Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 03h00

Em tempos de pandemia

Ambição do poder

Li o editorial O poder que Bolsonaro quer (22/4, A3) e gostei, pois descreve claramente a situação criada pelo atual presidente. Entretanto, lembrando nossos mais recentes ex-presidentes, vejo que essa descrição se aplica perfeitamente aos governos de Lula da Silva (presidiário solto) e da ex-presidenta Dilma Rousseff (difamadora do Brasil no exterior). Ambos usaram os mesmos meios e com muito maior ênfase, com equipes treinadas em cooptar políticos, que atuaram todos os anos em que estiveram no poder. Sem falar no Supremo Tribunal Federal (STF) montado por eles, cujo presidente é um ex-advogado do PT... O fato é que temos parlamentares nas duas Casas do Congresso acostumados a receber benesses em troca de votações, apoiadores de péssimos projetos aprovados naquele período e que conduziram o Brasil à presente situação desesperadora da saúde roubada e abandonada. O País segue, com Jair Bolsonaro, a cartilha criada pelos citados ex-presidentes.

JOSÉ ROBERTO COSTA LIMA

JRCOSTALIMA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Competência em questão

Parabéns pelo editorial O poder que Bolsonaro quer, em especial por atentar para o fato de que o poder que o presidente tem ele não quer, por ser incompetente para exercê-lo.

MARIA ÍSIS M. MONTEIRO DE BARROS

MISISMB@HOTMAIL.COM

SANTA RITA DO PASSA QUATRO

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Limitações presidenciais

Na verdade, assim como Bolsonaro errou ao dizer que ele é a Constituição, à qual o presidente da República, como todos os brasileiros, tem de obedecer, ele também não “está no poder”. Bolsonaro foi eleito para chefiar um dos Poderes da República. Surpreendente que depois de três décadas como congressista ele tenha uma visão tão deturpada de sua posição na Presidência e pense que, com a sua eleição, o Brasil lhe tenha delegado o poder ditatorial que, por suas atitudes, parece almejar.

JORGE R. S. ALVES

JORGERSALVES@GMAIL.COM

JAÚ

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Terceiro Mundo

O grande problema da democracia em países do chamado Terceiro Mundo é que, legalmente, alguns privilegiados, em geral associados ao Estado, ficam extremamente bem e os muitos outros, bem pior do que poderiam ficar. Daí, populistas que surjam com aura de sinceros, patriotas e nacionalistas têm grande chance de ser eleitos e reeleitos, democraticamente, mesmo não sendo tão democratas assim, uma vez que conhecem os males da democracia terceiro-mundista.

MARCELO GOMES JORGE FERES

MARCELO.GOMES.JORGE.FERES@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Vozes das ruas

Democratas somos em grande maioria. Democracia é a pluralidade de pensamento e de associações. Daí haver nela partidos sabidamente não democráticos, propagadores do partido único. Pode ser incoerência, mas assim é a democracia.

PAULO TARSO J. SANTOS

PTJSANTOS@BOL.COM.BR

BARRETOS

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Sobre lideranças

Educativo o artigo Verdadeiras e falsas lideranças (22/4, A2), de Luiz Felipe D’Ávila, que faz um resumo e uma avaliação das ações do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Estão ali, para quem quiser ver e seguir, o que todos nós esperamos de nossos governantes. Espero que, ao ser dada visibilidade a tão sensatas medidas, não se torne o governador gaúcho alvo de certas autoridades que só pensam em 2022.

CARLOS AYRTON BIASETTO

CARLOS.BIASETTO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Situação de guerra

Em situação emergencial, semelhante ao estado de guerra, como a que vivemos atualmente, qual será a responsabilidade dos hospitais particulares quando chegarmos à saturação de leitos e de UTIs nos hospitais públicos? E as pessoas que têm plano de saúde, poderão elas migrar para qualquer hospital que possa atender se o credenciado pela operadora não dispuser de possibilidade de atendimento? São perguntas que precisam ser respondidas e bem esclarecidas à população, para que não haja mortes por falta de atendimento, enquanto outros hospitais dispõem de vagas. Não seria o caso de estabelecer um protocolo de atendimento e de troca de informações entre todos os hospitais? O isolamento social é importante, mas não se poderá estender por muito tempo. Temos de buscar alternativas viáveis que poupem vidas, mas preservem também a saúde financeira dos menos afortunados.

