Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2020 | 03h00

Corrupção

Operação Anjo

O Ministério Público do Rio de Janeiro e o de São Paulo, em ação conjunta, enfim localizaram e promoveram a prisão de Fabrício Queiroz, em Atibaia, num imóvel do advogado de Flávio e Jair Bolsonaro, Frederick Wassef. Queiroz é acusado de participação em rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual no Rio de Janeiro. Esse é um crime orquestrado por parlamentares que forçam seus funcionários a devolver-lhes parte do salário – as verbas de gabinete de cada parlamentar na Assembleia giram em torno de R$ 120 mil. A esposa de Fabrício Queiroz é considerada foragida e está com mandado de prisão expedido. O foco sobre a família do presidente da República aperta cada vez mais o cerco e estremece as bases pouco sólidas do presidente. Aguardemos.

JOSÉ CARLOS SARAIVA DA COSTA

JCSDC@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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E daí?

Finalmente Fabrício Queiroz – eminência parda da família Bolsonaro – foi preso. O Ministério Público foi eficiente e os serviços de informações do presidente, mesmo aquele paralelo, não conseguiram detectar a ação dos órgãos de persecução criminal. A família do presidente – leia-se filhos – pode também ser surpreendida. E daí?

NOEL GONÇALVES CERQUEIRA

NOELCERQUEIRA@GMAIL.COM

JACAREZINHO (PR)

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Desinteligência

E agora, o presidente Bolsonaro vai demitir seus informantes particulares? Não conseguiram a informação...

TANIA TAVARES

TANIATMA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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De novo

E Atibaia volta às manchetes. Mas agora pelo menos temos um preso.

GUTO PACHECO

JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Revisitação

Atibaia de novo? O que há de especial nessa cidade, tão ao gosto dos fora da lei?

JOAQUIM QUINTINO FILHO

JQF@TERRA.COM.BR

PIRASSUNUNGA

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Não é só Atibaia

São muito os pontos em comum entre Bolsonaro e Lula. Ambos são contra a liberdade da imprensa, cada um tem seu próprio exército – os fanáticos da base bolsonarista e o “exército do Stédile” (MST) –, são populistas, centralizadores e autoritários, têm mania de perseguição e são tratados como “deuses” pelos seguidores. E, enfim, a coincidência de o sítio Santa Bárbara e a chácara Sonho Meu, onde foi preso Fabrício Queiroz, serem em Atibaia.

VITAL ROMANELI PENHA

VITALROMANELI@GMAIL.COM

JACAREÍ

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Queima de arquivo

A maré está subindo... A água fria já está na metade da coxa. Qual será o próximo chilique? Ou teremos mais um Adriano Nóbrega?

RICARDO HANNA

RICARDOHANNA@BOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Ruptura

Será que a prisão de Fabrício Queiroz significa a tal da ruptura dita por Eduardo Bolsonaro?

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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General Osório

Se as Forças Armadas, cujo prestígio está abalado pela sustentação dada a esse governo, ficarem contra a Justiça nas questões nebulosas que ligam Fabrício Queiroz à família Bolsonaro, envolvendo rachadinha e milicianos, estarão ignorando o alerta do general Osório, patrono militar: “A farda não abafa o cidadão no peito do soldado”.

