Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 03h00

Pandemia

Queda de Mandetta

Depois de longo e angustiante sai não sai, o presidente da República exonerou Luiz Henrique Mandetta da pasta da Saúde. Essa mudança em meio à pandemia de covid-19, em ascensão no País, pode ter efeitos preocupantes no sistema de prevenção da patologia e produzir sérias consequências na política nacional, tão necessitada de pacificação neste momento complicado que vivemos.

JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

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Alto risco

Um presidente cabeça dura e um ministro que brilhava, isso deu uma arritmia... O tempo vai mostrar se a troca foi boa para o Brasil. Mas, sem dúvida, é uma troca de alto risco.

MANUEL PIRES MONTEIRO

MANUEL.PIRES1954@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Brasil no escuro

Mandetta demitido, seja o que Deus quiser. Oremos...

VICKY VOGEL

VOGELVICK7@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Caso único

Mandetta vai entrar para a história mundial do coronavírus por ter sido demitido pelo fato de fazer um trabalho correto.

SÉRGIO ECKERMANN PASSOS

SEPASSOS@YAHOO.COM.BR

PORTO FELIZ

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Um homem de bem

Mandetta cai, mas cai grande. E apequena quem o derrubou.

ELIANA PACE

PACECON@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Logística

Demitir um ministro é fácil. Difícil é dar atendimento a todos os infectados.

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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‘Em defesa do SUS’

Após tomar conhecimento de que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, teve alta hospitalar após sua internação por covid-19 em hospital público de Londres, fico imaginando como seriam nossos hospitais públicos se os ditos representantes do povo se vissem na mesma condição do político inglês, buscando atendimento médico no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas se com dinheiro dos nossos tributos lhes oferecemos planos privados de saúde, para atendimento em hospitais como Sírio-Libanês e Einstein, eles não têm por que defender com unhas e dentes as verbas devidas para o serviço público. O mesmo se diga do ensino oferecido nas escolas públicas, se acolhessem seus filhos: talvez assim defendessem e exigissem ensino público decente.

MARCOS NOGUEIRA DESTRO

MDESTRO@AMCHAM.COM.BR

SÃO PAULO

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Constituição e ciência

O STF decidiu que os Estados e municípios podem tomar as medidas necessárias para o enfrentamento do novo coronavírus e não necessariamente devem seguir as determinações do governo federal – leia-se presidente Jair Bolsonaro. Afirmou o ministro Alexandre de Moraes: “A gravidade da crise não permite o desrespeito à Constituição. Na crise é que as normas constitucionais devem ser respeitadas, na crise é que a Constituição guia aos líderes políticos para que ajam com integração”. Foi seguido pela maioria dos ministros da Corte. Assim o presidente sofreu uma derrota por tentar impor sua vontade, indo contra todos os estudos técnicos e científicos. Poderia tê-la evitado se agisse como verdadeiro líder republicano, aglutinando forças e sempre respeitando a Constituição.

DARCI TRABACHIN DE BARROS

DARCI.TRABACHIN@GMAIL.COM

LIMEIRA

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Questão de coerência

Se houver falta de leitos e respiradores, o presidente Bolsonaro, caso adoeça, abre mão de usar a UTI e respiradores? Quem puder fique em casa!

TANIA TAVARES

TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Riscos do isolamento vertical

“Ave, César, os que vão morrer te saúdam” – esse era o brado dos gladiadores para o imperador romano antes de começarem as lutas no Coliseu. Hoje esse brado poderia ser substituído por “ave, coronavírus, os que querem morrer ou causar a morte de terceiros te saúdam”, dirigido aos insensatos que insistem em romper o isolamento horizontal, a pretexto da alternativa do isolamento vertical. No Brasil, este seria na prática, dada a realidade habitacional, um delivery de covid-19: o grupo de risco fica em casa, aguardando o grupo que “não é de risco” trazer o vírus ao fim do dia. Um genocídio seletivo (dos mais fracos) anunciado. A conduta desses insensatos está tipificada no Direito Penal: no mínimo, agem com culpa consciente ou dolo eventual. Culpa consciente se dá quando a pessoa pratica um ato prevendo a possibilidade de determinado resultado, mas confia em suas habilidades para que não ocorra. No dolo eventual a pessoa não quer diretamente o resultado, mas com a sua conduta assume o risco de causá-lo.

