Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Reformas urgentes

Após a reforma da Previdência, o presidente passou a pensar quase que exclusivamente em seu mandato e na continuidade dele. Dirigiu os olhares em especial para sua família, mostrando que, para ele, ela é mais importante que o Brasil e os brasileiros. As demais reformas, a tributária e a política, vão ficando esquecidas e, pelo jeito, assim vão continuar. Em consequência, é de presumir que o desânimo tenha caído sobre a equipe econômica, tanto que Mansueto Almeida já se desligou, embora sob outras alegações. Outros virão e sairão, até chegar a vez do ministro Paulo Guedes. Então, o que fará Bolsonaro? Chamará mais um militar? Nem os militares do regime de 64 ousaram assumir a condução da economia no lugar de Delfim Netto, Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen... E assim o Brasil marcha, impondo sofrimento ao povo, ao som da desafinada fanfarra bolsonariana!

JOSÉ CARLOS DE CARVALHO CARNEIRO

CARNEIROJCC@UOL.COM.BR

RIO CLARO


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Dia de São Nunca

O editorial Bolsonaro e o Dia de São Nunca (17/6, A3) sacramenta o desinteresse do presidente pelas reformas que prometeu no início de seu governo. Em entrevista à BandNews (15/6), ele alegou que o maior obstáculo ao envio da reforma administrativa é uma suposta campanha da imprensa contra seu governo, e por isso tem sido massacrado pela opinião pública. Pelo visto, Bolsonaro nem ao menos entende que é função da imprensa num regime democrático informar os cidadãos sobre os muitas vezes complicados processos do governo.

EDGARD GOBBI

EDGARDGOBBI@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Ataque à democracia

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse na terça-feira que é inconcebível que ainda haja resíduo de autoritarismo dentro do Estado brasileiro. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ponderou que o Brasil vive um momento preocupante, com ataques ao STF. Uma rede de TV faz alarde o tempo todo pensando em golpe. Acho exagero. E concordo com o leitor sr. Aldo Bertolucci (Manifestações bolsonaristas, 17/6) quando afirma que Jair Bolsonaro não está com essa bola toda. Seus eleitores já se decepcionaram com tanta insensatez. Conta com dez deputados federais (a Câmara tem 513) e um senador (o Senado tem 81), que já tiveram seu sigilo fiscal quebrado. É um número totalmente inexpressivo. A ridícula Sara Giromini está presa e conta apenas com meia dúzia de gatos-pingados barulhentos. O movimento ultrarradical de direita “300 do Brasil” (que não passam de 30) já perdeu o acampamento na Esplanada dos Ministérios. E o ministro da Educação, Abraham Weintraub, está com os dias contados e já virou piada. Enganam-se os que pensam que os filhos do presidente contam com apoio popular. O povo sensato não sai às ruas por medo do coronavírus. Mas não apoiará nenhum golpe.

SÉRGIO BRUSCHINI

BRUSCHINI0207@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Vontade do povo

O presidente Bolsonaro, ao tentar parafrasear a fala do presidente John Kennedy, do EUA, “não pergunte o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer por seu país”, disse uma frase totalmente absurda num de seus pronunciamentos: “Ao invés de uma instituição pedir o que a população deve fazer, a instituição é que deve fazer o que a população pede”. A seguir ao pé da letra o que disse, o presidente deveria renunciar ao mandato, porque a maioria da população pede o seu impeachment.

TOSHIO ICIZUCA

TOSHIOICIZUCA@TERRA.COM.BR

PIRACICABA

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Pra rir ou pra chorar?

Bolsonaro: “O histórico do meu governo prova que sempre estivemos ao lado da democracia e da Constituição brasileira. Não houve, até agora, nenhuma medida que demonstre qualquer tipo de apreço nosso ao autoritarismo, muito pelo contrário”.

FILIPPO PARDINI

FILIPPO@PARDINI.NET

SÃO SEBASTIÃO

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Os generais em seu labirinto

O professor Christian Lynch, em entrevista no Estado de ontem (Bolsonaro intimida Poderes para impedir sua queda, afirma Christian Lynch), analisa com clareza a armadilha que um “despreparado” está montando para a elite das nossas Forças Armadas. A ilusão de poderem controlar um descontrolado vai levá-los a servir de apoio às milícias armadas pelo ex-capitão que um dia planejou atos terrorista contra seu próprio quartel. Pretendem instrumentalizá-lo, mas, de fato, estão sendo instrumentalizados por ele.