TÚLLIO MARCO SOARES CARVALHO

TULLIOCARVALHO.ADVOCACIA@GMAIL.COM

BELO HORIZONTE

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Saneamento

Lei no forno

Próximo de 1 milhão de infectados e de 50 mil óbitos pela assustadora pandemia de covid-19, a “guerra pela saúde” escancara de vez a grande dívida do Brasil com nossa população pobre e desassistida, a da falta histórica e inconcebível de saneamento básico para mais de 100 milhões de brasileiros. Porém é um alento saber, como publicou o Estado em manchete (17/6), que Nova lei do saneamento pode ser impulso para a economia pós-covid. Essa lei deve, finalmente, ser votada dia 24 no Senado e aí vai direto para sanção presidencial – na Câmara esse marco regulatório foi aprovado em meados de dezembro de 2019. Como destaca o jornal, aprovada a lei, vários grupos de investidores estrangeiros já estão interessados em participar da concessão dos serviços de fornecimento de água potável, coleta e tratamento de esgotos, que pode propiciar em 15 anos investimentos de R$ 500 bilhões e a criação de milhares de empregos. Mas o mais importante é que se dê um fim a essa vergonha sanitária. Segundo o IBGE, esse flagelo atinge 74,15 milhões de brasileiros (35,7% da população) que vivem sem serviços de coleta de esgoto – 4,4 milhões ainda fazem suas necessidades fisiológicas a céu aberto. Sem falar nos 35 milhões de pessoas que ainda não são servidas por água encanada e tratada. Sempre é bom lembrar que, para cada real investido em saneamento básico, outros quatro são economizados pelo Serviço Único de Saúde (SUS), por se evitarem doenças daí decorrentes.

PAULO PANOSSIAN

PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS

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‘Embromavírus’

Endemia nacional

Excelente o artigo do economista Roberto Macedo no Estado de ontem (A2). Trata-se de um diagnóstico conciso, objetivo e perfeito do nosso querido Brasil. Enquanto os políticos, parte deles incompetente e corrupta, continuarem a defender os próprios interesses e os de corporações que agem contra os interesses da população, esta vai sofrendo e permanecendo na miséria. Com seus ótimos artigos, Macedo tem indicado os remédios certos para os problemas do País, mas nossos políticos preferem manter o “embromavírus” bem atuante.

KÁROLY J. GOMBERT

KJGOMBERT@GMAIL.COM

VINHEDO

 

DEVE PARECER HONESTO

 

O ditador romano Julio Cezar, a 62 a.C., se separou da bela Pompéia após saber que a jovem esposa fora surpreendida numa orgia, e pronunciou uma pérola que entrou para a História assim: “À mulher de Cezar não basta ser honesta, deve parecer honesta”. A frase, adaptada à vida política, serve para qualquer governante: a um governo eleito democraticamente não basta dizer que é honesto, deve parecer honesto. Jair Bolsonaro sabia que teria, como aconteceu com todos os seus antecessores, sua vida pessoal e política vasculhada. O amigo Fabrício Queiroz foi pego numa orgia com dinheiro público, da qual também participava o filho zero 1, Flávio Bolsonaro, de quem Fabrício era assessor na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Mas, apesar das demissões, dele não se separou e o protegeu. Agora, preso pela sugestiva Operação Anjo, da Polícia Civil em São Paulo, o amedrontado Queiroz pode detonar o império tupiniquim.

 

Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

 

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A RACHADINHA EM CANA

 

Saudoso e carinhoso, Jair Bolsonaro costumava perguntar pelo amigo da família: “Cadê o Queiroz?”. “Foi preso, presidente”, informaram atordoados auxiliares. O fato remete os brasileiros àquela surreal reunião ministerial em que Bolsonaro quase tirou o fígado do então ministro da Justiça, Sergio Moro, exigindo mudanças na Polícia Federal para “proteger minha família e meus amigos”. Todavia, a Polícia Civil de São Paulo chegou primeiro e levou Fabrício Queiroz em cana. Anjo foi o sugestivo nome da operação. Porém, nessa linha, fica ainda mais tenso o clima político com a prisão de Queiroz diante do pacote de quarta-feira, recheado com novas ameaças e insinuações de Jair Bolsonaro, definidas pelo presidente da OAB como “habituais declarações dúbias” do chefe da Nação. Bolsonaro não se fez de rogado. Distribuiu lamúrias, em defesa de seus dóceis aliados: “Estão abusando”, “direitos são violados”, “ideias perseguidas” e “liberdade do povo”. Resta saber em qual capítulo o enrolado Fabrício Queiroz se enquadra.

 

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

 

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PALAVRÃO

 

Acho que nas reuniões do presidente ontem o Aurélio foi pouco para tantas emoções!

 

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

  

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QUEIROZ

 

A prisão de Queiroz pode ser o início de uma derrocada para a família Bolsonaro, principalmente no que trata das rachadinhas do filho Flávio e do assassinato de Marielle Franco.

