Fórum dos Leitores

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Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Venda de indulgências

Inacreditável! Como na Idade Média, a Igreja Católica está vendendo apoio ao governo! Bem, inacreditável se a notícia não estivesse estampada na capa do Estado de ontem. E depois os representantes da Igreja dizem não entender por que grande número de fiéis abandona o catolicismo...

APARECIDA DILEIDE GAZIOLLA

APARECIDAGAZIOLLA@GMAIL.COM

SÃO CAETANO DO SUL

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Vendilhões do templo

É curioso saber que a Igreja Católica oferece apoio ao presidente da República em troca de dinheiro. Essa instituição, que deveria estar voltada para apoiar o povo, também está corrompida? Creio que isso explica por que Deus deixou de ser brasileiro.

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Sabotagem

O Brasil está caminhando para ter amalgamados num bloco único, similar ao das Diretas-Já, todos os oponentes à implantação de um regime de governo mentiroso, autoritário, boquirroto, antidemocrático, milicianista e omisso quanto a uma evolução civilizada do País. Na contramão desse movimento, organizações religiosas e congressistas do Centrão, a troco de bene$$es, disputam entre si como ajudar o atual governo a revogar a Constituição em vigor.

WILSON SCARPELLI

WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

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Degradação

Se antes o governo Bolsonaro tinha entre seus ministros o ex-juiz federal Sergio Moro, um ícone do combate à corrupção, no momento presente seu grande aliado, com direito a foto juntos, é Arthur Lira, deputado federal do Centrão, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva. Mas e as promessas de campanha? Sei lá! Buscá-las onde?

ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

ENIMARTIN@UOL.COM.BR

BOTUCATU

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Centrão

Agora que o sr. Jair Bolsonaro chegou a “acordo” com o malfadado Centrão, por que não aproveitar esse apoio e começar a trabalhar um pouco? As necessidades são muitas, o País carece de reforma tributária, reforma administrativa, desburocratização, privatizações, etc. Ou o “acordo” se limita a rejeitar o impeachment?

ELIE BARRAK

EGBARRAK@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Legado

A História é implacável na cobrança aos líderes. O legado de Jair Bolsonaro na saúde, na educação, na economia e na cidadania desta nação é trágico. Como consegue ser tão competente em destruir o que há de melhor no País? Bolsonaro consegue embutir e estimular o confronto, a belicosidade, a intolerância... É vergonhoso e inaceitável. Se não conseguirmos tirá-lo do poder antes da próxima eleição, no pleito de 2022 teremos a oportunidade de alijá-lo do Planalto.

EDSON SHITARA

ESHITARA@GLOBO.COM

SOROCABA

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Pior a emenda...

A diferença entre a tristemente notória Dilma Rousseff e o atual alcaide de plantão é que ela mais falava bobagens do que as fazia e este fala tantas asneiras quanto as realiza. Mas a democracia tem suas vantagens e com certeza vamos dar um definitivo fim ao mandato dele nas urnas em 2022!

PAULO SÉRGIO PECCHIO GONÇALVES

PPECCHIO@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Presidencialismo na UTI

O óbvio ululante e o canto das sibilas coincidem: o regime presidencialista chegou ao estado terminal. Não há mais oxigênio nem pulmões capazes de mantê-lo vivo, assim como deixou de existir a imprescindível vontade de respirar ares saudáveis e se passou a inalar gases tóxicos. Um esquife esperançoso aguarda o corpo antes do processo de putrefação, enquanto a sociedade civil sofre aos pés de um desgoverno medieval, dirigido por um ogro de perfil esquizofrênico, sociopata e genocida, cercado de militares. Nesse meio tempo, uma teimosa e assustadora pandemia toma o cenário mundial, destroça a economia de alto a baixo, põe fermento na miséria dos desvalidos e, como parte do vaticínio das sibilas, o gigante “deitado eternamente em berço esplêndido” arma seu circo de horrores para a plateia planetária assistir (e sentir alívio por não viver aqui). A Presidência da República – assessorada por néscios replicantes “dele”, em especial nos Ministérios da Educação, das Relações Exteriores, dos Direitos Humanos, do Meio Ambiente, da Saúde (o mais importante desde março está ainda na berlinda), e por aí vamos – também é um freak show, porém muito mais assustador por ser real e ao vivo, sem esquecer os cruéis “e daí?” vituperados pelo “messias”. Enquanto isso, o novo coronavírus não brinca em serviço em nenhum lugar do planeta e, diligentemente, continua a se propagar sem distinguir países sérios dos “alegres”, onde é bem recebido, encontra dirigentes parvos e se instala. O Brasil ainda está no páreo para vencer essa “copa do mundo da pandemia”. Sinto-me angustiado. Essa é realmente a sensação que tenho destes últimos meses.

