Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2020 | 03h00

Economia na pandemia

Injustiça social

Estado de ontem trouxe três textos de suma importância para a Nação: artigo do professor José Pastore sobre a recuperação do nível de emprego, reportagem acerca da quantidade de desempregados e de gente que ficou sem remuneração em maio e, por fim, matéria sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) impedindo os Estados e municípios de reduzir salários de servidores. Esta é a grande tragédia nacional: como preservar e criar empregos, permitir que mais de 1,8 milhão de jovens ingressem no mercado de trabalho anualmente? O que temos hoje no Brasil é o processo mais injusto e desumano em décadas: milhões de desempregados e outros tantos milhões de trabalhadores da iniciativa privada na corda bamba, pagando impostos para sustentar a perdulária e ineficiente máquina pública. Há servidores ganhando fortunas sem sequer comparecerem ao local de trabalho, incluindo-se aí todas as categorias nas esferas municipal, estadual e federal. Pagamos salários altíssimos para servidores e inativos sem praticamente nenhum retorno. Impressiona o STF tomar medida que aumenta ainda mais a injustiça social. Sem falar na quantidade de servidores que estão envolvidos em fraudes, desvios de dinheiro, corrupção ativa e passiva. Temos hoje a maior transferência de renda da História – de pobres para ricos!

ANDRÉ LUIS COUTINHO

ARCOUTI@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Eles é nós

O STF decidiu que Estados e municípios endividados não podem reduzir salários dos servidores (eles) como forma de ajuste das contas públicas, alegando que isso fere a Constituição. No setor privado (nós) o governo permitiu a redução de 25% a 70%, medida que atingiu milhões de trabalhadores. O agora Judiciário também divide o Brasil entre “eles e nós”, esquecendo que no artigo 5.º da nossa Lei Maior está escrito que todos somos iguais, etc., etc... O corporativismo deixa o Brasil a cada dia mais desigual.

SYLVIO FERREIRA

SYLVIOFERREIRA@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Iguais perante a lei...

Então, os trabalhadores da iniciativa privada foram demitidos ou tiveram os salários cortados, mas o STF proíbe o corte emergencial de salários dos servidores públicos?! Como sempre, para o povo a conta... E viva a Constituição!

MILTON BULACH

MBULACH@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Como assim?

Após a perda de emprego de grande parte da população e o Executivo, juntamente com o Legislativo, decidir ajudar os mais desvalidos com parcelas de R$ 600 mensais que sairão do bolso de todos nós, não é possível que os servidores públicos, que têm garantia de emprego, não possam contribuir nesta grave crise com parte de seus salários. Um absurdo.

ALROGER LUIZ GOMES

ALROGER-GOMES@UOL.COM.BR

COTIA

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Coesão social

Tomando conhecimento da decisão do STF em 24/6 contra a redução de salários do funcionalismo público, conforme previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal – e isso depois de 20 anos para deliberar! –, tive a confirmação de que, de fato, não vivemos numa sociedade democrática, em que todo o poder emana do povo e é exercido em seu nome. O povo apenas é chamado a votar, mas o poder mesmo é exercido pelas corporações enquistadas em todas as instâncias governamentais, e em seu benefício. Coesão social no Brasil serve tão somente como objeto de estudos meramente teóricos nas universidades.

CARLOS AYRTON BIASETTO

CARLOS.BIASETTO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Proposta de solução

Já que o STF proibiu a redução dos salários do funcionalismo, uma saída é dispensar comissionados e extinguir todas as gratificações. Dessa forma os governantes não correm o risco de ter problemas com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Estou certo de que esses comissionados não farão falta ao serviço público nem à população brasileira.

MOYSES CHEID JUNIOR

JR.CHEID@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Saneamento básico

Privilegiados

Finalmente foi votado o novo marco regulatório do saneamento básico, com o fundamental objetivo da universalização desse serviço no Brasil. Mas terá ele a capacidade de remover todo o lodo encastelado nas hostes da privilegiatura?

