Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2020 | 03h00

República dos Bolsonaros

Messias não salvará ninguém

Na terça-feira 28/4 o Brasil ultrapassou a marca de 5 mil óbitos causados pelo coronavírus. Um número maior do que o registrado na China, país onde o patógeno surgiu e lá causou, oficialmente, 4.643 mortes. No mesmo dia o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ao ouvir esse fato de uma jornalista, esbravejou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagres”. De fato, Bolsonaro demonstra ser a antítese do salvador. Longe de salvar quem quer que seja, o presidente continua ignorando as consequências da covid-19, como tem feito desde o início da pandemia. Depois de desprezar a ciência, ignorar recomendações da OMS, fazer passeios e incentivar aglomerações, agora o presidente simplesmente desconhece o agravamento da crise do coronavírus e o aumento das mortes. O fato é que, embora tenha Messias no nome, Bolsonaro é incapaz de salvar quem quer que seja, inclusive a si mesmo. Atualmente ele está mais preocupado em se livrar das acusações de seu ex-ministro da Justiça, que vê como um Judas, do que com o avanço da doença. Enquanto isso, em Brasília aumentam os rumores sobre a “crucificação” desse Messias que não faz milagres, nem governa.

ROBERT WERNER KOLLER

ROBERTKOLLER@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

*

Macunaíma

A resposta a por que não funciona o confinamento social como se esperava é simples: o presidente da República não acredita no método e estimula a população crédula nele a fazer o mesmo. Ele é liso como barriga de cobra e prova disso é que, ao ser questionado sobre o número de mortes aqui ser maior do que na China, respondeu: “Quer que eu faça o quê? Lamento, sou Messias, mas não faço milagres”. Resposta de Macunaíma, diria Mário de Andrade.

LAÉRCIO ZANINI

SPETTRO@UOL.COM.BR

GARÇA

*

O que se espera

Será que não há ninguém para dizer ao presidente o que se quer – e ele tem obrigação de fazer – diante da pandemia?

CÁSSIO MASCARENHAS DE R. CAMARGOS

CASSIOCAM@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

*

Tudo tem limite

Quanto à sua observação “E daí? Quer que eu faça o quê?”, gostaria que o sr. presidente fizesse o que lhe foi designado: governar! Simples assim. Que ele governe, em vez de criar problemas políticos todos os dias, destituindo ministros importantes e que o apoiaram anteriormente. Governe, em lugar de furar o isolamento para ir a passeatas de simpatizantes da antidemocracia; em vez de tentar colocar seus cupinchas na Polícia Federal para defender seus interesses, e não os do País. Governe porque 57 milhões de brasileiros depositaram nele a esperança de um Brasil melhor, democrático, sempre respeitando as instituições – o que, seguramente, ele não está fazendo. E aja como estadista, não como um “presidente mesa de bar”. Caso contrário, ele que pegue o boné e se retire, porque a fila anda e o Brasil não para.

JOSÉ CLAUDIO BERTONCELLO

jcberton10@hotmail.com

SÃO PAULO

*

‘E daí?’!

Daí que as instituições no Brasil estão funcionando bem. Daí que não ouvir assessores e não ler os jornais pode ser perigoso. E daí que, relembrando Roberto Campos, “a burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro brilhante”.

RICARDO FIORAVANTE LORENZI

RICARDO.LORENZI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Impiedade

A falta de sensibilidade do presidente é tal que, longe de se solidarizar, mandando uma palavra de alento às famílias enlutadas e acenar com palavras de ânimo aos que lutam pela vida em hospitais, age como se essa fosse atitude dos “fracos”. Não demora e viraremos os responsáveis pela infame pandemia que tanto atrapalha a sua Presidência... Mas, afinal, esperar o quê de alguém que não governa para todos os brasileiros, como determina a Carta Magna? E mais: divide com os filhos que chama de 01, 02 e 03 uma função que pela Constituição brasileira é privativa do eleito para o cargo de presidente! É inaceitável que alguém queira governar longe do princípio da impessoalidade, que impõe trabalhar em equipe, democraticamente, para o País, e não apenas para algumas pessoas. O 00 está nu!

