Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Cartão vermelho

Com base na entrevista que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, concedeu à TV Globo no último domingo, disse o vice-presidente Hamilton Mourão: “Mandetta fez uma falta grave. Merecia cartão” (15/4, A4). Creio que se tenha referido à frase “ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, se escuta o presidente, quem é que ele escuta”, dita por Mandetta acerca do povo brasileiro quanto ao isolamento horizontal. Não entendo que essa frase possa ser considerada um desrespeito ao presidente da República, e sim um desabafo de quem, desanimado, conhece o alcance dessa medida, que a comunidade médica internacional recomenda à população. Visa à proteção especialmente dos mais vulneráveis, mas extensiva aos demais cidadãos, que poderão necessitar de leitos hospitalares por causa da covid-19 ou por outras emergências. O efeito prático dessa divergência pude constatar anteontem ao me dirigir ao meu consultório, ontem confirmado pela diminuição para 50% do respeito à quarentena. Certamente, na dúvida por não se saber quem ouvir. Pela leitura atenta das páginas da mesma edição do Estadão, fica convalidada a posição do ministro da Saúde.

ANTONIO CARLOS GOMES DA SILVA

ACARLOSGS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Pontos de vista

Segundo o general Mourão, o ministro Mandetta fez uma falta e merecia cartão. Já segundo os brasileiros, Mandetta pode fazer muita falta e merecia mais consideração.

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Valeu a falta

Embora tendo grande apreço pelo general Hamilton Mourão, devo dizer que discordo de S. Exa. quando diz que o ministro Mandetta cometeu grave falta. Gostaria de lembrar-lhe que um governo civil não segue as mesmas de regras de obediência de um sistema militar. Assim sendo, se a “falta” cometida, segundo os seus padrões, teve o propósito de salvar quiçá milhares de vidas, orientando a população a permanecer em isolamento social, em consonância com a Organização Mundial da Saúde (OMS), devemos agradecer que assim o tenha feito.

ELIANA FRANÇA LEME

EFLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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No front

Nesta pandemia, nas quarentenas e nos isolamentos, nos hospitais e UTIs, todos se sentem como soldados na frente de batalha. Na guerra tradicional o inimigo está no front, escondido em cada colina, cada moita ou em trincheiras e casamatas. Hoje, para todos nós, o terror é ainda maior, o inimigo invisível pode estar em qualquer canto: nas ruas, nos prédios, nos elevadores, nos vizinhos e até dentro de casa, se alguém for hospedeiro do inimigo e os outros moradores não souberem. Uma encomenda entregue tem de ser tratada como uma mina explosiva, para desarmar o inimigo que ela possa conter. É horrível pensar que a qualquer momento podemos ser atacados, com consequências que podem ser fatais. Nunca sentimos a morte tão próxima e iminente. Mais desesperador ainda é ter de separar-se de um ente querido contaminado, que vai para o hospital, não pode ser visitado e talvez nunca mais possa ser visto. Morrendo lá, nem mesmo pode ser velado. Assustador! As imagens das UTIs, com os abnegados médicos, enfermeiros e auxiliares em atendimento frenético a todos os pacientes, lembram cenas de hospitais das linhas de frente, nas guerras. Um pavor! É, estamos vivendo uma guerra global, em todos os continentes. Esta pode, realmente, ser considerada a terceira guerra mundial.

JOSÉ CLAUDIO MARMO RIZZO

JCMRIZZO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Lockdown

Segundo o Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde (Nois), os registros oficiais da covid-19 do Ministério da Saúde representam apenas

8% do número real. Estão subavaliados. Os números verdadeiros seriam até 12 vezes maiores, o que os elevaria a 300 mil. Se isso for confirmado, é caso de pensar em lockdown. Ao menos nos Estados com mais casos.

