Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2020 | 03h00

Economia na pandemia

Arte de desgovernar

Parabéns pelo editorial O STF contra a arte de governar (26/6, A3), uma crítica contundente a partir de análise precisa e objetiva. Lamentavelmente, o poder público pouco ou nada tem feito para colaborar, nesta enorme crise fiscal que o Brasil terá de enfrentar neste ano de 2020 e nos próximos. Os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) deveriam sair de suas torres de marfim e começar a eliminar ou ao menos diminuir suas mordomias, a começar por dois meses de férias, e usar a vasta estrutura de suporte de que dispõem para termos uma Justiça ágil e eficiente. O atestado de ineficiência do STF está sintetizado no trecho final do editorial: “O Supremo começou a julgar essa lei pouco depois de sua promulgação. Isso foi há 20 anos”.

FRANCISCO PAULO URAS

FRANCISCO.URAS@URAS.COM.BR

SÃO PAULO

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Foram 20 anos para isso?

Nada como o tempo para apagar os vestígios de uma luta. Foi o que aconteceu com a decisão do STF de proibir a redução de salários do funcionalismo. O Brasil que sobreviveu aos militares transformou um único partido no senhor dos nossos anéis. Foi um porre tão grande que a maioria do bancos estatais faliu, porque aos novos donos do poder tudo era possível, até mesmo explodir os cofres da Nação, levando a inflação ao recorde de cerca de 80% em um mês. Para chegar ao Plano Real foram muitos anos de miséria, em que a única receita contra a inflação era receber o salário e no mesmo dia correr ao supermercado para comprar tudo o que fosse possível, porque no dia seguinte os preços já haviam subido – os supermercados tinham funcionários que passavam o dia inteiro remarcando preços, inserindo novas etiquetas nos produtos. Com o Plano Real, depois de várias outras tentativas fracassadas, chegou a estabilidade da moeda. Mas contra a estabilidade monetária havia vários cadáveres insepultos, como os direitos adquiridos (sempre os direitos adquiridos!) do funcionalismo público. Como antídoto criou-se a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impunha limites aos senhores do poder de plantão. Para essa lei ser aprovada foi feito um esforço descomunal. Enfim aprovada, ela entrou em vigor em 2000. E no mesmo ano já foi questionada. Durante estes 20 anos a lei mostrou-se eficiente e a maioria dos políticos a temia e lhe obedecia. E durante estes 20 anos a discussão no STF foi sendo empurrada. E agora veio a suprema decisão. Só a título de esclarecimento: 20 anos são tanto tempo que a legislação penal só concedeu esse período como prescrição ao crime de homicídio doloso.

WALDYR SANCHEZ

WALDYRSANCHEZ@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Ajuste inevitável

O ajuste das contas nos três Poderes é inevitável, diante da drástica redução na receita. A Lei de Responsabilidade Fiscal é sagrada, tem de ser rigorosamente obedecida, senão a vaca vai pro brejo: a situação agrava-se ainda mais e se perde o controle de vez. Não há alternativa.

HUMBERTO SCHUWARTZ SOARES

HS-SOARES@UOL.COM.BR

VILA VELHA (ES)

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Fora da realidade

O editorial O STF contra a arte de governar, sobre a decisão do STF de proibir os Estados e municípios de cortar salários de servidores públicos, deixa claro para a sociedade brasileira que a “aritmética econômica”, que vige no dia a dia para todos e regula a vida empresarial para todos os cidadãos, no Brasil não é seguida. Empresas e trabalhadores do setor privado que aceitaram mudanças de emergência para enfrentar a crise econômica que atravessa o Brasil e muitos outros países foram totalmente ignorados pelo STF, que protegeu o setor público e o tal “direito adquirido” de salários e benefícios, que são totalmente fora da realidade brasileira. Acorda, Brasil!

EDGARD GOBBI

EDGARDGOBBI@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Em causa própria

Não é possível que tenha passado despercebida pelo público a principal causa da negação da redução salarial dos servidores públicos pelo STF. É que os magistrados têm a garantia da irredutibilidade dos vencimentos e disso não abririam mão. Cláusula pétrea é isso aí.