MILTON CÓRDOVA JÚNIOR

MILTON.CORDOVA@GMAIL.COM

VICENTE PIRES (DF)

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Ranking

O Brasil já ocupa a 12.ª posição em casos confirmados nas estatísticas mundiais da covid-19. E se não for mantido o isolamento social vai subir mais posições nesse ranking, por sua limitada capacidade de realização de testes necessários para isolar indivíduos positivados e, assim, evitar o contágio em larga escala.

MARCOS ABRÃO

M.ABRAO@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Papel dos bancos

Cumprimento o Estadão pela excelência da série Economia na quarentena e Octavio de Lazari pela clareza do papel dos bancos nesta hora tão dramática: financiar as pequenas e médias empresas, rapidamente, com crédito pré-aprovado e a juros bem baixos para que sobrevivam e mantenham os empregos. A lógica é meridiana: sem empresas não há empregos, consumidores nem bancos. Há que evitar uma crise financeira, a pior de todas as crises.

JOSÉ PASTORE, professor da USP

J.PASTORE@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

RABO DE FOGUETE

 

Consta que o próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, já se considerava demitido há alguns dias e que, inclusive, comunicou o fato aos componentes de sua equipe. Dispensado Mandetta, não se sabe qual será a atitude dos seus auxiliares mais próximos, uma vez que alguns supostamente já haviam comunicado extraoficialmente que acompanhariam o chefe. Aguardemos. Além disso, era voz corrente que o presidente Bolsonaro estava empenhado na busca do substituto. Encontrar um nome, no entanto, talvez tenha sido a parte mais difícil, pois aquele que aceitar o convite certamente vai entrar num terrível rabo de foguete, em face da dimensão da situação de quarentena e da consequente deterioração da economia, cuja lenta retomada é uma das prioridades da estratégia do governo. Torçamos para que tal cenário não desemboque em impasses que resultem em problemas maiores do que aqueles que o Planalto espera enfrentar.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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DERRAPADA

 

Antes que comecem os mimimis, vamos a algumas considerações. Começando pelo fato de que o agora ex-ministro Mandetta não foi nenhum Wernher von Braun, o.k.? Até o advento do coronavírus, era mais um ilustre desconhecido da maioria dos brasileiros. Com a chegada da pandemia para os lados de cá, teve a oportunidade de mostrar seu valor, e o fez com muita competência. Mas, como todo político que já cumpriu algumas legislaturas, viu-se além do que realmente era, um servidor a serviço da população brasileira. Repetindo, com muita competência. Passou a se ver como um paladino da saúde e da pandemia. Discordar do atual presidente não é mérito de ninguém, é só entrar na fila. Daí a se ver como o todo-poderoso e, dos arautos de uma recente popularidade, se achar “o cara”, convenhamos, foi uma derrapada e tanto, finalizada com uma entrevista exclusiva a um determinado programa de TV. Um pouco mais humilde, poderia permanecer por muito mais tempo e realmente tirar dividendos políticos disso, o que não seria de todo errado, se o trabalho tivesse sido bem feito. E tudo indica que o seria. Mas veio o ego do político. O próximo ocupante da cadeira, ao que tudo indica, será um profissional totalmente técnico, um médico de renome, reputação ilibada e que nunca se deixou soprar pelos ventos e cantos de sereia da política nacional. Sem pruridos político-partidários, caso não concorde com o chefe, poderá sair a qualquer momento, sem se preocupar com nenhum índice de popularidade. No mais, fica tudo para trás porque o País precisa seguir em frente.