NELSON M. DE ABREU SAMPAIO JUNIOR

N.SAMPAIO@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Divulgação postergada

A tentativa das autoridades federais de escamotear os números das vítimas da covid-19 e atrasar sua divulgação é uma atitude muito perigosa. Nunca como agora a transparência de dados foi tão importante para o combate a essa epidemia viral. E, diante disso, esses dirigentes podem estar cometendo criminosa omissão.

JOSÉ DE ANCHIETA NOBRE DE ALMEIDA

JOSEDALMEIDA@GLOBO.COM

RIO DE JANEIRO

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Ato de contrição

Que Deus me perdoe, eu não sabia o que estava fazendo quando votei nesse homem.

ISAC REISMANN

ISAC.REISMANN@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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MANIPULAÇÃO

Não bastassem a desobediência às instruções do Ministério da Saúde, o desprezo pela vida humana, a indiferença à dor dos familiares que perderam parentes para a covid-19 e a ausência de qualquer demonstração de solidariedade, finalmente aconteceu o que todos esperávamos: a manipulação das informações referentes à pandemia. Jair Bolsonaro ordenou que os dados diários sejam publicados em horário que não permita sua inclusão nos telejornais noturnos. O próximo passo será, sem dúvida, a censura. A conferir.

Heleo Pohlmann Braga heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

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INDULGÊNCIA

“O Ministério da Saúde quer recontar as mortes por covid-19 no País, sob o argumento de que haveria óbitos a mais, ocorridos por outras doenças, mas erroneamente registrados como coronavírus” (Estadão, 6/6). O #PresidenteMorte tenta, de toda forma, reduzir a sua responsabilidade na calamidade nacional gerada pela enorme quantidade de mortos pela covid-19 a uma pequena consequência da “gripezinha”. Na sua vontade, ele é contrariado pelo próprio Ministério da Saúde, mas apoiado com entusiasmo pelo bilionário cloroquinista, Carlos Wizard, indicado para a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde. Disse ele que o órgão vai recontar o número de mortos no Brasil vítimas do coronavírus porque os dados atuais seriam “fantasiosos ou manipulados”. Ele quer mostrar que o #PresidenteMorte tem razão e o que se passa nada mais é que uma “gripezinha”, e que os dados são manipulados por prefeitos, governadores e, especialmente, pela imprensa mentirosa e esquerdista. Enquanto isso: Por verbas, TVs católicas oferecem a Bolsonaro apoio ao governo (Estadão, 6/6, A4). Voltamos ao século 13, quando a Igreja Católica já praticava o “toma lá, dá cá” por meio do comércio e da venda de indulgências para a remoção de todas as penalidades devidas pelos pecadores pagantes. A indulgência à venda para o #PresidenteMorte foi oferecida por “padres e leigos conservadores que controlam boa parte do sistema de emissoras católicas de rádio e TV. Eles prometeram ‘mídia positiva’ para ações do governo na pandemia do novo coronavírus”. O preço dessa indulgência é: “anúncios estatais e outorgas para expandir sua rede de comunicação”. E os brasileiros continuam a morrer aos milhares.

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

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MÁGICA FÚNEBRE

Fazendo jus ao nome, Carlos Wizard já dá mostras de que tentará fazer a mágica de virar fumaça a responsabilidade de umas e outras muitas bolsotoridades, ao mesmo tempo que desaparece com os cadáveres da epidemia...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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PECADO

A procissão de emissoras católicas de rádio e TV ao presidente Bolsonaro oferecendo mídia positiva para ações do governo em troca de verbas publicitárias e outorgas de novas concessões para a expansão de sua rede de comunicação configura a velha, sórdida e nefasta prática ancestral do tomaladacaísmo. Os vendilhões do templo seguem pecando. Vergonha!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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NINGUÉM RESISTE

Parte significativa da Igreja que detém o controle de várias emissoras de radio e TV propuseram ao governo acordo de verba em troca de mídia positiva. Como diz aquele velho provérbio, “todo homem tem seu preço”, e a Igreja também.

