Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2020 | 03h00

Estado da Nação

Dois mundos

Uma pandemia ceifa centenas de vidas diariamente e mantém a população em quarentena. Os chefes de família de todo o Brasil, desnorteados por não saberem qual a estratégia do País para sair desta crise e preocupados com o dia de amanhã, voltam-se para Brasília à procura de um norte. Mas o principal assunto na capital federal é outro: o que teria sido dito ou não num vídeo, quando bastaria assistir a ele para resolver a questão. Na sequência, a programação da prioridade nacional deve ser se haverá ou não processo criminal, que terá de ser aprovado por um Congresso onde o peso do Centrão é que decide para onde penderá a balança. Só que, enquanto isso, as UTIs dos hospitais lotam. E na casa dos brasileiros atingidos pela mortandade e pela crise econômica sem precedentes...

JORGE ALBERTO NURKIN

JORGE.NURKIN@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Dor na alma

Sem dúvida, temos dois Brasis. O Brasil 1 tenta sobreviver à epidemia que está devastando a economia e dizima empregos e esperanças, vendo a população morrer ou lutando para preservar o emprego e o lar. Estima-se que 5,5 milhões de trabalhadores tenham sofrido redução de salário e mais 50 milhões de informais tenham pedido a ajuda de custo de R$ 600. Enquanto isso, o Brasil 2 desconhece o que acontece à sua volta, preocupado apenas com seu bem-estar, que é sustentado pelo Brasil 1. É o que transparece quando se lê, por exemplo, sobre um auxílio de R$ 1 mil para procuradores, juízes e promotores, que ganham acima de R$ 30 mil mensais, para arcarem com eventuais despesas com o coronavírus; e que sete em cada dez servidores estaduais e municipais terão garantidos aumentos salariais até dezembro de 2021, sem preocupação com seus empregos. Dói na alma de quem vive no Brasil 1. O que fazer? Um Brasil trabalha e produz e o outro simplesmente consome!

ADEMIR ALONSO RODRIGUES

RODRIGUESALONSO49@GMAIL.COM

SANTOS

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Sem pudor

Independentemente da contribuição, para arrasar ainda mais as contas públicas, já corroídas pela crise econômica causada pela pandemia do coronavírus, o reajuste de salário dos policiais do Distrito Federal, em 25%, que deverá ser estendido a militares ativos e inativos de Amapá, Roraima e Rondônia, é zombar dos milhões de cidadãos que estão tendo seu salários reduzidos ou perderam o emprego. Esse despropósito foi aprovado por 430 a 43 na Câmara e por 70 a 2 no Senado. Agora segue para sanção do presidente, que deve aprová-lo, pois já tinha proposto isso anteriormente. Podemos, assim dizer que existem, de fato, dois países chamados Brasil: um é o desses e seus assemelhados; o outro é o do resto, que o primeiro não tem o menor pudor em maltratar e humilhar.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Governo de austeridade?

Enquanto milhares de brasileiros passam fome, não têm acesso aos mínimos serviços sanitários, são atingidos pela pandemia de covid-19, ficam ou têm seus entes queridos doentes, muitos levados a óbitos (são mais de 13 mil até agora), existem aqueles “mais brasileiros” que ajudam a empurrar o País e seus mortais moradores para o buraco. Ontem a mídia noticiou um absurdo, para onde vai o dinheiro que falta aos brasileiros que mais necessitam: amigo de Ernesto Araújo teria recebido em dólar e euro, como se estivesse em Paris, para trabalhar em Brasília. O diplomata Alberto Luiz Pinto Coelho Fonseca, um chegado do chanceler, mesmo estando em Brasília, recebeu no ano passado mais de R$ 1 milhão (!), assim discriminado: salário mensal de US$ 12 mil (mais R$ 66 mil); auxílio-moradia de ¤ 48,6 mil no ano, para morar no Brasil; e R$ 36,6 mil em diárias. E é só um caso. Esse é o governo que prometeu austeridade? Não esqueçamos a explosão de gastos com cartões corporativos da Presidência!

