Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2020 | 03h00

Corrupção

As obras do Rodoanel

A apreensão de documentos e computadores pela Polícia Federal em imóveis relacionados ao senador José Serra, por denúncia do Ministério Público Federal (MPF), procurou comprovar eventual prática de lavagem de milhões de reais, entre 2006 e 2007, recebidos da Odebrecht por obras do Rodoanel Sul. Serra já negou ter recebido tal quantia e agora cabe ao MPF provar a acusação. O fato é que o Rodoanel sempre foi uma obra envolvida em grande polêmica. Em 3/1/2006 escrevi a este Fórum sobre minha preocupação, em consonância com editorial do Estado na ocasião, com a degradação dos mananciais da metrópole pelas ocupações irregulares ao redor das nossas três represas. A crítica prendia-se a que, a meu ver, os mananciais seriam muito mais importantes que os congestionamentos de trânsito. Até porque as obras feitas até então para resolvê-los se mostravam inócuas. Pior, levaram às ocupações irregulares e à degradação ambiental. Decorridos tantos anos, o Anel Rodoviário Norte, até agora inacabado, ceifou ainda mais do que nos resta de Mata Atlântica na Cantareira. E não resolverá o problema de trânsito da metrópole. O Brasil é o único País continental que não mais dispõe de uma malha ferroviária nacional para o transporte da produção e de passageiros. Até a minha juventude, podíamos viajar para quase todas as cidades do Estado paulista em trens confortáveis e rigorosos nos horários. O desmantelamento da malha ferroviária nacional foi um crime, ainda impune. Na Grande São Paulo deu-se preferência aos ônibus, em detrimento do metrô, construindo-se avenidas que jamais solucionaram o problema. Não nos cabe prejulgar José Serra, mas ao Judiciário julgá-lo em função das provas, caso as investigações levem a tanto. A Operação Lava Jato deveria, em minha opinião, se possível, debruçar-se sobre o fim da nossa extensa malha ferroviária em prol da indústria automobilística. 

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

Cerco à Lava Jato

Sergio Moro: “Quem ataca a Lava Jato, hoje, eu não entendo bem aonde quer chegar”. Jair Bolsonaro: “Não vou permitir que fiquem perseguindo minha família e meus amigos”. Precisa desenhar?

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

Respeito e estelionato

Tenho mais respeito por Sergio Moro, que como juiz mostrou (e ainda mostra) os efeitos da corrupção avassaladora que sofremos em desgovernos passados, recuperando partes dos roubos, do que por quem foi eleito dizendo apoiar a Lava Jato e não fazer “toma lá dá cá”. Ao nomear Moro para o Ministério da Justiça e depois, desprestigiando-o, forçar a sua demissão, tudo indica que tinha um objetivo: acabar com a Lava Jato. Haja estelionato eleitoral!

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

Rachadinhas

Só há uma maneira de acabar com as rachadinhas: eliminar os cargos de livre nomeação. Assim, não haveria como praticar esse tipo de roubo. E não são só os políticos que praticam tais obscenidades, não. Assim ficaríamos livres de pelo menos uns 100 mil parasitas.

Paulo Henrique C. de Oliveira ph.coimbraoliveira@gmail.com

Rio de Janeiro

O ‘inocente’

O CNMP julga a atuação de Deltan Dallagnol, o STF avalia suspeição de Sergio Moro, Augusto Aras, da PGR, com um longo passado petista, quer detonar a força-tarefa da Lava Jato de Curitiba. E tudo isso em prol do “inocente mais honesto”... Depois de comandar a quadrilha que dilapidou os cofres públicos, o bronco vai se tornar ficha limpa? É esperar para ver!

J. A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré

Desgoverno Bolsonaro

Sem máscara

Ao permitir a abolição de máscaras em reuniões de templos religiosos, o presidente Bolsonaro toma uma atitude arriscada: pode matar seus eleitores...

