Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2020 | 03h00

Desgoverno Bolsonaro

Fraco presidente

Num primeiro momento, Jair Bolsonaro acreditou que apenas com o apoio dos evangélicos e dos militares das Forças Armadas seria possível governar. Não foi. Correu atrás do Centrão, retomando o “toma lá dá cá”. Essa atitude mostrou a fragilidade do governo, que foi escancarada com as manifestações pelo impeachment em plena pandemia. Agora são os policiais militares que querem uma fatia do governo, com a recriação da pasta de Segurança Pública. Com tantos grupos, por vezes com pensamentos dissonantes, o presidente vai criando o seu próprio calvário.

LUCAS DIAS

LUCAS_SANDIAS@HOTMAIL.COM

RIO VERDE (GO)

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Escorregadio

Vaselina! Assim me expressei quando li que o presidente Bolsonaro, para se eximir, jogou nos seus ministros a responsabilidade pela edição da portaria sobre munições. A colunista Rosângela Bittar foi mais elegante com o presidente, concluindo que, diante da pandemia, Bolsonaro se traveste de Pôncio Pilatos e lava as mãos ao transferir a culpa para governadores e prefeitos. Em ambos os casos, fica evidente transtorno de personalidade do presidente.

JORGE DE JESUS LONGATO

FINANCEIRO@CESTADECOMPRAS.COM.BR

MOGI MIRIM

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Bicadas

Bolsonaro é bicado por emas no Palácio da Alvorada (Estado, 14/7). Até as emas sentem uma ameaça à sua segurança, porque o presidente incentiva o uso de armas por caçadores, que abatem indefesos animais apenas para se exibir nas redes sociais. Está até parecendo um capítulo do livro A Revolução dos Bichos, de George Orwell.

CLÁUDIO MOSCHELLA

ARQUITETO@CLAUDIOMOSCHELLA.NET

SÃO PAULO

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Troca de papéis

Bizarro o mimimi sobre a fala do ministro Gilmar Mendes, do STF. Aproveitando a oportunidade, gostaria de sugerir ao Exército que abdicasse dos mais altos postos e os substituísse por “especialistas” civis. Seria interessante conferir o desempenho de médicos, dentistas, engenheiros, advogados, etc. Vai que surpreendem e se saem melhor no comando da tropa... A conferir.

FREDERICO FONTOURA LEINZ

FREDY1943@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Combate à corrupção

Impunidade como instituição

Não é de estranhar a resistência que se pretende criar ao registro do ex-juiz Sergio Moro na Ordem dos advogados do Brasil (OAB). A Operação Lava Jato, que, apesar de receber ataques de várias origens, continua sendo o evento mais importante das últimas décadas na área jurídica, é um marco no combate à leniência da Justiça com os poderosos. É fato reconhecido que ao longo da nossa História se deu uma absurda sangria de dinheiro público na seara da impunidade. É fácil imaginar o fluxo de dinheiro nos casos de corrupção nos setores públicos. Enorme quantidade de desvios enriqueceu muitos brasileiros inescrupulosos, que se aproveitaram da teia de complicações jurídicas de nossa legislação. A impunidade virou uma instituição extremamente danosa ao País e é essa instituição que foi atingida pela Lava Jato. A luta de Moro para fazer seu registro merece ampla divulgação, pois, mais uma vez, dará oportunidade para a sociedade consciente tomar posição pelo que é certo.

MANOEL LOYOLA E SILVA

MAGUSFE@ONDA.COM.BR

CURITIBA

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Idoneidade e respeito

Os advogados que fazem parte desse grupo Prerrogativas deveriam envergonhar-se. Moro é um homem idôneo, admirado por todos os brasileiros de bem e respeitado internacionalmente pelo combate à corrupção.

