Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Casamento consumado

Estranha a reação do ministro da Defesa às declarações de Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Será que o general não vê que a imagem das Forças Armadas já está muito associada ao atual presidente da República e ao seu governo? O presidente sempre se identificou como militar, comumente é chamado de “capitão”, sempre exaltou os governos militares, mesmo nos seus erros, participou de manifestações pedindo intervenção militar, até em frente a um quartel do Exército em Brasília, e encheu a administração pública de militares, tanto da ativa como da reserva. É claro que, para o bem ou para o mal, o casamento da imagem já foi realizado e assim vai continuar. Na alegria e na tristeza.

JOSÉ JAIRO MARTINS

JOSEJAIROMARTINS7@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Boa imagem em risco

O que está pondo em risco a democracia brasileira é a inépcia, incompetência, a insensibilidade deste governo. É normal reagir a um comentário mais agudo, como fez o ministro da Defesa. O que não é normal é não perceber a baderna em que este governo, recheado de militares, está deixando o País. Menos ainda, deixar queimar a boa imagem que a população tinha do Exército, sem reagir imediatamente para corrigir os erros de militares em postos civis.

ARTURO ALCORTA

ARTUROALCORTA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Militares na saúde

Apesar de engajadas, ao que parece, incondicionalmente, no atual governo e ocuparem altos postos numa plêiade de ministérios relevantes, as Forças Armadas, a meu ver, não têm mostrado disposição de alocar seus homens e recursos materiais na linha de frente do combate à covid-19. Mesmo dirigindo, por intermédio de um general da ativa, o Ministério da Saúde, amiúde empregam suas tropas apenas em intervenções marginais, como desinfecção de prédios, veículos e áreas específicas. Registre-se que ergueram o hospital de campanha em Bela Vista (RR), mas não se dispuseram a equipá-lo, preferindo vê-lo fechado por meses, no lugar de porem em prática toda a sua expertise em situações de calamidade pública, como é a atual. Com todas as vênias – para não ferir suscetibilidades do estamento militar –, lamento a ausência das Forças Armadas no front dessa batalha.

NOEL GONÇALVES CERQUEIRA

NOELCERQUEIRA@GMAIL.COM

JACAREZINHO (PR)

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CPMF de novo?!

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, defende o debate sobre a nova CPMF (14/7, B6). Entre tantos saqueadores do bolso do povo, é só mais um governista a querer de volta essa excrescência tributária. Sendo curto e grosso, bem ao estilo do nosso “messias” de plantão, só mudam as moscas.

RENATO OTTO ORTLEPP

RENATOTTO@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Futuro interrompido

O que esperar de um país que não oferece à população mais pobre meios de tirá-la do estado de vulnerabilidade em que se encontra, que só piorou com a pandemia? Estudos da ONU preveem 40 milhões de brasileiros vivendo com menos de R$ 5 por dia, abaixo da linha de pobreza. Eles não podem contar com quase nada que seja obrigação do governo, como atendimento melhor à saúde, educação minimamente qualificada que lhes proporcione perspectivas de futuro, nem sequer contam com saneamento básico, o que os torna mais susceptíveis a doenças endêmicas, além de viverem em habitações insalubres. O que será dos desassistidos? Apenas os governadores e prefeitos conseguirão dar conta dessa tragédia? É tudo muito triste. Ainda mais quando tomamos ciência de que temos um presidente da República omisso e alheio a tudo isso, que se orienta por uma pauta de costumes de ideologia ultraconservadora de direita e cuja única preocupação está em proteger a família do desvelamento das ilicitudes de que é acusada de ter cometido ao longo do tempo? Tudo o que faz é em função da reeleição, o País está ao deus-dará. Na economia, o “posto Ipiranga”, que tanto prometeu, pouco tem cumprido. Sem contar os horrores de como tem sido tratado o meio ambiente, em especial nossa Amazônia, tão devastada por queimadas, garimpo e pilhagem de terras. Francamente, não dá para ser otimista num país assim. Que todos se lembrem de que, na hora de escolher nossos governantes, deveremos olhar, sobretudo, para o modo como encaram, com soluções efetivas, os problemas que impedem um povo, na sua totalidade, de se sentir respeitado, cuidado, amparado e fortalecido.