ÉLLIS A. OLIVEIRA

ELLISCNH@HOTMAIL.COM

CUNHA

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Hamilton Mourão

‘Limites e responsabilidades’

Excelente o artigo do vice-presidente Hamilton Mourão publicado ontem (A2). Além de muito equilíbrio nas ponderações, ainda relembra fatos históricos, o que nos mostra quão culto é. Sempre acreditei que as coisas acontecem por consequência de outras que fazemos e, nesse sentido, muito do que está acontecendo é fruto, como ele diz, da incapacidade de “sentar à mesa, conversar e debater”. É com tristeza que vemos que o primeiro a se recusar a fazê-lo é o presidente da República. Tome-se como exemplo a reforma da Previdência, que pela falta de flexibilidade na sua condução levou o dobro do tempo para ser aprovada. A partir desse processo muitos viram como a coisa seria tocada. Todo o resto agora é consequência.

MARTIM FRANCISCO VILLAC ADDE

MARTIMFVA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Quebra-cabeças

Irretocável o texto do sr. vice-presidente da República. Realista, fundamentado, contundente. Não pôde, por sua posição, dizer que basta mover uma peça para que tudo se encaixe neste quebra-cabeças. Obviamente, o presidente, causador de crises diárias entre os três Poderes, desde que assumiu o cargo.

PAULO F. DE SIQUEIRA COSTA

PFSCOSTA@PFSCOSTA.ADV.BR

AMPARO

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Voos mais altos

O vice-presidente Mourão cresceu, a meu juízo, após seu lúcido e equilibrado artigo Limites e responsabilidades, credenciando-se para voos mais altos.

MAURÍCIO GRANADEIRO GUIMARÃES

MAURICIO@GRANADEIRO.COM.BR

SÃO PAULO

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Imposto de Renda

Sem problemas

A respeito da nota Problemas no site (12/5), a Receita Federal informa que não há falha quanto à opção pelo modelo simplificado na declaração da pessoa física. De 1.º/5 a 12/5 foram entregues e processadas 663.591 declarações simplificadas.

KARLA CABRAL PEIXOTO DE SOUZA

ASCOM.SP.SRRF@RFB.GOV.BR

SÃO PAULO

‘LIMITES E RESPONSABILIDADES’

 

Em artigo no Estadão de ontem (Limites e responsabilidades), o general Mourão expressa suas opiniões a respeito do momento político e socioeconômico pelo qual estamos passando. No geral, as opiniões do general costumam ser razoáveis, marcantes pela sutileza e impessoalidade, principalmente em razão de sua função na República. Entretanto, no artigo em pauta suas opiniões deixam dúvidas. Para começar, ele informa que nenhum país no mundo vem causando tanto mal a si mesmo como no Brasil, porém não completa a informação, de que este mal advém das atitudes e do comportamento errático do presidente da República. Compreende-se, pela posição que ocupa. Em seguida, lista suas preocupações com o momento político: 1) cita a polarização que tomou conta da sociedade, mas, de novo, não cita o fato de que os maiores incentivadores da polarização são o presidente, seus filhos e seu entorno. O vice propõe sentar à mesa, conversar e debater. Um bom começo seria sentar-se à mesa com governadores, para termos uma direção no combate à pandemia. Ainda neste tópico, Mourão critica o fato de a imprensa dar pouco espaço às ideias defendidas pelo governo. Ora, a imprensa é livre e, ao contrário do que prega o general, ela geralmente consubstancia a opinião do cidadão médio. Aqueles órgãos que pregam o extremismo geralmente estão fadados ao fracasso. 2) Ninguém mais que Bolsonaro pregou aos quatro cantos a degradação da política nacional. Mourão defende que os demais Poderes não podem usurpar as prerrogativas do Poder Executivo. Ora, o general precisa se ater à Constituição que jurou obedecer. Temos um sistema tripartite de poderes em que a colaboração, o respeito entre si e a harmonia devem ser o tom nas atitudes entre esses Poderes. Cabe, entretanto, aos chefes desses Poderes promoverem essa harmonia. Novamente, aqui, o presidente não cumpre suas prerrogativas. Ele tenta terceirizá-las e, não havendo o sucesso esperado, terceiriza também a culpa pelo insucesso. 3) O vice-presidente fala da usurpação das prerrogativas do Poder Executivo. Aqui, o general novamente deixa de fora o comportamento do presidente, pois ele é o único responsável pela usurpação dessas prerrogativas, principalmente quando suas ações são contrárias às regras ditadas pela Constituição. O volume de inconstitucionalidades leva à judicialização de grande parte das iniciativas do Executivo. 4) Sobre o prejuízo da imagem do País no exterior: aqui, então, o general se esquece totalmente das bizarrices do governo, da atuação pífia do Brasil nos órgãos internacionais, no critério irracional de acompanhar Donald Trump em todas as suas atitudes. Enfim, mais uma vez o vice-presidente faz uma análise equivocada da visão que passamos ao exterior. Por fim, o vice-presidente diz que as medidas decretadas de isolamento social o foram de forma desordenada. Nisso ele está correto. Tivesse o presidente apoiado, desde o início, as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, com certeza hoje estaríamos com um número bem menor de mortos e, seguramente, estaríamos já no final das medidas de isolamento. O general Mourão não menciona que as orientações do presidente são contrárias às orientações da comunidade científica e, com isso, retardam o sucesso de uma política que está ainda para ser implementada, simplesmente por não haver unanimidade entre os governos federal e estaduais. Temos tempo para reverter este desastre. Basta que luzes sejam lançadas sobre nossas autoridades, principalmente o presidente da República. É preciso que essa autoridade observe suas responsabilidades e as assuma integralmente. O general Mourão bem que poderia ajudar nisso.

