Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2020 | 03h00

República dos Bolsonaros

Eleitorado traído

A saída de Sergio Moro do governo já era esperada fazia tempo. Jair Bolsonaro foi eleito empunhando a bandeira do combate à corrupção impune. Não passava de retórica enganadora. Fomos traídos. Começou bem convidando Moro para o Ministério da Justiça. Para convencer o então juiz a abandonar sua brilhante carreira, depois de 22 anos de trabalho em defesa do Direito e da Justiça, reconhecido no Brasil, no exterior e pelos brasileiros de bem, Bolsonaro prometeu: 1) que a pasta teria o controle do Coaf, fundamental no combate à corrupção e ao crime organizado; 2) que Moro teria absoluta liberdade para compor sua equipe; e 3) que o combate à corrupção e ao crime organizado seria uma das prioridades de seu governo. Nada disso foi cumprido. Faltou ao presidente grandeza moral para reconhecer que, não fosse o juiz Moro, Lula teria voltado à Presidência. Bolsonaro convidou o famoso juiz para o ministério não para prestigiá-lo, mas para afastá-lo do seu caminho. Foi o primeiro ato do presidente contra a Lava Jato. Fatos posteriores para enfraquecer o combate à corrupção: nomeação de Augusto Aras, reconhecido crítico da Operação Lava Jato, para a PGR; tentativa de exonerar o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, já no início do governo (o recuo se deu pela resistência de Moro); tentativa de desmembrar o Ministério de Justiça e Segurança Pública (mais uma vez, foram a resistência de Moro e a dura reprovação nas redes sociais que levaram ao recuo); sanção da emenda (jabuti) que desfigurou a Lei Anticrime, sempre contrariando parecer do ministro. Finalmente, demitiu Valeixo para pôr no lugar alguém a serviço dele e de seus filhos. Sergio Moro fez muito bem em sair do governo para preservar sua biografia. Qualquer brasileiro honrado faria o mesmo.

PEDRO GERALDO

PGTHOMAZ@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Atos de coragem

A disposição de Sergio Moro de fazer no Executivo o que fez no Judiciário foi frustrada pelos donos do poder, que preferiram acordos políticos para nele permanecer. A coragem de deixar a toga e agora o governo merece ser julgada pela História, por seu comprometimento no combate aos corruptos do grande poder econômico e político, sem meias-verdades. Em 2022, Moro provavelmente será um nome forte para disputar a Presidência da República, com boa interlocução, independência e, sobretudo, elevado patriotismo.

CARLOS HENRIQUE ABRÃO

ABRAOC@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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De intimidação

Qualquer estagiário de Direito sabe que a primeira coisa a ser feita numa denúncia é averiguar e, se inverídica, acionar o denunciante. Não foi o que fez Augusto Aras, cuja primeira atitude foi mandar investigar Sergio Moro, o denunciante. É fácil deduzir o motivo.

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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Cobras criadas

O presidente precisa tomar cuidado, porque, do jeito que nomeia pessoas para depois não permitir que façam o trabalho inerente aos cargos em que as coloca, despedindo-as por “dá cá aquela palha”, em breve vai começar receber negativas vindas de cidadãos competentes e de bem a seus eventuais convites e, nessa hora, só as cobras espertas vão acercar-se de sua pessoa, gratas pela chance de um bote.

DOCA RAMOS MELLO

DDRAMOSMELLO@UOL.COM.BR

SÃO SEBASTIÃO

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Caneladas de perna de pau

Bolsonaro, definitivamente, não sabe “jogar”. Mas se considera o garoto “dono da bola”...

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Balcão de negócios

O editorial A corte de Bolsonaro (2/5, A3) mostra como o presidente age de acordo com a Constituição de 1824. Desatualizado em 196 anos, ele pensa que é rei e que seus súditos devem reverenciá-lo, sob pena de demissão, como fez com Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta. Insiste em nomear amigos íntimos para cargos-chave com o objetivo de blindar seus filhos, e quer isentar igrejas evangélicas do pagamento de multas, ao mesmo tempo que desafia ministros do Supremo Tribunal, pois “quem manda” é ele. Ninguém pode contrariá-lo. Agora está patrocinando a volta da velha política do balcão de negócios, em evidente “toma lá dá cá”. É impossível acreditar nesse “monarca” desatualizado e ninguém sabe como tudo isso vai acabar.