EDUARDO ROTENBERG

EROTENBERG53@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Bolsonarismo

Rejeição no Banco Mundial

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub agradeceu às “dezenas de pessoas” que o “ajudaram a chegar em segurança aos EUA”. Seria bom ser esclarecido que ajudas foram essas e quem foram os ajudantes. Cidadãos com passaportes válidos e visto em dia não precisam desse tipo de ajuda. Só imigrantes ilegais precisam de “ajudantes”, mais conhecidos como coiotes. Seria o caso...?

JOÃO ISRAEL NEIVA

JNEIVA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Milicianos

Lamentável a comprovação pelo Ministério Público de que pessoas ligadas ao senador Flávio Bolsonaro mantinham estreito contato com chefe de milícia criminosa. A cada dia vão surgindo fatos que põem a família, em especial o próprio presidente, em situação que exige explicações, e não só críticas, como costumam fazer.

URIEL VILLAS BOAS

URIELVILLASBOAS@YAHOO.COM.BR

SANTOS

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Paleta

Atribuída ao cantor Lobão a célebre frase de que “discutir com petista é como jogar xadrez com pombo”. Venho de descobrir que agora, com os bolsonaristas, mudou... somente a cor do pombo!

NILTON BARBUY

N.BARBUY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

 

SANEAMENTO – O BRASIL QUER SABER

 

O Brasil comemora a aprovação do novo marco regulatório do saneamento básico e, ao mesmo tempo, se preocupa com a possibilidade do surgimento de uma nova e gigantesca fonte de corrupção. O País quer saber quais serão as medidas que vão impedir que aconteça com o saneamento básico o mesmo que aconteceu com a Olimpíada, com a Copa do Mundo e com o canal de transposição do Rio São Francisco: roubalheira generalizada. Os agentes são os mesmos: os mesmos políticos e as mesmas empreiteiras de sempre, fraudando concorrências, distribuindo propinas, superfaturando obras, aprovando aditivos. Logo mais, o Orçamento de R$ 500 bilhões vai virar R$ 1 trilhão, as obras não ficarão prontas nunca e, se ficarem prontas, não vão funcionar direito. Infelizmente, esta é a realidade do Brasil, e, se tudo transcorrer como de costume, teremos o maior assalto aos cofres públicos de todos os tempos. O Brasil quer saber o que será feito para impedir que a história de sempre se repita.

 

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

 

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ATRASO CRIMINOSO

 

Embora com muito atraso, foi aprovado no Senado o novo marco legal do saneamento básico. Falar sobre o leite derramado neste caso é necessário: quantas vidas não poderiam ter sido salvas se este atraso não tivesse havido? Quantos empregos teriam sido salvos? Enfim, a correlação que há entre esgoto, água potável, meio ambiente e saúde é óbvia. Como sempre, a política malfeita atrapalha muito a vida dos cidadãos, motivo pelo qual hoje temos 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada, que devem ter contribuído para as estatísticas da covid-19. Lamento a insensibilidade dos governantes e dos políticos que deixaram o cavalo arreado passar e não o montaram.

 

Mário Negrão Borgonovi marionegrao.borgonovi@gmail.com

Rio de Janeiro

 

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SANEAMENTO DE IDEIAS

 

Como era de esperar, os 6 senadores do PT votaram em bloco contra o novo marco legal do saneamento. Ainda antes da votação os senadores tentaram obstruir a pauta alegando não ser este o momento oportuno para o pleito, em decorrência da pandemia, mas o motivo real é a velha e conhecida ladainha de que a abertura das licitações para a iniciativa privada obedece à “nefasta” ordem neoliberal e que os mais pobres vão padecer sem investimento público. Ora, se o investimento público no setor fosse eficaz, não haveria atualmente 100 milhões de brasileiros carentes de saneamento básico. Nem as sucessivas administrações petistas conseguiram modificar essa cifra vergonhosa. O PT precisa, isso sim, sanear urgentemente suas ideias obsoletas.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

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ÁGUA & ESGOTO

 

Aprovado o marco regulatório do saneamento, até alguns políticos têm aspecto de mais limpinhos. Já os de sempre...

