Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Orquestra desafinada

O presidente Jair Bolsonaro pede, peremptoriamente, afinação a seus ministros. Aborda variados temas com convicção. Ainda desconhecemos como recebe as informações que o fazem convencer-se de um assunto. Não nos recordamos, por exemplo, de nenhuma visita dele a algum hospital para avaliação do tratamento dado a doentes infectados com o novo coronavírus. No entanto, tornou-se um expert na defesa de medicamentos duvidosos para combatê-lo. Além disso, dois ministros da Saúde perderam seu posto no auge da pandemia, por alegada desafinação. Também fazem parte de sua especialidade atitudes a serem tomadas pela Polícia Federal. Mudanças foram feitas. Logo mais saberemos as consequências. Aumentos de salário para certas categorias são concedidos por ele, quando sabidamente não há mais dinheiro em caixa. Será isso interpretado como desafinação com o ministro Paulo Guedes? A verdade é simples: a orquestra do governo está desafinada porque o maestro não consegue indicar o tom. Os vibratos de prima-dona são estridentes demais. Já os integrantes da orquestra, temerosos de serem questionados e despedidos por desafinação, estranham-se nas reuniões preparatórias. Qual será o tom adequado, se o que estimula o maestro é a controvérsia?

SERGIO HOLL LARA

JRMHOLL.IDT@TERRA.COM.BR

INDAIATUBA

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Conhecimento enciclopédico

Nosso presidente afirma que seus ministros têm de seguir sempre as suas instruções. Sem dúvida, além do profundo conhecimento da covid-19, ele certamente entende de tratamento contábil e fiscal de preços de transferência, de inseminação artificial para aperfeiçoamento do rebanho, de políticas de hedge no financiamento em moeda estrangeira e de práticas de gotejamento em culturas de café. É tranquilizador saber que estamos em tão boas mãos...

ALDO BERTOLUCCI

ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Superministro

Após “assumir” o Ministério da Saúde e a Polícia Federal, será que a economia vai ter um novo responsável?

GUTO PACHECO

JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Ideia fixa

Está cada vez mais constrangedora para os remanescentes ainda defensores do atual mandatário da Nação essa obsessão de receitar a cloroquina como remédio eficaz contra a covid-19. Ao insistir nesse receituário – sem ser especialista –, deixa todos perplexos, agravando mais ainda as crises sanitária e política, levando à derrubada do segundo ministro da Saúde em menos de um mês. Como disse o antecessor na pasta, oremos!

JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

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Cloroquina

Bolsonaro pensa que os médicos vão prescrever a cloroquina só porque ele quer?

ELISA MARIA ANDRADE

ELISAMPCANDRADE@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Impostura

O presidente Jair Bolsonaro pratica exercício ilegal da medicina ao ordenar o uso de medicamentos durante a pandemia de covid-19, contrariando todos os procedimentos legais sobre o assunto.

MÁRIO BARILÁ FILHO

MARIOBARILA@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Medida Provisória 966

Bolsonaro blinda atos de gestores públicos durante a covid-19. Já se está protegendo pelas tantas besteiras que tem feito.

ROBERT HALLER

ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Flagelos

O Brasil enfrenta hoje duas pandemias: uma, a do novo coronavírus (covid-19); a outra, de estupidez e autoritarismo. Associadas, ambas já mataram até esta sexta-feira, 15/5, mais de 14 mil pessoas!

ELEUTERIO DA SILVA GOMES FILHO

JORNALISTA15@GMAIL.COM

MARABÁ (PA)

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Inépcia ostensiva

O ex-capitão, treinado para o comando de uma companhia de Infantaria, além de esquecer o que aprendeu na Academia, parece não ter-se aculturado o suficiente para liderar o enorme e complexo “exército civil” de 210 milhões de brasileiros. É inaceitável sua conduta errática, ignorante e irresponsável em face da terrível pandemia que assola o País e o mundo. Na contramão do que manda a ciência, provoca crises políticas visando a seus interesses pessoais, haja vista a renúncia de Nelson Teich um mês apenas após a posse. Se estadista fosse, a exemplo de outros governantes, instalaria um gabinete de crise, suprapartidário, para enfrentar o terrível e invisível inimigo comum da vida, o coronavírus. É o mínimo que se exige de um presidente da República, em respeito aos que já morreram e em socorro dos milhares que ainda vão morrer.