PANAYOTIS POULIS

PPOULIS46@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Molecagem

Diante da angústia e do sofrimento causados por esse vírus que assola não só o nosso país, mas o planeta, é, no mínimo, chocante ver políticos e também não políticos se bicando e se provocando como moleques, enquanto pessoas de todas as idades e estratos sociais morrem, apesar do sacrifício pessoal de médicos e equipes inteiras de enfermagem, que muitas vezes se veem obrigados a lutar contra esse mal sem as armas que poderiam fortalecê-los e evitar, quem sabe, mais internações e mortes. Lamentável também o comportamento de alguns responsáveis por estabelecimentos comerciais que, num momento de luto para tantas famílias, não conseguem pensar em nada além de seus próprios lucros financeiros.

VERA AUGUSTA VAILATI BERTOLUCCI

VERAVAILATI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Tempo livre

Parece que esta quarentena está fazendo as pessoas terem tempo para acompanhar o movimento dos políticos que elegeram. Teremos efeitos saneadoras nas próximas eleições.

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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Desvios do caminho

Pena que esta situação global encontre um Brasil tão fragilizado, tão no fundo do poço econômico, social, cultural e diria até espiritual. Tiraríamos de letra se fôssemos aquele Brasil que imaginávamos e quase alcançamos, mas se perdeu na estrada... Vamos conseguir reencontrar o caminho?

FRANCISCO EDUARDO BRITTO

BRITTO@ZNNALINHA.COM.BR

SÃO PAULO

R$ 40 BILHÕES A MAIS


O socorro do governo federal aos Estados e municípios foi aprovado na Câmara dos Deputados com um reajuste a maior de R$ 40 bilhões. 50% a mais. Talvez esse aumento de 50% sirva para suprir um suposto compromisso tácito, que é o retorno, que governadores e prefeitos terão de fazer para cobrir as despesas de assessoria financeira, para alguns parlamentares. Será?


Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo


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ALÉM DO JUSTO


A ajuda aprovada pela Câmara aos Estados além do justo reacendeu a querela entre Legislativo e Executivo. A ajuda seria de R$ 89,6 bilhões. Paulo Guedes, ministro da Economia, trabalha com o presidente Bolsonaro para bloqueá-la. Querelas à parte, o momento econômico do País não comporta extravagâncias não compatíveis com a sobra do Tesouro. Enquanto a pandemia espalha seu pavor pelo mundo, nós, terceiro-mundistas, estamos piando no calo dos chineses, nosso maior comprador e vendedor. A forma como cada um enfrenta esta praga, pior do que uma guerra de mísseis, é o enfrentamento da chegada dos cavaleiros do apocalipse. “Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” (Apocalipse 22:1).


Jair Gomes Coelho jairgcoelho@gmail.com

Vassouras (RJ)


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SOCORRO DE R$ 89,6 BILHÕES


O governo brasileiro, sem coordenação política e sem propostas objetivas, mais uma vez abriu espaço para o protagonismo do Congresso neste difícil momento da Nação. A Câmara fez bem em aprovar ajuda de R$ 89,6 bilhões para Estados e municípios, para compensar a provável queda de arrecadação de ICMS e ISS (que têm parâmetros do exercício de 2019) neste período crítico de drástica redução da atividade produtiva no País, em razão da pandemia do coronavírus. Agora, o projeto segue também para votação no Senado. Mas o Planalto, jogando para a plateia, já fala em vetar essa importante medida, que pode permitir a manutenção dos serviços vitais à população nos Estados e municípios. E não faltaram demagogia e blefe do governo dizendo que o valor da proposta da Câmara poderia chegar a R$ 200 bilhões, o que provocaria um grande rombo nas contas públicas. Na verdade, Jair Bolsonaro não está preocupado com o caos instalado, de complexa solução. Longe de ser uma “gripezinha”, a covid-19 já matou mais de 120 mil pessoas, infectando quase 2 milhões pelo mundo, incluindo no Brasil. O presidente está tranquilo, mesmo porque em meio a esta pandemia certamente não vão faltar recursos para pagar o salário de servidores federais, incluindo os do Planalto, além dos penduricalhos, planos de saúde, auxílio-paletó, gasto com cartão de crédito pago pelo contribuinte – que o presidente se recusa a revelar valores –, etc. Nesse sentido, nada melhor que ajudar os Estados e municípios que têm a responsabilidade constitucional de prestar serviços praticamente a todos os 210 milhões de brasileiros.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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A CONTA É NOSSA