 

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

 

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SANEAMENTO BÁSICO

 

Inquestionável o acerto do projeto de saneamento básico com a participação da iniciativa privada, aprovado pelo Congresso Nacional. A oposição do PT é parte do ilusionismo estatal da esquerda. Porém, é imprescindível a máxima seriedade nas contratações e na execução das obras, dadas a conhecida imoralidade presente nos contratos entre o Estado e as empresas privadas em nosso país, a absoluta falta de escrúpulos, mesmo nas hipóteses de carências humanas básicas, como acabamos de ver nas ocorrências infames ligadas ao combate ao coronavírus, simplesmente vampirescas. Pode-se afirmar que o número de óbitos na crise poderia ser muito maior, considerada uma população em que perto da metade – 100 milhões de compatriotas – não possui serviço de esgoto, que corre a céu aberto, e água tratada, vergonha inominável no mundo deste século.

 

Amadeu Garrido amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

 

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DESINTERESSE

 

Apesar da aprovação do marco legal do saneamento, sabemos o porquê do desinteresse por tais obras: ficam embaixo da terra, ninguém vê e não dão voto. Já é realidade o uso de inteligência artificial, rede 5G, carros elétricos e autônomos, e o Brasil jactando-se da universalização de serviços essenciais para (talvez) 2033. Até ser realidade, é se contentar com uma rede precária e ineficaz de saneamento para ricos e saRneamento para os mais desfavorecidos.

 

Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo

 

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MOTIVOS PARA DESCONFIAR DO OTIMISMO

 

