Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Contrassenso

O chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, assevera que “não há chances de golpe ou intervenção militar no Brasil”. Mas, ao mesmo tempo, também adverte os oponentes para que não estiquem a corda... Quer dizer, ele nega qualquer possibilidade golpe, mas ameaça com um golpe?! Assim, como alguém pode confiar nas palavras dos colaboradores de Jair Bolsonaro, que, aliás, também pratica a incoerência em tudo o que fala?

JÚLIO ROBERTO AYRES BRISOLA

JROBRISOLA@UOL.COM.BR

SÁO PAULO

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E daí?

Ministro Ramos, se a corda for esticada demais, os militares vão fazer o quê? Dar um golpe? Bolsonaro ditador?

CÁSSIO MASCARENHAS DE R. CAMARGOS

CASSIOCAM@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Briga de rua

Esticar a corda é a única atividade diária do presidente, desde sempre. Provocar, chamar para a briga é a vocação do lutador de rua, que desce a rampa para subir no ringue até cair nas cordas esticadas.

PAULO SERGIO ARISI

PAULO.ARISI@GMAIL.COM

PORTO ALEGRE

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De cordas

Na democracia não existem cordas para serem esticadas. O que existe são limites, determinados pela Constituição da República e mapeados pela Suprema Corte. E que não podem ser ultrapassados.

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Abaixo da crítica

Frequentemente se diz que o presidente da República poderá indicar para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal pessoas que trabalham com ele no Palácio do Planalto. A rejeição, por inconstitucionalidade, da MP 979, a dos reitores, indica que a capacidade técnica dessas pessoas está muito aquém do nível requerido para um membro da Corte Constitucional. Espero que o Senado se lembre disso quando chegar a hora de sabatiná-los.

WILSON SCARPELLI

WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

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Ameaça à democracia

O Brasil é realmente um país fabuloso e resiliente ao extremo, com um povo resistente. Que outro país seguiria sobrevivendo a um governo como esse que temos? Um presidente que compactua com o ódio, dissemina fake news, ofende a imprensa, incita seguidores a cometer invasões e linchamentos virtuais em meio a uma pandemia... e ainda estamos de pé! A questão é: até quando?

MARIA ÍSIS M. M. DE BARROS

MISISMB@HOTMAIL.COM

SANTA RITA DO PASSA QUATRO

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Saber é poder

Momentos difíceis para todos os brasileiros. Pandemia, fake news, intolerância racial e religiosa, atos autoritários, entre outras mazelas. Aos poucos estamos decorando a Carta Magna: artigo 85, artigo 142... Cada dia um aprendizado. Talvez essa não seja a melhor forma de nos apropriarmos dos preceitos constitucionais, por meio de contraexemplos. Mas fica a lição de que é preciso conhecer para transformar, aprender para nos libertarmos.

LAURIBERTO A. DUARTE

LAURIBERTO@UOL.COM.BR

SÃO CARLOS

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Notícias falsas

Fora da lei

Corretos os argumentos do Estado no editorial Falsa simetria (13/6, A3), ao separar jornalismo de fake news, ressaltando o conteúdo deliberadamente falso de mensagens veiculadas por meio de comunicação criminoso. Faltou apenas dizer que o jornalismo é identificado, isto é, podem ser-lhe imputadas penas por calúnia, difamação e injúria. Já as fake news, por seu caráter criminoso, precisam ter sua origem investigada, como todo tipo de ações dos fora da lei.

JOSÉ GERALDO RIBEIRO

HORAEXTRA@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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Anonimato vedado

A preocupação com os sérios problemas causados pelas chamadas fake news é legítima e está em pauta em todo o mundo. Mas é um erro enveredarmos pelo caminho de tentar determinar o que é verdade ou mentira, ou da censura prévia. Penso que o verdadeiro foco da discussão deve ser a questão do anonimato na internet. A Constituição é bem clara quando protege a livre manifestação do pensamento, mas o mesmo dispositivo sabiamente veda o anonimato. A partir do momento em que alguém resolve divulgar seu pensamento, deve ser responsável pelo que leva a público. O anonimato não pode servir como manto da invisibilidade para a covardia, a delinquência e a criminalidade.

VITOR LOPES

VITOR.LOPES61@HOTMAIL.COM

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

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Vista da Nação

“A imprensa é a vista da Nação. por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que a ameaça” – Rui Barbosa.