Alguns governadores tomaram decisão de isolamento social total implicando uma paralisação sem precedentes da economia do País. Com esse ato, os impostos incidentes sobre mercadorias e serviços foram praticamente zerados. No caso dos Estados, o ICMS, seu maior sustentador, e no caso dos municípios, o ISS, também seu sustentador, deixaram de ser recolhidos. Decisão tomada implica assunção de responsabilidades, inclusive a financeira. Cessou a entrada de recursos. Aí vem o Legislativo federal, dominado por um presidente que tem 2.º grau incompleto, e por conta disso dificuldades para entender como funciona a economia, e – talvez por isso mesmo – leva a cabo projeto que impõe ao governo federal pagar a conta. Governo, seja de qual esfera for, não tem recursos, o que eles manuseiam são recursos advindos de impostos, portanto o contribuinte é quem arca com essa responsabilidade. Até quando esses políticos abusarão de nós, contribuintes? Não seria de bom alvitre que o presidente da Câmara tivesse uma melhor orientação, afinal com a escolaridade que tem lhe é difícil de entender certas coisas, e mostrar a ele que o acinte que ele está cometendo cai mais uma vez naquele que ele deveria representar? Não deveria ser cobrado desse mesmo presidente que se encerrem essas votações de liderança? Não é possível que um Parlamento trabalhe sem respeitar a representatividade, e votação através de lideranças cospe nesse preceito democrático. Chega de irresponsabilidades. Chega de abusos.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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‘PEQUENO AJUSTE’


Não bastasse o novo coronavírus, o Congresso cometeu o crime em aprovar o Plano Mansueto. Anteriormente, um auxílio inteligente e extremamente necessário, a proposta sofreu um “pequeno ajuste” pelos congressistas e os Estados não precisarão praticar a recessão proposta por Guedes e Mansueto. Presidente Bolsonaro afirmou ser uma “bomba” e é difícil não concordar. Esse mesmo Congresso que não liberou o fundo partidário, que faria importante contribuição para a Saúde, dá aval, agora, às unidades federativas receberem empréstimos a baixos juros e com repasse do ICMS sem necessitar interromper o excesso de gastos. Por que não interromper os salários de vereadores, por exemplo? Lamentável. Quebrarão a cara. Bolsonaro vetará conscientemente o projeto.


Valentin Furlan valentinmilanesifurlan@gmail.com

Botucatu


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DÍVIDA PÚBLICA


Não devemos nos preocupar exageradamente se a dívida pública do País atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB). Vários países do Primeiro Mundo têm dívida pública maior que isso. O que sempre li e ouvi é que o problema são os juros cobrados por ela e os prazos para pagamento, o que tudo indica, não são mais como antes e devem cair ainda mais no curto e médio prazos. Daí meu raciocínio. Vivam Paulo Guedes e Roberto Campos Neto...


Márcio da Cruz Leite marcio.leite@terra.com.br

Itu


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‘STATUS QUO’


A presente pandemia e as medidas restritivas que os gestores estão tomando para impor o distanciamento social, único remédio até agora comprovadamente eficaz contra a propagação, mostram, de maneira cristalina os inchaços da sociedade que, até então mantidos sob relativo controle, passam agora a emergir em toda a sua plenitude. Assim, a enorme desigualdade, trazendo na sua esteira péssimas condições de habitabilidade em muitas comunidades pobres de vários Estados da Federação e a dramática deficiência de saneamento básico são tragédias cujas soluções são sempre lembradas por ocasião das campanhas por votos, mas sempre empurradas com a barriga pelos governantes depois de empossados. Por outro lado, o infame senso de oportunismo de nossos políticos os leva, neste momento de crise, a assumir a dianteira na ribalta, não para resolver os problemas reais do povo, mas para digladiar, na expectativa de que o butim resultante lhes proporcione algum benefício de poder e concretização de projetos particulares e fisiológicos, sem abrir mão de verbas exclusivas  como,  por exemplo, o bilionário Fundo  Eleitoral, que, em situação caracteristicamente emergencial como a atual, deveria ser desviado para socorrer a economia. Surge a indagação: passado o pior da tempestade, presenciaremos um movimento de renovação ou simplesmente a manutenção do status quo que preexistia antes do vírus? A segunda hipótese parece a mais provável.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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FUNDO


Os R$ 2 bilhões do fundo eleitoral, se divididos por mil, dariam para assistir 2 milhões de famílias. Davi Alcolumbre deveria ter vergonha na cara por questionar a necessidade desse dinheiro para a saúde.