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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O ‘imperador’

Da leitura de A corte de Bolsonaro fica claro que o presidente de fato se acha o imperador brasileiro do século 21, sempre a dizer: “Quem manda sou eu!”. Não á dúvida de que o Brasil é difícil de governar, dadas as grandes diferenças sociais e econômicas. Mas Bolsonaro está exagerando. E daí? Infelizmente, votei nele para o Brasil sair da lama (PT), mas acabou atolado no barro!

EDGARD GOBBI

EDGARDGOBBI@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Convicção

Não consigo entender o desalinho de Bolsonaro diante da realidade. A única explicação me parece ser psicológica. Ele adapta a convicção pessoal à política para viver em paz consigo mesmo. Não vejo outro caminho para quem briga até com a própria sombra, perde a noção de limites quando palpita no que não entende, como no caso da coronavírus, chegando ao extremo de querer fazer embaixador do Brasil nos EUA um dos filhos, jovem sem nenhuma experiência em política externa, cujas credenciais são ele alegar ter residido lá por seis meses e ter sido chapeiro em lanchonete. O presidente que se acautele, para não ser lembrado como insano pela História.

MARIO COBUCCI JUNIOR

MARITOCOBUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

NO PAÍS DO CORONAVÍRUS

Segundo o Imperial College de Londres, um dos mais reconhecidos em análise de pandemia do mundo, o Brasil tem hoje a pior situação do planeta, podendo dobrar o número de mortos neste domingo. E não podia ser diferente. No Brasil, o vírus tem a ajuda do presidente Jair Bolsonaro. Desde que ele começou a boicotar a quarentena sancionada por ele, passei a me perguntar se ele estaria no seu juízo perfeito. Fez de tudo para poder exonerar o ministro Luiz Henrique Mandetta, que vinha conduzindo muito bem a situação da Saúde no País. Conseguiu substituí-lo por um médico não afeto à administração pública e, mais, voltado ao planejamento. E o fez em plena ascensão da epidemia no País. Incansável, partiu para cima do ministro da Justiça, exonerando o delegado-geral da Polícia Federal (PF), forçou o pedido de demissão de Sergio Moro. O seu interesse na PF se prende ao fato de seus filhos estarem sedo investigados no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) e a situação pode ficar feia para eles. Complicou-se, pois não esperava uma reação tão contundente do ex-juiz da Operação Lava Jato. Agora, ele próprio se encontra em situação delicada, sujeito, inclusive, a ser destituído. Então, deixa de fingir que veio para combater a corrupção e parte para se aliar com os partidos fisiológicos do centrão. Negocia, agora, com o PL do ex-deputado Valdemar Costa Neto, o cargo da área de vigilância sanitária, do Ministério da Saúde, ocupada hoje por um doutor em epidemiologia. Se tal ocorrer, como revela a jornalista Andréa Sadi, da Rede Globo, vai ser a avacalhação definitiva do governo federal. As vagas nas UTIs dos hospitais estão no limite e os óbitos, aumentando assustadoramente, como previu o dr. Mandetta. O presidente, preocupado em não ser defenestrado, vai substituir um dos principais secretários do Ministério da Saúde por um apadrinhado de um dos piores políticos do País. O presidente da Câmara dos Deputados fala para ir com calma em termos de defenestrar Bolsonaro da Presidência. Tendo em vista a epidemia e a incompetência do presidente, não temos tempo a perder.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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HERÓIS DO SAMU

Prefeitura tira Samu da verificação de óbitos (30/4 A13). A atribuição do Samu é salvar vidas. Ainda que seja fato notório da ciência desde o século 19 que não se misturam com a vida os cuidados com a morte, no município se perpetra tal barbaridade. Será que os heróis do Samu têm pouco trabalho e tempo disponível para ter de desempenhar tal tarefa equivocada? Trata-se de incompetência ou má-fé do governo nesta cidade?