 

Wilson Demetrio wildemetrio@gmail.com

Campinas

 

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MENOS O CAPITÃO

 

O artigo do vice-presidente general Hamilton Mourão Limites e responsabilidades (Estadão, 14/5, A2) decepciona quem via nele uma ilha de bom senso entre os componentes do atual governo. O vice-presidente da República fala que os representantes dos Poderes devem se sentar à mesa e debater. Mas acha que todos os Poderes constituídos pecam de uma ou de outra maneira. Para ele, governadores, o Judiciário, os políticos e até a imprensa têm de mudar sua atitude. Menos o capitão.

 

José Roberto de Jesus zerobertodejesus@gmail.com

Capão Bonito

 

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PREOCUPANTE

 

Após leitura atenta do artigo do general Mourão, intitulado Limites e responsabilidades, não há como não ficar decepcionado com sua tentativa de repassar a terceiros as responsabilidades pela confusão e pelos estragos que o próprio presidente vem causando com a insistência em minimizar os efeitos da pandemia. Mourão inicia mencionando que a crise poderá vir a se tornar de segurança. Seria uma brecha para eventuais intervenções militares? Em seguida, passa a fazer sucessivas tentativas de transferir responsabilidades: afirma que a polarização que tomou conta da sociedade impede o diálogo, como se o principal indutor das divergências não fosse o próprio presidente, que agora chegou a anunciar que não mais fará reuniões sequer com a própria equipe. O general acaba, também, vinculando a saúde com a política, acusando a imprensa de não dar o mesmo espaço às opiniões do governo sobre a pandemia – o que não é verdade, pois todas as informações oficiais provenientes do Ministério da Saúde são amplamente divulgadas pela mídia, onde o órgão encontra também amplo espaço para explicar e debater suas medidas e orientações. Critica fortemente o federalismo, de certa forma sugerindo que seria melhor a centralização de poderes neste momento. Critica, também, a usurpação das prerrogativas do Executivo (outra razão para justificar uma centralização). Por fim, prefere creditar o desgaste da imagem internacional do País não à exótica forma de condução da política externa e as ações descoordenadas do próprio governo em muitas áreas, sempre contaminadas com alta carga ideológica, mas a manifestações de personalidades importantes de governos passados (sic), como se a opinião de quem quer que seja possa ter maior peso que as próprias ações concretas, ou como se a imprensa internacional também fosse mal intencionada ou não soubesse analisar e criticar essas ações com o devido distanciamento da polarização à qual Mourão se referiu antes. Opiniões similares têm sido repassadas, de forma irresponsável, por eleitores mais radicais nas redes sociais, mas é preocupante e decepcionante quando proclamadas por um general de alta estirpe, que até então vinha se mostrando equilibrado.

