Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 03h00

Saúde pública

Marco do saneamento

Uma das mais importantes ferramentas para o desenvolvimento sustentável de uma nação é o saneamento. O novo marco do saneamento básico traz a esperança de um Brasil de vida com mais qualidade, trabalho com produtividade, enfim, de um país saudável e no rumo da prosperidade. Urge sanear os centros e as periferias metropolitanas, as pequenas vilas e cidades interioranas, onde escorrem a céu aberto as águas pluviais misturadas a dejetos, lama podre e lixo. Lugares fétidos e insalubres onde crianças brincam descalças e são vitimadas por doenças que as enfraquecem, as quais custarão, mais adiante, muitos recursos governamentais, dinheiro dessa própria população, para ações remediadoras de saúde pública. A partir de gestão eficaz e eficiente, com a prática e a técnica da engenharia capacitada e competente, chegaremos à solução adequada e inteligente.

PAULO CESAR BASTOS

PAULOCBASTOS@BOL.COM.BR

SALVADOR

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Futuro melhor

A aprovação do projeto do saneamento pelo Senado abre a exploração dessa atividade às empresas privadas. Trata-se de um mercado enorme, que pressupõe grande geração de empregos e investimento elevado, beneficiando mais de 100 milhões de brasileiros que sofrem com doenças que serão evitadas quando esse serviço os alcançar. O Congresso está de parabéns por essa promessa de um futuro melhor para todos nós.

ALDO BERTOLUCCI

ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Já não era sem tempo

Finalmente o Senado vota o novo marco legal para o saneamento básico no Brasil. O marco prevê investimento de cerca de R$ 500 bilhões até 2033 (12 anos!) para universalizar os serviços de água e esgoto, atendendo a 35 milhões de brasileiros, povo humilde, que não têm água encanada e cerca de 100 milhões que não dispõem de esgoto. Desde meus tempos de faculdade, há mais de 50 anos, quando das aulas de Saúde Pública, esse escândalo só vem crescendo. Minha esperança é que todos os garotos de peito nu e bermuda, descalços, cercados por águas imundas e que usam máscara contra a covid-19 não mais se sujeitem às múltiplas causas de diarreia, a qual vitimou em 2015 cerca de 2 mil crianças brasileiras.

HERMANN GRINFELD, médico

HERMANN.GRINFELD@YAHOO.COM.BR

SÃO PAULO

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Até que enfim

Com anos e anos de atraso e vergonhoso índice de mais de 50% da população sem acesso a saneamento básico, foi preciso a pandemia para abrir os olhos dos políticos para a necessidade de aprovar o marco legal.

MARCOS BARBOSA

MICABARBOSA@GMAIL.COM

CASA BRANCA

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Pandemia

Em São Paulo

O importante inquérito sorológico realizado pela Prefeitura de São Paulo e publicado no Estadão revela muito sobre a atual pandemia do novo coronavírus. 1) O número de casos é muito maior (dez vezes) que o detectado nos testes realizados nos prontos-socorros, postos de saúde e laboratórios, pois os assintomáticos e pouco sintomáticos constituem a maioria dos acometidos; 2) a prevenção é eficaz na redução de casos, pois o índice de infectados nos bairros de melhor padrão socioeconômico e menor aglomeração é muito inferior ao dos bairros periféricos (7,5% versus 12,5%); 3) a letalidade depende de tratamento precoce, e correto, de pessoas com melhor estado de saúde prévio, e foi três vezes maior nas áreas de padrão socioeconômico mais baixo; 4) o número final de infectados deve atingir cerca de 20% da população, como foi em Nova York e na Suécia, de vez que estamos ainda no platô de ocorrência das infecções e já temos 9,5% de infectados, e ainda temos ao menos dois meses de frio pela frente. Não foi necessário testar um quarto da população, como querem órgãos governamentais, para avaliar a taxa de infecção pelo vírus, bastou um bom inquérito sorológico com amostras representativas, a custo infinitamente menor. A alocação de recursos de saúde e administrativos pode ser feita dessa forma, como destacado na publicação. A nós, cidadãos, o inquérito sorológico recomenda manter a prevenção, a boa condição de saúde, buscar atendimento rapidamente e torcer para a chegada da primavera, quando o vírus deve reduzir a atividade por aqui.

