Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2020 | 03h00

Estado da Nação

Desmatamento

Lamentável a resposta do vice-presidente Hamilton Mourão aos investidores estrangeiros que cobram ações práticas contra o desmatamento da Floresta Amazônica, dizendo não ter recursos para combater os incêndios que já queimaram 1.844 km2 nos primeiros cinco meses do ano, em ações criminosas. Responsável pelo Conselho Nacional da Amazônia, alega ele que o País não tem recursos para mobilizar a Força Nacional, enquanto a floresta arde em chamas e a biodiversidade pede socorro. Sem falar nos garimpeiros que se aproveitam da pandemia e do “estouro da boiada” do irresponsável ministro Ricardo Salles para inundar os rios com o mercúrio, em busca de ouro. Por que o vice não se entende com a Operação Lava Jato, que está oferecendo recursos das multas para esse tipo de ação e a preservação da nossa floresta? Enquanto o tempo passa, até sexta-feira contamos 1.469 focos de incêndio na Amazônia e 230 no Pantanal. Pela inação dos governantes.

JOSE PEDRO NAISSER, ecologista

JPNAISSER@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Projeto nacional

O artigo Carecemos de um projeto nacional (10/7, A10), de Eduardo Villas Bôas, singelo, direto, sem rodeios e, especialmente, sem ranços ideológicos, demonstra a necessidade premente de um projeto de Nação. As bases por ele apresentadas deveriam ser seguidas pelos detentores dos Poderes da República, em todos os seus níveis. Sugiro que, se não entenderem, chamem alguém que tenha formação ético-cívica, mas não um desses atuais fanáticos, para ajudá-los a pôr a ideia em prática. E, daí, formar uma união patriótica por um Brasil forte, unido, livre e democrático.

RUYRILLO PEDRO DE MAGALHÃES

RUYRILLOPEDRO@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Andando para trás

A mudança da capital federal do Rio para Brasília deixou a economia do País em pandarecos. E o Brasil, que segundo Juscelino avançaria 50 anos em apenas 5 do seu governo, desde então só andou para trás. E já se foram 60 anos. Por exemplo, enquanto o mundo investia em trens, aqui, para vender caminhões, um século de história e progresso foi destruído, deixando 40 mil km de ferrovias sucateadas e desativadas. Um crime imperdoável contra a Pátria. Só restam velhas estações em ruínas e muita saudade. E hoje somos reféns do transporte rodoviário. Não bastasse, temos a volta de políticos cobrando mais impostos, para sustentar os crescentes privilégios que se deram. Corrupção, parasitismo e violência, com segurança e punição zero, nos últimos 35 anos tomaram conta do País, transformando-o num paraíso para safados. Com a Justiça que temos é tão difícil soltar inocentes pobres como prender corruptos ricos – antes mesmo de chegarem à prisão já entram com habeas corpus para continuarem livres e sorridentes. Foro privilegiado, prisão domiciliar, cela especial, prescrição e progressão de pena, indultos de Natal, de Páscoa, de Dia das Mães e dos Pais, menores assassinos livres aos 18 anos e a infinidade de recursos possíveis só enriquecem advogados. São imoralidades “legais” que impedem que o País vá para a frente. Que bela democracia temos!

NILSON MARTINS ALTRAN

NILSON.ALTRAN@HOTMAIL.COM

SÃO CAETANO DO SUL

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Privilegiados

Infelizmente, no Brasil foro privilegiado é sinônimo de privilégios ilegítimos que apenas servem para ocultar malfeitos e crimes, relegando-os às calendas dos tribunais superiores. Que deveriam, por força de lei, julgá-los – o que, convenhamos, é conversa para o boi dormir.

MARCELO GOMES JORGE FERES

MARCELO.GOMES.JORGE.FERES@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO

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Perdas na Justiça

Como entender que disputas judiciais envolvendo questões tributárias ou distribuição de recursos possam levar a União a perder bilhões, como mostra a reportagem Valor para ações na Justiça quadruplica e atinge R$ 681 bilhões (8/7, B5)? Tudo indica que nossa legislação tributária tem sido feita visando disputas judiciais – e muita gente ganhando fortunas em sucumbências. À custa do povo!