Sérgio Eckermann Passos sepassos@yahoo.com.br

Porto Feliz

Dúvida

Ao tomar conhecimento do veto do presidente ao uso de máscaras em igrejas, escolas, etc., eu me pergunto se é má-fé ou burrice mesmo. Qual o objetivo desse “menino mimado”?

Heleo Pohlmann Braga heleo.braga@hotmail.com

Ribeirão Preto

Retrocesso

Terra plana, milícias, cloroquina, ditadura, etc., etc. Quem lucra com esses retrocessos? A visão de mundo, fanática religiosa e anticiência, dos tempos medievais, reflete nas outras. Imitando o amigo das milícias na Presidência, uma minoria egoísta e trambiqueira despreza o contágio... até algum parente próximo morrer. Enquanto a maioria sem renda se expõe ao vírus para sobreviver. Graças às canalhices e desigualdades, ficaremos isolados do mundo até o fim do ano, com progressão aritmética além de 100 mil mortos.

João Bosco Egas Ccarlucho boscocarlucho@gmail.com

Garibaldi (RS)

Vilania

O menor vilão da pandemia é o coronavírus e os maiores são a ignorância, as vaidades, a ânsia pelo poder, além, é claro, da sempre presente corrupção.

Renato Loes renato@renatoloes.com

São Paulo

F1 no Rio em 2021

Construir um autódromo num matagal, em um ano, num país quebrado e no meio da pandemia? Ah, mais um verbete para a enciclopédia de absurdos e despautérios lançados pelo atual (des)governo brasileiro.

Francisco Eduardo Britto britto@znnalinha.com.br

São Paulo

É carma?!

Ouvir o ministro da Economia, Paulo Guedes, falar novamente na volta da CPMF... Pode?!

Sérgio Rosa sergiorosa@uol.com.br

São Paulo

 

DEMOCRACIA E AVILTAMENTO

 

Os filhos do presidente Jair Bolsonaro, Flávio, Eduardo e Carlos, manifestaram-se, como era de esperar, contra a aprovação do Projeto de Lei das fake news pelo Senado, alegando tratar-se de tentativa de censura. Não há dúvida de que existe uma zona cinzenta entre fake news e discursos de ódio, de um lado, e liberdade de expressão, de outro. No entanto, tão importante quanto o conteúdo de uma ideia é a forma como ela é colocada no debate, e nesse ponto o próprio presidente e seus filhos pecaram, e muito. Discutir a inferência do Supremo Tribunal Federal (STF) em determinados assuntos é uma coisa, dizer que basta um cabo e um soldado para fechar o Supremo é outra. Criticar a atuação do Congresso Nacional é uma coisa, elogiar o AI-5 é outra. Discordar de pessoas públicas (parlamentares, jornalistas, etc.) é uma coisa, humilhá-los e diminuí-los lançando mão de mentiras é outra. Enfim, democracia é uma coisa, aviltamento é outra.

 

Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo

 

*

O VETO

 

Projeto de lei contra a divulgação de fake news, apelido em inglês para as conhecidas notícias falsas, deve ser vetado no Palácio das Informações Inventadas, onde milícias digitais, impulsionadas por robôs, inundam o mundo das redes antissociais com furiosas ideias mirabolantes boladas no gabinete do ódio do clã. A elas Bolsonaro dedica o maior mérito de sua eleição, sob o comando de seu filho 02, o bruxo da mídia digital. Mimetizando as práticas de Donald Trump, o clã Bolsonaro tem nas redes digitais seu grande canal de comunicação com sua fanática militância. Impossível deixar que criminalizem sua rede virtual.

 

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

 

*

PRESERVAÇÃO

 

Por que o presidente Jair Bolsonaro é totalmente contrário ao projeto aprovado pelo Senado sobre as fake news e agora também está dizendo que, se for aprovado pela Câmara, ele o vetará? Será para preservar seus filhos e os camisas pardas? Afinal, como já dizia aquela senhorinha de Taubaté, perguntar não ofende, né, presidente?