 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

 

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18 DE JUNHO

 

O dia 18 de junho é consagrado aos Químicos, mas também se completaram os dez anos da morte de José Saramago. A transformação se deu pelo especial sobre o escritor português, muito bem lembrado pelo Estadão, correlacionando sua visão de mundo com os dias correntes. Com a prisão de Fabrício Queiroz e a saída do sinistro da Educação, Abraham Weintraub, do governo, a data será inesquecível na memória de todos.

 

Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas

 

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AGORA...

 

Fabrício Queiroz finalmente foi preso, e agora só restará a seus advogados fazerem o máximo para que seja rapidamente condenado nas duas primeiras instâncias de Justiça para que, também finalmente, possa ser solto e ficar em liberdade até que transite em julgado todo o seu processo penal, destinado, também agora, ad infinitum.

 

Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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RACHADINHA, A GORDURA

 

A captura do sr. Queiroz em Atibaia é emblemática. Ele é a face visível de uma prática abjeta aplicada por políticos do Legislativo de quaisquer âmbitos, municipal, estadual e federal: a famosa rachadinha. Vereadores, deputados estaduais e federais nomeiam o número de assessores a que têm direito por lei e se apropriam de parte de seus salários. Ato ilegal, a que o sistema faz vista grossa. Dada a extensão da prática e o vulto do montante desviado, deveríamos ter respostas para algumas questões: por que políticos precisam de assessores pagos pelo contribuinte se, para se elegerem, se valeram de pessoas pagas por seu próprio bolso, patrocinadores ou voluntários? Por que salários tão altos, se finalmente dão margem a serem divididos e os ocupantes aceitam a prática? Poderiam ser menores, então? Vemos, então, que aqui temos um belo exemplo de dinheiro público mal gasto. O que poderíamos chamar de gordura do Legislativo. Portanto, seria ótimo se o sr. presidente da República, num de seus arroubos contra o status quo, não criticasse e tomasse a iniciativa de eliminar uma prática que quase se configura em roubo legalizado. Imaginem o volume de dinheiro a ser economizado! Quantos projetos de infraestrutura poderão ser viabilizados? Quantos empregos, gerados?

 

Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba

 

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FAMA

 

Parece que Atibaia é a cidade paulista de maior prestígio político no País nos últimos tempos.

 

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

 

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PRISÃO EM ATIBAIA

 

Uma simples prisão virou um espetáculo de circo. Já imaginaram se todos os presos que a polícia de São Paulo prendesse tivesse de ser levado ao seu Estado de origem? O caos que seria? E o custo? Colocar um cidadão comum num helicóptero do Estado para transportá-lo ao Rio de Janeiro, com o dinheiro do povo, não é o legal. Quem determinou deve pagar do bolso. Alô, Tribunal de Contas! O Rio de Janeiro deveria ter vindo buscar o cara. Simples! É assim que acontece.

 

Edmar Augusto Monteiro eamonteiroea@hotmail.com

São Paulo

 

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INQUÉRITO DAS FAKE NEWS

 

Com a autorização do prosseguimento do inquérito (sigiloso, vejam!) das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão máximo da Justiça brasileira estará investigando, acusando e julgando o assunto. Isso tem nome: inquisição. E não se trata de falta de mecanismos eficazes para proteger o STF ou qualquer cidadão. O Estado Democrático de Direito não tem espaço para esse tipo de atitude.

 

Oscar Thompson oscarthompson@hotmail.com

Santana de Parnaíba

 

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INOVAÇÕES LEGISLATIVAS

 

Ao validar o inquérito das fakes news estabelecendo limites à sua condução, porém legitimando todas as provas já produzidas, o Supremo Tribunal Federal traz várias inovações legislativas. Entre elas a de que ministros da Corte não são mais submissos à Constituição como todos os brasileiros. Outra, a de que interesses pessoais de ministros podem influenciar o STF – o inquérito das fake News, instaurado a pedido de Gilmar Mendes, sabedor de que ele e a mulher eram investigados pela Receita Federal, censurou dois sites de notícias por mencionar Dias Toffoli na delação da Odebrecht. Significativa a alteração que confere ao STF poder para investigar, produzir provas, acusar e julgar num mesmo processo sem que isso comprometa o amplo direito de defesa. Com tudo isso, a partir de agora, um ministro do Supremo acusar outrem de “manobras nazistas como na Alemanha de Hitler” e de preparar “iminente insurreição” para instalar “ditadura militar” não é crime, mas, se algum cidadão porventura vier a comparar inquéritos criminais do STF aos da Gestapo de Hitler, ficará sujeito à prisão e até a ser algemado, como deplora o ministro Gilmar Mendes.