JOSÉ ELIAS LAIER

JOSEELIASLAIER@GMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Tempo de aprender

Seria muito bom, e até compensador, se depois de passar pelas estripulias do governo Bolsonaro o povo brasileiro definitivamente se conscientizasse de que esse presidencialismo é um sistema de governo inconveniente e visivelmente perigoso para a verdadeira democracia. E de que vale a pena aderir a um movimento pelo parlamentarismo. Acredito que não teremos outro período tão apropriado para ver e sentir os males do presidencialismo como o atual.

EUCLIDES ROSSIGNOLI

CLIDESROSSI@GMAIL.COM

OURINHOS

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Pandemia

Transmissão pelo ar

Desde a Antiguidade já se desconfiava que a tuberculose seria transmitida por via respiratória. Em 1949 confirmou-se que a tosse dos infectados produzia partículas grandes e pequenas de secreções com os bacilos que permaneciam poucas horas nos ambientes ventilados e mais nos pouco ventilados. Não é possível que, 71 anos após esse consenso e oito meses de doença viral de contágio respiratório, seja necessário que 239 cientistas peçam que a (des)Organização Mundial da Saúde reconheça a transmissão pelo ar e em ambientes fechados!

REYNALDO QUAGLIATO JUNIOR

REYNALDOQUAGLIATO@BOL.COM.BR

CAMPINAS

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Hiato

O presidente Bolsonaro, agora infectado pela covid-19, aparece, como se fosse um garoto-propaganda, ingerindo hidroxicloroquina. Omite, todavia, que também lhe foi receitado o antibiótico azitromicina. Além de que diariamente faz dois exames cardíacos, necessários para quem usa a cloroquina. Dissimulado, não se acanha em fazer um hiato entre os atos.

ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

ENIMARTIN@UOL.COM.BR

BOTUCATU


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AMAZÔNIA

Governo trava repasse de R$ 33 milhões para Amazônia (Estado, 9/7). Enquanto o governo não se entender e continuar empurrando o problema com a barriga, difícil será parar as queimadas criminosas na região.

Robert Haller robelisa1@terra.com.br

São Paulo

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DESTRUINDO A AMAZÔNIA, PREJUDICANDO O PAÍS

Reportagem sobre a Amazônia aponta novo recorde de queimadas no atual governo, graças à ignorância técnica do presidente sobre a real importância daquele gigantesco bioma. Não fora o seu total desconhecimento da extraordinária importância da floresta em pé, não teria nomeado Ricardo Salles para ministro do Meio Ambiente. Corrupto, condenado em primeira instância por falsificar processo de conservação ambiental quando era secretário do Meio Ambiente em São Paulo, o presidente o nomeou sob a desculpa de que ele recorrera à segunda instância. Ora, um presidente eleito sob a bandeira do combate à corrupção não poderia, honestamente, nomear Salles para cargo de tamanha importância. Somente essa nomeação deveria ser configurada como um estelionato eleitoral, pois violou a principal bandeira de sua campanha. Nunca é demais lembrar que a maioria dos cientistas do planeta aceita não só como correta a teoria do aquecimento global, mas também que a melhor maneira de frear o fenômeno será através das florestas, que absorvem os gases do carbono e devolvem vapor de água para a atmosfera. Reportagens publicadas em 2017 informavam que, em média, cada árvore daquela floresta pode liberar 500 litros de água por dia, em forma de vapor. A somatória de todas elas apresentava uma vazão que superava a do Rio Amazonas. Essa vazão não deve ter se alterado, em função do desmatamento desde então. Portanto, a cada árvore abatida pelas quadrilhas que agem livremente na Amazônia, diminuem as chuvas equivalentes que iriam irrigar as terras dos Estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste – exatamente onde se encontram as maiores fazendas e cidades do País. Não bastasse este verdadeiro crime de lesa-pátria, o presidente Bolsonaro está inviabilizando o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, exatamente pela devastação da Amazônia. Tanto que na reunião por vídeo com os presidentes do Mercosul Bolsonaro tentou convencer a comunidade internacional de que seu governo cuidou muito bem da Amazônia. Não vai dar, pois Salles cumpriu bem o seu papel de destruidor da floresta e de aldeias indígenas. Ambos deverão pagar caro pelo hediondo crime cometido.

Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo

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O IMPOSSÍVEL E ALÉM

O Ministério Público e o exército de procuradores que estão tentando afastar o tenebroso ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, poderiam seguir um caminho menos pedregoso para alcançar o objetivo: bastaria dar andamento ao processo de improbidade administrativa que condenou Salles em primeira instância. Uma condenação em segunda instância tornaria inviável a permanência de Salles no cargo. Em algum momento, o sistema judiciário brasileiro terá de dar o braço a torcer e admitir que não funciona, demora décadas para julgar, quando julga, a tal sentença transitada em julgado é uma peça de ficção jurídica, ninguém nunca viu uma. Lula, Salles e tantos outros seguem se beneficiando da eterna inoperância do sistema judiciário brasileiro.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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NATUREZA

Foi pedida a intervenção do vice-presidente, Hamilton Mourão, no caso da Amazônia e dos índios, e a resposta é sempre uma evasiva, até porque o vice militar, como Bolsonaro, adepto e entusiasta da ditadura militar não consegue fingir entusiasmo com as liberdades e a democracia, não é de sua natureza.

Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca

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FLAMENGO

Em entrevista a respeito das queimadas na Amazônia, na companhia da ministra Tereza Cristina e dos ministros (?) Ricardo Salles e Eernesto Araújo, o vice-presidente da República ostentava, creio que orgulhosamente, um bottom com o escudo do Flamengo na lapela do seu paletó. Seria esse o momento e/ou a hora mais apropriada para demonstrar a sua paixão clubística? Estamos com tão poucos problemas...

Guto Pacheco jam.pacheco@uol.com.br

São Paulo

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FINGEM QUE NÃO VEEM

Minha sugestão é de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para se investigar a possível máfia de políticos e poderosos dos mais diversos ramos na exploração ilegal e das queimadas da Amazônia, além da exploração de minerais como ouro, nióbio, pedras preciosas, petróleo e madeira. Acho impossível algo tão destruidor e visível ser praticado sem intervenção do Exército e dos administradores públicos, prefeitos, governadores e presidentes. A prova maior foi a desaprovação do governo da destruição de maquinário aprendido. Vemos carretas de vários vagões saindo cheias de toras da mata, e a fiscalização não as vê?

Carlos Roberto crmarceu@hotmail.com

São Paulo

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ELEITORES DE BOLSONARO

Se existe algo mais letal que a pandemia da covid-19, é o arrependimento de milhões de brasileiros que votaram no senhor Jair Bolsonaro.

Marcos Abrão m.abrao@terra.com.br

São Paulo

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NUNCA ANTES NESTE PAÍS...

Enfim temos alguém do tipo “lulático” e também lunático de pedra a ocupar a malfadada cadeira presidencial desde que FHC o fez por dois mandatos sucessivos. Tanto Lula quanto Dilma também eram culturalmente nulidades exemplares, embora a presidenta tivesse um plus: ao falar, parecia estar sob efeito de LSD ou embriagada. Enfim. Quanto ao recordista (ainda a ser registrado no Guinness Book, eventualmente) em viver “fora da casinha” (tipo “mamãe, olha só... sem as mãos... e sem máscara também!”), realmente o atual é fora de série e seu nome deveria constar em dicionário como sinônimo de pandemônio, por exemplo: “babel, balbúrdia, caos, charivari, chinfrim, confusão, desordem, feira, rebuliço, sarapatel, sarrafusca” - e + Bolsonaro” (apud, dicionário Porto Editora). Não se passa um dia sequer livre de sobressalto, seja pelo que foi dito por ele ou porque nada disse de algum fato sobre o qual era esperado um posicionamento seu, simples assim: ele fala quando não deve, não fala quando deveria e jamais fala algo relevante ou que preste. Tem se mostrado tão estapafúrdio seu comportamento em tempo integral (sabem aquele moleque chato, dono da bola, reclamão, sempre inconveniente, grosseiro, remelento, irrequieto, que cospe da janela e...), a ponto de gerar uma certa anestesia mental nas gentes, um desconforto perturbador. E está a se aproximar aquela “determinada hora” em que o caldo entorna. O vidro se quebra. O ar rareia. A visão turveja. Os olhos se arregalam. O cérebro pensa. A voz soa. E então acontece.

