Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2020 | 03h00

Pandemia

O vírus do crime

Duas notícias estarrecedoras: a primeira relata que armas dos quartéis estão abastecendo facções criminosas (10/5, A7) e a segunda, que respiradores têm chegado quebrados e falsificados (11/5, A4). A primeira assusta porque facções podem já estar se infiltrando nos quartéis. E merece urgentes esclarecimentos dos comandantes. A segunda mostra a que ponto chegamos em matéria de corrupção. A entrega de respiradores quebrados já é um absurdo, mas respiradores falsificados é demais! Pelo jeito, os bandidos já circulam com desfaçatez em repartições públicas.

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Desigualdade e corrupção

Os editoriais Pobreza, paraíso para o vírus e A pandemia expõe as desigualdades (11/5, A3) retratam brilhantemente uma realidade histórica em nosso país. Diante das precisas informações contidas nos textos, dentre tantas eu destacaria, e o faço de maneira sequencial para que todos reflitamos: o contágio é facilitado em casas pobres, superlotadas e sem saneamento básico; o Brasil mantém-se como um dos líderes mundiais de desigualdade; 105 milhões de pessoas sobrevivem com R$ 438 mensais; e cerca de 32% dos domicílios estavam fora da rede de esgoto em 2019. No mundo (dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Pnud), uma em cada quatro pessoas vive na pobreza e mais de 40% da população mundial não tem nenhuma proteção social; países desenvolvidos têm, para cada 10 mil habitantes, 55 leitos hospitalares, 30 médicos e 81 enfermeiros, nos menos desenvolvidos são 7 leitos, 2,5 médicos e 6 enfermeiros; na crise não estamos todos juntos, se estivéssemos seria melhor. No Brasil, com notícias como as de que despesas com cartão da Presidência dobram em 2020, compras emergenciais são investigadas em 11 Estados (principalmente AM, RJ, RR, SC, PA e SP), com 3,7 mil comunicações de irregularidades e 885 denúncias, secretário de Saúde é preso, mais superfaturamentos e má gestão com respiradores comprados que não funcionam, será que vamos combater o vírus? Estou convicto de que a pior pandemia do Brasil é a da corrupção. E não temos vacina para ela, que seriam leis rigorosas.

CLAUDIO BAPTISTA

CLABAP45@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Pico do coronavírus

Enquanto houver dinheiro, o pico da contaminação por coronavírus será sempre “no mês que vem”, para que prefeitos e governadores façam compras sem licitação...

MILTON BULACH

MBULACH@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Respiradores da Poli

Os respiradores são essenciais numa sala de UTI com pacientes de covid-19. Há escassez desses respiradores no mundo e muita dificuldade para comprá-los. Várias compras feitas em diferentes partes do Brasil mostraram-se fraudulentas. Pergunto: aonde foram parar os respiradores feitos pela Politécnica de São Paulo? Dizem que são baratos. Não funcionam?

JENNER CRUZ

JENNER_HELGA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Máscaras protetoras

Ainda se fazem máscaras artesanalmente no País, quando temos uma avançada indústria de confecções capaz de produzi-las em larga escala. Prefeitos, governadores e Presidência há muito deveriam tê-las encomendado para distribuição gratuita, como se faz com os preservativos. Todos os países que tomaram essa providência estão saindo da pandemia do coronavírus e nós estamos vendo o problema aumentar, por negligência das nossas autoridades. Como consequência, perdemos muitas vidas e o comércio, a indústria e os serviços têm um prejuízo incalculável.

DELPINO VERISSIMO DA COSTA

DCVERISSIMO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Desgoverno Bolsonaro

Aparelhamento do Estado

Importantes e oportunas as preocupações do chefe do grupo antissuborno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Drago Kos, demonstradas em entrevista ao Estado (9/5, B5). Afinal, com saída do ministro Sergio Moro, da Justiça, referência mundial no combate à corrupção, e a entrada simultânea do Centrão no governo, carregando consigo a sua fama, urge que Paulo Guedes mostre ao “clube dos ricos” que nas reformas estruturais que pretende implementar também se inclui a proteção às estatais e às agências reguladoras da ação de políticos desonestos. Bom lembrar que nossos números são de assustar: enquanto os EUA têm aproximadamente 4 mil funcionários em cargos de confiança, o Reino Unido tem 300 e a Alemanha, 500, no Brasil são cerca de 22,5 mil!

