Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Ilusões desfeitas

O debate político no Brasil desapareceu da vida pública há algumas décadas. Enquanto no passado tivemos oradores e debatedores de todas as vertentes no cenário político nacional, alguns com discursos memoráveis, debatendo ideias e soluções para o País, nos últimos 20 anos assistimos, paralisados, a um empobrecimento calamitoso das discussões, um dos vários reflexos do baixo nível educacional. Sobreviventes dos anos de governos petistas, que roubaram até não poder mais, esculhambaram a educação e inverteram os valores da sociedade brasileira, nós mergulhamos profundamente num processo continuado de encolerizada divisão da sociedade, com raízes profundas na luta “nós contra eles” concebida por Lula et caterva. O estado de calamidade em que o Brasil se encontrava logo após o impeachment de Dilma e com os descalabros descobertos pela Operação Lava Jato empurraram a sociedade para uma mudança da política que estava aí e, esperando reconquistar seus valores, colocaram, esperançosamente, Jair Bolsonaro no Planalto. Lamentavelmente, para espanto da grande maioria dos que votaram nele para afastar de vez o PT, assistimos à velha política e aos mesmos maneirismos de divisão da sociedade, agora piorada pelo caráter miliciano de seus ávidos seguidores. Quem votou em Bolsonaro não poderia acreditar em vê-lo, depois de assumir o mandato, defender o juiz de garantias, a limitação da delação premiada e a lei de abuso de autoridade, para citar alguns exemplos. Hoje, com o imbróglio que ainda vamos ver com o caso Queiroz, essas decisões parecem fazer sentido para quem quer blindar os filhos. Alguém se indigna? Quem é contra Bolsonaro logo é tachado de comunista. E o empobrecimento continua.

ARNALDO LUIZ CORRÊA

ARNALDOCORREA@UOL.COM.BR

SANTOS

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Quem te viu...

É triste ver que o Bolsonaro de hoje abandonou o Bolsonaro da campanha de 2018. Foram-se o discurso anticorrupção e contra a reeleição, o “mais Brasil, menos Brasília”, a defesa das reformas e, enfim, a propalada aversão à velha política.

RADOICO CÂMARA GUIMARÃES

RADOICO@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Importações suspensas

A China cancelou importação de alguns frigoríficos por causa de contaminação por covid-19 de seus funcionários. A ministra da Agricultura deveria ligar para a China e dizer que não se devem preocupar, afinal, é só uma “gripezinha”. Esses chineses... Um bando de comunistas querendo desestabilizar o governo (?) Bolsonaro!

LAURO BECKER

BYBECKER@GMAIL.COM

INDAIATUBA

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Ministério da Educação

Falso currículo

O que leva alguém a falsificar o seu currículo? Por que Carlos Decotelli cometeria ato tão ignóbil, que mancha sua imagem e a de quem o apoiou? Lamento que o governo não encontre pessoas de bem para compor o Ministério, salvo exceções, e governar em paz. Os escândalos constantes deixam o povo com sensação de insegurança. O ambiente desfavorável é corroborado pelos Poderes Legislativo e Judiciário. Em suma, navegamos ora sob tempestades, ora em calmaria, que não nos permitem avançar nos assuntos fundamentais – crescimento da economia, educação e saúde de qualidade para a população, etc. Vou encomendar uma missa e rezar para Deus não nos abandonar e nos livrar do mal.

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI

MARIONEGRAO.BORGONOVI@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Anéis

Como se diz no interior caipira, quando o dotô não é dotô, não há anel que lhe sirva no dedo...

A. FERNANDES

STANDYBALL@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Corrupção

Rachadinha

A promotoria do Rio de Janeiro acerta em ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedir que a absurda e política decisão de conceder foro privilegiado a Flávio Bolsonaro seja revista, em nome da lisura e do combate efetivo à corrupção. Afinal, não é isso que Jair Bolsonaro e sua família alegam ser o seu lema?

MARCOS BARBOSA

MICABARBOSA@GMAIL.COM

CASA BRANCA

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Perguntar não ofende

O descontraído jantar de desagravo a Flávio Bolsonaro foi pago pelo Congresso ou com dinheiro das rachadinhas?