JACQUES GANDELMAN LERNER

JAXXTHEONE@ICLOUD.COM

SÃO PAULO

*

Desumanidade

Jair Bolsonaro não é apenas insensível e bronco, mas também impiedoso. O jeito tosco de se expressar revela sua crueldade no difícil momento que estamos vivendo. É vergonhosa e desrespeitosa a maneira como o presidente do Brasil não controla a língua nem num momento terrível como este.

LUIZ THADEU NUNES E SILVA

LUIZ.THADEU@UOL.COM.BR

SÃO LUÍS (MA)

*

Tiro ao alvo

E enquanto a Nação chora o recorde de mais de 5 mil mortos pelo coronavírus, o presidente pratica tiro ao alvo, como se nada estivesse acontecendo. No mínimo, uma palavra de conforto às famílias seria uma demonstração de apreço pelo ser humano. Porém, em se tratando desse presidente, não poderíamos esperar nada além de insensibilidade, desamor e passividade. Que 2022 venha o mais rápido possível!

ROBERTO LUIZ PINTO E SILVA

ROBERTOLPSILVA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

*

Em São Paulo

Máscaras gratuitas

Muito louvável a decisão do governo de São Paulo de tornar obrigatório o uso de máscaras no transporte público. Mas melhor ainda seria se o governo promovesse a distribuição gratuita dessas máscaras nos pontos de ônibus e nas estações de metrô. As máscaras são caras para os mais humildes e, além disso, existe alguma dificuldade para adquiri-las. A distribuição gratuita seria a solução mais eficaz no momento.

MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

 

PRIORIDADE: EVITAR MORTES

 

Passamos a China e tornamo-nos o 9.º país entre as dez nações com maior número de mortes pela covid-19. São 5.017 vítimas fatais no Brasil (números de 28/4) e 4.633 na China. Pelo número de mortes e das respectivas populações, temos aqui 7,2 vezes o número de óbitos da China. Os mortos chineses representam 0,38 de cada 100 mil habitantes, enquanto os brasileiros são 2,38 por 100 mil. Este quadro perverso exige empenho, responsabilidade e dedicação plena de todos os Poderes e indivíduos que possam contribuir para a solução. Não bastam hospitais de emergência, milhares de caixões e covas nos cemitérios e o recolhimento da população. É necessário trabalho coordenado e na mesma direção, o que não tem ocorrido. Também não é admissível que, enquanto milhares conterrâneos morrem, a classe política opte por tratar da próxima e de futuras eleições, e, principalmente, que a pandemia seja tratada politicamente. Senhoras e senhores, parem com essas disputas e priorizem o combate ao flagelo vindo da China. Assim, não terão vergonha nem correrão o risco de rejeição quando voltarem ao eleitor para pedir o seu voto.

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

 

*

SERÁ?

 

Nossa preocupação, agora, é com a pandemia. Mas, conhecendo Japão e China, vemos o contraste entre a disciplina incrível do primeiro e os hábitos indisciplinados do segundo, como o consumo de alimentos exóticos, o hábito de cuspir no chão, além do autoritarismo político, entre outras coisas. Então, seria bom examinar se 4.643 mortes num país de muito mais de 1 bilhão de habitantes foram um milagre ou maquiagem.

 

Reynaldo Quagliato Junior reynaldoquagliato@bol.com.br

Campinas

 

*

COMPAIXÃO

 

O Brasil supera a China em número de vítimas fatais. Já se intuía que isso iria acontecer, tão logo chegou aqui o vírus. Brasil em segundo, depois dos EUA. Dois países de maior desigualdade social, entre tantos outros. Dois países ícones onde prevalece a cultura do mais, mais, mais. Mais lucro, mais dinheiro, mais competência, mais meritocracia. Notaram que alguns países menos acintosos à compaixão estão menos contaminados? Coincidência? Examinem as estatísticas: China, Coreia, Japão, Suécia, Noruega, Índia (esta, com l,3 bilhão de habitantes, com apenas algumas centenas de vítimas? Um país pobre como aquele?). Acredito que esses países vêm superando a crise melhor, não propriamente porque sejam mais competentes e aparelhados, mas porque vêm se preocupando mais que os outros com a desigualdade social (a desigualdade indiana é de casta, não como esta brutal e insensível cultura neoliberal). Algumas pessoas não digerem bem a palavra compaixão. Compaixão não significa sentir pena dos outros, que encerra um quê de arrogância, essa de olhar os outros de cima para baixo. Não. Compaixão tem mais que ver com empatia, isto é, a capacidade de se colocar no lugar dos outros, de se identificar com a situação dos outros. É o que falta nas culturas neoliberais, cegas em busca de mais lucro.      

