Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2020 | 03h00

Meio ambiente

Salles, o ‘mocinho’

Muito tarde para o ministro Ricardo passa-boiada Salles se travestir de bom moço, com o único intuito de se manter no cargo (15/7, B3). O titular da pasta do Meio Ambiente foi chamuscado pelas queimadas que nunca procurou combater, convencido de que faz parte de um governo com nível técnico elevado – leia-se: um presidente da República que, há 18 meses no cargo, não foi recebido como chefe de Estado em nenhum país europeu. Num país sem ministro da Saúde em plena pandemia, ninguém de peso na Cultura e na Educação e um “posto Ipiranga” que só sonha com CPMF, as ações de improbidade a que responde o ministro Salles viram mero detalhe.

MARCO DULGHEROFF NOVAIS

MARCODNOVAIS@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Roubados na Amazônia

O Brasil está sendo escandalosamente roubado e o governo assiste a tudo, achando que “é para o bem da economia local” ou “para atender os milhões que lá vivem”. Hoje grande parte da área florestada da Amazônia está sendo formalmente entregue para desmatamento pelo Incra e por governos estaduais a troco de pretensa “colonização”. Como exemplo, veja-se o que acontece no Amapá, sob a vista dos “combativos” senadores do Estado. Em outros locais, áreas federais – que são de todos nós –, algumas constituindo reservas oficiais, estão sendo invadidas por grileiros e madeireiros, que, após desmatá-las, pedem títulos de posse. Em alguns lugares, como no Vale do Tapajós e em Roraima, grandes áreas estão sendo desmatadas e o solo, destruído por ação de garimpeiros, que atuam sem nenhum controle, com frequência poluindo os rios com o tóxico mercúrio. Nesse caso, o governo faz questão de não considerar que todos os bens minerais do País pertencem à União e só podem ser lavrados sob concessão e de acordo com legislação específica, que visa ao melhor aproveitamento das reservas com um mínimo de afetação do meio ambiente. Não atuando e por vezes até estimulando esses dois campos, dos madeireiros e dos garimpeiros, o governo compactua irresponsavelmente com essa dupla espoliação da Nação. Agora vem o Conselho da Amazônia mobilizar as Forças Armadas para combater incêndios e fumaça nas áreas desmatadas. Enquanto esse conselho se preocupa com a fumaça, o País vai sendo roubado.

WILSON SCARPELLI

WISCAR@TERRA.COM.BR

COTIA

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Danos

A Amazônia em chamas, a política externa inexistente ou enviesada no fanatismo religioso terraplanista, a economia não descola e muito menos tem algum plano. O Brasil está a caminho de um dos maiores desastres de sua História recente. Culpa do pior presidente de todos os tempos.

MARCOS BARBOSA

ALDOBERTOLUCCI@GMAIL.COM

CASA BRANCA

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Ministro da Educação

Pedagogia da palmatória

Revoltante um indicado para o Ministério da Educação afirmar que as crianças devem sentir dor! Isso causa receio das medidas educacionais que esse senhor possa tomar. No mínimo, pelo visto, antipedagógicas.

SONIA PEREIRA

TOFEMA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Escolhas

Está claro que o discurso do então candidato Jair Bolsonaro de só escolher ministros por critérios técnicos e de mérito ficou mesmo na campanha. Hoje vale qualquer nome que seja “da turma”. Azar do Brasil!

LUIZ FRID

LUIZ.FRID@GLOBOMAIL.COM

SÃO PAULO

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‘Fake news’

Rejeição

Depois do puxão de orelha da ONU e da OEA sobre a lei das “fake news”, que contraria acordos internacionais, os nobres integrantes da Câmara dos Deputados só têm uma coisa a fazer: rejeitar projeto aprovado pelo Senado. Liberdade de expressão e de imprensa é a base da democracia.