CARLOS BOBADILLA GARCIA

CARLOSBOBADILLAGARCIA@GMAIL.COM

CAMPO GRANDE

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Memória histórica

Demolição

Então, agora há gente querendo retirar ou demolir a estátua do Borba Gato, em Santo Amaro, pela acusação de ter ele sido racista?! Essa gente quer reescrever a História expurgando dela os fatos que a incomodam. Já que é assim, que tal demolir as pirâmides do Egito? Afinal, os faraós se consideravam deuses, tinham muitos escravos e viviam num luxo absurdo. Vamos passar um abaixo-assinado e entregar a petição na Embaixada do Egito? E podemos também querer desenterrar o padre José de Anchieta, porque ele violentou a cultura indígena ao pregar o Evangelho para os índios?

CARLOS A. M. CISCATO

CACACISCATO@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

 

CORDAS

 

Lastimável a bravata do general Luiz Eduardo Ramos (Ramos diz que Bolsonaro nunca pregou golpe, mas alerta oposição a ‘não esticar a corda’Estado, 12/6). Mais parece ameaça entre grupos de esquina de adolescentes (“vou te pegar na rua”), própria de quem, em linguagem de boxeurs, se acha nas cordas. Sua desesperada ameaça é típica de quem não está respaldado pelos seus pares e tenta, como faz seu comandante-em chefe, angariar comandantes temerosos de alguma força armada cindida. É blefe. Nossas respeitadas e estimadas Forças Armadas não têm esse caráter. Nossos militares são altivos. Usou cordas que enforcam o bom senso. Deveria usar cordas que, mesmo esticadas pelos solavancos do mar agitado, mantêm o navio amarrado ao porto em segurança. A corda por ele brandida é a da força bruta da intimidação, a qual não é suficiente para vencer batalhas, menos ainda guerras. O que conta é o uso do tirocínio, resumido numa palavra: estratégia. Só para recordá-lo, os Estados Unidos, com todo seu poderio militar, foram escorraçados dos pobres Vietnã e Afeganistão. Cordas podem sustentar pontes precárias sobre abismos, mas podem também, se muito esticadas e estendidas no meio do caminho, causar tropeções e levar a quedas desnecessárias. Aventuras devem se cingir à fantasia dos literatos. É hora de, com coragem, escolher e mostrar, às claras e de verdade, qual é a sua corda. Não desmereça nossas honradas Forças Armadas.

 

Ricardo Hanna ricardohanna@bol.com.br

São Paulo

 

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‘NÃO ESTIQUEM A CORDA’

 

O falante ministro-general Eduardo Ramos repudia golpe militar. Mas alerta, como quem sabe o que diz, “não estiquem a corda”. Trocando em miúdos, o governo namora com um golpe faz tempo. Dependendo de Bolsonaro, o noivado já estaria formalizado e o casamento seria para ontem. O presidente adora participar e incentivar movimentos inconstitucionais, favoráveis ao fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Incentiva apoiadores que extrapolam o limite da civilidade nas redes sociais. Com o coronavírus matando brasileiros por minuto, dizimando famílias, Bolsonaro mandou a população invadir postos de saúde e hospitais, para verificar e filmar se o vírus realmente mata com tanta intensidade. De quebra, desmoraliza normas e leis de condomínios, permitindo e incentivando festas, bagunças, bebidas e aglomerações. O chefe da Nação dorme feliz no dia que xinga, ameaça e insulta jornalistas. O “mito” não sossega o facho. Segue atropelando o bom senso como caminhão desgovernado. Por ele, o repugnante ministro da Educação trocaria reitores como bem entendesse. Para o super-homem de plantão no Alvorada, o uso da máscara de proteção contra o coronavírus é uma bobagem atroz. Bolsonaro também despreza esclarecimentos e a importância da Organização Mundial da Saúde (OMS). É a tônica da cartilha presidencial. Só presta quem concorda e acha graça das parlapatices dele. Mete os pés pelas mãos no trato com os governadores. Manda o Ministério da Saúde esconder e divulgar números da pandemia. A população não pode saber a verdade. Precisa continuar atordoada. Acusou o ex-ministro Luiz Mandetta de inventar números. Na visão do presidente, o comércio já estaria aberto faz tempo. Síntese: Bolsonaro disputa com a covid-19 para ver quem ganha o troféu do vírus mais perigoso.

 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

 

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REPÚBLICA BOLSONARIANA

 

Exemplos de Chávez e Maduro norteiam milícias brasileiras na linha de frente da política Ora para invadir hospitais; amanhã, para executar opositores. Está próxima a República Bolsonariana do Brasil.

