssimos controles remotos, com instalação de equipamentos. Na cara de pau, o edital diz que os recursos fazem parte do Orçamento-Geral da União deste ano. Daí, indago: por que não reconhecer que essa despesa é inoportuna e imoral, ainda que legal? Faça a sua parte, ministro Dias Toffoli! Enxugue o orçamento da Casa e restitua antecipadamente as suas “gorduras” e excessivas “reservas técnicas”. A luta contra o coronavírus é de toda a Nação, e ao STF não cabe exceção. Copiou, presidente?

 

Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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INCRÍVEL HUCK

 

A conversa de Luciano Huck e Yuval Harari foi leitura privilegiada no Estadão de domingo (‘Precisamos entender que esta é uma crise política e não apenas de saúde’, 12/4, H8). Independentemente de presente, futura e sabida pretensão política, o apresentador sai da sua zona de conforto e da bolha privilegiada da qual muitos de seus pares não ousam colocar um pé para fora e busca profundidade nos temas sociais tão relevantes e caros ao País. Incrível, Huck.

 

Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo

 

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PROMOÇÃO PESSOAL

 

Cumprimentos pela discussão com o intelectual israelense, ele consegue sintetizar perfeitamente o momento, mas, sinceramente, ao dar espaço para Luciano Huck se promover como político, acredito que o Estadão está sendo usado. Em todas as situações em que Luciano se envolve, ele acaba demonstrando o quão pernicioso um político da velha política brasileira pode ser, hipócrita, oportunista e ganancioso. O jornal deve se distanciar o mais rápido possível desta “personalidade” midiática.

 

Duilio Lanzoni duiliolanzoni@gmail.com

São Paulo

 

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DESAFIO

 

A conversa de Yuval Harari com Luciano Huck revelou o tamanho do desafio que se coloca, tanto local quanto globalmente, de encontrar as melhores respostas para as crises social, econômica e de saúde que se apresentam. Isso pedirá pessoas qualificadas, tanto técnica quanto moralmente, para conduzir esses processos que vão definir nosso futuro. Que tenhamos competência para isso. E sorte.

 

Francisco Eduardo Britto britto@znnalinha.com.br

São Paulo

 

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DEPOIS DA PANDEMIA

 

Depois do surpreendente, inaudito e avassalador tsunami da covid-19, será preciso jogar fora não apenas a máscara de proteção contra o vírus, como também a máscara de hipocrisia da sociedade, em nome da construção de uma nova organização social em que o combate à desigualdade social seja uma batalha sem trégua. Com efeito, não se pode mais tolerar viver num mundo em que alguns milhares de privilegiados vivem gozando a boa vida enquanto outros bilhões apenas sobrevivem sem gozo algum. Se o coronavírus foi uma punição divina ou uma maldição demoníaca, não saberemos tão cedo, mas que foi um divisor de era, disso não há nenhuma dúvida: a.C - d.C. Vamos em frente. Depois da quarentena virá a bonança. Quem sobreviver verá.

 

J. S. Decol  decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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O MUNDO PÓS-PANDEMIA

 

O mundo já deveria estar se preparando para a vida pós-pandemia. As companhias aéreas, por exemplo, já deveria estar implantando novos e melhores sistemas de filtragem e desinfecção do ar de suas aeronaves, se quiserem que as pessoas voltem a voar. O mesmo deveria ser feito com os cinemas, teatros e escritórios que dependem de ar-condicionado. Os navios de passageiros terão de se reinventar se quiserem continuar a existir no mercado, navios muito menores e com muito menos densidade de passageiros a bordo podem ter alguma chance. Não é difícil de imaginar que o mundo da moda vai criar máscaras e acessórios incríveis, que serão vendidos ou distribuídos por patrocinadores nos centros comerciais mundo afora. As garrafinhas de álcool gel vieram para ficar nas portarias dos prédios, e por aí vai. Quem não se adaptar às mudanças impostas pela pandemia estará fadado a desaparecer do mercado.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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TEORICAMENTE SIMPLES

 

Enquanto há os que relutam entre evitar o colapso da economia e salvar vidas, existem os de visão “mais ampla”, conforme bem citou Adriana Fernandes, em sua coluna do último dia 11 (Falso dilema), que não se dão ao luxo de entrar em tal discussão. O pós-pandemia é assunto, claro. Qual a saída econômica, então? É, teoricamente, simples: aumente a produção. Para tanto, geração de crédito a ser honrado por empresas e microempresas em tempo hábil maior é essencial, tal qual a manutenção dos empregos. Pagar três meses de salário pode ser mais viável que uma demissão.

 

Valentin Furlan valentinmilanesifurlan@gmail.com

Botucatu

 

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MÁSCARAS DOMÉSTICAS

 

É inadmissível que um país como o nosso não seja capaz de fabricar máscaras domésticas. Temos costureira nas escolas de samba, nas fábricas de jeans, na indústria da moda, etc. Vendemos para a África e toda a América do Sul mercadoria saindo do Brás, em São Paulo. Enorme quantidade de vestidos, calças, blusas, etc., e não somos capazes de fabricar milhares de máscaras em emergência para uso doméstico e para vender nas farmácias? Que falta de iniciativa e de coordenação administrativa. Que falta de visão dessas empresas da área em não  fazer uma quantidade grande de máscaras. São dólares escorrendo pelos dedos que vão para outras nações, quando temos falta de emprego principalmente para mulheres. Ninguém teve essa ideia?

 

Ciro Bondesan dos Santos cirobond@hotmail.com

São José dos Campos

 

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