Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Guerra civil?!

Como se já não bastasse a nota ameaçadora do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) falando em “consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”, surge agora um manifesto de 90 oficiais bolsonaristas da reserva do Exército intimidando os brasileiros de bem e exortando à eventualidade insana de uma guerra civil no País, fazendo acusações à imprensa e ao Supremo Tribunal Federal, bradando contra falta de “decência” e de “patriotismo”. Seria exemplar que esses senhores dessem o nome dos indecentes e antipatriotas a que se referem. Onde está a dita democracia tão propalada pela autoridade maior da Nação? A covid-19, com sua guerra particular, já dizimou mais de 23 mil vidas de brasileiros. Ora, ao falarem em guerra civil, além do desejo de conter o direito à liberdade de expressão e ao livre ir e vir, claramente explicitados na Constituição brasileira, quantas mais vidas esses 90 oficiais da reserva têm em mente dizimar? Ora, tenham dó...

DAVID ZYLBERGELD NETO

DZNETO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Pijamismo

Esse grupo de 90 oficiais da reserva do Exército deveria cobrar do presidente da República ações com base na integridade, na ética e no cumprimento das leis – o que Bolsonaro despreza, embora tenha jurado respeitar a Constituição ao tomar posse na Presidência. Mas, em lugar de fazer isso, esse grupo ameaça a população brasileira com golpe e guerra civil. Além de corporativismo descarado, essa atitude tão antipatriótica é uma vergonha para as Forças Armadas.

LÍGIA BURANI

LIGIABURANI@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Pela democracia

Diante da “nota à Nação” assinada pelo ministro-chefe do GSI e do apoio a ela, até com certa intimidação, por militares da reserva, torçamos para que logo passe esta pandemia e o necessário isolamento social, para que o povo brasileiro possa ir às ruas exigir que não se mexa na democracia conquistada pelos brasileiros.

ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

EIMRTI@UOL.COM.BR

BOTUCATU

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Medo

Estou ficando com muito medo. Não do coronavírus, mas das notícias sobre as armas. Armamentos potentes, muita munição, e tudo isso sem possibilidade de ser rastreado? Se é para lutar contra essas sandices sem precedentes, vou para a rua berrar. Prefiro morrer de covid-19 a deixar o meu país virar uma Venezuela de ultradireita. E eu que tinha medo do PT no poder...

BEATRIZ CARDOSO

BIA.POULTRYVET@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Armação ilimitada

Foi com apreensão que li ter sido um militar sem cargo que liberou a compra de mais munição (24/5, A4). Essa informação, aliada à declaração de Bolsonaro de que devemos armar a população, leva-me a concluir que a ala de apoio ao presidente – colecionadores, atiradores, caçadores – está sendo fortemente armada. É evidente que, se a maioria da população, os mais pobres, tivesse acesso às armas e munição, certamente iria vendê-las às milícias, para adquirir alimentos. Tenho mais medo ainda.

CARLOS GONÇALVES DE FARIA

SHERIFFFARIA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Estado paralelo

Mais uma vez o presidente se equívoca e pede o que é vedado pela Constituição da República, artigo 5.º, XVII, onde se lê – e deve ser obedecido sem questionamento – que “é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar”. Será que alguém poderia avisá-lo?

JULIO CESAR DIAS NOVAIS

JULIOCDNOVAIS@GMAIL.COM

CATANDUVA

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Ruptura institucional

Essa confusão toda armada pela pessoa física de Jair Bolsonaro tem a razão única de acobertar (leia-se: não investigar) eventuais delitos criminais cometidos por seus filhos e amigos. E é por motivo tão pouco nobre que há militares dispostos a provocar a ruptura institucional?

