Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2020 | 01h55

Desgoverno Bolsonaro

Grave crise política

O presidencialismo de coalizão fracassa recorrentemente no Brasil, em especial quando há aguda polarização política, em forte contexto internacional. Após a Revolução de 1930 houve três crises políticas: Revolução de 1932, Intentona Comunista de 1935 e golpe do Estado Novo em 1937. Confronto de comunistas/antifascistas e integralistas/fascistas contribuiu para o precoce fim do experimento democrático. Após a Constituição de 1946, mais três crises políticas: suicídio de Getúlio Vargas (1954), renúncia de Jânio Quadros (1961) e golpe de Estado (1964). O contexto de guerra fria contribuiu para a interrupção do regime democrático. Com a atual Constituição, de 1988, após dois impeachments (1992 e 2016) o País passa por sua terceira e mais grave crise política, em meio a nova guerra fria. O principal defeito do nosso sistema de governo é transformar-se no presidencialismo de polarização, quando grupos antagônicos impedem o funcionamento do sistema político e não há maioria para garantir a governabilidade ou aprovar reformas. A batalha da Avenida Paulista, no último domingo de maio, mostra novamente a inviabilidade de manter o presidencialismo. Como nos relembram a História e os trágicos eventos da batalha da Praça da Sé em 1934.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Ruptura democrática

Partiu de Eduardo Bolsonaro o recado pensado sobre o momento de ruptura do regime democrático: “A questão não é de se, mas sim de quando isso vai ocorrer”. Ninguém se engane, esse recado em particular, como fez questão de frisar o 03, podemos e devemos entender como um recado velado do governo Bolsonaro. É um irreparável erro acreditar que Jair Bolsonaro é só um desqualificado, despreparado e incompetente presidente passageiro. Ele pode ser tudo isso, mas tem uma estratégia articulada e pensada, cada vez mais evidente em suas ações. A base dessa estratégia é criar situações conflitantes para provocar as instituições e tumultuar a população, para que, revoltada e cada vez mais inflamada, como planejado, comece a tocar fogo no País. Assim ele militariza o Planalto e pensa convencer os ainda não convencidos de que as Forças Armadas devem cumprir seu papel de garantia da lei e da ordem, previsto na Constituição, e então estabilizar o País que ele desestabilizou. E tome de fake news, ataques ao Judiciário e ao Legislativo, ofensas à imprensa, afrontas à ciência médica, apoio a manifestações com direto clamor pela ditadura. Não à toa, isso culminou com um passeio a cavalo em mais uma manifestação antidemocrática em frente ao Palácio do Planalto, no melhor estilo 1964. Em algum momento o quando se transformará em agora.

ABEL PIRES RODRIGUES

ABEL@KNN.COM.BR

RIO DE JANEIRO

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Soçobrando

Diante de mais de 500 mil vítimas do coronavírus e da crise política que o Brasil atravessa, rogamos que nosso barco mude de comandante, pois a seguir como está o naufrágio é certo.

VIRGÍLIO MELHADO PASSONI

MMPASSONI@GMAIL.COM

JANDAIA DO SUL

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Rumo ao abismo

É inaceitável que o presidente use helicóptero que não lhe pertence, mas ao Estado, usando, pois, dinheiro público, para demonstrar a seus fanáticos seguidores que não só apoia as manifestações de pautas antidemocráticas, como se regozija com elas. Como criança mimada com caro brinquedo, lembrou-me o déspota Kim Jong-un, da Coreia do Norte. O que faz Bolsonaro no poder se, além de conspirar e reagir a fantasias de perseguição, é incapaz de governar? Mas o que mais espanta e entristece é ver gente das Forças Armadas envolvida nessa pantomima, fazendo extinguir a confiança e admiração que elas vinham conquistando ao longo dos últimos anos. Até quando o País conseguirá suportar uma situação dessas, e em plena pandemia, ainda por cima agravada pelo desprezo por vidas humanas demonstrado ad nauseam pelos sucessivos “e daí?” desse presidente, que expressam toda a irresponsabilidade com que lida com essa inominável tragédia? Por Deus! É preciso pôr fim a essa loucura que está levando o País em direção ao abismo. Isso não pode, não deve continuar, pelo bem do Brasil e de seu tão sofrido povo.