 

Koji Fujita fujitagarden@gmail.com

São Paulo

 

*

‘E DAÍ?’

 

O Brasil tem mais mortos pelo novo coronavírus do que a China. Uma situação por demais preocupante e que deveria merecer a atenção do atual presidente da República. Mas ele segue se comportando de maneira inaceitável para quem ocupa um cargo tão importante. Ao responder a um questionamento sobre o assunto, limitou-se a dizer: “E daí?”. O governador de São Paulo, João Doria, manda, então, um recado, sugerindo que o presidente “saia da redoma e visite hospitais para constatar o que está acontecendo”. A crise na saúde perde espaço para o descompasso entre os vários segmentos sociais num momento tão grave.

 

Uriel Villas Boas urielvillasboas@yahoo.com.br

Santos

 

*

INCRÍVEL

 

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre” (sic). Não é incrível ouvir uma abobrinha dessa vinda do presidente da República Federativa do Brasil? Mais parece discussão de ignorante em bar. Por favor, senhor presidente, aprenda a ter compostura e a respeitar os sentimentos das famílias atingidas pela covid-19.

 

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

 

*

MILAGRES

 

É conveniente não esperar milagres de pretensos Messias. Mas um pouco de compostura já seria bom para começar...

 

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

*

DESUMANO

 

O presidente Jair Bolsonaro, ante a desumana notícia de mais de 5 mil mortos no Brasil, sai-se com uma paráfrase que serviria para responder a qualquer drama: “E daí? Não faço milagres”. Mas faria muito mais do que fez, e corretamente, se tivesse dado às mãos aos governos estaduais, municipais e à ciência. Contudo, preferiu suas próprias idiossincrasias ofensivas à civilização, encobertas pelas diatribes de manobras diversionistas na interinidade do governo para criar crises superpostas e tirar o foco popular de seu principal problema, que já levou o equivalente a 30 aviões lotados de brasileiros. Como os óbitos de hoje refletem as infecções de dias passados, e o pico da crise ainda não foi atingido, e daí se não adotarmos imediatamente o único medicamento disponível: o isolamento social compulsório?

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

*

CARPIDEIRAS NO ALVORADA

 

Fortes emoções na entrada do Palácio da Alvorada. A voz embargou. Segurei o choro. Alvoroçados, deputados e deputadas se reversaram em insultos à imprensa. Orgulhoso, Bolsonaro monitorava a fila dos exaltados. O cercado dos jornalistas virou muro das lamentações. Cenário de colossal puxa-saquismo explícito. A língua sem freios de Bolsonaro novamente foi a causa dos faniquitos. O chefe da Nação deveria patentear o rosário de grossuras. Confunde sinceridade com estupidez. “E daí?”. É a resposta enviesada da vez. Depois, tenta adocicar a tolice. Mas o estrago foi feito. Nada que ver com o samba E Daí?, de Miguel Gustavo, de 1959, interpretado pela divina Elizeth Cardoso.

 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

 

*

NO ESPELHO

 

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?” Que você, seu clã e sua laia também morram! E, então, nós vamos dizer: E daí? Todo mundo morre um dia!

 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

*

NÃO ATRAPALHAR

 

Sobre a pandemia que enfrentamos, o presidente pergunta: o que é para fazer? Ora, não atrapalhar já seria uma ótima coisa. Chamar de “gripezinha” uma doença da gravidade da covid-19; ficar sugerindo medicamento, dando palpite sobre o que não entende; fazer pressão contra o isolamento social; dificultar o diálogo com governadores e prefeitos; desmanchar uma equipe competente que o Ministério da Saúde tinha, com Henrique Mandetta à frente; tentar minimizar a importância da ciência; promover aglomeração para fazer graça, tudo isso são coisas que atrapalham muito.