RENATO MAIA

CASAVIATERRA@HOTMAIL.COM

PRADOS (MG)

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Até a PGR

Por quem dobram os sinos na Procuradoria-Geral da República (PGR)? Vejam que país nos tornamos: Roberto Jefferson e o Centrão foram elevados à categoria de apóstolos das virtudes do novo regime, enquanto Sergio Moro e a Lava Jato foram escalados para o papel de inimigos do establishment olavobolsonarista. Daí se tornarem alvos de intenso fogo cerrado, até da PGR. Usando uma linguagem apropriada para descrever estes novos tempos pré-iluministas (apud ministro Luís Roberto Barroso, do STF), os cristãos da nova era são, na verdade, adoradores do diabo.

JOSÉ TADEU GOBBI

TADGOBBI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Em São Paulo

Helicópteros no Allianz

Com a nova utilização do Allianz Park como drive-in voltaram os helicópteros que ficam orbitando ao redor do estádio. O barulho é ensurdecedor. E há inúmeras pessoas no entorno trabalhando em casa, gravando aulas, fazendo reuniões pela internet. Às 18h32 de 29/6 um deles ficou ali, no ar, por mais de 20 minutos. E isso se repete todas as noites! Quem autoriza esses voos e quem os contrata têm ideia do mal que estão fazendo? A torre de Congonhas diz que não é com ela, a de Marte, idem. Afinal, quem manda no espaço aéreo da cidade? O cidadão só serve para pagar impostos, seus direitos, nada?

AMAURI ORTIZ CABRAL

AMAURI.OCABRAL@GMAIL.COM

SÃO PAULO


NOSSO PÓS-DOC


Nosso “mestre, doutor, pós-doutor” e, depois, ministro da Educação Carlos Decotelli já nos tinha dado uma primeira lição: como manter o pejorativo título do jeitinho brasileiro. Nem se pode dizer vergonha alheia para sujeito sem vergonha, mas lamentar pelos milhares de acadêmicos e pesquisadores abandonados por um governo que não fala Português (literalmente), que abomina Paulo Freire e acredita que um país forte se faz pelas armas, e não pelos bancos escolares. Fica a dica ao nosso pós-doutor para o Lattes: foi ministro da Educação no Brasil (não vá confundir com Suécia, Inglaterra...).


Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo


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OUTRA VEZ


A nomeação de ministros deste governo parecem espetáculos circenses. Infelizmente!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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NOVOS TEMPOS


O que me causou maior perplexidade não foram somente as absurdas mentiras no currículo do sr. Decotelli, mas sim o sr. presidente da República afirmar que se tratava apenas de “inadequações curriculares”. Ao longo de quase 20 anos tenho sido professor e coordenador de cursos de graduação e de pós em algumas das mais conhecidas instituições privadas de nível superior em São Paulo. No meu tempo, essas “inadequações” eram chamadas de “fraude”. Se estes são os “novos tempos” da Educação neste país, então, por favor, quero estar fora deles.


 Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo


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CURRÍCULO


O Ministério da Educação precisa de professor de caligrafia. O que o escolhido ex-novo ministro escreve não se lê...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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LEMA


Novo lema do MEC: “Quem não cola não sai da escola”.


César Garcia cfmgarcia@gmail.com

São Paulo


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SELO GOVERNO DE QUALIDADE


O novo nome do governo tem todos os requisitos para ser ministro da “educassão” no atual governo. Comparando com todas as ações tomadas até hoje pelo Executivo, não vejo sequer uma vírgula que tire seus méritos para assumir a pasta.


Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra


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INDICAÇÃO


O País está curioso por saber quem indicou Decotelli para a importante posição de ministro da Educação. Foram os militares, foi o Centrão, algum bolsonarista? É importante saber quem são os influenciadores da escolha.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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OUSE PENSAR


Lei de Murphy: um raio que caiu no mesmo lugar duas vezes; uma nota de três reais; o talentoso Ripley... Não seria mais fácil chamar o educador Mozart Ramos para ser o grande timoneiro? Ah, isso seria típico de governo, ou coisas da cabeça de um leitor do Estadão, pensar ão hoje é proibido.


Leandro Ferreira silvaaleandro619@gmail.com

Guarulhos


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ELEIÇÃO 2020


Impressionante como os políticos do Centrão são mercenários. O grupo quer R$ 5 bilhões para aprovar o adiamento das eleições de prefeitos e vereadores, este ano. A sorte do Centrão é que eu não sou presidente da República. Se fosse, daria uma banana a eles!