MILTON BONASSI

MBONASSI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Pária internacional

Desde o famigerado discurso do presidente nas Nações Unidas o Brasil já se tornava um pária internacional. Mas não imaginei que cada brasileiro hoje seria considerado um pária sanitário, infecto e repugnante ao olhar do mundo. Nem que a economia brasileira se encaminhasse para a deterioração acelerada, tomada de assalto por milicianos urbanos e rurais, afugentando o capital civilizado. Nem que a simpatia internacional se convertesse em assombro e pavor com o destino do meio ambiente e da cultura, reduzidos ao pasto predatório dos oportunistas que passam a boiada. É o auge do poder de Jair, não sua crise. Ele é a própria crise, o grande pária que busca moldar a Nação à sua imagem e semelhança, na narrativa e nos atos que predominam e aceleram o caos da pandemia. Um mito, de fato. Um herói dos desclassificados. Um messias dos párias.

ROBERTO YOKOTA

RKYOKOTA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Messias

Votaram num Messias que se acha um deus. Elegeram um pai, três filhos e vários espíritos de porco.

NEIDE GONÇALVES CHAVES

NEIDEGC@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Corrupção

De novo?

O PT está lançando suas propostas para um novo Estado brasileiro, chamado “Plano Lula para o Brasil”. Se a minha memória não me trai, já tivemos esse plano e o Brasil foi roubado e destruído. Melhor não...

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO


CONFINAMENTO


Não devemos estranhar a medida tomada por Donald Trump de proibir a entrada nos EUA de brasileiros e de quem quer que tenha estado no Brasil nos últimos dez dias. Não devemos estranhar porque em breve ela deverá ser seguida por outros governos, especialmente os da América do Sul, que estão alarmados com o avanço da pandemia aqui sem providências eficazes e com descaso da parte do governo federal, cujo Ministério da Saúde não é dirigido por médico e está perdendo pessoal especializado. O confinamento está-se ampliando, até agora somos nós, pessoas, que estamos confinados em casa, logo será o Brasil que ficará confinado nas suas fronteiras. Não é para menos, depois de ler o relato da “reunião dita ministerial” de 22/4/2020, 520 anos depois de Cabral “fundar” o Brasil no mesmo dia, penso que agora o governo está empenhado em “afundá-lo”. Sem falar na linguagem própria de uma pelada de várzea tanto pelos palavrões quanto pelo Português de baixíssimo nível, o que me impressionou é que não vi um assunto realmente sério e importante sendo tratado pelo presidente e pelos ministros, nenhuma referência à pandemia que nos assusta, nada, nada, nada. Só bobagens, Paulo Guedes querendo mostrar sua sapiência adquirida pelo estágio nos EUA e dar uma lição aos demais, dizendo que o Programa Pró-Brasil não poderia ser comparado ao Plano Marshall dos EUA para a Europa devastada pela Segunda Guerra e referindo-se ao Banco do Brasil como “aquela p...”; Ricardo Salles falando para aproveitar o momento e fazer passar “a boiada”; Damares, a que “viu Jesus na goiabeira”, preocupada com o aumento dos abortos. Não é sem razão que o real é a moeda que mais se desvalorizou perante o dólar, o mercado financeiro que nos acompanha vê que estamos indo ladeira abaixo.


Paulo Afonso de Sampaio Amaral drpaulo@uol.com.br

São Paulo


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SISTEMA FEUDAL E BOÇAL


O século 21 torna-se expoente da boçalidade na política brasileira. Temos, portanto, as boçalidades petista e bolsonarista comandando a política do País, resumida nos editoriais do Estadão Auxílio emergencial e clientelismo (25/5, A3) e O Estado paralelo de Bolsonaro (24/5, A3), política esta em formato nada saudável. O autoritarismo e a corrupção endêmica, maximizados neste século, apoiam-se nas enormes máquinas públicas. No País prevalecem “aqueles que são mais iguais que os demais”, ou seja, os funcionários públicos e políticos nos Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – nos níveis federal, estadual e municipal. Tal desigualdade de direitos evidencia-se ainda mais nesta época de pandemia. O fato é que o Brasil ainda vive num sistema feudal, no qual somos todos vassalos destes nossos donos aos quais todos servimos. Lembrando que o ex-presidente Collor e o presidente Bolsonaro prometeram terminar com essa incessante mamata pública, mas nada fizeram. Pergunto: quando e como os entes públicos e privados se igualarão em direitos e deveres? Tais ajustes são necessários para substituir o atual sistema feudal e boçal, e, assim, almejar ao desenvolvimento de uma democracia saudável e eficiente no Brasil – o que requer muita educação e muito trabalho pela frente.


