Fórum dos leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos leitores, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

O Brasil hoje

É lastimável perceber que o nosso Brasil de hoje se resume à família Bolsonaro, à covid-19, ao cercadinho do Palácio do Planalto, a péssimos políticos e a instituições públicas caindo em descrédito. Em 520 anos de História do Brasil, creio que nunca o povo esteve tão à margem, tão desamparado como agora. Dia a dia somos bombardeados com notícias de mais mortes pela covid-19, de mais e mais pitis do presidente, de políticos se esquivando ainda mais de suas funções e de instituições públicas se digladiando. E o povo, atônito, assiste a tudo passivamente – muitos até sem ao menos conseguirem sepultar seus entes queridos. O único aliado do povo, a meu ver, é a imprensa. Mas é um aliado que, por seu papel na sociedade, vem sofrendo ataques tanto do Executivo federal como de seus seguidores. Como alimentar a esperança de que este país ainda possa dar certo, se a cada dia fica mais evidente que o presidente é incapaz de governar para todos, tem vocação autoritária, não é um líder e faz duras ameaças à democracia? E se a cada pronunciamento diário ele semeia intranquilidade, discórdia, insegurança, desinformação? Como ter esperança?

SÉRGIO ALVES

SERGIOACESAR@HOTMAIL.COM

RECIFE


De esperança

“Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança.” Essa verdadeira joia do pensamento de Hannah Arendt, uma das principais pensadoras da filosofia política do século 20, publicada pelo Estado em 29/05 (Bem pensado), parece ter sido elaborada especificamente para os dias de agora vividos em nosso país.

RENATO OTTO ORTLEPP

RENATOTTO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO


No mato sem cachorro

Aprendemos que a democracia, apesar das suas imperfeições, é o melhor sistema político. O maior defeito da nossa é nos oferecer os piores candidatos para escolhermos nas urnas quem nos vai governar. Basta ver o quadro que se nos apresenta, liderado por um indivíduo tresloucado, incapaz de falar coisa com coisa e de exercer a liderança. E o pior é que não enxergamos um único político brasileiro com capacidade de nos unir e conduzir à retomada do desenvolvimento após esta extraordinária crise mundial.

ANTONIO J. L. APRILANTI

ARQ.APRILANTI@GMAIL.COM

PIRACICABA


Não nos representa

Parte do povo “desarmado” de cidadania, indignado, desempregado e iludido, foi atrás do, literalmente, falso messias. Antitrabalhador na sua atuação política, vem sendo custeado pelo dinheiro público há quase 30 anos. Na Presidência, no interesse de quem ele afunda o Brasil? Até agora sua agenda é agradar aos perversos iguais a ele, deturpar leis, causar caos político, falência de negócios, prejudicar a imagem e as exportações do Brasil, acobertar milícias, desprezar os milhões sem emprego e os milhares de mortos pela covid-19.

JOÃO BOSCO EGAS CARLUCHO

BOSCOCARLUCHO@GMAIL.COM

GARIBALDI (RS)


E o mercado?

Chama-me muito a atenção neste momento o silêncio dos empresários diante dos ataques constantes do presidente à democracia, à saúde pública, aos direitos humanos e às instituições da República. O chamado “mercado”, que de forma maciça apoiou Bolsonaro em 2018, sob as bandeiras do combate à corrupção, do saneamento das contas públicas, da implementação de reformas estruturais, da retomada do desenvolvimento econômico, etc., agora assiste passivamente ao seu escolhido detonar todos os pilares da sociedade, da economia e do Estado Democrático de Direito. É chegada a hora de os empresários também tomarem posição e revelarem à sociedade brasileira de que lado estão.

JOÃO ROBERTO SALAZAR JUNIOR

JOAO@LSGADVOGADOS.COM.BR

SÃO PAULO


Chance perdida

Empolgado com a quantidade de votos recebidos numa eleição favorecida pelas circunstâncias e preocupado com a ambicionada reeleição, o presidente desgasta-se a combater moinhos de vento e possíveis oponentes, perdendo a oportunidade de demonstrar espírito de liderança e competência, esse o caminho mais viável para a realização do seu desejo.

