Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 03h00

Em tempos de pandemia

Triste Amazonas

Algo está muito errado. Criada, de facto, em 1967, na ditadura militar, a Zona Franca de Manaus foi isentada de impostos para que se pudesse desenvolver aquela região tão esquecida do Brasil. Passado mais de meio século, é de estarrecer que agora, com a covid-19, tenham ficado expostas as vísceras da miséria dessa cidade, onde pessoas sem condições de receber o tratamento devido morrem amontoadas em casa e nem sequer podem ter enterro digno. Não existem hospitais nem centros de saúde. Onde foram parar aqueles bilhões das isenções, que deveriam ter sido investidos para melhorar as condições dessa população, tão carente? Quem são os responsáveis? Vários presidentes pós-redemocratização se proclamaram “socialistas” e se elegeram com discurso contra a pobreza. O que fizeram para acabar com ela? Triste, muito triste!

BEATRIZ CAMPOS

BEATRIZ.CAMPOS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Brasil pós-coronavírus

Li e ouvi tantas notícias e entrevistas sobre o coronavírus que resolvi acreditar em todas, apesar revelarem muitas contradições. Assim, esquecendo um pouco a síndrome e olhando à frente, gostaria de chamar a atenção dos nossos governantes, dos políticos em geral e da sociedade para dois aspectos. 1) O Brasil tem verdadeiras fábricas de doenças instaladas nas chamadas periferias, que vitimam todos os anos milhares de brasileiros por simples falta de condições sanitárias. 2) Aproveitando os cabedais de solidariedade e recursos que brotaram nesta pandemia, poderíamos partir para a elaboração e implementação de um plano nacional de política sanitária com a adequada alocação de recursos para acabar com essas fábricas de doenças. Capacidade técnica para implementar uma política dessa magnitude e, pelo visto, recursos não nos faltam, haja vista que em passado recente, em completa inversão de valores, foram investidos bilhões de reais na construção de modernos estádios de futebol que serviram para a realização de alguns poucos jogos em regiões onde havia e há uma enormes carências de saúde, para não falar de escolas e outros equipamentos sociais. A Amazônia é um exemplo de região em que há endemias crônicas seculares e onde foram construídos dois modernos estádios, mas não dispõe de hospitais e outros equipamentos para socorrer pacientes da covid-19.

JOSÉ JOAQUIM ROSA

JOSE.ROSA1945@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Nosso Plano Marshall

O Brasil está aprendendo duras lições. Primeiro, erramos em permitir a demagogia que privilegiou algumas empresas e bancos e levou à crise da indústria por ser mais barato comprar lá fora. Gastamos muito dinheiro em obras no exterior, que hoje nos faz falta, além de perdoarmos dívidas de países em nome de projeção mundial, quando o primeiro foco deveria ser desenvolver hospitais e centros médicos públicos eficientes e reformar os existentes. Todos equipados, com profissionais bem remunerados e alta especialização. Não se podem esperar cirurgias e exames por meses! A segunda lição é cuidar do saneamento básico, que tem um projeto estacionado no Parlamento. A terceira é o desenvolvimento de tecnologia de ponta de forma mais intensa – temos de ter nosso vale do silício. A quarta lição é que ficou mais que claro que o Brasil não pode depender de insumos e materiais de outros países. Temos mão de obra e aí vamos para a educação de qualidade, que é a quinta lição. Desanima ver tantas fábricas fechadas, quando poderiam estar ativas. Por fim, a mais árdua lição, é a urgência em dar fim aos penduricalhos de políticos e do alto funcionalismo público. É inacreditável a quantidade de recursos e meios de que dispõem. Não é uma mudança rápida, mas pode ser nosso Plano Marshall.

JOSE RUBENS DE MACEDO SOARES

JOSERUBENSMS@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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País de paradoxos

Este país gasta mais do que arrecada, entre outros paradoxos. Agora quer “reabrir” antes do pico da covid-19 – de 20 de abril a 30 de maio. E lança o plano Pró-Brasil, de obras públicas – imitando o New Deal do presidente Roosevelt, para reativar a economia americana pós-quebra de 1929 –, antes do fim da crise do coronavírus no País. Diz o ditado que quem se apressa come cru. O governo faz política populista, enquanto a Nação conta os seus mortos.