NILSON OTÁVIO DE OLIVEIRA

NOO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Auxílio emergencial

Mais uma vez o brasileiro acreditou nos governantes. O auxílio emergencial saiu com grande propaganda, iludindo as pessoas que, necessitando de ajuda, foram atrás: um verdadeiro martírio para receber a primeira parcela, com problemas no APP, nas filas e datas. Agora, na hora da segunda parcela, nem as datas saíram ainda, o que me faz pensar que a terceira parcela nem sairá. E mais uma vez a população que mais necessita é deixada para trás – enquanto os gastos com cartões corporativos do governo só aumentam. Pobre povo brasileiro...

ANTENOR APARECIDO STABILE

ANTENOR.APARECIDO@GMAIL.COM

VINHEDO

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Imposto de Renda

Problemas no site

Com a postergação da entrega do Imposto de Renda, quem procura fazer a declaração após 30 de abril enfrenta problemas com o uso da alternativa simplificada com desconto padrão. O programa IRPF2020 parece não ter sido adaptado para a nova data-limite de entrega, 30 de junho, e bloqueia essa alternativa.

ANTONIO M. FERRARI

AMFI.FERRARI@GMAIL.COM

SÃO PAULO


RODÍZIO AMPLIADO VERSUS COVID-19


Não bastasse a famigerada e nonsense interdição de algumas vias em São Paulo, felizmente revogada, por sua total inconveniência e ineficácia, o sr. Bruno Covas anunciou para esta semana, a partir de ontem (segunda-feira), o retorno do rodízio de veículos, e de forma ampliada, com o intuito de retirar 50% dos veículos das ruas, sete dias por semana. É de clareza solar que, na impossibilidade de utilizar o transporte individual, imperiosamente haverá uma expressiva migração de todos aqueles que dispõem de veículo próprio e necessitam trabalhar para o transporte coletivo, cujo inevitável aumento expressivo da demanda, fatalmente, acarretará em inúmeras aglomerações, reduzindo o distanciamento social e colocando a população ainda mais em risco para a covid-19, mesmo com o aumento da frota em circulação, que jamais atendeu dignamente a demanda de usuários, notadamente nos horários de pico. 


Roberto Botkowski  mzrarquitetura@gmail.com

São Paulo


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CADASTRAMENTO DOS ISENTOS


O prefeito de São Paulo e secretários implantam, justa causa, mas com poucos dias de antecedência, rigoroso rodízio na cidade. Na sua fala, o sr. Bruno Covas anuncia – e o Estadão publica – quem está isento e informa um e-mail para estes se cadastrarem (isencao.covid19@prefeitura.sp.com.br). Como médico, tentei, em vão, me cadastrar. Devo ficar esperando multas e, neste período difícil, ficar recorrendo? Embora haja certa urgência, tenho certeza de que a Prefeitura poderia implantar essa medida com maior eficiência e com mais respeito pelo cidadão.


Noedir Stolf stolf@incor.usp.br

São Paulo


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PREJUDICADOS


Falta de cuidado! O novo esquema prejudicará os motoristas com placa par, por causa dos meses de 31 dias. Uma solução seria a festa da uva nos dias 31, todo mundo pode circular.


Ailton de Souza Abrão a.abrao@terra.com.br

São Paulo


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DESATINO


Lê-se que a Promotoria de Justiça pediu explicações ao prefeito de São Paulo sobre o novo rodízio estabelecido a partir de 11 de maio. De fato, os danos que a população desta cidade sofrerá são incalculáveis: maior aglomeração nos metrôs, ônibus, pontos de ônibus, estações, etc. É evidente, portanto, que o rodízio foi implementado por motivos unicamente arrecadatórios, visto que as multas são elevadas e nenhum benefício proporcionará aos cidadãos. Só resta, portanto, como única esperança, ao zeloso Ministério Público de São Paulo tomar as medidas cabíveis para evitar tamanho desatino.


Alvaro Augusto Fonseca de Arruda alvaro.arruda@uol.com.br

São Paulo


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NOVO RODÍZIO


Trágica a decisão de Bruno Covas relativa ao rodízio de veículos em São Paulo. Cidadãos que circulavam em isolamento nos carros passarão a utilizar transporte público ou a compartilhar carros, aumentando significativamente o contágio. A parcela que deixará de circular por causa da medida será ínfima. Que cidades no mundo adotaram este método? E, se não o fizeram, é por que pensam.