ELIANA FRANÇA LEME

EFLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Desmatamento recorde

Pois é, aplicou-se ao resultado obtido pelo sistema Deter a solução “adequada”. Não deu o resultado desejado? Exonera-se quem é responsável pelo monitoramento! Como não dá para “exonerar” o equipamento do Inpe, então, joga-se aos leões a coordenadora-geral – Lubia Vinhas, no caso. É como culpar pela febre alta a pessoa que colocou o termômetro, ou o próprio medidor. E nesse caso se joga fora o termômetro. Isso é bem o Brasil do “messias”.

NELSON DE ABREU SAMPAIO JR.

N.SAMPAIO@HOTMAIL.COM

CURITIBA

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Em São Paulo

Abertura dos parques

Esperava-se que a abertura dos parques se desse de acordo com um protocolo rígido que garantisse a saúde dos frequentadores. Mas o que se viu no Ibirapuera na segunda-feira foram dezenas de frequentadores sem máscara ou com ela no pescoço. Não havia fiscalização rígida. Na entrada, nenhum controle de temperatura nem contagem de pessoas e veículos. A Prefeitura será responsável por uma possível onda de contaminação advinda dessa abertura. Infelizmente, no Brasil, leis e regulamentos foram feitos para não serem cumpridos, a não ser que pesem no bolso.

JOÃO ISRAEL NEIVA

JNEIVA@UOL.COM.BR

SÃO PAULO


FOGO NA AMAZÔNIA


Com efeito, a exoneração da pesquisadora Lubia Vinhas, responsável pela equipe que monitora a devastação da Floresta Amazônica no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é mais uma prova explícita da condenável e inaceitável política negacionista e reacionária do desgoverno Bolsonaro, que finge não ver o crescimento contínuo das queimadas na Amazônia, condenadas mundo afora por governos estrangeiros e um bilionário grupo de investidores de capital no Brasil. Um governo que apoia a ação criminosa de grileiros e madeireiros, em lugar de uma política ambiental responsável, merece ser atirado ao fogo que devasta a maior e mais rica floresta tropical do planeta. Basta!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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EXONERAÇÃO NO INPE


Crianças, jovens e idosos, somos muito importantes neste momento... Não podemos permitir que o governo Bolsonaro passe a Floresta Amazônia do estágio ON para OFF!


Sérgio C. Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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DIÁLOGO IMPOSSÍVEL


A desfaçatez do ministro do Meio Ambiente não tem limites.  Demonstrou o seu verdadeiro caráter na reunião ministerial de 22/4, ao dizer “vamos aproveitar a pandemia para ir passando a boiada”. Para quem não se lembra, a expressão que ele ousou pronunciar naquela insólita reunião tem um significado repulsivo, que se o presidente não fosse Jair Bolsonaro o teria demitido no ato. Ela decorre do fato de que, quando uma boiada tem de atravessar um rio infestado de piranhas, o capataz que a conduz, escolhe um boi menos valioso para jogá-lo na água. Assim, enquanto as piranhas devoram o pobre animal, a boiada passa incólume. O que ele sugeriu ali foi aproveitar que a atenção da população está voltada para os óbitos ocorridos em razão da covid-19 para desmantelar de vez a legislação que protege o meio ambiente. Ora, além de demonstrar tal “deferência” por todos nós, igualando-nos a boi de piranha, ele desde sua posse só se preocupou em desmontar o setor de fiscalização do Ibama, principalmente na Amazônia. O que ele propiciou de abate de árvores da Amazônia, com o aval do presidente Bolsonaro, foi de tal grandeza que será difícil de quantificar o valor do prejuízo para o País. Pretensioso, apesar do vexame no encontro com os investidores estrangeiros, quer ir dialogar na Europa para convencer seus técnicos, que realmente entendem de meio ambiente, de que o Brasil não está desmatando. Ademais, em sua maioria, os líderes daquele continente acreditam no aquecimento global e, em consequência, na importância da Amazônia para contê-lo. O presidente prefere se defender nas redes sociais. Aos seus seguidores, ressaltou que a Advocacia-Geral da União bloqueou os bens de pessoas ligadas ao desmatamento, alegando – pasmem – que os recursos das indenizações recuperarão os danos ambientais. Isso não é possível. Gostaria que o presidente explicasse como se recupera com qualquer quantia, as árvores centenárias, derrubadas e contrabandeadas para o exterior por quadrilhas que agem sem repressão. Só em seu governo, uma área superior à do Distrito Federal foi devastada. O diálogo, ambos deverão ter com a Justiça do Brasil, para que paguem pelo crime que cometeram contra a Pátria.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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O CAPITÃO E OS GENERAIS