PAULO SERGIO ARISI

PAULO.ARISI@GMAIL.COM

PORTO ALEGRE

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Torre de Babel

Verifica-se uma grande incoerência em diversos governos municipais, estaduais e no governo federal. Ao mesmo tempo que pretendem fazer a testagem em massa dos brasileiros, dão início ao relaxamento do isolamento social, mesmo com as estatísticas indicando que a pandemia do coronavírus ainda não chegou ao ápice. Parece a própria Torre de Babel, ninguém se entende.

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Horizontes

Quando sairemos desta situação crítica? Qual será o nosso amanhã?

LAERT PINTO BARBOSA

LAERT_BARBOSA@GLOBO.COM

SÃO PAULO

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Caos à vista

Se o ministro Sergio Moro sair do governo, fico pensando se Jair Bolsonaro não vai acabar renunciando por falta de governo. Além de destruir seu próprio governo, o que mais o presidente Bolsonaro sabe fazer?

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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Esticando a corda

Ante os rumores sobre a saída de Moro do governo, é de perguntar: qual o conceito de governabilidade de Bolsonaro?

SÉRGIO ECKERMANN PASSOS

SEPASSOS@YAHOO.COM.BR

PORTO FELIZ


FILME DE TERROR

Neste filme impróprio para menores de 60 anos, o protagonista é o facínora coronavírus; o coadjuvante, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; e críticos, o ex-deputado Roberto Freire e o deputado Marcelo Calero (RJ). Vejamos o que escreveu o ministro Ernesto Araújo: “A pretexto da pandemia, o novo comunismo trata de construir um mundo sem nações, sem liberdade, sem espírito, dirigido por uma agência central de ‘solidariedade’ encarregada de vigiar e punir. Um estado de exceção global permanente, transformando o mundo num grande campo de concentração. Diante disso, precisamos lutar pela saúde do corpo e pela saúde do espírito humano, contra o coronavírus, mas também contra o comunavírus, que tenta aproveitar a oportunidade destrutiva aberta pelo primeiro, um ‘parasita do parasita’”. Em seguida, a fala do presidente do Cidadania, o ex-deputado Roberto Freire, e do deputado Marcelo Calero (RJ), afirmando que o ministro é lunático e redigiu um artigo paranoico: “Ernesto Araújo trai as nossas melhores tradições diplomáticas e desonra a nação internacionalmente com suas ideias toscas, delirantes, desprovidas de lógica e com sentido beligerante”. The End.


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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ITAMARATY


Com efeito, há algo de podre no reino do Itamaraty, quando o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, cita em seu blog pessoal, o Metapolítica 17 (número eleitoral de Bolsonaro), que “chegou o comunavírus, jogo comunista-globalista de apropriação da pandemia para subverter completamente a democracia liberal e a economia de mercado”. Numa observação crítica ao Partido Comunista Chinês e à Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que “o novo comunismo trata de construir um mundo sem nações, sem liberdade, sem espírito, dirigido por uma agência central de “solidariedade” encarregada de “vigiar e punir”. Nesta quadra gravíssima da história da humanidade, em que a economia mundial está paralisada pela mortífera pandemia da covid-19, quando se sabe que a recuperação será dificílima e demorada, um diplomata inepto resolve de maneira irresponsável e despropositada criticar abertamente a China, maior e mais importante parceiro comercial do Brasil, responsável por grande parte da receita de sua balança comercial. Itamaraty, quem te viu, quem te vê...


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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ATORMENTADO


Nosso ministro das Relações Exteriores, o dr. Ernesto Araújo, tem passado a impressão de ser uma pessoa atormentada. O pavor do comunismo, que não posso saber de onde vem, deve ser um obstáculo para que ele veja o mundo com mais clareza. Seu texto Chegou o comunavírus é delirante e vergonhoso. Particularmente ridículo é o trecho “a pretexto da pandemia, o novo comunismo trata de construir um mundo sem nações, sem liberdade, sem espírito, dirigido por uma agência central encarregada de vigiar e punir”. Não tenha medo, ministro, o comunismo dorme hoje ao lado do anarquismo, que tanto barulho também fez no passado.


Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos


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‘COMUNAVÍRUS’


Para Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, está em andamento um projeto globalista executado através de alarmismo climático ou climatismo, de ideologia de gênero, migracionismo, racialismo, cientificismo, antinacionalismo e dogmatismo político correto, tudo em prol do comunismo. Como diz o povo, “falta um parafuso” nesse ministro.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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NOBEL DA IGNORÂNCIA


Com suas declarações, o ministro Ernesto Araújo se tornou um forte candidato ao Prêmio Nobel de ignorância.


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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LIÇÃO QUE A HUMANIDADE HERDA DO VÍRUS


As necessidades vitais falam mais alto do que as derrapagens toscas de cérebros imperfeitos. A partir desta dolorosa experiência mundial, a opção saudável converge para a solidariedade global e dialógica. Não haverá mais espaço para nacionalismos xenófobos e concepção da política como dizimação dos divergentes, que empolga o gabinete do ódio e o atual governo brasileiro.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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COVID-19 NO BRASIL


Segundo a Fiocruz, em matéria publicada no Estadão de 23/4, as mortes por coronavírus estariam dobrando a cada cinco dias no Brasil. Curioso pela informação, encontrei os detalhes da notícia no portal da fundação e, em paralelo, acessei os dados das mortes por coronavírus disponíveis no portal do Ministério da Saúde, covid.saude.gov.br. De fato, nos três períodos analisados pela Fiocruz as mortes dobraram, em média, a cada cinco dias. Ocorre que essa tendência se alterou do dia 16 de abril, final do último período investigado pela fundação, para cá. Nos cinco dias entre 17 e 22 de abril o total acumulado de mortes pelo coronavírus cresceu 35,7%, de 2.141 para 2.906 óbitos.


Marcelo Melgaço melgacocosta@gmail.com

Goiânia


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MÉDICOS CUBANOS NO PARÁ


A vida inteira UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) viviam lotadas e, para obter vaga, era preciso decisão judicial, e mesmo assim não havia garantia alguma. Milhares morreram sem leito, mas não era manchete. Agora, os burocratas inventaram um nome bonito para isso: colapso do sistema. O governo do Pará joga para a plateia ao trazer médicos cubanos, já que sabe que o gargalo é de intensivistas, que precisam de uma longa formação impossível de ser feita em semanas, e não de pessoas de branco enganando a população. Além disso, é fundamental que esses pesquisadores que defendem o isolamento horizontal mostrem evidências científicas robustas de que ele trará menos mortes no longo prazo do que o isolamento vertical.


Raphael Câmara Medeiros Parente, médico e epidemiologista raphaelcmparente@hotmail.com

Rio de Janeiro


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TRAPALHÕES


O governo brasileiro prometeu antecipar o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial de R$ 600,00 para esta semana, iniciando ontem, quinta-feira. Daí veio a notícia da suspensão da antecipação, por falta de verbas e de medida legal que permitisse a obtenção dos fundos necessários. Pergunto: quando da promessa da antecipação, nenhum dos anunciantes se preocupou em saber dos fundos e da possibilidade de obtê-los para o pagamento prometido? Ou tudo não passou de impulso inconsequente, levado pela politicagem em falar antes de verificar? E aos beneficiários esperançosos, mais paciência, como se tudo estivesse fácil. E o pior na economia ainda nem começou.


Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo


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‘COVID-19 E EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO’


Muito bom o artigo do dr. Humberto Ávila (Covid-19 e empréstimo compulsório, 23/4, B7). Realmente, estes congressistas oportunistas deveriam se informar melhor e parar de criar jabuticabas. Ficam aqui algumas sugestões bem mais fáceis de alcançar o mesmo objetivo, ou seja, destinar verbas para o combate à pandemia: abram mão do Fundo Partidário, do Fundo Eleitoral e de uma grande parte de suas benesses. Vocês ficarão muito melhor na foto.