ALEXANDRE MARTINI NETO

AMARTINI906@GMAIL.COM

RIO CLARO

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Militares e os radicais

Muito clara a análise do cientista político Christian Lynch no Estado, mostrando como os interesses dos radicais ideológicos ligados ao governo se diferenciam dos militares. Na opinião expressa por Lynch, a opção que se apresenta para alcançar a estabilidade política e institucional é o vice-presidente Hamilton Mourão se apresentar ao Congresso, ao STF e aos generais como alternativa de poder mais confiável.

MARCELO FERREIRA KAWATOKO

MARCELO.KAWATOKO@OUTLOOK.COM

SÃO PAULO

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Prioridades presidenciais

Os maiores problemas do Brasil são educação, saúde e segurança. Todos com seus ministérios vagos ou improvisados. A esperança de ministérios técnicos, infelizmente, evaporou-se com a política com p minúsculo. Lamentável!

FÁBIO DUARTE DE ARAUJO

FABIONYUBE2830@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Urbanismo

Saneamento

Princípio básico da dignidade humana e da cidadania é a moradia digna. Entendo que favelas têm de ser erradicadas, não urbanizadas, com seus becos e barracos. Um amplo programa dos governos para construção de moradias traria ainda acentuada geração de empregos.

VICTOR HUGO I. DE MELLO CASTANHO

VICTORHCASTANHO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


WEINTRAUB E O STF


A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votou a favor do prosseguimento do inquérito contra o nefasto e despudorado ministro da Educação, Abraham Weintraub. Decisão com sabor amargo de derrota para o ministro da Justiça, que entrou com surreal e estapafúrdio habeas corpus na Suprema Corte pela liberação de Weintraub, e para o próprio governo. A Nação espera, agora, que o presidente da República mostre firmeza e defenestre o ultrajante cidadão do MEC. Caso contrário, ficará evidente que Bolsonaro não é capaz de colocar-se contra determinações dos filhos, Flávio, Carlos e Eduardo, sabidamente favoráveis à permanência de Abraham no cargo. Durma-se com o colossal escárnio.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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‘ANTIEDUCAÇÃO’


O clã familiar Bolsonaro e os que odeiam a educação, a instrução universitária, a ciência e a cultura em geral defendem a permanência de Abraham Weintraub, o primeiro ministro antieducação da História do Brasil. São os ideológicos do núcleo duro do Palácio do Planalto. São defensores, pelos mesmos motivos, de Ernesto Araújo, nosso chanceler que odeia as Relações Exteriores; o ministro anti-Meio Ambiente Ricardo Salles, que defende o desmatamento geral da Amazônia e o que resta de Mata Atlântica; e a não menos antitudo nossa folclórica Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, de acordo com os preceitos pentecostais das brumas medievais. Este quarteto, saído do armário de esqueletos de dinossauros, representa todo o mundo mental que domina o atual governo brasileiro. Um prato cheio para antropólogos e sociólogos estudarem comportamentos pré-iluministas.

      

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre


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BANCO


Weintraub deve assumir um cargo num banco no exterior. Quem sabe se não seria um banco escolar?


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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O QUE SE ESPERA DE UM MINISTRO DA EDUCAÇÃO?


Eis a questão. O que esperar de um ministro da Educação? Não devemos esperar posições políticas nem um foco único na realização do Enem. Espera-se um fiscal e orientador das atividades administrativas de reitores e diretores com protocolos claros a serem seguidos. Que tome providências para destituir os incompetentes e verdadeiros responsáveis, sem viés político, tais como aqueles que foram responsáveis pelos incêndios de museus importantíssimos de nossa história e cultura no Rio e em Minas. Incêndios decorrentes de falta de uma boa manutenção e prevenção. Que comande as diretrizes para pesquisas. Que comande as diretrizes para o fim da farra de viagens internacionais a título de pesquisas, ainda mais nos dias atuais em que a pesquisa está à sua frente, num computador. Que estabeleça diretrizes para que estas viagens sejam apenas exceções e essenciais. Que fiscalize se os recursos direcionados para uma boa gestão, com alimentação de boa qualidade para funcionários e estudantes, e que haja segurança tanto nos campi como nas suas proximidades. Que as dependências escolares não sejam pichadas e imundas, permitindo faixas e cartazes que expressem opiniões, orientando os manifestantes para tanto. Que impeça o viés político em aulas, quer seja de direita ou de esquerda, mas que sigam um ensino de qualidade que garanta o futuro de nossos jovens. Que se estabeleça uma força-tarefa para que em breve futuro a remuneração seja compatível para todos os professores, colaboradores e funcionários. Que busque parcerias e as incentive com empresas privadas e fundações, obtendo recursos necessários para o desenvolvimento e aperfeiçoamento da educação. E, principalmente, que faça isso de forma transparente e calado.