 

Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

 

*

CAUSA INDETERMINADA

 

Será que este gigantesco aumento de casos de mortes por “causa indeterminada” registrado por cartórios brasileiros, de 43%, não seria intencional e manipulado para não mostrar para a população o que sabemos há tempo, que o estado de nosso serviço de saúde público é calamitoso?

 

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

 

*

REVOLTA

 

A foto estampada no Estadão de 28/4/2020 e o título Manaus Pede Socorro nos dão a dimensão do que fizeram com o Brasil nos últimos 20 anos. Manaus é onde existe um dos inúmeros elefantes brancos destinados a uma Copa do Mundo (2014) que serviu para inflar um ego megalomaníaco e também engordar sua conta e as dos envolvidos, como nunca antes na história da humanidade.  Numa pesquisa rápida, dá para ter ideia do rombo provocado pela vaidade destes seres abjetos: o custo de manutenção da Arena Amazônia em 2019 era de R$ 1 milhão, fora a dívida de R$ 3,5 milhões de 2017, com a empresa de conservação, segundo a própria Secretaria de Estado de Esporte, Juventude e Lazer, que administra o estádio. O que revolta é sabermos que o responsável por toda essa tragédia na área da saúde está livre, leve e saltitante – levando a tiracolo uma nova companheira de folguedos pelo mundo para falar mal de seu país.  Inesquecíveis suas palavras sobre a área da saúde estar tão perfeita que gostaria de ficar doente para ser tratado na saúde pública, ou o deboche quando questionado sobre a construção de hospitais no lugar de estádios, quando certo atleta disse que “não se faz Copa do Mundo com hospitais”. Onde estão esses indivíduos nesta tragédia em que somos partícipes impotentes? 

 

Aparecida Dileide Gaziolla aparecidagaziolla@gmail.com

São Caetano do Sul

 

*

FALTA DE CAIXÕES NO AMAZONAS

 

Com tanta serraria clandestina, o Amazonas não consegue quem doe os caixões de que necessita para enterrar os seus mortos? Nem nessa situação são solidárias?

 

Eduardo Domingues domingueseduardo@uol.com.br

São Paulo

 

*

POR QUE ARENAS, E NÃO HOSPITAIS

 

O ex-presidente Lula defendeu a construção de arenas, em vez de hospitais. Das 12 arenas construídas para o Mundial, 5 geram prejuízos aos cofres públicos (AM, PE, DF, MT e RN), algumas inclusive estão abandonadas. A Arena da Amazônia foi orçada em R$ 499 milhões, mas foi concluída pela bagatela de R$ 670 milhões. Somente na Arena da Amazônia houve um superfaturamento de R$ 87 milhões. Perceberam o motivo da construção das arenas no lugar de hospitais? 

 

Gilberto da Silva Daga gilberto.daga@uol.com.br

São Paulo

 

*

CARNAVAL ETERNO

 

Vivemos de previsões e pesquisas. As relativas ao coronavírus são mais impactantes, já que vêm acompanhadas de fotos de cadáveres e de covas. Quando o assunto são os Poderes da República, o presidente Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, são os mais constantes. Isso porque o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi abatido temporariamente em seu voo por um coronavírus esperto. O presidente da República é volúvel em seus amores por ministros. Já trocou militares e civis. Até mesmo íntimos de campanha, como Magno Malta e o falecido Gustavo Bebianno, foram escanteados. Parece que maior apreço tem por aqueles nomes desconhecidos que se colocam em condição subalterna. Quando o assunto envolve família, aparece um poder múltiplo. Já o sr. Rodrigo Maia é um caso interessante. Apelidado de “Botafogo” por detratores, não se ouve dele nada sobre o tema economizar. Diminuir número de assessores deve dar-lhe comichão. Salários, então, e penduricalhos caros, menos ainda. Aparece bem nutrido nas fotografias. Não lhe faltam o que os seus representados se esfalfam para conseguir: emprego e dinheiro para pagar as contas. Neste carnaval de notícias e atitudes desequilibradas, fica o povo embasbacado, dividido, analistas deste sambódromo cujo enredo da escola de samba parece desconexo, cantando um samba pouco conhecido e atravessado, num ritmo que nem samba se acredita que seja. Haja coração!