 

Laércio Chaves Martins mlaercio32@gmail.com

São Paulo

 

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PECADO

 

Sobre a matéria Mandetta admite erro e tenta sair do foco da crise do coronavírus (Estadão, 14/4), se o maior pecado de Mandetta tivesse sido uma reles entrevista a um canal de TV, ainda estaríamos bem. O maior problema do cidadão foi justificar Tom Jobim: samba de uma nota só. Enquanto diversos hospitais estão salvando vidas aos borbotões – a destacar Einstein, Sírio-Libanês e Santa Maggiore –, mas muitos outros estão cumprindo à risca o juramento de Hipócrates, Mandetta, além de não cumprir tal juramento, vinha há tempo insistindo na defesa do isolamento horizontal sem dar nem promover nenhuma outra solução. Gente sem recursos, que só pode contar com o serviço de saúde público, este sob o jugo irracional do ministro, está morrendo; e gente com mais recursos, que tem bons planos de saúde privados, está sendo salva. Era imoral e criminoso o comportamento do ministro, numa inércia que só faz lembrar o sempre duvidoso serviço público. É isso que o povo sem maiores recursos merece?

 

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

 

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A SAÍDA DE MANDETTA

 

Infelizmente, nosso presidente da República é um homem medíocre, limitado e complexado. Não suporta que ninguém lhe faça sombra, lhe tire o protagonismo. Assim, o que tem feito? Cerca-se de pessoas sem personalidade, medrosas, e quando por via das circunstâncias alguém assume a liderança de qualquer coisa, essa pessoa se coloca na alça de mira do presidente e de seus filhos. É uma pena que caia Henrique Mandetta, e será péssimo para o Brasil.

 

Jorge Eduardo Gonella jorgegonella@hotmail.com

São Paulo

 

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NÃO MERECE

 

Pensando bem, um ministro altamente competente como Luiz Henrique Mandetta não merecia o suplício de ter de trabalhar para um presidente obtuso, voluntarioso e invejoso como o nosso excelentíssimo.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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O VÍRUS AGRADECE

 

Itapecerica da Serra, Ribeirão Pires e Itatiba são três cidades onde o isolamento social ultrapassou 70% de adesão, segundo dados do sistema de monitoramento inteligente do Estado de São Paulo, que se baseia na telefonia móvel, e, portanto, são exemplos a serem seguidos. São Paulo é o Estado com maior número de casos suspeitos de covid-19 e também de óbitos em razão da doença, e o distanciamento social é a arma mais eficaz para evitar a propagação do vírus. Entre o “ficar em casa” do agora ex-ministro Mandetta e o “Brasil não pode parar” do presidente Bolsonaro, a melhor opção é a primeira. “Você conversa hoje, e o camarada muda o discurso”, disse Mandetta sobre Bolsonaro. Bolsonaro ganhou a contenda. O vírus agradece.

 

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

 

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FALTA

 

Se o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, “fez falta e mereceria cartão”, como disse o vice-presidente Hamilton Mourão, o presidente da República fez vários gols contra e mereceria receber cartão vermelho. Bolsonaro cobra humildade de ministros, mas deveria ser o primeiro a dar exemplo. Completa decepção! Não à toa, o Washington Post o considera o pior líder do mundo no combate à pandemia. Mais que chacota mundial, temos um lesa-Pátria no poder federal. Na falta de um verdadeiro líder que ame a Nação mais que a si próprio, cada um que se cuide. Que Deus nos ampare e nos proteja, principalmente aos mais humildes e necessitados.

 

Edson Shitara eshitara@globo.com

São Paulo

 

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COMPARAÇÕES INFELIZES

 

A saúde dos brasileiros não é um jogo de polo. Seria ótimo se, ao falar da saúde, os políticos ouvissem antes o que dizem a Medicina e a Ciência e nos poupassem de comparações com futebol e outros esportes.

 

Shirley Schreier schreier@iq.usp.br

São Paulo

 

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CARTÃO VERMELHO

 

Se Mandetta fez falta e merecia cartão, como disse o vice-presidente Hamilton Mourão, Bolsonaro já deveria ter recebido cartão vermelho há muito tempo, por tantas faltas que já cometeu...

 

Marina R. B. Malufi mmalufi@terra.com.br

Olímpia

 

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DIREITO

 

Em defesa do presidente Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que “ele (Bolsonaro) tem direito de apresentar as coisas”. Sim, é verdade, mas o problema está exatamente aí: direito de apresentar as coisas ele tem; o que ele não tem, como chefe da Nação, é o direito de falar barbaridades que só servem para nos envergonhar perante o mundo inteiro.