Gustavo Guimarães da Veiga ggveiga@outlook.com

São Paulo


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‘HOME OFFICE’ DO STF


Fica fácil para os ministros ficarem em casa sem redução salarial, enquanto temos mais de 1 milhão de novos desempregados. Cadê a justiça social? Por que não colaboram como aqueles que estão fazendo doações milionárias?


Manuel Pires Monteiro manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo


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STF NO ISOLAMENTO


Gostei de ver na primeira página do jornal de ontem (15/4) a imagem dos ministros do STF. Talvez agora meu processo, que circula há mais de 12 anos, não me proíba, como médico, de exercer minha profissão por ser aposentado e ver essa pandemia acabar.


Odilon dilostefani@hotmail.com

São Paulo


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A ROTINA DOS MINISTROS


Os ministros do STF, que contam com um séquito de 88 bacharéis em Direito para preparar seus votos, agora trabalham do conforto de suas luxuosas casas nos horários que melhor lhes aprazem. A questão, claro, não são os horários, mas o quanto trabalham. Acostumados aos 60 dias de férias, feriadões e longos recessos, nunca se preocuparam, realmente, em atender prazos, visto que, quando não o fazem, não há consequência, afinal, são a “corte”. Imaginem agora.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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A PGR E O ISOLAMENTO SOCIAL


Procuradoria-Geral da República contraria Supremo e diz que Bolsonaro pode sim decidir sobre isolamento (Estadão, 13/4). O senhor Augusto Aras, procurador-geral da República, precisa entender que o povo brasileiro vive nos municípios, e não na União ou no Estado, pois, quando alguém adoece ou morre, são o prefeito e seu secretário de Saúde que são acionados para internação ou enterro. O Brasil tem 5.570 municípios e respectivos prefeitos eleitos democraticamente, responsáveis diretamente pela população. Esse número é maior que o de “excelências” do Legislativo, Executivo e Judiciário juntas vivendo, em sua maioria, nas capitais e nas grandes cidades. Dizer que o presidente tem o “direito” de decidir sobre o “momento oportuno” para maior ou menor distanciamento social ante a pandemia do coronavírus é dar a ele o poder da onisciência, onipotência e onipresença, condições só atribuída a Deus – o que ele ainda não é. O cargo de presidente não é somente de direitos, mas também de deveres, como cumprir regras básicas de higiene e comportamento que até agora não foram obedecidas pelo presidente, que não só se expõe, como põe em risco a vida de seus seguranças e ajudantes de ordem. Assim, a palavra final sobre isolamento social deve ficar com os senhores prefeitos e seus respectivos secretários de Saúde.


Pedro Luiz Bicudo plbicudo@gmail.com

Piracicaba


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REVELAÇÃO


Vênia máxima, a conclusão do procurador-geral da República soa eufemismo incompatível a uma peça processual, menos pelo alinhamento a quem lhe nomeou ao cargo (não se pode ignorar o fato de que o indicado não integrava sequer a lista tríplice da própria instituição), mais pela displicência em tratar “perigo” e “dano” como iguais, subordinando a ciência jurídica ao “achismo” ou “verdades” palacianas de momento. De estatura constitucional, concorrente aos Estados (Constituição federal, art. 24, inciso XII), o direito à saúde reclama especial proteção contra eventos de envergadura potencialmente lesiva (basta a percepção do perigo diante do desconhecido), sobretudo quando fartamente demonstrada a boa prática do isolamento social. Não apenas apequenou-se o PGR, como mostrou a que veio.