O Brasil vive a curiosa situação de ter um ex-capitão do Exército comandando generais da ativa. Seria cômico, se não fosse trágico. O ministro Gilmar Mendes lembrou muito bem aos generais de que eles serão corresponsáveis pelas atrocidades que estão sendo cometidas no governo do presidente Jair Bolsonaro, não só na saúde, mas também na catastrófica gestão do meio ambiente. Genocídio e ecocídio estão em curso no País, contra os povos indígenas, contra a Floresta Amazônica, contra o Brasil. Está mais do que na hora de os generais da ativa do governo Bolsonaro enquadrarem o ex-capitão Bolsonaro, acabarem com todos os desmandos e darem um novo rumo ao governo, com o general Mourão no comando.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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CHUMBO TROCADO


O Ministério da Defesa e generais de alta patente das Forças Armadas emitiram nota criticando a fala do ministro Gilmar Mendes, que associou o Exército com o “genocídio” provocado pelo coronavírus. O inciso II do artigo 52 da Constituição federal diz que é competência privativa do Senado processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade, que é o caso de Gilmar Mendes. Mas ninguém fará nada, já que entre os senadores há um punhado de fichas-sujas que estão na fila para serem julgados pelo Supremo. É uma troca de favores, os senadores se calam e o STF também.


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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COVID-19: O FOCO CORRETO


Perguntar não ofende: o motivo de preocupação deveria ser o prejuízo para a imagem das Forças Armadas porque Eduardo Pazuello está ainda na ativa, ou por seu fenomenal fracasso à frente do Ministério da Saúde no combate à covid-19, com 1.154.837 infectados (número subestimado) e 72.921 óbitos?


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Gilmar Mendes faz críticas pesadas à gestão dos militares na saúde, e o titular da defesa irá entrar na Procuradoria-Geral da República (PGR) com representação contra o ministro, que usa da liberdade de expressão para fazer democraticamente críticas aos desmandos contra o combate à covid-19, mas não podemos nos esquecer de que, ao fazer críticas ao habeas corpus concedido por Gilmar ao médico/estuprador Roger Abdelmassih, a atriz Monica Iozi foi processada por ele e condenada pela Justiça a pagar indenização ao ministro.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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GILMAR 8 OU 80


Quando o ministro Gilmar Mendes lê suas longas e cansativas sentenças, ninguém entende nem reclama, mas, quando fala uma curta sentença sem ler, cria confusão com os militares.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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PANDEMIA ONDE?


Todo dia temos um mau exemplo para o pobre mortal brasileiro. Vejam o sr. Gilmar Mendes, que faz parte do grupo de risco, fazendo uso do seu passaporte diplomático para passar férias em Portugal.


Vital Romaneli Penha vitalromaneli@gmail.com

Jacareí


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MENDES E MORO


Na Semântica, existe um capítulo chamado Extensão do Sentido ou Irradiação do Significado, perfeitamente aplicável ao “genocídio” de Gilmar Mendes. Mas o que importa é que chamou à responsabilidade quem deveria tê-la. De outro lado, ter Sergio Moro como colega, certamente, seria uma grande honra para milhares de advogados. Tentar obstaculizar seu ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não é certo nem jurídico.