Jorge Alberto Nurkin  jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo


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TIRO NO PÉ


O nosso alcaide deu um tiro no pé: a alteração radical imposta ao rodízio municipal de veículos trará sequelas inimagináveis para a população de São Paulo. Alguém precisa avisar o sr. Bruno Covas de que o aumento do trânsito na cidade se deve à insegurança da população de usar o transporte público. Com a expressiva redução do trânsito em decorrência do fechamento das escolas, comércios, suspensão de eventos, jogos de futebol, etc., foi possível efetuar deslocamentos mais rápidos e sem gastos excessivos de combustível. Parte expressiva da população que precisa trabalhar e que permite que outra parcela significativa possa ficar em isolamento adotou o carro como forma segura para se locomover. Não se pode ignorar que, com a redução da circulação de pessoas na cidade no início do isolamento, houve uma diminuição na oferta de ônibus, com remanejamento de linhas, sobrecarregando as que permaneceram em operação, assim como o Metrô, criando aglomerações indesejáveis e de risco. Esta população não sai de casa para se divertir. Desde janeiro já se tinha conhecimento da gravidade desta doença. Teria sido muito bom que o mesmo rigor tivesse sido aplicado no carnaval de São Paulo.


Luiz Sergio dos Santos Valle luizsergiovalle@gmail.com

São Paulo


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ALTERNATIVAS


Minha esposa tem somente consultório e seu automóvel é final 0. Não tem vinculação com nenhuma área de saúde. Como fazer para ir ao consultório nos dias ímpares?


Freddy Grandke freddy.gr@uol.com.br

São Paulo


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NÃO VAI RESOLVER


Sugiro uma pesquisa com a maioria da população para saber se ela entendeu este rodízio. A primeira pergunta deveria ser: quais são os números ímpares e quais são os pares? Depois, perguntem como deve ser o rodízio. Os burocratas do serviço público ficarão surpresos. A maior parte da população vai se confundir. Nem sabe o que é par ou impar! E muitos dependem do carro para chegar até o trabalho que exercem, tipo atendentes de enfermagem e cuidadores que trabalham em asilos ou em casas particulares. Caixas de supermercado, recepcionistas de hospital, funcionários de farmácias, que chegam ao trabalho de carro porque alguém os leva. Os ônibus vão ficar lotados. Essa solução não vai resolver o problema.


Jacy Ghirotti jacyghirotti@gmail.com

São Paulo


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MUDANÇA NO RODÍZIO


Estou bege. Nunca poderia imaginar que automóvel transmitia covid-19. Fim dos tempos!


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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EQUÍVOCO


Mais uma vez nosso prefeito comete um equívoco. Este rodízio não vai diminuir o surto de covid-19, provavelmente vai aumenta-lo. Ninguém sai de carro para passear, mas sim para trabalhar em alguma atividade essencial. Com certeza vai aumentar o volume de passageiros nos transportes coletivos, portanto aumentando o risco de contágio. O Estado e a Prefeitura deveriam investir pesado na distribuição de máscaras para a população, especialmente nas periferias. É muito mais barato do que em hospitais de campanha, que já se tem em número adequado.


Miguel Russo Jr., médico mrussojr@uol.com.br

São Paulo


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NA CONTRAMÃO DA SOLIDARIEDADE


Compreendo a proposta da recente medida de limitar a circulação de automóveis pela cidade, evitando saídas desnecessárias e fora da proposta da quarentena de se limitar aos essenciais, como mercados e farmácias, por exemplo. Entretanto, há muitas pessoas que não são profissionais de saúde, mas são cuidadores, voluntários e familiares, que necessitam se deslocar pela cidade para o socorro de idosos e pessoas de maior risco nesta pandemia, impossibilitados de sair de suas casas, até mesmo para um mercado, farmácia ou atendimento médico, sozinhos. Os apoiadores destes grupos estão hoje mais seguros, se deslocando em automóveis, mas com a nova medida terão de recorrer aos transportes públicos ou de aplicativos mais baratos, como Uber, que oferecem maior risco ao contágio da covid-19. Nestes casos, o efeito perverso dessa medida será o favorecimento do aumento de casos de infecção pelo coronavírus.