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

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HISTÓRIA

É bom lembrar um pouco de história, tanto na sustentação do fascismo de Franco na Espanha como na Itália no fascismo de Mussolini, uma grande parte da Igreja Católica foi de grande importância... Aliás, de vital importância.

José Portes josepccesar@gmail.com

São Paulo

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INSISTINDO NOS ERROS

A História será rápida em julgar os líderes mundiais e suas responsabilidades na condução de seus países durante a pandemia. Muitos erraram, como o prefeito de Milão e o primeiro-ministro britânico, e esses erros custaram milhares de vidas, a maioria dos erros foi aceita pela população, os líderes se desculparam e mudaram o comportamento equivocado. O único líder que continua insistindo nos erros é o presidente Bolsonaro. O presidente do Brasil segue colecionando erros na gestão da pandemia: ignora a ciência, demite aqueles que se atrevem a não concordar com suas opiniões leigas, deixa o País sem ministro da Saúde durante a pior crise de saúde pública da história, desrespeita sistematicamente todas as regras, colocou desde o começo a questão econômica muito acima das vidas humanas – afinal, “todo mundo vai morrer, mesmo”, resumiu o gênio da raça. A última grande jogada de Bolsonaro foi mandar esconder os números das vítimas da pandemia para divulgação em horário impróprio. Os petistas mais tarados continuam até hoje repetindo o bordão Lula-livre-não-vai-ter-golpe, assim como os bolsonaristas mais fanáticos continuam batendo palmas para cada nova sandice de seu Messias. O Brasil espera que a Justiça prevaleça.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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PRESIDENTE SUSPENDE MORTES

O presidente da República manda o general da Saúde não divulgar o número de mortos pela covid-19 no Brasil por dois motivos muito importantes: não quer saber de gente morta contrariando sua tese de que é só uma “gripezinha” e para sacanear a TV Globo, que assim não tem assunto no Jornal Nacional nem no Jornal da Globo, à meia-noite. Não somos mais o país da piada pronta, somos agora a nação do governo que só apronta, como um bando de arruaceiros cheios de atitude.

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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DESGOVERNO

Depois de o presidente da Bielorússia indicar vodca para o coronavírus, aqui, para combater a pandemia, o governo retira do ar as tabelas detalhadas sobre a evolução da covid-19.

Vital Romaneli Penha vitalromaneli@gmail.com

Jacareí

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CRISES INSUSTENTÁVEIS

Dois artigos publicados no Estadão de 5/6 O fantasma sempre presente e atual, de Flávio Tavares; e Racismo e amor, de Modesto Carvalhosa – e o editorial O ‘terrorismo’ que convém me sugerem uma única conclusão. Diante das absurdas crises que enfrentamos num mundo onde se preza a democracia, a única justificada de fato é a pandemia do coronavírus. As demais, se estivéssemos falando realmente de um mundo globalizado, com regimes democráticos sólidos e reais, não teriam espaço. A democracia no Brasil é ainda pueril, assim como o entendimento dela pelo seu povo, que inadequadamente confunde atos autoritários com uma severidade paterna, nem sempre coerente. Se realmente pretendemos uma nação democrática, teríamos de exigir daqueles que foram colocados no poder por meio do voto atitudes dignas para com o futuro político do País, como, por exemplo, o voto distrital e um currículo absolutamente limpo de candidatos. Nos EUA, nação que se orgulha do título de país mais democrático do mundo, ato após ato se evidencia a fajutice de seu sistema em se tratando de negros e imigrantes. Não à toa, a sigla WASP (branco, anglo-saxão e protestante, em inglês) tem um significado todo especial quanto à raça, no significado de democracia defendida por eles. O “Show de Trump” – referência similar ao filme show de Truman – tem consolidado e evidenciado a realidade democrática americana dia após dia. Já no Brasil, a infanta nação enfrenta um caricato presidente que se pretende ditador, embora tente engabelar seus seguidores fanáticos com um discurso de ordem que mira um retrocesso. Sugiro a leitura do livro Como as democracias morrem, para um melhor entendimento. Logo, enquanto houver ódio às liberdades, enquanto truculências forem distribuídas em nome de uma suposta ordem, nada ou ninguém, independentemente de raça, sexo, credo ou nacionalidade, terá paz de fato, pois acima de tudo é necessário entender que num mundo globalizado tais barbáries não se sustentam, até porque significam que vivemos num globo, logo não há diferenças possíveis em nível estrutural. Não basta o ideal de pessoas melhores, é preciso entender o significado disso.

