Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 03h00

Confisco

Perdão?

Li no Estado de ontem que o ex-presidente Collor de Mello pediu desculpas por ter confiscado o dinheiro dos brasileiros, há 30 anos. É simples assim? Pede desculpas e tudo bem? E o mal que causou? Quantas pessoas ficaram sem seu sustento, quantas perderam cirurgias para continuarem vivas, quantos negócios foram à falência? Quantas pessoas tiraram a própria vida ao se ver na miséria, como noticiado à época? Pedir desculpas agora é como se Hitler saísse das profundezas do inferno e de desculpasse pela morte de milhares de pessoas consideradas “inferiores” pela doutrina nazista, como judeus, ciganos, testemunhas de Jeová, comunistas, deficientes, homossexuais e tantos outros. É muita cara de pau do ex-presidente, que mesmo com todo o mal que causou continua ganhando eleições. Um povo que não tem memória continua repetindo sempre os mesmos erros.

JOSÉ MILTON GALINDO

GALINDO52@HOTMAIL.COM

ELDORADO

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Plano Collor

Collor pede desculpas 30 anos depois, mas até hoje nós, os prejudicados, já em idade avançada, não recebemos a devolução do dinheiro da correção das cadernetas de poupança confiscadas, retido pelos bancos. Só poderemos desculpá-lo quando o Supremo Tribunal acionar os bancos para cumprirem rapidamente a reposição. Há que fazer justiça enquanto não morremos esperando... Lembro que tal ato é sem custo para o governo e oportuno pela crise financeira que a população passa.

MÁRCIO DA CRUZ LEITE

MARCIO.LEITE@TERRA.COM.BR

ITU

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Corrupção

Rachadinha

denúncia feita pelo empresário Paulo Marinho revela mais uma suposta evidência de fraude eleitoral em 2018, agora por meios mais clássicos: informação privilegiada e interrupção de investigação supostamente sigilosa do esquema Flávio Bolsonaro/Fabrício Queiroz. Todos os acusados, claro, negarão, outra cortina de fumaça surgirá. E segue a boiada...

ADILSON ROBERTO GONÇALVES

PRODOMOARG@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Esclarecer é preciso

Desde o primeiro turno das eleições de 2018, esse caso escabroso da rachadinha envolvendo, entre outros, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro, com a ajuda do “faz-tudo” da família, Fabrício Queiroz, sempre vai e volta ao noticiário. E até agora não foi esclarecido, dado que Queiroz nem sequer comparece às oitivas das investigações, desde o início – primeiro, por doença, depois, por causa do tratamento. Sumido desde então, não é instado a prestar esclarecimentos, embora se saiba que lidou com milhões de reais originados no gabinete do hoje senador pelo Rio. Em razão disso o Coaf saiu das mãos do então ministro da Justiça, Sergio Moro, e foi parar na Receita Federal, além de que, por decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, a investigação ficou imobilizada por muito tempo e até hoje pouco andou. Isso é um acinte, ninguém está acima da lei, muito menos o filho do presidente que foi eleito prometendo mundos e fundos em matéria de honestidade e de ética na política. Ou os poderosos podem tudo e estão imunes a punições por malfeitos que tenham praticado, mormente desvio de dinheiro público, que prejudica o povo de forma avassaladora? Com essas denúncias do ex-amigo do presidente (Paulo Marinho), que esse caso Flávio/Queiroz seja esclarecido de vez, pelo bem do País. E não fique pairando como um fantasma a assombrar a Nação, especialmente a família presidencial, cujo patriarca faz o diabo para impedir que esse assunto venha à luz. Está na hora de pôr um fim nisso, doa a quem doer.

ELIANA FRANÇA LEME

EFLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Pandemia

Cloroquina

Dois médicos não aceitaram a ordem do presidente Jair Bolsonaro de assinar um protocolo recomendando o uso da cloroquina e saíram do Ministério da Saúde. Agora o ministro interino, um general paraquedista, acata a ordem presidencial e assina o protocolo. Parafraseando locutor famoso, pode isso?

MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Em São Paulo

Feriadão

O prefeito Bruno Covas foi autorizado pela Câmara Municipal a antecipar os feriados de Corpus Christi e do Dia da Consciência Negra para amanhã e quinta-feira, para manter a população em casa e aumentar o isolamento social. Ora, por favor... No último feriado com essa mesma intenção São Paulo ficou às moscas, o índice de isolamento social subiu, mas o povo foi se aglomerar nas praias do litoral paulista, desde Itanhaém até São Sebastião, deixando a população local à mercê do contágio de covid-19, com os prefeitos locais revoltados. O que importa realmente, os números do isolamento ou a segurança da população?

MARA MONTEZUMA ASSAF

MONTEZUMA.SCRIBA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Tentativa e erro

Decretar esse feriado prolongado na capital paulista vai apenas empurrar milhares de paulistanos para as cidades vizinhas. Também vai deslocar o foco da doença para o interior e levá-la para seus moradores.

MARCOS DE CARVALHO COSTA

MARCOS.50@UOL.COM.BR

SARAPUÍ

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Essencial x acessório

Pergunto ao prefeito Bruno Covas: quantos leitos de hospital poderiam ser ativados, quantas cestas básicas poderiam ser distribuídas na periferia ou quantas famílias poderiam ser ajudadas com o dinheiro que a Prefeitura está gastando com o recapeamento asfáltico ao redor do Ibirapuera, nesta crise profunda? Cada centavo de obras não essenciais deveria ser redirecionado para causas urgentes, a população carente tem fome e demandas de assistência à saúde. Recapear ruas objetivando promoção eleitoral, neste momento, é até imoral.

GUSTAVO CHELLES

GUCHELLES@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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ANTECIPAÇÃO DE FERIADOS

Fui tentar entender o porquê do feriado de novembro ter sido antecipado, afinal está tão longe, e, por curiosidade, procurei o sete de setembro, dia das crianças, finados e quinze de novembro. Deu a lógica. Todos caíam em sábados ou domingos. Faltou o Natal para os ditadores de São Paulo anteciparem também e acabarem de vez com a vida de lojistas e comerciantes. Gostaria que ambos, ditadores, explicassem por que o pedágio nunca fecha. Em países de Primeiro Mundo, jamais rodízio e pedágios funcionariam, mas aqui, onde a grande sacada é sangrar os cofres públicos, comprar sem licitação e arrecadar de um povo confinado, vendo suas empresas ruírem, esses governantes enfiam a faca até aparecer somente o cabo. Para quem já viu o mensalão, o petrolão, agora verão o covidão. E quando tudo voltar ao normal, preparem os bolsos, porque a exploração será cruel. E quem pensa que esse tempo vai ensinar alguém, vai, sim, ensinar a roubar mais e a desprezar o ser humano.

Luciana Lins lucianavlins@gmail.com

Campinas

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AS CONTAS NÃO ESPERAM

Maravilhoso, a última graça do governador João Doria foi propor à Assembleia Legislativa aprovar vários dias de feriado no Estado. Lindo, wonderful, vou para Ibiza. Chiquérrimo. Só preciso saber se, com tantos feriados, o vencimento das contas pode ir para 6 a 10 dias depois. Afinal, quem me paga não vai pagar, mas as contas vêm, lindas e mais caras do que antes. Como fica, governador?

Roberto Moreira da Silva rrobertomsilva@gmail.com

São Paulo

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A INFALÍVEL TÉCNICA DO BODE

É conhecida a história do folclore judaico acerca de um homem com uma família numerosa que vivia numa casa muito pequena e que foi se aconselhar com o rabino a respeito do problema do aperto. O sábio lhe disse para colocar também o seu bode dentro da sala. Uma semana depois, ele voltou ao rabino relatando sobre o pandemônio que o animal estava fazendo e que a convivência com ele era impossível. Em vista dos fatos, o rabino recomendou a retirada do animal. Alguns dias depois, na sinagoga, o homem se encontra novamente com seu mestre e, com um sorriso nos lábios, diz que depois da retirada do animal a vida ficara maravilhosa. É assim que se sentem os paulistanos com o fim do mega rodízio em São Paulo.