 

José Augusto Varanda jvarandabr@gmail.com

São Paulo

 

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VISÃO

 

No artigo Limites e responsabilidades, o vice-presidente aborda quatro pontos que, na sua visão, vêm causando um “estrago constitucional” no País, mas omite o principal, que é o próprio Executivo federal! Não adianta tentar colocar a culpa nos outros Poderes da República, pois todos nós sabemos o cerne deste problema. Se essa é a visão do general Mourão, trocar Jair Bolsonaro pelo vice seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia.

 

Azor de Toledo Barros Filho azortb@globo.com

São Paulo

 

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QUINTAL SUJO

 

Decepcionante o artigo veiculado no dia 14/5 (A2), eu esperava uma atitude mais sensata do vice-presidente da República. Primeiro, antes de olhar a sujeira no quintal do vizinho, devemos olhar e limpar o nosso, minha saudosa mãe, quando viva, sempre dizia. Quando um não quer dois não brigam. Resumindo, o Brasil não é uma República de banana, onde o Executivo tudo pode. Creio que seria melhor o sr. Mourão se preservar para no futuro praticar o que prega. Como dizia Cora Coralina, “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. Será que preciso desenhar?

 

Márcio Pascholati marcio.pascholati@gmail.com

São Paulo

 

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LIDERANÇA

 

O artigo do vice-presidente Hamilton Mourão (14/5, A2), que merece o máximo respeito por sua honradez pessoal e profissional, está correto na descrição dos fatos, embora responsabilize erradamente os autores destes fatos. Preocupa quando informa que as consequências da covid-19, além da questão da saúde e da economia, podem ser também uma questão de segurança. Comenta sobre a polarização no Brasil, realmente uma praga que vem desde governos anteriores, pois hoje qualquer opinião é radicalizada. Mas parece que, na opinião da maioria da população, o foco principal desta radicalização está mais que evidente na figura do sr. presidente da República, eleito democraticamente para governar todos os brasileiros, como declarou em sua posse, mas apoia em público determinada parcela de seu eleitorado em manifestações que pregam o fechamento de outros Poderes da República. Mourão comenta sobre a imprensa, que para ele deveria ser imparcial; realmente, há na mídia uma parte da imprensa que adota uma das partes desta polarização, mas, por sorte, a imprensa responsável é imparcial, como demostra a própria presença do sr. vice-presidente neste jornal. Outro ponto comentado seria a degradação do conhecimento político por quem deveria usá-lo de maneira responsável, governadores, magistrados e legisladores. Realmente, há excessos na judicialização e excesso na ação dos Poderes, mas creio que essa degradação pode estar em todos os Poderes da República, como demonstrou a “invasão” do STF por uma comitiva do chefe do Poder executivo. Quanto à deterioração da imagem do Brasil no exterior, não se pode atribui-la somente a alguns ex-chanceleres que emitiram suas opiniões numa reportagem. Devemos relembrar as atuações do atual chanceler em artigos com ofensas ao nosso principal parceiro econômico e suas perorações de fundo não republicano que têm manchado a imagem do Itamaraty, antes considerada uma das potências diplomáticas. Claro, não devemos nos esquecer do engraçado e piadista sr. ministro da Educação, com sua piadinhas sem graça e de mau gosto com ofensas rastaqueras a tudo e a todos. E há, também, o sr. ministro que conseguiu que alguns países  cortassem ajuda financeira ao Brasil por causa de suas declarações “ambientais”. Quanto à maneira desordenada como foram decretadas as medidas de isolamento social, o sr. Mourão está coberto de razão, houve tempo perdido debatendo a cloroquina e trocando de ministro da Saúde numa hora não apropriada, por um ministro que, mesmo com sua notável vida profissional e formação, parece que ainda está tentando entender a situação. As recomendações de caráter científico foram repudiadas por um “achismo” inconsequente! Alguns países, antes tornados párias, estão pouco a pouco retomando a vida e abrindo sua economia. Um jornal dos Estados Unidos comentou que “o Brasil não sabe com reabrir porque ainda não soube como fechar”, referindo-se à Economia e ao isolamento social. A palavra-chave: liderança.