Silvia R. Pereira de Almeida silvia_almeida7@hotmail.com

São Paulo


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PROJETO JABUTICABA


Já estão chamando o rodízio implementado pela prefeitura de São Paulo de projeto jabuticaba, visto que não existe no mundo nada igual a esta “experiência”. Este projeto nada mais é que mais um que não dará certo, como não deu o bloqueio de ruas e avenidas. Com este projeto, o prefeito vai incentivar o agrupamento de pessoas em ônibus e metrô, pois quem precisa se locomover e o estava fazendo de carro agora terá de usar aqueles meios de transportes, verdadeiras incubadeiras de toda espécie de vírus, por sua lotação. Parece-me um contrassenso e atitude de quem está sem plano de ação e está atirando para todos os lados, na base do “e se der certo”?


Ademir Alonso Rodrigues rodriguesalonso49@gmail.com

Santos


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O POVO COMO COBAIA


Talvez nunca saberemos de quem foi a ideia estapafúrdia de propor este rodízio por dias pares e impares na tentativa de conter o cidadão em casa. Esse gênio do mal não percebeu que expôs de forma vil e irresponsável as pessoas que são obrigadas a sair para trabalhar e estavam se precavendo utilizando seus próprios veículos, jogando-as em meio a uma multidão que nem se sabe se está se cuidando. O povo é cobaia dessa armadilha; se dará certo, vamos ver mais adiante, mas a indústria da multa está operando 100%. Um responsável pelo trânsito disse que os radares foram calibrados para multar. Uma pergunta bastante intrigante: por que para castigar o cidadão tudo funciona em questão de horas e para salvá-lo há tanta improvisação e despreparo?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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EDUCAÇÃO


Realmente, o prefeito pensa que somos cobaias. Primeiro, fecha os acessos às principais vias e, dois dias depois, revoga a medida. Agora, determina rodízio de 24 horas para carros final ímpar e par. Essa medida é pouco inteligente, para não dizer burra. Quem precisa trabalhar e utiliza carro agora vai aglomerar no transporte público. Vai apenas impor mais sacrifícios a quem não precisa. A vida está difícil para todos. Não precisamos só de restrições, e sim de educação, explicar, nas ruas,  no transporte coletivo, nos supermercados, nos conjuntos habitacionais, cortiços e nas favelas, o que é este vírus, seus sintomas, seu perigo de contaminação e cuidados para proteção. Precisamos de educação e de informações acessíveis. No governo federal temos um serial killer nos governando, por aqui, um repentista. Que coisa!


Cecilia Centurion ceciliacenturion.g@gmail.com

São Paulo


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RESPONSABILIDADE MUNICIPAL


As classes A, B e C têm sido responsabilizadas pela eficiência das ações da prefeitura visando a conter o coronavírus. Mas a prefeitura não nos informa as suas ações com as populações mais vulneráveis. Cabe à prefeitura nos informar como está apoiando o confinamento, o distanciamento social e o acesso à água corrente aos moradores em situação de rua, em cortiços, em invasões, em albergues, nas cracolândias – mais frequentemente concentrados nas áreas centrais. Cabe, também, informar seu eventual apoio ao confinamento, o distanciamento social e o acesso à água corrente às imensas comunidades carentes vulneráveis e superlotadas instaladas em muitas regiões paulistanas. Neste quadro gravíssimo, só falta as nossas autoridades omissas declarar que as classes D e E já adquiriram imunidade – sem as testar. Cabe informar se os agentes vistores da prefeitura fiscalizam e autuam o comércio irregularmente aberto nos bairros da periferia. A prefeitura publica medidas equivocadas como o rodízio 24 horas incentivando o uso de transporte coletivo – que é o 2.º maior vetor de contaminação, só vindo atrás dos hospitais; tal incentivo só interessa às empresas de ônibus, e, assim, a prefeitura obriga os trabalhadores essenciais das classes A, B e C, que não podem mais usar o carro diariamente para trabalhar, a se expor ao risco do coronavírus no transporte coletivo! Ações corretas e informações amplas são essenciais ao conhecimento dos paulistanos, em geral, e dos cientistas e especialistas, em particular, para embasar recomendações eficientes ao combate na cidade contra o coronavírus. Lockdown só será eficaz caso incluir medidas de proteção às classes D e E, além das classes A, B e C que podem e se cuidar, e caso incluir todo o perímetro da cidade. A legislação urbanística municipal prevalece sobre a estadual e a federal; e a responsabilidade também.


