Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 03h00

Governo Bolsonaro

Quem acredita?

O homem que decide a economia é um só, Paulo Guedes, conforme declaração do presidente da República, ontem. Mas alguém ainda acredita na palavra de Jair Bolsonaro? A mesma palavra que foi dada a Sergio Moro quando era conveniente e importante para ele usar o prestígio do então juiz para conseguir votos de eleitores indecisos? Tenho certeza que Guedes sabe que declarações de Bolsonaro valem tanto como uma nota de três reais. Se, mesmo depois do episódio Moro e do “Pró-Brasil verde oliva” ele ainda decidir permanecer como ministro da Economia, no meu entender, só poderá ser por falta de melhor opção ou por inércia.

RONALDO GOMES FERRAZ

RONFERRAZ@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

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Desagravo de ocasião

Em linguagem futebolística, Guedes “está prestigiado”...

ALDO BERTOLUCCI

ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Aval dos ‘meninos’

Se Bolsonaro diz que o homem que decide economia se chama Paulo Guedes, posso concluir que os filhos dele concordaram com essa posição?

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Aparelhamento

Nunca precisamos tanto de um presidente estadista, capaz de comandar um país politicamente bipolarizado, com as finanças em frangalhos e totalmente desinformado, ou mal informado, sobre como se comportar diante da maior pandemia que afeta o planeta inteiro. Totalmente na contramão dessa necessidade, temos um presidente que dedica agora todo o seu tempo e o dos cabeças de sua equipe à tarefa de impor – pressionado diante das acusações contundentes do ex-ministro Sergio Moro sobre tentativas de conhecer e influenciar investigações na Polícia Federal (PF) – um novo ministro da Justiça e um novo diretor-geral da Polícia Federal mais afáveis diante da pandemia de seus malfeitos e dos pimpolhos 01, 02 e 03, que o influenciam diretamente sobre como governar o Brasil.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Escalada autoritária

Quem poderia imaginar que, depois de demitir o presidente do Inpe, sucatear o Ibama, calar o Coaf, indicar um dócil para procurador-geral da República e demitir Mandetta em plena pandemia de covid-19, ele ainda seria capaz de intervir na PF em favor da família e dos amigos de condomínio e até interferir num decreto do Exército Brasileiro? Quem poderia imaginar que no lugar de Moro fosse indicado um amigo dos filhos de Bolsonaro, assim como o novo delegado-geral da PF, que até réveillon passou com o Carlos 01? Meritocracia? Fim da mamata? Escolhas de ministros técnicos? Fim da troca de cargos com políticos e partidos? E você acreditou?

RAFAEL MOIA FILHO

RMOIAF@UOL.COM.BR

BAURU

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Ideário do clã

E daí? Eu sou a Constituição. Para fechar o STF bastam um soldado e um cabo. Uma resposta pode vir por meio de um novo AI-5. Assim pensa o clã Bolsonaro, que governa o País.

JORGE DE JESUS LONGATO

FINANCEIRO@CESTADECOMPRAS.COM.BR

MOGI-MIRIM

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Papel dos militares

O presidente montou seu governo com ministros, segundo ele, capacitados e desprovidos de qualquer conotação política. Não deixou, entretanto, para sua garantia e segurança, de cercar-se de militares renomados, nomeando-os para diferentes cargos de responsabilidade, que seriam fiadores de uma administração séria e impoluta. E assim tem sido, pois as Forças Armadas merecem total apoio, confiança e respeito. Mesmo diante de falas e atitudes eivadas de um primarismo chocante e avassalador, lá estavam os militares sempre dando-lhe sustentação e amparo. Mas o panorama mudou muito após os últimos acontecimentos: a ostensiva rebeldia e desobediência do presidente às recomendações de isolamento social, seus discursos revoltados contra os Poderes constituídos para um grupo que portava cartazes a favor do AI-5, seguidos de atos tão questionáveis como a demissão do ministro Mandetta e as provocações ostensivas contra Sergio Moro, inquéritos no STF, denúncias de crimes de responsabilidade e outros. Em que situação o presidente pôs as Forças Armadas, a maior base de sustentação de seu governo, hein?!