BERNARDO EJZENBERG, médico

BERNARDOEJZENBERG@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Bolsonarismo

A fuga do ex-ministro

O subprocurador-geral do Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, afirmou que a retificação da data de exoneração do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, na terça-feira 23, confirma que houve fraude no processo: “Antes era ilegal e parecia haver fraude. Agora confirmou”. O ex-ministro é investigado pelo Supremo Tribunal Federal e chegou a afirmar em entrevista que precisava deixar o País porque temia ser preso. Horas depois de chegar aos EUA, o governo brasileiro publicara em edição extraordinária do Diário Oficial da União a sua exoneração, com a data de 20 de junho... Chegamos ao limite da galhofa!

CLÁUDIO MOSCHELLA

ARQUITETO@CLAUDIOMOSCHELLA.NET

SÃO PAULO

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Lobby das armas

Brilhante a reportagem que demonstra a quem interessam as ações deste governo (23/6). Sugiro ao Estado levantar também quantas vezes, na agenda, foram recebidas organizações evangélicas e quantas vezes foram recebidas organizações da sociedade civil ligadas à educação. Não haverá surpresas.

HÉCTOR BOTTAI

BOTTAIHECTOR@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Vivendo no passado

Fiquei pasma ao ler os cartazes dos bolsonaristas: nova Constituição e criminalização do comunismo! Parece que eles e o presidente ainda não souberam da queda do Muro de Berlim...

MONIKA ZOLKO

MZOLKO@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO


CONFISSÃO DA FRAUDE


O governo de Jair Bolsonaro cometeu fraude ao publicar no Diário Oficial de sábado (20/6) a desoneração do inútil e incendiário Abraham Weintruab. Porém essa edição extra do Diário Oficial somente foi autorizada depois que o agora ex-ministro, em fuga do Brasil, confirmou que já estava nos EUA. Pressionado pelas críticas de ser esse ato revestido de verdadeira mutretagem palaciana, apavorado, Jair Bolsonaro confessou essa grave ilicitude e mandou que fosse retificada a data no Diário Oficial, para sexta-feira (19/6). Advertido pelo Tribunal de Contas da União, o subprocurador Lucas Furtado disse que houve fraude neste processo de desoneração. Ora, é cristalino que não temos um governo sério e compromissado com o rigor da ética.  


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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PROBLEMA


Weintraub foi (agora) demitido na sexta-feira. Até no exterior o ex-ministro continua criando problemas.


Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo


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INDIGENTE MENTAL


“A prioridade total é que eu saia do País o quanto antes. Agora é evitar que me prendam, cadeião, e me matem” (sic), Abraham Weintraub. “Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim. Aproveito para dizer que estou bem. Quanto à culinária internacional, ontem fiquei tentado a comer uns tacos, acabou sendo KFC” (sic), Abraham Weintraub. Pobre Brasil! Além dos despautérios diários do nosso #PresidenteMorte, agora esta transgressão cometida pelo “mito” para fazer evadir este indigente mental (Weintraub), aviltando as normas morais e éticas obrigatórias a um presidente da República e eludindo a Justiça à qual o sr. Weintraub tem de prestar contas. Este ato configura crime de responsabilidade e acobertamento de criminoso. Enquanto isso, o indigente mental agradece os que o ajudaram a fugir (quem foge automaticamente se declara culpado), fazendo graça e aguardando para começar a receber seu polpudo dinheirinho. Nossa Justiça ainda pode evitar o ridículo internacional, anulando o passaporte diplomático, acionando a Interpol e extraditando o de cujus ex-ministro, sem esquecer seu ex-superior que também cometeu crime.


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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LAMENTÁVEL


Como comentar os danos que Abraham Weintraub causou na área da educação? E a omissão do presidente da República, calado, dando tempo para sua fuga para Miami? Somos governados por uma quadrilha, cujo chefe maior se chama Jair Bolsonaro. Triste e, no mínimo, lamentável.


Silvia Takeshita de Toledo silviattoledo@hotmail.com

São Paulo


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COMPENSAÇÃO


Se vale como compensação ou até mesmo consolo, a saída de Weintraub melhora as estatísticas de desemprego no Brasil, pelo menos na imprensa. Sim, desde Valeixo, o Diário Oficial procura desesperadamente um revisor de publicação.