Jorge Alberto Nurkin jorge.nurkin@gmail.com

São Paulo

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PANDEMIA E PANDEMÔNIO

Esta covid-19, uma pandemia, chegou avassaladora, e como. O mundo inteiro foi afetado. Por aqui, no Brasil, todos sabiam que ela chegaria, os primeiros casos aportaram aqui com turistas vindos da Itália. Mas nós, tanto população como governantes, fizemos pouco caso – e alguns ainda fazem. Nada como terem liberado o carnaval, como já sabíamos, para aumentar a disseminação dos primeiros casos. Agora, os nossos políticos estão aproveitando a ocasião para superfaturarem tudo, discordarem de tudo, pois não estão propriamente tentando atacar a pandemia, mas causar pandemônio, para vencer as próximas eleições. Podem ter certeza, politicoides meia-boca, desta vez não ganharão nada. Fora todos.

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

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UNANIMIDADE

Nestes tempos de covid, com tantas opiniões, a única unanimidade é o despreparo, a prepotência e a incompetência de nossos governantes.

Oscar Seckler Muller oscarmuller2211@gmail.com

São Paulo

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SUGESTÃO

Gostaria de dar uma sugestão para tentar resolver o problema da pandemia aqui, em São Paulo. Tanto os trabalhadores como os empresários querem voltar ao trabalho, mas, se depender do governo federal, nunca voltaremos à normalidade. Na minha opinião, o governo de São Paulo deveria criar, dentro da cultura paulista, uma forma de sair do caos que o coronavírus está gerando. Uma maneira que penso é aquela que deverá unir todos os cidadãos de cada cidade para um desafio estadual que terá como meta cumprir pontos. Aquela cidade que atingir determinada quantidade de pontos obterá créditos como, por exemplo, abrir o comércio, praia, restaurantes, academias, shoppings, etc. Sabemos que o povo adora disputas porque o povo é competitivo. Penso que haverá uma grande competição saudável entre as cidades e o governo poderia fazer um ranking delas. Empresários, trabalhadores, estudantes, donas de casa, etc., todos vão se unir para vencer. E assim a gente resolve o nosso problema sem precisar de uma ajuda federal, que não teremos. Acredito que com a ajuda de matemáticos, junto com os doutores em Medicina, o governo pode criar as regras do jogo. De repente a cidade vencedora poderia ganhar um prêmio, um monumento.

Franz Josef Hildinger frzjsf@yahoo.com.br

Praia Grande

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CASO QUEIROZ

Delegado da PF avisou Flávio Bolsonaro que Queiroz seria alvo de operação (Estado, 17/5). Os filhos de Bolsonaro ainda vão levá-lo ao fundo do poço.

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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DELAÇÃO PREMIADA?

Teria, no carnaval, o 01 cantado o último verso da marchinha “Prá que, seu Queiroz, se a coisa agora está prá nós?”. E, agora, estaria Paulo Marinho fazendo delação premiada? Quem pode esclarecer?

Ricardo Hanna ricardohanna@bol.com.br

São Paulo

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MISSÃO IMPOSSÍVEL

A Procuradoria-Geral da República (PGR), o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) estão diante de uma missão impossível: arquivar as acusações contra o presidente da República. Não será possível dizer que não há provas, que não há nada que indique a intenção do presidente de manipular a Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro para favorecer seu querido filho. Já houve o fornecimento de informações sigilosas pela PF, o clã Bolsonaro já se beneficiou desse favorecimento indevido, providências já foram tomadas para blindar a família Bolsonaro, a Justiça já foi driblada e obstruída. Queiroz segue foragido, mas isso não importa mais, existe uma avalanche de provas sobre a iniciativa do presidente da República para transformar a PF do Rio de Janeiro na sua milícia particular, voltada para blindar sua família e atacar seus inimigos, conforme denúncia oferecida pelo ex-ministro da Justiça. O Brasil espera que a PGR, o STF, o Congresso e as Forças Armadas criem coragem e cumpram o seu dever sem mais delongas.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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SEIS POR MEIA DÚZIA