José Carlos de Carvalho Carneiro carneirojcc@uol.com.br

Rio Claro


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DÁ PARA ENTENDER?


Realmente, o Brasil não é para amadores! Como pode existir na mais alta Corte de Justiça do País um membro que nunca foi juiz em primeira instância e, agora, negarem a Sergio Moro, que foi juiz – e com méritos – por 20 anos, o direito de ser um “simples advogado”? Dá para entender?


Nelson Cepeda fazoka@me.com

São Paulo


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HÁ JUSTIÇA BRASILEIRA?


Duas situações da Justiça na semana que passou registram o momento que vivemos e sem esperanças de este país melhorar – isso descontada a pandemia, que mata milhares de brasileiros e sem esperanças de quando terminar, graças a um governo mais perdido que cachorro em noite de foguetório junino. Começou com o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedendo prisão domiciliar ao ex-assessor Fabrício Queiroz, ligado ao clã Bolsonaro, porque “sofre de câncer”, e estendendo o mesmo à sua esposa foragida, alegando a necessidade de cuidar do companheiro. Até aí, pode-se crer numa caridade ao casal. Ou seu silêncio? Depois veio outra pior: Dias Toffoli, presidente do STF, determinou às Procuradorias do Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba que todos os dados levantados durante a investigação da Operação Lava Jato sejam enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR)! Vamos ver como reage o STF, porque, segundo os procuradores envolvidos nesta operação, não compete à PGR ter acesso a tais informações, até porque pode haver vazamentos que anulem todos os trabalhos feitos com sucesso até agora, mesmo porque existem órgãos do Ministério Público Federal para verificar irregularidades. Pois é, nada de bom a esperar de um governo que se perdeu na politicalha ao conseguir o apoio de alguns membros da Justiça e até do meio militar, graças aos da reserva premiados com cargos na administração, benefícios aos da ativa e agora, politicagem para as PMs, estaduais,  o que fecharia o círculo de proteção a sua volta, uma ditadura sem disfarce. Triste Brasil!


Laércio Zannini spettro@uol.com.br

São Paulo


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NA CONTRAMÃO


O juiz João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou a prisão domiciliar do enrolado Fabrício Queiroz e sua foragida esposa Márcia Oliveira Aguiar. Já faz parte do nosso folclore a fama de que o brasileiro, no geral, não gosta de cumprir leis. Exemplos não faltam, e o mais emblemático é o dado constantemente pela nossa autoridade máxima, o presidente Jair Bolsonaro, no particular e até no exercício do poder. Nesse sentido, ao conceder o regime domiciliar a uma pessoa que se encontra oficialmente foragida da Justiça, logo em desobediência à lei, o nosso STJ – na contramão do “J”, de justiça, do final sua sigla – incentiva essa verdadeira cultura.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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ABERRAÇÃO JURÍDICA


O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Otávio de Noronha, resolveu conceder prisão domiciliar a uma foragida da Justiça. Seus pares ficaram boquiabertos com essa aberração jurídica. Como já dizia o condenado Lula da Silva, “nunca antes na história deste país” houve uma decisão tão vergonhosa. Afinal, a esposa de Fabrício Queiroz, Márcia Aguiar, estava deitando e rolando com o decreto da prisão preventiva, agora transformada em domiciliar. Isso é o que temos para hoje!


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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CASO QUEIROZ


Uma simples pergunta para o presidente do STJ: como ele consegue fazer a barba todas as manhãs?


Élio Domingos Morando eliomorando666@gmail.com

São Paulo


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SEGURANÇA JURÍDICA


É sabido que o custo Brasil decorrente da insegurança jurídica é um dos maiores. Afinal, as empresas colocam esse custo em seus produtos e quem paga é o povo. Todavia, mesmo assim, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, contraria sua própria jurisprudência ao conceder prisão domiciliar ao ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Piorando as coisas, concede o mesmo benefício à esposa foragida da Justiça! Com maus exemplos dessa natureza do nosso Judiciário, o famigerado custo Brasil só tende a aumentar, e em tempos de coronavírus.