CLEO AIDAR

CLEOAIDAR@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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Equívoco

Se a OAB insistir na impugnação de registro de Sergio Moro sem consulta a todos os inscritos e sem uma justificativa cabal para tanto, dará um passo atrás na luta da Nação pela ética, pela transparência e contra a corrupção. Decorrido o prazo exigido da transição de seu último cargo no governo e uma vez preenchidos os requisitos de praxe, não há motivo para a rejeição do ex-juiz nos quadros da entidade profissional.

MARIA LUCIA R. JORGE

MLUCIA.RJORGE@GMAIL.COM

PIRACICABA

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Sustentabilidade

Descarte de PET

O editorial As empresas e a inovação ambiental (13/6, A3) destaca com propriedade a importância da prática da sustentabilidade. A pressão legítima da sociedade mostra não haver mais como dissociar o desempenho econômico de uma abordagem social e ambiental real, e não mais apoiada em discursos vazios. Nas mais diferentes indústrias, essas questões passam necessariamente pela embalagem. É por isso que o setor do PET, por meio de constante inovação e investimentos em qualidade, vem obtendo resultados expressivos em duas frentes complementares: o desenvolvimento de embalagens mais leves, que oferecem a mesma proteção com menor uso de matéria-prima, e a criação de uma cadeia de reciclagem que tem conseguido resgatar embalagens pós-consumo do ambiente e ser fonte de renda para milhares de catadores. De acordo com o 11.º Censo da Reciclagem do PET no Brasil, em 2019 foram recicladas 55% de todas essas embalagens descartadas, aumento de 12% em relação ao ano anterior. Isso foi possível porque as empresas investiram mais de R$ 100 milhões em tecnologia e desenvolvimento para aplicação do PET reciclado em vasta lista de produtos. O setor está apto a incorporar forte crescimento da reciclagem. Mas, apesar do esforço da indústria, há um gargalo na coleta seletiva e na separação do material reciclável que impede a destinação adequada de volume ainda maior de embalagens. Esse cenário cria ociosidade da capacidade instalada, em torno de 30%, enquanto rico material é enterrado com o lixo comum.

AURI MARÇON, presidente executivo da Abipet

ADRIANE@OBOECOMUNICACAO.COM.BR

SÃO PAULO


GEDDEL VAI PARA CASA


Diz o ditado popular que “quem procura acha”. A animosidade contra o Supremo Tribunal Federal (STF) é grande, especialmente contra determinados ministros que tomam decisões monocráticas desastrosas, incoerentes e que falam demais. O ex-deputado Nelson Meurer, de 77 anos de idade, cardiopata, diabético, hipertenso e renal crônico, estava preso, teve pedido de prisão domiciliar negado pelo STF, contraiu covid-19 e faleceu. Já o notório baiano Geddel Vieira Lima, famoso por manter a módica e insignificante quantia de R$ 51 milhões em dinheiro vivo num apartamento desocupado em Salvador, preso por lavagem de dinheiro e associação criminosa desde 2017, por ser de grupo de risco, ganhou do presidente da Suprema Corte, Antonio Dias Toffoli, o direito à prisão domiciliar. Como entender?


José A. Muller josealcidesmuller@hotmail.com

Avaré


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GEDDEL X MEURER


Com a mesma apelação, Geddel Vieira de Lima vai para casa com tornozeleira, enquanto Nelson Meurer vai para seu enterro. A diferença foi um ministro do Supremo seguir as máximas de que, na saúde e na doença, ladrão é ladrão, e na lei os direitos devem ser iguais.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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MAIS IMPUNIDADE


Geddel Vieira Lima (aquele dos mais de R$ 50 milhões em dinheiro vivo em malas e caixas num apartamento) é o único cidadão brasileiro que pode ser infectado pela covid-19. Vai para casa desfrutar do dinheiro roubado. Nada como poder pagar bons advogados...