REGINA ULHÔA CINTRA

REGINA.CINTRA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Contaminação institucional

Da convulsão no triângulo Bolsonaro-Moro-Valeixo restou contaminação patogênica institucional sem antídoto enquanto permanecer ou sobreviver o governo atual: a desconfiança e suspeita de sujeição operacional indevida ao presidente da República, que terá o novo diretor-geral da PF ligado ao clã do Condomínio Vivendas da Barra, no Rio. Talvez só o general Augusto Heleno, com sua reconhecida autoridade moral e profissional no Exército, pudesse ser visto pela sociedade como barreira ao desvario investigativo do ex-capitão.

JOSÉ MARIA LEAL PAES

TUNANTAMINA@GMAIL.COM

BELÉM

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Sem opção

Aos que, como eu, estão profundamente decepcionados com o “mito” que elegemos, por exclusão, para presidente, faço questão de lembrar a alternativa petista que se tinha no momento derradeiro do voto. E me bendigo pela decisão que tomei. (Deus do céu, Preciso continuar acreditando nisso!)

LAZAR KRYM

LKRYM@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Exorbitância

Sabíamos que teríamos de pagar um preço pelos anos de lulopetismo populista e corrupto, só não sabíamos que com Bolsonaro esse preço acabaria se tornando impagável!

FRANCISCO JOSÉ SIDOTI

FRANSIDOTI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

DESEMPREGO NA PANDEMIA

 

O efeito devastador da pandemia de covid-19, com mais de 200 mil mortes e quase 3 milhões de infectados pelo mundo, também atinge duramente o Brasil. Junto com gastos de recursos extras, que podem fazer explodir o déficit fiscal, de mais R$ 600 bilhões para que governos federal, estaduais e municipais enfrentem a pandemia, certamente a quebradeira de empresas e o fechamento de postos de trabalho serão alarmantes. É o que indica o Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV): a estimativa anterior à pandemia era de que haveria em 2020 alta de 1% na renda do trabalhador brasileiro; agora, já se fala em queda de 8,58%. Ou seja, a média salarial estimada de R$ 2.413,00 deve ficar, conforme o estudo, em R$ 2.206,00. Quanto ao índice de desemprego, que estava em 11,6%, ou 12,3 milhões de desempregados, prevê-se que, com os efeitos da covid-19, chegue a 17,8%, ou 18,9 milhões de desempregados neste ano. No mesmo sentido, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI) que a economia mundial deva cair em torno de 3%; para o Brasil, neste estudo, é estimada uma queda do PIB de 5%, e entre alguns analistas essa queda pode chegar até a 8%. Ou seja, um quadro devastador! E como, infelizmente, o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, não ajuda, só promove crises agudas que podem até ensejar seu impeachment, mais traumática ainda será a situação neste ano no Brasil.

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

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FLEXIBILIZAÇÃO DO ISOLAMENTO SOCIAL

 