 

Francisco Menin fjamenin@gmail.com

São Paulo

 

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AMEAÇAS VELADAS

 

“O próprio presidente nunca pregou o golpe. Agora o outro lado tem de entender também o seguinte: não estica a corda” (sic), Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, general do Exército Brasileiro da ativa, ministro da Secretaria de Governo. “As Forças Armadas do Brasil não cumprem ordens absurdas, como, por exemplo, a tomada de poder. Também não aceitam tentativas de tomada de poder por outro poder da República, ao arrepio das leis, ou por conta de julgamentos políticos” (sic), #PresidenteMorte, Jair Messias Bolsonaro. Sempre ameaças veladas.

 

Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião

 

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PERGUNTA

 

Quem está esticando as cordas, general? Aquele que incita seus fanáticos apoiadores a irem filmar leitos de UTIs ou aquele pai que perdeu seu filho para a covid-19 e, num gesto de comovente indignação, tenta recolocar no lugar as cruzes derrubadas aos chutes por um truculento?

 

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

 

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À ESPERA DE UM PRETEXTO

 

A pergunta não é mais se Jair Bolsonaro deseja dar um golpe, mas quando. Desde antes de sua posse, vem provocando as instituições, os outros dois poderes da República. Em um ano e meio de mandato, tenta de todas as maneiras contrariar ações do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, comprando briga que forneça o pretexto para convocar um inexistente “Quarto Poder” –as Forças Armadas, que devem ser apolíticas e instrumento de Estado, como estabelecido na Constituição. Aguarda o pretexto que “estique a corda”. 

 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

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ESPECTROS DA MONARQUIA

 

Por meio de Luiz Fux, o Supremo discute a inexistência de um “poder moderador” representado pelas Forças Armadas. No Itamaraty tornado sabujo, um Orleans e Bragança é tratado como “Your Highness” (Vossa Alteza) em cerimônias oficiais. O surrealismo deste contexto é a desconsideração da República e o espectro da monarquia imperial, das barbas de um Dom Pedro indisposto às margens do Ipiranga, prestes a soltar o grito. Alguém hoje pode sonhar em atravessar o Rubicão, tal como historiado por Suetônio, mas está mais para a narrativa de Chalaça, alcoviteiro de um rascunho de monarca.

 

Roberto Yokota rkyokota@gmail.com

São Paulo

 

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CIZÂNIA

 

O ministro Fux, do STF, esclareceu em liminar que o sistema republicano em vigor não tem poder moderador. Assim, fica claro que este sistema é falho, permite revoltas, bagunças e intrigas. Resta a opção pelo parlamentarismo ou monarquia, em que o poder moderador existe, estabelece a estabilidade do regime e funciona como uma vacina contra golpes de qualquer natureza. O povo está farto de brigas, fake news e de cizânia na Nação sob o pano de fundo da falta de empregos. Vale o anexim: em casa que falta pão todo mundo briga e ninguém tem razão.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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COLISÃO

 

O empresário Horácio Lafer Piva, em sua entrevista ao Estadão publicada em 11/6/2020, definiu bem o regime atual: “presidencialismo de colisão”. Saímos de um deturpado “presidencialismo de coalizão” para este verdadeiro show de horrores.

 

Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo

 

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PROBLEMA INTERMINÁVEL

 

A maioria das decisões do presidente Jair Bolsonaro é equivocada, errada ou mesmo afronta o bom senso. Na questão ambiental, ameaçou sair do Acordo de Paris, ignorou os protestos nacionais e internacionais contra as queimadas criminosas na Amazônia, desprezou a polução do litoral brasileiro provocado pelo vazamento de petróleo e não se opõe ao uso predatório das terras indígenas. Quer armar a população para se defender, não enviou a reforma administrativa ao Congresso na época certa e está em pé de guerra contra os Poderes Legislativo, Judiciário e os governadores dos Estados. Seu pior desempenho está, de longe, no (não) combate à covid-19. Ao invés de oferecer um plano detalhado para a travessia da pandemia e o retorno à normalidade despois, brigou com os sucessivos ministros da Saúde, colocando no lugar um militar, talvez para matar a tiros o terrível vírus. Se os erros foram ao acaso, este presidente não tem a experiência de que o Brasil precisa e merece. Bem pior se tiver algum plano paranoico por trás disso tudo!

 

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

 

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RASCUNHO DE DITADURA

 

Com efeito, as atitudes intempestivas e autoritárias do presidente Bolsonaro parecem não conhecer os limites da racionalidade. Após incitar seus seguidores a invadirem as UTIs de hospitais para filmar e checar os casos de covid-19, o que mais se pode esperar? O rascunho de uma ditadura verde-oliva-amarela está claro para quem consegue ver além do próprio nariz, pois não? A que ponto chegamos!