Suely Mandelbaum suely.m@terra.com.br

São Paulo

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MÁSCARAS NO TRANSPORTE PÚBLICO

O prefeito de São Paulo determinou o uso obrigatório de máscaras nos veículos públicos da nossa cidade. No caso de desobediência à lei, que agora em vigor, serão lavradas multas no valor de R$ 3.300,00 por passageiro infrator. Entretanto, podemos ficar tranquilos, pois essas multas deverão ser pagas pelas concessionárias dos serviços em nossa Capital. Realmente, trata-se de uma lei muito inteligente, que promete excelentes resultados. As famosas máscaras, que já vinham atingindo valores absurdos, devem ter um portentoso aumento em seus preços. Na verdade, os motoristas dos veículos serão responsáveis por essas esdrúxulas fiscalizações, pois fatalmente os probos empresários de transportes coletivos se recusarão a pagá-las. Então, assistiremos a brigas e cenas de pugilato nos pontos de ônibus, entre os motoristas e os passageiros, sem condição de adquirirem, por preços devidamente “revisados”, essas máscaras. Uma pergunta: por que nossa Prefeitura, que já gastou tanto em ações politiqueiras e de resultados discutíveis, não assume esse ônus?

Luiz Antônio Alves de Souza zam@uol.com.br

São Paulo

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REGIME DE EXCEÇÃO EM SÃO PAULO?

Medidas extremas devem partir da população por dez dias. Nunca por “lei ditatorial” de qualquer órgão público ou cargo. Um funcionário nunca impõe, apenas sugere e trabalha pelo bem da empresa; e, no caso público, são as pessoas. Acorde, governador.

Roberto Moreira da Silva  rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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RESPIRADORES

Sr. governador João Doria, ainda sobre números, gostaria que explicasse, já que somos nós, contribuintes, que pagamos por tudo isso, por que os respiradores comprados na China pelo seu governo podem custar R$ 189 mil cada um, quando o Ministério da Saúde está adquirindo esses mesmos produtos, fabricados no Brasil, por R$ 23.836,00 cada um? Agradeço uma explicação, se possível.

Maria Luiza Pacheco Fernandes maria-luiza@uol.com.br

São Paulo

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BRASIL E A LIÇÃO DA PANDEMIA

Neste momento a Nação vive uma expectativa dramática de incertezas com relação à propagação do coronavírus. Parte da tragédia que estamos prestes a vivenciar é consequência da forma irresponsável como os governos, tanto no âmbito federal quanto estadual e municipal, passados e mais recentes, trataram o planejamento das nossas cidades, com a formulação e execução de políticas de saneamento básico. Acredito que uma das únicas políticas de longo prazo aplicadas no Brasil com eficiência tenha sido a de vacinações. É bem possível que a eficácia dessa política, ainda que imperceptivelmente, esteja impedindo que nossa tragédia não seja mais dramática, ao ajudar que o nosso sistemas imunológicos seja mais sensível ao identificar corpos estranhos e criar anticorpos a novos vírus que sempre aparecem e aparecerão. Que esta pandemia possa criar na nossa juventude política que uma preocupação séria com as políticas de saúde pública, que envolvem tratamento sanitário em amplo sentido, inclusive educação.

Jose Joaquim Rosa jose.rosa1945@hotmail.com

São Paulo

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‘GRIPEZINHA’ E A POBREZA

Os estragos desta “gripezinha” da covid-19 – como foi dito pelo desumano Jair Bolsonaro –, pelo jeito, vão, infelizmente, muito além dos milhares de mortes e milhões de infectados pelo mundo. Depois de décadas de crescimento da economia mundial, esta pandemia, que promove brutal queda da atividade produtiva, deve aumentar não só o desemprego, como principalmente o nível de pobreza no mundo. É o que prevê estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), que 8% da população, ou 500 milhões de pessoas, devem voltar à pobreza, juntando-se a outras 734 milhões de pessoas pobres que, conforme estudos de 2016, viviam com apenas US$ 1,90 (ou R$ 10,20) por dia.  Isso joga por terra grande parte dos avanços econômicos das últimas décadas, como a queda acentuada do nível de pobreza em toda a Ásia, puxada pela China e pela Índia, e em países africanos e, inclusive, no Brasil. Em 1990, a pobreza atingia 36% da população mundial, ou 1,9 bilhão de pessoas, e, se se confirmarem esses números da ONU, devemos fechar 2020 com 1,234 bilhão de pessoas pobres. E a crise deve também afetar os quase 2 bilhões de trabalhadores na informalidade pelo mundo. No Brasil, onde o IBGE acaba de divulgar que o desemprego cresceu neste primeiro trimestre, de 11,6% (ou 12,3 milhões de pessoas) para 12,2% (ou 12,9 milhões) e que pode chegar a 17,8% (ou quase 19 milhões de desempregados) neste ano, carregamos ainda o triste índice de 38 milhões de subempregados. Mesmo porque, como prevê o FMI, se o crescimento econômico mundial neste ano ficar negativo em 3%, no Brasil a perspectiva é de uma queda de 5,3% do PIB. Um desastre, em meio a esta pandemia que deve consumir do Tesouro algo como R$ 700 bilhões, num país como o nosso, que já vive há alguns anos com altíssimo déficit fiscal. Para piorar, ainda temos um presidente como Jair Bolsonaro, totalmente desconexo com o Brasil.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Paulo