O tempo passa e é preciso que as aberturas aconteçam paulatinamente com o objetivo de estancar a parada quase que total que o País está vivendo. Contudo, a grande dificuldade consiste em estabelecer qual será o momento adequado, mais efetivo, para iniciar a flexibilização do distanciamento ou isolamento social, considerando a ausência de dados mais precisos não da doença, mas, sim da evolução viral e da velocidade da transmissão e contágio. Entretanto, repito, a ciência já demonstrou claramente que o isolamento social é uma arma poderosa para estancar a voracidade do contágio. Existem alguns modelos virtuais afirmando esta agressividade viral. Infelizmente, no Brasil, e particularmente em São Paulo (capital) – o epicentro da pandemia –, a adesão à quarentena, embora tenha iniciado bem, nas últimas semanas demonstrou um enorme relaxamento. O cálculo técnico-científico de isolamento gira em torno, no mínimo, de 70% da população. Infelizmente, a despeito das orientações passadas diariamente por especialistas, parte importante da população ignorou essa básica e fundamental ação, estando este nível numa média pouco inferior a 50%, o que para os modelos matemáticos é absolutamente inaceitável, uma vez que já demonstram o contágio em escala geométrica. Os resultados desse desinteresse de muitos estão claramente demonstrados nos números divulgados, que se elevam diariamente: São Paulo acumulou no domingo o macabro número de 1.700 mortes causadas pela covid-19 e foram registrados 20.175 casos no Estado, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde. Além disso, para complicar, o Brasil tem uma baixa testagem em relação a outros países com alta incidência da doença: 80 testes por 100 mil habitantes. Em resumo, somente para comparar: Alemanha testa 2.500 pessoas por 100 mil habitantes. Bem sabemos que há uma escassez de testes no Brasil, contudo é fundamental uma virada nesta questão da testagem. Portanto, diante de uma insatisfatória baixa ao recolhimento social, associada à baixa testagem, os ingredientes básicos estão presentes para que a elevação do contágio siga seu caminho. Infelizmente, ainda estamos longe de ter uma vacina, e alguns produtos farmacêuticos que se apresentam como candidatos à cura da doença ainda carecem de estudos clínicos que possam comprovar eficácia e segurança. Portanto, repito, é preciso manter o isolamento social. A Alemanha, sob o comando da primeira-ministra Angela Merkel, saiu na frente neste processo de flexibilização da quarentena e na abertura gradativa da econômica. Para tanto, além do contingenciamento social, a Alemanha utiliza de cálculos e modelos matemáticos, para monitorar com que velocidade essa flexibilização deverá acontecer. Sugiro que o Ministério da Saúde do Brasil passe a utilizar essa metodologia matemática que está trazendo auspiciosos resultados para a Alemanha e já está sendo utilizada por outros países europeus. Enfim, se pretendemos sair desta situação o mais rápido possível, a população tem de cumprir a sua parte. Outrossim, é óbvio que uma parcela dos cidadãos tem de voltar às ruas, até por uma questão de sobrevivência. Neste caso, é preciso que esta gente seja identificada pelo poder público e este dê todo o apoio e suporte para que estes cidadãos voltem às ruas com total segurança para si próprios, com base inicial em testagem. Lembro ainda que o “tempo pode ser o melhor dos nossos amigos, mas, por outro lado, o pior dos nossos inimigos”. Uma parte desta história está nas nossas mãos, diante da decisão pessoal de manter ou não o isolamento social.

 

David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo

 

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LOCKDOWN NO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Se o isolamento social é o único procedimento que produz resultado contra o coronavírus, mas é cada vez mais flexibilizado voluntariamente no Estado de São Paulo, sob a lógica de não permitir a inutilidade do que já foi conquistado, o lockdown absoluto, no mínimo por dez dias, para que o pico do cume não seja um Everest, como afirmou o infectologista David Uip, é imprescindível o caminho da compulsoriedade em detrimento das liberdades públicas. O superior valor hierárquico da Constituição consiste na tutela da vida, quando dela cogitamos unicamente sob a perspectiva jurídica. Para bem governar, o primeiro requisito é a coragem.

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

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A VIDA COM A COVID-19

 