 

Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

 

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BOLSONARO ASSINTOMÁTICO

 

O presidente Bolsonaro voltou dos Estados Unidos e mais de 20 de seus companheiros fizeram testes que confirmaram a infecção pelo novo coronavírus. Ele também fez os testes, não abriu o resultado para ninguém, apesar de decisão judicial que o intimava, e certamente teve o vírus de forma assintomática. Participou das manifestações de 15 de março, contaminando as pessoas ao seu redor – talvez algumas tenham morrido, mas para ele isso pouco importa. Importante é 2022.

 

Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo

 

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ERRO ESTRATÉGICO

 

O presidente Bolsonaro pensa que está certo ao adotar um comportamento totalmente inadequado. Vai perder feio as próximas eleições. Só os loucos e os mortos não mudam de opinião. Posicionamento incorreto de um líder conquista a cada dia a repulsa daqueles que o elegeram, destaque-se, somente para não reeleger um candidato do PT, e não pelas suas qualidades. Seria uma ótima oportunidade para ele mostrar suas qualidades, visto que se valeu de uma facada para se ausentar dos debates que o deixariam nu.

 

Ricardo Fioravante Lorenzi ricardo.lorenzi@gmail.com

São Paulo

 

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ÂNSIA DE PODER

 

Sr. presidente de todos os brasileiros (jovens e velhos, vivos e mortos) Jair Bolsonaro, o senhor tem razão. Para quem não se importa com cerca de 270 mortes por dia entre assassinatos e mortes no trânsito, realmente 204 mortes/dia (14/4/2020) pela covid-19 são um custo baixo para quem quer se impor de qualquer maneira, custe o que custar em vidas. Suas atitudes parecem indicar uma ânsia descabida por uma reeleição que o senhor, ao se eleger, negou. A economia já foi para o brejo, a probabilidade de haver muitos mortos pela covid-19 é grande e o Brasil em 2022 vai estar em frangalhos, mas o senhor não se importa, o que lhe importa é manter o poder a qualquer custo.

 

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

 

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CONSPIRAÇÃO

 

Se o presidente Bolsonaro acha que há uma grande orquestração para derrubá-lo, com certeza ele é um ótimo inimigo.

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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MENOS TRAUMÁTICO

 

Nós, que escolhemos Jair Bolsonaro (para evitar o PT) e, agora, aproveitamos a quarentena para analisar o governo, podemos dizer que pode ser que Bolsonaro escape do nosso total arrependimento, mas isso exclusivamente pela existência de ministros e generais que o enquadram de maneira que o torne palatável. O ministro Sergio Moro, ao gerenciar esta situação que possibilitou a redução de salários, pode ajudar na sobrevivência do País ao cortar o salário do Legislativo e do Judiciário até chegar ao nível do Executivo. O ministro da Economia, cujo maior obstáculo era ser um homem “de mercado”, ante a situação mundial que se instala, que é a uma situação característica de mercado, está perfeitamente posicionado. Apesar de os filhos de Bolsonaro e de o subserviente chanceler serem péssimos, em contrapartida os generais estão conseguindo evitar traumas maiores. E que bom que apareceu um grande ministro da Saúde, que Deus nos ajude, e que se tente fazer uma hierarquia correta dos gastos do governo. Esta é a única maneira de o Brasil sair desta situação falimentar em que nos encontramos.

 

Tarcisio de Barros Bandeira tbb@osite.com.br

São Paulo

 

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KAFKA NO BRASIL

 