 

Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo

 

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JUIZ DE GARANTIA

 

Na questão das fake news, o STF é o ofendido e, ao mesmo tempo, será o julgador, o que contraria as normas do Direito. Aí cabe uma pergunta: quem será o juiz de garantias?

 

José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

 

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INVESTIGAÇÃO SOBRE ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS

 

Alexandre quebra sigilos de dez deputados e um senador, todos bolsonaristas (Estado, 16/6). Já que não temos futebol ao vivo, taí uma boa briga para ser assistida!

 

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

 

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NÃO SOBRA UM, MEU IRMÃO

 

Alê Silva, Aline Sleutjes, Arolde de Oliveira, Bia Kicis, Cabo Junio Amaral, Carla Zambelli, Carolina de Toni, Daniel Silveira, General Girão, Guiga Peixoto e Otoni de Paula tiveram a quebra do seu sigilo bancário decidida pelo ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte. Estes 11 parlamentares poderiam aproveitar a oportunidade e listar para a imprensa todo o trabalho que desenvolveram no Congresso Nacional. Afinal de contas, eles foram eleitos pelo voto direto para defender os direitos do povo, em primeiro lugar. Entretanto, tudo parece ser ao contrário nas duas Casas parlamentares, ou seja, os deputados e senadores estão mais preocupados com os seus próprios interesses e os de seus partidos políticos, como sendo prioridade zero. O presidente Jair Bolsonaro está sendo cercado por todos os lados, vendo os seus familiares e apoiadores bolsonaristas serem colocados contra a parede, frequentemente. A Polícia Federal vai arrochar até conseguir extrair os podres desta turma.

 

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

 

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CURANDEIROS NA SAÚDE

 

É de estarrecer que grave infração contra a saúde pública ocorra por ordem do próprio presidente da República! Insanidade que se repete pela segunda vez, com irrestrito aval deste vocacionado para curandeiro Jair Bolsonaro. Com a cumplicidade do seu Ministério da Saúde (que nem médico tem à frente...), Bolsonaro assinou um protocolo indicando, desta vez para gestantes e crianças, o uso do medicamento cloroquina para cura da covid-19. E sem se importar que seu uso tenha sido reprovado em todos os estudos científicos pelo mundo. Essa irresponsabilidade e estupidez ocorre no exato dia em que autoridades dos EUA retiraram a autorização de tratamento com a cloroquina e a hidroxicloroquina contra a covid-19. Porém difícil, mesmo, é aceitar que um general do nosso Exército, interino na Saúde, Eduardo Pazuello, se submeta às ordens ou aos horrores de um presidente que não se preocupa nem um pouco com salvar vidas. Na onda desta desilusão estamos galopando no fosso profundo do retrocesso...

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

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BRASIL, EUA E A CLOROQUINA

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na segunda-feira (15/6) que o país enviará mais doses de hidroxicloroquina ao Brasil, apesar de a FDA ter revogado sua autorização para que o remédio seja usado no tratamento da covid-19. Questionado por uma jornalista se os EUA continuariam a enviar hidroxicloroquina para o Brasil e outros países, ele respondeu afirmativamente. “Sim, eles pediram e vamos enviar. Não posso reclamar, porque eu tomei por duas semanas e aqui estamos”. A FDA, órgão americano equivalente à Anvisa no Brasil, se baseou em estudos que mostram que não há evidências de que o uso via oral desse medicamento seja suficiente para tratar complicações respiratórias da covid-19. Trump comentou não entender como isso é possível com tantas pessoas felizes com os resultados do medicamento.