José R. de Macedo Soares Sobrinho joserubensms@gmail.com.br

São Paulo


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BOLSONARO E SEU MINISTÉRIO


Eu aconselharia o presidente Bolsonaro a fazer novas escolhas para seu ministério dentre os cisnes que deslizam suavemente pelo lago planaltino. Se o núcleo familiar assim o permitir, poderiam ser escolhidos exemplares brancos e negros. Eles certamente não tomariam atitudes impensadas ou agressivas.  Desde a fundação eles fazem parte do cartão postal de Brasília.


Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo


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PEÇA DO DESTINO


Na terça-feira parlamentares, blogueiros e youtubers foram alvo de busca e apreensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Todos eles ligados a Jair Bolsonaro. O mais inusitado, se assim podemos dizer, é assistir à queda do bolsonarismo por supostas práticas de crimes tipificados na Lei de Segurança Nacional, que, pasmem, foi criada durante a ditadura militar.


Lucas Dias lucas_sandias@hotmail.com

Rio Verde (GO)


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CAIU NA REAL


Ao ver a fisionomia do presidente Bolsonaro após o cerco da Polícia Federal sobre seus seguidores, senti que o presidente fanfarrão caiu na real. Ficou completamente deprimido, sem reação e força para reagir, o que seria normal. Sua única atitude foi publicar um longo comunicado de derrotado que confessa os erros cometidos. Será que vai mudar daqui para a frente, ou vai dar um tempo para reiniciar os ataques suicidas? Desista, presidente, reconheça o erro e saia de fininho.


Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba


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OS MILITARES E O GOVERNO


O presidente Bolsonaro volta e meia dá a entender que tem o Exército unido sob seu comando. Funcionalmente, tem, mas isso não significa que a maioria da caserna compactue com seu pensamento. Nas Forças Armadas existem seguidores de várias tendências ideológicas e políticas, como ocorre em qualquer outra grande organização. Bolsonaro evidencia seu comprometimento com a ala mais radical. No passado, durante a ditadura, essa ala foi personificada pelo general Silvio Frota, pelo brigadeiro Penido Burnier. Posteriormente, o Exército obedeceu sem restrições quando governos petistas subordinaram as Forças Armadas a um civil: o diplomata Celso Amorim. Evidentemente que o presidente Bolsonaro se cercou de militares que concordam com seus pontos de vista para dar uma impressão de unanimidade. Com certeza, uma fake news. Se houvesse a tal unanimidade, seu objetivo já teria sido levado a cabo, assim como não o foi nos governos petistas, quando o objetivo ideológico político era o mesmo.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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O DIA ESTÁ A CHEGAR


Pelo galopar da carruagem, aposentar-se-ão as canetas e pegar-se-ão as baionetas... Não se veem mais aviões de carreira, apenas sombras e um sol poente. Um cenário a cada dia mais estupefaciente. Veementemente demente. E somente. Mente.


Nelson Monteiro Deabreu Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba


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GENERAL CINCO ESTRELAS


O general Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria da Presidência da República, defende que militares da ativa do governo Bolsonaro passem para a reserva. Para ele, não é nada bom para a democracia, tampouco para as Forças Armadas, que haja qualquer dúvida do papel que cada um desempenha. Segundo ele, “pelo número de militares e pelo posto que ocupam (dados recentes apontam para quase 3 mil cedidos), a sociedade acaba se confundindo”. No momento em que se discute tanto o artigo 142 da Constituição, principalmente quando trata de intervenção militar – o presidente Fernando Henrique Cardoso era relator à época e diz que não tem nada que ver com papel moderador –, a fala do general está de acordo com o que preceitua a Lei Maior e deseja a sociedade, não aceitando a imagem institucional se confundindo com a governamental. Querer repetir velhos erros do passado recente, inclusive aparelhar o Estado, como fez a Venezuela, é algo que as Forças Armadas abominam, o povo repele e o general Santos Cruz parece ser tão contrário que preferiu deixar de marchar ao lado do governo Bolsonaro, levando-o a merecer até uma condecoração pela coragem e bravura demonstradas durante esta guerra entre brasileiros.