J. A. MULLER

JOSEALCIDESMULLER@HOTMAIL.COM

AVARÉ

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Debate aberto

Tolerância

Parabéns ao Estado pelo belo editorial A tolerância para o debate aberto (12/7, A3). A estupidez humana concentra-se na intolerância para com o próximo: eu não tenho de aceitar sua religião, sua identidade sexual, seu jeito de pensar, sua preferência partidária, etc. Ora, ser conservador ou liberal é um direito que assiste a qualquer pessoa. A liberdade de expressão é outro direito que não pode ser tolhido. Você pode ser petista ou bolsonarista sem desejar a morte do opositor. As escolhas pertencem a quem as faz e as consequências de tais atos, também. O que precisamos aprender é a respeitar o espaço do outro, os valores de cada um, e defender aquilo em que acreditamos sem violência ou barbárie. Ninguém convence ninguém de nada sem o uso da empatia. Se algo escandaliza o seu oponente, então não o faça diante dele. Enfim, seja sábio e não plante a discórdia.

ROBERTO LINARES

ROBERTO.LINARES.MSC@GMAIL.COM

NOVA ODESSA

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Em São Paulo

Tendas da miséria

Quem vai ao centro da cidade de São Paulo vê cenas deprimentes, com centenas de pessoas em estupor químico e etílico acampadas em locais que deveriam ser cartões-postais da cidade, como o Teatro Municipal, o Largo do Paiçandu, o Largo de São Bento e a Praça da República. Vandalismo, fezes e lixo se acumulam. No Largo de São Bento e no Paiçandu as estruturas do Centro Aberto, que deveriam “valorizar” esses espaços, só aumentaram sua degradação, com a qual a Prefeitura não se importa. Enquanto isso, numa região carente de áreas verdes e onde espaços de convivência são privatizados por “noiados” e moradores de rua, continua a obra do novo “sambódromo” do Anhangabaú. Isso não será esquecido na eleição.

FABIO OLMOS

F-OLMOS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


DEMISSÃO NO INPE


É extremamente angustiante, no meio de uma pandemia, já por si angustiante, ver que o País vem sendo governado por psicopatas, que procuram amoldar a realidade a seus desejos. Um dos campeões dessa forma de funcionar é o ministro do Meio Ambiente, que não percebe que já perdeu toda a credibilidade e continua a basear sua estratégia em falas que não têm a menor conexão com a realidade. O governo realmente crê que vai convencer investidores estrangeiros, empresários nacionais, a população brasileira e a população do planeta com argumentos e afirmações mentirosos? É demitindo mais um pesquisador do Inpe que vai convencer essas pessoas de que as queimadas, a grilagem, o garimpo ilegal não existem e não estão destruindo a Amazônia? Eles não se convencem de que o mundo todo monitora cientificamente o que está acontecendo nessa região do planeta. E de que essas ações têm influência irreversível sobre a questão climática. Ao avaliar as implicações das ações do governo, só podemos reconhecer que se trata de crime contra a humanidade, de genocídio das atuais e das futuras gerações. E, para emendar com a questão do agronegócio, torna-se também inegável que essa atividade também sofre críticas graves no exterior em razão do uso excessivo de agrotóxicos, em quantidades não aceitas em muitos países. Essa política de tapar o sol com peneira não vai levar a nenhum resultado benéfico para o Brasil.


Shirley Schreier schreier@iq.usp.br

São Paulo


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QUEM É O MINISTRO SALLES


Em entrevista ao Estadão de ontem (‘Precisamos ir à Europa ouvir as críticas’, 13/7, B3), o ministro Ricardo Salles pareceu, pelo menos a mim, brasileiro há mais de 80 anos, uma inocente figura que não sabe como ser ainda mais útil ao Brasil, embora pareça desejar isso. A qualquer leitor menos informado parecerá que nada está acontecendo de excepcional na Amazônia, que ninguém está desmatando nada, que incêndios florestais provocados por grileiros, invasores e similares são mera ilusão de ótica provocada por satélites espiões, que o Brasil é injusto com esses invasores de terras alheias, que devem ser devidamente remunerados pelo sacrifício que fazem em levar a “civilização” até lá, que mineradores clandestinos, verdadeiros devastadores, precisam ter sua situação regularizada para que possam trabalhar e devastar com mais tranquilidade, sem uns índios chatos atrapalhando, enfim, que nós, os brasileiros, devemos muito a todos os que contribuem para o facilmente previsível fim daquelas matas, com os prejuízos ambientais imensos que isso trará ao mundo inteiro, que dirá ao Brasil. Procura, ainda, o sr. Salles programar viagem à Europa para convencer os empresários locais de que tudo anda bem, de que eles têm de mandar mais dinheiro para o pessoal queimar lá em cima – enfim, mais uma viagem turística à nossa custa. Que pena o Estadão ter publicado esta asquerosa entrevista. Que pena! Bem, mas, se não a publicasse, nós não teríamos ainda mais argumentos para ter certeza de que aquele “ministro” é apenas um cara de pau protegido pelo homem do remédio milagroso. Que droga!


