Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2020 | 03h00

Em tempos de pandemia

A conta que importa

Deixemos de lado besteiras como mostrar faixas pedindo a volta do AI-5 e a intervenção militar, porque esse pessoal não leu, ou não entendeu, a história dos "anos de chumbo" no Brasil e na América Latina em geral. Façamos, entretanto, uma conta, pois, de acordo com o presidente Jair Bolsonaro, "70% da população será infectada e, a partir daí, o País estará imunizado". Segundo essa porcentagem, teremos 147,102 milhões de brasileiros infectados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 10% a 20% dos infectados precisam de cuidados médicos ou internação. Sendo otimistas, teremos 14,41 milhões de infectados que precisam desses cuidados. Teremos pessoal, equipamentos e insumos para dar conta desse atendimento? Pelos números disponíveis (e muito subestimados por falta de testes) tínhamos ontem 2.462 óbitos e 38.654 infectados, o que significa uma taxa de 6,3%. A menor taxa de óbitos no mundo é de 2% na Coreia do Sul. Usaremos taxa intermediária de 4%, ou seja, 576.400 óbitos, se o isolamento social for levantado de maneira abrupta ou desorganizada. Há alguma justificativa para esse número assombroso de vítimas, além da paranoia do presidente e de seu gabinete do ódio e da obsessão com a próxima eleição presidencial?

OMAR EL SEOUD 

ELSEOUD.USP@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Irresponsabilidade

O Estadão aborda com propriedade, no editorial Presidentes que não governam (20/4, A3), a irresponsabilidade e a indiferença com que o Brasil tem sido governado há quase 20 anos. É lamentável, no entanto, ter de conclamar a população a lembrar-se disso ao eleger o próximo governante. Na mais recente escolha ela optou por um governante que se lançou candidato sem programa e jamais compareceu a um debate público. Então, quem será mesmo o irresponsável e/ou indiferente?

MAXIMILIAN GOEHLER

MGOEHLER19@GMAIL.COM

SOROCABA

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Ressuscitando esqueletos

A repulsa da sociedade à roubalheira do lulismo criou as condições para que se elegesse um populista destemperado de extrema direita (e eu votei nele). Mas as repetidas bobagens em que este se vem esmerando estão deslocando o centro de gravidade da crescente oposição cada vez mais para a esquerda, com o risco de ressurreição de esqueletos que já estavam mortos e devidamente enterrados.

CÉSAR GARCIA 

CFMGARCIA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Vacinados no mensalão

Em passado recente, muitas negociatas causaram prejuízos bilionários à Petrobrás, a fundos de pensão, à Nação. O brasileiro não aceita mais essas práticas. E quer uma democracia forte, verdadeira, sem conchavos, sem golpes e atropelos.

PAULO TARSO J. SANTOS

PTJSANTOS@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Oportunismo pavoroso

Como muito bem mostra o editorial Insensibilidade estarrecedora (18/4, A3), as Assembleias Legislativas dos dois mais importantes Estados brasileiros, Rio de Janeiro e São Paulo, aprovaram em pleno período da crise do novo coronavírus aumentos salariais para os sempre privilegiados funcionários públicos. Essa desfaçatez prova que nossos representantes não estão lá, de fato, representando o povo que os elegeu. Que vergonha! Certamente um pouco preocupado com essa imagem negativa, o presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo suspendeu esse imoral aumento concedido pela Assembleia, ao menos enquanto durar a crise. Já o caso do Rio de Janeiro é ainda mais esdrúxulo, pois, como sabido, o Estado encontra-se em situação falimentar há mais de três anos. E com o sistema de saúde em frangalhos!

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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O dilema do cidadão

O brasileiro assiste, entre atônito e horrorizado, aos desdobramentos de um processo político que, ao que tudo indica, conduzirá o País a mais um momento traumático de sua História. Sob a tensão emocional trazida pelos riscos da pandemia, o cidadão consciente e bem informado precisa se posicionar entre duas situações igualmente prejudiciais ao desenvolvimento sustentado do País. A primeira alternativa, que seria a manutenção do status quo, representa abdicar da esperança de que a atual legislatura trouxesse uma renovação dos costumes enraizados em nossa desastrosa cultura política: teremos de ficar sob o domínio das velhas raposas que tanto mal fazem ao progresso do Brasil. A segunda alternativa, de ruptura com o jogo do balcão de negócios dos Parlamentos, representa tomar posição pelo risco de uma nova fase distanciada dos valores democráticos. Em ambas as situações estaremos atrelados mais uma vez a um atraso que teima em nos acompanhar.