ROBERTO MACIEL

ROVISA681@GMAIL.COM

SALVADOR

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Luta desigual

Tanta discussão para beneficiar os mais necessitados com parcelas de 500, 400 e 300 reais mensais e deixam os privilegiados abocanhar esse valor por dia, no seu trabalho “profícuo”, fora os penduricalhos?! Isso mostra a qualidade dos nossos gestores e políticos e da interpretação da Carta cidadã.

ITAMAR C. TREVISANI

ITAMARTREVISANI@GMAIL.COM

JABOTICABAL

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Serviço ao público caro e ruim

Enquanto nós, os trabalhadores privados, com salários reduzidos ou sem renda, temos de pagar integralmente os salários dos servidores públicos, fica cada vez mais caro esperar em filas, conviver com a burocracia e a má vontade e, principalmente, enfrentar processos ultrapassados e inovações precárias.

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Enel

Via-crúcis do consumidor

Já passei por diversos tipos de torturas com operadoras de telefonia celular, TV paga, consórcios, empréstimos consignados, etc. Mas, certamente, ninguém supera a Enel, essa fornecedora de energia elétrica é imbatível no quesito atendimento, ou falta dele. Além das intermináveis esperas que sempre acabam em descaso e desrespeito jamais vistos, todos os canais de contato são tão terrivelmente complexos que fazem o cliente desistir. Suas contas explodiram, com reajustes que passam de 100%, sem contar o descaso no atendimento de situações consideradas graves. Em seu contato de emergência, desisti após 40 minutos de espera. Alguém vai tomar alguma providência?

ELIAS SKAF

ESKAF@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO


LUTA POR DESIGUALDADES


A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) impedindo Estados e municípios de reduzirem salários de servidores públicos – medida imprescindível para reequilibrar as finanças públicas – certamente os sufocará. Assim, fica claro que o objetivo da grande procura por ser um funcionário público é essa garantia, confirmada agora, e não a vocação para servir ao Estado. A decisão do STF também explica por que muita gente, massacrada no entendimento de que somente a iniciativa privada deve contribuir para este fundamental ajuste, odeia a Corte Suprema e quer a cabeça de ministros. Jair Bolsonaro teve o mérito de perceber esse grito e o ecoou nas eleições, fato que o ajudou a se eleger. Mas já deixou marcas inconfundíveis de que lutar por desigualdades não está no seu DNA.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro

 

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SOMOS DIFERENTES


O Brasil – leia-se o STF – conseguiu provar que os seres humanos são diferentes. Nós, simples mortais com o sangue vermelho, tivemos cortados os nossos salários e benefícios em 25% ou 50%, e muitos foram demitidos. O outro tipo de ser humano, cujo título é humanos públicos, cujo sangue não é vermelho, com certeza, saiu ileso destes cortes e pode usufruir de maior tranquilidade nestes dias da pandemia. Assim fica cada vez mais difícil... Bola pra frente, Brasil.


Mendel Szlejf mendels4@gmail.com

São Paulo


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CULPA DA CONSTITUIÇÃO


O STF decidiu que não se pode reduzir os salários de servidores, nem mesmo numa situação calamitosa como a que estamos vivendo. Conforme o ministro Luiz Fux, “a escolha foi feita pela própria Constituição, que estabeleceu todas as hipóteses de enxugamento da máquina sem fazer constar a redução de salário de servidores”. Em outras palavras, a nossa Constituição “Cidadã” determina que pode faltar dinheiro para tudo, menos para pagar os salários – inclusive os superssalários – irredutíveis dos servidores públicos, que ainda têm a coragem e a desfaçatez de afirmar que não são privilegiados. Quem sabe quando a situação passar de calamitosa para catastrófica – e vai passar – nossas instituições criem vergonha na cara. Se não o fizerem, a convulsão social será inevitável.


Herman Mendes hermanmendes@bol.com.br

Blumenau (SC)