JOÃO M. VENTURA

JOAOMV@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Qualidade dos testes

Embora seja absolutamente necessária a testagem em massa da população para detectar o grau de imunidade contra o coronavírus e assim direcionar a política de afrouxamento da quarentena, isso não pode ser feito atabalhoadamente. As tais “limitações importantes” dos testes disponíveis, reconhecidas pelo próprio Ministério da Saúde, referem-se ao grau não desprezível de falsos resultados dos testes rápidos. Uma das implicações importantes dessas limitações é a possibilidade de pessoas “falsamente” imunizadas (falsos positivos) voltarem ao convívio comunitário achando que estão protegidas, quando, na verdade, não estão. A qualidade dos testes não pode ser menosprezada e não há pressão política que justifique pôr em risco a saúde e a vida de pessoas.

LUCIANO HARARY, médico

LHARARY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Planos econômicos

Já que o governo está pagando os R$ 600 e adiantando 50% do 13.º dos aposentados, para ajudar os isolados, por que não desengavetar o pagamento pelos bancos da correção monetária das poupanças? Por que razão os ministros do STF estão protelando os processos?

JAIME AQUINO MOURA

JAIMEAQUINO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

INVESTIGAÇÃO DO STF


O Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio do ministro Alexandre de Moraes, aceitou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de instauração de investigações para apurar quem foram os responsáveis pela organização das manifestações do último domingo, que contaram com a participação do presidente Jair Bolsonaro em Brasília. Essas manifestações, por certo, foram procedimentos irregulares, levando em conta também o momento grave que vivemos com a pandemia da covid-19.


Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos


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PUNIÇÃO EXEMPLAR


Como não poderia deixar de ser, a PGR pediu ao STF abertura de inquérito para investigar a autoria de atos pró-ditadura, porém, estranhamente, o presidente Jair Bolsonaro não é citado. O pedido de investigação já poderia ter sido feito há muito tempo, pois não é de hoje que grupos ligados ao governo atual, inclusive alguns dos ministros, pedem a reedição do AI-5, o que atribuo ao fato de não terem a mínima ideia do que foi o AI-5. Tivéssemos um AI-5 em vigor, essas mesmas pessoas não poderiam ter realizado uma carreata para pedir as barbaridades que pediam. Nem se apercebem de que o referido ato impediria, inclusive, que reivindicassem um direito que lhes teria sido usurpado. A exclusão do presidente do referido inquérito é incompreensível, em vista de sua declaração: “Eu estou aqui porque acredito em vocês”. Ora, o presidente da República, ao comparecer a um ato criminoso, com a força do seu cargo, declarando o seu apoio, significa inequívoca adesão à ilegalidade. O fato de vir no dia seguinte dizer exatamente o contrário não anula a iniquidade da véspera. Enxergo neste episódio apenas duas possibilidades: ou o presidente está utilizando a velha e surrada tática do “morde e assopra”, para ir minando aos poucos o que procura eliminar, ou está com sérios problemas de raciocínio. Em ambos os casos, existem remédios constitucionais, uma destituição por crime contra a democracia ou um exame, realizado por uma junta médica, para constatar se as suas condições de saúde permitem que continue à frente do governo. O Brasil, a exemplo do mundo, enfrenta sérios problemas, jamais vistos pela grande maioria das atuais gerações. Não podemos continuar com um presidente como este nessas condições. Quanto aos demais manifestantes que compareceram àquela carreata ilegal, principalmente os seus organizadores, devem responder com todo o rigor da lei pelos seus atos, que foram ainda mais graves por terem sido perpetrados em meio a uma epidemia que vem matando um número horroroso de brasileiros.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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A PREOCUPAÇÃO DO SUPREMO