Nelson Monteiro de Abreu Sampaio Jr. n.sampaio@hotmail.com

Curitiba

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A SAÚDE DO PRESIDENTE

O presidente Jair Bolsonaro informou na terça-feira (7/7) que contraiu a covid-19. Divulgado pelo Planalto, o exame foi feito na segunda-feira. O resultado positivo do chefe do Executivo ganhou repercussão internacional. O presidente Jair Bolsonaro postou um vídeo nas redes sociais em que aparece engolindo um comprimido, segundo ele, de hidroxicloroquina. Esta foi a terceira dose. “Eu tomei hidroxicloroquina e estou me sentindo muito bem. Uma boa tarde a todos”, concluiu o chefe do Executivo. Lá atrás, Bolsonaro criticou o excesso de importância dada à doença. Depois, declarou (simulou?) que estava com desconforto e febre alta. Agora, aparece em vídeo tomando o terceiro comprimido de hidroxicloroquina (placebo?), remédio considerado ineficaz pelas autoridades da saúde contra a covid-19 e que apresenta efeitos colaterais graves. A conferir.

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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LIDERANÇA

Nosso presidente, após ter contraído covid-19, demonstra mais uma vez que nunca teve o contato com um exemplo de liderança básica. Liderança pelo exemplo.

Luca Grillo Lucagrillo@uol.com.br

São Paulo

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SERÁ VERDADE?

O presidente Jair Bolsonaro ficou muito contente por ter testado positivo para a covid-19. Tamanha é a sua alegria que faz com que os brasileiros de bem duvidem desse resultado. Afinal, nas ocasiões anteriores, apresentou testes em nome de terceiros. Como garoto-propaganda da cloroquina e complicador nas demonstrações públicas, permanece a dúvida. Ora, só falta Bolsonaro dizer que a Tubaína é melhor do que a cloroquina. Pasmem: será verdade?

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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BOLSONARO

Não devemos prejulgar jamais, mas esta covid-19 do presidente está estranha, está mais parecida com jogo marcado!

Francisco José Sidoti  fransidoti@gmail.com

São Paulo

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SEM DESEJAR O PIOR, MAS, E DAÍ?

Não dá para transferir a responsabilidade. Ou a falta de. Se Bolsonaro está, mesmo, com a “gripezinha”, o problema é SÓ dele...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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PESSOAS ESPECIAIS

Na semana passada no Rio de Janeiro, quando o carioca já pôde dispor de mais liberdade para sair e se divertir, aconteceu algo que dá para pensar como reagem algumas pessoas. Tudo começou quando um fiscal sanitário abordou um casal que não respeitava as regras de prevenção à pandemia. O homem, irritado com a abordagem, sacou o celular e apontou para o fiscal, que o chamou de “cidadão”, enquanto sua esposa reagiu de forma inesperada e, com sarcasmo, disse algo como “cidadão, não, engenheiro formado, melhor que você”. A cena foi registrada por uma equipe de emissora de TV que no domingo levou as imagens ao ar e deixou famosa a mulher. Dependendo da forma de pensar desta pessoa, talvez devêssemos ser catalogados como “especiais” quando se tiver formação universitária, como seu marido engenheiro, e talvez para isso carregar no peito um distintivo ou tatuagem no rosto ou braço, para de imediato ser reconhecido como superior, enquanto os demais seriam “cidadãos”, os comuns.

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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320 POR MILHÃO

O Brasil tem 320 mortes por milhão de habitantes, vítimas de covid-19. Equador, Argentina, Uruguai, México, Panamá, Bolívia, Colômbia, República Dominicana, Guiana Francesa, Honduras, Guatemala, entre outros países das Américas apresentam números muito menores do que o Brasil. A Saúde sempre foi deixada para segundo plano em nosso país. O resultado está aí, transparente e angustiante. A Copa do Mundo e a Olimpíada não nos trouxeram nenhum ganho real, muito pelo contrário, serviram como mais uma fonte de corrupção.