MARIA ANGELA DIAS COELHO

ANGELA.MANDICO@GMAIL.COM

SÃO PAULO


Disfuncionalidade

O disfuncional governo Bolsonaro inaugurou uma nova categoria de ministro de Estado, o antiministro. Vejamos: para o Meio Ambiente nomeou um que, em pleno desespero da pandemia, quer aumentar a destruição de reservas florestais, das florestas e dos biomas. Para a pasta da Educação, um deseducado, com amplo conhecimento de palavrões e desconhecimento total do vernáculo, como provado publicamente. Na Saúde colocou um que impõe protocolo de uso de uma medicação, a cloroquina, para a covid-19 que aumenta a mortalidade dos doentes. No Gabinete de Segurança Institucional, um antiministro que causa insegurança institucional ao ameaçar, em nota oficial, as instituições democráticas do País. E, finalmente, para as Relações Exteriores, um cada vez mais isolado e interiorizado, já que só se relaciona no exterior com poucos governos de direita e de tendências autocráticas. Tal aberração só podia partir mesmo de um antipresidente. Maktub!

JOSÉ EDUARDO ZAMBON ELIAS

ZAMBONELIAS@HOTMAIL.COM

MARÍLIA


Holocausto

Parabéns pelo magnífico artigo A exploração política do Holocausto, de Marcos Guterman (30/5, A2), uma esplêndida lição de moral, “educando” o ministro da Educação, que deveria aprofundar-se um pouco mais nas lições de História Universal. Ótima, também, a comparação com os infelizes comentários do energúmeno de Garanhuns, em toda a sua imbecilidade!

LEJBUS CZERESNIA

RUTILEON@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


NO PALÁCIO TRESLOUCADO

As reações dos membros do governo federal, a começar pelo presidente da República, tanto os do Palácio do Planalto quanto os do Legislativo, além de outros, pelas redes sociais, foram por demais destemperadas e insultuosas diante de uma operação normal da Polícia Federal (PF) no inquérito que apura a origem e o financiamento das chamadas fake news, realizada na quarta-feira passada, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do respectivo processo no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente reclamou da PF alegando que ordens absurdas não se cumprem. Na quinta-feira, voltou ao assunto: “Acabou, porra! Me desculpem o desabafo. Acabou! Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomando de forma quase que pessoal certas ações”. “Repito, não teremos outro dia igual ontem (quarta-feira). Chega! Chegamos no limite. Estou com as armas da democracia na mão. Eu honro os meus compromissos no juramento que fiz quando assumi a Presidência da República”. Ninguém pôde deixar de notar o tom de ameaça do presidente. O ministro da Educação, por sua vez, se superou ao comparar aquela operação da PF com a Noite dos Cristais, referindo-se ao massacre dos judeus pelos nazistas em 1938, que foi abominável. A Embaixada de Israel protestou. Enquanto isso, o deputado presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, que é filho do presidente da República, também criticou o STF ameaçando a democracia ao afirmar que “não se discute mais se haverá uma ruptura do regime, mas sim quando” – e ao fundo se via um quadro com a palavra Taiwan, a ilha que sofre pressão da China, que pretende reaver seu antigo território. Tal descuido do deputado não passará despercebido pela embaixada chinesa, nosso maior parceiro comercial. O presidente Bolsonaro também contribuiu para essa situação anormal ao criar um gabinete ao lado do seu, constituído por elementos que apoiam o seu governo e comandado por um dos seus filhos, suspeito também de produzir falsas notícias. Criou-se, assim, um clima desnecessário, antidemocrático, inclusive e, principalmente, para a saúde da população brasileira. Afinal de contas, estamos em plena pandemia, ainda na curva ascendente, com mais de mil falecimentos por dia, mas este assunto nem aparece mais nas discussões em Brasília. É evidente que nenhum empresário vai querer investir no Brasil no longo prazo, diante deste quadro.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

‘ORDENS ABSURDAS’

Ninguém enfrenta Bolsonaro? Ninguém responde à altura? Ordem absurda para quem? Ou ele dá um golpe logo ou tem de se submeter à Constituição que jurou defender.