ELIANA FRANÇA LEME

EFLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Mutismo

Por que as Forças Armadas se calam diante das atitudes antidemocráticas e sem limites desse ser que foi eleito presidente da República e hoje não representa a maioria dos brasileiros?

CECILIA CENTURION

CECILIACENTURION.G@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Napoleão de anedota

Ao ver o presidente da República descer de helicóptero e, montado num cavalo negro, saudar seus seguidores, lembrei-me do genial Charles Chaplin personificando um tiranete de opereta, em O Grande Ditador, brincando com um globo terrestre. Nessa cena icônica, Chaplin foi engraçado e irônico. Bolsonaro foi apenas ridículo ao personificar um Napoleão de anedota.

CESAR ARAUJO

CESAR.40.ARAUJO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Quixotismo

Seriam os moinhos o STF? Faltou um dos filhos de escudeiro, como Sancho Pança.

ROBERT HALLER

ROBELISA1@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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‘Fake news’

Neutralidade da rede

Querer responsabilizar as redes pelo conteúdo nelas postado equivale a processar o fabricante do papel pelas ideias impressas nos jornais. Como bem disse o editorial A neutralidade da rede em perigo (1.º/6, A3), a saída é a clara identificação da origem das mensagem, com a responsabilização dos autores, mesmo quando baseados em outros países. Missão hercúlea.

ALEXANDRE MARTINI NETO

AMARTINI906@GMAIL.COM

RIO CLARO


TORCIDAS DEMOCRÁTICAS?

manifestação pró-democracia protagonizada pelas torcidas organizadas de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, no domingo (31/5), na Avenida Paulista, deve ser analisada com o devido distanciamento. Essas torcidas foram responsáveis, em anos passados, por verdadeiros confrontos de guerra entre elas próprias, dentro e fora dos estádios, que resultaram em diversas depredações de patrimônio público e privado e ferimentos graves e até mortes de torcedores. Nada que lembre, portanto, o respeito mútuo demonstrado nesta manifestação em torno de um objetivo comum: a democracia. Que pessoas e torcidas possam mudar e amadurecer com o tempo, é possível, assim como é possível que este evento tenha sido o aceno para um eventual retorno à convivência pacífica e democrática entre elas no futuro. Mas será preciso conferir.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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ORGANIZAÇÕES PARAMILITARES


Manifestação a favor da “democracia” e contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, na Avenida Paulista no domingo, teve participação de integrantes de torcidas organizadas do Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos, não por coincidência daquelas tidas como mais violentas do País. Ao contrário do que tem ocorrido nos últimos tempos em eventos semelhantes na capital paulista, desta vez houve depredação de bens públicos e particulares e agressões a policiais militares que faziam a segurança do local. É imprescindível que sejam identificados os organizadores e financiadores desses bandos criminosos, para que sejam punidos no rigor da lei. Na atual conjuntura política é real o risco de que sejam criadas organizações paramilitares ligadas a partidos políticos e a facções do crime organizado visando a tomar o poder, a exemplo do que aconteceu na história recente da Venezuela.


Sergio Ridel  sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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TORCIDAS CONTRA BOLSONARO


Com efeito, nunca antes na história do futebol brasileiro torcidas organizadas de vários clubes deixaram de lado sua ancestral e feroz rivalidade para se unirem num ato pró-democracia País afora contra o projeto autoritário-fascista-ditatorial do presidente Bolsonaro. Um golaço de craque.


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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BADERNA NA AVENIDA PAULISTA


Mais uma vez depredações e desrespeito total a um local emblemático e de importância vital para a cidade de São Paulo, por se tratar de uma via de acesso a vários hospitais e inúmeros bairros, o que por si só já justificaria o cancelamento de seu fechamento aos domingos. O lazer de alguns não pode nem deve ser motivo de aborrecimento e transtorno para muitos.


Vera Bertolucci veravailati@uol.com.br

São Paulo


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CHAMEM GANDHI!


Manifestações contra a corrupção foram pacíficas e repletas de verde-amarelo. Os mascarados com roupas pretas mais pareciam um batalhão de ataque avançando pela rua. Seria intimidação? Manifestos pró-democracia hão de ser pacíficos, ensinou Gandhi!