 

Cesar Araujo cesar.40.araujo@gmail.com

São Paulo

 

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O QUE PROPÕE O VICE?

 

Em seu artigo no Estadão de ontem, o vice-presidente elencou o que seriam os problemas do Brasil, a imprensa, a classe artística, as pesquisas científicas “seletivas” e, claro, os governadores e suas medidas de isolamento social. Porém, Mourão se esquece de que faz parte do governo e poderia, junto com o presidente, propor a união entre os Estados, além de encabeçar uma coordenação entre as prefeituras e o Ministério da Saúde. A racionalidade se foi e a sabujice prevaleceu, o País está à deriva.

 

Calebe H. Bernardes de Souza calebehenrique@icloud.com

Mogi das Cruzes

 

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POLARIZAÇÃO ‘MADE IN’ PLANALTO

 

Infame o artigo Limites e responsabilidades, do vice-presidente Mourão, na medida em que incorpora e agora, finalmente, se revela imagem e semelhança de Bolsonaro. A polarização é produto caseiro (made in Palácio do Planalto), a ausência de debate já vem da época da campanha, não se senta à mesa com quem só quer virar a mesa; a imprensa faz, ou procura fazer, seu papel e é vaiada, atacada (literalmente), debochada e alimentada com bananas e humor barato – se é que se pode dizer que se trata de humor. O governo não assume responsabilidade, não faz mea culpa, marca churrasco e anda de jet-ski em meio a uma pandemia, e os malfeitores são os governadores, juízes e jornalistas? O piloto, o copiloto e a tripulação dormem, enquanto os passageiros urram pelo socorro, que nunca chega.

 

Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo

 

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SEM REGRAS?

 

A respeito do artigo Limites e responsabilidades, pergunta a ser feita ao vice Mourão: o isolamento horizontal, sem entrar no mérito, tem regras de aplicação. Cadê as regras para o isolamento vertical? Os países europeus as têm. Cadê as regras para o Brasil? Como Bolsonaro fala, vai todo mundo para a rua?

 

Frederico F. S. Nogueira ffsnog@gmail.com

Niterói (RJ)

 

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MOURÃO E O PODER

 

Li e reli o texto do general Mourão (14/5, A2), e confesso que não entendi aonde ele quis chegar com sua ladainha. Aponta para a “usurpação” das prerrogativas do Poder Executivo, denúncia grave, a meu ver. Mas como não estou vendo tal poder ameaçado por armas, ao contrário, elas estão a seu favor, pergunto: se é fato, por que permitem isso? Ou são fracos ou são coniventes, não vejo uma terceira alternativa. E ainda acaba o texto suplicando obediência aos filhos tal qual uma mãe exaurida que não tem a mínima ideia de como exercer poder, e no caso deles que foi legitimado pelas urnas! Já não dava para ter aprendido em quase 17 meses?

 

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

 

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BONAPARTE DE HOSPÍCIO

 