Suely Mandelbaum, urbanista suely.m@terra.com.br

São Paulo


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ÀS CEGAS


Em breve estaremos entre os líderes de mortalidade desta triste pandemia. Continuaremos a ver os números de mortos explodirem para algum cristão tomar a iniciativa necessária, que é testar a população? É o cúmulo da falta de discernimento. Demonstração total de falta de iniciativa, de visão, de planejamento de combate a uma guerra. Uma pusilanimidade contagiosa que afeta a todos com poder concreto de combate ao vírus. Não, preferem deixar tudo como está, numa atitude de avestruz enfurnando todos em casa e, ao mesmo tempo, destroçando nossa economia, já combalida. Velhos, doentes e pobres morrendo fora da estatística, às moscas. Continuar a manter a atual prática é de uma insensibilidade total. Lockdown é a única solução no curto prazo, pois o simples isolamento não foi suficiente. Triste país que demonstra que um vírus é mais competente que cabeças pensantes. Se o lockdown não minimizar o quadro de mortalidade, qual será o passo seguinte? Ninguém sabe. Continuamos às cegas! Simplesmente porque não se admite que testagem é uma forma de chegar a uma solução plausível de minimização da infecção sem que vacinas ou remédios apareçam!


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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IMPRESSIONANTE


É de impressionar a facilidade com que certos governadores e prefeitos que nunca inspiraram confiança nas respectivas populações se vestem repentinamente de salvadores de vidas e, instigados por aconselhamentos de uma ciência impotente, à qual não resta outro recurso além da proposta de isolamento, ameaçam a população com a decretação de um lockdown, tratando-a como criança desobediente e fingindo desconhecer por completo a realidade social vigente, ignorando ainda o fato de que condições de penúria na saúde, provocadas pelo descaso constatado em suas administrações, já subsistiam antes mesmo do aparecimento da doença. É desanimadora, também, a observação de que muitos deles agem com motivações políticas, de olho nas próximas eleições e na manutenção oportunista de seu poder.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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LONGO CAMINHO


reaparecimento do vírus em Wuhan e Seul mostra que ele ficará entre nós por muito tempo e a realidade vai mostrar que as mortes e o sofrimento caudados pela quarentena em muito superarão as mortes “salvas” pelos bloqueios. A realidade finalmente vai ser enfrentada e abriremos com responsabilidade, ou poderemos começar a treinar fazer fogo com pauzinho e fabricar arco e flecha.


Oscar Seckler Müller Oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo


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O BRASIL ISOLADO


Responsável sozinho por 45% dos casos de infectados pelo novo coronavírus, o Brasil tornou-se o epicentro da pandemia na América Latina. O País sempre se sentiu isolado dos demais países, de um lado, por causa da Cordilheira dos Andes e, do outro lado, pelo Oceano Atlântico. Há também o isolamento linguístico do Português, cercado pela América hispânica. Agora, o governo federal se recusa a participar de teleconferências com os demais países da América do Sul. O isolamento político com fronteiras fechadas agrava a situação econômica do Cone Sul. A suspensão de voos internacionais prejudicará o comércio exterior. Sem bloqueio total nas grandes metrópoles, nas próximas semanas, o País caminhará rapidamente para ser o segundo em números de casos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Nosso índice de letalidade de 7% provocará uma tragédia nacional, durante os três meses de inverno. A gravidade da situação fez o papa Francisco ligar para o arcebispo de São Paulo para dizer que está orando por todos.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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EM GUERRA


Na Segunda Guerra Mundial morreram cerca de 500 brasileiros em combate, uma tragédia que é lembrada com tristeza por todos nós. Hoje morrem mais brasileiros vítimas da covid-19 todos os dias do que todos os que morreram na grande guerra, então não é exagero algum dizer que o País está novamente em guerra, e deve adotar um comportamento condizente com a batalha que está sendo travada por todos, homens, mulheres e crianças. Diante deste cenário, deveria haver um rigor marcial diante dos aproveitadores que estão faturando e fraudando hospitais, ganhando dinheiro fácil com os importantíssimos ventiladores e também com os aproveitadores que vendem curas milagrosas para a população apavorada. Que se aplique a lei marcial nesta tigrada!