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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PERIGO


Se o STF tiver concedido a prisão domiciliar a Geddel Vieira Lima pelo motivo de Geddel não oferecer perigo à sociedade, eis, então, e em verdade, que o verdadeiro perigo para a sociedade é oferecido pelo próprio STF, pois aqui as duas finalidades básicas de qualquer penalidade criminal deixaram de existir, quais sejam, o desestímulo ao cometimento de novos crimes por terceiras pessoas e a punição adequada e necessária aos criminosos. E é sempre bom que se repita o que sempre vem sendo dito sobre o ordenamento jurídico penal brasileiro: ultrapassado, ineficaz e um verdadeiro monumento em homenagem a determinados participantes dos grupos políticos que preferem sempre reservar parte de seus recursos financeiros, nem sempre obtidos de modo lícito, para o pagamento dos caros advogados que nada mais farão, quando e se for o caso, que realçar o poder daqueles que não se misturam às multidões que se sujeitam integralmente à justiça dos homens.


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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PRISÃO DOMICILIAR TEMPORÁRIA


Esperamos que os mesmos juízes que recentemente concederam prisão domiciliar a criminosos ligados a políticos cancelem essa autorização e os mandem de volta à prisão imediatamente após o término da pandemia. A ver.


Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia


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RESSUSCITEM JÁ!


O Exército exige retratação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o acusou de genocídio. Isso é pouco. Que as multidões de brasileiros mortos na pandemia ressuscitem e parem de afrontar os militares. Que estes “comunistas” baderneiros respeitem as sacrossantas Forças Armadas, deixem já suas tumbas e voltem à vida. Que a Lei de Segurança Nacional também seja usada contra esses cadáveres, para serem levados do caixão para a prisão. Quem esses mortos pensam que são para desrespeitar os generais?


Túllio M. Soares Carvalho tulliocarvalho.advocacia@gmail.com

Belo Horizonte


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UM OPORTUNO ARMISTÍCIO


Não morro de amores pelo falastrão ministro Gilmar Mendes. À parte o inoportuno embate criado com o ministro da Defesa, em razão das vitais prioridades atuais, é difícil de dissociar as corresponsabilidades de gestão dos atuais integrantes militares de cargos neste governo, assim como o inevitável desgaste de imagem das instituições de origem desse pessoal. A realidade é que, na euforia do extremismo, elegeu-se um primeiro mandatário que nem sequer tinha quadros para as funções ministeriais e de primeiro escalão, restando-lhe convocar seus companheiros de caserna. Assim, como nos teatros de operações militares, nas vitórias promove-se o comando; nas derrotas, trocam-se os responsáveis. Ocorre, entretanto, que nem sequer temos comando. O que precisamos agora é de um armistício entre os integrantes das instituições brasileiras, acompanhado de uma autêntica revisão de consciência, que nos permita cuidar de nossos enfermos, enterrar nossos mortos com dignidade e continuar a vida com um pouco de crença no futuro desta nação que, historicamente, padece pela falta de autênticos líderes para conduzi-la.


Honyldo Roberto Pereira Pinto honyldo@gmail.com

Ribeirão Preto


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A RAIZ DO PROBLEMA


O presidente Jair Bolsonaro negou a pandemia desde o começo, demitiu dois ministros da Saúde, dois médicos que se recusaram a cumprir seus desmandos. Bolsonaro foi contra todas as regras, contra o uso da máscara, contra o isolamento social, prescreveu remédios sem ter qualificação para isso, promoveu aglomerações, fez o que bem entendeu. O ministro interino da Saúde nada mais é que um ajudante de ordens do próprio Bolsonaro, alguém que bate continência para todas as sandices criminosas que Bolsonaro promove. A pandemia está fora de controle no Brasil, completamente fora da curva em relação aos países que seguiram as regras que Bolsonaro ignorou e mandou ignorar. A gota d’água para definir a ocorrência de um genocídio no Brasil foi Bolsonaro negar tratamento para os povos indígenas, os tribunais internacionais irão dar razão ao ministro Gilmar Mendes, é melhor o Exército já ir se acostumando com isso.


Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo


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MAIS A FUNDO


O editorial de terça-feira (14/7) do Estadão (página A3) com título Um sentido para a tragédia apresenta dois assuntos que merecem ser aprofundados. O primeiro deles aparece no primeiro parágrafo quando, referindo-se às consequências da pandemia que vivemos, conclama a Nação a “(...) unir todas as suas forças para empreender as mudanças necessárias à melhoria da qualidade de vida de milhões de cidadãos desassistidos”. O que faltou abordar é como conseguir tais mudanças, que vão exigir uma enormidade de recursos financeiros de que o País não dispõe e só poderá obter por três meios. O primeiro é produzindo riqueza, ou seja, aumentando o PIB nacional, que, ao que tudo indica, vai diminuir qualquer coisa entre 6% e 9% este ano, e as projeções para os anos seguintes também apontam para a diminuição da produção interna de riqueza. Logo, não vai ser por aí. O segundo meio seria através de empréstimos internacionais, coisa que se torna cada vez mais difícil de obter com o desprestígio atual do País no exterior, depois das barbaridades pronunciadas pelo presidente boquirroto e seu séquito de falastrões constituído por familiares, gurus, ministros e assessores que insistem em chocar o mundo com suas posições negacionistas quanto às questões ambientais, contrárias às recomendações das autoridades sanitárias no combate à covid-19, atentatórias à ordem democrática com viés totalitário, posições misóginas e homofóbicas, etc. Além dos empréstimos internacionais, essas atitudes afastam também os investidores estrangeiros. O terceiro e último meio é fazer rodarem as “guitarras” da Casa da Moeda, imprimindo quanto dinheiro se quiser, com as terríveis consequências que o País já sentiu antes do Plano Real, de 1994, ou seja, com a hiperinflação. O outro assunto mencionado no editorial é sobre um estudo da ONU indicando que “(...) a pandemia jogará cerca de 15 milhões de brasileiros na pobreza (...)”, sem complementar com a estimativa de mortes decorrentes desse fato. Se tomarmos a taxa de mortalidade mundial de 8 mortes por ano para cada mil habitantes e aplicarmos a estes “novos pobres”, concluiremos que neste ano morrerão 120 mil desses desvalidos, uma grande parte por fatores ligados à fome e à consequente desnutrição. Com certeza neste ano essas mortes ocorrerão em número maior do que as causadas pela pandemia. E com o agravante de que, ocorrendo por conta da crise econômica, vão se repetir anualmente enquanto não houver uma recuperação nas economias, mundial e nacional, que permita a volta desses “novos pobres” para as camadas sociais em que se encontravam antes da pandemia.


José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

panoSão Paulo


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NOVO CONTROLE


Marcos Pontes, o fiel ministro da Ciência e Tecnologia, exonerou a pesquisadora Lubia Vinhas, concursada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) há mais de dez anos, apontando um mal entendido e coincidência com uma reestruturação no órgão, onde o suposto cargo que a pesquisadora irá ocupar ainda nem existe oficialmente. Pontes, na tentativa de atenuar as críticas, adiantou a divulgação do novo sistema para conter o desmatamento na Amazônia, mas ficou claro e patético que a única coincidência nessa repentina exoneração se deu por conta da divulgação dos péssimos números do desmatamento na Amazônia, consequência própria das políticas e ações do governo Bolsonaro, expostas abertamente para quem se interessar e que teve o seu apogeu no “deixar a boiada passar”, da fatídica reunião ministerial de 22 de abril. Palavras do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sem contestação de nenhum dos participantes, inclusive do presidente e do vice.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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QUEIMADAS NA AMAZÔNIA