Renato Maia casaviaterra@hotmail.com

Prados (MG)


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TOMA LÁ DÁ CÁ


A política nacional está cada vez mais nojenta. O toma lá dá cá voltou e está se espalhando mais rapidamente do que o novo coronavírus. É impressionante constatar como os políticos negociam tudo em troca de favores, nomeações e dinheiro com a maior cara de pau. Haja óleo de peroba, mas, se não houver, a gente importa da China...


Károly J. Gombert kjgombert@gmail.com

Vinhedo


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A ESPERTEZA DOS R$ 5 BILHÕES


Os nobres políticos brasileiros são extremamente inovadores, quando lhes interessa. Estão utilizando o pretexto de adiamento de 41 dias das eleições para abocanharem R$ 5 bilhões. Essa quantia poderia ser utilizada pela ciência, para o combate à covid-19, ou mesmo para a aquisição de equipamentos e montagem de novos leitos de UTI em todo o Brasil. Nenhuma dessas simples ideias passa pela cabeça dos candidatos às prefeituras. O que eles querem é mais dinheiro para alimentarem, de forma egoísta, os cofres de suas campanhas eleitorais, empresas de propaganda e demais interesses pessoais. Não há motivo algum para que eles recebam qualquer dinheiro para a realização das batalhas partidárias que nos importunam durante aqueles programas maçantes nas emissoras de televisão e rádio. Os eleitores não são bobos e não admitem mais essa encenação alimentada por dinheiro arrecadado em impostos abusivos.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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ADIAMENTO


O adiamento das eleições, tal como aprovado no Senado, porém a serem realizadas em 2020, é medida prudente. Entretanto, a data de realização do 2.º turno deve ser revista, passando de 29/11/20 (como aprovado) para 6/12/20. Assim, manter-se-á o mesmo intervalo de três semanas entre 1.º e 2.º turnos, período mínimo para que o eleitorado conheça as propostas que diferenciam ambos os candidatos. Caso contrário, a eleição estará viciada nas cidades que terão o 2.º turno e o prefeito concorre à reeleição, pois este será favorecido em razão de sua presença na mídia em decorrência do exercício do cargo.


Milton Córdova Júnior milton.cordova@gmail.com

Vicente Pires (DF)


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DEJÀ VU?


No ato virtual do movimento Direitos Já, o que há é mais dos mesmos de sempre. Ou seja, se continuar assim, acabarão por facilitar a reeleição.


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

  

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POLÍTICA PELO AVESSO


Está na Coluna do Estadão (29/6, A4)(Paulo) Hartung, que também é mentor político do apresentador Luciano Huck”. Não sou capixaba, mas sei que Paulo Hartung foi um dos melhores governadores/administradores dos últimos anos. Luciano Huck, pelo que sei, é um, como se diz, comunicador na TV. A impressão que me dá é de que o mundo parou e começou a girar ao contrário. Por essas e outras, afirmo: com tal perspectiva para as próximas eleições para presidente, não pretendo votar em 2022.


Paulo M. Beserra de Araujo pmbapb@gmail.com

Rio de Janeiro


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2022


Não sei em quem acreditar. O Instituto de Pesquisa Paraná publicou recentemente uma pesquisa de intenção de votos mostrando que, se a eleição presidencial fosse hoje, o Jair Bolsonaro seria reeleito enfrentando os seguintes candidatos, nesta ordem: Lula, Fernando Haddad, Ciro Gomes e Sergio Moro. Vamos aguardar 2022 para ver com quem está a verdade.


Ernani Silva ernanis982@gmail.com

São Paulo


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OS QUE CONSTROEM E OS QUE DESTROEM O BRASIL


Brasil formou ao longo do tempo uma mão de obra qualificada de técnicos engenheiros que construíram uma nação desenvolvida com estrutura energética que deu amparo à criação de uma indústria pujante que sustentou a Nação, gerando impostos e empregos, ao lado da agricultura e pecuária. Agora, aquilo que foi construído por técnicos competentes é entregue nas mãos de burocratas do sistema financeiro que vendem a bel prazer o que querem como se fossem donos, nas barbas do Legislativo desligado ou omisso e das Forças Armadas. Como os poderes constituídos permitem que pessoas sem visão de tecnologia, que não colocaram um prego na formação do Brasil e não são dignas de ser chamadas de brasileiros, vedam tudo sem antes ao menos escutar a engenharia brasileira? Isto e o mínimo que se pode espera de pessoa patriotas que foram eleitas para governar, legislar defender seus país. Por que as estatais lucrativas, que não recebem recurso da União, pois se autossustentam, são as locomotivas que geram impostos, lucro que ajuda a sustentar a Segurança, a Saúde e a Educação, têm de ser privatizadas?