Paulo T. J. Santos ptjsantos@bol.com.br

Barretos


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CONFRONTO EM SÃO PAULO


Desde o início de 2019 vemos diariamente a imprensa brasileira destruir o governo Bolsonaro, o que o leva a diariamente tentar se defender. Toda vez que muitos brasileiros de verde-amarelo vão às ruas em apoio, a ladainha de “antidemocracia” ferve nos meios de comunicação. Mas no domingo o que vimos foi aquele bando de jovens vestidos de preto entrar na Avenida Paulista, marchando como se estivessem indo para uma guerra e mostrando cartazes com os dizeres “Queremos Democracia”, e no primeiro sinal de confronto entre bolsonaristas e eles surgiram pedras de todos os lados, provavelmente das mochilas dos black blocs, fazendo com que a PM os dispersasse. Mesmo assim, saíram quebrando tudo o que viam pela frente. O sentido de “democracia” foi tomado pela esquerda como propriedade e os pacíficos bolsonaristas com suas famílias viraram “ditadura”. Está duro de engolir.


Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo


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POLÍCIA NA PAULISTA


É urgente que o governador João Doria se posicione sobre os acontecimentos deste domingo na Avenida Paulista. Manifestantes foram atacados pela Polícia Militar enquanto esta protegia grupos com bandeiras neonazistas e frases nitidamente inconstitucionais contra o STF e o Congresso Nacional. A PM teve lado e não foi o lado da democracia. A tropa da PM obedece a Bolsonaro ou ao governador? Isso deve ficar claro. A escalada autoritária avança e ameaça a todos os democratas.


Enilson Simões de Moura gislene@sindbast.org.br

São Paulo


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A PM DE DORIA


Lamentável a polícia escolher lado em democrática área pública para atacar, despreparada, e proteger fascistas sem-vergonha. Está sem comando a polícia de São Paulo, despreparada, sem visão ético-social-humanitária? Que vergonha. O sr. governador compactua com a adesão fascista da polícia de São Paulo nas manifestações democráticas?


Silas Correa Leite poesilas@terra.com.br

São Paulo


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PELAS RUAS DO BRASIL


Autointitular-se “antifascista” não garante a glamourosa pecha de “democrata”, não garante sequer imunidade às críticas. Noves fora a irresponsabilidade da aglomeração em tempos de pandemia, o vandalismo e a agressividade do que se viu na Avenida Paulista neste domingo são marcas registradas de ambos os lados que saíram às ruas. O que aconteceu foi tão descomedido e impensado que os “antifas” das torcidas organizadas foram vestidos de preto, cor dos apoiadores de Mussolini na Itália sob seu regime. Igualmente tosco e asqueroso foi a tupiniquim marcha “300 pelo Brasil”, com símbolos da Alt-Right americana em Brasília, organizada por uma militante extremista que já deveria estar presa. A violência só fortalece o discurso bolsonarista de “defensor da ordem” e a polícia realiza um péssimo trabalho nessas situações.


Jorge Neto jorgealvneto@gmail.com

Areia (PB)


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BRINCANDO COM FOGO


Quando as manifestações em Brasília são contra os Poderes Judiciário e Legislativo, a favor da intervenção militar e a volta do AI-5, algo está errado. Quando o presidente da República vai pessoalmente até o meio da multidão para prestigiar tais manifestações, algo está bastante errado. Cuidado, Brasil, para não trocar uma ditadura pela outra!


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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CAVALEIRO DO APOCALIPSE


Cuidado, presidente, para que sua figura montada a cavalo em manifestações antidemocráticas acontecidas no último domingo em Brasília não faça lembrar a dos cavaleiros do apocalipse, que, segundo a Bíblia, trouxeram à Terra a peste, a fome, guerra e morte. A peste e a morte já rondam o País, talvez fosse melhor rever suas políticas de enfrentamento em hora tão descabida.


Eni Maria Martin de Carvalho enimartin@uol.com.br

Botucatu


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TRISTE FIGURA


Tentando ser Lady Godiva, Bolsonaro não foi além do Bolsonaro de costume e sempre. Piorando a triste figura (perdão, Cervantes), até a pobre montaria estava de passo errado...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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JÁ BASTA


Não bastam os reveses que os brasileiros passam sem que consigam controlar, como desemprego, falta de segurança e demora em atendimento médico? Não está na hora de o presidente desincentivar manifestações como as de domingo, que servem só  para satisfazer seu ego?