Fernão Dias de Lima fernaodiaslima@gmail.com

São Paulo


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O REINO DA INCOMPETÊNCIA


As melhores drogarias de Belo Horizonte ainda não receberam máscaras para venderem para os seus clientes. Um país como o Brasil não poderia estar passando por uma situação ridícula como essa. Fabricamos automóveis, máquinas agrícolas, computadores, construímos plataformas de petróleo e não conseguimos abastecer o mercado com simples máscaras. Se as autoridades tivessem se organizado minimamente, teríamos um belo estoque de equipamentos de proteção individual à disposição de todos, com preços justos. Pagamos caro, mais uma vez, pela má gestão municipal, estadual e federal. A incompetência reina na esfera política.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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INVESTIMENTOS PÚBLICOS


Por fim uma nova brisa longamente esperada sopra na economia. Manchete do Estadão de ontem (23/4) me lavou a alma: Ala militar impõe obras; equipe de Guedes diz que não há verba. Quando muitos temiam que os militares articulassem um golpe depois do episódio lamentável de domingo em Brasília, a ala militar do Planalto, ao contrário, surpreende para melhor e desafia frontalmente a ortodoxia de Paulo Guedes e equipe do Ministério da Economia, apresentando um plano de retomada dos investimentos, chamado de Pró-Brasil, no valor total de R$ 300 bilhões em dez anos, sendo R$ 50 bilhões de investimento público, dos quais R$ 30 bilhões imediatamente na retomada de obras paralisadas ou recém-iniciadas, e R$ 250 bilhões de parcerias público-privadas. O Ministério da Economia, que não participou da elaboração do plano nem do seu anúncio, se opõe totalmente e declara não haver dinheiro, e, fiel à sua cartilha da Escola de Chicago, afirma que a recuperação dos investimentos será promovida naturalmente pelo mercado, após alcançado o seu reequilíbrio financeiro com a reforma previdenciária e outras em curso. É sonho de uma noite de verão esperar que o setor privado retome os investimentos tão necessários, máxime depois da crise agravada pela pandemia do coronavírus. O apito de partida tem de ser dado pelo Estado. Se não há dinheiro, que se coloquem títulos no mercado. Não é isso o que se faz rotineiramente para pagar os juros da dívida interna, que chegaram ao nível atual de mais de R$ 3 trilhões em razão das taxas absurdas da Selic, até que Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central, teve a lucidez de reduzi-las ao seu nível atual? Se se pode emitir para pagar os juros, por que não para realizar um projeto economicamente justificável que pode gerar renda e empregos futuros?   


Paulo Afonso de Sampaio Amaral drpaulo@uol.com.br

São Paulo


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MINISTRO DA ECONOMIA


Durante a coletiva de imprensa ocorrida na quarta feira (22/4) no Palácio do Planalto, causou-nos estranheza a ausência do ministro da Economia, Paulo Guedes. E no dia seguinte, mais ainda, ao nos depararmos surpreendentemente com a informação divulgada pelo Estadão de que os militares do governo lançam plano de recuperação econômica também sem a presença do ministro Paulo Guedes.


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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FEBRE E DOR