MANOEL LOYOLA E SILVA

MAGUSFE@ONDA.COM.BR

CURITIBA

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Nada vai mudar

Muitos profetizam novos tempos: nada será como antes, depois da pandemia virão a bonança e a compreensão entre os homens. Nada disso. Continuaremos no futuro convivendo com corrupção, ganância, corporativismo, egoísmo, indiferença, ingratidão e ignorância. Lembrando Os Contos de Canterbury, do século 14, "o homem é sempre o mesmo, e nada perde a sua natureza, apesar de que tudo muda". Muito triste mesmo.

HARRY RENTEL

HARRY@COUNTRYROAD.COM.BR

VINHEDO

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'A imprensa sob pressão'

Interessante o editorial sob o título acima (19/4, A3), só gostaria de acrescentar que, a meu ver, a grande transformação que vai ocorrer nesse setor é voltar a ser um veículo de dar a notícia e informar. Hoje não se dá a notícia, se dá a opinião do repórter, do jornalista, e aí é que estão o verdadeiro problema e a polarização. As consequências são erros que os dois lados erram para contornar.

JOSÉ PELA FILHO

JPF@TPCC.COM.BR

SÃO PAULO

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MORDE E ASSOPRA

"Supremo aberto e transparente. Congresso aberto e transparente. Nós, o povo, estamos no governo", afirmou o mandatário do Brasil na manhã de ontem ao deixar o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência. No ato de domingo, em que manifestantes pediam intervenção militar, a volta do Ato Institucional n.º 5 (AI-5) e o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro discursou e provocou mal-estar com os demais poderes. Após se juntar ao protesto, o presidente afirmou: "Não queremos negociar nada". O gesto foi interpretado em Brasília como uma manifestação de autoritarismo. No dia seguinte, Bolsonaro tentou mudar o tom. "Não falei nada contra qualquer outro poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho. O povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. Fora isso, é invencionice. Tentativa de incendiar uma nação que ainda está dentro da normalidade", retrucou. A mobilização de domingo ocorreu na data em que é comemorado o Dia do Exército. Questionado sobre a bandeira de retorno do AI-5, gritada a plenos pulmões por alguns apoiadores, o presidente retrucou: "Isso aí o pessoal pede desde 1968". O presidente Bolsonaro morde e assopra: primeiro, faz declarações inconvenientes, e, logo em seguida, explica que não era aquilo que queria dizer. A mordida é bem forte e o sopro, bem fraquinho.

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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PERDENDO TEMPO

Sabemos de antanho que nenhum presidente da República se elege sozinho, mas sim apoiado por um grupo, que organiza todo um projeto para a sua eleição. No caso de Bolsonaro, ao escolhê-lo, esse grupo ignorou a Lei de Murphy, que afirma que, "se algo pode dar errado, dará". Deputado federal por 27 anos, só apresentou projetos de lei absurdos e só se destacava quando se manifestava de maneira grosseira na tribuna daquela Casa, ou em seus apartes desrespeitosos, dignos da cassação do seu mandato. Então, o que vem ocorrendo no atual governo é a pura constatação da validade da Lei de Murphy, porque com ele tudo pode dar errado. O comportamento do presidente, desde o início da pandemia que assola o planeta, é absurdo: entre outras coisas, atacando ministros que se sobressaem a ele, demonstrando uma indisfarçável tendência para tomar decisões sem ser contestado. No domingo, finalmente, o presidente mostrou a que veio. Em frente ao QG do Exército, diante de uma carreata - pois a pé cansa - organizada pela extrema-direita pelas redes sociais, que pedia intervenção militar com Bolsonaro, fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além da volta do AI-5, o presidente discursou. Disse ele: "Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado em nós, que é a nossa liberdade". Ora, essa foi uma clara adesão a uma proposta de golpe militar, pelo próprio presidente da República. No dia seguinte, os jornais e toda a mídia destacaram a reação de todos os setores da sociedade condenando a atitude do presidente. Entretanto, como sempre tem feito, Bolsonaro apareceu e declarou que defende o Congresso e o STF abertos. Ou seja, mais uma vez o presidente apoia um ato para a volta à ditadura - com ele, claro -, mas depois se desdiz. Isso não é atitude de uma pessoa equilibrada. O procurador-geral da República pediu abertura de um inquérito para investigar se as manifestações de domingo feriram a Lei de Segurança Nacional. Também o presidente deu ensejo para que se abra contra ele um processo de destituição, ao infringir vários dos crimes previstos no art. 85 da Constituição federal, que trata dos crimes de responsabilidade do presidente. Convenhamos, essas jogadas de Bolsonaro, dignas de uma República das Bananas, já passou dos limites. Ontem. Estamos em plena crise mundial da pandemia, que nos faz esquecer de outros graves problemas do planeta, como o aquecimento global. Não podemos perder mais tempo com Bolsonaro. É para nos prevenir de situações como esta que escolhemos, também, um vice-presidente. O general Hamilton Mourão precisa assumir o governo para pararmos de dar voltas em torno de uma fictícia caravana de invasores.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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ANTIPOLÍTICA