“Está a palavra PF, duas letras (...) Tem a ver com Polícia Federal, mas é a reclamação PF no tocante ao serviço de inteligência”, disse o presidente Jair Bolsonaro no fim de semana passado a jornalistas que fazem a cobertura do dia a dia do presidente para vários meios de comunicação. É impressionante que um presidente eleito democraticamente se dedique, dia sim e outro dia também, a agredir verbalmente profissionais da imprensa, que o contestam, e a debochar da nossa inteligência, propondo que aceitemos que seis é diferente de meia dúzia, na tentativa de se explicar dos atos inconstitucionais que constantemente quer institucionalizar.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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POR QUE ‘PF’ DO RIO?

Se alguém tinha alguma dúvida por que Jair Bolsonaro quer o comando da “PF” do Rio de Janeiro, o mistério foi esclarecido pelo deputado Marcelo Freixo (RJ), quando participou de um debate na CNN dias atrás. Freixo disse que, “quando Bolsonaro era deputado federal, o atual presidente e os filhos eram amigos dos integrantes da milícia”. Ele disse que “o atual senador, o 01, quando era deputado, tinha vários elementos da milícia como seus assessores”. Por que essas verdades não vieram à tona até agora no inquérito em andamento envolvendo ex-ministro Sergio Moro e presidente Bolsonaro? É muito estranho...

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

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FUTURO VOLTA AO PASSADO

Finalmente, a taxa de desemprego começa a diminuir no governo Bolsonaro. Carlos Marun, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da gestão Temer (MDB), e o deputado José Carlos Aleluia (DEM), parlamentar citado na delação da Odebrecht, são nomeados para Conselho de Administração da Itaipu Binacional. Avante Brasil, para o futuro que nunca mudou.

Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo

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DAR PORRADA

Jair Bolsonaro sabe que Carlos Marun, do Centrão, fará sucesso no seu governo. Conhecido como “brucutu” dos governos Dilma e Temer, também se enquadrará, com perfeição, aos ministros Weintraub e Damares e aos filhotes zero à esquerda, por exemplo. Afinal, não deixa de ser um perfil de primeira ordem para “dar porrada” ao apoiar o pobre perdido presidente!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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QUEM DIRIA?

Após o presidente Bolsonaro conduzir Carlos Marun e José Carlos Aleluia para o Conselho de Administração da Itaipu Binacional, podemos ter certeza de que o toma lá da cá definitivamente acabou... Quem diria, hein, capitão? Só rindo.

Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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DE VOLTA ÀS ORIGENS

O presidente Bolsonaro está voltando para de onde nunca saiu, o Centrão. E, agora, não temos nem o juiz Sérgio Moro. Oremos...

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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PARLAMENTARISMO

As recentes e sucessivas crises que ocorrem na política do País indicam a necessidade da aceitação de duas formas de conduta. Primeira, o Ministério Público, o STF e o Congresso não devem ter dó de julgar com rigor presidentes incapazes ou nocivos. A complacência que se teve com Lula quando foi descoberto o mensalão, tão protegido foi que nem para testemunha foi chamado, levou-o a ser reeleito e eleger e reeleger uma poste, que acabou sendo removida à força. Aquela tolerância com Lula levou o País a regredir uma década. Para o bem do Brasil, esperamos que não se repita: se não serve, tem de sair. Segunda, admitir que o regime presidencialista é insatisfatório para o Brasil. É essencial termos um regime que permita remover com rapidez um presidente incapaz ou mesmo nocivo. Por outro lado, considerando que o Congresso tem apresentado atuação fundamental nas reformas de que o País necessita e que os eleitos para a presidência procuram fazer “governos de coalizão”, é conveniente mudar logo o regime para parlamentarista.