Suely Mandelbaum suely.m@terra.com.br

São Paulo


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‘O ESTADO PARALELO DE BOLSONARO’

     

Verdadeiro alerta à Nação o editorial do Estadão de 24/5, que analisa a ideia fixa central de Bolsonaro: armar sua milícia popular. O capitão presidente vive em mundo paralelo desde sempre. “Cada um em seu quadrado” é real no organograma de quadriláteros deste governo de quadrados. No primeiro quadrado, o quarteto do clã. No segundo, os quatro generais 4 estrelas. No terceiro estão os “ideololavistas”: chanceler Araújo, Abraham Weintraub, Ricardo Salles e Damares. No quadrado da economia, os banqueiros Paulo Guedes, Roberto Campos (Banco Central), Gustavo Montezano (BNDES) e Rubens Novaes, no “porra” do Banco do Brasil. Para a concretização deste governo de círculos quadrados é fundamental uma força armada paralela de camisas pardas fascistas. Os totalitários de direita e de esquerda, em suas alucinações conspiratórias, só podem se eternizar no poder criando um círculo de proteção formado por um exército de fanáticos fiéis armados e equipes de burocratas tão furiosos quanto seu chefe supremo.

                          

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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AMEAÇAS EXPLÍCITAS


A primeira página do Estadão de 23/5/2020 assustou a Nação brasileira, tanto pelo palavreado chulo do presidente Jair Bolsonaro quanto pelo significado intrínseco que se pode dele deduzir. Minha primeira observação é de crítica ao jornal. Embora sejam úteis para entendermos a que nível chegamos, discordo da publicação das palavras de baixo calão pronunciadas, principalmente, pelo presidente da República. Quanto à reunião em si, pergunto: qual teria sido a motivação? Sem pauta, sem secretário para a devida ata, com a participação de dezenas de pessoas – ministros e não ministros –, importante e produtiva é o que não seria. Qual, então, a razão da reunião? Concluo que foram duas as razões. A primeira, um claro aviso ao então ministro Sergio Moro, que já vinha sendo desmoralizado pelo presidente há meses, de que a história de carta branca para exercer suas funções – entre as quais a principal era combater a corrupção – tinha prazo de validade, então vencido. A segunda, o viés autoritário do presidente dirigido a todos os seus subordinados presentes: “aqui quem manda sou eu”, no melhor estilo dos donos da bola das peladas de rua. Para completar, acrescento o preocupante tom bélico que o presidente emprestou à reunião, permitindo antever uma belicosidade fratricida.


Antonio Carlos Gomes da Silva acarlosgs@uol.com.br

São Paulo


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PÉSSIMO EXEMPLO


Fiquei chocado com o conteúdo da reunião ministerial de 22/4/2020. O que se viu serve de péssimo exemplo a todos os brasileiros, especialmente para os mais jovens. Como chefe da Nação, o mais alto mandatário dirige uma reunião falando palavrão, com expressões vulgares, diante de todos os ministros de Estado, todos representando os brasileiros. O presidente precisa dar exemplo de retidão, honestidade, caráter para que toda a família brasileira o siga. Já tivemos um péssimo exemplo de ex-presidente presidiário que agia desta forma e levou o País a esta situação que hoje vivemos. O principal é o pandemônio, mas nada disso foi tratado. Uma vergonha.


Nelson Aoki nt.aoki@gmail.com

São Paulo


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NOVA EXPRESSÃO


Quando houver alguma reunião em que se comece a usar palavras de baixo calão, sugiro que se use uma nova expressão no vernáculo: “Isso está parecendo reunião do ministério!”