Quando ainda existiam, era comum encontrar entre os pacientes internados um ou outro que, nos seus delírios psicóticos, encarnavam a figura do imperador francês Napoleão Bonaparte. Mas o que nunca foi comum – particularmente entre nós – é deparar com um presidente da República que insiste em encarnar aquela figura não só extravagante, como todo desequilibrado mental, como perniciosa para a humana, pela sua impostura, arrogância, estas sempre acompanhadas de atitudes autoritárias. Infelizmente, para nós, as semelhanças entre as lucubrações de Bolsonaro e Bonaparte não param aí. Consta dos registros históricos que, certa feita, Napoleão Bonaparte, ao lado do inseparável ajudante de ordem Adam Albert, postou às margens do Mediterrâneo e, revelando toda sua disposição para conquista de toda a Europa e ao arrepio da opinião de seus generais sobre as dificuldades para implementar aquela “loucura”, teria afirmado: “Conto com um exército de 250 mil, mesmo que perca 50 mil” (aliás a mesma estratégia aplicada pelo general Eisenhower na 2.ª Guerra com sucesso). Evidente que deu com os burros n’água e não conseguiu invadir e conquistar o território europeu. Agora, estamos assistindo ao presidente Jair Bolsonaro adotar estratégia semelhante para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Bolsonaro está disposto – afirmações reiteradas por ele – a liberar toda e qualquer atividade social, econômica, escolar e esportiva, pouco importando que 70% da população seja contaminada pelo vírus e 10% (cerca de 5 milhões de brasileiros) venham a morrer. São ou não são surtos de loucura o que move o capitão Bolsonaro?

 

Aureliano Gonçalves Cerqueira noelcerqueira@gmail.com

São Paulo

 

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UM PANORAMA MACABRO

 

Ao ler as diversas opiniões publicadas no Estadão de terça-feira (12/5), pudemos concluir que o panorama que divisamos do nosso futuro é macabro. Já no editorial (A3), deparamos com resumo irretocável sobre o nosso presidente. A definição de que ele está brincando de ser presidente e que é absolutamente incapaz de ver o mundo além do próprio umbigo é perfeita. Não fora assim, não estaria se comportando de uma maneira indecente e debochada, enquanto o coronavírus vai ceifando a vida de brasileiros aos milhares. Ao mesmo tempo que as vagas nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) atingiram o seu ponto crítico, o presidente editou mais um decreto absurdo, classificando academias de ginástica, salões de beleza e barbearias como atividades essenciais. Inclusive, sem a ciência do ministro da Saúde, que soube do fato pelos repórteres, durante uma entrevista. Ou seja, mais um ministro passando por bobo. Em seu lugar, eu teria pedido demissão naquele instante. Obviamente, o decreto foi pura provocação aos governadores, que estão agindo racional e corretamente, contrariando seus desejos bisonhos que colocam em risco a vida das pessoas. Contudo, as más notícias daquele dia não ficaram simplesmente nessas. Com a pandemia do coronavírus sobre a economia, nosso país voltará ao Mapa da Fome, segundo Daniel Balaban, chefe do escritório do Brasil no Programa Mundial de Alimentos da ONU. A estimativa é de que o Brasil terá cerca de 14,7 milhões de pessoas em extrema pobreza até o fim deste ano. Nada disso interessa ao presidente, que se limita a instigar a população a não aderir à quarentena, enquanto ele corre de braços abertos para o seio do Centrão, seu velho ninho. A conclusão única, na grave crise em que nos encontramos, provocada pelo coronavírus, é de que será muito mais difícil atravessá-la com o presidente que nós temos, que, aliás, como aponta o citado o editorial do Estadão, não consegue ver nada além de si mesmo.

 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

 

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ESTRANHO NO NINHO

 

Por mais que eu tente, não encontro um motivo para que um médico conceituado e empresário de sucesso se disponibilize a ser ministro de um governo que já tinha dado demonstrações inequívocas de que não respeita nada e, em especial, seus ministros. O polido Nelson Teich sabia que, como faz de modo constrangido e pessimamente, não poderia dar clara e inequivocamente as recomendações coerentes para proteção da população contra a pandemia, que a sua condição de médico assim exige. Regina Duarte, a noiva escolhida para a Secretaria de Cultura, surpreendeu por mostrar intimidade com as regras, ou falta de regras, e práticas do agora marido chefe; já Teich é um verdadeiro estranho no ninho.

 

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

 

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ÔNUS

 

O ônus que o Brasil vai carregar pode ser algo em torno de décadas, com o presidente Jair Bolsonaro brincando de ser presidente. É preciso que essa brincadeira se encerre o quanto antes, e motivos para tanto não faltam.