 

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

 

*

NÃO FALTAVA MAIS NADA

 

Foi inacreditável a repentina saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Não há momento próprio para crises políticas estourarem. O atual quadro brasileiro acompanha assustado o aumento diário do número de mortes causadas pelo inimigo oculto e invisível, a covid-19, e de infectados pelo novo coronavírus, e a economia nacional, em frangalhos, se desidrata a cada dia a olhos vistos, isso sem dúvida causado por um vírus humano chamado Jair Messias Bolsonaro. O pedido de exoneração do ministro mais popular entre os ministros e a subsequente troca de acusações e insultos entre o demissionário e o presidente da República têm alto potencial destrutivo. O presidente Bolsonaro deu um tiro certeiro no próprio pé. Não honrou os compromissos com Moro, traiu quem deixou o emprego estável e respeitado de 22 anos para ficar ao seu lado para combater a corrupção. Com isso, o presidente trapalhão retira de seu governo o pouco de credibilidade que ainda lhe restava. O fato é que as denúncias que partiram de lado a lado devem mergulhar o Brasil em grave crise institucional, e é tudo o que o País não precisa neste momento de angústia e dor pela perda de um ente querido pela mortífera covid-19.

 

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

 

*

VAI FALTAR TINTA

 

Se Jair Bolsonaro tivesse agido desde que assumiu a Presidência conforme nos tinha prometido, não trazendo para dentro do seu governo pessoas com reputação duvidosa, condenados ou investigados, nem tivesse permitido que seus filhos aparecessem em situações que minaram a sua credibilidade, tendo dado a eles nessas situações o seu total apoio, certamente não estaríamos assistindo neste momento faltar tinta em sua caneta para nomear pessoas de sua preferência, simplesmente por temer as consequências dessas nomeações. Essa insegurança de Bolsonaro só tende a aumentar com a aproximação desesperada de políticos do centrão, outra importante promessa de campanha quebrada, que trará muito mais perdas do que ganhos para a sua já combalida credibilidade. O Brasil pode esperar, cada vez mais, pela falta de tinta na caneta do seu presidente.

 

Ronaldo Gomes Ferraz ronferraz@globo.com

Rio de Janeiro

 

*

ONTEM, HOJE E O AMANHÃ!

 

Ciúmes, inveja e inconsequência são atributos de quem demite ministro trabalhador, competente e coerente com a ciência, que não aceita precocemente liberar o recolhimento social, elevando o risco da população. Maquiavélico e ardiloso, quando participa de eventos antidemocráticos que visam a estimular o Legislativo, o Judiciário e governadores a repudiarem o AI-5, revolvendo passado já resolvido, com o intuito maldoso de indispô-los com nossas Forças Armadas, que sempre se declararam guardiões da Constituição e do Estado Democrático de Direito. Sintetizando, a mitologia grega explica: “Zeus, para destruir os homens, antes os faz loucos”.

 

Marçal Paiva de Figueiredo marcalpaivafigueiredo@gmail.com

Varginha (MG)

 

*

AVANÇANDO POUCO A POUCO

 

O presidente, apoiado por pequeno grupo, vem pouco a pouco amolecendo a resistência do País a ações que variam de inapropriadas a anticonstitucionais. Frequentemente, declara ou comete absurdos ofendendo outros países, ignorando demandas ambientais e sociais de caráter mundial, agindo em desacordo com a ciência e contra a ordem e a saúde públicas, fazendo proclamações contra os outros poderes da Nação, etc. A cada ação, se o País grita, ele recua logo, desculpando-se. Se o País não grita, o avanço está feito e não há recuo. Na campanha eleitoral, garantiu que não iria querer reeleição; hoje, a reeleição é seu objetivo, nada mais. Qualquer um que possa representar obstáculo a ela é tratado como inimigo, a ser denegrido e destruído moralmente por bem azeitada máquina de fanatização e de moagem de reputações. Com isso, pouco a pouco impõe sua vontade, avançando em seu projeto de poder. Está por demais claro que não tem interesse em presidir, mas sim em submeter o País ao que vier a pensar seu grupo, sem saber o que pode resultar disso. Por favor, aguardamos providências dos demais poderes da Nação.