A expectativa lançada sobre o setor do saneamento com a aprovação do novo marco legal (PL 4.162) é enorme: há 30 milhões de brasileiros sem acesso a água tratada e 104 milhões sem serviço de coleta e tratamento de esgotos; milhares de municípios ainda mantêm lixões e muitos têm problemas de drenagem urbana. Os impactos ambientais e sociais de tais déficits são enormes; o impacto na saúde pública é nefasto – magnificado, inclusive, na presente pandemia, afetando principalmente os desfavorecidos. A aposta é que, de uma vez só, vai se resolver o problema do saneamento ao qual agora se soma a retomada da economia, que seria hipertrofiada no/pelo setor. Sou engenheiro sanitarista há 33 anos e cientista social há 26 anos, e não estou otimista por cinco motivos, que expando a seguir: 1) não há engenheiros sanitaristas (formados com 5-6 mil horas de aula em seus cursos) suficientes para desenvolverem os projetos de engenharia necessários. Os cursos brasileiros de engenharia sanitária foram extintos, os engenheiros ambientais aprendem em 3-4 mil horas-aula apenas tópicos básicos de saneamento e os engenheiros civis têm, dentre suas 4-5 mil horas-aula, algumas centenas de horas-aula de saneamento, o que os torna aptos a buscar no saneamento uma especialização, mas não uma vocação inata. Levará alguns anos para reverter tal situação e prover profissionais novos no mercado, que não os atrai há décadas. 2) Muitas empresas de projetos e consultoria em saneamento cessaram atividades sistematicamente nos últimos anos. Alguns veem na paralisação atual da economia uma pá de cal, e não uma flor de fênix. Muitas não aguentaram a crise econômica desde 2015, e outras não sobreviverão à pandemia de covid-19 sem traumas profundos em sua capacidade de trabalho, pois enfrentam condições de mercado de trabalho “pelo menor preço” (incentivado pela pseudoausteridade do Estado brasileiro, que releva qualidade ao preço), sem um mínimo de excelência técnica. Maus projetos resultam em obras inacabadas ou sistemas ineficientes – já os temos aos montes! 3) A lógica de buscar capitais privados para o investimento que as estatais, com raras exceções, não foram, não são e não serão capazes de fazer envolve aumentos nas contas, recuperação de tarifas e esbarra em decisões talvez equivocadas (e difíceis de reverter) que impedem cobrar taxas de custeio direto de gestão de resíduos sólidos e de drenagem urbana nos moldes em que se cobram tarifas de água e esgoto. Ao fazer valer o princípio usuário-pagador, o atual não usuário de água e esgoto terá condições de arcar com contas, mesmo com subsídios de interesse social? A privatização deu certo na Inglaterra, por exemplo, porque havia renda e capacidade de absorver tarifas realistas para amortizar investimentos em longo prazo, não apenas disposição para pagar – hoje uma retórica tão repetida. E, também, havia um forte mercado de capitais – inclusive com dinheiro de aposentados e suas viúvas, que investiram nas empresas privadas, cobrando-lhes não apenas lucro, mas resultados, o que se chamou de “governança”. 4) Culturalmente, internet e telefonia celular se tornaram serviços mais valorizados do que água, esgoto, gestão de resíduos e drenagem urbana. Redes sociais preponderam sobre as redes de saneamento. Será possível disparar uma mudança cultural por lei? Ou a lei eficiente é que segue a mudança cultural? Vimos, na crise hídrica de 2013-2015, os recursos hídricos (e o saneamento, a reboque) se tornarem pauta da imprensa e “prioridade” política, mas esses temas não se tornaram agenda central do pensar um país melhor e mais justo, mais resiliente e menos vulnerável não só para os menos favorecidos, mas para todos (até porque aos menos favorecidos é tentador sucumbir ao crime e atacar os mais favorecidos, esbarrando no problema de segurança – outra “prioridade” dos políticos). 5)  Nas maiores metrópoles do País há casos de avanços significativos em direção à universalização do saneamento (atendimento total por água, coleta e tratamento de esgotos, extinção de lixões e controles razoáveis de drenagem urbana), mas a dinâmica metropolitana nos impõe um teto paradigmático que está muito próximo de ser atingido. O mercado imobiliário é gentrificador por natureza, pois empurra os pobres para habitações subnormais (que foram promovidas de favelas a “comunidades”) em áreas de risco e/ou ambientalmente sensíveis, que simplesmente impedem a passagem de coletores de esgotos, acesso a veículos de coleta de lixo e deixam milhões na vulnerabilidade das enchentes. É necessária uma reforma urbana mais ampla, governança metropolitana, inserção social, resolução do déficit habitacional com qualidade de vida na habitação de interesse social – e não com conjuntos habitacionais periféricos sem infraestrutura e afastados dos locais de trabalho e consumo, separados dos centros urbanos por vazios especulativos que nossas projeções populacionais indicam que talvez jamais sejam ocupados pelo interesse social, mas sim por novos desenvolvimentos imobiliários para os já abastados, reafirmando segregação social e racial, criando ou reforçando guetos de não cidadania, aos quais o saneamento não chega e, possivelmente, continuará não chegando. Torço por dias melhores, mas a aprovação do PL 4.162 não dispensa a busca da solução para vários outros problemas que impedem o setor de saneamento deslanchar – e muito mais salvar a lavoura de uma economia destroçada pela paralisação decorrente da pandemia sem precedentes, num momento em que se radicalizam posições ideológicas contra políticas redistributivas indispensáveis num país com tantos marginalizados não só pelos déficits do saneamento, mas por um longo processo histórico de sucesso questionável na construção de uma nação. Os ajustes de regulamentação e a transição do modelo atual para o novo demandam alguns anos, e o déficit por investimentos permanecerá no aguardo de segurança jurídica maior, mercados de capitais, renda compatível com tarifas capazes de cobrir custos e amortizar investimentos, além de gerar lucro. As necessidades de investimento para universalizar o acesso ao saneamento – dezenas de bilhões de reais por ano ao longo de múltiplos anos – são as mesmas há décadas! Vimos o Planasa falhar, levamos dez anos para votar o que virou a Lei 11.445, outros tantos anos para a Política Nacional de Resíduos Sólidos, para o Estatuto das Cidades e, depois, o das Metrópoles, e só vimos postergar suas metas ou rediscutir seus modelos porque nunca pensamos ou efetivamente atuamos nos cinco motivos discutidos acima. Poderemos ver o Plansab falhar também. Se nossas lideranças políticas conseguirem se unir não apenas em torno do PL 4.162 (e dos buracos de municípios inviáveis e cidadãos miseráveis que será incapaz de atender), aí terei alguma esperança. Serão nossos senadores e congressistas (depois nossos governadores, deputados estaduais, vereadores, juízes, promotores, funcionários do Executivo, etc.) magnânimos daqui por diante, para atacar toda a complexidade que subjaz o prognóstico de sucesso desta louvável iniciativa? Continuarei trabalhando duro para ver.