Carlos Humberto Furlan  chfurlan45@gmail.com

Porto Alegre


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DESPESAS ‘AUTOSSUSTENTÁVEIS’


Para atender militares, como sempre fez desde o início de seu mandato, em qualquer circunstância, o presidente Jair Bolsonaro esteve mais uma vez a favor deles (Bolsonaro eleva ‘penduricalhos’ para atender militaresEstado, 28/6). Não discuto, aqui, o mérito ou merecimento, mas sim o momento totalmente inadequado e indevido, com o País acometido de uma pandemia brutal do novo coronavírus, que colocou sua população em sacrifício com redução de salários, jornada, etc., e que gerou mais 13,5 milhões de novos desempregados, somados aos 25 milhões já existentes. É uma catástrofe. Agora, o presidente Bolsonaro reajusta penduricalho pago a um grupo de militares a partir de julho, o adicional de habilitação, reajustado em até R$ 1.600 o valor cedido a quem fez cursos e teve o aumento concedido por Bolsonaro. Vamos aos números: um general quatro estrelas poderá somar R$ 5.600 ao soldo de R$ 13.400 – com outros adicionais, sua remuneração pode chegar a R$ 29.700, e isso vale para militares da ativa e da reserva. O Ministério da Defesa, indagado a respeito, diz que despesas são “autossustentáveis”. Alguém esperava outra resposta?


Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo


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REFUNDAR A REPÚBLICA


Após a falência das esquerdas, cooptada pelo capital e, assim, desmoralizada por gestão envolvida em corrupção, esperava-se uma administração moralizadora de um governo de direita. O dr. Sérgio Moro era a peça-chave desse aval. O aparente envolvimento com aspectos pouco éticos nos trabalhos legislativos pregressos, ainda no Rio de Janeiro, como envolvimento com milicianos, partilha de salários em rachadinhas de pessoas do círculo próximo do presidente e hoje, tentativa de aparelhamento da Polícia Federal, acaba com o sonho. Governos defendem seus apaniguados, no sistema é dando que se recebe tradicional: ontem, sindicatos, empresários via BNDES e recebedores do Bolsa Família; hoje, igrejas evangélicas, militares, políticos coordenados pelo Centrão e classes recebedoras do auxílio emergencial. Concluímos, portanto, que não há representação autêntica popular. Existem, sim, governos populistas sob viés ideológico diametralmente oposto. Esse sistema, vendido como democrático, como exemplificado muito bem por Fernão Lara Mesquita em seu artigo de 30/6 (A2), advém de um programa político partidário falido. Precisamos urgentemente  refundar a República, se o intuito for modernizar a gestão político-administrativa do País. Alguns dirão tratar-se de utopia. Também seria julgado impossível nos tempos da ditadura militar imaginar que um dia o País seria governado por esquerdistas como ocorreu. Portanto, é questão de querer, não de poder.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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‘ACORDA, OTÁRIO!’


Irretocável o texto de Fernão Lara Mesquita (30/6, A2). Até quando o Brasil será palco de tragédias morais, chanceladas pelos mais altos graus da lei?


Ana Silvia F. Peixoto Pinheiro Machado anasilviappm@gmail.com

São Paulo


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INCONSTITUCIONAL


O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu ser inconstitucional que os salários dos servidores públicos – federais, estaduais e municipais – sejam reduzidos para colaborar na ajuda ao combate à pandemia de covid-19. Afinal, os simples mortais já estão participando com ajuda de 25% a 75% de redução de seus salários para ajudar o País. Na verdade, com essa lamentável posição, o STF reacendeu a proposta da tigrada petista do “nós e eles”. Fica evidente que, se a proposta não englobasse o Judiciário, certamente seria chancelada. Afinal, dependendo do lado que se olha, o STF entende ser constitucional ou inconstitucional, não é mesmo?