 

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

 

*

OS ESTADISTAS

 

De altíssima relevância a análise que fez o Estadão no editorial de domingo (A necessidade da utopia, 26/4, A3) apontando como a República brasileira vem se degringolando com os mandatários eleitos no decorrer de um século. Desde a candidatura de Rui Barbosa (não eleito) até os dias atuais, a República experimentou, em boa parte desses anos, regimes militares (com Getúlio e o golpe de 1964). Considerando que ditadura não é regime democrático de governo, por seu abominável desmando lançado por um só comandante, restam-nos poucos nomes a lembrar, num cento de anos, que podem ser chamados de grandes estadistas. Apesar de não ter vivido todo esse período, a história – por seus livros e reportagens jornalísticas – me faz crer que, além de Rui, Juscelino, Tancredo Neves e Fernando Henrique se destacam nesta diminuta lista de distinguidos. Como fomos capazes de piorar tanto na escolha dos mandatários dessa República?

 

Donizete Cruz donicruz@hotmail.com

Passos (MG)

 

*

PANDEMIA INSTITUCIONAL

 

A possibilidade de termos três impeachments em um curto período da existência da República nos deixa com argumentos para defender o parlamentarismo ou a própria monarquia. São dois sistemas que têm algo que o presidencialismo não tem: o poder moderador. Nosso sistema presidencialista confunde Estado com governo. Esse fato gera muitas confusões. O cidadão comum, inclusive os recentes presidentes eleitos, não separa uma coisa da outra. A compreensão sobre a diferença entre pessoa jurídica e física, além de Estado e governo, faz parte dos ingredientes que sustentam a confusão. Para o povão, esses conceitos e definições são realidades inexistentes. Vivemos mergulhados numa pandemia instalada num país em ebulição.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

 

*

O CHEIRO DA CORRUPÇÃO

 

Roberto Jefferson defendeu Fernando Collor na época do seu impeachment, apoiou Ciro Gomes nas eleições de 2002, fez aliança com o PT nas eleições de 2004 e foi condenado em 2012 a 7 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Atualmente, Jair Bolsonaro está se aproximando de Jefferson, que estaria defendendo o presidente contra um suposto golpe. Bolsonaro está se aproximando de Valdemar Costa Neto, que foi julgado e condenado no escândalo do mensalão a sete anos e dez meses de prisão. Sergio Moro sentiu o cheiro podre das novas alianças de Bolsonaro e saiu de sua equipe ministerial dizendo verdades e torpedeando o presidente. Quem frequentou o Congresso por 28 anos e arrastou os filhos para a política?

 

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

 

*

AGUARDAR É PRECISO

 

Não afagamos Collor de Mello em 1992 e tampouco Dilma Rousseff em 2016. Ambos foram cassados graças a manifestações populares que exigiram seu afastamento. Não será diferente com Jair Bolsonaro, se as acusações duras do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro forem apuradas e comprovadas. “Pau que bate em Chico bate em Francisco”. No entanto, se as acusações de Sergio Moro forem inverídicas, será condenado por 90% da população que o venerou por sua atuação exemplar diante da Operação Lava Jato. Seu nome será lançado ao livro dos culpados, frase empregada ao fim de julgamentos, aos julgados e condenados, que certamente pronunciou por incontáveis vezes durante seus 28 anos de magistratura. Portanto, muita calma nesta hora. Vamos aguardar o desenrolar do imbróglio, para não crucificar um inocente.