 

Luiz Henrique Werneck de Oliveira luizwerneck64@gmail.com

São Paulo

 

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A MÁQUINA DO ‘MEU PIRÃO PRIMEIRO’

 

Analisando o funcionamento dos responsáveis pelos poderes da República, verificamos que cuidados redobrados são gastos na análise de todo o universo que abrange os direitos e obrigações da população, mas, ao olharmos para dentro dessa máquina, verificamos a existência de direitos demais e obrigações de menos, tudo previsto na nossa Constituição cidadã, defendida com unhas e dentes pelos beneficiados. O que não vejo é análise criteriosa na aplicação dos recursos disponíveis, que prioriza altos salários em detrimento de investimentos necessários para a população. Falta direcionar, como atualmente a mídia divulga, o descalabro motivado pela falta de sua aplicação em saneamento  básico. A solução encontrada, alardeada, é procurar investidores privados para solucionar tal problema, pois nossos políticos sabem que recursos dificilmente serão aplicados nessa área (pois, enterrados, não são vistos e avaliados pela população – não dão votos). Resta saber o custo para a população, porque a iniciativa privada, como em todo investimento por ela executado, almeja o lucro. Isso prova que nossa máquina, além de caríssima, é incompetente e corrupta. Até quando?

 

Itamar C. Trevisani itamartrevisani@gmail.com

Jaboticabal

 

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ÉPOCA IMPRÓPRIA

 

A aprovação do marco legal do saneamento básico pelo Senado é de suma importância, só que na época imprópria. Gera despesa e a votação foi vapt-vupt, enquanto a reforma da Previdência, que reduz despesa, foi uma longa novela. Tudo tem sua hora certa, o momento oportuno. Jogar para a plateia é fácil, difícil é colher dinheiro em árvore. A covid-19 requer imprevisíveis recursos financeiros e tem sido prioritária, consumindo em poucos meses mais que a economia em dez anos na Previdência. A dívida pública em 2019, de 77% do PIB, as receitas em queda desenfreada, em 2020 crescimento negativo de 9,5% e aumento de desemprego, enquanto nos Três Poderes, com empregos garantidos, são mantidos salários e mordomias, e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que atrela os gastos em relação às receitas não pode ser desrespeitada. E agora, José? Na contramão, nossos deputados e senadores têm de ter os pés no chão, legalizar o corte na própria carne, o momento é de sacrifício por causa das combalidas finanças, despesas em ascensão e receitas em queda livre. Para os Três Poderes, é pecado podar as mordomias e reduzir salários, enquanto as demais classes estão na pior (em respeito ao leitor, não sou adepto a palavrões).