João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)


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ARTIGO 142


O problema da interpretação da Constituição pelo governo e seus fiéis seguidores é bem simples de entender. A Constituição de 1988 não permite supremacia a nenhum dos três Poderes, além de igualar os cidadãos brasileiros, civis e militares. Não há margem para dúvidas, no bojo de todo o seu conteúdo. Mas o artigo 142 foi mal redigido, pois permitir uma marota interpretação que interessa especificamente a quem o lê, como se o restante do documento não existisse.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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TOLERÂNCIA ÀS DIVERGÊNCIAS


O professor José Augusto Guilhon Albuquerque continua um exímio sintetizador de pensamentos complexos e conceitualmente densos. Em seu artigo de 16 de junho no Estado (Diálogo com adversários e tolerância às divergências, página A2), expressou com clareza os anseios da maioria das pessoas equilibradas, que o general Hamilton Mourão, quando assumir, tenha a capacidade de liderar a concertação política para superarmos a maior depressão econômica de nossa história. Parabéns, professor.


Marcelo Kawatoko marcelo.kawatoko@outlook.com

São Paulo


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‘SANEAMENTO, UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA’


A respeito do editorial de 16/6 com o título acima, eu já escrevera o que segue lá nos idos de 15/3/2020 sobre o Novo Marco Regulatório do Saneamento Básico. Segue, novamente, aquele texto como reforço e demonstração de que a luta por saneamento é de todos nós. O Brasil tem pressa e não podemos relegar a população mais pobre e sofrida às penas e castigos por culpa daqueles que decidem não decidir a seu favor, mas a favor da politicagem, do corporativismo e, em última instância, da corrupção deslavada. 15/3/2020: “Será que nem com essa tragédia anunciada, pela qual o mundo já está passando, vai mover os espíritos dos nossos congressistas no sentido de aprovarem urgentemente o Novo Marco Regulatório do Saneamento Básico? Será que se precisa desenhar para que compreendam que esta epidemia se potencializa e muito com a falta de saneamento básico, justamente onde mora a camada mais sofrida e mais pobre da população? Se esta doença mata os mais debilitados, que dizer daqueles que convivem com a falta de água tratada e com esgoto a céu aberto? Srs. congressistas criem vergonha na cara e resolvam esse martírio secular por que passa grande parte da população brasileira. Não é hora de fazer concessões ao corporativismo nojento das estatais de saneamento que só existem por si mesmas e que não investem absolutamente nada na melhoria das condições de vida da população. Só de falar sobre isso já dá uma baita ânsia de vômito, não pela imundície em que vivem os desafortunados, mas pelo modo de agir de nossos políticos”.


Orlando Luiz Semensato osemensa@terra.com.br

Campinas


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NÃO CORRA ATRÁS DO VENTO


Com o descarte em larga escala de seres humanos pela pandemia, ainda temos de tolerar as atrocidades sem tamanho de governantes que imperam com ódio, vingança, falsidade, vaidade, poder dominador, sem distinção de raça, sexo, idade, religião ou de qualquer outra situação, seja rico ou pobre. Basta! Clamamos por uma ordem sensata ou até mesmo divina que contemplasse a saúde, a liberdade, a segurança, a igualdade, a dignidade e, acima de tudo mais, respeito à vida humana.


Akira Chinen akchinen@adv.oabsp.org.br

São Paulo


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PLANETA DOENTE


A covid-19 lidera o ranking de óbitos nestes primeiros meses de 2020. O coronavírus fez mais vítimas que o suicídio, a malária, a desnutrição, homicídios, Parkinson, afogamentos, meningite, Influenza, álcool, drogas, conflitos, hepatite, incêndios, envenenamentos, calor e frio, terrorismo e desastres naturais. Dos 8 milhões de casos registrados, temos um total de 436 mil mortes em todo o planeta. Os números mostram claramente que não se trata de uma “gripezinha”. O Brasil continua patinando na contratação de um ministro da Saúde, que possa orientar de forma assertiva as ações das autoridades e a população também. Precisamos largar a política de lado, senão corremos o risco de chegarmos a dezembro sem eleições.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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A PANDEMIA E O DIABETES


Se a biociência, a farmacologia e a consciência de órgãos de saúde, laboratórios farmacêuticos bilionários e cientistas em geral, em face da covid-19, tivessem mais consciência dos males silenciosos do diabetes no longo prazo, que agora se tornam muito evidentes e provocam não apenas cegueiras, amputações, falência dos rins, etc., mas também milhares de mortes, uma cura da doença seria buscada com mais seriedade e menos procura pelo lucro fácil em cima de pacientes cativos.