O que vai mudar a partir de 11/5, com o anunciado fim da quarentena e o processo de contaminação? Na minha visão, nada. O que precisamos fazer é moldar a nossa vida até que tenhamos uma solução, seja com um medicamento apropriado ou vacina para enfrentarmos este vírus. Enquanto isso não vem, não podemos simplesmente ficar em casa. Precisamos definir parâmetros de sobrevivência de como podemos frequentar o comércio e como desempenharmos as nossas atividades profissionais durante essa situação. Além do vírus, existe também a questão de sub-existência das famílias e da vida futura. Obrigatoriedade de máscaras, por que não? Limitar acesso aos estacionamentos? Números de pessoas por loja? Funcionários com máscaras e álcool gel? Limitar pessoas nos elevadores? Distanciamento em bares e restaurantes? No transporte coletivo? E tantos outros. Esta é a nossa nova vida após e ou com codiv-19. Uma coisa é certa e clara: não podemos ficar eternamente em casa até que a população esteja totalmente imunizada. Já tivemos tantas outras pandemias e achamos um modus operandi, não será agora que vamos nos enterrar antes da hora. Que Deus nos proteja e nos dê a luz para buscarmos estes novos parâmetros da vida atual. A vida continua, apesar das interporias do tempo e das dificuldades para sobrevivência.

 

Carlos Sulzer csulzer@terra.com.br

Santos

 

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‘A OMISSÃO BUROCRÁTICA’

 

Os adjetivos que Ives Gandra da Silva Martins (A omissão burocrática, 27/4, A2) usou para classificar a máquina pública brasileira – “mastodôntica”, “esclerosada” e “pantagruélica” – dão a real dimensão do tamanho do problema que representa um Estado gigantesco, ineficiente e perdulário, freio do crescimento e avanço do País. Somos reféns de centenas de milhares de servidores comissionados, a maioria incompetente, em todas as esferas de poder e níveis de governo, além dos milhões de concursados indemissíveis. Que pelo menos tenham a decência de não se oporem à redução temporária dos seus salários, pondo a mão na consciência e pensando no horror das dezenas de milhões de desafortunados que se juntarão à multidão dos já desempregados.

 

Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)

 

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INTOCÁVEIS

 

De mansinho, mas bem de mansinho, como se vivesse em outra galáxia, o estamento da alta burocracia vai escapando incólume de mais essa catástrofe planetária. Nenhuma força humana chega ao menos perto de questionar os “direitos” (ou abusos?) adquiridos desta cidadela inexpugnável da privilegiatura, a casta de sugadores do Estado.

 

J. S. Gama lynx@uol.com.br

São Paulo

 

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NOSSO MAIOR PROBLEMA

 

Na edição de ontem, o Estadão trouxe artigo do Ives Gandra da Silva Martins em que diz “O Estado de S. Paulo publicou, em 2015, que o governo federal mantinha 115 mil servidores não concursados”. E, na mesma edição, Sônia Racy entrevistou Delfim Netto, que disse: “O fato é que toda essa casta que se apropriou do poder continua com seus salários intocados”. Portanto, as cabeças pensantes deste país sabem qual é o nosso maior problema. Como alterar, democraticamente, eis a questão.

 

Waldyr Sanchez waldyrsanchez@gmail.com

São Paulo

 

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APOSENTADOS DO SERVIÇO PÚBLICO

 

Pelo noticiário econômico mais recente, pela busca de recursos para serem aplicados na saúde, principalmente na compra de insumos e equipamentos para combater o coronavírus, por tudo o que sabemos das aposentadorias dos servidores públicos de todos os níveis, Legislativo, Judiciário e Executivo, e em todas as esferas de governo, municipal, estadual e federal, obviamente estando aí incluídos o Exército, a Marinha e a Aeronáutica e todas as polícias de todos os níveis – civis e militares –, sugiro que suas aposentadorias fossem somente por três meses rebaixadas ao nível mais alto das aposentadorias pagas aos pobres mortais dos aposentados do setor privado. Tenho absoluta certeza de que em nada vai mudar na vida destes felizardos. Seria possível alguém fazer este cálculo para termos ideia desta grande ajuda para a causa do combate à covid-19?

 

Jose Carlos Goncalves jcg121947@gmail.com

São Paulo

 

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E DAÍ?