 

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

 

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INGENUIDADE

 

Não é por ser benevolente que Donald Trump continuará enviando hidroxicloroquina ao Brasil mesmo após a FDA – principal autoridade sanitária norte-americana – revogar a autorização emergencial para o uso da droga por falta comprovada de eficácia e alto risco de efeitos colaterais. Pois algum ingênuo poderia pensar que a intenção de Trump seria repor o estoque brasileiro da droga para ser usado por quem realmente precisa (tratamento de doenças reumáticas, por exemplo). Ledo engano. Trump insiste na eficiência da cloroquina simplesmente porque acha que ela funciona, mas, como não tem coragem de enfrentar a FDA, usa o Brasil para satisfazer suas convicções pessoais, com aval do dr. Jair Cloroquina Bolsonaro. Para Trump, o Brasil é laboratório de Terceiro Mundo.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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ERROU FEIO

 

O presidente Jair Bolsonaro errou feio. Disse que os EUA não proibiram o uso da cloroquina e que tudo é “conversa” da imprensa. Ora, por que a droga, adquirida ansiosamente e às bateladas por Donald Trump, agora, sem mais nem menos, é disponibilizada para seu seguidor Bolsonaro? Na verdade, a FDA, a Anvisa americana, proibiu seu uso por trazer perigo aos pacientes – ou pensa Bolsonaro que o brother é muito seu amigo? Afinal, se fosse, não teria furado a fila e comprado todos os respiradores chineses quando o Brasil estava em plena negociação. Como dizia aquela senhorinha de Taubaté, “meu filho, pior cego é aquele que não quer ver”. Fica a dica!

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

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CENSURA

 

Causa espécie e grande preocupação que neste país – em que o artigo 220, capítulo V da Constituição dispõe claramente que a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, sendo vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística – uma charge genial do talentoso Renato Aroeira com a imagem do presidente Jair Bolsonaro tenha virado alvo de um pedido de investigação protocolado na Procuradoria-Geral da República pelo ministro da Justiça, André Mendonça, com a imediata abertura de um inquérito, tendo por base a Lei de Segurança Nacional. A atitude de intimidação e enquadramento do chargista pelo presidente é totalmente despropositada e merece repúdio e condenação, pois traz em seu bojo os tempos sombrios e nefastos do regime autoritário da ditadura militar, de lamentável memória. Liberdade de expressão, sempre; censura, nunca mais. Basta!

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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CHARGE

 

Se em junho o presidente Jair Bolsonaro já está brigando com chargista por causa de cruz vermelha que se transforma numa suástica, por causa de cor preta nas quatro pontas, querendo enquadrar o chargista na Lei de Segurança Nacional para investigá-lo e eventualmente condená-lo por isso, imaginem em agosto, se a charge for um mar de lama cercando o Palácio do Planalto, com a corda esticada se rompendo e o presidente se perguntando se está sozinho, diante do andamento das investigações do Supremo Tribunal Federal.

 

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

 

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RACISMO – ENXERGAR E VER

 

Nos últimos dias, minha prioridade de leitura do Estadão era o Fórum dos Leitores, por estar deveras curioso em conhecer a reação dos leitores às informações divulgadas por Lilia M. Schwarcz em entrevista ao Estado (‘Por que será que todos os nossos heróis são homens e brancos?’, 14/6)Quais as informações por ela divulgadas? “(...) dos 12 milhões de africanos e africanas que deixaram compulsoriamente o continente africano”, “(...) 4,8 milhões tinham como destino final o Brasil”. Ela conclui que “(...) o racismo também é institucional, porque nós vemos pretos e pardos, que segundo as categorias do IBGE correspondem a quase 56% da nossa população”, “(...) (não vemos pretos e pardos) em posições de mando, quase não vemos negros e negras na indústria de modas, quase não vemos negros e negras nas nossas esculturas e monumentos públicos”. Após apresentar essas situações, ela conclui: “(...) então, isso é um racismo institucional. Ele naturaliza e faz com que as pessoas enxerguem, mas não possam ver”. Será que parte dos leitores do Estadão é racista inconsciente e, portanto, julga natural que a maioria da nossa população (56%) fique marginalizada, sem condições de ocupar cargos de mando e indignas de esculturas e monumentos públicos? Já não é tempo de procurarmos honestamente as iniciativas necessárias para permitir que os negros possam efetivamente se equiparar aos brancos, em termos de educação e oportunidades no mercado de trabalho? Já não seria possível criar bolsas de estudos remuneradas exclusivas para negros? Por remunerada, entendo subvenção à família do beneficiado, para compensar a perda financeira que ele ou ela deixam de ganhar por se excluir do mercado de trabalho enquanto estuda, e todos os custos universitários, de estadia em pensões, alimentação e, por que não, de atividades recreativas? Lilia M. Schwarcz faz referência ao livro Dicionário da Escravidão e Liberdade, de sua coautoria.  Eu possuo um Kindle e garanto que vale a pena baixar pelo menos a amostra daquele livro, sem qualquer ônus financeiro, porquanto ela (a amostra) abrange detalhes que, pelo menos para mim, eram desconhecidos.