Valdemar W. Setzer http://www.ime.usp.br/~vwsetzer

São Paulo


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HISTÓRIA


O vídeo da reunião ministerial de 22/4/2020 vai entrar para a História, por ser o perfeito exemplo de como o presidente Jair Bolsonaro, usando seu vasto conhecimento de técnicas utilizadas em torcidas de futebol, tentou administrar o Brasil.


Luiz Antonio Ribeiro Pinto brasilcat@uol.com.br

Ribeirão Preto


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TRISTEMENTE CONSTRANGEDOR


O vídeo da reunião ministerial de 22/4, mais do que provar a denúncia de Sergio Moro, revelou ao povo brasileiro que não temos um líder, mas sim alguém totalmente alheio e desinteressado pelos graves problemas nacionais que o País enfrenta demandando ações urgentes, efetivas e coordenadas com propostas de soluções claras e objetivas. O que se viu ali foi um presidente fora de si, unicamente voltado para seus problemas pessoais, frustrado porque a letra da lei estava – que absurdo! – sendo seguida à risca por seu ministro da Justiça. Queixumes com xingamentos e ameaças foram a tônica. Sobre a pandemia que está matando milhares de brasileiros, nenhuma só palavra, a não ser pelo ministro Ricardo Salles apontando descaradamente que seria fácil de fazer passar sem ser notada uma “boiada” de regulamentações de interesse do governo – e não do Meio Ambiente –, já que o foco de atenção dos demais mortais estava na doença. Nem importa se o impacto da alegação de Moro foi cinicamente camuflado por Bolsonaro como estando interessado “apenas” na segurança de seus familiares e amigos. O que deixou cristalino para pessoas decentes é que temos no Executivo uma caricatura de presidente, para quem o povo brasileiro pouco importa; um descontrolado, um irresponsável querendo armar a população para que irmãos brasileiros se matem por ele. E, para agravar, ladeado por generais que juram defender a Constituição, lá calados e de cabeça baixa diante de tudo isso. Que barbaridade! Que vergonha! Que tristeza!


Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas


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INTERFERÊNCIA GENERALIZADA


O presidente Jair Bolsonaro confessou, na reunião ministerial de 22 de abril, que vai mesmo interferir em todos os ministérios que não “leiam da sua cartilha”. Ora, já está interferindo no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – crime de advocacia administrativa –, na direção da Polícia Federal – para defender filhos e amigos –, no Ministério da Defesa – com portaria fraudada sobre as munições –, no Ministério da Saúde – pela prática irregular da medicina –, entre outras. Mesmo assim, Bolsonaro diz que não há interferência generalizada, contrariando toda a mídia internacional, bem como seus investidores!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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REACIONÁRIO E PATÉTICO


Se a manifestação do general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em reação à possível determinação da entrega do celular do presidente Jair Bolsonaro à Justiça, foi desnecessária e deplorável, mais lamentável ainda foi o documento assinado por 90 oficiais da reserva, em solidariedade ao ministro, de teor francamente autoritário e antidemocrático, em que não faltaram observações autocráticas com agressões frontais à imprensa e, particularmente, a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), culminando com o ameaçador e patético final “trazem (STF) ao País insegurança e instabilidade, com grave risco de crise institucional, com desfecho imprevisível, quiçá, na pior hipótese, guerra civil” (!).  Não há dúvida alguma de que os oficiais da ativa não compartilham destas ideias fortemente reacionárias e farão de tudo, como sempre fizeram desde o fim da ditadura, para manter o bom nome das Forças Armadas na sociedade.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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GUERRA CIVIL


Do tédio da bocha e do bilhar, da senectude respeitável que atormentou Cícero e Bobbio, da vida sempre vidinha, em que nem sequer liam os jornais, despertam repentinamente os militares da reserva para defender uma governança composta por seres infranormais, logo falando, quando proliferam os cemitérios sob a lua cavados pelo vírus, em guerra civil. Nossa plena solidariedade ao também companheiro de academia, ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, cuja cultura e erudição jurídica foram lançadas a um terreno lodoso, por quem não domina as mais elementares noções de ciência jurídica. Lamentável a carta dos colegas de turma do ministro Heleno.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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MILITARES BOLSONARISTAS