Guilherme Asta Lopes da Silva guilherme@asta.adv.br

Barueri


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FALTA GRAVE


Diante da declaração do vice-presidente Hamilton Mourão de que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, teria “cruzado a linha da bola, cometendo falta grave merecedora de cartão”, pela entrevista dada pelo ministro ao Fantástico, da TV Globo, sobre a polêmica questão da manutenção da recomendada quarentena de isolamento da população, cabe, por oportuno, dizer que a única linha que não pode ser cruzada, sob pena de crime de lesa-humanidade, é a que separa o coronavírus da vida. Essa merece cartão vermelho e expulsão sumária de campo.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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DEMISSÃO JÁ


Quem ocupa cargo de confiança – ministro, secretário, diretor ou assemelhado –, tanto no governo quanto na empresa privada, pode ser demitido a qualquer instante. E tem de saber que está no cargo para cumprir aquilo que seu empregador determina. Se não concordar, que se demita. Mas não foi isso que fez o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ele divergiu publicamente do presidente e tenta se manter no posto. Está tão difícil sua situação que foi ignorado e entrou mudo e saiu calado da reunião ministerial que cuidou do coronavírus, tema principal de sua pasta. Bolsonaro não pode transigir. Tem de demiti-lo com toda urgência para evitar que faça mais estragos, e colocar em seu lugar alguém do ramo, afinado com o governo e, de preferência, que não esteja de olho em futuras candidaturas. Administrar a pandemia e evitar o baque econômico é a tarefa. Mandetta, com certeza, não consegue. O vice-presidente Hamilton Mourão tem razão quando diz que ele fez falta e, como num jogo, merece cartão (Estadão, 15/4, A4). Demitir auxiliares que não se afinam é rotina. 


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

                                                                                                     

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O CARTÃO DE MOURÃO


Como gostam de dizer os ministros do STF, com toda data vênia ao vice-presidente Hamilton Mourão, a reação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pode ser uma falta grave – típica do jogo de polo, e merecia um cartão –, mas durante toda esta pandemia, o presidente tem se comportado de modo a desqualificar o ministro que ele próprio escolheu para comandar uma área que exige conhecimento médico e científico, logo, imagino que Mandetta decidiu colocar para o presidente uma fundamental decisão, que fique bem clara para todos, dadas as catastróficas consequências que pode gerar: ou o presidente se alinha às recomendações da medicina legal, exaustivamente por ele propostas e com respaldo das autoridades internacionais, ou o demite, colocando em seu lugar alguém que siga e passe para a população brasileira as suas irresponsáveis recomendações, típicas de um leigo no assunto.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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‘JUIZ CASEIRO’


Nosso vice, general Mourão, mostrou ser (no jargão futebolístico) “juiz caseiro”. Viu a falta e daria cartão ao médico defensor, mas não viu nenhuma das inúmeras “caneladas” dos atacantes capitão e ministro da “Educassão”. Mourão precisa de VAR.


José Aurelio G. Medina joseaurelio@bol.com.br

Guarulhos


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PANOS QUENTES


Se existe uma coisa boa neste governo, ela se chama vice-presidente Hamilton Mourão. Para cada canelada que o presidente dá, o vice-presidente vem atrás colocando panos quentes. Pelo tanto que Mourão vem socorrendo o presidente, acho que este deveria colocar o general no panteão de honra do Palácio do Planalto.


Luiz Roberto Costa costaluizroberto@bol.com.br

São Paulo


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CARTÃO VERMELHO OU BANIMENTO?


Se o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, “avançou a linha da bola, nas regras do polo, e deveria receber um cartão”, conforme as palavras do vice-presidente Hamilton Mourão, o que mereceria o presidente Jair Bolsonaro, que deveria ter recebido vários cartões vermelhos e até mesmo o banimento de suas funções, pela sua falta de patriotismo? Ora, mais fair play, Bolsonaro, afinal prudência e canja de galinha nunca são demais.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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INACEITÁVEL


As divergências entre o presidente Bolsonaro e seu ministro da Saúde ultrapassam os limites. O fundamental, no momento, é a implementação de medidas efetivas para o combate à covid-19. Mas o ocupante do cargo maior da República interpreta as atitudes de seu subordinado no campo político. Uma situação inaceitável para uma fase tão grave, pois há efetivamente indicativos de que o Brasil vai passar por uma etapa difícil dessa pandemia mundial.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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SE É PARA FALAR DE POLÍTICA...