Ruy Carlos Silveira Crescenti ruycarlos39@uol.com.br

Águas de São Pedro


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VIAGEM À EUROPA?


O cara de pau e ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desde sua posse, ainda não entendeu todas as mensagens dos organismos internacionais, bem como dos empresários brasileiros para que acabe, de uma vez por todas, com o desmatamento da Amazônia legal. Diz ele que quer ir para a Europa para ouvir, explicar e dialogar sobre a sua nefasta e omissa atuação à frente da pasta. Talvez pretenda explicar “a baciada de leis infralegais” que pretende usar e que só ele conhece. Ora, ministro, se a intenção é dar um rolê nas oropas, seja franco: é só pedir ao presidente, e não perder a boquinha.


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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GOVERNO DA MOTOSSERRA


No Estadão de 12/7, Persio Arida, Walter Schalka e Roberto Rodrigues alertam para a urgente questão do aumento do desmatamento no País e suas graves e irreparáveis consequências, mas o governo prefere continuar com a motosserra nas mãos e com Ricardo “passar a boiada” Salles? Bolsonaro, não replique em nós sua falta de ambiente. Naquela clássica desculpa “para não votar no PT”, o governo quebra-galho incorporou o sentido literal.


Marco Dulgheroff Novais marcodnovais@hotmail.com

São Paulo


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NO DISCURSO


Guedes pede ajuda internacional para preservar Amazônia e diz que País não vai tolerar desmatamento (Estado, 13/7). O ministro Paulo Guedes está mentindo, o Brasil não alimenta o mundo nem protege o meio ambiente. A soja, carro-chefe do agronegócio nacional, não alimenta ninguém, alimenta os porcos na China, é uma proteína barata que quase ninguém come. O governo Bolsonaro anunciou com pompa e circunstância o fim do Ministério do Meio Ambiente, com o objetivo de escancarar o País para o crescimento insustentável do agronegócio. O ministério foi mantido, mas o ministro Ricardo Salles, advogado da bancada ruralista, trabalhou com afinco para acabar com as restrições ambientais e para “passar a boiada”, não só na agricultura, mas também na criminosa mineração na Amazônia. Tratar os investidores internacionais como se eles fossem um bando de idiotas, incapazes de se informar e chegar às suas próprias conclusões, não vai ajudar a reestabelecer a credibilidade que o Brasil jogou no lixo.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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‘ENTRE O SUCESSO E A MÁ FAMA’


Conforme o editorial do Estadão Entre o sucesso e a má fama (13/7, A3), é boa a notícia de que o Brasil deverá atingir uma produção agrícola auspiciosa de 251,4 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura, e tudo baseado na ciência, na tecnologia e no trato do solo. Sem dúvida, uma notícia alvissareira apesar dos erros diplomáticos e das ofensas a países consumidores como a China. Triste, mesmo, é considerar a expansão do novo coronavírus, que afetou a economia mundial e principalmente o Brasil, onde as perspectivas econômicas são altamente desanimadoras, especialmente no setor automobilístico, considerado a locomotiva industrial do País, com queda de 50,5% no primeiro semestre de 2020, segundo a associação das montadoras (Anfavea).


Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas


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PIZZAS JURÍDICAS


Algo estranho aconteceu na Justiça, aproveitando o recesso do Judiciário. Os vídeos liberados quando foi localizado o ex-assessor Fabrício Queiroz mostravam um homem com boa saúde, que estava aproveitando sua vida no suposto escritório do advogado Frederick Wassef. Sua prisão preventiva foi solicitada para evitar “tentativas de manipular provas, constranger e ameaçar testemunhas e interferir nas investigações sobre o esquema de rachadinhas da Assembleia do Rio de Janeiro”. E não é que poucos dias depois o mesmo perigoso Queiroz foi mandado para prisão domiciliar para se tratar, sendo o mesmo “castigo” estendido à sua foragida mulher Márcia Aguiar, para cuidar dele? A outra pérola é a decisão sobre o material sob sigilo da Operação Lava Jato. A Procuradoria-Geral da República (PGR) montou uma sequência interessante. Mandou de surpresa para Curitiba a procuradora Lindôra Araújo. Não foi atendida, porque foi sem “nenhum ofício solicitando informações ou diligências, ou informado procedimento correlato, ou mesmo o propósito e o objeto do encontro”, segundo os procuradores de Curitiba. Partiu-se, então, para a fase dois. A reclamação não foi para a Corregedoria da PGR, mas para o Supremo Tribunal Federal, cujo presidente liberou geral o acesso a tudo, independentemente se há ou não pessoas envolvidas com foro privilegiado. É assim que as coisas devem ser feitas: esperar a época certa para “passar a boiada”, como ensinou o ministro Ricardo Salles, num raro momento de franqueza. Ficou claro por que a nossa pizza é a melhor do mundo?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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TIRO NO PÉ


O fato de Jair Bolsonaro decidir manter assessores que tiveram suas contas excluídas pelo Facebook deixa claro que o presidente sabe e apoia a disseminação do discurso de ódio e de fake news. Com isso, a estratégia dos advogados que o defendem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de alegar que a divulgação de fake news é feita por terceiros, se enfraquece, já que esses terceiros são funcionários ligados diretamente ao presidente, que resolveu mantê-los em seus cargos.


Lucas Dias lucas_sandias@hotmail.com

Rio Verde (GO)


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‘CERCO ÀS LIBERDADES’


Continuo com minha opinião de que a tramitação judicializada destas notícias realmente não procedem. Lendo Cerco às liberdades, de Carlos Alberto Di Franco (13/7, A2), em que ele cita declarações de Ayres Britto há oito anos, quando era presidente do STF. Faz importante defesa da liberdade de imprensa e de expressão, e eram tempos de governos petistas. Escreve que este tema aprovado no Senado (44 a 32) “é um exemplo da corrosão programada da liberdade de expressão”. Termina Di Franco dizendo que você, leitor, pode e deve se manifestar. Não se levanta uma democracia com a ferramenta autoritária da ditadura: a censura. Não defendo, por óbvio, a irresponsabilidade nas redes sociais. Cita, também, J. R. Guzzo em artigo que diz que já há 80 anos nosso Código Penal Brasileiro pune com crime a calúnia, a difamação e a injúria e que quem as praticar pode ser punido no rigor das leis. Nesta mesma edição do Estado, em ‘A Justiça no Brasil está sob ameaça constante’, entrevista com Paul Lagunes, organizador de livro sobre a Lava Jato lançado ontem, ele revela sua preocupação com o desmonte que desejam fazer da Lava Jato, fazendo sua defesa citando a ação infeliz da Procuradoria-Geral da República (PGR). Tempos difíceis.


Claudio Baptista clabap45@gmail.com

São Paulo


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LIBERDADE SEMPRE


Nestes tempos bicudos e obtusos que o Brasil vive sob o obscurantista, reacionário e beligerante desgoverno Bolsonaro, com a Odiobrás instalada no terceiro andar do Palácio do Planalto (!), cabe, por oportuno, reproduzir o que bem disse o jornalista Carlos Alberto Di Franco no artigo Cerco às liberdades (Estadão, 13/7, A2): “É evidente que as redes sociais não podem ser um território sem valores. Mas nada disso será alcançado por meio de interesses corporativos que, no fundo, pretendem apenas consolidar privilégios que confrontam a cidadania. Não defendo, por óbvio, a irresponsabilidade nas redes sociais. Afinal, tenho martelado, teimosa e reiteradamente, que a responsabilidade é a outra face da liberdade. Não sou contra os legítimos instrumentos que coíbam os abusos da internet. Mas eles já existem e estão previstos na legislação vigente, sem necessidade de novas intervenções do Estado. O que fazer quando a política se transforma em plataforma de banditismo? O que fazer quando políticos se lixam para a opinião pública? Só há um caminho: informação livre, independente e plural. E sem nenhuma forma de controle ilegítimo, tanto na imprensa tradicional quanto nas redes sociais. Não se constrói um país com mentira, casuísmo e esperteza. Não se levanta uma democracia com a mesma ferramenta autoritária usada pela ditadura: a censura. Controles e regulação são apenas eufemismos que ocultam o que, de fato, se pretende: uma Nação ajoelhada diante de comportamentos autoritários. Você, amigo leitor, pode e deve se manifestar. Com respeito, mas com firmeza. O Brasil não quer isso”. Com efeito, suas palavras não poderiam soar mais apropriadas. Liberdade de expressão, sempre, censura, nunca mais. Basta!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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STF