 

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

 

*

MORDAÇA

 

A lei da mordaça foi aprovada no Senado com 44 votos, de 81, e seguiu para a Câmara. Fake news é democrática e constam na Constituição penalizações às transgressões. Fake news fazem parte da liberdade com responsabilidade. A Câmara não pode ser conivente com o Senado.

 

Humberto Schuwartz Soares hs-soares@uol.com.br

Vila Velha (ES)

 

*

OS EXCESSOS DA LIBERDADE

 

Ao tempo em que está em votação no Congresso o polêmico e discutível projeto de lei das fake news, cabe, por oportuno, citar a escritora russa Sofhie F. Rostopchine, conhecida como a Condessa de Ségur: “A liberdade é mais vezes destruída pelos seus excessos do que pelos seus inimigos”.

 

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

 

*

CASO QUEIROZ

 

O caderno de Marcia, mulher de Fabrício Queiroz, tem os telefones da família Bolsonaro. Qual será a desculpa que irão dar agora? “Tão querendo f... minha família, p...”.

 

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

 

*

RACHADÃO

 

Alguém ainda se lembra do famoso rachadão dos médicos cubanos? R$ 10 mil por médico, R$ 3 mil para o próprio (que nem sempre era médico) e R$ 7 mil para rachar entre os comunas cubanos e os escroques brasileiros. Houve inquérito? Alguém foi preso por isso? Como ficou tudo?

 

Carlos E. Barros Rodrigues ceb.rodrigues@hotmail.com

São Paulo

 

*

UM BALANÇO DO BRASIL

 

Foi para o que estamos vendo que pedimos Diretas Já? Corrupção, desvios de dinheiro público, propinas, fraudes, 1/4 da população abaixo da linha de pobreza – ou seja, 55 milhões de pessoas, 15 milhões em extrema pobreza –, saúde pública que não funciona, ensino público falido, enfim, a população não tem os serviços essenciais decentes para que viva com um mínimo de dignidade. Políticos, quase em sua totalidade, às voltas com a Justiça, investigados, etc. Foi para isso que se pedia Diretas Já? Não sou saudosista nem digo que os governos militares foram um primor, mas foi um período de crescimento econômico para o País. Crescimento este que, pelo visto, foi para o ralo ou para o bolso/conta no exterior de alguns. Agora mesmo, entre tantos outros, o senador José Serra está às voltas com a Justiça. Foi para isso que pedimos Abertura Já? E não se vislumbra uma mudança.

 

Panayotis Poulis ppoulis46@gmail.com

Rio de Janeiro

 

*

ESCOLHAM

 

Qualquer brasileiro consciente pode escolher, entre a dupla Lula-Bolsonaro, qual provocou os maiores prejuízos ao País desde 1993 até hoje, e desprezar períodos de Dilma Rousseff, porque era comandada pensando que governava, e Michel Temer, pelo pouco tempo no cargo. Sobram apenas dois e, ao começar por Lula, lembramos que desprezou os graves sinais de crise econômica que se alastravam pelo mundo, não ouviu alertas de pessoas de seu governo e de fora dele que entendiam do assunto e simplesmente declarou ser apenas uma marolinha, uma tirada de sábio, né não? Resultado: foi dar um prejuízo ao País cujo tamanho até agora não é possível avaliar, nem quais as fórmulas para consertar ou quando será possível se recuperar de forma definitiva. Quanto a Jair Bolsonaro, atual “governante”, mesmo alertado sobre o coronavírus nascido na China e exportado para a Europa, onde tudo indica entrou pela Itália no mês de janeiro, e apesar da gravidade dos primeiros sinais da doença, o governo italiano não adotou as medidas necessárias e o vírus se estendeu por toda a Europa. Aqui, apesar de saber do que acontecia na Itália e dos sintomas que já classificavam como uma pandemia e representariam perigo por meio de viajantes vindos da China e da Europa, o governo não tomou medidas para controlar esse movimento, como controlar a entrada de viajantes por via aérea, marítima e terrestre. Cobrado sobre quais as medidas para evitar a entrada do vírus, o presidente da República, baseado em sua competência em medicina, respondeu que era uma simples “gripezinha”! O resultado da “gripezinha” do presidente está aí, mais de 1.400.000 casos da doença e cerca de 60 mil mortes, que até o momento já fazem o Brasil ser o segundo país do mundo na quantidade de doentes e de mortos, perdendo apenas para os EUA, onde seu presidente agiu como o daqui, não acreditando na gravidade da pandemia. É preciso saber o quanto de culpa tem Jair Bolsonaro pela quantidade de mortes provocadas pela sua “gripezinha”, porque caberá apenas a nós, população, julgarmos sua culpabilidade, visto nada esperar da Justiça e menos ainda dos políticos comprados com uma batelada de cargos no governo. Quanto aos militares, também melhor esquecer, pois o presidente agrada estes desde o início de seu governo com cargos aos da reserva, e os da ativa preferem não palpitar.