José Elias Laier joseeliaslaier@gmail.com

São Carlos


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JUSTIÇA


Já que a mulher de Fabrício Queiroz fugiu para não ser presa, o presidente do STJ João Otávio de Noronha permitiu que ela fique em casa. Haja justiça!


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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UM JUIZ PARA O STF


Que bom ter caros advogados e poder ficar em casa para curar-se de um câncer, e ser cuidado pela esposa, que, antes de ser presa, já estava solta. Então já sabem quem será o próximo ministro do STF, é só aguardar. Uma mão passa álcool gel na outra.


Emerson Luiz Cury emersoncury@gmail.com

Itu


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GOLPE


Foi um golpe de mestre do desembargador Noronha: desentocou a foragida. Passados dias, o STJ reforma a decisão e ela vai para a “toca”.


Adriano Julio B. V. Azevedo adrianojbv@uol.com.br

São Paulo


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DESIGUALDADE


Em artigos publicados ontem, A ressurgência dos canalhas (página A2) e Desigualdade (página B6), é posta em evidência a desigualdade chocante causada pelo que eu chamo de “capitanias hereditárias” que dominam o Brasil e se locupletam com as facilidades salariais e os penduricalhos, e aos amigos que desviam de forma criminosa o dinheiro público. A máquina pública brasileira, constituída pelo Executivo, Legislativo e Judiciário, deve ter gasto no ano de 2019 aproximadamente R$ 5,0 trilhões.  Só de municípios, o Brasil tem o absurdo de 5.570, e talvez 2 mil deles nem deveriam existir, pois não têm receitas suficientes para suprir todo o custo de seu sistema legislativo e executivo. Foram criados para criar benesses aos políticos e seus apadrinhados.


José Luiz Abraços octopus1@uol.com.br

São Paulo


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SEM NEGAR A HISTÓRIA


Perdoem-me algumas correções na reportagem Racismo nos EUA, tradição no Brasil (14/7, A15). Uma coisa é certa: a negação da história é perigosa, como certos movimentos vêm defendendo. Imaginem se não estudássemos e não divulgássemos os símbolos nazistas, simplesmente negando-os. Correremos o risco de que as próximas gerações não tenham conhecimento do horror que representaram. A História não se altera, se estuda e se analisa. Por outro lado, a manifestação da União de Negros pela Igualdade desconhece totalmente a história e o erro conceitual de sua proposta. A Guerra Civil norte-americana foi um conflito de interesses econômicos muito maior que a ingenuidade da conclusão de uma briga entre escravocratas e não escravocratas. Famílias do sul e do norte se dividiram. Generais do sul e do norte eram colegas de instituições militares. A independência do sul em face do controle do norte estava relacionada a questões econômicas e os escravos do norte foram “bucha de canhão” utilizada pelos supostos “não escravocratas”. Nada é simples. Para o Brasil, vieram inicialmente 50 famílias sulistas que se instalaram em Americana. Outras vieram posteriormente. Não com intenção de manter a escravidão, mas temendo represálias. Um sulista após a guerra não poderia ocupar cargos públicos, realizar contratos de fornecimento ao governo, votar e ser votado ou mesmo ser professor público, ou seja, sofria uma série de restrições. Alguns viraram criminosos famosos, como Jesse James. Outros fugiram. Outros se adaptaram e a repreensão fez surgir a Ku Klux Klan. Mas apenas como curiosidade: o maior genocídio do mundo foi contra os africanos, por interesses do rei Leopoldo da Bélgica. Calcula-se a morte e corte de membros de mais de 50 milhões de africanos da raça negra. E apenas recentemente pediram breves desculpas, quando deveriam propiciar indenizações e auxílio. O segundo genocídio em massa foi de Stalin. E há um cálculo de que o terceiro seja o holocausto, que rivaliza talvez ao Khmer Vermelho. Não neguem a História. Não a alterem. Não a omitam. A História ensina, por mais que a humanidade insista em não aprendê-la!


José R. de M. Soares Sobrinho joserubensms@gmail.com

São Paulo

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