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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SEM NOÇÃO


Jair Bolsonaro, mais uma vez, se mostrou um completo sem noção. Ora, enquanto no mundo são mais de 4,8 milhões de infectados pela covid-19, o presidente, farreando num jet-ski no fim de semana no Lago Paranoá, parou ao lado de um barco e vociferou: “É tudo uma neurose, certamente serão 70% de brasileiros infectados”. Só faltou o “E daí?”. Ora, se tivesse alguma noção, perceberia que suas contas estão totalmente erradas – deve ter faltado nessa aula. Afinal, 70% de aproximadamente 210 milhões de brasileiros serão cerca de 147 milhões de infectados no Brasil? Além de irresponsável, não sabe fazer uma singela conta de porcentagem. Este é o presidente que temos para hoje, lamentavelmente!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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JET-SKI


Fiquei muito impressionado como o presidente estava feliz, descontraído e alegre, se divertindo e conduzindo com maestria um jet-ski, no auge da pandemia no Brasil. É verdade que temos de ser otimistas e tentar sorrir o máximo possível. Apenas entendo que o façamos com certa discrição e austeridade. Muitos estão sem emprego, outros tantos sem alimentos, inúmeras vidas se perderam e muitas outras ainda se perderão. A sofreguidão é enorme. Dessa forma, entendo que o presidente da República ou quaisquer outros, mesmo que não ocupem cargos públicos, que venham a ostentar publicamente posturas incompatíveis para o momento devem, sim, ser criticados. Talvez, Sua Excelência deveria olhar como os profissionais da saúde e os coveiros conduzem os seus trabalhos, embora, com não menos maestria, entretanto sem diversão e alegria, no atendimento àqueles que contraíram a covid-19. O momento não aceita tais condutas. Limites, respeito e solidariedade ao próximo são peças fundamentais na nossa vida, mais ainda quando vem de alguém que detém um cargo de tamanha importância. Até o momento (será que alguém o comunicou disso?) são mais de 11 mil óbitos...


David Zylbergeld Neto dzneto@uol.com.br

São Paulo


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‘SO WHAT?’


Como bem disse o editorial So what? (E daí?), da respeitada, prestigiada e centenária revista médica britânica Lancet, sobre o errático e polêmico governo Bolsonaro, “parece que o líder do Brasil perdeu sua bússola moral, se é que já teve uma”. De fato, suas palavras não poderiam ser mais apropriadas para definir com precisão um governo à deriva em mar revolto sob forte tempestade. JB está completamente perdido e sem noção alguma dos pontos cardeais. Procura o norte onde é o sul e o leste onde é o oeste. A nau Brasilis segue acelerada rumo aos limites do precipício da Terra plana... S.O.S.!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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SEM JUÍZO!


Beirou a insanidade a bravata do presidente da República fazer um churrasco para 30 pessoas. E chegou a 3 mil convidados o escárnio. O presidente provoca a população, incita a disseminação de uma pandemia, insulta os profissionais de saúde e mostra o quanto provoca a indignação dos cidadãos responsáveis e que não entendem os sinais trocados que desinformam a todos. Não chega ser objeto de um editorial numa revista do porte da Lancet, que existe desde 1823 e é seríssima. Infelizmente, nós, brasileiros, somos julgados por esses atos de quem deveria agir de maneira mais comedida. A democracia dará a resposta nas próximas eleições.


Jacques Gandelman Lerner jaxxtheone@gmail.com

São Paulo


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CHURRASCO DA MORTE


Desde o início da pandemia do coronavírus, o presidente Bolsonaro agiu com desdém, contrário à Medicina, desafiou o isolamento social e acabou demitindo o ministro da Saúde por este não concordar em não dar as orientações claras e diretas segundo a medicina científica, como se sujeita fazer o atual ministro, mesmo concordando com estas. Assim desenhamos o gráfico de mortes x tempo, uma parábola cada vez mais vertical. Não importa que o churrasco, por ele próprio marcado para o fim de semana, tenha sido apenas mais uma fake news, pós já ficou gravado em sua biografia, o desprezo pela vida, no dia em que homenageávamos justamente quem a concebe.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de janeiro


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‘FASCISMO ETERNO’, DE UMBERTO ECO


Li este livro há dias, que é a transcrição de um discurso proferido pelo autor em 1995 nos EUA. Nele descreve as 14 principais características de um fascista e de um governo fascista. Pelo menos 8 destas se aplicam perfeitamente ao sr. Jair Bolsonaro. Parece premonição, se tivesse sido encomendado não seria tão preciso na descrição de nosso presidente. Estamos sendo governados por um sociopata fascista e seus filhos.


Jorge Eduardo Gonella Zambra jorgegonella@hotmail.com

São Paulo


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E DAÍ?