Prepare-se, Mandetta, pois, se for sentida a falta de sua orientação à frente do Ministério da Saúde, principalmente em relação ao combate do coronavírus, certamente terá seu nome lembrado para candidato à presidente da República em 2022.


Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu


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SURREAL


Clamando (?) por trégua em divergências políticas, afirmou o prefeito de Salvador, ACM Neto, presidente nacional do DEM, sobre o imbróglio entre o insubordinado ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, do mesmo partido, e o presidente Jair Bolsonaro, sem partido: “Postura de Bolsonaro sobre Mandetta é surreal”. Com a ironia de seu avô, prefeito, indago: já combinou isso com o ministro e seus colegas de partido, ávidos pelo poder? E com os russos? Diria o nosso saudoso Garrincha. Neste momento de dor e luta contra a pandemia, em detrimento das sujas, oportunistas e demagogas campanhas eleitorais subliminares que grassam precocemente dia após dia, que os microfones e holofotes sejam usados em uníssono para notícias que agreguem esperança e fé pela cura e proteção ao sofrido e desassistido povo. À vala os hipócritas que se aproveitam politicamente desta dor com proselitismos ou sei lá o quê! Surreal é lutar a favor do coronavírus, prefeito!


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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MILAGRE


O prefeito de Salvador, Bahia, promete usar as verbas mensais dedicada à divulgação de suas obras, estimadas em R$ 15 milhões/mês, em TV, outdoor, jornal, rádio, panfletos, busdoor, revistas e Web, para ajudar a camada social mais vulnerável da sociedade, como camelôs e desempregados. Um belo exemplo. Fake news?


Anyo Maru epopeyalatina@outlook.es

São Paulo


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ALIENADOS


Em seu artigo Meu Brasil brasileiro (Estadão, 14/4, A6), a colunista Eliane Cantanhêde escreveu: “O Brasil é o único país do mundo em que há carreatas contra isolamento e pró-pandemia”, referindo-se a um grupelho participante de uma carreata em São Paulo contra o isolamento social de pessoas, medida adotada no mundo inteiro; e aqui, com a recomendação e/ou exigência feita por quase todos os governadores e prefeitos. Mostrando não se preocupar com a situação quase caótica em que vive o Brasil e muitos brasileiros, essas pessoas atacam tudo e todos, que a seu ver pregam medidas ou ideias diferentes do seu “deus” Bolsonaro, como têm feito com os governadores João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ), além do ministro da Saúde, Henrique Mandetta. Por que essas pessoas não vão dar uma ajudazinha aos profissionais da saúde e hospitais, com suas UTIs superlotadas, ou usam seus carrões para transportar doentes ou cadáveres vítimas do coronavírus, isso sem nenhum cuidado de proteção a si próprios, já que se trata apenas de uma “gripezinha”. Já vimos esse filme. Antes, era um presidente (que tinha ciúme do estadista que o antecedeu) e alguns alienados de esquerda; agora, são alienados “de direita” que endeusam o atual ocupante e têm medo de que ele não possa perpetuar no altar do poder.


Éllis A. Oliveira elliscnh@hotmail.com

Cunha


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PASSEATAS ANTI-ISOLAMENTO


Nenhum país do mundo tem passeatas e carreatas pedindo o fim do isolamento, apenas o Brasil, mas nenhum país do mundo, lembremos, tem como presidente de tamanha ignorância como Jair Bolsonaro.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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OMS COM MILHÕES A MENOS


O presidente Donald Trump suspendeu o financiamento norte-americano à Organização Mundial da Saúde (OMS). Era esperado. Já tinha dito isso. A verdade é que a OMS, como não é independente, é um órgão da ONU, depende das contribuições dos países-membros, e se sujeita à política, como a própria ONU. E Medicina com política não dá certo. Não sei qual o poder da OMS, mas acho que o órgão deveria ter sido duro contra a China. Agora, serão menos US$ 400 milhões para o cofre do órgão. Farão muita falta, ainda mais neste momento. É uma pena. Não deveria ser assim, ainda mais com um órgão que foi criado para cuidar da saúde dos cidadãos do mundo.


Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro


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EM GUERRA?


Por acaso, o mundo está em guerra? Porque leio que o governo brasileiro estuda possíveis rotas seguras para as escalas dos aviões que trarão bens e equipamentos médico-hospitalares comprados na China, para que países da Europa e os Estados Unidos não confisquem essas cargas, caso os aviões pousem, em escala, por lá. Por acaso já foram convocados os respectivos embaixadores dos países em questão, para que confirmem ou neguem tal possibilidade de pirataria e confisco arbitrário, ou será que em tempos de pandemias vale tudo, é cada um por si e até violação às regras do Direito Internacional e básicas é esperada e permitida? Estranho tudo isso. Tudo bem que prevenir é melhor que remediar, mas ficamos conjecturando, então, por exemplo, que numa crise mundial de falta de água, realmente seremos invadidos na região amazônica, e conquistados e colonizados. É isso mesmo?


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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NÃO DEMITA


Mais de 4 mil empresas prometem manter seus empregados por pelo menos mais dois meses. É uma medida sensata, já que os empresários estão recebendo alguns benefícios governamentais, e de nada adianta escapar da covid-19 e não ter como abastecer sua família.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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NOSSO DÉFICIT TECNOLÓGICO


A ajuda financeira aos mais necessitados não chega porque a coleta, centralização de dados e disposição de informações desta população está incompleta, inexiste, ou os dados não foram cruzados, ou não conseguiram cruzá-los, ou ainda não houve interesse em cruzá-los. Não se sabe com precisão o número de profissionais da área de saúde porque nunca foram cruzados dados do serviço público com o privado. Matérias de TV e rádio mostram comunidades carentes e favelas que estão se organizando para diminuir o impacto social causado pela covid-19, e com isso estão colhendo dados sobre estas populações que são fantasmas perante o poder público. Em ótima entrevista para a Rádio Eldorado, Gilson Rodrigues, líder comunitário da favela Paraisópolis, expôs uma série de problemas da relação do poder público com comunidades e favelas de todo o Brasil. Chamou a atenção que Samu não entra na favela e que Paraisópolis tem suas próprias ambulâncias. As razões não foram explicadas, mas muito provavelmente deve ter relação com o emaranhado de leis e burocracias que há muito vem matando lentamente este país. Faltam dados precisos em todas as áreas, em todos os níveis, em todos os setores. Como estabelecer estratégias práticas, funcionais e eficientes num país que ainda não entrou para valer na era digital? Pensadores dizem que crises profundas como esta trazem à tona, sem afagos, males das sociedades que estavam sob o tapete. Economistas preveem que os países com alto grau de uso de digitalização e automação vão dar um salto saindo rapidamente do caos causado pela covid-19, enquanto países como o Brasil, onde até internet e telefonia ainda são precárias, instáveis, vão sofrer muito e empobrecer. Não fizemos a lição básica no passado de alinhar o País com a mais básica tecnologia existente, e isso terá preço. Olhem a fiação pendurada nos postes às pencas, que nem sequer os funcionários das concessionárias sabem qual é qual e para que servem. Estamos tão atrasados que mesmo os benefícios da qualidade, independentemente do nível da tecnologia usada, qualquer que seja, ainda não nos estão claros. O custo de nosso eterno desleixo será alto.


Arturo Condomi Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo


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NEGACIONISMO


Negacionismo é crime na Alemanha. Há alguns anos, uma senhora de idade avançada que negava o holocausto acabou na prisão. Num país que leva as coisas a sério, não é nenhuma surpresa o que ocorreu nos últimos dias. Uma advogada de 54 anos iniciou um movimento negacionista, em seu blog, com postagens sobre teorias da conspiração sobre a pandemia do novo coronavírus e, além disso, acusava o governo alemão de adotar medidas restritivas flagrantemente inconstitucionais, por causa de uma simples gripe. No último domingo (12/4), ela agrediu um policial na rua e foi presa em Heidelberg, cidade onde mora. Na terça-feira (14/4), ela foi julgada, condenada e internada numa clínica psiquiátrica para passar por tratamento.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

 

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