Cássio Mascarenhas de R. Camargos cassiocam@terra.com.br

São Paulo

CÓLERA PRESIDENCIAL

Irado e destemperado, o “mito” Bolsonaro defendeu, enfático, de maneira original, a liberdade de expressão. Quinta-feira, dia 28, nas habituais e grosseiras declarações na entrada do Palácio da Alvorada. Por duas vezes, porém, mandou o repórter calar a boca. “Sem perguntas. Se não gostou, pode ir embora.” Ameaçou o STF. Berrando e colérico, condenou a operação da Polícia Federal que investiga notícias falsas: “Acabou, porra!”.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

RESPOSTA DEMOCRÁTICA FEROZ

O terrorismo verbal do presidente Bolsonaro e de seus filhos não é nenhuma novidade. Desde o célebre “para fechar o STF basta um cabo e um soldado” até o mais recente “acabou, p...”, a família Bolsonaro notabilizou-se por ameaçar a democracia com arroubos golpistas. Entretanto, desde o início do governo, há um ano e meio, nunca houve ameaça real à estrutura democrática. Ao contrário, os Bolsonaro parecem não ter percebido ainda que a cada investida desta natureza a resposta democrática do Congresso, da Suprema Corte, da imprensa e da opinião pública é intensa e feroz. Os Bolsonaro não assustam ninguém. Eles é que se arrepiam de medo da democracia.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

NA LINGUAGEM DO ‘MITO’

Para que Bolsonaro entenda que nossa paciência com suas crises se esgotou e que ou ele passa a governar direito ou pede a renúncia e deixa Mourão arrumar o País, usarei a linguagem dele – com a devida vênia a este nobre jornal e seus ilustres leitores: “Presidente, já deu! Acabou, porra!”.

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

PERIGO À FRENTE

Parabéns ao jornalista Fernando Gabeira pela lucidez de seu texto Algumas notas para resistir (Estadão, 29/5). Jair Bolsonaro foi eleito para continuar o combate à corrupção e fazer as reformas urgentes necessárias para o Brasil, não para atentar contra a liberdade e a democracia no País.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

ANTES QUE SEJA TARDE

Após a saída do ministro Sergio Moro do governo, quando relatou o que havia ocorrido na reunião ministerial de 22/4, e ter sido divulgada o vídeo confirmando o relatado, o presidente Jair Bolsonaro começou a demonstrar claramente e com mais veemência o que pretende e como reage quando “suas vontades” não são feitas. É preciso dar um basta nisso. Tanto os editoriais dos últimos dias do Estadão como o que escreveu no Espaço Aberto de 27/5 José Nêumanne e, no dia 28/5, Fernando Gabeira relatam que, se continuarmos a acatar estes desmandos, é necessário detê-lo, é preciso exigir que o Senado, a Câmara dos Deputados e a Suprema Corte se manifestem claramente mostrando que este caminho sugerido ou mencionado pelo presidente não será seguido. Se não for assim, poderá ser tarde.

Heitor Portugal Procopio de Araujo heitor.portugal@uol.com.br

São Paulo

FERNANDO GABEIRA E A FRENTE DEMOCRÁTICA

Assim como o mundo, para combater o coronavírus e outros inimigos da profundeza orgânica invisível, que poderão voltar a lançar às cordas o homo sapiens, necessita de cooperação geral e solidariedade, sem fronteiras, a resistência dos cidadãos lúcidos do Brasil a uma até há pouco inimaginável ameaça ao regime democrático reclama uma “frente democrática ampla, madura, sem conflito de egos”, expressão da experiência superior de Fernando Gabeira, em O Estado de 29 de maio. O então jovem audaz e radical hoje é o que melhor reflete sobre nossa política, na busca de uma saída, sem vítimas, sem sangue, pois o Brasil não é uma Síria e tampouco um país beligerante, interna ou externamente.