Ana Silvia F. Peixoto P. Machado anasilviappm@gmail.com

São Paulo

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MERECEMOS ALGO MELHOR

Após a morte de Tancredo Neves, em 1985, tivemos presidentes de todo tipo. Um inventou um plano econômico fantasioso; ganhou as eleições à custa de superinflação de 73% ao mês em 1989. Para eliminar a febre da inflação, o próximo presidente confiscou a poupança e acabou renunciando em 1992. Tivemos um sindicalista que implantou esquemas engenhosos de corrupção, mensalão, petrolão e tantos “ãos” seguidos por uma “economista” que arruinou a Petrobrás, inventou as “pedaladas fiscais” e foi afastada. O presidente Jair Bolsonaro foi eleito para governar de jeito eficiente e honesto, e nada mais de toma lá dá cá. Descobre-se um presidente que opta sempre pelo permanente confronto e agressão contra o Judiciário, o Legislativo e a imprensa, cujo governo é composto por militares (até no Ministério da Saúde) mais membros da massa amorfa chamada de Centrão, num franco estilo da velha política. Diante do desastre da pandemia de covid-19, não fez muito além de criticar os governadores e prefeitos e, para piorar, não deixa oportunidade de dar um péssimo exemplo ao desobedecer às orientações mais elementares de cuidados contra a infecção. Enquanto o Brasil está sofrendo imensamente por causa da gravíssima crise da covid-19, o homem sonha com ficar na Presidência até janeiro de 2027. Merecemos um presidente bem melhor!

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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EMBUSTE

O editorial do Estadão O engodo e o embuste na vida pública (6/6, A3) deixa claro para a sociedade em geral, menos aos bolsonaristas, o total despreparo do presidente Bolsonaro para o cargo que ocupa por meio da difusão de fatos que seduzem a população, bem como espalhando mentiras artificiosamente.

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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DOMINGO DE MANIFESTAÇÕES

Tudo indica que hoje (7 de junho), em muitas cidades brasileiras, haverá manifestações. De um lado, extremistas pró-Bolsonaro e, do outro, extremistas antiBolsonaro. Em casa, os verdadeiros nacionalistas e todos aqueles que, em isolamento social e respeitando as instituições, ajudam a manter a ordem e diminuir o número de mortos e contaminados pela pandemia da covid-19. Aliás, este é o problema mais sério que enfrentamos, todos, bem diferente do que pretendem os extremistas, reacionários, alguns lunáticos mesmo, que têm ido para as ruas colocar o momento gravíssimo pelo qual o País passa em segundo lugar. O viés político-ideológico desta gente não ajuda em nada a diminuição dos problemas nacionais que vêm aumentando graças a eles. Pelo contrário, colocam o Brasil mais próximo de uma crise social, financeira e institucional difícil de superar no curto e no médio prazos.

João Di Renna  joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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CONFRONTOS

A exemplo do que acontece nos Estados Unidos da América, não pode o governo permitir confrontos na Avenida Paulista, mas sim colocar pelotão de prontidão e fechar a avenida para evitar ataques e violências. As torcidas organizadas, saudosas dos campos de futebol, não têm o direito ao exercício tortuoso de manifestação colocando em risco a integridade física de terceiros e o patrimônio alheio. Cabe ao governo do Estado operação eficiente e preventiva para eliminar o barulho e evitar balbúrdia.

Carlos Henrique Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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RUAS

Como diria Nélson Rodrigues, “a unanimidade é burra”, assim veremos finalmente como se dará a democrática bipolarização das manifestações de rua!

Francisco José Sidoti  fransidoti@gmail.com

São Paulo

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CORTINA DE FUMAÇA

Na semana em que ocorre o julgamento que pode cassar a chapa Bolsonaro-Mourão, o presidente Jair Bolsonaro volta a vociferar contra os manifestantes opositores a seu governo. Não é surpresa que ele fale disso em todas as entrevistas que dá, o foco dele e de todo o Palácio do Planalto está voltado para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tentam, a todo custo, impedir a utilização das provas levantadas na investigação das fake news do STF e da CPMI do mesmo assunto no Congresso. Isso mostra a preocupação do governo em relação ao que pode ocorrer. Enquanto se preocupa internamente, o presidente tentar criar uma distração para o público.