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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CARTAS NA MESA

 

Jair Bolsonaro sabe que terá de enfrentar um processo de impeachment, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, ele sabe que sua hora chegará. Bolsonaro já deixou claro que não sairá pacificamente do governo, a nota assinada por ele, pelo vice e pelo ministro da Defesa coloca as cartas na mesa: o golpe será dado com a desculpa de defender seu governo da “ordem absurda” e do “julgamento político” para afastá-lo do poder. Quando o Congresso e o Supremo Tribunal Federal ordenarem seu impeachment, Bolsonaro ordenará o fechamento dessas instituições pelas Forças Armadas. Não há previsão institucional para essa situação, resta ao Brasil esperar que as Forças Armadas não se prestem ao papel ridículo que Bolsonaro pretende lhes oferecer e acatem com naturalidade o impeachment do presidente.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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ANTES QUE SEJA TARDE

 

As mortes provocadas pelo novo coronavírus dispararam de 100 para 148 vítimas em Campinas, em apenas uma semana. Aumento de 48% em poucos dias. A flexibilização da quarentena e a reabertura do comércio devem agravar o quadro epidemiológico com uma grande expansão de novas contaminações e levar a cidade da fase laranja para a fase vermelha, a poucos dias do início do inverno. As restrições necessárias e inadiáveis para retomar o isolamento social devem ser adotadas com a máxima urgência, sob pena de colapso do sistema de saúde em poucas semanas. Temos de deter uma explosiva curva exponencial de casos, antes que seja tarde demais.

 

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

 

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NÚMEROS ASSUSTADORES

 

Os números não mentem. 2,72% dos habitantes do planeta Terra estão no Brasil. 10,69% dos casos e 9,77% das mortes por coronavírus em todo o mundo foram registrados no território brasileiro. Não alcançamos o pico da pandemia e ainda não temos um ministro médico na pasta da Saúde. Além dos 42 mil óbitos registrados em nosso país, o que mais precisa acontecer para sensibilizar as autoridades de que o assunto é da maior seriedade? A precipitada flexibilização da quarentena e a negligência dos prefeitos, governadores e do primeiro escalão do governo federal estão nos conduzindo para um desastre jamais imaginado em nosso país. Os chefes dos Três Poderes estão de braços cruzados, batendo boca nas redes sociais e virando as costas para um grave problema real. Enquanto a desonra persistir, vamos totalizar milhares de lutos nas próximas semanas, sem intervalos.

 

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

 

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REAJA, BRASIL

 

De um lado, defuntos diários, estatísticas fúnebres, governadores coveiros de preto, homens da lei inconsequentes que são polícia, inquisidores e julgadores. Enfim, reina no País uma súcia de urubus a atazanar o País. Reaja, Brasil. As notícias boas vêm da produção agropecuária, que com certeza vai impulsionar a recuperação do Brasil. Que cada brasileiro seja consciente e adote as medidas de prevenção preconizadas e, assim, não se contamine.

 

Martim Affonso Santa Lucci mslucci@uol.com.br

São Paulo

 

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GOVERNOS MEDÍOCRES

 

O brasileiro de baixa ou sem renda é o que mais está sofrendo com a doença covid-19, reflexo dos desgovernos petistas que desviaram bilhões com a corrupção, construções de estádios imensos, sem público suficiente para manter a estrutura e a ocupação após o evento, relações promíscuas com ditaduras, atraso no setor industrial e destruição de empregos. Ainda pensam em voltar a governar o País.

 

José Wilson de Lima Costa  jwlcosta@bol.com.br

São Paulo

 

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DESGRAÇA APÓS DESGRAÇA

 

As previsões de queda do PIB brasileiro para este ano variam, conforme os analistas, entre 7% e 9%, e já conquistamos o segundo lugar por mortes causadas pelo coronavírus. Enquanto caminhamos ladeira abaixo, social, política e economicamente, somos assombrados por um defunto político que voltou à carga, agora com investigação privada, para provar sua inocência nos casos do tríplex do Guarujá, no sítio de Atibaia, no instituto de lavagem de dinheiro e nos outros incontáveis processos. É uma desgraça atrás da outra, e ainda dizem que Deus é brasileiro.