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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DEMICIONÁRIO


demicionário Abraham Weintraub, antes de se despedir e abraçar o presidente Jair Bolsonaro, revogou a política de inclusão na pós-graduação de negros, indígenas e prioritários – como havia dito na surreal reunião ministerial de 22/4. É “isso” que vai representar o Brasil na diretoria executiva do Banco Mundial, uma pessoa que causa antes, durante e depois de suas andanças. Por outro lado, o presidente está morrendo de medo de que o ex-ministro volte e fale o que sabe sobre o clã Bolsonaro, por isso quer vê-lo cada vez mais longe do País!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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COTAS NA PÓS-GRADUAÇÃO


Grande injustiça o estabelecimento de cotas para pós-graduação. Os que receberam esse benefício para se graduar foram devidamente aprovados e encontram-se, agora, nas mesmas condições de preparo que os demais. Assim, não existem mais as diferenças de aprendizado que os levaram a entrar nas faculdades. Todos estão devidamente equiparados e será, agora sim, racismo limitar a entrada para alguns em benefício de outros.


Geraldo de Paula e Silva geraldo-paula2020@bol.com.br

Teresópolis (RJ)


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PRÓXIMO MINISTRO


Apesar de o atual e bem-sucedido secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, e de contar com o apoio do governador do Paraná, Ratinho Junior, de ministros militares e das Comunicações, Fabio Faria, além de empresários como Meyer Nigri, fundador da Tecnisa e apoiador de Bolsonaro, desde a campanha, foi ontem entrevistado pelo presidente, mas não houve o convite para assumir o Ministério da Educação. Além de ter um perfil técnico perfeitamente adequado para o cargo. Isso porque a ala ideológica mais ativa nas redes sociais sonha com um perfil mais próximo (pasmem) a Weintraub, que é aliado ao guru Olavo de Carvalho. Parece que o presidente, a cada escolha de ministros, atira em seu próprio pé.


Silvia Takeshita de Toledo silviattoledo@hotmail.com

São Paulo


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LOBBY


Sobre a manchete de 23/6, Lobistas de armas tiveram pelo menos 73 audiências no governo, Jair Bolsonaro foi eleito, entre outras coisas, por um discurso de facilitação de posse e porte de armas de fogo para a população. Tentando cumprir promessas de campanha, vejo com naturalidade reuniões com setores de armas e munições. Qual é o problema? Ou não existem lobistas do agronegócio, da indústria automobilística (vide Operação Zelotes, quando houve crime), sindicatos, etc.? Até onde sei, neste caso, existe lobby, mas não crime.


Fabio de São Thiago fsthiago@uol.com.br

São Paulo


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SEMPRE NA CONTRAMÃO


Para o Brasil, o essencial era tentar reverter, já em 2019, a recessão profunda e o desemprego recorde pela implantação das prometidas reformas. O lógico era aumentar a cooperação com o Mercosul e apressar a aprovação do acordo com a União Europeia, que passa pelo respeito ao meio ambiente, em particular na Amazônia. O crucial era colocar gente competente e de alta qualidade nos ministérios da Educação, do Meio Ambiente, da Saúde e da Justiça para conseguir tudo isso. A chegada da covid-19 ao Brasil não foi surpresa, o que estava acontecendo na Itália e na Espanha era de conhecimento de todos. Em face de tantas expectativas, o presidente Jair Bolsonaro foi frontalmente na contramão. A reforma da Previdência saiu sem seu engajamento, graças à colaboração do Congresso Nacional. Apesar de estar pronta, ele não mandou ao Congresso a reforma administrativa; e não se sabe se a reforma fiscal vai sair. Deu palpite, não bem-vindo, nas eleições de Argentina e Uruguai. Sua política ambiental predatória, de aproveitar a covid-19 para “passar a boiada”, irritou os investidores estrangeiros que estão ameaçando sair do Brasil se a destruição da Amazônia não parar, informou o jornal inglês Financial Times. Sua “participação” no combate da covid-19 limitou-se a criticar o STF porque liberou os governadores e prefeitos para tomar as medidas necessárias. Eis a situação do Brasil: temos um presidente cujo único objetivo é a sua reeleição. Para tal, toma decisões condenadas como atacar as instituições da República para satisfazer alguns seguidores exaltados. Ultimamente, vem praticando intensamente o toma lá dá cá com os políticos do centrão para evitar seu impeachment e salvar seu filho Flávio. Apoiar o presidente mesmo tomando decisões desastrosas não é patriotismo louvável, é fanatismo condenável.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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‘RACHADINHA’