O assunto polêmico do momento é a queimada ilegal na Amazônia. A questão é saber quem tem razão, o governo brasileiro ou países da Europa que têm relacionamento comercial com o nosso país. O Brasil nega queimadas ilegais no bioma amazônico, enquanto os europeus acusam que as queimadas têm aumentado e pressionam o governo de todas as formas. Li no Estadão que 17 ex-ministros e até ex-presidentes brasileiros, preocupados com o problema, pediram informações ao governo sobre a real situação das queimadas. Aliás, eles pedem queimadas zero! Até brasileiros não acreditam no governo? Como não sou especialista no assunto, tenho lido e assistido a lives de autoridades falando sobre o assunto. Gostei muito da fala de Samantha Pineda, advogada especialista em assuntos da Amazônia com 20 anos de atividade. Ela disse que a Grande Amazônia divide-se em: o bioma amazônico, com pouco mais de 50% do território brasileiro; a Amazônia Legal (inclui, além do bioma amazônico, pantanais e cerrados), com 65% do território nacional; e mais uma área equivalente ao Estado do Paraná de floresta devoluta, sem dono. O problema todo está nesta área de ninguém, porque o restante é muito bem controlado e fiscalizado por agricultores, madeireiros, exportadores, investidores e até por ONGs. Na área devoluta, todo mundo acha que é dono e faz o que bem entender, ou seja, desmata, bota fogo, extrai madeiras, extrai minérios e até vende terras. O governo não sabe o que fazer, por enquanto... Existem queimadas controladas na Amazônia Legal, fora do bioma amazônico, em terras já ocupadas, porém as queimadas são controladas. Segundo a advogada, as queimadas (zona de calor) têm diminuído ultimamente. O que realmente o governo não sabe cuidar é da informação, ninguém sabe quem fala a verdade em se tratando de uma área florestal enorme onde cabe mais de uma Europa inteira. Recentemente, até o vice-presidente, Hamilton Mourão, declarou que a comunicação do governo é péssima! Eu também não sabia, mas tentei passar um pouco do que aprendi.


Toshio Icizuca toshioicizuca@terra.com.br

Piracicaba


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MINISTRO SALLES E O FAROESTE


Quem tomou algum conhecimento da história norte-americana dos séculos 18 e 19 e conhece um pouco do Brasil atual (século 21) pode identificar uma semelhança entre o faroeste norte-americano da mencionada época e o nosso faroeste nos dias atuais. Ilustrando a afirmação, quem foi adolescente nos anos 50, amante de filmes de faroeste, lembrará o premiado filme Shane, exibido no Brasil como Os Brutos Também Amam, com belíssima trilha musical. Resumindo, grupo de pioneiros dedicados à agricultura familiar eram atacados violentamente por pistoleiros pagos por criadores de gado, chefiados pelo famoso matador Wilson (vivido por Jack Palance) e defendidos pelo “mocinho” Shane (vivido por Alan Ladd), ex-pistoleiro regenerado. Não importa o fim do filme, apenas escolha com quem se assemelha o comportamento do ministro Ricardo Salles: a Wilson ou a Shane?


Carlos Gonçalves de Faria sherifffaria@hotmail.com

São Paulo


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INSUPORTÁVEL VIOLÊNCIA POLICIAL


As cenas vistas ultimamente da atuação da Polícia Militar de São Paulo mostram desde um PM sobre o pescoço de uma mulher dominada, segundo ele com o uso da força necessária; dois PMs, como num filme de pastelão, sem conseguir dominar um motoqueiro de mesmo porte físico, enquanto um terceiro PM empunha a arma contra populares que filmavam a cena armados com celulares; até um PM repetindo a cena da morte do George Floyd, ajoelhado sobre o pescoço de uma nova vítima. Isso fora os rotineiros casos de assassinato de jovens da periferia que não resultam em nada, devido ao corporativismo vigente. A Polícia Militar sempre argumenta que todos estão afastados das ruas respondendo a inquérito e que a corporação será submetida a um treinamento de reciclagem; e que a polícia de São Paulo é a melhor do País, conforme mostram as estatísticas. Pelas cenas vistas, teria de começar do zero, de técnicas de imobilização a exames psicológicos. O que não se quer admitir é que os atuais comandantes da corporação são oriundos da mesma linha de produção e dos mesmos hábitos dos citados PMs, que à boca pequena se queixam de que a sociedade não valoriza um trabalho realizado sob estresse e risco de morte, etc., etc. Do jeito que trata do caso, o governador vai ficar desidratado por todas as indignadas lágrimas debulhadas a cada nova ocorrência. Na verdade, faltam coragem e estratégia para enfrentar uma questão que é estrutural, do modelo militar adotado nos anos 60, quando foram criados monstros estaduais que mantêm governos e a população reféns, diferente de tudo o que é adotado no resto do mundo civilizado.