 

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

 

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REABERTURA PRECOCE

 

Tem toda razão o dr. Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã quando critica a reabertura precoce do comércio pelo governo paulista. Não sou médico, mas a lógica nos ensina que não era hora de liberar o comércio. Foi a decisão de um político, não a de um administrador público. Na Engenharia, levamos muito a sério a denominada Lei de Murphy, enunciada pelo engenheiro aeroespacial Edward A. Murphy, que afirma que, “se algo pode dar errado, dará”. É uma síntese da lógica, em qualquer projeto, ou planejamento, poder apresentar problemas sérios, a ponto de inviabilizá-los, se existir algum item falho na sua elaboração. Um administrador público deveria levá-la em alta consideração. É o caso da reabertura do comércio em São Paulo, criticado pelo dr. Dimas Covas. Era totalmente previsível que pessoas da população iriam desrespeitar as regras estabelecidas pelo governo para a reabertura. As reportagens das TVs nos mostraram não algumas, mas inúmeras caminhando sem máscaras, aglomerações absurdas, nas ruas, nas lojas e nos coletivos do transporte público. Como disse o dr. Dimas Covas, “nenhum especialista, nenhum infectologista, nenhum epidemiologista fala para você que você pode sair com curva em ascensão. Quer dizer, isso não faz muito sentido”. Eu acrescentaria: nenhum bom planejador. Entre as pessoas da população, muitas não têm o alcance de entender o perigo que o vírus representa. Principalmente com o presidente Bolsonaro insistindo em sair nas ruas sem máscara e sem o mínimo cuidado em não se distanciar das pessoas, induzindo-as a erro.  Não têm o alcance de entender como o vírus pode causar o colapso no atendimento dos hospitais, que não foram dimensionados para atender ao mesmo tempo um número tão grande de enfermos em situação de risco de vida. Se considerarmos como data-base o dia 10/6, saberemos as consequências dessa abertura a parir do dia 24/6, quando se completam os 14 dias da encubação.

 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

 

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QUARENTENA

 

Os dados da Johns Hopkins University de 12/6/2020 mostram que a China teve 84.202 pessoas infectadas com covid-19, das quais praticamente todas foram hospitalizadas e 79.469 foram curadas, com óbito de 5,5% por hospitalização. Lembremos que a China agiu rápido quando a pandemia foi identificada, impondo forte quarentena, fechando muitas cidades e executando muitos testes que permitiram identificar precocemente os infectados e isolá-los.  O Brasil, com população bem menor que a da China, já identificou 828.828 infectados, quase dez vezes mais do que toda a China. O número de óbitos do Brasil, de 40.919, também é quase igual a 10 vezes o número de óbitos da China. Sem dúvida alguma, foram as medidas extremamente restritivas à circulação impostas pela China que fizeram seus números serem 10 vezes inferiores aos nossos. Demonstrada a importância do isolamento social, seguramente se pode dizer que, não fosse a meia-quarentena que nossos governadores e prefeitos conseguiram impor, nossos números seriam muito piores. Sobre a performance hospitalar, o índice de óbito mostrado pelos hospitais brasileiros é de 5,1% dos infectados identificados, enquanto o da China é maior, de 5,5%.

 

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

 

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‘A REVOLTA DA VACINA’

 

Uma bela aula de História o artigo A Revolta da Vacina, de Simon Schwartzman (12/6, A2). Nosso povo, que desconhece história, já cumpre seu fado de repeti-la.

 

Alexandre Martini Neto amartini906@gmail.com

Rio Claro

 

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RACISMO E PUNIÇÃO

 

Todo e qualquer movimento contra o racismo no Brasil é legítimo, é moral, é justo. Entretanto, destruir estátuas de personagens cujo passado não condiz com o pensamento de hoje não é justiça, é vandalismo, tão brutal quanto o próprio. Eliminar hoje um monumento ou fato histórico mesmo que destoe dos atuais valores (?) não passa de ato pensado de queima de arquivo. Esta coleta de assinaturas para abater a estátua de Borba Gato (Santo Amaro, São Paulo) se assemelha ao chamamento para coleta de lenha para a fogueira de bruxas, desafetos e elementos nocivos à sociedade, na Idade Média. Se o objetivo é punição aos atos ou crimes que hoje estão previstos em lei, que seja assim: condená-lo a 30 anos atrás das grades, em regime fechado, solitariamente. O nosso Código Penal não prevê pena de morte. E que fique predeterminado não se beneficiar de prêmios descabidos como indultos, progressão de pena nem mesmo saidinhas por bom comportamento. Também, por uma causa, não pode condenar ao linchamento sumário o artista que dedicou seu melhor esforço para concluir a sua obra. O povo precisa saber quem foi a personagem, quem e quando foi feita a estátua e, por fim, quando a jaula foi instalada. E por quê. Seria uma aula de História e Justiça: tarda, mas não falha!

 

Massafumi Araki massafumi.araki@gmail.com

São Paulo

 

 
 
 

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