Maria do Carmo Zaffalon Leme Cardoso zaffalon@uol.com.br

Bauru


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‘PRIMAVERA ÁRABE’ DAS AMÉRICAS


Que Bolsonaro é contra o isolamento social e incentiva seus apoiadores a saírem de casa não é novidade para ninguém. Mas no domingo vimos o presidente ser motivo para seus opositores saírem às ruas. Sim, entre o risco de contaminação pela covid-19 e o de um regime autoritário/ditatorial, deve-se optar pelo risco à doença. Foi só o início. Muito influenciado pelas manifestações antirracistas nos EUA, não pela causa em si necessariamente, o movimento de rua contra Bolsonaro e pró-democracia apenas começou. Estamos diante de algo que pode se tornar a “Primavera Árabe” das Américas.


Lucas Dias lucas_sandias@hotmail.com

São Paulo


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MANIFESTAÇÕES INÚTEIS


Sugiro que as próximas manifestações, pró ou contra o presidente Bolsonaro, não mostrem bandeiras brasileiras com o lema “Ordem e Progresso”. São propagandas enganosas nos interesses das duas partes. Fiquem em casa


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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EFEITO ORLOFF


Na década de 1990 tornou-se célebre a propaganda de uma bebida alcoólica em que um amigo dizia para o outro num bar: “Eu sou você amanhã”. Na mesma época, as crises econômicas e políticas que aconteciam na Argentina logo se sucediam também no Brasil. E vice-versa. Esta sucessão nas crises nos dois países ficou conhecida como efeito Orloff. Tenho receio de que atualmente estejamos nos encaminhando para um efeito Orloff, tendo, porém, a Venezuela como paradigma, e não mais a Argentina. Os fatos pretéritos, comportamentos e atitudes atuais me levam a esse temor. Hugo Chávez, como tenente coronel do Exército venezuelano, participou em 1992 de tentativa de golpe contra o presidente Carlos Pérez. Fracassou, foi expulso do Exército e depois anistiado pelo presidente Rafael Caldera. Fundou em seguida o MVR, elegendo-se presidente em 1998 com um forte discurso contra políticos corruptos. Aliando-se a partidos da esquerda, aprovou nova Constituição e reelegeu-se para um mandato de mais seis anos em 2002. Repetiu a façanha em 2006 e 2011, após ter o domínio completo da Assembleia Nacional e do Tribunal Supremo. Para dar suporte ao seu poder, entregou o comando da PDVSA e de vários ministérios – hoje são 9 – aos militares, além de armar a população com os chamados Coletivos. Com o nosso atual presidente existem muitas semelhanças. Participou da “operação beco sem saída”, que planejava explodir bombas em unidades do Exército, passando para a reserva em 1986 com a patente de Capitão. Em seguida, entrou para a política, elegendo-se várias vezes deputado federal e, em 2018, presidente da República. Uma vez na Presidência, entregou vários ministérios e cargos-chave aos militares. Aliou-se à direita radical e pretende armar o povo, com um discurso ao mesmo tempo populista e autoritário. Temo que seus próximos passos, como aconteceu na Venezuela com Chávez, estejam sendo dados: dominar o Congresso com a entrega de cargos ao Centrão, eleição de Arthur Lira como presidente da Câmara (seria o Diosdado Cabello da Venezuela?) , dominar o Judiciário com a indicação de juízes do Supremo simpáticos a ele. Aliás, já está falando numa terceira vaga no Supremo, que poderia entregar a Augusto Aras, em gratidão por sua atuação favorável a ele nos recentes episódios das manifestações antidemocráticas e no inquérito das acusações de Sergio Moro. No primeiro caso, não incluiu o principal apoiador, ou seja, o presidente, na apuração e no caso das acusações de Sergio Moro, incluiu o acusador como principal alvo. Essas atitudes indicam que um braço da Justiça, a Procuradoria-Geral, já está sob a influência do presidente e, com o governo inchado de militares, garante ou tenta garantir sua permanência no poder. Assim, o efeito Orloff já está presente entre nós: “Eu (Venezuela) sou você (Brasil) amanhã”. A única diferença entre Chávez e Bolsonaro é que Chávez era da esquerda radical e tinha Fidel Castro como seu guia e líder. Ao passo que Bolsonaro é da direita radical e tem como seu ídolo Donald Trump. Mas não nos enganemos. Tanto os radicais da esquerda quanto os radicais da direita destroem a economia dos países que venham a governar. A História é repleta de exemplos.