 

Sérgio Dafré sergio_dafre@hotmail.com

Jundiaí

 

*

UM ESQUEMA CRIMINOSO

 

Instantes depois de Sergio Moro anunciar sua saída do Ministério da Justiça, começou pelas redes sociais uma megacampanha difamatória contra seu nome. Na ausência de fatos reais que desabonem sua conduta, os detratores do ex-ministro publicam desde fotos dele ao lado de Rodrigo Maia e João Doria – antigos aliados do presidente da República, hoje alvos do ódio bolsonarista – ao vídeo de quando Moro, então magistrado, não reconheceu Bolsonaro num aeroporto. Chamam Moro de comunista, traidor, mas silenciam sobre a acusação que ele fez de que Bolsonaro pretende interferir em investigações sigilosas da Polícia Federal. Embora campanha difamatória como a de que Moro é vítima repercuta muito mais entre pessoas de baixo intelecto e dispostas a seguir cegamente os mandamentos de seus ídolos, seu volume é perigoso e atenta não só contra seus eventuais alvos, como é passível de subverter a ordem democrática. Daí a importância de que o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura o esquema de fake news na internet – conduzido pela PF – não sofra ingerências ilegítimas para que possa ser levado a bom termo, quem quer que sejam os chefes do esquema criminoso.

 

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

 

*

PENSÕES E INJUSTIÇAS

 

Querem crucificar o dr. Sergio Moro porque ele pediu uma pensão para a família, caso alguma tragédia acontecesse com ele, pois estava deixando 22 anos de magistratura para assumir um cargo de tamanha importância e estaria renunciando a todas as benesses do cargo? Agora, responda-me quem souber: o que fez dona Marisa Letícia para que seu marido condenado receba uma gorda pensão? Por que dona Dilma Rousseff, além de receber pensão e penduricalhos à nossa custa, foi aposentada em 2 horas com teto máximo, tão logo foi decretado o seu impedimento? E os milhares de “perseguidos políticos” que continuam mamando nas tetas do governo? Eu vivi naquela época e os militantes presos, torturados e mortos (infelizmente) não chegaram a mil pessoas. Os assassinados pela esquerda “revolucionária” foram em número bem maior e não foram divulgados nem reconhecidos pela Anistia.

 

Antonio Sodré de Souza Meirelles naia288@aol.com

São Paulo

 

*

DESPROPORÇÃO

 

Interessantes, como sempre, as colocações de Fernão Lara Mesquita na coluna de 28/4 (Moro, as borboletas, as cobras e as lagartixas), mas não concordo que o ex-ministro da Justiça repetisse, num cargo público de extrema importância e confiança, o tipo de evento com o cunho tendencioso e aparentemente direcionado a outras instâncias de que o ex-presidente Michel Temer foi vítima. Nem creio que o procurador-geral da República, Augusto Aras, também atirasse algum tipo de “flechas” como colocaram predecessores. A meu ver, existem posturas que algumas pessoas simplesmente não se permitem.

 

Sérgio Augusto de Moraes Torres sergio.torres47@gmail.com

São Paulo

 

*

EMPREGOS

 

Guedes propõe congelar salários de servidores em projeto de socorro a Estados e municípios (Estadão, 27/4). Para isso, promete passar de três para quatro meses o prazo de ajuda financeira. Afirmou o ministro também, ao lado de Bolsonaro, que o funcionalismo público deve mostrar que está com o Brasil e que não vai ficar em casa com a geladeira cheia enquanto milhões de brasileiros estão perdendo o emprego. Pelo andar da carruagem, acho que, infelizmente, o próprio ministro Paulo Guedes está arriscado a perder o emprego...

 

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

 

*

DESAFIOS PARA GARANTIR O ISOLAMENTO SOCIAL

 