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INJUSTO


Por 7 votos a 4, o STF decidiu que Estados e municípios endividados não poderão reduzir salários de seus servidores, pois isso afronta o princípio da irredutibilidade dos vencimentos, conforme reza a Constituição. Só como nota, o princípio de ir e vir, também um princípio da mesma Carta, foi flexibilizado pela mesma Corte, sob o argumento de estarmos numa pandemia. Portanto, dependendo do assunto, a Constituição é seguida ou não. Neste caso, é importante lembrar que aqueles membros da Corte também são servidores públicos, o que torna aquela decisão um tanto quanto dúbia, pois os afeta diretamente. Enquanto isso, os salários do setor privado podem ser reduzidos em até 70%, como alternativa para minimizar os efeitos na economia de um Brasil que parece não ser o mesmo daquela casta. Como referência, e talvez como uma reflexão sobre o que nós temos de sustentar, o Poder Judiciário desta República custa 1,3% do PIB, enquanto na Alemanha custa 0,2%; em Portugal, 0,2%; no Chile, 0,2%; na Colômbia, 0,1%; na Itália, 0,17%; e nos EUA, 0,10% (fonte: TV Senado). Parece que algo está errado, e não é com aqueles países. Portanto, aquela decisão soma-se a outras tantas que temos acompanhados quase diariamente com espanto, pois, se temos um desgoverno, de um lado, por outro lado temos uma Justiça que parece não ser tão justa e imparcial como se esperaria ter.


Ademir Alonso Rodrigues rodriguesalonso49@gmail.com

Santos


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DESAJUIZADOS


A decisão do STF que impede Estados e municípios de cortar salário de servidores em face da situação dramática em que se encontram para reequilibrar as finanças foi desajuizada. Nas contas do Tesouro Nacional, 12 Estados fecharam 2018 gastando mais do que o permitido com a folha de pessoal, além de a situação vir piorando dia a dia com os efeitos provocados pela pandemia de covid-19. Com a redução da jornada e do salário, os Estados poderiam economizar até R$ 38,8 bilhões. Foi negado o procedimento pelo STF sob a alegação de ser uma afronta à Constituição. Portanto, deixa quebrar. No setor privado (população trabalhadora que paga impostos absurdos para sustentar esta máquina governamental inútil), isso pode, pois uma medida provisória do governo Bolsonaro permitiu redução de 25% a 70% do valor dos salários, medida que já atingiu 11,5 milhões de trabalhadores. Ainda somos obrigados a ouvir o STF alegando e reclamando de que é alvo de chacotas, zombarias e deboche. Também pudera, sempre que o Judiciário tem de decidir entre sociedade e corporações, decide pelas corporações, né não?


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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DESÂNIMO


Quem é, como eu, crítico veemente dos que advogam o fechamento do STF, por suas implicações nefastas à nossa democracia, é tomado por enorme desânimo com decisões estapafúrdias daquela Corte, como aquelas que pretendem transformar os funcionários públicos numa categoria à parte e acima do resto da sociedade, ou ainda a de evitar que todos os poderes participem igualmente dos esforços de saneamento do serviço público. A repulsa aos que protestam com extremismo se transforma em compreensão.    


Alexandre Martini Neto amartini906@gmail.com

Rio Claro


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DESDÉM AO ESCÁRNIO


Li, com desdém ao escárnio, numerosas cartas no Fórum dos Leitores do Estadão de ontem indignadas com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impediu Estados e municípios de reduzirem salários dos servidores. Com sensibilidade perversa, o STF agiu em sentido contrário com os que trabalham na iniciativa privada. Não entendo como ainda existem brasileiros que olham para o STF como um tribunal. Ali quase tudo se passa como câmara de bem-aventurados para bem faturados.


José Maria Leal Paes tunantamina@gmail.com

Belém


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SALÁRIO DE SERVIDORES


Julgou com acerto o STF ao decidir que Estados e municípios não podem reduzir salários de servidores. Conquanto a medida tenha frustrado alguns governadores, principalmente o de São Paulo, que até já havia baixado um decreto draconiano contra servidores aposentados e pensionistas, prevaleceu a irredutibilidade de proventos, consagrada no artigo 37 da Constituição federal. Parabéns ao Estado por ter noticiado a matéria, com destaque, na primeira página da edição de 25/6.


Jarim Lopes Roseira ipa.saopaulo@ipa-brasil.org.br

São Paulo


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SONHO


A notícia deveria ser esta: “STF não permite reduzir o salário, já mínimo (pouco mais R$ 1 mil), da maioria dos servidores (80%), mas permite, sim, a redução de salário da minoria dos servidores (20%) que ganha muito (mais de R$ 20 mil). O máximo, agora, serão R$ 10 mil, já incluindo os benefícios”. Isso é um sonho! Só assim iriam resolver o problema brasileiro, e com aprovação de projeto para mudar a Constituição (1988).