O mundo está arriado, estatelado, mortificado, e esta “bolinha pontuda”, que mais parece brinquedinho de pet, muito embora esteja desequilibrando as economias do planeta todo, matando milhares de cidadãos e se oferecendo às mais diversas artimanhas e estratégias de gestão e política, acabou por resultar no desnudamento de práticas sanitárias condenáveis, toleradas, bem como práticas de estratégias de produção humanamente questionáveis observadas por muitos países e empresas. O mundo todo se solidariza no combate à pandemia, buscando vacinas e remédios que curem os males já feitos, mas o mundo todo convive com práticas, culturas e costumes, inclusive alimentares, que, com base em opiniões de especialistas, dão origem a doenças que dizimam milhares de vidas, mas são apresentadas por muitos documentaristas, apresentadores de programas de variedades, etc. como práticas exóticas, curiosas e, em alguns casos, imitáveis. Por outro lado, inúmeros governos, em especial de países ricos, aproveitando-se das condições laborais desiguais quanto aos direitos, tratamento e remuneração aviltante de trabalhadores, num regime absolutista, comprazem-se em se acomodar com o provimento de produtos com o famoso rótulo “made in...”, independentemente de eles provirem do emprego de mão de obra subrecompensada. Mas isso é considerado por “inteligentes” estrategistas empresariais e governamentais como favorável ao business, pois empresas abastecidas, em todo o mundo, aproveitam-se financeiramente comprando insumos e produtos com preços de pechincha, a despeito de eles carregarem este peso humano e social. Diante da crise, agora, todo o mundo está assustado, lamentando-se, individualmente, por não ter pensado no problema, culpando-se uns aos outros, vendo o óbvio da falha de estratégia de produção “terceirizada mais barata”, que foi se ampliando e chegando a bens essenciais que, no momento de combate à pandemia, tornam-nos todos dependentes, já que vivemos nesses mesmos países e empresas “espertinhos”. O que se faz diante de uma epidemia? Buscam-se vacinas e remédios que previnam e curem, visando a causa e efeito, não é? Pois bem, diante de uma epidemia em que há possibilidade de conhecer a origem e os agentes geradores do vírus, o que se faz, nada? Convivemos com as histórias que nos são contadas ao longe, já agora dando conta de uma subavaliação de 40% no número de mortes. A febre índica o grau da infecção do mal e a dor, o limite de suportá-lo. Seja na saúde, seja na economia. A qual temperatura devemos chegar e que dor poderá nosso país suportar? Todo este sofrimento humano e esta decadência econômica têm de gerar solidariedade, ajuda mútua e ação saneadora dos males que originam essa doença que está destruindo nossas sociedades. Só não vale é repetir aquela alienadora frase, politicamente correta: “Don’t worry, be happy!”.


Paulo Pizão servec@servec.com.br

Rio de Janeiro


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LIDERANÇA


Sobre o artigo Verdadeiras e falsas lideranças (Estadão, 22/4, A2) retrata com muita clareza o papel e a diferença entre uma falsa e uma verdadeira liderança. Em comunicação anterior eu já mencionava o nome do governador do Rio Grande do Sul, sr. Eduardo Leite, e o fiz utilizando as palavras “nova liderança”, observando por meio do Estadão seu favorável desempenho com ações políticas, reformas administrativas e sociais importantes e embasadas. Oxalá um novo nome jovem e inteligente esteja emergindo. Vamos torcer.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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DÁ CÁ, TOMA LÁ


Precisou de muitas derrotas, em importantes votações, e de um desgaste criado por ele próprio com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pode terminar numa ação de impeachment, para o presidente Jair Bolsonaro entender que precisa de uma base sólida no Congresso Nacional. Por isso, intensificou nos últimos dias o ritmo de negociações com partidos do centrão, como PP, PL, PSD e Republicanos, para nomeações em ministérios, autarquias e estatais. Assim, com um pouco mais de um ano de mandato, Bolsonaro se entrega à velha política do toma lá dá cá, que ele prometia, com sangue nos dentes, nunca utilizar para governar. Mas, se o nome dessa nefasta política lhe incomodar muito, podemos rebatizá-la de dá cá, toma lá.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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‘NOVA’ POLÍTICA


O presidente Bolsonaro resistiu 16 meses à velha política. Com Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, parece que recomeçou o tal “governo de coalizão”, loteando cargos com os políticos já conhecidos pela Justiça.


Luiz Frid    luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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QUEM DIRIA


Nos últimos dias, de forma súbita e inesperada, o presidente da República e sua tribo começaram a atacar o presidente da Câmara dos Deputados. O motivo não estava claro, visto que até há poucos dias trabalhavam em conjunto, com a efetividade legislativa do Congresso sendo até objeto de análises favoráveis pelo Estadão. Na quarta-feira, porém, vendo as notícias das páginas A3 e A4, foi possível entender o porquê dessa mudança de atitude: o presidente quer evitar que seja iniciado um processo de impedimento contra ele e, para isso, precisa ter um homem de sua inteira confiança na presidência da Câmara dos Deputados. Visando a atrair votos que lhe garantam indicar o substituto do presidente da Câmara a partir de 2021, além dos citados ataques, começa a cabalar apoio e votos entre deputados de partidos menos dedicados à linha limpa. Nisso, quem diria, imita o PT. Será que reeditará o mensalão?