Avelino Schmitt abschmitt@uol.com.br

São Paulo


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NO SUPREMO


O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que os bolsonaristas querem um governo ditatorial e comparou a atual situação do Brasil com a Alemanha de Hitler (Estadão, 31/5). Inúmeros causídicos, entre eles o renomado Ives Gandra, creem que Celso de Mello, no episódio envolvendo o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, foi longe demais ao liberar as imagens com trechos que nada tinham que ver com a investigação sobre a interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF). Por exemplo: as falas de Ricardo Salles, Damares Alves e Abraham Weintraub naquela reunião. Criticam, também, o ministro Alexandre de Moraes de interferir na nomeação do delegado Ramagem para a direção-geral da PF, que é uma prerrogativa exclusiva do presidente da República. Quem procura acha.


Jose A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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ISENÇÃO


Interessantes as participações de Celso de Mello. Agora, ele afirma que o que declara é pessoal, nada tem que ver com o STF. Com relação ao STF, ele anda calado há muito. Onde andava ele quando Nelson Jobim detinha 77 processos sob sua vista? Por onde anda ele, atualmente, quando os relatórios do Supremo escondem quantos processos estão sob vista? Onde andava ele quando Ricardo Lewandowski decidiu diante do parágrafo único do artigo 52 da Constituição (Parágrafo único. Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como Presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.) que Dilma Rousseff mantivesse direitos políticos no processo de impeachment? Onde anda ele, assistindo Alexandre de Moraes fazer censura? Onde andava ele quando Gilmar Mendes liberava habeas corpus (3) em favor de alguém que é pai de uma pessoa de quem Gilmar foi padrinho (não existe mais suspeição?)? Como ele tem coragem de se colocar como juiz de uma ação, diante de manifestações tão duras e inconsequentes contra o paciente da referida ação? Onde está a isenção? Como ele tem a coragem de comparar o que ocorreu na Alemanha, lembrando que Hitler rompeu a Constituição, e aqui no Brasil o presidente tem se curvado a todas as decisões da Justiça, inclusive àquelas nas quais é notória a ingerência do Poder Judiciário no Executivo? Parece que passou do tempo para a aposentadoria deste ministro. Quem sabe mais Tatuí e menos Brasília recomponha o raciocínio do cidadão.


Abel Cabral abelcabral@uol.com.br

Campinas


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OPINIÕES E MANIFESTOS


Na edição de domingo (31/5) deste jornal, na página A2, Espaço Aberto, dois renomados juristas, em seus artigos, conclamam o povo a “reagir ao desgoverno”. Na página A5, mais de 700 outros renomados juristas assinam um manifesto com título Basta, também conclamando o “povo a reagir” e ser “intolerante” aos desmandos deste “governo”. Simples assim! Apresentem-me um abaixo-assinado, e eu o assino. Deem-me um espaço na mídia, e eu dou meu parecer sobre este tresloucado. Sentado no conforto do meu lar, assim como os respeitados juristas estão fazendo no conforto de seus escritórios de luxo! Por que eles, que têm as armas do saber jurídico e estão acompanhando os desmandos do tresloucado e de seus asseclas, não se manifestam nas instâncias legais, processando e até atuando para um pedido de impeachment? Querem transferir para o povo a responsabilidade de solucionar o caos vigente. Eu, do povo, estou à disposição para lutar ao lado de V.Sas., empunhando vossas armas!


Carlos Alberto Roxo roxo.sete@gmail.com

São Paulo


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NO CONGRESSO


Por que o Congresso não lança um projeto de PEC que acabe com a reeleição para presidente, governador e prefeito, a partir de 2022? Isso acabaria com a intenção de Bolsonaro de tentar a reeleição (contra sua própria promessa de campanha) e mudaria sua forma de governar, tornando-a mais voltada para o presente.


Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo


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GRUPO DE RISCO


Devo reconhecer que, afinal, a vontade do capitão de impor o confinamento vertical recairá agora sobre nós, os velhinhos e demais integrantes do grupo de risco. Bastaria termos feito o lockdown em março, como fez a Alemanha. Em abril o vírus já não estaria circulando no Brasil e hoje já estaríamos vivendo o “novo normal”. Mas não temos o governo competente da Alemanha. Conseguimos fazer apenas uma quarentena meia-boca. É verdade que conseguimos achatar a curva, e milhares de vidas foram poupadas. Mas a população já não aguenta esta quarentena tão longa e em breve voltará às ruas. A circulação do vírus aumentará, e queira Deus que o Brasil não seja o recordista mundial de mortos pela covid-19. Diante disso, resta a nós, do grupo de risco, ficarmos voluntariamente isolados em casa, indefinidamente, até que seja alcançada a imunidade de rebanho, ou que seja desenvolvida uma vacina eficaz. Quem tiver meios, mude para um país onde o vírus já não circula. Lamento perder minha liberdade de ir e vir e talvez meu direito de viver, mas salve-se quem puder, é assim o processo de seleção natural proposto por Darwin e Wallace. Capitão et caterva, “os que vão morrer vos saúdam”.


Sérgio Savastano sergio@savastano.com.br

Campinas


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S.O.S. PARA OS VELHINHOS


A saúde financeira dos bancos é excelente, mas o confisco financeiro da era Collor, embora decidido pela Justiça, ainda não foi pago e muitos dos lesados não mais estão entre nós. Já passou da hora da devolução.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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DOAÇÃO DE SANGUE


Li que o estoque de sangue no Brasil está muito abaixo do esperado em vários locais. O Brasil nunca tem uma estratégia que estimule doadores a fazer doação de sangue. Sabem o que foi feito nos EUA? Às pessoas que quisessem doar sangue seria oferecido um teste gratuito e confiável para a covid-19, claro, respeitando todas as outras exigências para a doação. Neste momento em que ambas as partes sofrem pela pandemia, nada mais justo que essa troca seja feita contemplando os dois lados, aquele que doa e o que recebe. Fica a ideia, já que o Brasil não tem a menor condição de testar quem quer que seja, pois a falta de gestão e de seriedade no trato com o dinheiro público é ímpar.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

  

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NOVO CALENDÁRIO ESCOLAR


O mundo já não é o mesmo nem será quando a pandemia acabar. A Escola, tanto pública quanto privada, não pode ficar repetindo o seu calendário/grade como faz desde sempre. Se as aulas voltarem a ser presenciais em agosto/setembro, deveriam ir até o fim de dezembro, sem as famosas “férias” para quem passou de ano e recuperação para outros; todos passarão para o ano escolar seguinte. Avaliação criteriosa de o que cada aluno desenvolveu e planejamento curricular 2020/2021, fundido em um só, com atendimento diferenciado; tornar possível o fim do ano 2021 ser igual aos outros.


Sylvia Gouvêa, educadora, ex-membro dos Conselhos Nacional e Estadual da Educação sylvia.gouvea@uol.com.br

São Paulo


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CRISE NOS EUA


O presidente Donald Trump deveria renunciar ao cargo nos Estados Unidos. Caso contrário, deveria anunciar que não será candidato à reeleição em novembro. Na falta disso, a Convenção do Partido Republicano deveria retirar sua candidatura e anunciar sua substituição pelo vice-presidente Mike Pence. O país vive a maior crise política, econômica e social desde o conturbado ano de 1968, quando o presidente Lyndon Johnson desistiu de disputar a reeleição e apoiou seu vice-presidente Hubert Humphrey na eleição daquele ano.


Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas


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JOELHO NO PESCOÇO                                                      


A cena correu mundo: um policial americano coloca o joelho no pescoço de um homem negro que, inerte e deitado no chão, implora para que o policial pare, porque não conseguia mais respirar. A cidade é a americana Minneapolis e o policial não se preocupa com o apelo desesperado e continua dominando de forma humilhante o homem, exibindo-se para pessoas que estavam no local, além de três parceiros de farda que assistiam à cena, de uma brutalidade selvagem, que resultou em morte. O resultado dessa estupidez foi provocar uma reação de protestos em Minneapolis que acabou espalhando-se para outras cidades americanas e, como sempre, resultaram em mais violência e provocaram prejuízos de milhões de dólares com incêndios de veículos, saques e destruição de lojas. O policial foi demitido de imediato e preso, poderá cumprir pena de 25 anos de prisão. Nos protestos juntaram-se brancos e negros e não sabemos como terminará, mesmo porque Donald Trump, o presidente do país, parece adepto da violência. 


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

Garça

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