Lucas Dias lucas_sandias@hotmail.com

São Paulo

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OS RUMOS DO PAÍS

Eu fiquei meio sem graça de mandar este e-mail, porém, observando os rumos dos acontecimentos do País, não posso deixar de demonstrar a minha preocupação. Temo – posso estar errado – que há um ar autoritário e mesmo com intenções de reimplementar o regime ditatorial que vigorou no País de 1964 a 1985. Reitero que a democracia pode trazer imperfeições, porém é o melhor que temos. Gostaria de pedir ao jornal que tantos serviços prestou para País que não deixe isso acontecer e que continue noticiando o que ocorre nos bastidores do poder, seja em Brasília, seja em São Paulo. Em resumo, não quero ditadura, quero democracia. Gostaria de um presidente mais preocupado com os rumos do País nas áreas de educação, saneamento básico, emprego, saúde e menos preocupado com reeleição.

Renato Paiva ar_paiva@msn.com

São Paulo

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A DEMOCRACIA

Não votei na esquerda em 2018, mas não anulei meu voto, pois o considero um direito democrático e, pela Constituição, um dever. Pelo que aconteceu no longo governo petista, de quase quatro mandatos, nunca votarei com os companheiros, isso é definitivo. Mas, no Brasil, quem não apoia a esquerda e não concorda com certos devaneios da nova direita, com um pé na ultra, se sente ali no meio, esmagado. Neste contexto, como não vejo aparecer ninguém preparado e com cacife para representar, com possibilidades de êxito eleitoral em 2022, este enorme contingente sem bússola, vou me preparando psicologicamente para quando esse ano chegar, pois não sei se terei de exercer meu direito de voto na mesma condição passada. Preocupado, mas sempre otimista, pois hoje estou mais confiante do que já estive de que chegaremos lá dentro do regime atual, a democracia. Como alguém já disse, “o pior regime, excetuando os já experimentados”.

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

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DESINFORMAÇÃO

A respeito do polêmico projeto de lei de combate às sórdidas e covardes fake news ora em discussão no Congresso Nacional, cabe, por oportuno, reproduzir os dois últimos parágrafos do artigo O que é desinformação?, do jornalista e professor da ECA-USP Eugênio Bucci: “Usurpando as plataformas sociais, a indústria da desinformação (que inclui as fake news, mas não se resume a elas) tem alcance incomparavelmente superior ao da imprensa. Essa forma contemporânea de mentira massiva e poderosa infecta como um vírus os organismos da democracia. A desinformação industrializada – cada vez mais a serviço quase que exclusivo das falanges de extrema direita – corrói os meios legítimos de que dispomos para registrar aquilo que Hannah Arendt definiu como ‘verdade factual’. Como se vê, não precisamos de uma resposta definitiva sobre a natureza da mentira ou da verdade na Filosofia para entender o estrago causado pela desinformação. Basta-nos entender o valor da verdade dos fatos, essa pequena forma de verdade cotidiana, simples, que todos percebemos. Onde vigora a desinformação, a sociedade perde a capacidade coletiva de constatar e nomear os fatos – e quando essa capacidade se dissolve, a política fica inviável e a democracia, impossível. O problema é grave, mas uma lei improvisada não vai resolvê-lo. Antes de legiferar, deveríamos pensar mais, debater mais, informar mais”. Como se sabe, a verdade dói, a dúvida corrói e a mentira destrói. Abaixo as fake news!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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VAMOS AO FUNDO

Os jornais poderiam começar a trazer a verdade sobre o Gabinete do Ódio com uma simples tática: investiguem a atuação do vereador Carlos Bolsonaro. Afastado do cargo? Por qual razão? Com proventos ativos? Por qual motivo? Morando em Brasília? Por quê? Visitas diárias ao Planalto? Qual a justificativa?