Pai presidente, deputado sem projetos por 28 anos, três filhos: senador, deputado, vereador, e a todo momento se manifesta contra a classe política: paranoia ou mistificação?

Jose Paulo Cipullo j.cipullo@terra.com.br

São José do Rio Preto 

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DESTEMPERO

Incríveis e lamentáveis as crises de destempero do presidente Bolsonaro, que dia sim e outro também complica cada vez mais a situação política e a democracia no Brasil. Precisa alguém lembrar a ele que são três os Poderes da Nação e que devem trabalhar em harmonia. Lembrar que ele não é um rei absolutista ou um ditador, como almeja. Em relação à pandemia, ele se complica cada vez mais, contribuindo para que a covid-19 se torne incontrolável, com possibilidade de aumentar assustadoramente o número de mortes no Brasil. Que alguém lembre a ele também dos "líderes" mundiais que terminaram seus dias condenados por crimes contra a humanidade, como o ex-presidente da ex-Iugoslávia Slobodan Milosevic, que morreu na prisão em 2016. É bom ele já ir botando as barbas de molho.

Adriles Ulhoa Filho adriles@uai.com.br

Belo Horizonte

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LAMENTÁVEL

Ao ver as atitudes do presidente Bolsonaro só posso imaginar que ele quer, a todo custo, ser o bobo da corte. Lamentável ter elegido um presidente desta estatura.

Ricardo Fioravante Lorenzi ricardo.lorenzi@gmail.com

São Paulo

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GOLPE CONTRA A DEMOCRACIA

Jair Bolsonaro não se candidatou para ser presidente. Candidatou-se para ser ditador. Passou 28 anos na Câmara dos Deputados atacando a democracia e a liberdade e defendendo as ditaduras de direita. Nada mais natural e coerente com suas convicções do que participar de uma acintosa e vergonhosa manifestação de apoio a um golpe de Estado para impor uma ditadura fascista com o tenente, reformado capitão por grave indisciplina militar, como ditador junto com seu clã de arruaceiros. Após um ano e quatro meses de mandato em permanente atrito com os demais poderes e se alimentando de alucinadas teorias da conspiração, quando o único conspirador é ele e sua turma, sua única preocupação é desmatar a Amazônia, desmontar a estrutura educacional, atacar a ciência e a cultura, promover a discórdia e disseminar ódio na sociedade e se impor no caos. Uma patética tentativa de tornar o Brasil uma ditadura de ópera bufa.  

               

Paulo Sergio Arisi  paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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INCENTIVADOR

Nas manifestações, irresponsáveis somente pelo fato de terem ocorrido, o uso de faixas que incentivavam a reimplantação do odioso AI-5 pode ser classificado como crime, pois afronta diretamente o Estado Democrático, que, por ironia, elegeu o atual presidente e seus pimpolhos de reboque. Mas, na realidade, Bolsonaro é o verdadeiro incentivador desta apologia oportunista e séria, o beneficiário direto do estado de exceção que assim surgiria, sempre vivo em seu imaginário.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro 

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FORÇAS ARMADAS

Na era Lulla, o "Exército do Stédile". Com Bolsonaro, a "Militância da Ignorância"...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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SURREALISMO E DEMOCRACIA

"Contem com o seu presidente para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado em nós, que é a nossa liberdade." Pasmemos todos: essa frase enaltecedora do ideário democrático foi proferida pelo presidente Jair Bolsonaro a uma multidão inflada que pedia nada menos que intervenção militar, volta do AI-5 e fechamento do Congresso e do STF! Bem, surrealismo à parte, o dia de ontem amanheceu com as instituições mantidas e os militares demonstrando clara aversão ao comportamento no mínimo ambivalente do presidente perante as deploráveis reivindicações dos manifestantes. Com, sem e apesar de Bolsonaro e seus seguidores, a vida segue e a democracia também. 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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A PSEUDODEMOCRACIA BRASILEIRA