O articulista Di Franco (Cerco às liberdades) transcreve o que sentimos, o que gostaríamos de dizer às autoridades de plantão (STF) que passarão para a História como um colegiado simples, partidário, defensores do nada. Podemos dizer ou comentar que este grupo foi ruim em todos os aspectos. E a livre imprensa nada fez para mostrar a sua ineficiência, a não ser bajulá-los. Seria medo? Realmente, os homens da capa preta metem muito medo, mas respeito nenhum.


Adilson Pelegrino adilsonpelegrino2020@gmail.com

São Paulo


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LIBERDADE AMEAÇADA


Parece que a censura começou com o politicamente correto. Os sábios que rejeitam formas de expressões simples começaram a ver maldade em tudo. A intolerância é tamanha que o que se falava sem nenhuma intenção de ofender ou ferir alguém virou guerra ideológica. O assunto tomou tamanha relevância que até o escritor Monteiro Lobato foi objeto de questionamentos, sendo chamado inclusive de racista. A liberdade de expressão deveria deixar que cada cidadão se expressasse tranquilamente sem medo de represálias ou punições. No entanto, não é o que vem acontecendo, pois querem punir e censurar quem pensa diferente, enfraquecendo o debate onde temas ou opiniões estão proibidos. A redução da liberdade que se impõe torna ainda mais pobre o direito de expor, argumentar qualquer tema, pois a patrulha tomou conta da voz das pessoas. Como criar cidadãos críticos, autônomos e participativos com essas amarras que ameaçam a todos? “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, então estejamos atentos.


Izabel Avallone  izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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GILMAR MENDES E O GENOCÍDIO


Em geral, os segmentos jejunos de instrução jurídica sentem dificuldades em diferenciar o culposo e o doloso. Não pretender o resultado, deixar de prever algo previsível, por imprudência, negligência ou imperícia e, pior, movido o agente por corporativismo e política menor, é culpa perfeitamente cogitável no caso de lesa-humanidade do genocídio. É a isso que se referiu o ministro Gilmar Mendes, ao ver um governo subestimar uma crise pandêmica e ocupar o Ministério da Saúde por forças militares, desprezando as inteligências especializadas que poderiam evitar o número abominável de mortes e infecções pela covid-19 em nosso país.


Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo


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LONGE DOS HOLOFOTES


Sobre a repercussão das críticas feitas ao Exército, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes deveria evitar ao máximo a criação de polêmicas que o levam a ressurgir para as luzes dos holofotes e das notícias, uma vez que as suas ações, igualmente polêmicas, à frente de suas monocráticas decisões de complacência humanitarista, ou interpretativa jurídica in bonam partem para os de colarinho branco, quer sejam seus compadres ou não, ainda ecoam e repercutem no meio dos que ainda esperam por um Judiciário mais humanitarista para com as vítimas dos descalabros interpretativos nacionais.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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O QUARTO MINISTRO DA EDUCAÇÃO


Ao Brasil, como Nação laica, não interessa se um ministro, entre outras seitas e religiões, é católico, ortodoxo ou evangélico. Para Jair Bolsonaro, que nem se interessa em salvar vidas, como tem desprezado no decorrer desta devastadora pandemia, não importa a meritocracia, conquanto que seu colaborador seja evangélico. E, nesta linha tola e ineficiente de administrar o País, indicou seu quarto ministro da Educação em 18 meses de gestão – e, somando os três primeiros, “não dão um”. O nomeado para essa importante pasta, até aqui infelizmente abandonada, é um pastor da Igreja Presbiteriana, Milton Ribeiro. A ele desejo urgente sucesso! Ribeiro foi vice-reitor da renomada Universidade Mackenzie, mas não reconhecido como especialista em políticas de educação. Como professor que é, espera-se que venha a interagir com os secretários da Educação dos Estados e municípios para encontrar o melhor caminho para a transferência de conhecimento para os filhos desta pátria, com que Jair Bolsonaro, além de iletrado e inconsequente, jamais se importou.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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CURRÍCULO