É preciso viver num país surreal como o Brasil para encontrar textos de jornal como o seguinte: “Enquanto Bolsonaro defende flexibilizar medidas como fechamento de escolas e do comércio para mitigar os efeitos na economia do País, permitindo que jovens voltem ao trabalho, o ministro tem mantido a orientação da pasta para as pessoas ficarem em casa. A recomendação do titular da Saúde segue o que dizem especialistas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que consideram o isolamento social a forma mais eficaz de evitar a propagação do vírus. (...) Ministro e presidente também têm se desentendido sobre o uso da cloroquina em pacientes da covid-19. Bolsonaro é um entusiasta do medicamento indicado para tratar a malária, mas que tem apresentado resultados promissores contra o coronavírus. Mandetta, por sua vez, tem pedido cautela na prescrição do remédio, uma vez que ainda não há pesquisas conclusivas que comprovem sua eficácia contra o vírus.” Primeiramente, o uso de cloroquina vem sendo desaconselhado a cada dia, após resultados negativos, com mortes por problemas cardíacos sendo mais relatadas. Mas o que é dramático é a colocação em posições contrárias do que acha o presidente e do que propõe seu ministro da Saúde. O ministro é um profissional experiente da saúde, não está inventando nada, só propõe o que é aprovado pela OMS e medidas que vêm sendo adotadas em outros países. O papel correto do presidente seria apoiar o que diz o seu ministro da Saúde, e não entrar em confronto com ele. Enquanto isso, problemas graves reais são deixados de lado, como a provável subnotificacao de casos e mortes. O Brasil, pelas dificuldades das suas condições, tem a chance de sair em altíssima classificação no ranking das perdas. Infelizmente, os números provavelmente serão arrasadores (se não forem escondidos). Os reais problemas são a falta de todos os tipos de recursos para a saúde, a falta de testes, a falta de equipamentos de proteção, a falta de respiradores, a falta de leitos, que poderia ser mais bem contornada se o isolamento fosse efetivamente implantado, as dificuldades da população mais pobre de se proteger, de comer. Vale notar ainda, quando se apoia a volta dos mais jovens ao trabalho, que o que se está observando no País é uma grande proporção de pessoas mais jovens entre os contaminados e os mortos. Portanto, aqui se justifica menos ainda a volta deste grupo ao trabalho. Enquanto o ministro faz a sua parte, o presidente poderia fazer a dele, por exemplo, atuando com empresas e bancos pedindo que sigam o exemplo do Itaú e financiem o que está faltando no sistema de saúde para melhorar o atendimento na presente crise. A dicotomia “salvar vidas contra economia” não existe. Se um lado perder, o outro também vai perder. Essa atitude de desviar a atenção da população do que é importante é criminosa.

 

Shirley Schreier Schreier@iq.usp.br

São Paulo

 

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O MÉDICO BOLSONARO

 

Lá atrás, Jair Bolsonaro já dava palpites como se médico fosse. Em 2016, juntamente com outros “gênios”, saiu em defesa da “pílula do câncer”. Sem qualquer evidência científica, desestimulou adoentados em prosseguir seu tratamento para aceitar suas sandices. Sorte que, naquela época, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o uso da droga. Agora, não contente, volta como garoto-propaganda para o uso indiscriminado da cloroquina, levando embaixo do braço a droga por onde se apresente. Afinal, pretende Bolsonaro continuar a praticar ilegalmente a Medicina? Seja responsável, presidente!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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O CONSELHO DE MEDICINA

 

Como cidadãos, esperamos que o Conselho Federal de Medicina (CFM), tão atento ao controle da execução da Medicina e à atuação profissional dos médicos do País, atue vigorosamente quando se veem autoridades de alto nível receitando medicamentos sem terem sequer lido a bula e, no tocante à atual pandemia, propondo medidas que vão contra o que a Organização Mundial da Saúde e o bom senso indicam como as mais adequadas. Para o bem da população do País, convém agir logo, antes que seja tarde demais.

 

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

 

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TARDE PARA LAMENTAR

 

Depois de analisar várias opiniões e matérias publicadas em jornais sobre o isolamento social adotado em vários países do mundo, inclusive no Brasil, chego à conclusão de que o povo foi enganado, ou, melhor, venderam a ideia de que esse tipo de isolamento era para diminuir a evolução do vírus. Na verdade, era para atrasar o pico da curva de evolução do avanço do vírus, ou “achatar a curva”. O motivo principal da adoção desse processo era por causa da falta de equipamentos de teste e leitos para receber os doentes nos hospitais. Durante o período de isolamento social, o número de infectados estava aumentando em locais de isolamento, ou seja, em casa, porque já havia várias pessoas infectadas sem mostrar sinais da doença, e hospitais não tinham condição de executar testes por falta de material. Com isso, no caso do nosso país, o pico da curva deverá ocorrer em maio ou junho, prolongando o fim da crise, que poderá ser em agosto ou setembro. Como a curva vai se alongar, o número de doentes e mortos pode ser maior do que sem o isolamento social. Agora é tarde para lamentar.