 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

 

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AVALIAÇÃO MENTAL

 

Analisando suas condutas ao longo de sua carreira política – desde a época que atuou como deputado federal até os dias de hoje, como presidente da República –, está claro que o senhor Jair Messias Bolsonaro merece ter seu atestado mental avaliado por uma junta médica, antes mesmo de quaisquer julgamentos acerca de seu futuro político.

 

Tomomasa Yano tyano@unicamp.br

Campinas

 

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VAMOS AO QUE INTERESSA

 

O Brasil tem um problema seríssimo e urgentíssimo para resolver: como sair da crise de covid-19 com o mínimo de vítimas antes de quebrar a economia? Diante disso, não podemos perder o foco em outros problemas de importância secundária neste momento. O presidente Jair Bolsonaro foi infectado e sarou? Ele tentou interferir na Polícia Federal por motivos pessoais? Ele está praticando a velha política de toma lá dá cá com a massa amorfa no Congresso que se chama Centrão, para se proteger contra eventual processo de impeachment? A resposta sim para todas essas perguntas (a conferir) não resolve nosso problema. Já que ninguém tem estômago para iniciar um processo de impeachment na atual situação, devemos (a sociedade civil, a parte decente do Congresso e os meios de comunicação) aumentar a pressão sobre este enfant terrible para se comportar como estadista, apresentando e coordenando um plano nacional para a saída da crise junto, e não contra, aos governadores dos Estados. Se não, convence-lo a tirar afastamento prolongado ou renunciar, por isso temos um vice-presidente.

 

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

 

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‘BOLSONARIZAMO-NOS!’

 

Excelente o artigo Bolsonarizamo-nos! (12/5, A2), publicado no Estadão, da lavra de Fernão Lara Mesquita. O jornalista descreve em seu texto uma estratagema montada por diversos setores do Brasil Oficial, representado pela Câmara dos Deputados, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), para desmoralizar o presidente da República, como se este fosse um perigoso serial killer autor de crimes imperdoáveis contra tudo, todos e contra o País. O articulista faz menção especial a ministros do STF, em especial ao decano Celso de Mello, que, ao deixar o cargo, em novembro próximo, se apressa em criar uma marca pessoal para fechar sua carreira com chave de ouro, concorrendo com os demais opositores ao governo que sonham com um terceiro turno para apear o presidente do cargo. Quanto ao ministro Alexandre de Moraes, este arvorou-se como a “própria lei” ao impor suas vontades pessoais ao proibir o presidente de exercer suas prerrogativas ao interferir escandalosamente em outro poder. Quanto à imprensa, Mesquita ressalta que esta pegou carona na pancadaria decretada pelo Brasil Oficial, que trama diuturnamente pela derrocada do chefe do Executivo. Para encerrar o artigo, Fernão Lara Mesquita arremata com propriedade: a arrumação do Brasil começa pela conexão entre o País Oficial e o País Real, que se dá pela instituição do voto distrital puro, o único que estabelece uma identificação concreta entre cada representante e os seus representados com poder de vida e morte sobre seus mandatos a qualquer momento. É chegada a hora de o Brasil Real, representado pelos pagadores de impostos, decidir qual político deve se manter no cargo pelo cumprimento de suas promessas e qual deve ser demitido imediatamente por se locupletar do cargo para o qual foi eleito. Como lembra a Carta Magna: todo poder emana do povo, e em seu nome deve ser exercido.

 

Peter Cazale pcazale@uol.com.br

São Paulo

 

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VOTO DISTRITAL

 

Gostaria de reafirmar: sem voto distrital, democracia não existe. E o Brasil jamais saíra do buraco. Mas como chegar lá, se os políticos sempre vão fugir desta como o diabo da agua benta?