ARNALDO AMADO FERREIRA FILHO

AMADO1930@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Calamidade pública

O problema não é Mandetta, nem Teich, nem será o próximo ministro. O problema atende pelo nome de Jair Messias Bolsonaro. Em meio à maior hecatombe sanitária, temos um presidente que se apequena diante da pandemia que já ceifou milhares de vidas. Com temperamento irascível, mercurial, imprevisível, falastrão, açodado, mesquinho, boçal, além de não ter preparo para o cargo, Bolsonaro revelou-se um triturador de biografias. Quem em sã consciência vai querer trabalhar nesse governo? Sem nenhum respeito, Bolsonaro humilha em público seus auxiliares – e deve se vangloriar disso. Ele não quer empossar ministros, mas vassalos. Jair Bolsonaro é tudo o que o Brasil não necessitava num momento como este.

LUIZ THADEU NUNES E SILVA

LUIZ.THADEU@UOL.COM.BR

SÃO LUÍS (MA)


PRESIDENTE FORA DE CONTROLE


O presidente da República está indo longe demais. Com o País com quase 200 mil infectados e 14 mil mortes pela covid-19, Jair Bolsonaro sugere, em reunião remota com empresários, que joguem “pesado” contra os govenadores. Principalmente contra João Doria, governador de São Paulo, que pode cogitar de decretar lockdown se o índice de isolamento social continuar abaixo dos 50% no Estado. São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil, acumula 54.286 pessoas infectadas e 4.315 óbitos. E o presidente ainda acusa Doria dizendo que “há uma guerra” e motivação política de tentar quebrar a economia só para atingir seu governo. Trata-se de um absurdo que vem deste presidente, infelizmente, apavorado e descontrolado. E mereceu a seguinte resposta de Doria: “Saia da bolha do ódio e comece a ser um líder, se for capaz”. Definitivamente, Bolsonaro não deseja salvar vidas! E, se realmente estivesse preocupado, como diz, com a economia e com os empregos, em 2019 teria evitado as múltiplas crises que criou e impediram melhor desempenho da nossa economia, que cresceu o medíocre 1,1%, menos do que no período Temer (1,3%). Não está na agenda do presidente tentar unir o País.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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NU


Homem nu aparece em videoconferência de Bolsonaro com empresários (Estadão, 14/5). Que metáfora explícita! Parabéns ao performista!


José Antonio Garbino ja.garbino@gmail.com

Bauru


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BOLSONARO E OS GOVERNADORES


“Acorde para a realidade, presidente Bolsonaro. Saia da bolha de ódio e comece a ser um líder, se for capaz.” Com efeito, aqueles que usam o cérebro e a razão para pensar e tomar decisões devem subscrever o que bem disse o responsável e prudente governador de São Paulo, João Doria. Já aqueles que usam outras partes do corpo menos nobres, que continuem apoiando o irresponsável e imprudente presidente. De um lado, o #fiqueemcasa, de outro, #nasruas. Entre ambos, mais de 200 mil contaminados e 14 mil mortos no País pela tenebrosa e avassaladora pandemia da covid-19.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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PRIORIDADE INFELIZ


Infelizmente, o presidente Bolsonaro está mais preocupado com o adversário político João Doria do que com a pandemia que desgraça o Brasil. É o que temos...


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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NO CAOS


Mais duro que o isolamento social e a quarentena é aguentar os poderes da República se digladiando num caos gigantesco, gerando ineficiência total e acarretando consequências catastróficas. Pior, ainda, é ouvir jornalistas e analistas repetindo horas a fio, o dia inteiro, à exaustão, as mesmas falas e análises sobre este caos. Isso não é mais informação, é enrolação e agressão à inteligência dos telespectadores.