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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ESTADOS E MUNICÍPIOS EM CRISE


A receita em queda livre e em vigor a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que limita os gastos à receita, mas o STF proibiu redução de salário do servidor público. Assim a conta não fecha. A sagrada LRF é a Constituição da área financeira, não pode ser transgredida.


Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)


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KAFKA É BRASILEIRO E MORA NO STF


O Supremo vive em seu supremo lugar, indiferente ao mundo real, aplicando apenas “a Constituição”, mas sem observar as leis matemáticas básicas. Preservam-se as prerrogativas, os direitos, mas não se dá solução ao problema matemático simples, que qualquer dona de casa enfrenta: como pagar contas, se elas são em valor superior aos valores recebidos? E, pior, se você não pode sequer se livrar desses gastos permanentes, fazer o quê? Suicídio? Falência? Dever-se-ia exigir dos órgãos judiciais – tal qual se exige dos Legislativos – que indiquem a fonte das receitas para que tais “direitos e prerrogativas” sejam preservados. Naturalmente, na ordem de pagamentos, os do Judiciário sempre estarão à frente dos demais, inclusive dos aposentados que recebem o piso da Previdência, preservando assim seu direito à lagosta quando alguns não têm sequer pão. Essa é a igualdade estabelecida na Constituição. Uns são mais iguais que outros, e merecem mais proteção! Pena que os protegidos são os mais aquinhoados, e não os mais necessitados. Mas, inexoravelmente, a realidade vai se impor! E como é que se vai responsabilizar o governador ou o prefeito que tiver uma folha de salários que supera os limites estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal, se ele não pode reduzir os salários? Vai ter de mandar gente para casa... e, naturalmente, os que irão serão aqueles que farão mais falta: os professores, os médicos, os enfermeiros. Pois os do Judiciário serão preservados! Pois os da Comunicação serão preservados! Nossos supremos juízes, quando chamados a se posicionar, vão, como de costume e como agora o fizeram, pensar em sua classe apenas, mesmo desconsiderando o futuro da população mais necessitada, que nem sequer tem o que comer. Mas é fácil explicar que esses supremos julgadores não estejam preocupados com seus filhos ou netos:  eles também passarão nos concursos do Judiciário e poderão preservar seu direito a comer lagosta quando grande parte da população fica à cata de um pouco de pão. Kafka ficaria espantado com este país!


Cristiane Magalhães cris_magalhaes@uol.com.br

São Paulo


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‘O STF CONTRA A ARTE DE GOVERNAR’


O STF parece a todo momento querer nos fazer lembrar de Kafka, que afirma que “há esperança infinita, só que não para nós”.


José Marcio Godoy da Silva godoy.silva@gmail.com

São Paulo


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‘CONSAGRANDO A DIVISÃO DO BRASIL EM CASTAS’


Utilizo este trecho do artigo (Des)construção, assinado por Ana Carla Abrão, que por si só já mostra a verdadeira cara do Brasil de hoje, exibida sem pudor algum após o triste atropelo da LRF pela decisão do STF na última semana. Um país que se orgulha de ser uma democracia tão defendida por todos, inclusive os sem privilégios, mas que tristemente mostra divisão entre os que têm direito a tudo e aos que só lhes resta colher as sobras. Muito triste não ver nenhuma entidade gritando, enquanto, parafraseando o ministro naquela fatídica reunião de abril, “a boiada vai passando”.


Waldyr Sanchez waldyrsanchez@gmail.com

São Paulo


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IGUALDADE


O artigo 5.º da Constituição federal declara que “todos são iguais perante a lei”, porém o STF não concorda e estabelece tratamento desigual para trabalhadores em empresas privadas e em serviço público no meio do combate à pandemia da covid-19, que atinge a todos, prejudicando os mais desvalidos e mantendo as regalias dos mais iguais com o argumento de que, no caso dos mais iguais, isso fere a Constituição (belo conceito de igualdade!). Parabéns ao nosso Pretório Excelso por esse desserviço.