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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MEDIDA PROVISÓRIA 966/20

É hora de pedirmos socorro ao Congresso Nacional, uma vez que o presidente editou uma Medida Provisória (MP) 966, que tem validade de imediato, dispondo que agentes públicos somente poderão ser responsabilizados nas esferas civil e administrativa, se agirem ou se omitirem com dolo, ou erro grosseiro. É um salvo-conduto por eventuais irregularidades nas aquisições de produtos e equipamentos para o combate à pandemia. Trata-se de mais uma excrescência deste presidente, que veio para bagunçar a administração pública do País. Bolsonaro decidiu que a prescrição da hidroxicloroquina deveria ser ministrada desde o início do tratamento dos doentes. Isso apesar de não ser médico. Este foi o principal motivo de os dois médicos terem sido defenestrados do Ministério da Saúde, pois o medicamento ainda não demonstrou a eficiência necessária e, pior, tem contraindicações severas. Contudo, segundo a BBC do Brasil, por ordem de Bolsonaro, o Exército já fez mais hidroxicloroquina do que em dez anos. Se o ritmo de produção tiver sido mantido, pelo menos mais 1 milhão de comprimidos pode ter sido produzido nos 30 dias seguintes, mas o próprio Exército informa que a capacidade total, se necessário, pode chegar à mesma quantidade por semana. Contudo, não há evidências conclusivas sobre a eficácia desta droga contra o vírus, nem sobre a segurança de seu uso em pacientes da nova doença. Por isso, é um dos objetos de vários estudos em andamento. Eis aí o primeiro objetivo da MP 966. De imediato, responderá interinamente pelo Ministério da Saúde o general Eduardo Pazuello, que, segundo informa o Estadão, vai liberar a hidroxicloroquina a mando de Bolsonaro. Eis o segundo objetivo da MP 966. Ora, neste caso, o Congresso não vai poder esperar a validade da MP, que é de no máximo 60 dias, prorrogáveis por mais 60. Em 120 dias os estragos poderão ser imensos. A MP 966 tem de receber o veto imediato do Congresso, para que os parlamentares não sejam coniventes com este absurdo. O presidente não está qualificado para receitar o medicamento citado, nem o general Pazuello. Portanto, é uma temeridade e uma ilegalidade essa liberação.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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‘MANOBRA PARA A IMPUNIDADE’

Sobre o editorial Manobra para a impunidade (Estado, 17/5, A3), a medida provisória em questão é um atentado consciente e querido que só pode ter sido orquestrado pelos corruptores de plantão, sempre ávidos para a criação de mais um “álibi” para embolsar impunemente verbas e dinheiro público, de nós arrecadados sob os rigores das leis vigentes, contra a ordem constitucional e as leis que regem a responsabilidade e aplicação das penalidades dos dirigentes do Poder Executivo e seus gestores e demais funcionários. Parece que estamos voltando a um recente passado tenebroso que esteve nas mãos do executivo chefe e seus administradores mais próximos. Acredito que a demissão, ou renúncia, como queiram, do sr. Sergio Moro, que exerceu com a devida dignidade, escorreita e eficaz carreira de magistrado federal, fato que contribuiu para com a dignidade da magistratura do País e da mesma forma durante a sua curta permanência no Ministério da Justiça, foi a gota d’água, com a tentativa de ingerência indevida do “chefe” nos assuntos institucionais que só dizem respeito e competem exclusivamente àquela pasta ministerial. Deve ter se recusado a inúmeras tentativas que, como sabemos, são diuturnamente perpetradas pelos abutres da corrupção que sobrevoam o Palácio do Planalto a busca de benesses para se apoderarem, agora pretendendo ter como justificativa (injustificável), para não sofrerem as punições e os rigores das normas constitucionais e infraconstitucionais em pleno vigor. Não acredito, nem quero acreditar, que o sr. presidente seja dotado de índole a praticar atos de corrupção ou atentatórios à Constituição e demais leis em vigor que regulam a moralidade da administração pública, consagrada no seu tripé constitucional, consistentes na moralidade, impessoalidade e publicidade. Mas não creio nem acredito que os abutres da corrupção sempre presente nas Casas das Leis, principalmente e indistintamente, ali estarão presentes, sempre à espreita dos administradores maiores do Poder Executivo, principalmente quando a busca de votos para aprovação de projetos, leis ou numa tal medida provisória, principalmente quando trazem embutidas ou oportunidade para serem introduzidas as tais “emendas jabutis”, que ofendem frontalmente a ordem constitucional e infraconstitucional. Deus nos proteja.