 

Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo

 

*

SOMOS FORTES

 

As eleições de 2018 se deram sob a forte influência da aversão ao PT. De tão forte, os olhares se voltaram para quem, de forma histriônica e contundente, foi capaz de criar uma narrativa de promessa de um grande distanciamento dos pesados erros da era lulista. As palavras soavam como música aos ouvidos de grande parte da elite, dos formadores de opinião, dos conservadores e até mesmo dos mais preocupados com a ética na política, e mesmo de jornalistas renomados. Mas espantoso foi que o desejo de acreditar no discurso cegou a todos para os tais gestos de “arminha” e o simbolismo que carregavam, fecharam os olhos para filhos parasitários, para um passado de décadas totalmente improdutivo e insignificante no baixo clero (ou centrão), das juras de amor a torturadores cruéis da ditadura, do recebimento de auxílios-moradia sem precisar durante anos a fio, a divulgação de uma funcionária-fantasma que cuidava dos cães do candidato que brandia contra o desvio de dinheiro público e, por fim, da divulgação antes mesmo do pleito de possível envolvimento do primogênito com rachadinhas e ligação com o miliciano Fabrício Queiroz. Fecharam os olhos para a irritação do candidato quando jornalistas o questionavam sobre suas propostas de governo e ele não conseguia responder sobre tema nenhum! Preferiram acreditar que ele era vítima de algozes de uma mídia “esquerdista”, embora essa mídia fizesse os mesmos questionamentos a todos os demais candidatos. Mas sociopatas são sempre ilusionistas que conseguem inverter a lógica dos fatos. E, por último, a facada foi a cereja do bolo. Mesmo com a gravidade do ferimento, e até por causa disso, ela ajudou a compor a “persona” do Messias, o Salvador da Pátria. E aí está ele hoje no poder, sem saber o que fazer numa devastadora pandemia que vive negando, com metade da população economicamente ativa desempregada, com uma economia em frangalhos, ministros de uma mediocridade espantosa na sua maioria, e, apesar de tudo isso, desgovernando com o único intuito de se reeleger, justo ele, que se dizia contra a reeleição, e todos acreditaram! Pois bem, muitos hoje se arrependem pelo voto dado. Dá para entender tanta negação em função do trauma causado por petrolões, pedaladas fiscais e maquiagens para tapear uma herança maldita. Mas, por favor, que isso nos sirva de lição, pois mais do que palavras, narrativas, discursos, temos de olhar com rigor as ações, a coerência entre falas e atos e, principalmente, o legado daqueles que se propõem a dirigir uma nação, um Estado, uma prefeitura e, da mesma forma, sua comprovada competência e honradez. E lembremo-nos todos que amar um país não é usar o amarelo na roupa nem se envolver na bandeira nacional ou cantar nosso belo hino. Não! É muito mais, porque vamos ter de lutar todos juntos, não para defender um personagem de fancaria, mas para reerguer com unhas e dentes o nosso amado país. Chega de mentiras, de falsas ilusões, de falsa moral e da cultura da ética da malandragem. Precisamos de amadurecimento político mais do que nunca para levar esta nau em direção a um porto seguro e para reaver nossa dignidade perdida, assegurar mais justiça social e respeito às instituições e aos princípios democráticos. O nosso país poderá ser salvo e se tornar grande de verdade. Só depende de nossa força moral e de nossa tão reconhecida resiliência. Somos fortes! Sim, somos bons de luta!