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

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GOVERNO BOLSONARO E O NAZISMO

A declaração recente de Abraham Weintraub, ministro da Educação, equipando a ação da Polícia Federal no inquérito das fake news com a Noite dos Cristais foi chocante. Pôs às claras a irresponsabilidade de uma autoridade de alto escalão do governo Bolsonaro. Mas embora Weintraub tenha já dado seguidas mostras de ignorância, incapacidade e incompetência, é impensável que o tenha feito por falta de conhecimento. Mais uma vez, um membro do governo exprime posições revisionistas do nazismo e uma inaceitável condescendência com o holocausto. Weintraub não é o primeiro ou o único a fazê-lo. Ernesto Araújo, além de declarar repetidamente que o nazismo foi um regime socialista, de esquerda, equiparou o isolamento social durante a pandemia aos campos de concentração nazistas. A Secretaria de Comunicação de Fabio Wajngarten lançou uma campanha pela volta da atividade econômica usando a expressão “O Trabalho Liberta”, parafraseando ofensivamente o Arbeit Macht Frei dos campos nazistas. E como esquecer o secretário Roberto Alvim com sua grotesca interpretação de Joseph Goebbels? Jair Bolsonaro prestigia e incentiva seus auxiliares a expressarem opiniões inaceitáveis sobre o nazismo. Ele mesmo, em visita ao Museu da Shoah, em Jerusalém, declarou que o holocausto não pode ser esquecido, mas pode ser perdoado. Chamar tais declarações de polêmicas é terrivelmente equivocado, porque implica uma discussão de opiniões, e não de fatos. A Noite dos Cristais, os campos de concentração e extermínio, Auschwitz e Treblinka, o assassinato de 6 milhões de judeus e de outras minorias perseguidas são fatos, não opiniões. As declarações das autoridades brasileiras são emblemáticas, da banalização do holocausto e da cultura da morte. Tenho 92 anos, sobrevivi ao holocausto, a Auschwitz e a Dachau, tendo perdido pais, irmão, praticamente todos e tudo. Ver tais declarações acontecendo 75 anos depois no país que adotei é triste, deplorável.

Karel Roubicek karelr1927@gmail.com

São Paulo

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RETÓRICA

Acerta o vice-presidente Hamilton Mourão ao dizer que pedidos de intervenção militar e de fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF), entre outros, pela militância bolsonarista, enquanto retórica, faz parte da liberdade de expressão (Estadão, 3/6, A2). A questão que se faz, no entanto, é: se é o próprio presidente da República quem ameaça as regras constitucionais, mesmo sem descumpri-las, ele também tem direito à liberdade de expressão?  Como cidadão, talvez até tenha, mas como mandatário que jurou cumprir a Carta Magna, não, tampouco incitar seus seguidores a fazê-lo. Jair Bolsonaro pode ainda não ter traído a Constituição de fato, mas já a desprezou por diversas vezes.

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

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‘OPINIÃO E PRINCÍPIOS’

Será que o vice-presidente é incitado à vassalagem e cegar-se aos fatos (Estado, 3/6 A2)? Seu cargo não é demissível!

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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GEORGE FLOYD, RACISMO E ESCOLA

Lamento muito a morte traumática do americano George Floyd. No entanto, sua tragédia foi privilegiada pela divulgação: não foi a primeira vez que a morte de um negro foi filmada, não só de americanos, mas até de brasileiros negros (fevereiro de 2019, Shopping da Barra: “Não segura, senhor, quem sabe sou eu”, diz o segurança que dá uma gravata mortal num adolescente). Estes casos são isolados na mídia. Fora das mídias chegam a ser, sem exagero, quase comum. Só de separatistas negros os EUA têm 150 grupos. Somados a outros títulos, eles ultrapassam a casa dos mil. No Brasil, sem dados, ouve-se: “É importante dizer que o brasileiro não se acha racista, mas o sistema brasileiro é um dos mais racistas” do mundo, dizia Alexandra Loras, há 5 anos – Isto é, ed. 2.629). No mapa da intolerância racial, estamos em 7.º lugar (1.º, Sérvia; 2.º, Argentina; 3.º, Chile; e 4.º, Peru). O Brasil está em 7.º lugar, empatado com Estados Unidos, Polônia e Espanha, 28/4/2018 – Jornal Nacional, Rede Globo). É de crer que outros Georges estejam sendo mortos por aí sem destaque midiático. Qual a origem disso tudo? Não sei, não sou especialista no assunto. Entretanto, deixo aqui uma pista: a escola. Não sei explicar o porquê, mas tenho dois exemplos cronologicamente distantes que evidenciam essa origem. Nos anos 60, século passado, um determinado dia, algo na escola me alertou e voltei apressado e desesperado para a casa para ver minha certidão de nascimento: precisava comprovar nela se eu era branco ou negro. Com alívio, li “tez branca” (meu pai explicou que “tez” significava “pele”, quando destacou que isso não era importante em nenhuma situação). Já no início deste século, fui vizinho – em terras do norte – de duas encantadoras meninas que brincavam juntas o dia todo, uma negra, outra branca. Como eu fazia o transporte escolar, passei a levá-las à escola. Pouco tempo depois, não brincavam nem sentavam próximas uma da outra no veículo. A escola mudara o comportamento de ambas. Creio que seja uma verve a ser explorada por cientistas sociais, se interesse houver no assunto. Depois de adulto, as ações e as reações são reflexos de nossa infância (“Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele”, Provérbios, 22:6).