 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

 

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PROBLEMA QUE SE ARRASTA

 

Sou assinante do Estadão há 40 anos. Bastante tempo! Pois é, há mais de 40 anos que o problema do desmatamento da Floresta Amazônica é notícia deste jornal. Ontem mesmo, dia 25/6, o jornal trouxe o assunto no editorial Desmatamento e fuga de capital e na coluna de William Waack Guerra perdida. Pelo jeito, desde que o Brasil existe a Amazônia tornou-se uma fonte de riqueza e um grande problema para o País. Na verdade, desde que a rica floresta tornou-se um patrimônio da humanidade o Brasil não teve mais sossego, o mundo inteiro reclama de que o dono da Amazônia não cuida bem do grande patrimônio. De fato, por falta de recurso financeiro e humano, o Brasil não consegue cuidar bem da rica floresta. Como diz Waack na sua coluna, “sem conseguir controlar as várias crises, o governo não controla mais a imagem externa”. No editorial, o presidente do Itaú, Candido Bracher, diz que “precisamos nos mover” contra os incêndios na Amazônia. Será que até hoje ninguém pensou em fazer um enorme consorcio internacional para preservar a Amazônia? Se depender só do Brasil para fazer isso, a rica floresta está sujeita a ser depredada, e o mundo perderá o “pulmão da humanidade”, como se costuma dizer.

 

Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba

 

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DE$MATAMENTO DA AMAZÔNIA

 

Carta enviada a embaixadas brasileiras por 29 instituições financeiras de 8 países europeus, que respondem por ativos de exorbitantes US$ 3,75 trilhões (!) de fundos, bancos e gestoras de investimento, deixaram claro o aviso e a ameaça de que, se não for contido e combatido o crescente desmatamento da Amazônia, haverá expressivo desinvestimento no Brasil. A proteção da riquíssima biodiversidade verde-amarela deixou de ser uma causa nacional para se tornar uma questão de sobrevivência planetária. Como disseram os ex-ministros do Meio Ambiente dos países envolvidos que assinam a carta, “sem sustentabilidade, não haverá futuro para nenhum povo”. Basta de destruição e de negacionismo. Amazônia verde de pé.

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

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INVESTIMENTOS NO BRASIL

 

Instituições financeiras de oito países europeus deram um ultimato ao governo brasileiro. Desejam que se cuide melhor das questões de desmatamento na Amazônia e dos direitos humanos. A penalidade será a saída dos investidores do País e, certamente, ausência de investimentos novos, por influência dos ameaçadores. Resulta, pois, que o Brasil não teve uma política internacional adequada, via Itamaraty, a fim de conter a agressividade dos grandes investidores, da mesma forma que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não mediu adequadamente suas palavras – seu “passar a boiada” correu mundos e fundos. Será tarde para o arrependimento? Se for, o Brasil deve arcar com o ônus. Mas nem por isso tentativas devem ser postas de lado, tais como: demonstrar às nações interessadas do planeta que o Brasil está a impedir as queimadas e que os direitos humanos são respeitados. O governo poderá, ainda, pedir o apoio da OAB e de entidades ambientais para corroborar sua boa-fé nas resoluções.

 

José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro

 

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AS DEZ PRAGAS DA BÍBLIA

 

Deus castigou as atitudes iracundas e erradas do faraó egípcio enviando-lhe dez pragas. A dos gafanhotos foi a oitava. Sugiro ao Messias Bolsonaro repensar seus atos. Não temos tempo, os gafanhotos já estão no Paraguai.

 

Marize Carvalho Vilela marizecarvalhovilela@gmail.com

São Paulo

 

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TEMPOS

 

Nuvem de areia, nuvem de gafanhotos, vírus indomável, terremotos, a natureza se manifesta obedecendo Àquele que a criou para chamar a atenção das pessoas destes tempos que os homens não estão agindo de acordo com a vontade dEle.

 

Lourdes Migliavacca lourdesmigliavacca@yahoo.com

São Paulo

 

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REJEIÇÃO INTERNACIONAL

 

Associação de funcionários do Banco Mundial pede suspensão de nomeação de Weintraub (Estadão, 24/6). O ex-ministro da Educação é rejeitado até por seus futuros coleguinhas!