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COVEIROS

Nosso presidente, indagado sobre o crescimento brutal de mortos devido à pandemia, respondeu: “Não sou coveiro”. Bem melhor se fosse, pois seria mais sensível, mais realista quanto ao significado da vida, talvez mais responsável e adequado à função ou ao cargo que ocupa. Tenho dó de nós, brasileiros.

Pericles Carrocini periclescarrocini@gmail.com

São Paulo

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COVID-19

Se o presidente e daí? não sabe o que fazer, dê o lugar para outra pessoa mais capacitada e vá praticar tiro ao alvo.

Adalberto Amaral Allegrini adalberto.allegrini@gmail.com

Bragança Paulista

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ADEUS, BOLSONARO

Diante das últimas ações e reações do presidente Bolsonaro, não restam dúvidas de que esse senhor não passa de um reles e desqualificado ser humano, se é que isso pode ser chamado de ser humano. E daí? E daí a pqp, senhor Jair. Se o senhor é tão insensível quanto tem demonstrado ser, não deveria jamais ser presidente do Brasil; deveria, sim, ser carrasco das hostes nazistas ou de algoz de escravos nas naus escravagistas. Aos poucos vai se revelando a enorme besteira que nós, brasileiros, praticamos ao elegê-lo a tão elevado cargo para o qual o senhor não tem o mínimo preparo e conhecimento além de uma ilimitada ignorância sobre qualquer assunto mais sério ou relevante. Chega a ser quase inacreditável que, mesmo cercado de generais com altíssimo grau de cultura e conhecimento, lhe sejam permitidas palavras e atitudes tão bizarras, ridículas e, acima de tudo, burras como aquelas que diariamente profere e pratica. Será que não há ninguém, ou ele não dá ouvidos a ninguém, para alertá-lo de que o Brasil não é feito de idiotas como ele costuma chamar a quem não pensa como ele? Enquanto o mundo está preocupado em buscar saídas ou alternativas para a grave crise da saúde e da economia, o irresponsável senhor tenta a todo custo livrar a cara de seus desavergonhados “pimpolhos”, como se fosse possível apagar as “malandragens” que foram praticadas por eles. Alguém tem dúvidas da prática de “rachadinha” com as verbas de gabinete de vereadores, deputados estaduais e federais e até senadores de todo o Brasil? Claro que não! Até as pedras sabem disso, e não seriam os oportunistas “pimpolhos” do presidente, inclusive o próprio, exceção a essa regra. Lembram-se? Gabinetes de “aspones” para que? Só para nos roubar um pouco mais? O senhor presidente sabe muito bem que a única maneira de impedir que seus “pimpolhos” sejam devidamente enquadrados é paralisando as investigações, o que só pode ser feito por um ministro do STF, o que, aliás, já foi feito, ou pelo diretor da Polícia Federal, e para tanto só sendo muito amigo do clã Bolsonaro. Ao que se saiba, ninguém até agora colocou em dúvida a capacidade ou o currículo do senhor Alexandre Ramagem. O que se pode entender é que, uma vez empossado, o senhor Alexandre Ramagem poderia, e não quer dizer que o faria, paralisar as investigações, portanto prevenir é melhor que remediar. Presidente, pelo amor de Deus, deixe de ser burro. Vá governar, se é que o senhor entende alguma coisa disso, e pare de encher o saco de nós, brasileiros, com suas bobagens e extravagancias. Nós já estamos de saco bem cheio do senhor e o senhor já teve seus 15 minutos de glória. Chega ou vá embora!