Sérgio Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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UMA DENTRO


Até que enfim o presidente Bolsonaro deu uma dentro ao escolher Carlos Alberto Decotelli como ministro da Educação, dando honra ao mérito. Afrodescendente, oficial de reserva da Marinha, ex-presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), doutor por duas universidades, de perfil conciliatório. Desta vez, nosso presidente pensou no bem do Brasil, e não em caprichos pessoais, que causaram tantas desgraças: a demissão do médico Mandetta no início da pandemia, do ex-ministro Sergio Moro na luta contra a corrupção, no atraso na substituição de Abraham Weintraub, que tanto ofendeu o STF. O erro de governantes prejudica muito o povo. Votos de sucesso para o novo ministro!


Salvatore D’Onofrio salvatore3445@gmail.com

São Paulo


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RACHA-CUCA


O Senado adiou a votação do projeto sobre fake news. Talvez para pensar em como manter o  horário politico...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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MÁSCARA PARA BOLSONARO


Mais patético do que a Justiça precisar decidir que Jair Bolsonaro terá de usar máscara na rua, em Brasília, sob pena de ser multado em R$ 2 mil pelo governo do Distrito Federal, é a Advocacia-Geral da União (AGU) manifestar-se contra a medida, anunciando que vai recorrer da decisão. Surreal e inacreditável. A lei é para todos. Inclusive para o chefe da Nação. Se o super-homem Bolsonaro quer subestimar a covid-19, é problema dele. Mas contribuir para contaminar os outros é burrice e crime.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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AGORA VAI!


Agora, que o Messias foi juridicamente intimado a usar máscara na rua, sob pena de multa diária de dois pila, provavelmente o testudo vai passar um dia inteiro sem máscara, andando de patinete, skate, moto, patins, pônei, carrinho de rolimã, cavalinho de parque de diversões, no colo de bolsominions, prancha no Paranoá, boia de cavalinho (no mesmo lago) e em tudo o mais que conseguir mover seu corpitcho de atleta e seu sorriso de louco-alucinado com aquele ventinho na face (mostrando os dentinhos). Ele é, mesmo, uma atração turística!


Nelson Monteiro de Abreu Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba


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MAIO DE 2020


É estarrecedor saber que o mês de maio de 2020 já é o mês com maior número de mortes da história do Brasil. Os registros dos cartórios mostram que 124 mil brasileiros perderam a vida neste mês. Parabéns ao genocida e necrófilo Jair Bolsonaro, por mais essa façanha. Seu antigoverno fascista, incompetente e de destruição é o responsável por mais esta tragédia. Em plena pandemia do coronavírus, ele joga contra o povo e o País, que vai se tornando um gigantesco cemitério, com a morte gratuita e desnecessária de milhares de brasileiros.


Renato Khair renatokhair@uol.com.br

São Paulo


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70 X 1


“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King). Antes mesmo de completar cem dias após o presidente negacionista ter afirmado que a covid-19 era uma “gripezinha” (20/3), o Brasil atinge a trágica marca de 56 mil mortes; ou seja, 70 vezes mais que a sua previsão de que não excederíamos 800 óbitos. Naquele dia, o Brasil acumulava apenas 11 óbitos. A recusa em aceitar a realidade empiricamente verificável do Poder Executivo, e a patente corroboração ao negacionismo de vários ministros, promoveu incontestavelmente a morte de milhares de brasileiros. Fizeram do Ministério da Saúde uma caserna de inábeis a enfrentar a maior crise sanitária do Brasil, e que, se moral tivessem, lá não estariam pela inépcia de fazer algo diante de tamanha tragédia. Somos o segundo país a apresentar o maior número de casos da moléstia; ficamos atrás dos EUA, que já realizaram 93 mil testes por milhão de habitantes, enquanto nós fizemos apenas 13 mil; ou seja, apresentamos muito provavelmente um oceano de subnotificações. Dentre as 20 nações mais populosas do planeta, todas com mais de 70 milhões de habitantes, ocupamos a trágica marca do segundo posto com mais de 262 mortes por milhão de habitantes, atrás dos EUA, com 385 por milhão. Nossa curva de contágio e óbitos é a mais acelerada na curta e história desta pandemia que já ceifou mais de 500 mil vidas no planeta. O Brasil lidera a quantidade diária de mortos e a quantidade de contágios no mundo (mesmo sem tantos testes comprobatórios). Com tudo isso, o governo federal disponibilizou o montante R$ 177,0 bilhões do Orçamento total aprovado pelo Congresso Nacional destinado ao combate da covid-19, que é de R$ 404,2 bilhões, ou seja, apenas 44%. Com perplexidade, constata-se a convivência e subserviência dos demais Poderes que nada fazem diante dos efeitos do negacionismo apregoado por Bolsonaro. Os poderes republicanos constituídos em nossa Carta Magna, que acima de tudo devem priorizar a vida, parecem anestesiados e servis à soberba da ignorância que emana do Palácio do Planalto. Até quando uma nação suporta isso? Precisaremos chegar a cem mil mortos? Onde estão líderes dos demais Poderes: do Judiciário e do Parlamento que negligenciam tamanho crime contra a humanidade?     