Parabéns ao jornalista Marcelo Godoy pelo artigo Militares bolsonaristas espalham mensagens golpistas e ameaças ao Supremo (Estado, 25/5). Faltou acrescentar que Bolsonaro, que tanto critica a ditadura venezuelana, tenta copiá-la literalmente no Brasil, mas para a si, com apoio de amigos militares e milicianos. Por aquela nota ameaçadora do general Augusto Heleno, jamais Congresso e STF deveriam se acomodar, mas sim reagir institucionalmente com a força da lei. Para terminar, caso Bolsonaro perca as próximas eleições presidenciais, caso não se consiga a sua derrocada até lá, certamente alegará fraude das urnas eletrônicas, como já alegou, convocando seus séquitos para que impeçam a passagem de poder. Quem sobreviver à “gripezinha” verá...


José Eduardo Zambon Elias zambonelias@hotmail.com

Marília


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NÃO CONFUNDIR


Ninguém deve confundir os militares amigos do presidente com “os militares” ou com “as Forças Armadas”. Aliás, penso que a maioria dos militares das três armas ficará aliviada com o impeachment de um “representante” tão incômodo. 


Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

São Paulo


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CAMINHANDO PARA SER MAIS UM


Quando o sol acabou dissipando as nuvens de um governo sob o manto austero de um juiz anticorrupção, este governo que se diz patriota passou a demonstrar a outra face, ou a verdadeira face, de um gênio bruto e feroz do mal ao expectorar sua cólera ao lado da leviandade de suas babás fardadas, prontos a reeditar a República da Espada. Nunca há de ser nada pateta, para o capitão deputado do baixo clero, representando somente seus filhos e seus agregados familiares à custa do povo carioca. Com seu estilo autoritário de um caudilhete e jocoso da má morte de 22.666 (23/5) brasileiros, tomando o tempo e moendo a paciência dos jornalistas e do povo deste país. Esse antipatriota entreguista está caminhando para ser mais um ex-presidente deposto, para viver eternamente em isolamento social.


Moacyr Forte moforte@globomail.com

São Paulo


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O IMPERADOR E A JUSTIÇA


Nas lendas alemãs, há uma passagem em especial que envolve o imperador prussiano Frederico II, o grande (1712-1786), presente na obra O moleiro de Sans-Souci, de François Andrieux. Diz o conto que o imperador desejava construir um palácio para si num território em que se encontrava um moinho. O monarca ofereceu-se para comprar a construção, mas o seu proprietário recusou-se a vender, vez que aquelas eram terras de sua família havia anos. O imperador propôs nova oferta, novamente recusada. Exasperado, Frederico ameaçou tomar a propriedade, mas o humilde moleiro o advertiu, atentando para o fato de que havia juízes em Berlim. A figura da Justiça, para o moleiro, talvez fosse personificada pelos juízes, que a guardam e garantem-na, estando a Justiça acima até mesmo do imperador. Num Estado Democrático de Direito, tal qual o Brasil, todos estão sujeitos à lei e à Justiça, sem exceção, até mesmo o presidente da República, por mais que desgoste deste fato.


Leonardo Belotti lbelotti52@gmail.com

Arceburgo (MG)


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BOLSONARO SABE O QUE FAZ


É terrível ter de admitir, mas o presidente Bolsonaro sabe onde pisa. Sabe que o brasileiro não está nem aí para suas atitudes grosseiras, até porque boa parte é como ele e se sente representada. Sabe que os presidentes da Câmara e do Senado estão interessados apenas em manter-se nos cargos privilegiados, jogando para a plateia, mas submissos ao Executivo na maior parte do tempo. São pessoas covardes, como têm escrito sem contestação vários jornalistas. Sabe que o Judiciário é, acima de tudo, burocrático e assustadoramente lento. Só esboça reação ao que infere ser ameaça à corporação, no mais das vezes. Nessas condições, o presidente tem a segurança necessária para afrontar, ofender, mentir, tripudiar, negar, com a certeza de que continuará firme no cargo sem que nada possam fazer os que o criticam sem atitudes mais efetivas.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo


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OUTRA VEZ?