Domingos Wellington Mazucato mazucato.advogado@gmail.com

São Paulo

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PODER MODERADOR

A Constituição de 1824 instituiu no Brasil, ao lado dos três Poderes atuais, o Poder Moderador, exercido pelo imperador, cuja função era, em teoria, a absorção dos atritos entre os outros poderes e sua harmonização, mas que na prática resultou no fortalecimento do poder pessoal e do poder de interferência do monarca, colocando-o acima dos demais poderes. Pela mesma Carta Magna, a figura do imperador era “inviolável e sagrada, não estando sujeita a responsabilidade alguma”. Ao que tudo indica, nosso presidente (quousque tandem...?) quer resgatar do passado para si essas prerrogativas, porém aumentando os atritos e desarmonizando os poderes, além de conduzir-se de forma irresponsável, sem se importar com as consequências de seus atos. Lembro que o professor Miguel Reale Júnior já sugeriu que ele fosse interditado e eu acrescento que, além dos exames de covid-19 que ele relutou tanto em divulgar, deveria ser submetido a exame de sanidade mental e obrigado a divulgar seu resultado. Acho que exigir que ele governe – o que não fez até agora – seria querer demais, algo acima de suas possibilidades e competências. Nossa sociedade pede, então, que ele simplesmente não atrapalhe, ficando quieto em seu canto, talvez tentando educar tardiamente seus filhos.

Gerson Azambuja Neves Filho gersonazambuja@yahoo.com.br

São Paulo

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BASTA DE BOLSONARO!

O Brasil que usa a razão, o raciocínio lógico e o bom-senso para atravessar esta quadra aguda e severa que enfrenta, em meio às gravíssimas crises sanitária, econômica e política, deve subscrever o contundente artigo O presidente perdeu a condição de governar, assinado pela Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos (18/5, A6). Por oportuno, cabe reproduzir seus parágrafos finais: “Preocupado com o amanhã e sob o peso do luto, o Brasil precisa contar com um governo que coordene esforços para a superação da crise, começando por ouvir a voz que vem das casas, das pessoas que sofrem, em todas as partes. Não há como aceitar um governante que ouve apenas radicais fanáticos, ressentidos e manipuladores, obcecado que está em exercer o poder de forma ilimitada, em regime miliciano-militar que viola as regras democráticas e até mesmo o sentido básico da decência. Só resta sublinhar o que já ficou evidente: Jair Bolsonaro perdeu todas as condições para o exercício legítimo da Presidência da República, por sua incapacidade, vocação autoritária e pela ameaça que representa à democracia. Ao semear a intranquilidade, a insegurança, a desinformação e, sobretudo, ao colocar em risco a vida dos brasileiros, seu afastamento do cargo se impõe. A Comissão Arns de Defesa dos Direitos Humanos entende que as forças democráticas devem buscar, com urgência, caminhos para que isso se faça dentro do Estado de Direito e em obediência à Constituição”. Muda, Brasil. Basta de Bolsonaro!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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‘VADA A BORDO!’