 

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

 

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OS ESTADOS NA EPIDEMIA

 

Devemos cumprimentar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela sábia decisão de permitir aos governadores e prefeitos onde colocar o nariz para enfrentar o coronavírus. Essa é a oportunidade para o nosso governador mostrar ao País que São Paulo vai salvar vidas, controlar e acabar com esta pandemia em nosso Estado. E fica para o senhor presidente da República administrar, no seu melhor entendimento, como enfrentá-la no resto do País.

 

Alberto Martinez alberto.martinez@terra.com.br

São Paulo

 

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DECISÃO DO SUPREMO

 

Para que serve ultimamente o Supremo Tribunal Federal, além de emitir alvarás de soltura para presos políticos, como Lula e Zé Dirceu, e para outros criminosos acusados de crimes hediondos, haja vista os dois estupradores recém-libertos Roger Abdelmassih e João de Deus. Ah, serve também para rasgar a Constituição ao seu bel prazer sempre que interessar diminuir a importância do Poder Executivo federal, cargo encabeçado hoje por um presidente mal amado pela esquerda. Este supremo é mínimo, e ficará na História, porque sua falta de isenção e justiça não será esquecida jamais.

 

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

 

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GOVERNADORES INFECTADOS

 

Demorou! A moda pegou e, a partir de agora, os governadores vão apresentar sintomas da covid-19, fazer um videozinho na mídia e pronto, instalado o terror, como disse um senador do Amazonas. Já são dois até o momento, o do Rio de Janeiro e o do Pará. Na fila ainda temos os de São Paulo, Maranhão e outros rebelados. Melhor isolá-los!

 

Eliton Rosa elitonrosa@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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TÃO PERTO, MAS TÃO LONGE

 

Se – ao ler esse título – você achou que aqui encontraria uma bela dissertação sobre a Teoria da Relatividade e o paradoxo tempo x espaço, pode desistir! Ou, até mesmo, referências da música de Lobão de nome semelhante (Tão Perto, Tão longe, gravada em 1999), pare de ler agora mesmo! Mas, se você espera alguns devaneios de um médico socialmente isolado por um vírus potencialmente fatal, siga em frente. Sim, eu sei, “só se fala” em coronavírus (poderia eu ser diferente?). Como algo tão conhecido (Pasteur já fazia referência a um “tipo de vida diminuta” ainda no século 19) e, ao mesmo tempo, tão desconhecido (já que essa nova mutação foi descrita pelos chineses às vésperas de 2020), pode gerar tanta inquietação? Certamente, essa microscópica estrutura de RNA transformou todo o planeta nos últimos meses e a agitação da modernidade deu lugar a um silêncio não menos barulhento. Como não sentir medo ou, pelo menos, apreensão? Não há dúvida de que esses sentimentos são motivados pelas incertezas (afinal, nada nos deixa mais aterrorizados do que o desconhecido). A culpa é dos chineses? Devo trabalhar ou fico isolado? Vou de máscara? Quantos ainda vão morrer? Talvez, somente o tempo dirá. Mas – me pergunto – e aqueles que não têm esse tempo? Como dizer, por exemplo, a um paciente terminal que ele deve ficar isolado, sem poder abraçar seu filho ou neto? Enfim, retorno ao começo. Nunca estivemos tão perto em razão de toda a tecnologia que encurta qualquer distância (seja pelas chamadas de vídeo, seja pelos voos transoceânicos). Porém, ao mesmo tempo, precisamos estar longe (pelo menos 1,5 metro) para nos protegermos de um vírus que pode estar em qualquer lugar (inclusive no jornal que está lendo, na tela do seu computador ou ao seu lado – não olhe agora!). Como diz a canção mencionada, “não suporto, eu me rendo, eu simplesmente não posso ficar vivendo e sentindo você assim: tão perto, tão longe”...

 

Julio Cesar Razera julio_razera@hotmail.com

Porto Alegre

 

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RUBEM FONSECA

 

Deixou uma vasta e inesquecível bibliografia. Até breve, meu professor preferido Rubem Fonseca.

 

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

 
 
 

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