Ademir Valezi valezi@uol.com.br

São Paulo

  

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PROTESTO VIRA ANARQUIA


Certas situações exigem que a Polícia Militar (PM) tenha agilidade suficiente para responder rapidamente a situações como esta do protesto pela morte de um adolescente de 15 anos, de parentes e vizinhos onde morava, na Vila Clara, zona sul, onde o fato gerou uma anarquia na região. O problema de protestos como este é que não há controle e podem começar de forma pacífica e até justificada, mas descambar para a anarquia porque maus elementos se infiltram nesses atos para aproveitar e praticar vandalismo como incendiar ônibus, depredar, roubar e atacar motoristas que passavam no local. E estes têm de ser tratados como terroristas.


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo


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NÃO À NEGAÇÃO


Você não se cansa de pertences seus? Você não tem o direito de fazer melhor uso deles do que os manter em sua casa? Qual o problema em ressignificar, ou colocar uma estátua num outro espaço (museu, por exemplo)? De novo, o problema é que essas coisas (História) não são discutidas (sob os novos prismas) e, de repente, cai-se na real e ocorre uma explosão de ego. Quer-se rejeitar a História, como se ela tivesse ocorrido naquele momento. Aí, o ser humano reflete seu pior e nega o seu passado, pois, além de não conseguir conviver com ele, não encontra formas de dar vazão ao seu descontentamento. O potencial destrutivo da negação é como uma bomba-relógio que vai aumentando seu potencial destrutivo com o tempo. Não à negação.