José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte

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NA MOSCA

Essa expressão é usada em artilharia quando se pretende dizer que um tiro acertou em cheio no alvo visado. Em comentário enviado ao Fórum dos Leitores do jornal em 16/5/2020, estimei em 1,81 milhão o número de mortes que irão ocorrer no mundo este ano em decorrência das medidas radicais de isolamento social horizontal, escolhidas pelas autoridades sanitárias e governamentais que fizeram o que chamaram de “opção pela vida” em detrimento da “opção pela economia”, que seria a adoção de um isolamento social vertical, ou mitigado. Na quinta-feira (9/7), notícia publicada pelo Estadão (página A18), com manchete Pandemia deve ampliar em 48% mortes por fome, apresenta com base em dados da ONU que até o fim do ano 12 mil pessoas por dia vão morrer de fome em decorrência da pandemia. Multiplicando esse número diário pelos cerca de 150 dias que restam até o fim do ano, chegamos a 1,8 milhão de mortes, ou seja, minha estimativa de maio acertou “na mosca”. Lembro que a covid-19, até o momento, causou 600 mil mortes em 200 dias, ou 3 mil mortes por dia, isto é, quatro vezes menos que as mortes causadas pela fome (desnutrição) decorrente das medidas de isolamento radical adotadas, identificadas ironicamente como “opção pela vida” (sic).

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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EINSTEIN ESTAVA CORRETO

Sabemos que pessoas contaminadas com Sars-CoV-2 podem transmitir o vírus entre 2 a 5 dias antes de apresentarem sintomas. Cinco dias. Uma semana de trabalho. Pode-se executar grande quantidade de funções nesse período. Porém, parece muito tempo para alguém estar espalhando o vírus sem saber. Mas será muito tempo mesmo? Já estamos há mais de 100 dias em casa! Cinco dias não são nada. Ninguém mais aguenta ficar em casa. Queremos ver a família e amigos, queremos voltar a praticar nossos esportes, hobbies, voltas. Queremos a normalidade. Todos queremos. Cidadãos e tomadores de decisão. Patrões e funcionários. Médicos e pacientes. A questão é: como atingir esse objetivo? Primeiro, temos de assimilar alguns conceitos: 1) o vírus não irá sumir. Não. Não vai. Nunca. Mesmo com remédios e vacinas do futuro, ele sempre estará presente escondido em algum morcego e pangolim ou sei lá. Não há necessidade de se desesperar. O objetivo da ciência é eliminar a doença trazida pelo vírus, e não a sua existência. Portanto, de alguma maneira, a humanidade sempre estará preocupada com o Sars-CoV-2, sendo através da contínua vacinação de todos ou desenvolvendo novos medicamentos. O.k., mas e este tal de isolamento social? Não era para acabar com o vírus? Na verdade, não. Se alguém falou isso (muitos falaram), estavam equivocados ou mal informados. O conceito de separação física de indivíduos para “achatar a curva” foi implementado apenas para nos dar tempo para lidar com epidemias. Sim, a relação é com o tempo, e não apenas com o vírus. Tempo para entendermos a doença, como o vírus se espalha e, principalmente, para reduzir o número simultâneo de infectados. Esses mais de 100 dias já nos ensinaram imensamente. Com certeza os pacientes infectados agora têm mais chances de sobreviver caso desenvolvam quadros graves. Todavia, 100 dias são um piscar de olhos para a história da ciência. Estudam-se Ebola, dengue, HIV, entre outras doenças há décadas, e ainda não temos as respostas práticas que gostaríamos. Isso não quer dizer que já não aprendemos várias enciclopédias sobre o assunto. Durante essas décadas, muitas hipóteses estavam erradas, diversas conclusões estavam equivocadas, porém o método científico foi capaz de equalizar o que estava incorreto e nos deixou tranquilos para lidar com essas doenças. Todavia, a principal função do “ficar em casa” é, sim, para aceitarmos esses fatos – o vírus estará solto por aí e temos de nos cuidar. Esses dias foram para que possamos nos preparar para a realidade existente. Porém, todos os líderes da nossa sociedade não aceitaram essa realidade ainda e deixaram o tempo rolar, esvair e deslizar por estes 100 dias. Onde estão os testes? Os sistemas de monitoramento? As patrulhas para prevenir aglomerações? Os estímulos para as cadeias de produção para os materiais essenciais para a pandemia? Os planos para caso algo piore? Se algo melhorar? Os planos para se descobrirmos uma vacina? Distribuição? Um medicamento? Com certeza, precisamos apoiar os em necessidade com empréstimos, estímulos e proteções. Porém, isso não muda o fato de o vírus estar aí e as pessoas terem de lidar com ele agora ou num futuro próximo. Obviamente, não podemos ficar enclausurados para sempre. Precisamos que os sistemas públicos e privados lidem com o fato de que o vírus existe. Que os sistemas existentes reconheçam o vírus. Temos de ser proativos, e não apenas deixar para que o passar dos dias acabe com nossos problemas. Abrir e fechar as cidades é essencial. Reportar os casos é primordial. Todavia, isso é o básico. 100 dias me parecem muito tempo para “aceitar” o problema e seguir para a parte do “agir”. E essa conclusão também deveria atingir os empresários e empreendedores. Sinto dizer, mas apesar das ausências financeiras dos últimos meses, as empresas que se adaptarem fisicamente e arquitetonicamente para o vírus vão progredir. Claro que a grande maioria não tem condições de investir neste momento, mas garanto que a competitividade da segurança dos clientes será altamente avaliada. A progressão do vírus e a completa ausência da compreensão da seriedade dos fatos em relação às ações das pessoas gerarão um longo processo de distúrbio do que entendíamos como normalidade. Longo suficiente para durar além do que suportamos até agora. Cinco dias ou cem dias, não importa o valor associado à passagem do tempo, não é ele que irá nos trazer soluções. Até porque Albert Einstein nos ensinou que o tempo é relativo à perspectiva do observador. Infelizmente, estamos vivendo sobre o ponto de vista do vírus.