Desanima ver a oposição mostrar tibieza em agir contra a continuidade da atual presidência, repetindo o que ocorreu em 2005, por ocasião do julgamento do mensalão. Naquela ocasião, liderados por FHC, a oposição decidiu “deixar Lula de lado, pois com o escândalo ele não iria se reeleger”. Poupado, Lula não foi citado no processo, associou-se ao Centrão, fez maioria no Congresso e foi reeleito em 2006, com todas as consequências que conhecemos, entre as quais o petrolão. Não tendo aprendido naquela ocasião, a oposição agora vacila novamente, achando que o presidente Bolsonaro se enfraquecerá com o que vem sendo divulgado. Enquanto isso, com o campo aberto à sua frente, o presidente chama o Centrão e com ele acelera suas passadas para assumir controle da Nação para “ele, sua família e seus amigos”.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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POVOS


O ministro da Educação, sr. Abraham Weintraub, disse na reunião de 22 de abril que odeia chamarem indígenas de povos. Povos normalmente estão associados a territórios. A Rússia é composta por uma série de povos. Alguns administram territórios a eles dedicados com independência relativa. Outros, não. Stálin realocou povos, mudando-os de território por lhe fazerem oposição. Judeus costumam ser chamados de povo, embora façam parte da raça semita. O sr. Weintraub concordaria com essa denominação? Curdos são comumente chamados de maior povo sem território próprio. Qual seria a classificação que o sr. Weintraub lhe daria? O que é povo para ele?


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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CAIXA


Dos auxiliares de Bolsonaro, o que melhor se saiu nesta pandemia foi Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal! Grande competência!


Eugênio José Alati eugenioalati13@gmail.com

Campinas


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PERDIDOS NA CRISE


Como o presidente Bolsonaro continua fazendo o que acha melhor, seja nas saídas sem máscara ou nos argumentos contra o que não gosta, acredito ser urgente a criação de gabinetes de crise pela população em seus Estados, cidades, bairros, igrejas, farmácias, supermercados ou lugares abertos, para definir caminhos que o Brasil deva adotar. Estamos indo e voltando, com feriados antecipados, sem sair do lugar, vendo mais brasileiros morrendo de covid-19 ou de preocupação.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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FERIADO E OS BANCOS


O feriado estadual antecipado pelo governo do Estado deu no seguinte: as firmas fecharam, como a nossa, e para os bancos foi um dia normal. Perguntando sobre as contas vencendo aos bancos, a resposta foi: para os bancos não é feriado, portanto os vencimentos de hoje (segunda-feira) deverão ser mantidos, para não incidirem multa e juros. Governador Doria, parabéns pela traquinagem. Banco trabalha em feriado estadual, e se você não paga, é juro e multa. É muita baixaria em todos os níveis.


Harry Rentel harry@florarome.com.br

Vinhedo


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SEM GUERRA


Como leitor assíduo do Estadão, gostaria de fazer uma observação que não vi ser comentada: acabaram os conflitos armados neste período de pandemia. Esse é um fenômeno único que eu nunca havia presenciado. Antes, todos os dias, tínhamos notícias de mortes por conflitos. Por que será que pararam? As guerras infelizmente sempre fizeram parte da história da humanidade. O homem sempre quis dominar o outro pela força. Acredito que é o perigo iminente de morte de qualquer um pela pandemia que leva as pessoas a reverem as suas atividades, inclusive os conflitos armados, pois neste caso as pessoas não acreditam que vão morrer. Acham que só os inimigos morrerão, mas numa pandemia todos estão ameaçados. A disseminação da bomba atômica entre alguns países também levou a uma certa paz entre eles, pela certeza da morte de todos em caso do uso desta arma. Muitas coisas estamos aprendendo com esta pandemia, desde novas formas de trabalhar, de se locomover, de se ajudar. Será que poderemos também aprender a viver sem guerra?


Martinho Isnard Ribeiro de Almeida martinho@usp.br

São Paulo

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