O Brasil não é um país democrático: o presidente, prefeitos, governadores e os parlamentares são escolhidos pelos partidos políticos, sem qualquer participação do povo nesse processo. Uma vez escolhidos os candidatos que melhor atendem aos interesses dos partidos políticos, esses nomes serão apresentados à população, que poderá escolher entre os escolhidos, depois de pagar alguns bilhões de reais aos partidos políticos a título de fundo eleitoral. Esse sistema equivocado nos brindou como uma enxurrada de nulidades, a saber: Sarney, Collor, Lula, Dilma, Temer e, agora, Bolsonaro. Para se tornar uma democracia de verdade, o Brasil precisa acabar com a máfia dos partidos políticos e usar critérios para qualificar os candidatos a cargos públicos. Exigir inglês fluente teria nos livrado de quase todos os últimos presidentes, isso dá uma boa ideia de quão medíocre é a pseudodemocracia brasileira.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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É PRECISO DEFENDER A CONSTITUIÇÃO

Aquele que concorda ou mesmo incentiva a volta da ditadura ou da censura, automaticamente, se coloca em posição contrária aos princípios da nossa Constituição. A Carta de 1988 tem, na alma de sua redação, a defesa permanente e clara dos princípios democráticos. O retorno da ditadura ou mesmo um novo AI-5, por óbvio, é incompatível com a realidade institucional que vivemos desde a redemocratização. Aliás, somente por meio da democracia chegaremos ao sonhado desenvolvimento econômico e social. As nações mais desenvolvidas adotam sistemas democráticos. França, Alemanha e Estados Unidos são alguns exemplos. Dito isso, é lamentável e preocupante que tenhamos defensores do regime ditatorial em nossas instituições e exercendo cargos eletivos. É contraditório que alguém eleito pelo voto popular considere adequado que o poder seja exercido sem fiscalização do povo e retirando o papel e a liberdade da competente e incansável imprensa brasileira. Nestes tempos tão estranhos e de ânimos acalorados é preciso defender a nossa Constituição e a democracia.

Willian Martins martins.willian@globo.com

Guararema

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DISCURSO PERIGOSO

Participando da manifestação a favor do AI-5 e do fechamento de instituições democráticas como o Congresso, o presidente Bolsonaro deixou cair a máscara. O coronavírus é apenas a ferramenta. Concordo que ainda temos péssimos políticos, mas o lugar de trocá-los é na urna. O resto é golpe.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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CRIMES DO PRESIDENTE

Clamar contra a manutenção da recomendada quarentena, quando a traiçoeira covid-19 mata mais de 200 brasileiros por dia, constitui crime de lesa-humanidade. Clamar pela intervenção militar no País na manifestação em frente ao QG do Exército, em Brasília, constitui crime de lesa-democracia. Por ambos, o presidente Bolsonaro deve ser devidamente punido e isolado. Basta!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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FALTA GRAVE

Podemos plagiar o nosso vice-presidente e afirmar que o sr. presidente da República, nas manifestações de domingo, cruzou a linha da bola?

Márcio Pascholati marcio.pascholati@gmail.com

São Paulo

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'VADA A BORDO, PRESIDENTE!'

Presidente, temos uma luta pela vida a fazer. O País, neste momento, precisa estar mais unido do que nunca. Atitudes desagregadoras não são próprias de um estadista. O povo não quer o AI-5, o povo quer viver e sobreviver a esta pandemia. São só seus idólatras que participam de atos irresponsáveis e egoístas como os de domingo em frente ao QG do Exército, com sua presença e ativa participação. Só o que precisamos é de paz, de tranquilidade, porque todos estão sofrendo muito. Quantos já perderam seus entes queridos ou estão com medo de perdê-los? Tenha piedade do povo, sobretudo dos mais vulneráveis. Neste momento, não é segurar o emprego que importa, mas sim amparar os que não podem e não devem se arriscar saindo de casa. São país e mães de família, cujos filhos ainda necessitam muito deles vivos. Preocupe-se em ver como pode ajudá-los; preocupe-se em visitar hospitais para conhecer em que estado se encontra o atendimento dos que mais precisam, ao invés de se misturar a abastados e abestados empresários que vão para as ruas em seus carrões adulá-lo, unicamente preocupados com seus empreendimentos e lucros. Este é o momento de mobilizar em nós o sentimento de compaixão e solidariedade. Estamos numa guerra em que o inimigo é perigosíssimo porque invisível. Então, aja como estadista, e não como um indivíduo medíocre incapaz de enxergar a realidade que está à sua frente como se vivesse num mundo à parte. Se não conseguir fazer isso, peça sua renúncia e deixe para quem pode dar conta do recado sem se preocupar com as próximas eleições, pois com esse vírus ninguém sabe se, e até quando, estará vivo. Deixe o povo em paz. Seja patriota e pare de perturbar. Procure somar esforços com os que estão lutando desesperadamente para salvar vidas. E vá trabalhar, que é a única coisa que deve ser feita. Ajude no que for preciso, ao invés de comandar caravanas ridículas com gente atrasada, egoísta e sem noção. Aja como adulto e vá à bordo, presidente!