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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ELEIÇÕES EM 2022


Após batermos o recorde mundial em corrupção, a covid-19 ceifando vidas, causando desemprego e desestruturando as finanças, é necessário reduzir gastos. A começar unificando o pleito de todos os cargos eletivos para 2022. É simples. Basta prorrogar por dois anos os atuais cargos de prefeitos e vereadores e, doravante, eleições só de quatro em quatro anos. Será uma enorme economia agora e para sempre.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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QUARENTENA NO RJ


O abrandamento da quarentena no Estado do Rio de Janeiro está prestes a se concretizar. O governador Wilson Witzel já se manifestou sobre o assunto, porém seu conhecimento sobre o território do Estado é precário. Ele não sai de seu gabinete, no Palácio das Laranjeiras, não visita os municípios; até agora, só pensou em combater a bandidagem na capital e região; não resultou em nada sua atuação na crise da água; e, na crise da covid-19, não se sabe em quais municípios se poderá implementar o relaxamento da quarentena. O Estado do Rio tem suas peculiaridades, principalmente em relação ao relevo e diversos climas regionais, é compulsório que as decisões desta matéria estejam sob a responsabilidade dos respectivos governantes dos municípios.


Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro


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REABERTURA EM SP


Centro da pandemia de covid-19, São Paulo já planeja e anunciou a reabertura gradual da sua economia, para o próximo 10 de maio, e lá todos afirmam que, até este dia, estarão preparados para enfrentar a pandemia que ainda estará em ascensão. Como assim? Até 10 de maio serão criadas quantas vagas em leitos de UTI, e que não o foram ainda? Ou será que o governo paulista rezará pela bíblia do presidente Bolsonaro, que prega a lenta reabertura da economia, porém pretendendo que não, que é diferente, que nunca seguiria o presidente, pois ele nega todas as evidências científicas e só pensa em reeleição? Sim, porque ninguém passa simplesmente, em poucos dias, de totalmente equivocado para totalmente lógico, ou houve julgamentos precipitados que clamarão, agora, pelos devidos reparos da imagem atacada?


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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SÃO PAULO


Se houver abertura econômica no Estado de São Paulo, o Brasil todo vai respirar aliviado.


Fausto Ferraz Filho faustoferraz15@gmail.com

São Paulo


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O PAÍS QUER (E PRECISA) TRABALHAR


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que em 2018 morreram 1.279.948 brasileiros, isto é, 3.506 por dia. O número não causa alarde. Mas as 2.471 mortes pelo coronavírus de 14 de março a 21 de abril foram motivo para suspender as atividades econômicas, impor o isolamento social e gerar profunda crise política com demissão de ministro e pedidos de impeachment do presidente da República e outras autoridades. O combate à pandemia merece todo empenho, mas não pode paralisar o País e, de imediato, levar à fome os mais pobres que com suas ocupações muitas vezes informais precisam ter renda todos os dias ou sucumbem. São Paulo revela que o Estado detém 1.093 das 2.471 mortes e que 84,9% das vítimas eram idosos ou portadores de comorbidades, e, ainda, que os casos de infecção já detectados estão em 239 dos 645 municípios. É o momento de governadores e prefeitos, que criaram as restrições, buscarem o ponto de equilíbrio. Liberar para o trabalho a população de menor risco e os moradores dos municípios onde não há infectados constatados, mesmo que com a obrigatoriedade do uso de máscaras e outros cuidados profiláticos, é o mais sensato. O coronavírus não é o causador da crise na Saúde brasileira. Antes de sua chegada já havia filas nas portas de hospitais e falta de vagas nas UTIs e muitos pacientes morreram inassistidos. Flexibilização já.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                     

 

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