 

Eliana França Leme efleme@gmail.com

Campinas

 

*

PARLAMENTARISMO

 

O modelo puro de parlamentarismo, sem eleição direta para presidente, já foi rejeitado no referendo de 1963. Na rediscussão do assunto, durante o plebiscito de 1993, houve dubiedade sobre o tema e uma nova derrota. A proposta de Fabio Giambiagi (Parlamentarismo, 1/7, A2) de terceira consulta popular depende de um projeto pronto e muito bem articulado, e não só de um debate com ideias abstratas. Portanto, não há como mudar o sistema de governo porque os eleitores preferem escolher presidentes e viver às turras com eles. As crises terminam com suicídio (1954), renúncia (1961), golpe (1964) ou impeachment (1992 e 2016). A eleição do presidente em dois turnos provoca assimetria de poder com o Parlamento. As eleições casadas provocam enorme correlação estatística de fragmentação parlamentar que é reflexo dos Estados. O personalismo se sobrepõe aos programas e aos partidos. Esta tripla faceta ajuda muito na crônica instabilidade política e força as negociações fisiológicas por cargos, verbas e ministérios. Agora, é viver a sexta política até o fim e ver o que vai acontecer, durante o segundo semestre de 2020.

 

Luiz Roberto Da Costa Jr. lrcostajr@uol.com.br

Campinas

 

*

PARLAMENTARISMO CONVÉM A QUEM?

 

O economista Fabio Giambiagi, em seu artigo Parlamentarismo, propõe o modelo puro como o alemão ou israelense, onde o poder é exercido plenamente pelos parlamentares, que elegem o primeiro-ministro. Apesar de o nosso regime ser presidencialista, estamos vendo Rodrigo Maia governar. Desculpe, mas com este Congresso, onde presidentes da Câmara e do Senado são eleitos entre seus pares, estamos vendo como funciona a política no Brasil. Eles fazem o que querem e legislam em causa própria. Muitas são as críticas contra a criação de mais partidos. E de que adiantam as críticas, se cada vez mais cresce o número de partidos? A quem interessa brecar esse enxame de partidos? E quem deveria barrá-los por que não o faz? Um plebiscito já foi prometido, e nada. Parece que a forma como a política está sendo conduzida nunca valeu tanto a pena, para eles.

 

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

 

*

‘PAZ E AMOR’

 

Qualquer mudança para melhor tem de ser aplaudida. Mas só a autêntica, aquela em que haja o autoreconhecimento visando a corrigir erros praticados. Mas não pode ficar apenas na intenção, objetivando a prática comum de levar vantagem, como acontece com a maioria dos políticos brasileiros, principalmente em períodos eleitorais ou quando a coisa fica feia. Agora, por exemplo, candidatos a prefeito e vereador (as eleições municipais acontecerão nos dias 15 e 29 de novembro) já estão em plena campanha para “conquistar” o voto do eleitorado – também conhecido como rebanho –, e suas ações e seus rostinhos são os mais cândidos possíveis, naquela velha prática da velha política de passar uma imagem de confiança capaz de obter vitória nas urnas. No caso do presidente Jair Bolsonaro, sua tentativa de vender uma transformação “pelo bem do Brasil”, segundo pesquisas, não tem sido digerida, pois a população, que perde centenas de parentes e amigos todos os dias para a covid-19, além de milhões de empregos, continua cética, pois não acredita que seja verdadeira, tampouco duradoura, uma vez que a imagem de “paz e amor” não combina em nada com ele.