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

AUTORITARISMO X DEMOCRACIA

Dizem que o diabo não é sabido porque é diabo, é sabido porque é velho. No meu caso, apenas velho. A imprensa e muito da intelectualidade não contaminada pelo vírus da ideologia se põem ao lado do Supremo Tribunal Federal (STF) na suposta briga que trava com o governo. Suposta, porque as brigas são pessoais, não institucionais. Estão certos a mídia e os não militantes, como estão certos os que votaram em Bolsonaro para barrar o PT. Não se está apoiando o STF unanimemente, mas posicionando-se ao lado da democracia, pensam. Será? Percebam, os poucos que me leem, que se tirarmos os antolhos, temos sim de conter o presidente, mas e o STF? Na semana que passou Edson Fachin mandou uma decisão para o plenário. E também se noticiou que uma turma do STJ liberou os irmãos Batista para voltarem a atuar na JBS. Por que razão, meu Deus, os ministros do Supremo não atuam em colegiado, mas sim como juízes de primeira entrância? A briga, caros e respeitáveis jornalistas, não é autoritarismo versus democracia. A briga é democracia versus monocracia. Jornalistas devem meditar sobre isso e deixar de fora as Forças Armadas com suas espadas embainhadas. Conter capitães e sargentos, se forem contaminados, será um problema maior do que vivemos hoje. Lembrem-se do caso capitão Bolsonaro! O povo judeu é um povo guerreiro em defesa do seu pequeno território e sua civilização única. Em The longest war (Jacobo Timerman), a desolada mãe de um soldado morto em combate escreveu: “(...) temos que ter certeza que nossa espada se conserva limpa e só será desembahiada  em nossa defesa”. Que assim seja.

Roberto Maciel rovisa681@gmail.com

Salvador

PRESIDENCIALISMO

Se não tivéssemos o sistema presidencialista de governo, hoje o senhor Jair Bolsonaro seria apenas ele mesmo, uma pessoa sem nenhuma importância.

Euclides Rossignoli clidesrossi@gmail.com

Ourinhos

QUEM TEM MEDO

Onde está a ameaça à democracia? Em meus 73 anos de idade, nunca vivenciei um período de tanta liberdade de expressão, de uma imprensa livre, de tantas opiniões divergentes, de tantos militares, embora não na ativa, participando do atual governo e sendo enfáticos em defendê-la, assim como os militares que estão de plantão nos quartéis. É tão inusitado este momento, em que a sociedade convive com a tecnologia que permite que fatos e notícias se propaguem como o vírus que nos assola, a ponto de criar uma imunidade de rebanho no consciente coletivo contra notícias falsas ou inverdades fabricadas, que há quem pense e se amedronta com uma fatalidade que não virá, a derrocada da democracia. Penso que é porque há um medo, este consciente, na mente daqueles que provêm de práticas não republicanas nos escaninhos da política, de que as mudanças estruturais que se avizinhavam e se avizinham, se não forem interrompidas, poderão atingi-los. E o tempo é agora, andam verborragindo aos quatro ventos os arautos que temem uma guerra que os colocará de joelhos diante do povo. E salve a democracia e o Estado de Direito, a bem deste mesmo povo, a despeito da liberdade de imprensa e de expressão.

Carlos Leonel Imenes leonelzucaimenes@gmail.com

Nazaré Paulista

FESTIVAL DE ABSURDOS

É difícil de acreditar no que está acontecendo neste país. Quando eu cursava Psicologia, tive a oportunidade de fazer um pequeno estágio no Hospital do Juqueri (hospital para “alienados”). Conheci até um Napoleão Bonaparte entre os residentes. Ouvi muitos  absurdos. Os que tiveram essa experiência sabem o que se pode encontrar neste tipo de ambiente. Pensei que já tivesse visto e ouvido tudo. Enganei-me. A menção feita por um ministro da República, de modo leviano, a um dos episódios mais trágicos e canalhas da História – que marcou o início “oficial” do extermínio de mais de 6 milhões de seres humanos na Alemanha nazista e já deveria ter sido esquecido, pois envergonha a espécie humana –, comparando-o com as buscas da nossa Polícia Federal, autorizadas pela Justiça, foi injustificada, para dizer o mínimo. Lamentavelmente, nos últimos dias, temos assistido a um verdadeiro festival de absurdos ditos por pessoas que deveriam estar se preocupando em resolver os graves problemas nacionais, numa hora em que enfrentamos uma das mais graves pandemias dos últimos cem anos. Pobre Brasil! Boa noite, boa sorte. Vamos precisar.

Roberto de Almeida robmeida22@gmail.com

São Paulo

PRIORIDADES

Enquanto as autoridades de nosso país discutem fake news, uso da cloroquina, limites dos poderes, intervenção militar, declarações do ministro da Justiça, declarações do ministro da Educação, armar a população, interferência na Polícia Federal, pedidos de impeachment e outros assuntos não vitais, a população continua ignorando o distanciamento social, desrespeitando o uso de máscaras de proteção e outros assuntos vitais, e o coronavírus continua correndo livre e solto.