Sylvio Pinto Ribeiro Sylvio1942@gmail.com

São Paulo

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ORA, ORA!

Ora, ora, se o ex-superintendente da Polícia Federal de Minas Gerais Rodrigo Teixeira foi exonerado por contrariar o presidente Jair Bolsonaro no caso de Adélio Bispo – que atentou contra a sua vida –, imaginem o que não faria se conseguisse “emplacar” seu amigo de cama e mesa Alexandre Ramagem na diretoria da Polícia Federal? Aliás, falando nisso, por onde anda Adélio?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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QUAL O IMPEDIMENTO?

O ex-ministro Sergio Moro revelou que o Poder Judiciário até hoje não autorizou a Polícia Federal a fazer perícias ou mesmo examinar o telefone celular do criminoso que tentou matar, e que efetivamente esfaqueou, o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro. Mas como assim? Qual o impedimento? E se o Poder Judiciário não der explicações cabíveis ante esta colocação de Sergio Moro, o que devemos pensar, que há um crime institucional sendo praticado à vista de todos? Pois estou pensando assim.

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

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O ROTO JULGANDO O RASGADO

Em recente decisão monocrática o STF impediu a nomeação do novo diretor geral da PF sob a alegação de que feria o princípio da impessoalidade. Mesmo considerando que a indicação tem um carácter nebuloso tendo em vista que o candidato a vaga não preenchia, a meu ver, condições profissionais relevantes ao cargo, aquela decisão, baseada naquele princípio, tem um quê de anedota. Se formos ver os integrantes do STF à luz do princípio de impessoalidade, ficaríamos com um pé atrás, pois um deles, reprovado duas vezes para o cargo de juiz, cujo currículo nos mostra que sua carreira foi toda ligada ao PT, e nada mais que isso. Sua nomeação teve exclusivamente o objetivo político de assegurar a libertação de apaniguados daquele partido. E tanto o foi que, mesmo tendo sido advogado do sr. José Dirceu, o julgou posteriormente quando assumiu a cadeira, alegando que não havia nenhum conflito de interesse, e hoje é o presidente do Tribunal.  O outro, também com carreira ligada ao PT, juntamente com o famigerado Renan Calheiros, deu um passa-moleque no País quando garantiu os direitos políticos da cassada presidente do Brasil afrontando a Constituição. E ele estava lá para preservá-la! Há também o ministro indicado pelo seu primo, o ex-presidente Color de Mello (ele oculta o sobrenome Mello por razões que somente ele sabe) e que teve sua filha guindada ao cargo de desembargadora pela ex-presidente Dilma, derrotando nomes mais experientes. Numa entrevista para a TV Cultura, garantiu que a promoção foi por pura competência. E outros se seguem neste mesmo compasso, com raras exceções. Portanto, a “figura” do princípio da impessoalidade, que estabelece o dever da imparcialidade na defesa do interesse público, ficou cabisbaixa, de vergonha, quando foi usada para justificar aquela decisão.

Ademir Alonso Rodrigues rodriguesalonso49@gmail.com

Santos

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NOMEAÇÕES

A decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, caso confirmada pelo plenário, deverá ter como consequência o afastamento de alguns ministros, senão vejamos. O ministro Marco Aurélio é primo do ex-presidente Collor; o ministro Lewandowski era amigo de dona Marisa, esposa do ex-presidente Luiz Inácio; o ministro Toffoli era advogado do ex-presidente Luiz Inácio e do PT e o próprio ministro Alexandre de Moraes é amigo do ex-presidente Michel Temer. Qual a justificativa para impedir a nomeação do chefe da Polícia Federal? Ou será que houve má-fé nas nomeações dos excelentíssimos senhores ministros atrás mencionados?

Eraldo Bartolomeu Cidreira Rebouças  real742@yahoo.com.br

Poços de Caldas (MG)

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DECISÃO MONOCRÁTICA

O presidente Bolsonaro não aceita a decisão monocrática que impediu a posse de Alexandre Ramagem na PF e classifica como “canetada” o ato do ministro do Supremo. É contraditória a crítica a uma decisão monocrática, que não é ilegal, por parte de quem usa a expressão “quem manda sou eu”, essa, sim, nada republicana.