 

Para aliviar a pressão inexorável da covid-19 sobre o sistema de saúde público e privado, o presidente Jair Bolsonaro não somente demite o ministro da Saúde, mas faz questão de desafiar as regras mais básicas de proteção contra o vírus. Vai até o meio das pessoas sem máscara, ao mesmo tempo que se recusa veementemente a mostrar os resultados de seus testes para saber se foi infectado ou não. Colaborando com o combate à corrupção, à violência, ao tráfico de armas e de drogas, o presidente demite o ministro Sergio Moro e o diretor da Polícia Federal (PF) Maurício Valeixo, com olho na substituição do superintendente da PF no Rio de Janeiro. A depender dele, quer colocar no lugar duas pessoas de sua confiança (leia-se muito amigos) no Ministério da Justiça e na PF, para ter acesso ao andamento de certas investigações na Cidade Maravilhosa. Indagado sobre isso, veio sua resposta digna de Luis XIV (aquele da frase “o Estado sou eu”): “E daí?” Acorde, Brasil!

 

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

 

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A LEI DE BOLSONARO

 

No editorial Não é ‘esculacho’, é a lei (27/4, A3), acerca da indignação do presidente Jair Bolsonaro em querer e, como faz, interferir na Polícia Federal, é que a lei de Bolsonaro é aquela em que ele acredita, que favorece seus amigos e familiares e aos seus inimigos impõe a sua lei, tortura, morte e assassinato, coisas que ele defendeu tantas vezes.

 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

 

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ESCULACHO DOS OUTROS

 

Apurar fatos para encontrar a verdade é a missão da Justiça. E não se trata de esculacho, a não ser na conceituação de quem não deseja a apuração de fatos, até delituosos, em pessoas de seu entorno ou dela própria. Comete o ato de esculachar aquele que não colabora com o encontro da verdade para melhor aplicação da Justiça. Esculachada é a ação para tentar menosprezar e diminuir a apuração da verdade.

 

José Carlos de C. Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

 

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CASO FLÁVIO

 

Para mim fica cada vez mais estranho que se trate Flavio Bolsonaro como Jair Bolsonaro. Descendentes são livres, fazem o que bem entendem e devem ser respeitados, mas devem ser tratados como indivíduos. Misturar assuntos de gerações diferentes pode ser – na minha ótica é – aético. Por outro lado, restringindo-me ao Flavio, é surpreendente o tratamento que se dá ao caso, seja pelo Ministério Público, seja pela imprensa. Como o próprio editorial afirma, em dezembro de 2018 o Estado revelou relatório do Coaf que meramente apontava movimentação atípica. Desde lá Flavio tem tentado, felizmente sem sucesso, que se evitem investigações. Sendo que as investigações continuaram, é inaceitável que, decorridos quase 15 meses da revelação pelo Estado, e por conta disso há mais tempo da apuração pelo Coaf, que MP e outros nada tenham provado para processar o cidadão. É tão grande assim o despreparo do MP? Ou nada se conseguiu apurar e se bate na mesma tecla por motivos outros? Que belo serviço público nos faria o Estado se definisse qual das duas hipóteses que coloco, ou outra qualquer, impede que se progrida. Se Flavio é culpado, cadeia nele, mas que se evite tal indefinição do MP, que se prove que não foi somente movimentação atípica e se revele a realidade/verdade.

 

Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas

 

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ADEQUAÇÃO E PROPORCIONALIDADE

 

Os princípios da adequação e proporcionalidade são parâmetros de aferição de atos, regras e leis nos âmbitos e esferas da atuação pública. Assim, entre duas possibilidades, presentes em nossos cotidianos, quais sejam, a prática da rachadinha por agentes públicos e a possibilidade de gastos imensos com nomeações várias e sem justificativas legais, por parte também de agentes públicos, qual é essa distância enorme que caracteriza, uma, como escandalosa prática, e outra como algo normal dentro da nossa prática democrática? Sim, porque ambas as práticas são imorais e lesivas ao país e ao dinheiro público, porém, uma é legal e outra ilegal, e isso por dependerem, as duas práticas, de amparo legal ou não. Ou seja, em última instância, a feitura de uma lei e a sua aprovação pode transformar gato em lebre e lebre em gato, dependendo dos gostos dos grupos de poder em nossas casas legislativas. E, assim, nada justifica, essencialmente, tantas escandalosas reações que uns têm com certas ocorrências, mas com outras não.