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

DINHEIRO PÚBLICO DESVIADO NA PANDEMIA

Notícias estão pipocando sobre o roubo de verbas recebidas do governo federal em nome da pandemia, fingindo salvar vidas da covid-19. Gostaram de poder comprar sem licitação, o que significa não dar satisfação dos gastos. Onde estão o Ministério Público, os Tribunais de Contas estaduais e dos municípios, que não tomam providências? Pelo que se vê, os hospitais não são de campanha, e sim da campanha. E, se um dia chegarem a alguma investigação, os responsáveis pelos gastos já estarão longe. Governador de São Paulo e prefeito, por exemplo, não se cansam de dizer que vão testar as pessoas. Mas é uma grande mentira, basta perguntar às pessoas que trabalham na Saúde ou outras que estão com sintomas. O problema é que as pessoas têm medo de se expor e as autoridades desmentem na cara dura. Até quando vão continuar explorando e mentindo para a população? A imprensa não se interessa em ir atrás desses abusos? Saibam  que esta gente ainda teme uma tela e um microfone.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

DECLARAÇÃO INFELIZ

“No dia 17 de março, quando o País sentia os primeiros impactos do novo coronavírus, a superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, teria dito a integrantes do Ministério da Saúde, segundo relatos, que a concentração da doença principalmente em idosos poderia ser positiva para melhorar o desempenho econômico do Brasil ao reduzir o rombo nas contas da Previdência” (Estadão, 28/5). Li e reli várias vezes, pois não estava acreditando no que lia. Como pode uma energúmena dizer tal coisa?!

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

JOÃO PEDRO

A morte no Rio de Janeiro do jovem João Pedro, de apenas 14 anos, numa ação policial – que tudo indica desastrosa –, joga luzes sobre questões difíceis e pouco debatidas no País. Mais uma vez a morte foi classificada pelas forças de segurança do Rio como um trágico e fatídico episódio. Não fosse isso, o episódio representa como jovens negros, da periferia e de baixa renda são tratados pelos aparatos repressivos da segurança estatal. É verdade que o seletivíssimo do sistema (sobretudo criminal) não é exclusividade do Brasil, mesmo porque recentemente correu pelo mundo a chocante imagem de um policial norte-americano branco sufocando até a morte um suposto criminoso negro. Dentre tantas reformas que o Brasil precisa, sem dúvidas, uma das mais importantes (e urgente) é a do Sistema de Justiça, hoje seletivo e desigual, que mais produz injustiças generalizada do que justiça equânime. Não é possível naturalizar ou minimizar a concreta gravidade do seletivíssimo no sistema penal. Resta às famílias o consolo pela perca do ente querido, e a nós uma indagação válida: a quem interessa este sistema de Justiça?

Renato Mendes do Nascimento renato.mg@outlook.com.br

Santo André

MINNEAPOLIS EM CHAMAS

Um homem negro algemado no chão morre asfixiado com uma joelhada de um policial, sob o olhar complacente de outros três, sem oferecer qualquer resistência como mostram os vídeos da prisão. Os quatro são demitidos pelo departamento de polícia local, mas seguem em liberdade. O FBI precisa de tempo para analisar os fatos, antes de tomar qualquer decisão, porque a lei estadual permite o uso do joelho para imobilizar suspeitos, mesmo que estejam desarmados. Protestos, bombas de gás lacrimogênio, incêndios e uma cidade completamente destruída. Um repórter negro da CNN preso e algemado ao vivo, diante da câmera. Um presidente defendendo atirar para matar os manifestantes nas ruas, em meio aos saques e vandalismos. Voltamos ao passado, agora as imagens são coloridas e do ano de 2020, não são mais em preto e branco como na década de 1960.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

TEMPOS SOMBRIOS

Nesta quadra aguda e distópica da história da humanidade, quando o País atravessa uma gravíssima crise de proporções inimagináveis, tendo de enfrentar ao mesmo tempo uma pandemia tríplice – sanitária, econômica e política –, sob o desgoverno reacionário, belicoso e antirrepublicano de Jair Bolsonaro, cabe, por oportuno, citar Hannah Arendt: “Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança”.

J. S. Decol decoljs@globo.com

São Paulo

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