Rafael Czepielewski rczepielewski@wustl.edu

Saint Louis, MO, EUA

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TRANSMISSÃO PELO AR

Vejam o que escrevi antes do inverno: com a proximidade do inverno, temos de redobrar os cuidados para evitarmos a contaminação com o coronavírus. Isso porque o tempo nublado e a alta umidade relativa do ar propiciam que o vírus permaneça mais tempo em suspensão na atmosfera, facilitando ser absorvido pelas pessoas. O meu espanto é a Organização Mundial da Saúde (OMS) só agora ter percebido que o vírus é transmissível também pelo ar.

Victor Raposo victor-raposo@uol.com.br

São Paulo

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NOVO NORMAL

A ordem do dia é o chamado “novo normal”, que pode ser entendido como o panorama que advirá após o arrefecimento dos danosos efeitos da atual pandemia. Com o respaldo, porém, de episódios históricos, alguns até relativamente recentes, registrados na esteira de tragédias semelhantes, é bastante provável que o debate sobre o que emergirá depois da tempestade devastadora provocada pelo covid-19 não terá passado de retórica vazia, fato a ser demonstrado pela realidade futura. A humanidade já atravessou situações idênticas e o verificado foi que, quando o pior ficou para trás, tudo voltou com grandes semelhanças ao que vigorava antes. Com exceção talvez do desenvolvimento de vacinas e medicamentos específicos, principalmente após a influenza espanhola ocorrida entre 1918 e 1920, que, adicionalmente, acrescentou valiosas informações ao acervo dos infectologistas sobre a evolução dos vírus, necessária ao combate dos que viriam em seguida, pouco se viu em termos de mudança de comportamento, de visão social e de espírito de solidariedade nos humanos que lograram sobreviver. Quando o presente ataque do coronavírus for domado, o cenário mais plausível é de que voltem as posturas que hoje os mais idealistas juram que sofrerão revisão.

Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro

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TESTANDO!

Nada como o desespero. Entidades de proteção de animais proíbem que animais sejam cobaias quando, em verdade, para evitar testagem em várias situações sem expor os seres humanos, cientistas façam-no em animais. Agora, com a covid-19, manchetes asseguram que duas vacinas estão sendo testadas no Brasil. E assim, orgulhosos, os brasileiros são os bichos da vez.

Maria Coelho maricotinha63@gmail.com

Salvador

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