Carlos W. Queiroz carlos.queiroz@educacao.sp.gov.br

São Paulo

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REFLEXÃO

Tempos difíceis! Pandemia, fake news, intolerância racial, atos autoritários, entre outras mazelas. Tudo nos convida à reflexão e ao nosso envolvimento diante das incertezas dos angustiantes dias que vivemos.

Lauriberto Duarte lauriberto@uol.com.br

São Carlos

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REABERTURA EM SP

Li com interesse o artigo Risco de uma abertura prematura em São Paulo (Estadão, 6/6). O tema é atual e complexo. Também acho que o distanciamento social ficou insuficiente, o número de casos novos não para de aumentar (os outros países começaram a abertura depois de atingir o pico) e não há testes suficientes. Assim, será que já estamos prontos para a abertura de São Paulo, mesmo de modo controlado e organizado? Penso que sim. A decisão do governador João Doria de reabrir São Paulo deve ser vista na luz de outras considerações, não apenas sobre a saúde, mas também socioeconômicas. Primeiro, este plano de reabertura é “organizado e gradual”, como o artigo comenta. Mas, sobretudo, era importante tomar em consideração as necessidades socioeconômicas. O próprio diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que cada país tem de avaliar o benefício do confinamento, especialmente nos países de renda mais baixa ou média, como o Brasil: como alguém pode ficar em casa quando depende do seu trabalho diário para sobreviver? Quando as pessoas já estão vivendo em condição de superlotação, propícia a abusos (esses aumentaram), sem recursos e com pouco acesso ao sistema de saúde (para tratar seja o coronavírus seja um monte de outras doenças, inclusive a depressão)? O confinamento era importante principalmente para que os hospitais não fiquem sobrecarregados. Mas hoje a taxa de ocupação hospitalar no município de São Paulo é controlada, com acordos com a rede privada e, depois de três meses, a população e as empresas já sofreram consequências socioeconômicas pesadas. Então, era, sim, importante o governador já preparar uma volta organizada, mesmo com a situação não sendo ainda estabilizada.

Leonardo Grion leo.grion@gmail.com

São Paulo

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O CORONAVÍRUS E A FICÇÃO

Ótima a estreia de João Gabriel de Lima como colunista do Estadão (Na praia com o tubarão, 6/6, A10). Assistir a Tubarão durante a quarentena trouxe-me a oportunidade de ver as semelhanças traçadas entre a realidade do novo coronavírus e a ficção do filme. Coincidentemente, a coluna veio ao encontro exatamente do que pensei sobre os mundos da política e do conhecimento.

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

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‘NA PRAIA COM O TUBARÃO’

Muito boa a coluna de estreia de João Gabriel de Lima. Resgatou para exemplo de nossa situação atual o filme de Spielberg. Fiquei muito assustada com o mi-fá; mi-fá; mi-fá do final. Seja bem-vindo.

Jussara Helena Beltreschi jubeltreschi@gmail.com

Ribeirão Preto

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TAMBÉM PRECISAMOS DE SORRISOS

Foi assistindo ao programa Roda Viva que conheci o jeito alegre e inteligente de João Gabriel de Lima, que fazia perguntas sempre sorrindo. E também no Roda Viva que percebi que, ao ser apresentado pelo âncora do programa, muitos jornalistas ficam super sérios e sisudos, fazem a linha.

Logo, ser jornalista, na minha opinião, transcende o protocolo, o jornalista nasce com o espírito jornalístico na veia. Hoje, temos jornalistas de formação, como, por exemplo, o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo. Temos, também, vários jornalistas sisudos e fechados; e, graças a Deus, temos jornalistas como João Gabriel. Sorriam, jornalistas, vocês estão sendo filmado pelo leitor. Seja bem-vindo, João Gabriel, o leitor do Estadão agradece. Precisamos de boas colunas e de sorrisos.

Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos

 

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