 

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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IMPLOSÃO

 

Avizinha-se a data em que a Operação Lava Jato vai ser implodida definitivamente, e isso ocorrerá dentro em breve, por ação das forças que sempre quiseram destruí-la. Igualzinho ao que ocorreu com a Mani Pulite, na Itália. O estopim para a detonação foi aceso com o pronunciamento do dr. Sergio Moro na entrevista que deu quando de sua saída do Ministério da Justiça, na sexta-feira. E quais são essas forças? A da vez é a do presidente da República, que, denunciado pelo símbolo da Lava Jato por diversos atos ilegais cometidos ou que demonstra ainda ter a intenção de cometer na tentativa de acobertar seus familiares, ficou indignado com as acusações e vai à represália com todo o peso do cargo que ocupa. Mas a ele juntam-se, na sequência, 222 (duzentos e vinte e dois) congressistas que estão sendo investigados, indiciados ou denunciados na Justiça pela gama de crimes que caracterizam corrupção, entre os quais os presidentes das duas Casas do Congresso, todos eles temendo virem a ser condenados pela Lava Jato. Destruir o ícone dessa operação é fundamental para desmantelá-la. Outra força é representada pelo ex-presidente condenado, no momento cumprindo pena em prisão domiciliar, e seu séquito de advogados que agora vislumbram a possibilidade de reverter as condenações de seu ilustre cliente. O paradoxo é que esse caminho contraria o desejo do PT, que gostaria mais de derrubar o presidente Bolsonaro do que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Os petistas continuam capachos do indivíduo “mais honesto do Brasil”. Não têm vontade própria. Resta, ainda, a força de alguns ministros do STF, não todos, que sempre demonstraram antipatia pelo dr. Moro por apreço a quem os nomeou para os cargos que ocupam. Tudo isso é “muita areia para o caminhãozinho” do ministro da Justiça que acaba de deixar o cargo. Sem contar a OAB e as grandes bancas de advogados, que vão vibrar com a implosão daquele que enfrentaram sem sucesso na 13.ª Vara de Curitiba. Lamentavelmente, mais uma vez a impunidade vai sair vitoriosa.

 

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

 

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BOLSONARO E LULA

 

Os partidos de oposição não vão entrar com um pedido unificado de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, após o episódio aberrante da exoneração do ex-ministro Sergio Moro, pois o PT, por determinação do ex-presidente Lula, recuou da proposta. Isso porque Lula considera Moro seu maior desafeto por causa de sua condenação no processo do triplex do Guarujá. Agindo dessa forma, Lula em nada difere de Bolsonaro: se o atual presidente da República usa do poder que tem para aferir vantagens pessoais para ele e seus filhos, em detrimento da Nação, Lula, também por questões estritamente pessoais, não permite que seu partido participe de um projeto maior, uma frente única contra o governo. Não há diferença.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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LULA PREFERIA BOLSONARO

 

A saída explosiva de Sergio Moro do governo atrapalhou os projetos de Lula e seu PT para 2022, que contavam com a nomeação de Moro para o STF, afastando-o da disputa. Assim, provavelmente, seria repetido o cenário do segundo turno de 2018 (PT x Bolsonaro), mas desta vez com muito mais chance de vitória. Mas, agora, está diante de um problema difícil de resolver, o que levou Lula a recomendar prudência: Bolsonaro ou Mourão? Com Mourão, haveria boa probabilidade de Moro ser indicado para o STF, mas com Bolsonaro riscado pelo impeachment, o provável adversário no segundo turno seria ainda muito mais forte; sem impeachment, quase com certeza, o adversário será o próprio Sergio Moro. Talvez até não haja segundo turno. Esse é o dilema do PT. Para o Brasil, eis o que seria ótimo: Mourão o mais depressa possível na Presidência, com Moro voltando ao Ministério da Justiça, e, em 2022, eleito presidente. Só depois disso é que ele deveria ir para o STF.