Filippo Pardini filippo@pardini.net

São Sebastião


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DECISÃO CLARA


O ministro Paulo Guedes e parte da imprensa têm obsessão pelo salário dos servidores públicos. É caso crônico de psicanálise. Esquecem, por má-fé ou estupidez, que a pandemia da covid-19 também atingiu milhares de famílias de servidores públicos, com mortes e desemprego de parentes. Que precisam ser ajudados. Aumentam, assim, os gastos de chefes de famílias. Que já são altos. Porque também ajudam netos, com educação, plano de saúde e vestuário. A decisão do STF foi clara. Só resta agora o choro compulsivo daqueles que preferem argumentar com hipocrisia e servilismo. Servidor público não leva vida de nababo. Não nada em dinheiro. Ninguém ficou imune à covid-19.


Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília


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FUNCIONÁRIO PÚBLICO


É preciso esclarecer que funcionário público qualquer um pode ser. Prestando concurso, tenha níveis primário, secundário, universitário ou sem especializações. É passar nesse concurso e, depois, só crescer. Já o funcionário público colocado politicamente ali pelo vereador, deputado ou mesmo por indicação do partido, este não precisa ter nível de conhecimento nenhum, basta ser amigo dos reis da política, e seus afazeres geralmente não têm nada com a área pública, mas é essa área que lhes paga – e geralmente muito melhor que aos concursados, lembrando que são os que realmente trabalham. A imprensa precisa se ater mais a esses detalhes antes de calcar no funcionário público simplesmente.


Lydia L. Ebide  lebide@vivointernetdiscada.com.br

São Paulo


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PODER JUDICIÁRIO


Garante a nossa Constituição federal o funcionamento do Judiciário em consonância com os demais Poderes: Executivo e Legislativo. Nessas três vigas mestras repousa o futuro de nossas instituições. Se o Poder Judiciário pode receber críticas quando construtivas no exame de suas decisões, não é lícito, contudo, a ninguém, ostensiva ou surdamente, atentar contra a sua autonomia. Quanto mais se insiste, é melhor recordar que no dia em que os juízes tiverem medo dos demais poderes, nenhum cidadão poderá dormir tranquilo. Numa visita ao Pretório Excelso Brasileiro, o então presidente senhor do Senegal, misto de estadista e poeta, advertiu-nos com a assertiva de Balzac: “Desconfiar da magistratura é um começo da dissolução social”. E a seguir: “Se destruirdes a instituição, tereis de reconstruí-la em outras bases, mas acreditai nela”.


Luiz Gonzaga Bertelli lgbertelli@uol.com.br

São Paulo


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ATENDIMENTO PLANO DE SAÚDE


Em resposta ao formulário de avaliação da instituição que me atende pelo plano de saúde, encaminhei mensagem ao hospital, mais ou menos, nos seguintes termos: não pretendo avaliar item por item do questionário, visto que basta uma avaliação resumida para dizer do bom atendimento dos atendentes, em geral. Analiso, apenas um item, referente à injustificável demora no atendimento, fazendo-me esperar mais de duas horas para uma simples radiografia. Pelo que consegui verificar, o fato deveu-se unicamente ao técnico de radiografia. Estranhamente, justificou-se aduzindo ter sido desviado de função para atender um paciente entubado, como se este tivesse necessidade de ser radiografado. Para tal função, obviamente, o hospital recorreria a outro profissional, sem desvestir um santo para vestir outro. Quando alguém da saúde esquece que o bom atendimento é o primeiro passo para a cura, é sinal de que está fora de lugar. Nota dez para o médico que, estranhando o não retorno do paciente, saiu à procura dele, para saber o que estava acontecendo. Estranhei apenas uma das atendentes que, solitariamente, em vez de reconhecer a irregularidade, tentou justificar a falha, defendendo a instituição. Para piorar, a limitada sala de espera começou a encher de pacientes, prejudicando o distanciamento prescrito para evitar contaminação da covid-19. Agravou-se a situação quando, no fim, procurei a ouvidoria, mas não encontrei ninguém para me atender. Quanto ao mais, agradecimentos pela limpeza, ordem e bom atendimento geral, com exceção de um andorinhão que não faz verão, mas denigre a instituição.


Elizio Nilo Caliman elizio.caliman@yahoo.com.br

Brasília


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PODEROSOS


Em matéria de primeira página na semana passada, o Estadão informou que o lobby de armas esteve 73 vezes em audiência com o presidente Jair Bolsonaro. Da série perguntar não ofende, pergunto: quantas vezes o lobby dos planos de saúde conseguiu,  para manter-se intocável?


Jose Perin Garcia jperin@uol.com.br

Santo André

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