Valter Vicente Sales Filho valtersaopaulo@yahoo.com

São Paulo

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BOLSONARO E A PF

A propósito da polêmica sobre as pretendidas e questionáveis relações do presidente Bolsonaro com a Polícia Federal, motivo da ruidosa demissão do respeitado e icônico ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro, cabe, por bem, reproduzir o que bem disse a colunista do Estado Eliane Cantanhêde no artigo Tiro no STF e no pé (1/5, A5): “Relatórios de inteligência contêm informações da atuação explícita da PF nas fronteiras, no combate ao crime organizado e no tráfico de armas, drogas e pessoas, que podem ser importantes na definição de estratégias do governo. Já as investigações judiciais são sobre organizações, pessoas, aliados ou adversários do presidente. Logo, poderiam não ter uso de interesse público, mas sim político e até pessoal nas mãos do presidente – qualquer presidente”. É como se diz no popular: “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Não se pode nem se deve confundi-las, pois não?

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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GROTESCO

O Brasil é realmente um país contraditório, para não dizer grotesco. Sua Corte Suprema, tendo com uma das mais importantes atribuições a guarda da Constituição, foi, nos últimos tempos, exatamente o órgão que mais a descumpriu; uma vez, proferindo sentença em processo de impeachment conduzido pelo Congresso Nacional e coordenado pelo então presidente do sagrado colegiado, Ricardo Lewandowski, na qual conservou, ao arrepio do conteúdo da Carta Magna, os direitos políticos de Dilma Rousseff, cujo governo constituiu o maior desastre da República; agora, mediante interferências indevidas na nomeação de indicado pelo presidente eleito pelo povo para a direção da Polícia Federal, dentro de prerrogativas garantidas pelo texto da Lei Superior. Isso sem falar na desobediência ostensiva exibida por Renan Calheiros quando deixou de cumprir afastamento da direção do Senado federal determinada pelos togados, não lhe custando tal atitude qualquer punição. É nessas horas que a figura de Rui Barbosa volta à cena com dedo em riste para essa triste sociedade, afirmando que a pior ditadura é a do Judiciário, pois contra ela não há a quem recorrer. E ele sabia do que estava falando.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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A DECEPÇÃO ESPERADA

Mesmo sem ter confiança nele, votei em Bolsonaro, ou melhor, votei contra o PT. Como pensava, minha previsão estava certa, foi exatamente o que pensei: não apresentou nada. Além das besteiras que fala, comete atitudes inconvenientes para o exercício da sua posição, mostrando não ter o mínimo de preparo para do cargo. Algumas vezes até demonstra ter boa intenção, mas age completamente sem senso. Infelizmente, foi a decepção que eu esperava.

Laert Pinto Barbosa  laert_barbosa@globo.com

São Paulo

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ACONTECE

Sim, acontecem coisas que não deveriam acontecer... Deve haver uma influência de uma precária compreensão de Bolsonaro do poder do presidente. Não é o de um comandante de ordem unida. Mas há os provocadores, os derrotados inconformados. Os que deformam as suas palavras. Os que não mantêm discrição por vaidade e ambições. Os que são indiscretos e traiçoeiros. Os que interferem em decisões do Executivo. Os que apresentam e votam propostas inadequadas e assim por adiante. Há de ser “mico de circo e mágico” para lidar com isso tudo. Este governo é inédito. Formado sem compromissos com a tradicional e corrupta “classe política”. No lugar de apoiar as oportunidades de saneamento do ambiente, a imprensa aparelhada se dedicou a torpedear o mode de atuação e a desgastar a imagem do presidente. Fake news viraram prática usual não reprimível. Está em toda parte; sempre existiu na mídia. Chamava-se boato. Rachadinhas são práticas duvidosas que devem ter sido usuais de congressistas, deputados estaduais e vereadores. O PT recolhia de seus partidários eleitos. É crime tipificado? Caso for, o que aconteceria se a questão for leveda adiante de forma imparcial e abrangente? Em conjunto nos defrontamos com a imaturidade de um sistema que criou uma classe de nobres que se cobre com leis que a protegem de condenações. E ainda tiveram o desplante de chamar a Constituição de “cidadã”. Foi pura demagogia. Agora procuram pegar o presidente que confronta os absurdos numa rede de sofismas. Que sofisticação!