 

Luiz Antonio Ribeiro Pinto larprp@uol.com.br

Ribeirão Preto

 

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O BRASIL NÃO É PARA PRINCIPIANTES

 

No mínimo curiosa a situação do ex-ministro Sergio Moro, se vier a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal sobre sua atuação tanto na Lava Jato como no recente episódio que culminou com sua demissão da pasta da Justiça. Será confrontado por duas frentes ferozes e opostas. Por um lado, Lula da Silva, com inúmeros recursos a tiracolo, continuará a identificar no ex-juiz de primeira instância um agente de Justiça suspeito, sem condições de condená-lo por corrupção, logo ele, autorrotulado como a “alma mais honesta deste país”. No outro extremo estará o presidente Jair Bolsonaro, que, à luz da teatral cena do afastamento “a pedido”, diante das câmeras, o identificará como um supressor da verdade ao atribuir ao chefe de Estado uma interferência na Polícia Federal, configurada, entre outros aspectos, pela exigência a que tem direito, de ser informado sobre os mandantes do atentado sofrido durante a campanha eleitoral. Situação esdrúxula que só faz ratificar o posicionamento do grande Tom Jobim quando declarou que o Brasil não é para principiantes.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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SERGIO MORO NO STF

 

Não me surpreende, apesar de muito me incomodar, a informação da Coluna do Estadão de 27/4 de que a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não gostaria de ver Sergio Moro naquela corte. Tal informação é mais uma evidência do porquê boa parte da população repudia não o STF, e sim muitos dos ministros que lá estão. Nosso meio jurídico tem muitas estrelas. Advogados de extrema competência e reputação realmente ilibada. Para dar dois exemplos, cito Ives Gandra e Modesto Carvalhosa. Pena que seja um sistema político corrompido que indique e aprove os membros desta tão importante corte.

 

Marcos Lefevre lefevre.part@hotmail.com

Curitiba

 

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CONTAMINAÇÃO NO DELIVERY

 

Qual é a lógica em fechar bares e restaurantes e incentivar o sistema de delivery, se não há o mínimo controle de como essas entregas são feitas? Os entregadores se aglomeram nas calçadas em grupos grandes, sem máscaras ou luvas, e, dessa mesma forma, manipulam as embalagens dos alimentos que vão entrar na casa das pessoas. Vetores de transmissão do coronavírus?

 

Roberto Amundson Aily aily@terra.com.br

São Paulo

 

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BEATLES X STONES

 

Sobre a matéria Mick Jagger ataca Paul McCartney: ‘Os Stones ainda tocam em estádios, os Beatles não existem mais’ (Estadão, 24/4), comparar Beatles com Rolling Stones é o mesmo que comparar o rei Pelé a Maradona. Um foi o genial camisa 10 do Santos F.C. e da seleção, eleito “o atleta do século 20”, enquanto o outro foi um talentoso craque. Os geniais e criativos garotos de Liverpool, que criaram a trilha sonora dos anos 60, deixaram para a posteridade uma obra-prima única e inigualável e a digital da grande e marcante revolução dos costumes da juventude na segunda metade do século 20, enquanto que os de língua de fora apenas compuseram belos e dançantes rocks. Beatles 4ever, yeah, yeah, yeahhh!

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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GÊNIOS

 

Sobre quem foi melhor, nosso Paul McCartney foi elegante ao dizer que os Beatles foram melhores. Com todo o respeito aos Stones, os Beatles estão anos-luz à frente. Foram gênios não somente na sua geração, como na atual e em todas as que virão.

 

Marcelo Lauandos Jacob lauandos@hotmail.com

São Paulo

 
 
 

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