Bruno Hannud hannud.bruno@yahoo.com

São Paulo


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MOBILIDADE URBANA


Chamou a atenção, no Mobilidade do Estadão em 10/6, na página 2, +URBANISMO, o texto 7 pontos para um Plano de Mobilidade Urbana eficiente, que dá “algumas medidas mencionadas por Estela Alves, mestra em planejamento urbano e regional, graduada pela FAU-USP. Em itálico, as propostas de Estela Alves seguidas de meus comentários: 1) Gestão local participativa. O.k., desde que o “participativa” seja de fato participativa e dê resultados, o que não costuma acontecer. Um pequeno grupo fica sabendo – porque já está envolvido de alguma forma – e sempre serão estes que participarão, o que não significa a voz do povo ou da comunidade. Por outro lado, é comum a participação de indivíduos que levam pontos muito particulares – dele, ou os que não entendem nada do assunto, não se inteiraram antes. 2) Modernização e pontualidade do sistema de ônibus. O.k., mas, se existe há décadas em vários países do mundo, porque nunca conseguimos ter aqui? Uma das razões é a instabilidade da fluidez de nosso trânsito, o que tem relação direta com semaforização, sinal de comunicação, inteligência artificial, treinamento de todos, incluindo motoristas, leis. Não temos nada disso funcionando bem. 3) Aumentar a abrangência e eficiência dos bilhetes únicos. Não opino, não conheço. O ideal é que o número de viagens dentro da cidade diminua, uma velha discussão. Bairros mais autossustentáveis devem ser o caminho para isso. 4) Semáforos realmente inteligentes e resistentes. É ridículo o que temos. Não consigo entender por que a sociedade não exige a troca de tudo. A CET-SP (e provavelmente departamentos de trânsito de outras metrópoles) tem projeto para troca de toda semaforização que nunca saiu da gaveta. Um deles quase foi, mas na administração Kassab morreu. O que se tem no País é completamente obsoleto, um custo Brasil que deveria ser absolutamente inaceitável. Investir em semaforização inteligente de última geração custa muito, mas vale cada centavo. Um detalhe importante: para mudar o destino das metrópoles brasileiras é necessário investir em programas de semaforização que levem em consideração transporte de massa, pedestres, ciclistas, veículos leves, com definição de tempo de fluidez para cada um dos modais. Trocar o sistema por um que só dê fluidez geral, como é hoje, onde abre para todos, com alguns cruzamentos tendo um pequeno tempo para pedestres, vamos jogar dinheiro no lixo, vamos definitivamente enterrar o futuro de nossas cidades. O correto seria que o sistema semafórico fosse o mais abrangente possível, já levando em consideração uma geração de veículos sem motoristas. 5) Facilidade na interligação entre diversas modais. O Brasil desprezou por décadas o que foi feito em Curitiba, que serviu de referência internacional, mas não aqui. Para facilitar a interligação entre modais deveríamos ter pelo menos calçadas decentes ou, pior, ter calçadas, o que é comum não ter. E num país quente como o nosso, ter sombreamento verde. Onde chove escoamento das águas. Bicicletas? É preciso mudar a forma como está sendo pensado e implantado o sistema cicloviário. Aliás, os especialistas em sistemas cicloviários deveriam minimamente saber o que é uma bicicleta, o que é um ciclista, como se pedala numa cidade e acreditar nos dados estatísticos. Interligação é tema velho, que caminha a passo de lesma. Por quê? 6) Conscientização para a redução de viagens nos horários de pico. Óbvio e simples de fazer, mas por que não se fez faz tempo, muito tempo? Onde enrosca? Quem ganha deixando como está? 7) Promoção do transporte coletivo para crianças e adolescentes. Sem dúvidas. Crianças e adolescentes se locomovendo em bicicletas ou patinetes é prática comum na Europa e em Caraguatatuba e Ubatuba, e provavelmente inúmeras outras cidades brasileiras, mas não é nas metrópoles. Por quê? Uma das razões é a venda da insegurança, um rentabilíssimo negócio para uns poucos, mas inviabilizador de vários aspectos sociais das cidades. Crianças indo sozinhas para a escola? Vivemos um grau baixíssimo de segurança, mas também vivemos uma pandemia de medo. Falta na análise dizer o que se faz com as leis brasileiras, o feroz corporativismo do funcionalismo público, os interesses pétreos que levam vantagens, com a população de pouca urbanidade, a precária formação de profissionais, o excesso de utopias , e principalmente de onde se tira o dinheiro para realizar estas mudanças. Só como exemplo, a troca da semaforização de Los Angeles que acabou de ser implantada custou algo em torno de US$ 1 bilhão e levou quase uma década para ser completada. Ainda sobre o Mobilidades do Estadão (página 4, +O QUE ACONTECE NO MUNDO), Por que a China é referência em mobilidade sustentável?, uma pequena correção e uma referência histórica: bicicleta só se tornou popular na China depois que Mao literalmente mandou que assim fosse. Por razões de tradição e cultura, antes da revolução comunista, a bicicleta foi mal recebida e se popularizou. Já na Holanda e em outros países ricos a bicicleta sempre foi bem recebida e popular. Há uma diferença brutal entre um “cumpra-se” vindo de mão forte e a concordância popular. Vale lembrar, também, que uma pesquisa realizada entre ciclistas em Copenhague apontou que 27% deles, se pudessem, não usariam a bicicleta (provavelmente preferem o conforto do carro). Bicicleta é uma das soluções, com certeza, mas deve ser tratada sem ilusões. Nossas cidades são anacrônicas, obsoletas, precárias. Nem sequer a manutenção preventiva é realizada da maneira adequada. O buraco é muito mais embaixo. A discussão sobre o que fazer com as cidades brasileiras vem de muito tempo, muito antes da pandemia. Mesmo tendo profissionais e especialistas competentes, muitas das propostas apresentadas ou colocadas em obras careceram de realismo por não considerarem todos os entraves e atores envolvidos ou beneficiados. Continuar com projetos de prancheta e relatórios é um erro que não podemos mais nos permitir. Urgem ações que estabilizem a vida na cidade. Urgência não é daqui a 2, 3, 4 anos. Urgência é já.


Arturo Alcorta arturoalcorta@uol.com.br

São Paulo


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MUDANÇA DA CAPITAL DO ESTADO


Outrora se cogitou mudar a capital do Estado de São Paulo. O assunto foi sepultado. No entanto, hoje os dias são outros. Esta megalópole está muito além de saturada, sem saneamento básico, sem transporte, sem segurança eficiente e, principalmente, não há infraestrutura que suporte a demanda populacional para administrá-la como desejam e merecem os paulistanos. Sugiro, portanto, com todo o respeito, que o senhor governador João Dória – homem de visão – ou qualquer deputado proponha a mudança da capital para qualquer município do interior, visando a evitar a nefasta concentração da população. Nada é impossível quando se transpõe a burocracia.


Nazareth Kechichian Neto nazareth.kechichian@hotmail.com

São Paulo

 

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