Harald Hellmuth hhellmuth@uol.com.br

São Paulo

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JOGO SUJO

Tutelado pelos filhos e pelo guru Olavo de Carvalho, o presidente Bolsonaro joga sujo. Todas as besteiras que ele faz e fala são propositadamente contrárias ao pensamento comum. O objetivo é chocar e com isso criar manchetes, centralizar os debates em torno do nome dele e tirar dos debates os feitos de seus concorrentes na eleição de 2022. Precisa ter sangue muito ruim (não é bem isso que gostaria de falar) para agir tão levianamente, mas tem método nisso (como diz um jornalista seu defensor ferrenho). A forma de desmontar essa farsa é apontar suas contradições e desafiá-lo, por exemplo: ou ele demite seu novo ministro da Saúde por contrariá-lo ou assina atestado de bananão (usar o humor também ajuda), ou ele é contra o isolamento, mas qual a proposta dele, abalizada por quem? A mídia só o critica, mas precisa desmontá-lo com perguntas que exponham seu vazio.

Milton Bonassi mbonassi@uol.com.br

São Paulo

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ESPERANÇA

A principal questão a ser respondida neste momento não é política, mas, quando teremos uma manchete positiva em nossos jornais, que não sejam abertura de covas, aumento de mortes ou cerceamento dos nossos preceitos constitucionais, algo minimamente animador.

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo

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QUANDO TUDO SE ACALMAR

E eu pensei que era o apocalipse. Acredito que muitos de nós vimos essa pandemia como um apocalipse de um sistema de relações e economia falidos. No começo o medo da morte iminente do que conhecíamos, logo depois descobertas diárias, semanas de montanha russa de sentimentos. Foi muito fashion estar trancado em casa e dividir nossas emoções estranhas com amigos e pessoas que nunca vimos antes, mas tudo era tão digital e tão seguro e estávamos vivendo um momento difícil . Fizemos receitas, esporte, pintamos o cabelo, mostramos o corpo, nos emocionamos por alguns segundos, comemos, comemos e comemos, como se tudo fosse acabar. Na verdade, acho que estamos fartos do mundo que criamos e aceitamos, “pelos menos alguns de nós”, e numa necroesperança achamos que todas essas mortes, dores e medos mudariam o cenário de nossa existência. O apocalipse seria uma solução generosa para tanto cansaço, contas, frustrações e falta de vontade para lutar. Agora, que as coisas vão se acalmando aqui e ali, a decepção. A covid-19 não era Jesus, nem o fim dos tempos, nem das contas quilométricas para pagar, da sobrevivência e adaptação constante às exigências econômicas, não foi o fim de tudo que conhecemos e que queríamos tanto que fosse diferente. De uma forma dissimulada, torcíamos a cada número da “necroestatística”, que tudo ruísse, as grandes empresas exploradoras, os ricos ambiciosos e desumanos, os vizinhos arrogantes, os países do norte. Cada um tinha sua lista para uma vingança divina. Mais nada aconteceu. E, agora que as coisas estão se acalmando aqui e ali, nos ponhamos nervosos por que tudo vai acontecer como antes. Esse vírus que veio com cara de revolução se tornou o próximo opressor econômico, ele permitiu obscurantismo escancarado, controle, medo, fome, morte. Ele nos fez ver o que acontece quando tudo para e agora ele vai mostrar o que vai acontecer quando tudo começar a se mover mais uma vez, aqueles que ainda estão aqui serão testemunhas da herança da covid-19. A bolinha com as pontinhas que aparece nas lentes dos microscópios vestiu gravata, e vai fazer política. Não era Jesus, nem o fim do mundo, nem um doce apocalipse, só era o começo de uma nova era, não sei o que terá de tão novo para pessoas como eu, que se levantam às 6h da manhã e a cada fatura que recebe faz uma festa.

Meire Vieira meirevieiradossantos@gmail.com

Leiden, Holanda

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