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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DESEQUILÍBRIO PRESIDENCIAL


Atônito com o constante desequilíbrio apresentado pelo presidente Bolsonaro, pessoa que o que diz pela manhã não assina à noite, fui buscar no Google alguma explicação sobre esse comportamento. Descobri algumas características de um psicopata: “são incapazes de formar qualquer vínculo emocional, possuindo, muitas vezes, relacionamentos superficiais e pouco duradouros. As principais características que ajudam a identificar um psicopata são: falta de empatia; comportamento compulsivo; não assumem culpa; egocentrismo; mentiras em excesso; baixo controle comportamental; presença de atitude de dominância desmedida”. Embora seja totalmente leigo sobre o assunto, acredito que o modelo se aplica perfeitamente à pessoa em questão.


Heleo Pohlmann Braga heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto


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TESTOU NEGATIVO


Eureka, tornados públicos três exames do presidente Bolsonaro! Deram negativos para a covid-19. Que decepção para os futriqueiros! Resta, agora, à perseguidora oposição, irascível e belicosa de ofício, recorrer ao Supremo Tribunal Federal para indiciá-lo por falsidade ideológica ou sei lá o quê, vez que os exames saíram em nomes fantasia, por segurança! Ou, quem sabe, arguir a idoneidade do laboratório e dos profissionais responsáveis, porque não tiveram suas firmas reconhecidas ou estavam com as cotas de condomínio vencidas. Imagino a briga que vai rolar entre os ministros partidários para pegar essa midiática e calorosa relatoria.


Celso David de Oliveira david.celso@gmail.com

Rio de Janeiro


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MEIAS VERDADES


A César o que é de César. Finalmente, o resultado dos exames para o novo coronavírus do presidente Jair Bolsonaro apareceu. E deu negativo para a doença. Só que o provérbio baseado na história do império romano não se aplica muito à nossa, que prefere mais a do gato escaldado que tem medo de água fria. Primeiro, porque em terras tupiniquins políticos e governos não costumam usar muito de transparência e verdade quando da divulgação de seus feitos, atos e, até, sobre reuniões de conselhos gravadas que costumam esconder “verdades”. Outro motivo para a desconfiança dos resultados, após mais de dois meses, é que dois exames continham pseudônimos e outro, com o número 05. Isso tudo poderia ser evitado se fosse feita uma simples demonstração real do paciente, por ele mesmo, com os exames nas mãos (PCR e sorológico), a exemplo de quando mostra jornais contendo matérias “mentirosas” ou nos moldes de quando, corajosamente, mostrava as cirurgias feitas em razão da tentativa de homicídio, bolsa de colostomia, etc.


João Direnna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)


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PSEUDÔNIMO


Um dos nomes utilizados para pseudônimo, Rafael Augusto Alves da Costa Ferraz, é bem grande, não muito comum, e o mais interessante é que a pessoa existe, bastando consultar no Google, e é de Brasília. Será que ele também forneceu o material para o exame? Fica a pergunta.


Márcio Fernandes me_fernandes@yahoo.com

São Paulo


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MENTIRA


Se eu fosse o Estadão, exigiria em juízo que nosso presidente faça novo exame – público desta vez, sem codinome – para verificar se há anticorpos. Certamente, veremos que nosso presidente miliciano terá contado mais uma mentira. Até nisso ele imita seu amigo Trump, famoso pelas mentiras.


Aldo Bertolucci aldobertolucci@gmail.com

São Paulo


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OLHOS DE VER


Se Bolsonaro vincula seu exame de covid-19 ao impeachment, conforme o que já se tem divulgado sobre a explosiva reunião ministerial, ele nem precisaria mais mostrar o resultado. Para quem sabe juntar “lé com cré”, o resultado já está, por si, revelado. É espantoso um presidente negar a seu povo um dado que em nada o desabonaria, salvo não tivesse agido com a displicência e a irresponsabilidade como tem agido em relação a tão perigoso vírus! A grandeza ou a pequenez de um homem público – ou de qualquer ser humano – se pode medir pelos detalhes, que aos olhos de quem tem olhos de ver nunca passam despercebidos. 


Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas


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SAÚDE TRANSPARENTE


Os exames de Bolsonaro foram finalmente liberados. Parabéns ao Estadão! Todos os membros do alto escalão dos Três Poderes têm de ser transparentes quanto à sua saúde. Temos mais um caso de opacidade quanto à saúde do prefeito Bruno Covas. Estando ele acometido de um câncer gravíssimo, não sabemos da existência de possíveis metástases, em especial no cérebro, que podem atingir a sua capacidade de julgamento e levá-lo a decisões equivocadas que podem atingir a vida de todos os paulistanos. Estou com grande preocupação quanto à saúde do prefeito, desde a sua decisão do incrível rodízio 24 horas expondo centenas de milhares de pessoas ao grave risco sanitário do transporte coletivo. Cabe, sim, exigir urgentes dados médicos atualizados e completos de sua saúde – de interesse de todos os paulistanos.


Suely Mandelbaum suely.m@terra.com.br

São Paulo


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LOCKDOWN DIFÍCIL


É preciso encarar os fatos. Passados já alguns dias desde sua implantação, o rodízio ampliado decretado pela Prefeitura de São Paulo não surtiu efeito algum na taxa de isolamento social. Além disso, é flagrante a quantidade não pequena de pessoas perambulando pelas ruas sem máscara, e estabelecimentos com meia porta aberta – quando não inteira –, em plena luz do dia, atestam o descaso dos proprietários com as medidas de contenção, apesar das centenas de autuações que já ocorreram. Neste contexto, é pequeníssima a probabilidade de sucesso de um eventual lockdown na cidade, pois não haverá fiscalização capaz de dar conta de tantos indisciplinados numa megalópole como São Paulo. A perspectiva é sombria e só nos resta torcer para que a conscientização das pessoas ao menos mantenha o isolamento como está e que os hospitais consigam ao máximo dar conta dos pacientes graves.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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TROCANDO MENOS SEIS POR MAIS SEIS


Não se trata de trocar seis por meia-dúzia, como reza a expressão popular. No caso, nos referimos a uma troca conseguida pelas “otoridades” encarregadas de traçar as estratégias para aumentar o isolamento social na cidade de São Paulo. A estratégia planejada, com certeza, foi decidida em reunião plenária que contou com a participação dos assessores do alcaide paulistano em número, no mínimo, igual ao dos cardeais que elegem os papas nos conclaves. Depois de exaustivas horas debatendo, as sumidades chegaram a uma decisão prodigiosa: implantar o rodízio de veículos ampliado, alternando veículos com placas pares nos dias pares e as placas ímpares nos dias correspondentes. Imediatamente após a decisão, esta foi levada ao prefeito, que, entusiasmado, comunicou o plano ao governador, que elogiou o magnífico trabalho estratégico. No dia seguinte, esses “luminares” perceberam que, a cada seis carros retirados de circulação, retiravam também seis pessoas que estariam em isolamento social dentro de seu veículo e que, para se locomover, passaram a recorrer ao transporte público, acrescentando mais seis indivíduos nas aglomerações naturais existentes nos coletivos. Não é genial? Só arrancando esses incompetentes dos cargos que ocupam “debaixo de vara”, como gosta de dizer o decano de nossa Suprema Corte.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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COMPROMISSO COM O ERRO


O prefeito Bruno Covas é um caso interessante a observar. Não há qualquer controvérsia quanto às controvérsias das decisões de maior visibilidade que ele toma. Mas, não bastasse a quantidade de erros que ele comete, o que espanta, mesmo, é o compromisso com o erro. A última foi a comemoração de que o novo rodízio de veículos na capital, que azucrinou a vida de milhões de seus munícipes, aumentou o isolamento social em meros 3%. Esqueceram de observar que o uso de transporte público (já lotado, claro) aumentou 6%. Ou seja, conte com um aumento de casos de covid-19 em menos de duas semanas. Para senso comum, tudo dentro do esperado. Calma, faltam só seis meses.


Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba


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SUGESTÃO


Assim como os veículos, divididos por finais de placas, ímpar anda num dia e par anda no outro, a Prefeitura poderia se utilizar dessa mesma medida para o funcionamento dos estabelecimentos comerciais, qualificando estabelecimentos de um mesmo segmento para abrirem em dias ímpares e de outros segmentos para abrirem em dias pares.


Arcangelo Sforcin Filho despachante2121@gmail.com

São Paulo


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PAR OU ÍMPAR


A quem interessa este rodízio paulistano? Lotando os meios de transporte coletivo, aumentará a propagação da convid-19 e encherá os hospitais! Mas haverá um aumento na arrecadação com as multas.


Milton Bulach mbulach@gmail.com

Campinas


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O VÍRUS DA CORRUPÇÃO


O Brasil está atravessando o pior momento na saúde em razão desta pandemia, mas nada que se compare à corrupção desenfreada que tomou conta desta nação. Não há um só dia em que não lemos que pessoas inescrupulosas se aproveitam deste momento crucial em que vidas são perdidas por causa do coronavírus, e roubam descaradamente. Enquanto as pessoas estão presas em casa, por falta de gestões competentes, notícias estarrecedoras saem todos os dias nos jornais denunciando os roubos nas compras emergenciais da pandemia, e são pessoas que ocupam altos cargos no serviço público. Como esta gente não se penaliza diante de tantas vidas perdidas? Enquanto um grupo de pesquisadores se debruça sobre a descoberta de uma vacina para combater a covid-19, qual a vacina contra a corrupção? Multas, prisões e demissões resolvem? Diferentemente de matar o vírus, como faz a vacina contra as doenças, a vacina da corrupção teria de ter um poder maior, matar o vírus da corrupção cumprindo a lei e não permitindo que ela seja comprada por desonestos, criminosos e assassinos.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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RESPIRADORES


Já se falou em diversas ocasiões sobre o assunto respiradores, equipamento em falta no Brasil e que são importados da China a custos elevadíssimos, motivo pelo qual tenhamos registrado diversos óbitos pela covid-19 no País. Inclusive há médicos que, em determinados momentos, têm de escolher quem tem mais condições de sobreviver para determinar o uso de um respirador, enquanto o que é diagnosticado como sem chance simplesmente é deixado para morrer. Enquanto tal absurdo ocorre diuturnamente – podemos atingir em breve as mil mortes diárias no País –, a Politécnica Engenharia da Universidade São Paulo (USP) desenvolveu um respirador já testado com pacientes no Hospital das Clínicas. Equipamento desenvolvido totalmente com peças nacionais, a um custo 15 vezes menor que o dos importados e que, para ser produzido, necessita de apenas duas horas. A minha simples pergunta: o que espera o governo para contatá-los, investir nisso e estimular a produção? Um dos prováveis motivos é o que está ocorrendo em 11 Estados, além do Distrito Federal, onde os governos viraram alvos de ações policiais e do Ministério Público. Em face da pandemia, tais equipamentos entraram para a lista prioritária de compras sem licitação, um prato cheio para os responsáveis pelas compras, que aproveitaram muito bem o momento e praticaram atos corruptos subfaturando, roubando e desviando dinheiro e equipamentos, chegando a pagar antecipado por respiradores que nem sequer foram recebidos, como também comprando equipamentos sucateados, danificados e defeituosos, inclusive adquirindo equipamentos não indicados para tal finalidade.