 

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

 

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AFRONTA DIPLOMÁTICA

 

Se o Brasil não merece essa desfeita de Jair Bolsonaro, com a indicação de Abraham Weintraub para uma diretoria do Banco Mundial, entidade cujos próprios funcionários exigem a rejeição desse indicado, o que dizer, então, da fraude patrocinada pelo próprio presidente para que seu inapto ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, fugisse do País para a terra de Tio Sam?! Isso não só nos envergonha, mas também se configura um literal passa-moleque nos EUA. Propositadamente, a desoneração de Weintraub foi publicada no Diário Oficial no sábado (20/6), para que pudesse viajar – ou fugir – ainda com passaporte diplomático e entrar sem restrições nos EUA. Ou seja, um golpe sujo. É como se fôssemos todos idiotas – e ainda pior ficou quando o presidente, atingido por duras críticas sobre esta farsa, republicou a desoneração com data de sexta-feira (19/6). Será que os EUA vão engolir este grave ato diplomático?

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

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JUSTIÇA

 

O ministro Alexandre de Moraes mandou prender a sra. Sara Giromini, suposta líder do movimento 300 do Brasil, sob a alegação de extremismo. Agora, mandou soltá-la, mas ela deverá portar tornozeleira eletrônica e ficar a pelo menos 1 mil metros do STF ou do Congresso Nacional, alegando “ameaças” por parte dela. Pois bem, se for verdade, é até cabível. Mas não entendo o fato de Lula e José Dirceu estarem soltinhos da Silva, uma vez que, comprovadamente, são grandes e perigosos meliantes e criminosos, julgados culpados em duas instâncias. Afinal, que Justiça é esta?

 

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

 

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A VOLTA ÀS AULAS

 

Aulas voltam em São Paulo a partir de 8 de setembro de forma escalonada (Estadão, 24/6). A volta tardia às aulas no ensino público em São Paulo é um claro sinal de que não importa se o aluno aprende, o fato é que não haverá reprovação. Some-se a isso o fato de que as escolas não estão preparadas para receber seus alunos. Sem contar que muitas escolas nem dispõem de professores para atender à demanda, alunos sem material, sem uniforme, etc. Mas convém perguntar: se prepararam nos últimos 30 anos? Bom lembrar que essa pandemia quebrou muitas escolas privadas. Estas deram descontos para manter seus alunos e, por ineficiência do ensino público, são obrigadas a manter seus alunos em casa, quando na realidade elas têm espaço suficiente, estrutura, organização e gestão – o que não se vê no ensino público. Já a presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) também achou prematura a volta às aulas. Por aí se vê que a aprendizagem dos alunos não faz parte das prioridades nem do governador de São Paulo e muito menos da presidente da Apeoesp. Esses pesos e medidas deveriam ser avaliados de acordo com suas realidades.

 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

 

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OS SEM-SINDICATO

 

O governador João Doria e o prefeito Bruno Covas resolveram abrir comércio, shoppings, bares, etc., mas escolas não. Elas foram relegadas para 8 de setembro e, mesmo assim, aos pouquinhos. Isso não tem lógica, dadas as várias atitudes destrambelhadas tomadas até hoje. Já retiraram automóveis das ruas num rodízio louco, abarrotando de usuários o transporte público. Os parques, onde a população confinada poderia fazer esporte, caminhadas, etc., estão fechados. Mas os shoppings, magazines, ambientes fechados, estão abertos. Não dá para entender que a retórica seja “segurança dos alunos”, quando sabemos que o lobby do sindicato dos “250 mil professores e 65 mil servidores” é feroz, assim como o dos sindicatos do comércio, bares, restaurantes e indústrias. Já os pais dos alunos só terão como reclamar a cada quatro anos, no voto. O mundo não é dos espertos, como pensávamos, mas dos que têm sindicato.

 

Beatriz Campos beatriz.campos@uol.com.br

São Paulo

 

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PRIORIDADES

 

Em setembro, apenas, teremos a volta às aulas, que foi deixada por último, enquanto lojas e shoppings já estão em pleno vapor. Tudo é uma questão de prioridade.

 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

 
 

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