Vibrei com o editorial Vada a bordo! (17/5, A3). Por momentos, sinto-me inútil (lembram a música dos Paralamas?) em não estar fazendo a diferença neste país tão mal administrado. Em quarentena, quero poder exercer meu direito de expressar minha decepção com este perverso, em quem não votei! O Estadão, com seus editoriais e colunistas, me amparam e me ajudam a pensar novas formas de ser cidadã.

Suely Grimaldi sgrimaldi@uol.com.br

São Paulo

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OPORTUNIDADE NAS ELEIÇÕES

A imprensa tem cogitado o adiamento das eleições de outubro como uma medida de contenção de contaminação da covid-19. Muito mais inteligente seria aproveitar a oportunidade e tirar a obrigatoriedade do voto no Brasil, que, na prática, já é opcional, já que a multa por não comparecimento às urnas é simbólica. Aproveitamos e diminuímos o custo da máquina estatal. Que tal?

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

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ELEIÇÕES? LOUCURA!

O uso de máscara, luva e o distanciamento na sala de votação oferecem alguma segurança para o eleitor, jamais 100%. E como ele irá chegar ao local? As autoridades vão oferecer, também, um veículo para cada um? Não há como garantir que sairá são e salvo no cumprimento dessa obrigatoriedade constitucional. Se eu fosse e me infectasse, processaria o governo sem pensar! Portanto, urge que se reúnam rapidamente a Câmara em duas sessões e o Congresso em uma e retirem este fantasma de nossa frente! Voto não obrigatório em 2022! Ou os senhores políticos têm medo de passar vergonha nas urnas e, então, querem obrigar os eleitores a se exporem? Se esse for o caso, deveremos todos votar em branco, cor do luto no oriente.

Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo

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O TESOURO ESCONDIDO

Estamos assistindo aos esforços dos responsáveis pela administração do caixa do nosso Tesouro para auxiliar a população carente a enfrentar a crise gerada pela pandemia, que grassa em nosso país. Entretanto, causa-nos espécie o esquecimento de nossas autoridades da fortuna representada pela perda infligida aos cidadãos pelos bancos públicos e particulares durante os famigerados planos econômicos do governo Sarney, cuja ação, segundo consta, já foi julgada e seu pagamento encontra-se retido, à mercê da liberação de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Luiz Antônio Alves de Souza zam@uol.com.br

São Paulo

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SURREALIDADE

Collor pede desculpas por confisco da poupança após 30 anos (Estadão, 18/5). Qual o significado de um pedido de desculpas 30 anos após o surpreendente confisco de poupança, num montante equivalente a aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil à época, medida até hoje criticada com veemência e que devastou o planejamento de vida de milhares de pessoas, com consequências sentidas até hoje? Tal iniciativa foi recentemente tomada por Fernando Collor de Mello, então presidente, responsável pelo plano econômico que determinou a apropriação, eleito com estandarte de salvador da pátria entre os muitos que tivemos antes e, depois, até hoje, tão nocivos ao desenvolvimento e crescimento do País, e que ainda se encontra ativo no cenário político? O mínimo que dele se poderia esperar seria um pedido de perdão há muito mais tempo, acompanhado de ações compensatórias aos diretamente atingidos, além do afastamento da vida pública para nunca mais nela se aventurar. Lamentavelmente, porém, nesta terra de Pindorama, qualquer surrealidade é permitida.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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ESPERANDO O STF

Em dezembro de 2017 os bancos (Febraban) e os poupadores que tiveram perdas na caderneta de poupança nos Planos Bresser, Verão e Collor II chegaram a um acordo pelo qual os que quisessem seriam ressarcidos (em parte), pondo fim à pendência judicial. Em março de 2018 o Supremo Tribunal Federal (STF) homologou o acordo. Até hoje, porém (dois anos), incompreensivelmente, a maioria dos que aderiram nada recebeu. E o STF, já acionado de novo, mantém um silêncio enervante.

Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

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ENSINO À DISTÂNCIA

Muito corajosa a iniciativa do Estadão de divulgar a pesquisa realizada pelo Instituto Península (17/5, A12). Revela que 90% dos professores não estão preparados para ensinar online. E que 55% até agora não receberam suporte ou treinamento para atuar de maneira não presencial. Se com a presença do professor já é difícil a aprendizagem, imagine sem a sua presença. Nestes 60 dias com as escolas fechadas, os pais puderam perceber o nível de improvisação das escolas, além da demora para a retomada das aulas, online. Não é difícil de prever o que acontecerá neste ano: crianças que dominam a leitura terão maior facilidade na aprendizagem, mas o que dizer de uma criança em fase de alfabetização? O ano está perdido. Assim como na saúde, onde o sistema colapsou, o mesmo é visto na educação, onde grande parte dos professores nem sequer tem orientação clara do que fazer, o que dizer das crianças. Desanimadora a constatação da presidente do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, de que “poucas secretarias da Educação ou mesmo escolas particulares no País deram formação ou infraestrutura para professores em aulas não presenciais, muitos professores usam seus computadores, seu Wi-Fi ou seus celulares”. Mas quando isso foi diferente? A educação e a saúde sofrem do mesmo mal: a falta de gestão responsável e o foco no ser humano. Vemos promessas e discursos nessas áreas, mas de prático e efetivo, o que revela a pesquisa não chega a surpreender, era esperado, mas não deixa de ser desoladora essa situação. A pandemia expõe ainda mais a doença do Brasil.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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LAUDO NATEL (1920-2020)

Acabo de responder no site do Estadão às caluniosas afirmações de alguns leitores de que o Morumbi foi construído porque Laudo Natel foi governador. 1) A aquisição do terreno e o início das obras ocorreram na gestão de Cícero Pompeu de Toledo, com Laudo como tesoureiro, em 1952. 2) Laudo foi eleito pela primeira vez presidente do São Paulo em abril de 1958 e deu continuidade e acelerou as obras. 3) Em outubro de 1960 ocorreu a inauguração parcial do estádio. 4) Em setembro de 1962 ocorreu a inauguração das dependências sociais esportivas. 5) Ao assumir o governo pela primeira vez em 5 de junho de 1966, o estádio estava com o anel inferior totalmente pronto e os anéis intermediário e superior 50% concluídos e as dependências sociais esportivas já em pleno funcionamento, graças às vendas de cadeiras cativas, títulos patrimoniais, publicidade, concessões para vendas de bebidas, alimentos, materiais esportivos. 6) Em março de 1967, deixou o governo e retornou à presidência do São Paulo. 7) Em junho de 1968, ao lado de valorosos companheiros, lançou o carnê Paulistão, que possibilitou a conclusão do estádio em janeiro de 1970. Portanto, ao retornar ao governo em março de 1971, o estádio estava totalmente pronto e as dependências sociais esportivas, em pleno funcionamento. Finalizando, lembro que, após a inauguração definitiva do estádio, a região do Morumbi teve substancial crescimento residencial, comercial, de serviços e industrial, gerando uma série de empregos, impostos (IPTU, ISS, IPI, etc.). O descanso eterno à alma do querido ex-governador, patrono e ex-presidente do São Paulo F.C. e meus sentimentos aos seus caros familiares.

João Farah jf@citycon.com.br

São Paulo

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Além do amor por São Paulo, pelo Bradesco e pelo clube do Morumbi, tinha enorme admiração pelo G.D.R. 7 de Setembro daqui, da Água Rasa, onde era presidente honorário. Mesmo antes de ser governador, comparecia, todo dia 7 de setembro, às 7 horas, para prestigiar a diretoria e participar das atividades de aniversário do grêmio. Mesmo com dificuldade de locomoção, nunca deixou de nos enviar sua mensagem de prosperidade e amizade neste dia. Toda a nação setembrina acusa a perda irreparável de tão grande estadista e amigo. Condolências à família.

Estevão Luiz Chiposche, diretor social do Grêmio Desportivo e Recreativo 7 de Setembro elc@default.com.br

São Paulo

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