Oswaldo Colombo Fho. colomboconsult@gmail.com

São Paulo


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FEBEAMU


Se Sérgio Porto, o saudoso “Stanislaw Ponte Preta”, fosse vivo, ele certamente ampliaria a extensão de seu hilário Festival de Besteiras que Assolam o País (Febeapá) de forma a abranger todo o mundo num Febeamu. Porque não é só aqui que temos o privilégio de proferir asneiras. Com a pandemia da covid-19, uma epidemia mundial, essa prerrogativa alcançou outros países. Notícia publicada ontem (26/6, A9) no Estadão, com manchete em letras garrafais, informa que Autoridades sanitárias dizem que 23 milhões foram infectados nos EUA e complementa explicando que o CDC americano, ou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, “(...) estimou ontem que o número de americanos infectados com a covid-19 seja dez vezes maior do que o de casos relatados”, ou seja, essas autoridades sanitárias descobriram que fezes cheiram mal. Desde o começo da pandemia já se sabe que, a cada cem infectados pelo corona, 5 (5%) dentre os 20 (20%) que procuram os hospitais morrem. E esses 20% são os casos relatados ou notificados. Os outros 80 (80%) de infectados são assintomáticos ou apresentam sintomas leves (uma “gripezinha”, como diz o nosso supremo mandatário) e não sobrecarregam os hospitais ou suas UTIs e, portanto, não são notificados. Além disso, esses 80% só ajudam no sentido de atingir a imunidade de rebanho, que fará a pandemia terminar. Diante de mais essa besteira da CDC americana, parte do verdadeiro besteirol que já se publicou sobre a covid-19, somos obrigados a usar a expressão preferida de nosso presidente falastrão: “E daí?”. Porém vertida para o idioma internacional, dizendo para a mesma CDC: “So what?”


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo


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RETROCESSO PRUDENTE


A ilusão da volta à normalidade com a liberação, mesmo parcial, de shoppings e do comércio de rua em São Paulo tem se mostrado relevante no tráfego, nas aglomerações e no aumento dos casos de vítimas da covid-19, incluídas mortes, notadamente na última semana, início da abertura. Não seria novidade se os especialistas já não tivessem alertado dessa possibilidade que se concretizou, e continuar insistindo no que não daria certo, lembra a Lei de Murphy diante do resultado. Diante do desinteresse do governo federal em manifestações respeitosas às famílias das vítimas, ora indicam concretizar a manutenção do auxílio emergencial, procurando dar uma vida digna aos menos favorecidos. A estes, todo esforço será válido, no que deveriam os governantes se ater, enquanto milhares vão a óbito e outros tantos aguardam vaga nas internações. Em infecções já ultrapassamos 1 milhão de vítimas, sem saber onde vamos parar. Àqueles governadores e prefeitos que tiveram o dever cívico e a coragem de retroceder nas liberações deveriam servir de exemplo aos ainda titubeantes em tais medidas, que não se envergonham, pelo contrário, engrandecem seus autores procurando salvar-nos da crise virótica. E, ao nosso caso, o governo e a prefeitura de São Paulo, com exemplar comportamento diante da pandemia, deveriam acompanhar o retrocesso nas flexibilizações em razão de nossa vida, o bem maior.


Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo


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‘O MAIOR DOS DESCASOS’


Estou com a economista e articulista Monica De Bolle em seu artigo O maior dos descasos (24/6, B2). Em resumo, vidas importam infinitamente mais que dinheiro. Nesse sentido, se os Conselhos Federal e Regionais e as associações de economistas e analistas econômicos tivessem um mínimo de bom senso, já teriam se insurgido contra os lobbies para abertura do comércio, particularmente em ambientes fechados como os shopping centers. Evidentemente, centenas, talvez milhares de mortes adicionais estão sendo causadas por essas aberturas que aceleram as infecções pelo novo coronavírus. Mas tudo se esconde sob o manto da necessidade econômica. Caberia ao governo socorrer as pessoas e pequenas empresas durante a pandemia. Mas não temos governo e os regionais que se travestem como tal preferem dar voz a quem tem o poder econômico nas mãos e pouco escrúpulo social. Há até dirigentes garantindo que oferecem segurança absoluta contra a covid-19, coisa que nenhum cientista até agora conseguiu afirmar.


Ademir Valezi adevale@gmail.com

São Paulo


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MENSALÃO, PETROLÃO E COVIDÃO


Por que será que a corrupção continua imperando no meio político brasileiro? Já tivemos inúmeros políticos indiciados, condenados e presos, porém a grande maioria já está em liberdade e, além nem cumprirem sua condenação, muito menos devolveram tudo o que roubaram do povo brasileiro. Com a covid-19, muito se fala de escassez de leitos e no atendimento de saúde, mas com absoluta certeza esse problema não é de hoje e o péssimo serviço de saúde já vem de anos de gestão irresponsável com os recursos públicos e com a corrupção, e a covid-19 só agravou essa situação, que já era crítica. Com os inúmeros recursos liberados para o combate a esse vírus e com a liberação de processos emergenciais para a contratação de recursos para a saúde, veio também a oportunidade para os políticos e empresários sem escrúpulos de aproveitarem essa situação para impor a corrupção e a roubalheira com os recursos públicos. Ainda ontem foi publicado que, dos 7 mil respiradores comprados pelos Estados, somente 3.500 foram entregues. Com uma lei branda, processos penais que tramitam na Justiça por anos até serem julgados, com a gincana de recursos e a iminente prescrição da pena ou, ainda, até a morte dos envolvidos no processo, a impunidade impera e estimula o crime. Vocês acreditam que o Congresso fará alguma coisa para endurecer essa lei? Dificilmente, pois a grande maioria dos envolvidos nesses processos está sentada exatamente no Congresso Nacional. Quanto à Justiça, mesmo com essa lei branda, poderia disciplinar o trâmite dos processos e ser mais eficiente, porém temos uma Justiça lenta, ineficiente e extremamente burocrática, que premia a impunidade e incentiva a corrupção. Com uma lei mais rígida, adequada e que combata eficientemente a corrupção, puna com rigor o desvio do dinheiro público e acabe com as gincanas de recursos em todas as instâncias, poderíamos mudar essa situação. Com essa lei, com certeza, haveria uma mudança completa do cenário da gestão do dinheiro público e os demais setores, além da saúde, também ficariam mais atrativos e muito mais aptos, baratos e acessíveis a receber investimentos e tornar as áreas assistenciais alinhada com o propósito de servir a população.


Carlos Sulzer csulzer@terra.com.br

Santos


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PRONAMPE


O Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), do governo federal – que ainda não chegou a 99% dos empresários –, tem uma singela explicação da alta diretoria dos Bancos Santander, Bradesco e Itaú: “O spread é muito pequeno, mesmo com garantia do governo, nos casos de inadimplência”. Por outro lado, os bancos querem que as empresas necessitadas e responsáveis por empregar uma maciça e significante mão de obra no País se candidatem aos juros de mercado, por meio de garantias reais. Na verdade, como estão acostumados a ganhar bilhões de reais por trimestre, os bancos preferem declinar do Pronampe. Durma com um barulho deste!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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TEMPO REVOLTO


Coronavírus contaminou o mundo; no México, terremoto abala a Terra; na Argentina, gafanhotos fazem nuvens no céu; enquanto aqui, no Brasil, nossos políticos não conseguem falar a mesma língua. Eu sempre acreditei que a esperança é a última que morre, porem só com  muita fé e orações podemos mantê-la viva.


Virgílio Melhado Passoni mmpassoni@gmail.com

Jandaia do Sul (PR)

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