O coronavírus (covid-19) pelo mundo registra a morte de mais de 210.611 pessoas, e há 3.035.177 contaminadas em 193 países. O Brasil tem 66.501 casos, 4.543 mortes e uma taxa de letalidade de 6,8% (números de 27/4). Números subestimados, pois não há realização de testes em massa no País. Como se trata de uma doença pouco conhecida, que se espalha rapidamente, e para a qual não existe imunidade, a opção mais eficaz adotada pela maioria dos países tem sido adotar as medidas de isolamento social, diminuindo os índices de contaminações e, por consequência, a redução no número de mortes, dando tempo aos governos de planejarem as medidas cabíveis e aos cientistas a descoberta da imunidade ou a cura. São vários os desafios que devem ser superados em relação ao isolamento social. 1) Moradia: muitos brasileiros moram em casas sem infraestrutura adequada, com espaços mínimos, localizadas em comunidades populosas, sem acesso ou de forma precária à água, esgoto ou às condições mínimas de higiene necessárias para controlar a proliferação do vírus. 2) Saúde mental: estudos mostram que mesmo entre as pessoas consideradas saudáveis o isolamento social crônico traz consequências negativas como risco de desenvolver doença coronária, demência, solidão. 3) Proteção aos vulneráveis: segundo a ONU, as medidas restritivas aumentaram a possibilidade de violência, portanto precisamos combater e garantir especialmente os direitos humanos de crianças, adolescentes e mulheres, que têm o aumento do fardo com o trabalho doméstico. Conforme dados do boletim Anesp (5/4/2020), países como China e França constataram o aumento de denúncias de casos de violência. Muitas vezes a presença do violador pode constranger a vítima de fazer a denúncia ou buscar ajuda. 4) Como manter as pessoas em casa? O Brasil não tem a tradição de assumir comportamentos de proteção da saúde pública. As pessoas gripadas não têm o hábito de deixar de frequentar lugares públicos para não espalharem o vírus; os responsáveis não têm a preocupação de não levarem seus filhos com viroses intestinais para a escola, não usam máscaras, etc. Que medidas tomar diante de tantos desafios? As pesquisas e o acompanhamento social são tão importantes quanto o papel dos profissionais da saúde, pois são as práticas, as culturas sociais, que mantêm ou podem romper com práticas danosas à sociedade. Precisamos conscientizar toda a população para a importância da realização de atividades físicas, ainda que em espaços pequenos, adaptados na própria casa; o uso das tecnologias para as interações tais como um dia da família se encontrar, jogos coletivos entre as crianças e jovens, cultos familiares ou orações em grupo; estabelecer rotinas diárias de preparo dos alimentos, limpeza e manutenção da casa, TV, leituras, fazer compras básicas para a sobrevivência, etc. Antes, porém, precisamos pensar de forma cooperativa. Todos significa muito mais do que pensar apenas em uma família. Neste momento, todos somos um! E um somos todos! Pensando assim, a vida ganhará novo valor, pois cada pessoa que sobreviver ou morrer levará um pouco de nós.

 

Reginaldo de Souza Silva, coordenador do Núcleo de Estudos da Criança e do Adolescente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia reginaldoprof@yahoo.com.br

Vitória da Conquista (BA)

 

*

SAQUES NAS LOTÉRICAS

 

Onde é que o pessoal do andar de cima está com a cabeça? Casas lotéricas não têm condições de efetuar diariamente centenas, milhares de pagamentos no valor de R$ 600 ou R$ 1.200 referentes ao auxílio emergencial. Não são agências bancárias que recebem suprimento de dinheiro e precisam de uma dúzia de apostas para atender a um saque social. Vai ficar aquela fila gigantesca, sem condições de atender. Faltam miolos na cabeça de quem teve essa infeliz ideia.

 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

 

*

TUMOR MALIGNO

 

As enormes filas observadas nas portas das agências da Caixa Econômica Federal, nosso banco social por excelência, para receber o auxílio emergencial do governo que busca aliviar a situação aflitiva dos informais que viram suas atividades paralisadas – fornecedores de quentinhas, ambulantes ou simplesmente pedintes, entre outros – por causa da pandemia de coronavírus, além de encherem de horror os apóstolos fervorosos do confinamento horizontal que bradam ser este o único recurso contra a propagação da doença, expõem um tumor maligno progressivo cuja existência, embora suspeitada pela sociedade, ainda não havia sido mostrada ao vivo e a cores: a acachapante desigualdade social brasileira. Além disso, reafirma a existência da espantosa quantidade de pessoas que, julgando-se cidadãos, não conseguem comprovar tal condição e muitas vezes nem um número de CPF válido possuem. Trata-se de um quadro que reafirma a insensibilidade da elite brasileira, alimentada ao longo da história da República.

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.