Fui a várias manifestações na Avenida Paulista e em todas havia gente (noias) fardada e portando faixas pedindo a volta ao regime militar, etc. Qual a novidade agora, para o Supremo ficar indignado? Quando Lula era presidente, houve até reunião do MST no Planalto em que ele vestiu o boné do movimento – e o presidente do MST à época era o democrata Stédile, e o movimento fez o diabo no Brasil. Porém não me lembro de o Supremo ter ficado preocupado com a nossa democracia então.


Frederico Pontes fcfpontes@me.com

São Paulo


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VERIFICAÇÃO


Será que o STF vai abrir inquérito para investigar o Congresso contra atos para derrubar o presidente?


Luiz Carlos Cinquetti luizcinq@gmail.com

São Paulo


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BALELA


Todos os projetos de lei, medidas provisórias, reformas estruturais, até o momento, encaminhados pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional foram de efetivo interesse da Nação e dos brasileiros. Então por que suprir essa oportunidade de atualizar e modernizar o País tirando dos ombros do contribuinte o peso de sustentação de uma organização falida, ultrapassada e arcaica? Somente aqueles que desejam manter seus redutos e incapacitados ao progresso pessoal é que votam pelo mesmismo.


Manoel Braga manoelbraga@mecpar.com

Matão


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BRAVATAS DO PRESIDENTE


Fechar o Congresso, o STF e decretar um novo AI-5 são sonhos de um limitado capitão de milícia que até seus respeitados comandados generais não levam a sério, mas reconhecem (percebe-se) que tais arroubos atrapalham o País no combate ao vírus, minam a confiança do investidor e tiram da população a esperança de um breve retorno à normalidade.


Nilson Otávio de Oliveira noo@uol.com.br

São Paulo


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MUITO BARULHO POR NADA


Impressionante como o brasileiro tem memória fraca. Em entrevista ao Estadão, Roberto Jefferson afirmou que Jair Bolsonaro só sai da Presidência “na bala” e que o povo vai para as ruas defendê-lo. Curioso, na época em que a ex-presidente Dilma Rousseff estava pressionada e ameaçada por um impeachment, Lula e sua turma diziam que, se ela saísse, o “exército do Stédile” (o MST), black blocs, petistas, sindicalistas e até os mortadelas iriam para as ruas impedir isso. Roberto Jefferson, o que aconteceu? Nada, e ela caiu e o Brasil continuou pacífico.


Maurício Lima  mapeli@uol.com.br

São Paulo


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A NAU DOS INSENSATOS


A nau dos insensatos está completa. O ex-presidente Lula pedia paciência com a então presidente Dilma Rousseff e afirmava que não havia motivo para impeachment, em 2016. Agora, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pede paciência com o atual presidente, Jair Bolsonaro, e também afirma não haver crime de responsabilidade. Em ambas as situações, uma defesa explícita de que o mandato deveria ser cumprido até o fim. O atual quadro de recessão e de desemprego é agravado pela pandemia do novo coronavírus e pelo isolamento social. O julgamento político pela opinião pública será severo e implacável. Aguardar seu desfecho no período pós-pandemia.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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SEM OPOSIÇÃO


Não existe plano alternativo de uma oposição qualificada. Se este governo tiver êxito econômico, os frustrados das eleições serão frustrados outra vez. Configura-se uma situação inédita em que um presidente sem partido é apoiado pela população contra as organizações políticas, assim constituindo uma democracia bottom-up – de base popular. É o povo que quer Bolsonaro, não Bolsonaro que chama e mobiliza o povo. Ainda não é possível prever se deste caos poderá emergir uma sociedade capacitada para um regime representativo em que o Congresso e o STF se comportem em interesse da Nação.


Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo


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O POVO NO PODER


A frase que Bolsonaro sempre usa, de que o povo está no poder, foi copiada de algum movimento socialista ou comunista. Seu uso sempre foi conveniente, porque, neste Brasil, o povo sempre esteve no poder, seja com o próprio Bolsonaro, seja com os deputados e senadores e outros mais, todos eleitos pelo dito povo. Assim, todos representam o povo. Mas, talvez, deseje o nosso presidente governar sozinho, com apoio militar e dos sindicatos representativos do povo. Seja como for, onde quer ele colocar o povo? Como está fazendo com a pandemia?


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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BOLSONARO E O CONGRESSO


Ouvi críticas de um escorregadio e oportuno “especialista em assuntos gerais” ao presidente Jair Bolsonaro porque ele está conversando com os partidos de políticos corruptos, entre eles Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha. De outros, de mesma ideologia, estamos a ouvir, dia após dia, ataques ao presidente porque ele não “negocia” com os políticos dirigentes do Congresso, que, por consequência, vivem a sepultar, ou sabotar, ou protelar o andamento dos projetos e medidas provisórias visando à retomada do crescimento do País. Por qual razão? Então, eu pergunto: independentemente daqueles já apenados, quantas semelhanças éticas e morais há entre os livres, leves e soltos dirigentes do DEM e os políticos dos partidos citados? Por conveniência, o “escorregadio” comentarista, demonstrando esquecer seletivamente o porquê de o povo eleger maciçamente o então deputado Bolsonaro em 2018, destacou, subliminarmente, que o presidente está fazendo aquilo que sempre combateu. Não sou discípulo de Freud ou de outros estudiosos, mas ficou a impressão de que o “escorregadio” advogado, pensando na brasa apagada de sua sardinha partidária, foi traído pela consciência, dando voz ao projeto de seus correligionários para voltarem ao poder e dele se locupletarem, como fizeram por muitos e muitos anos em passado nada saudoso. “Eu quero é que o pobre se exploda”, ratificaria, em apoio, sem máscara, o saudoso personagem Justo Veríssimo. Bolsonaro, mantenha esta proa! No exercício da democracia, o povo está contigo.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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PODER LIVRE


Não creio que Bolsonaro queira o poder dos poderes, o poder absoluto, mas, muito antes, o contrário, acredito que ele quer mesmo é o poder presidencial livre de tantos outros poderes paralelos, obscuros, inconfessáveis, ilegítimos, e que, na verdade, minam e obstaculizam todos os esforços para uma verdadeira transformação democrática no Brasil.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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SÓ COMO DITADOR


Embora não tenha conseguido entender se a leitora sra. Marilda Nimer tem realmente as dúvidas mencionadas na sua carta Bipolaridade? (22/4, A3) ou apenas quis ser sarcástica, por causa da interrogação do título, vou responder. Na primeira questão, é coisa séria para quem privilegia a vida; e, na segunda, é democracia para quem é do bem. Quanto ao presidente, ele não quer menos Brasília e mais Brasil, na realidade, ele quer é mais presidente. Mas, como ele já é o presidente, mais, só como ditador.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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PALÁCIO NA ILHA DA FANTASIA


Até quando o Palácio do Planalto, com seus generais paparicando o capitão do clã, vai continuar fazendo de conta que está tudo bem? Aqui fora, no chão da nação brasileira, há uma legião de 220 milhões enfrentando uma pandemia que lota hospitais, enquanto as pessoas de bom senso ficam em casa e usam máscaras, para se proteger de um vírus mortal e de um governo presidido por um lunático mitomaníaco.   


Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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SERENIDADE


O maior obstáculo do Brasil para enfrentar objetivamente a atual pandemia é a infeliz invasão dos interesses políticos nos esforços dos cientistas que, em face da própria característica inédita do vírus, se deparam com sérias dificuldades para desenvolver vacinas ou drogas específicas, recomendando por isso, por enquanto, a única solução que se lhes apresenta: o distanciamento social. Fica clara a existência de uma polarização danosa em torno do tema, com apoiadores do governo, de um lado, e os que lhe fazem oposição, do outro. O problema maior é que ambos praticam ações e exibem atitudes que podem ser consideradas suspeitas ou, no mínimo, mal intencionadas, por meio das quais o primeiro grupo acusa o segundo com tentativas de articulação de golpe para arrancar do poder o presidente, e o segundo, ao se utilizar principalmente de boa parte da mídia oficial e da atuação passada de um ex-ministro ambíguo que feriu a hierarquia administrativa, aparentemente a serviço de caciques, explora de maneira às vezes facciosa procedimentos contraditórios e erráticos do chefe do Executivo, que lamentavelmente, no entanto, até exibe apoio explícito a propostas antidemocráticas. Serenidade é o que no momento se recomenda.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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O SILÊNCIO SOBRE AS MORTES


Se o número de mortes confirmadas desce de acima dos 200 num dia para 113 no outro e 166 no dia seguinte, não faz sentido que o ministro da Saúde se abstenha de atender à coletiva de imprensa para explicar esse comportamento da curva. Aliás, se houve uma queda brusca, então é de interesse relevante saber o porquê dessa queda, uma vez que o objetivo de todos neste momento é justamente promover um trabalho para essa queda. Assim, o ministro não se escusa ao manter silêncio sob ordem do chefe para repassar informações de orientações que sejam de relevante interesse público por envolverem o próprio bem-estar da coletividade. A sua posse recente não constitui justificativa para o silêncio do inocente, pois existe uma enorme equipe do Ministério da Saúde que não parou de trabalhar e, por esse motivo, já está informada o suficiente para lhe prestar as informações necessárias para que ele possa repassá-las e, assim, esclarecer o estado ao País, a fim de possibilitar o estabelecimento de medidas efetivas e transparentes no enfrentamento da crise e da pandemia. No sentido contrário, é perfeitamente plausível supor que não houve erro no repasse dos números 383 e 113, e sim uma desinformação intencional com o objetivo de confundir, desorientar e desinformar a mídia, as autoridades e a população, a fim de gerar uma situação de caos e desviar a atenção de si como presidente irresponsável e incompetente.


Tiago Almeida tiago.negry@outlook.com

São Paulo


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ENTENDER AS AUTORIDADES


Dizem os especialistas que a presente epidemia do novo coronavírus (a tal covid-19) só será debelada quando cerca de 70% a 80% da população tiver contraído o vírus. Entendo, então, que, enquanto essa porcentagem estiver abaixo dessa faixa de projeção, o problema continua. Pregam, então, as autoridades o isolamento social de pessoas. Mas ora (ou pois, ora), confinando a sociedade, a disseminação vai se propagar a uma taxa progressivamente mais lenta, “achatando a curva”, o que quer dizer que levará mais tempo para que os 70% a 80% da população sejam contaminados pelo vírus. Daí decorrem as mudanças de datas para “abertura” das atividades econômicas, à medida que mais dados são incorporados às estatísticas para saber em que nível (proporção de contaminados) estamos. Dizem, também, as autoridades que não morrerão muitos (apenas milhares) e que muitos nem saberão ou sentirão que contraíram a doença, particularmente os jovens, as pessoas sadias, sem problemas de imunidades. Ou haverá esse perigo? Pois, se houver, então quando da abertura o problema continuará, não estará resolvido, pois não se terá atingido a faixa de porcentagem de infectados, e, então, serão ou seriam milhões o número de mortos? Se não há esse perigo, por que prorrogar a disseminação do contágio, que resolveria a dramaticidade da situação com o aumento dos infectados sadios, que protegerão os demais não saudáveis, já que de fato esta situação deverá ser alcançada para que voltemos à normalidade? Ah, direis, é porque o sistema de saúde não comporta pico de atendimento hospitalar, que requer aparelhos caros e raros, que parecem ser a única maneira de salvar a vida dos fracos de saúde que contraírem o vírus. Pergunto, então: por que um isolamento vertical é tão radicalmente rechaçado pelas autoridades (não médicas, mas políticas) e não mais racionalmente debatido, com esclarecimentos à sociedade, com orientações para de fato proteger quem deve ser protegido? Pois que estes, os fracos de saúde, certamente irão para UTIs, parece não haver dúvidas.


Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

Nazaré Paulista


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CONVERSÃO?


O governador Ronaldo Caiado, por ser a favor do isolamento horizontal, rompeu com o presidente Bolsonaro por este sempre pregar o isolamento vertical. Poucos dias depois, o governador resolveu flexibilizar as regras do isolamento horizontal no seu Estado, Goiás. Podemos dizer que o governador está à beira de uma conversão?


Darcy Martino darcymartino@yahoo.com.br

São Paulo


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COVID-19


Distanciamento, confinamento, isolamento. Uma morte a cada momento!  E ainda em busca de um medicamento! Oh, céus, até onde vai este nosso tormento?!


Nivaldo Ribeiro Santos nivasan1928@gmail.com

São Paulo


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FALSO DILEMA


Excelente o artigo publicado no Espaço Aberto da edição do dia 22 de abril, assinado por Antônio Claudio Mariz de Oliveira e colaboradores, com o título Saúde x economia, um falso dilema (22/4, A2).


Affonso Renato Meira, professor emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo armeira@usp.br

São Paulo


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O BRASIL NO SÉCULO 19


É inaceitável que 40% das pessoas no Brasil não estejam pagando suas faxineiras/diaristas durante a quarentena. Aí está um triste e trágico retrato do Brasil. Temos uma classe média para cima com forte ranço escravocrata, exploradora da mão de obra barata, predatória e sem a menor noção de solidariedade, cidadania e respeito aos direitos humanos. No atrasado e subdesenvolvido Brasil, parece que ainda estamos no século 19, na base do farinha pouca, meu pirão primeiro.


Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo


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BENEFÍCIO OU MALEFÍCIO?


O benefício da Caixa Econômica Federal (CEF), de R$ 600,00 ou R$ 1.200,00 pago em razão da covid-19, pode se tornar um malefício por causa da aglomeração sem a distância de 1,5m entre os enfileirados para receber o valor. Para evitar a disseminação da epidemia, é preciso respeitar a recomendação médica: máscara e, no mínimo, 1,5m entre as pessoas.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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ESTUDO COM HIDROXICLOROQUINA


Causou-me espanto a desaprovação pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) do estudo, entenda-se conduta, da Prevent Senior com o tratamento ambulatorial de pacientes com suspeita de infecção por coronavírus. Desde o início da pandemia tudo o que se indicou como prevenção da doença foi a higiene com água e sabão ou álcool 70 (que, aliás, não se encontrava no mercado). Em seguida veio a quarentena, com adesão abaixo da desejada. O último e glorioso passo foi o uso de máscaras que até hoje estão em falta no comércio (louve-se a atuação das brasileiras que em parte solucionaram o problema com suas máquinas de costura). O resto é aguardar pela vacina... Há semanas que paira o pavor da falta de leitos em enfermarias e UTIs Brasil afora. Eis que nos é apresentada uma eventual conduta que, caso confirmada, evitaria a internação de dezenas, centenas ou milhares de pessoas. A Conep desce, agora, do seu pedestal, provavelmente protegida em home office, ultrajada pelo fato alegado de que a Prevent teria se adiantado no tratamento preventivo de um grupo de pacientes no dia 26 de março sem o aval da comissão. Só tenho a cumprimentar a equipe do dr. Rodrigo Esper e a Prevent. Estamos em tempo de guerra. Não há tempo para burocracia. Talvez fosse sadio que muitos médicos de terno vestissem seu jalecos para ajudar estes bravos profissionais da saúde que realmente tocam nos seus pacientes, arriscando sua

vida.


Henrique U. Thiessen, médico aposentado huthiessen@uol.com.br

São Paulo

 

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