O pastor Milton Riberio foi escolhido para comandar o Ministério da Educação. Atualmente, é pastor de uma Igreja Presbiteriana em Santos. Em seu brilhante currículo, consta um doutorado na USP e mestrado no Mackenzie. Estudou Teologia, Direito e Educação, além de ser professor. Milton tem tudo para ser um bom ministro, cuidando da política nacional de educação, ficando bem longe das grosserias políticas do presidente Jair Bolsonaro e das fofocas palacianas. Essa é, sem dúvida, a pasta mais importante, pois a educação é o primeiro passo para se chegar à civilização. Milton Ribeiro terá um difícil caminho pela frente, após esta séria crise da Saúde e dos graves problemas econômicos decorrentes dela. Torcemos para que ele permaneça até o fim do mandato presidencial, cessando essa interminável permutação no comando desse gabinete. Desejamos êxito e que o resultado final seja um país um pouco mais instruído.


José Carlos Saraiva da Costa jcsdc@uol.com.br

Belo Horizonte


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VOLTA DA PALMATÓRIA


Ao tomar conhecimento de que o mais novo ministro da Educação, o pastor presbiteriano Milton Ribeiro, com formação acadêmica invejável, é partidário da “vara da disciplina para criança / deve sentir dor”, fiquei atônito. Afinal, eu e minha esposa (professora e pedagoga), ambos de origem humilde, criamos nossos filhos com autoridade, muito amor e carinho, sem aplicar castigos físicos. Como resultado, só temos motivo para comemorar, já que até agora só nos trouxeram alegria tanto na formação acadêmica como na criação dos filhos. Por oportuno, acrescento que ambos têm entre os títulos o que não-cidadãos impregnados de arrogância classificam de “engenheiro formado”. Entretanto, em termos atuais, examinando o comportamento dos filhotes presidenciais, chego a pensar que talvez tenha faltado na educação deles o método “pastor Milton Ribeiro”, ou, ainda, pelo fato de serem todos políticos as coisas mudam sensivelmente.


Carlos Gonçalves de Faria sherifffaria@hotmail.com

São Paulo


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AGRESSÃO


Há uma similaridade entre a agressão do PM brasileiro e a do policial americano que assassinou asfixiado George Floyd, o que demonstra qual era a intenção do PM brasileiro.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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ALEGAÇÃO IMORAL


O programa Fantástico veiculou no domingo passado entrevista com um advogado do Rio de Janeiro que entrou com ação judicial para ter o direito de não usar máscara facial em locais públicos e, portanto, não correr o risco de ser multado. A alegação dele, entre outras coisas, é pelo direito de manter sua “identidade” visual, o que ficaria coibido pela máscara. Não sou advogado, mas aprendi desde o ensino médio o conceito fundamental de que a liberdade de cada um vai até onde começa o direito do outro. O advogado em questão teria, sim, liberdade de não usar máscara, porém o direito da sociedade de não ser contaminada pelo coronavírus que ele pode potencialmente carrear fala mais forte. O País vive o platô da pandemia sem sinais à vista de arrefecimento. Tentar justificar o injustificável neste momento beira a imoralidade.   


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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OCTAVIO CAFÉ


Discordo dos elogios à arquitetura, de autoria do escritório de design italiano de Alfredo Farné, do prédio do Octavio Café na Avenida Faria Lima (11/7, A26), recentemente fechado: é um prédio feio! Um grão de café escuro e disforme, com um portão laranja ridículo na frente, “(...) que tinha a ideia de um templo(...)”. Façam-me o favor, hein! Design arquitetônico, para mim, é Le Corbusier, Santiago Calatrava e Oscar Niemeyer com suas curvas fluídas, que, aliás, deve estar se revirando no túmulo de tanto rir do tal “grão de café”. Desculpem-me os contrários, mas tal como na fábula de Andersen, também neste caso alguém tem de dizer que “o rei está nu”.        


Paulo Sérgio Pecchio Gonçalves ppecchio@terra.com.br

São Paulo

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