Estou completamente de acordo com o leitor sr. J. A. Muller (Fórum dos Leitores de 24/6). Mas precisa pensar também naqueles que perderam o emprego, não recebem cesta básica nem os “míseros R$ 600”, que nem são tão míseros, enfim. Já sobre a rachadinha, é sabido que é uma prática bastante comum entre nossos legisladores. Então, que tal investigar todos os praticantes, e não só o ex-senador Flávio Bolsonaro? É difícil ser honesto neste país sem perder o apoio dos poderosos. Sergio Moro é um bom exemplo. Queiroz é só uma pontinha do iceberg. E fora da corrupção endêmica tem ainda toda uma estrutura ultrapassada de regalias que impede que o Brasil siga em frente como deveria.


Irene Gebhardt irene.margarete@terra.com.br

São Paulo


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DEBOCHE


Depois da prisão de Fabrício Queiroz, flagrado escondido há mais de ano na casa-escritório (!) de Frederick Wassef, em Atibaia, o ex-advogado da famiglia Bolsonaro declarou em alto e bom som, sem corar, que abrigou o ex-assessor e chefe do esquema da rachadinha do senador Flávio Bolsonaro “por razões humanitárias”. Com efeito, o deboche e o menosprezo diante da Justiça chega às raias do inimaginável, pois não?


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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RENÚNCIA


É melhor “jair” redigindo a renúncia. Depois de mais de 50 mil mortes por covid-19, o presidente Jair Bolsonaro, que em nenhum momento se solidarizou com as famílias e os mortos, foi ao Rio de Janeiro no fim de semana fazer demagogia no funeral de um jovem militar que morreu tragicamente quando o seu paraquedas não abriu durante um salto. Somente não percebeu a encenação quem não quis ou os talibãs que ainda o tratam como “mito”. Em qualquer lugar do mundo o caso Queiroz & Wasseff seria um escândalo que derrubaria o governo em 48 horas, mas aqui, deputados e senadores continuam fazendo cara de paisagem, escorando-se na pandemia, para não dizer na própria covardia, para não cobrar a renúncia deste incapaz que nos desgoverna. Já a imprensa continua blindando este governo para preservar a agenda entreguista de uma farsante, que já serviu a um dos maiores genocidas da América do Sul, o general chileno Augusto Pinochet, e que é tratado como gênio pelo tal mercado, a despeito da sua total incapacidade já comprovada pelos próprios resultados. O “Posto Ipiranga”, que chama funcionários públicos de parasitas, mas só trabalha até quinta-feira em Brasília, para voltar bronzeado na semana seguinte à capital federal, é a maior fake news da nossa História, ao lado do seu patrão miliciano. Nunca senti tanta vergonha de ser brasileiro como agora. Que este pangaré comece a redigir a própria renúncia, pois o Brasil não merece e não aguenta mais essa gentalha ordinária e mequetrefe no poder.


Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)


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SELEÇÃO NATURAL


A notícia de que existem mais de 5 milhões de influenciadores bolsonaristas no canal YouTube não deve assustar ninguém, pois não atenta contra o Estado de Direito, muito pelo contrário,  reforça a liberdade de opinião, já que a suspeita de que milhares dessas postagens foram apagadas dessa mesma plataforma pelos próprios blogueiros. Dá o caminho das pedras para impor que o uso desse importante veículo de comunicação seja responsavelmente para o bem. O que deve ser cobrado da plataforma é a fácil e precisa disponibilização da identificação de quem posta, para que a Justiça possa chegar com rapidez e certeza a quem viola as normas e puni-los exemplarmente. Essa gente, via de regra, se borra toda da mão da Justiça – a comprovação é essa repentina operação. Pode ser assim o começo de um processo de seleção natural, para esta incrível plataforma.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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UM FIO DE ESPERANÇA