 

P. A. Santi pasanti@terra.com.br

Vinhedo

 

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HISTÓRIA

 

A história não é mais apenas uma coleção de datas, locais e eventos, é uma provocação, uma realidade e uma justificativa. A história se torna um chamado radical, se não um grito de guerra, mas qual é a história de qualquer evento? Um problema inicial na interpretação da história é que ela é fluida com base em quem está contando a história e até em quanto a história é conhecida. A história de Rodney King se tornou um ponto de virada na história, não apenas porque ele estava dizendo a verdade, mas quando foi apoiada por evidências em vídeo. A Austrália é um país com uma reputação positiva e é vista como uma sociedade amigável e aberta. Um exemplo do problema de ver a história foi quando o primeiro-ministro Scott Morrison disse com orgulho que “(...) não havia escravidão na Austrália” (11 de junho), mas ele foi rapidamente corrigido. A escravidão é ilegal na Austrália, como é na maioria dos países, mas a semântica de que a escravidão não existia porque os povos indígenas que foram colocados em fazendas como “trabalhadores” e “domésticos” e não receberam nenhum pagamento além de um teto e comida não eram escravos é certamente falho, pois isso é apenas escravidão legalizada. A semântica não muda a verdade nem deve ser usada para tentar mudar a história. Outra triste história dos maus tratos da história também vem da Austrália, onde uma empresa de mineração Rio Tinto explodiu, legalmente, um local indígena com pinturas rupestres de aproximadamente 46 mil anos. Quando a História pode ser destruída com tanta facilidade, também as lições da história. Precisamos aprender da história e ser honestos sobre o que aconteceu. Como pessoa branca de classe média, não tenho conhecimento ou compreensão real dos problemas envolvidos no Black Lives Matter além do óbvio, Black Lives do Matter, o tratamento de pessoas de cores diferentes é diferente, e a polícia deve proteger é do perigo, mas às vezes e com mais frequência nos EUA eles são o perigo. Minha única experiência de preconceito e trivial são as diferenças entre comunidades católicas e presbiterianas numa pequena cidade do interior, provavelmente com base nas histórias de quando as famílias viviam na Irlanda na década de 1850. Os grupos sociais ainda eram bastante separados, mesmo na década de 1960, e influenciavam as oportunidades de emprego e quem eram seus amigos. Um dos cartazes da Primeira Guerra Mundial perguntou “Papai, o que você fez na grande guerra?” e a base da pergunta se aplica tanto agora na guerra contra o racismo e a violência. A maioria das pessoas apoia a igualdade, mas não aproveita a oportunidade para caminhar, embora deva fazer alguma declaração, ajoelhando-se, vestindo um distintivo, doando para instituições de caridade e escrevendo para seus representantes eleitos. No final, serão as palavras ditas ou escritas em leis que farão as mudanças, embora as ações levem a essa mudança. A história registrará este ano como perigosa por causa do vírus da covid-19, vergonhosa por causa da morte de um homem, embaraçosa por causa do presidente Trump, mas o que eu quero que registre é que finalmente houve uma mudança para parar o racismo e a violência. Vou esperar, vou ficar de joelhos, espero.

 

Dennis Fitzgerald dfitzger@melbpc.org.au

Melbourne, Austrália

 
 
 
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