 

João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

 

*

ELEIÇÕES ADIADAS

 

Muito bem coordenado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luis Roberto Barroso, e bem assimilado não somente pelos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e Rodrigo Maia (DEM-RJ), da Câmara, mas também pela maioria dos parlamentares, o Congresso, em regime de urgência, em votação remota relâmpago, finalmente, em função ainda da alta propagação da covid-19, aprovou o adiamento das eleições deste ano para prefeitos e vereadores, de 4 a 25 de outubro para 15 e 29 de novembro o 2.º turno. Ou seja, o tal e imprescindível diálogo republicano fez prevalecer o bom senso.

 

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

 

*

BOLA EM JOGO NO MEC

 

Pelo jeito, a bola da vez é Renato Feder, sobre quem já consta denúncia acerca de suposta fraude (milionária?). E a bola continua em jogo. É de tirar o fôlego a espantosa capacidade dele de atrair relâmpagos (isso, dele mesmo: não se deve citar o nome para não alertar os raios). Se no Brasil tivéssemos metade da capacidade que temos para votar mal, ser indisciplinados, desrespeitar orientações saudáveis e procurar um jeitinho mais rápido para chegar aos objetivos, muito provavelmente não seríamos parte dos países internacionalmente caricatos. Mas com o esmero com que nos dedicamos a buscar atalhos, desacreditar da Lei da Gravidade, acreditar que “este vírus não me pega” (afinal, o chefe máximo da Nação disse que era só uma gripezinha), desdenhar da lei da oferta e da procura, achar que “Deus é brasileiro” e que nossas praias são as mais lindas, entre outras crenças dignas de Macunaíma, o que se pode esperar quando a esperança nos dá as costas e a realidade dá as caras? Como não lembrar do célebre mote “Oh, vida! Oh, azar! Isso não vai dar certo!” (Hardy, sobre os planos de Lippy). Hardy representa o Brasil esperançoso e Lippy, bem... adivinhem quem seria?!

 

Nelson Monteiro de Abreu Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba

 

*

HÁ ESPERANÇA?

 

Um retrato dos retratos cruéis da realidade brasileira pode ser delineado pela principal reivindicação dos responsáveis pelas crianças de comunidades da periferia, sem aulas há mais de três meses, e que consiste no escancaramento da necessidade premente do restabelecimento da distribuição de merenda escolar, na medida em que tal recurso constitui a única refeição substancial diária de muitos dos alunos. A prioridade seguinte, conforme transparecido pela imprensa, consiste na expectativa da ação de iniciativas humanitárias que visam à concessão de cestas básicas de sustento diário das respectivas famílias. Acidentalmente, no decorrer das eventuais entrevistas, é lembrada a dificuldade de acesso das crianças a plataformas digitais que permitam cobrir as lacunas de conteúdos pedagógicos cujas perdas certamente se tronam, a esta altura, irreversíveis, representando um lamentável déficit cognitivo. Infelizmente, é o que temos hoje. Há esperança de modificação do cenário, mesmo no longo prazo?

 

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

 

*

A OBRIGATORIEDADE DO USO DA MÁSCARA

 

Sobre a multa de R$ 500 e de R$ 5 mil, que o governador de São Paulo decretou, aplicável a quem não usar máscara em lugares públicos e a estabelecimentos comerciais que permitirem a entrada de pessoas sem máscara no Estado, gostaria de saber se é legal, constitucional e se tem respaldo jurídico o Poder Executivo inventar decretos como este. A frase de Euclides da Cunha de que “os que não forem vencidos pela verdade serão vencidos pelos seus erros” é muito atual, e me faz torcer para que apareça um jornalista capaz de analisar as atitudes do governador e do prefeito de São Paulo, com a mesma inteligência e talento do autor dos Sertões. Não é possível aceitar que um cidadão seja multado por não usar uma máscara, que o protege, e que o dono de um estabelecimento seja multado por deixar entrar em sua loja alguém sem essa proteção. Com a agravante de que as lojas deveriam ter permissão para ficar abertas durante o dia e também à noite, porque assim as pessoas teriam mais tempo para ir às compras e, com isso, não haveria aglomeração, valendo a mesma coisa para bares e restaurantes. Tanto o governador como o prefeito de São Paulo fizeram uma enorme besteira fechando as lojas, restaurantes e bares antes do vírus chinês, as pessoas já não estavam comprando muito, e agora a maioria das pessoas ainda está com medo e não vai voltar a comprar durante algum tempo, porque quase todos estão sem dinheiro. Mais cruel que a covid-19 foram as atitudes do governador e do prefeito de São Paulo em relação aos cidadãos. O pior foi conhecer o destino do dinheiro arrecadado com essas multas inaceitáveis e lamentáveis, indignas de pessoas com uma inteligência ao menos mediana, que o governador revelou. Estarrecedor!