Foi o que senti ao ler o magnífico artigo Pesos e medidas (21/6, A10), de J. R. Guzzo, notório mestre do jornalismo brasileiro. Concluí que ainda dá para esperar coerência de análise em nossa imprensa. Como se depreende da leitura da magistral coluna, é ensurdecedor o silêncio da mídia garantista quanto à clara inconstitucionalidade do inquérito das fake news, que ora tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) com grande apoio da maior parte da imprensa e da comunidade jurídica. Causa espanto que este mesmo pessoal, hoje absolutamente calado, bradava aos quatro cantos os supostos desrespeitos materializados pela Lava Jato ao Estado Democrático de Direito e ao princípio da ampla defesa. O então juiz Sergio Moro cansou de apanhar dessa gente, como todos se lembram, basicamente por simples filigranas da legislação levantadas pelos ardilosos garantistas, sempre dispostos a defender os notórios corruptos do petrolão. Só que hoje a coisa toda mudou. Essas pessoas não abrem a boca para aduzir a flagrante ilicitude do procedimento instaurado pela Suprema Corte, bem como de suas truculentas ordens contra parlamentares eleitos e blogueiros/youtubers bolsonaristas. Realmente, como pontificou o brilhante J. R. Guzzo, “o que se condena, no Brasil de hoje, não é o que foi feito. É quem faz”.


José Antonio Braz Sola jose.sola@globomail.com

São Paulo


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‘A LEI E A LIBERDADE’


Sem dúvida, “não cabe omissão do Estado” diante de “ações criminosas”, pois é “preciso investigar e punir os autores”, conforme editorial na página A3 do Estado de 21/6/2020. Contudo, essa verdade não autoriza a autoconsiderada vítima a investigar, colher provas, julgar e punir os suspeitos, tudo escamoteado dos advogados, o que caracteriza verdadeiro tribunal de exceção, circunstância que mereceu elegante, ponderada, porém contundente crítica do ministro Marco Aurélio, em pronunciamento repleto de lucidez e isenção. Mais grave ainda é admitir, como fazem alguns interpretes até por omissão, que aquele que já se manifestou publicamente, em exibição televisiva, de modo raivoso e irado contra os investigados, o que se deu com os nobres ministros Fachin, Moraes e Toffoli quando apreciaram a validade do inquérito das fake news, possam julgar com equilíbrio e de modo justo eventuais réus que foram adredemente hostilizados com incontido rancor estampado até nas expressões faciais. É verdade absoluta que o Estado não pode se omitir diante de ações criminosas, contudo, deve atuar respeitando os estritos limites constitucionais e de maneira isonômica, o que parece não ocorrer no caso em comento, como realçou com maestria o jornalista J. R. Guzzo em artigo publicado na página A10 da mesma edição do jornal que sempre foi motivo de orgulho do povo paulista pela coragem, sobretudo pela imparcialidade. Por qual razão inúmeros processos iniciados há vários anos tratando da suposta prática criminosa de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha envolvendo políticos carimbados não saem dos escaninhos, enquanto o “inquérito do fim do mundo” e outros que tais tramitam celeremente atropelando a pauta, na mesma velocidade dos procedimentos que objetivavam a libertar Lula? Quais os crimes mais graves, aqueles praticados por pessoas proeminentes que dilapidaram os cofres públicos e dilaceraram a Petrobrás, desviando dinheiro da saúde, da educação e da segurança para certos bolsos pessoais ou partidários, provocando por via oblíqua a morte de inúmeros brasileiros desamparados, ou aqueles praticados por pessoas que ameaçaram com fogos de artifício autoridades superprivilegiadas, que podem se defender acionando os detratores, obtendo o ressarcimento civil e a sanção criminal? A Corte Suprema é o mais elevado órgão do Poder Judiciário e merece o respeito de todos os cidadãos que defendem a democracia, inclusive, e em especial, dos usuários temporários da toga do pretório. Permanecem sem respostas essas perguntas que não calam, atormentando advogados atuantes há várias décadas, que defendem a aplicação de punição exemplar e justa a todos os delinquentes, independentemente da preferência política e ideológica, respeitados o direito à ampla defesa, o contraditório e o devido processo legal.