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

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CRIME E COVARDIA

A pandemia revelou não apenas um presidente criminoso, como também um Congresso Nacional covarde. Diante da participação em atos antidemocráticos, clamando por um golpe, Bolsonaro deveria ser destituído e preso. Porém, neste teste de limites do poder, podemos assistir a mais uma negociação militar, como a que inocentou o capitão em 1987, quando planejou explodir o sistema Guandu de abastecimento de água no Rio de Janeiro, e, depois, mentiu sobre entrevista concedida. Não seria espantosa uma renúncia anistiada para colocar o general na Presidência da República.

 

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

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NADA

Ministros do Supremo, parlamentares e governadores repudiaram a presença de Bolsonaro em um protesto, mas, para repudiar os corruptos a pôr um fim nos desvios de dinheiro público, nada, né? Acabar com a perseguição ao presidente para que "atenda melhor" as partes envolvidas e para voltar aos antigos "atendimentos fisiológicos", nada, né? Elogiar os feitos do governo, nada, né? Elogiar o fato de este governo até agora não ter desviado nenhuma moedinha do erário, nada, né? Ser honesto neste país não é virtude, mesmo, né?

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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VÍRUS TRAIDOR

Passo a crer que a covid-19 é um "pau mandado" pelos que desejam um país "rico" nas seguintes "endemias": 1) retrocesso financeiro; 2) retrocesso cultural; 3) retrocesso político; 4) retrocesso jurídico. Explico: 1) quanto ao retrocesso financeiro, torna-se desnecessário comentar, quer pelas perdas de vidas, quer por perda de concentração nos projetos para desenvolver o País; 2) quanto ao retrocesso cultural, é evidente que o indispensável confinamento, tanto para tentar subjugar o vírus entre quatro paredes quanto para evitar sua incontrolável propagação, prejudica a importante divulgação presencial do saber, além de impedir as manifestações culturais ou populares, quer lúdicas, quer científicas; 3) quanto ao retrocesso político: os dias que estamos vivendo comprovam que os demagogos estão de volta, aproveitando a oportunidade para posarem de pais da pátria (apud 19/4/2020); 4) finalmente, os corruptos "livres, leves e soltos". Cabe a pergunta: cadê a prometida decisão parlamentar para a necessária prisão após a condenação em 2.º instância, condição indispensável para podermos ingressar no Primeiro Mundo? Êta vírus bondoso para os adversários do Brasil!

Antonio C. Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br

São Paulo

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CURVA ACHATADA

Se com 2.500 mortes já não há leitos em UTI disponíveis nas principais capitais brasileiras, como, então, se sustentam todos os infindáveis discursos que sempre pleitearam o tal do achatamento da curva? Essa curva já nasceu achatada no Brasil. Então, parem, agora, de querer atribuir a fulano ou cicrano a responsabilidade pela falta de leitos na atual pandemia de covid-19. Essa responsabilidade é de todos os sistemas de governo, desde o descobrimento do Brasil até hoje, e não deste governo que, bem ao contrário dos demais até então, foi eleito democraticamente para combater as corrupções diversas, quem sabe para, em futuras pandemias, não se querer tapar o sol com a peneira furada dessas ideologias de ocasião.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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MANCHETE

Nesta segunda-feira, 20 de abril, em manchete de primeira página, este jornal deu destaque a 115 óbitos em um dia no Brasil. Devemos entender isso como uma boa notícia, uma vez que por dois dias entre segunda e quarta-feira passadas tivemos 204 óbitos por dia.

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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FOGO NA VILA BRASILÂNDIA

 

Assim como nosso cérebro não gera pensamentos senão incompletos, muitos de nossos sentimentos são fortes demais para serem expressos por nossa insuficiente linguagem. Como repassar a outros a sensibilidade dos seres da favela de Vila Brasilândia, onde se acumula o maior número de vítimas do coronavírus da capital paulista, sob chamas? Resta a infinitude de nossa pequenez.

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

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