 

Eugenie Maria Locke emkl2009@gmail.com

Cotia

 

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NÚMEROS DA COVID-19

 

Como é possível um país de tem mais de 1 bilhão de habitantes ter só quase 5 mil mortes e o Brasil, com 250 milhões de habitantes, já estar perto das 12 mil? Tenho quase certeza de que os números da China são falsos. E os do Brasil são também maiores, porque desde janeiro já havia circulação do vírus no País, mas as nossas autoridades tiveram medo de suspender o carnaval, por exemplo, por causa do dinheiro, e agora estamos nessa situação. E, se o povo não ajudar, ficaremos deste jeito até sabe lá quando.

 

José Claudio Canato jccanato@yahoo.com.br

Porto Ferreira

 

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ESTADISTAS

 

Nossos governantes, sempre pensando nas próximas eleições, com certeza omitiram a verdade do que já deviam saber: o vírus já estava circulando no País em meados de janeiro de 2020. (Vírus chegou ao País em janeiro, diz Fiocruz, 12/5, A13). O que fizeram os governantes de Estados onde o carnaval dá muito lucro? Ficaram quietos, pois o lucro do carnaval é muito grande. Se tivessem sido honestos, teriam impedido a festa, pois ao permitir as aglomerações dando uma de avestruz, proporcionaram a contaminação de inúmeras pessoas nos festejos de rua, salões, etc. Se fossem realmente estadistas, teriam visto o que acontecia em outros países com muito mais recursos que o nosso onde já havia inúmeras mortes, e explicado que não tínhamos hospitais suficientes, UTIs, máscaras, respiradores, etc. E, quando começaram a dizer que precisaríamos nos isolar e ficar em casa, já era tarde para muitos, principalmente para os mais pobres. Já sabiam que era uma doença transmitida por vírus, então por precaução já deviam pedir que todos usassem ou confeccionassem suas máscaras, o que provavelmente teria evitado muitos dos contágios que levaram aos primeiros casos já em fevereiro, com mortes. Imperdoável. Será que a intenção era convulsionar o sistema para exigir verbas? Cruz credo! Agora vemos a maioria dos Estados aproveitando as verbas para o coronavírus e extrapolando em compras, algumas desnecessárias e superfaturadas, construindo hospitais tarde demais e querendo implantar o bloqueio total, o tal de lockdown, agora. Será que já não é muito tarde, com um presidente ignorando as mortes, mais preocupado com 2022? Quando aprenderemos a votar em candidatos comprometidos com serviços públicos, usando os nossos impostos honestamente em saúde, educação e segurança? Para alguma coisa este vírus tem de nos servir: não votar em demagogos e corruptos!

 

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

 

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ALÉM DO CORONAVÍRUS

 

É grave a informação divulgada pelas Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica de que ao menos 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer desde o início da pandemia, tendo como motivos principais os cancelamentos de procedimentos e exames não urgentes e a recusa de pacientes em procurar um hospital ou clínica por medo de pegarem o coronavírus. O mesmo acontece com outras doenças, aqui e em outros países, entre as quais as cardíacas: desde o início da quarentena, o número de infartos caiu drasticamente em serviços de emergência pois alguns  pacientes, mesmo com poucos sintomas, recusam-se a ir ao hospital, o que pode ocasionar uma situação pior, entre elas, a morte em casa. É imperativo que a medicina ambulatorial e diagnóstica volte a operar normalmente, pois já há sinais de prejuízos sanitários importantes para além do coronavírus.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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PESQUISA MÉDICA NO BRASIL

 

Gostaria de cumprimentar o dr. Sérgio Cimerman, pela excelente e oportuna abordagem no artigo Seriedade de pesquisador, publicado em 13/5, sobre nossos cientistas e sobre a pesquisa clínica no Brasil, em que ressalta a importância da valorização de nossos cérebros e a necessidade do respeito à pesquisa clínica brasileira. Parabéns!

 

Fábio Castro fabio.castro@hc.fm.usp.br

São Paulo

 

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‘SERIEDADE DE PESQUISADOR’

 

Excelente e esclarecedor o artigo do dr. Sérgio Cimerman. Muito importante e necessário o devido apoio aos nossos pesquisadores para tratamento de pacientes infectados pela covid-19.

 

Leonel Mester leonel18.mester@gmail.com

São Paulo

 
 
 
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