Está proibido de fazer um churrasco, proibido de navegar no Lago Paranoá. Querem que ele se transforme numa Carpideira da Sicília. Pelo contrário, está dando um pouco de esperança a nós, brasileiros. O pior é colocar na primeira página de jornal a abertura de túmulos. O Supremo Tribunal Federal passou aos governos estaduais e às prefeituras deste Brasil a responsabilidade de combater esta epidemia, tirando do governo federal a responsabilidade constitucional de atuar diretamente, somente enviando recursos financeiros. Vejo somente os governadores e prefeitos chorando nos cantos e procurando prender a população dentro de suas casas. Estúpidos e incompetentes. E o jornal joga a responsabilidade no ministro da Saúde, que está no cargo há poucas semanas, em substituição ao politiqueiro Mandetta.


Renald Cury renaldcury@icloud.com

São Paulo


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SLOGAN


Aqui, no Boçalnistão, depois do vitupério ameaçador de um apoiador armado, ainda ouviremos dos “patriotas” o esgoelar espontâneo do “Mito acima de tudo. Porrada pra cima de todos”.


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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O PROBLEMA COM MITOS


(Proibido para menores de 10 anos). O que têm em comum Papai Noel, Coelhinho da Pascoa e Minotauro? São mitos. Lendas ficcionadas em nossa cabeça, frutos da nossa imaginação coletiva. Numa palavra mais dura, mentiras. E, até certa idade, mentiras bonitinhas. Eu adorava e era crente fiel no Natal, na Páscoa e super fã dos Cavaleiros do Zodíaco, mas em algum momento essas coisas deixaram de ser uma realidade e passaram a ser apenas histórias. Não é diferente o mito que promete nova política, quando durante toda sua vida adulta foi membro enraizado da velha; que se autodeclara (a lenda do) político incorrupto; que promete Deus (acima de todos) e o mundo. Um mito, uma história, uma mentira. Mas, se você é de acreditar em mitos, seja bonzinho, senão o Papai Noel não vai te dar presente no Natal.


Gabriel de Magalhaes Pace pace_gabriel@hotmail.com

Sidney, Austrália


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SAMBA DE UMA NOTA SÓ


De que adianta todo dia vermos as pessoas indignadas se o presidente falou ou fez atos que não condizem com a postura de um chefe de Estado minimamente aceitável? Se falou E daí?, se mandou jornalistas calarem a boca, se reduziu a epidemia a uma “gripezinha”, se pregou a volta do AI-5, se nada fez quando a Amazônia pegava fogo ou se caminhava apertando a mão de populares, se não usava máscara, se participava de atos que pregavam o fechamento do Congresso e do STF, se nada fez quando ministros do seu governo faziam declarações que punham em risco relações com países importantes do nosso comércio internacional e por aí afora, diariamente cometendo atos que só nos deixam atônitos, incrédulos e desesperançosos, tudo isso a meu ver será irrelevante se atingirmos o calcanhar de Aquiles deste governo e batermos nesta tecla insistentemente, como um samba de uma nota só: os casos já em investigação, o do Queiroz, as rachadinhas, as milícias, o gabinete do ódio e as fake news. Isso, somente estes casos, bastariam para dar um basta em tudo. A imprensa e os órgãos da sociedade civil deveriam se ocupar sem dar tréguas desses fatos, pois eles não são opiniões, e sim fatos em investigação.


Paulo Henrique Andrade phandrade1950@gmail.com

São Paulo


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SEM VACINA CONTRA A MALDADE


Mais de 11 mil brasileiros mortos pelo coronavírus. O mais perigoso, cruel, devastador vírus que varreu, varre, varrerá a Terra até a consumação dos tempos é o homem. Basta somar os cadáveres produzidos pelas duas guerras mundiais do século 20: calculam-se 105 milhões (20 milhões na I Guerra Mundial – 1914-1918). De um século apenas, sem contar a Revolução Russa, a Chinesa, a Cubana, a Guerra da Coreia, do Vietnã, da Cachemira, as de Israel, as guerras de libertação africanas. Eleva-se a desconhecida potência o número de mortos desde que o primeiro e ancestral parente primata tomou gosto pela matança de semelhantes. Se piscarmos o olho bíblico, desde que Caim matou Abel. O homem jamais produzirá vacina contra a maldade cravada na própria índole.


José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém

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