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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O MAU USO DOS RECURSOS DE EMERGÊNCIA


Todos sabemos que produtos de alta tecnologia e elevado custo se adquirem diretamente do fabricante ou de seus concessionários. Jamais no boteco da esquina ou em fornecedores sem tradição ou lastro negocial na área. Mesmo assim, prefeitos e governadores compraram respiradores pulmonares, máscaras, aventais e outros insumos do combate à covid-19 numa adega de vinhos ou em fornecedores estranhos ao ramo. É vergonhoso constatar que só neste período de emergência, iniciado em fevereiro, em que são autorizadas as compras sem licitação para enfrentar a pandemia, o Ministério Público Federal foi instado a abrir 410 procedimentos que virarão ações criminais por irregularidades nas transações e prejuízos ao erário em 11 Estados e no Distrito Federal (Estadão, 11/5, A4). Servidores foram exonerados e até presos e negócios estranhos são apurados. Espera-se que haja celeridade e justa punição dos envolvidos. É um verdadeiro crime de lesa-pátria o desvio de dinheiro publico destinado a salvar vidas. O grande libelo está nos milhares de brasileiros que já perderam a vida e nos outros milhares que padecem do mal. Precisamos de uma revolução ética que coloque no devido lugar os praticantes de corrupção ou favorecimento próprio ou de terceiros mediante o assalto aos cofres oficiais.


Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo


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ESTÁDIOS E HOSPITAIS


Graças aos “nobres” políticos (não somente os do PT), hoje os 12 majestosos estádios de futebol padrão Fifa construídos para a Copa do Mundo de 2014, por falta de hospitais, abrigam improvisados e frágeis barracões e tendas de lona urgentemente montados para atender precariamente vítimas da covid-19. Que beleza! O jogador Ronaldo fenômeno, ídolo de torcedores, disse naquela época: “Não se faz Copa com hospitais”. E daí? Não me interessa Copa nem futebol, mas fanáticos torcedores dão a ambos muito mais importância do que efetivamente têm. Ansiosos para ver a bola rolar, esperam anestesiados os “importantes” jogos aos sábados e domingos. Pena que seja assim! Para “suas excelências” em Brasília e demais chupins no poder público e fora dele, isso é ótimo! Estádios suntuosos, ainda que vazios e dando enormes prejuízos, sim! Hospitais extremamente necessários para a saúde da população pagadora de impostos, não! De qualquer forma, na época superfaturados, cumpriram os dois principais objetivos: atenderam aos jogos e garantiram a propina tradicionalmente embutida nos custos das obras públicas. Este é só um exemplo do que fizeram os “democráticos” desgovernando o País nos últimos 35 anos. Não concordo 100% com Jair Bolsonaro, mas faz ele muito bem em não atender facilmente governadores e prefeitos perdulários. Muitos estão defendendo seus interesses, e não os nossos, e estouraram os cofres públicos contando sempre com a ajuda do governo federal. Se com licitações e teto fiscal faliram seus Estados e municípios, o que farão se atendidos como querem nesta luta contra a pandemia? Deus me livre! Nem quero pensar!


Nilson Martins Altran nilson.altran@hotmail.com

São Caetano do Sul


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O QUE NOS ESPERA?


O mundo passa por um período de apreensões decorrentes tanto da crise sanitária que ceifa vidas como pela deterioração dos parâmetros da economia, com consequências impossíveis de serem vislumbradas após a arrefecimento da tempestade, ainda sem previsão de ocorrer. É evidente que o Brasil não está fora da tragédia e preocupa governos de todo o mundo pela sua importância no contexto da geopolítica global e pela magnitude de seu mercado na dinâmica do comércio internacional. Existem, no entanto, especificamente em relação ao nosso país, circunstâncias agravantes, como, por exemplo, a de ser a nossa moeda a que mais se desvaloriza entre todas as outras, em relação ao dólar, e a ação de um presidente que não prima por possuir o perfil típico de estadista hábil, e desconcerta ininterruptamente a sociedade com atitudes não convencionais e contraditórias. Superpondo-se a todo este cenário lúgubre, contamos com uma mídia que, em boa parte, por razões pouco esclarecidas, caracteriza-se por um radicalismo que transforma o despertar diário de todo o cidadão brasileiro numa alvorada de tristeza e melancolia, provocada  pela ausência absoluta e talvez proposital de notícias positivas que certamente existem e que, se devidamente divulgadas, teriam o efeito de formar uma sinergia capaz de animar o povo e de levantar psicologicamente o seu moral. O que nos espera?


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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