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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 03h00

República dos Bolsonaros

Responsabilidade penal

Nesta quadra ingrata e aguda da História do Brasil, em meio ao estado de calamidade dupla, da saúde e da política, cabe, por oportuno, reproduzir o que bem disse o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Celso de Mello, a respeito das gravíssimas acusações feitas ao presidente Jair Bolsonaro pelo respeitado e icônico ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro: “Impõe-se reconhecer, até mesmo como decorrência necessária do princípio republicano, a possibilidade de responsabilizar o presidente Bolsonaro, penal e criminalmente, pelos atos ilícitos que eventualmente tenha praticado no desempenho de suas magnas funções. O presidente da República - que também é súdito das leis, como qualquer outro cidadão - não se exonera da responsabilidade penal emergente dos atos que tenha praticado, pois ninguém, nem mesmo o Chefe do Poder Executivo da União, está acima da autoridade suprema da Constituição e das leis da República”. Nesta República macunaímica, em que nem todos são iguais perante a lei, suas palavras não poderiam soar mais apropriadas.

J. S. DECOL

DECOLJS@GMAIL.COM

SÃO PAULO

PGR mata no peito

Penso que a linguagem do futebol fará o leitor assimilar melhor esta passagem da vida nacional. O titular da Procuradoria-Geral da República (PGR), Augusto Aras, num gesto de gratidão, “matou no peito” as duas últimas estripulias do presidente Jair Bolsonaro. Com a agilidade - ou seria esperteza? - dos bons jogadores, não hesitou em realizar logo os “passes de trivela” para o STF a fim de dar sequência à jogada. Agora, mesmo em condição legal, espera o “passe de bandeja” para finalizar a gol, ou desperdiçar a oportunidade, preferindo poupar o goleiro adversário chutando, propositalmente, a bola para fora. Ou seria o presidente, seu patrono e patrocinador, a figura do goleiro poupado pelo arquivamento dos inquéritos? 

NOEL GONÇALVES CERQUEIRA

NOELCERQUEIRA@GMAIL.COM

JACAREZINHO (PR)

Papel de avestruz

Com o máximo respeito que temos pelo general Hamilton Mourão, entendemos que ele “pisou na bola” ao dizer que a forma como o ministro Sergio Moro deixou o governo “não foi a mais apropriada”. Ao contrário, penso que foi muito apropriada, sim, pois lhe permitiu contar em detalhes por que saiu, expondo o que se planeja fazer com a Polícia Federal (PF), contra os interesses do País. Se saísse sem contar, faria papel de avestruz e seria cúmplice do que vier a acontecer com a PF. Nossos parabéns a Moro. Contamos com ele.

WILSON SCARPELLI

WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

Pedras no caminho

O povo brasileiro passa por um terrível questionamento cívico, ideológico e político. 

O governo Bolsonaro, escudado em seus 57 milhões de votos em 2018, esquece que a grande maioria desses votos foi contra o PT, por não termos tido na época candidatos confiáveis para fazer frente ao lulopetismo, representado por Fernando Haddad. Nossos votos foram creditados ao atual presidente por sua postura intimorata contra todo um sistema desacreditado. Com a vitória nas urnas, apoderou-se do cetro máximo da autoridade, jurou, prometeu e começou a agir: cercou-se de alguns homens competentes e começou a pôr a casa em ordem. Quando o egocentrismo o dominou, porém, as coisas mudaram: cabeças rolaram, ações descoladas da realidade foram levadas adiante. E para complicar ainda mais, surgiu a pandemia do novo coronavírus, inimigo invisível e letal. Agora, nós que fomos corresponsáveis pela vitória do atual presidente, mas não nos consideramos bolsonaristas, somos o inimigo materializado, tachados de comunistas, idiotas, entreguistas e traidores. Vai entender...

ALOÍSIO DE LUCCA

ALOISIODELUCCA@YAHOO.COM.BR

LIMEIRA 

Renúncia ou impeachment? 

O mais triste de tudo isso que estamos vivendo é que estamos no meio de uma pandemia. Aí vem essa crise política e a situação do pobre vai ficar pior ainda. Infelizmente, poderemos ter mais um impedimento de presidente da República, o terceiro em menos de 30 anos. Algo está errado demais! Mas o Brasil é maior que os políticos, independentemente de sua coloração partidária.

JOSUÉ F. SILVA

JOSUEJFS@OUTLOOK.COM

SÃO PAULO

A força das instituições

Como cidadão, apoiei o impeachment da presidente Dilma.

E agora, diante dos acontecimentos recentes, como justificar a permanência do presidente Bolsonaro? Se ele não sofrer o mesmo processo, até eu vou acreditar que tenha havido golpe contra ela. Tudo bem, sabemos que o impeachment é também um processo político. O problema é explicar isso ao cidadão comum e à comunidade internacional. A percepção dos crimes de responsabilidade cometidos pelo atual presidente é muitíssimo maior. Diferentemente de muitos, penso que, apesar da inconveniente repetição do impedimento presidencial, ele seria muito bem visto internacionalmente. No caso atual, ficaria patente a força das instituições democráticas no Brasil diante de um presidente da República conhecido por seu notório desprezo por elas. Sua permanência reforçará justamente o contrário: fragilidade, pesos e medidas diferentes. Não há outra saída.

JOSÉ JAIRO MARTINS

JOSEJAIROMARTINS7@GMAIL.COM

SÃO PAULO

Parlamentarismo

É hora de o Congresso Nacional voltar a discutir seriamente o parlamentarismo. Nossa Constituição já está preparada para tal. Depois de Dilma e das contínuas trapalhadas de Bolsonaro, a população está pronta para entender o valor do regime parlamentarista de governo. O País não aguenta mais.

OSCAR THOMPSON

OSCARTHOMPSON@HOTMAIL.COM

SANTANA DE PARNAÍBA

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