Ulisses Nutti Moreira ulissesnutti@uol.com.br

Jundiaí


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POLÍTICA


As colocações de J. R. Guzzo no artigo de 21/6 (A10), Pesos e medidas, a meu ver, são absolutamente pertinentes. Fatos e acontecimentos registrados atualmente no País, de um lado, e que realmente não contribuem em nada para a resolução dos nossos mais importantes problemas, as reformas, até também por causa desta pandemia, vêm tendo tratamento diferenciado em relação a atos tão abomináveis quanto estes que ocorreram em passado recente e que atualmente ocorrem, do outro lado. Sempre demonstrando um faro jornalístico elogiável, não perco as colunas de Guzzo, que fez uma análise brilhante e finalizou: “O que se condena, no Brasil de hoje, não é o que foi feito. É quem faz”. Concordo plenamente.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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‘PESOS E MEDIDAS’


A coluna do jornalista José Roberto Guzzo publicada no Estadão de 21/6 pontua magistralmente como os fatos se sucedem. Para quem sabe ler e enxerga o que vem ocorrendo na nossa Justiça fica muito clara a mudança de decisões do STF. Como é possível ao cidadão comum, aquele que não tem vez nem voz, lutar contra essa injustiça? Antes da chegada de Bolsonaro ao poder a esquerda mandava, pintava e roubava, e o que se via era só proteção aos vândalos que destruíam e queimavam plantações, patrimônios públicos e o que mais eles quisessem. Como citado no artigo, ministros do STF deram suas contribuições desrespeitosas ao combate à criminalidade, e agora posam de protetores da democracia. Qual? Aquela em que não se pode expressar o que se pensa, aquela que não tolera críticas e xingamentos, aquela que aponta fortes indícios de envolvimento de ministros no que nada se investiga, pune com censura quem levanta a ponta do tapete e prende aqueles que se manifestam contra essa série de abusos praticados? Triste o País quando se vê que a Justiça tem lado, pois seu papel deveria ser a independência, a transparência e o respeito à Constituição. Se não é para aplicar a lei igualmente para todos, o que precisa ser mudado?


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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ADIAR AS ELEIÇÕES SEM PRORROGAR MANDATOS


Portou-se bem o Senado Federal ao adiar, sem alardes nem muita discussão, as eleições municipais de outubro para novembro, em razão da covid-19 (Estadão, 24/6, A7). Espera-se que o mesmo ocorra na Câmara dos Deputados e, dessa forma, tanto a Justiça Eleitoral quanto os candidatos e suas equipes possam contar com mais 42 dias de prazo para os preparativos. Com isso, a campanha, que começaria em 16 de agosto, será aberta em 28 de setembro, quando se espera a epidemia em baixa. O importante é que no dia 1.º de janeiro os eleitos tomem posse, estando afastada a antidemocrática ideia de prorrogação dos atuais mandatos. A prorrogação de mandatos, que chegou a ser proposta, era um golpe contra o eleitor e só beneficiaria os prefeitos e vereadores mal avaliados, que, pela circunstância, não vislumbram a possibilidade de reeleição.

              

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo                                                                                                    

    

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A COVID-19 NO INTERIOR DE SP


Não é por acaso que o interior paulista tornou-se o epicentro do novo coronavírus. Infelizmente, já era bola cantada. Quem teve oportunidade de estar ultimamente em certas cidades do Estado ou de conversar com alguns de seus moradores sabe muito bem que boa parte da população desses municípios não deu a mínima importância para as orientações preventivas da doença após a flexibilização da quarentena. Aglomerações, filas, desrespeito quanto à necessidade de distanciamento mínimo e, sobretudo, má utilização ou mesmo ausência de máscara facial rolaram a rodo. Esse tipo de displicência, lamentavelmente também alimentada por alguns prefeitos e vereadores afoitos pela retomada da atividade econômica, cobra agora seu altíssimo preço.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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CORREIOS EM FRANGALHOS


Há 22 dias não recebo em meu endereço comercial a visita do carteiro. O desespero é não saber para quem reclamar ou saber que sua reclamação será tratada com total indiferença. Outrora um serviço exemplar, orgulho de todos os brasileiros... A distribuidora das correspondências fica na Rua Abílio Soares, 375 – Paraíso, São Paulo. Somente correspondências registradas ou Sedex têm sido entregues. Faturas de cartões, boletos, contas a pagar, extratos bancários, nada disso chegou nos últimos 22 dias. No mês passado, o intervalo entre uma visita e outra foi de 18 dias. Ou seja, o problema já persiste há dois meses. A pandemia não pode ser justificativa para reagir com tamanha indiferença, em se tratando de um serviço essencial. Quem pode parar por 22 dias não precisa mais voltar. A gente se vira e vai mudando tudo para o formato digital. Quem precisa dos Correios?


José Antonio Camargo de Carvalho jacc@cardmonitor.com.br

São Paulo

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