 

Maria Gilka  mariagilka@mariagilka.com.br

São Paulo

 

*

MULTA EM SÃO PAULO

 

Cobrar R$ 500,00 de multa por não usar máscara em São Paulo, sendo que muitos cidadãos paulistanos nem sequer têm R$ 1 no bolso, em razão da forte crise financeira ocasionada por medidas adotadas pelo governador João Doria diante da covid-19, é muito triste. Porém, cobrar multa por não lacrar um veículo no período em que o Detran estava fechado, por medida novamente adotada pelo governo de São Paulo, para mim, que senti na pele, atende pelo nome de safadeza de grande proporção. Que gestor é este?

 

Eduardo Foz de Macedo efozmacedo@gmail.com

São Paulo

 

*

IDENTIDADE REVELADA

 

Desde o final do mês de março de 2020 saio pouco e evito os lugares com aglomerações e os horários de pico para cada segmento, mas, mesmo assim, lamentavelmente, dou de cara com pessoas que querem ser conhecidas pelas suas alcunhas. O não uso de máscaras e o não distanciamento para que sejam reconhecidos como fdp, ignorante, imbecil, analfabeto, cegão e muito mais. Ou não?

 

Sérgio Barbosa sergiobarbosa19@gmail.com

Batatais

 

*

‘MORRA QUEM MORRER’

 

Infeliz é a melhor caracterização do prefeito de Itabuna, na Bahia, Fernando Gomes. “Morra quem morrer”, foi o que ele disse diante da reabertura do comércio, aguardada para dia 9/7. A expressão teria sido um exagero momentâneo, ou expressa a própria personalidade que demonstra não se importar com a vida, desde que o comércio abra. Aqui, em São Paulo, os municípios da baixada santista contestam a manutenção na zona laranja que trata da reabertura no Estado de acordo com a série de critérios que combinam dados da evolução da epidemia e de vagas na UTI. O recurso da Região Metropolitana da baixada pleiteia a inclusão na zona amarela, aquela que permite abertura de bares e restaurantes, além de outras atividades, alegando para tanto contradição nas informações apuradas a determinação da zona de permanência. De qualquer forma, é uma manifestação racional e decente nestes momentos em que até a indecência na aquisição de equipamentos demonstra ocorrer, junto da descabida manifestação do prefeito baiano. Como proceder diante dessas ocorrências no confronto entre poder abrir o comércio de acordo com as normas e abrir ignorando as normas de segurança? Só a sociedade poderá dizer e agir a seu – dela, sociedade – juízo, vale dizer, bastando não frequentar as lojas, os bares e restaurantes que contrariam as instruções e mesmo as autorizadas se não se sentir seguro; eles fecham por falta de público. A saúde e a vida em primeiro lugar.

 

Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo

 

*

CORREIOS

 

Fiz uma encomenda a uma amiga artesã que foi postada no Correio em 1/6/2020 em Florianópolis (SC). O Correio me cobrou pela entrega quase o mesmo valor do produto. O.k. O problema é que até agora o produto não me foi entregue – deve estar vindo a pé. O código de rastreamento e pm681393669br e o de manifestação, 124300227. Quando tento saber da minha reclamação, eles dizem que o número da reclamação não existe, quando eles mesmos me deram o número via e-mail.

 

Vera Lucia Alves Oguma vera.oguma@uol.com.br

São Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.