Alberto Figueiredo amdfigueiredo@terra.com.br

São Carlos


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‘DEBATE ABERTO E VIOLÊNCIA’


Nestes tempos estranhos, bicudos e violentos que o País vive sob o desgoverno autoritário, totalitário e reacionário de Jair Bolsonaro, onde, por cúmulo do absurdo, está instalada em pleno terceiro andar do Palácio do Planalto a Odiobrás, comandada por ninguém menos que um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), cabe reproduzir trechos do oportuno editorial Debate aberto e violência (Estadão, 15/7, A3): “Numa sociedade livre e plural, e aqui está um dos seus pontos fortes, não há que falar em erros de expressão. Não há o certo e o errado a respeito do modo de se expressar. Não há uma cartilha de expressões permitidas e outra de termos proibidos. Não há temas inquestionáveis. Não há assuntos imunes a críticas. É preciso respeitar o outro. A lei proíbe, por exemplo, caluniar, injuriar ou difamar. Mas isso não autoriza perseguir pessoas ou grupos em função de suas falas incômodas, contramajoritárias ou mesmo desajeitadas. A liberdade de expressão deve ser levada a sério – ou então deve se admitir que não existe liberdade de expressão. A chamada ‘cultura do cancelamento’ vem se mostrando um tanto contraditória. Ao mesmo tempo que se observa um aumento da intolerância contra tudo o que não se enquadra em seus cânones – sejam eles progressistas ou reacionários, de esquerda ou de direita –, os mesmos grupos que desejam impor suas verdades almejam irrestrita tolerância com seus atos, sejam eles violentos ou pacíficos. Tudo estaria desculpado em função da motivação virtuosa de suas causas. Eventual questionamento de um ato de vandalismo, por exemplo, seria sinal inequívoco de preconceito ou artimanha para a manutenção do status quo, suscitando imediato linchamento em praça pública. Não há liberdade onde impera a violência. Não há construção da justiça onde vige a lei do mais forte. E, nos dias de hoje, o mais forte pode ser, por exemplo, quem tem mais recursos econômicos ou quem ataca de forma mais fulminante nas redes sociais. Para que haja liberdade e também para que haja justiça, todos devem estar submetidos à lei. Esse é o grande aprendizado civilizatório que vem sendo esquecido nos tempos contemporâneos, como se fosse possível promover a igualdade social dando imunidade para que alguns persigam outros, numa espécie de justiça com as próprias mãos. Assim não se caminha para a frente. Quando se diminui a liberdade, pode-se ter a certeza de que se está na rota do retrocesso”. Por oportuno, cabe a citação do escritor russo Alexander Solzhenitsyn, Nobel de Literatura de 1970: “Tão logo a falsidade seja desmascarada, a violência nua terá que aparecer em toda sua hediondez – e a violência, derrotada, desaparecerá”. Liberdade de expressão, sempre, censura, nunca mais. Basta!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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LIBERDADE E JUSTIÇA


A posição do jovem cientista norte-americano David Shor, de 28 anos, em sua conta no Twitter, sobre o caso do assassinato de George Floyd, as manifestações não violentas foram mais eficazes. O editorial Debate aberto e violência (15/7, A3) reforça mais essa posição de que a liberdade e a justiça devem sempre andar de mãos dadas. Valeu!


Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas


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Em relação à matéria Racismo nos EUA, tradição no Brasil (Estado, 14/7), que falou da tradicional festa de Santa Barbara do Oeste onde uma professora da Universidade Federal da Bahia afirmou que os perdedores da guerra civil americana só vieram ao Brasil porque ainda tínhamos escravos. Além de tendenciosa, a professora é mal informada. Quando acabou a guerra civil americana, na sua visão estratégica, o imperador Pedro II convidou e financiou vários americanos do Sul dos EUA para migrarem para o Brasil com o intuito de desenvolverem a indústria de algodão no País. Com isso, transformou a região de Campinas no maior parque têxtil do País. Todas as fazendas de algodão criadas naquela época não tinham nenhum trabalhador escravo. Querer revisar a história e imputar coisas não reais parece que virou moda no mundo.


Alex Zornig awz3434@gmail.com

Lisboa, Portugal


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PARALISAÇÃO DOS ENTREGADORES


Desculpem, não tenho mais forças para dizer “eu avisei!”. Em 2017 eu avisei que a reforma trabalhista prejudicaria os menos favorecidos, mas não, só ouvi “o Brasil vai quebrar sem esta reforma”, “o empresário sofre demais no Brasil”, enfim... Hoje, no meio de um redemoinho chamado covid-19, vejo pessoas aos prantos, sem emprego e sem direitos. Este é o Brasil pós-reforma trabalhista. Em meio ao caos, surge nosso herói, o entregador de pizza! Polivalente, enfrentando carros, ruas esburacadas e muito covid-19, ele se aventura de sua casa no Capão Redondo todos os dias para que seu almoço chegue quentinho e intacto na Faria Lima. Mas e meus direitos? Meu amigo, seus direitos estão mortos, foram sepultados na cova-rasa lá na zona leste, e no epitáfio da sua cova está escrito: “Lei 13.467 de 2017”. #forçaaosentregadores


Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra


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ANALFABETISMO


Embora não tenha ainda assumido a pasta, a indicação do novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, está sendo bem recebida pela comunidade acadêmica e por especialistas – como bem apontou o editorial A escolha do novo titular do MEC. O tom conciliador de suas palavras e a promessa de “valorizar o ensino básico e o ensino profissionalizante” são, ao menos na teoria, animadores. Enquanto isso, o que não é nada animador é o vergonhoso índice de 11 milhões de analfabetos espalhados pelo território nacional, segundo dados divulgados pelo IBGE. Se um ministro da Educação, seja quem for, tem a pretensão de realizar administração séria, técnica, desprovida de verniz ideológico, é imperativo que faça parte de sua agenda a erradicação do analfabetismo. Parece que os analfabetos só são lembrados quando o IBGE atualiza periodicamente a taxa dos adultos com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever. Valorizar o ensino básico irá prevenir o analfabetismo, mas os atuais analfabetos não podem ser esquecidos.


Luciano Harary lharary@hotmail.com

São Paulo


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‘O MERGULHADOR’


Excelente a matéria do jornalista Ubiratan Brasil para o Caderno 2 de terça-feira (15/7). A apresentação do livro O mergulhador e a entrevista com o autor, Luis dos Santos, são textos deliciosos. Eu desejei a obra em mãos para lê-la e o farei, obviamente. Como escritor, só posso cumprimentar o Ubiratan e o Estadão por dar visibilidade à literatura latino-americana.


Eduardo Barbosa eduardo.barbosa.cso@gmail.com

São Carlos


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NÚMEROS DA COVID-19


As estatísticas sobre a covid-19 carecem de dois dados, a meu ver muito importantes para termos um comparativo de evolução mais claro. Nos quadros sobre contaminados e mortos deveria constar o número de habitantes dos países e a porcentagem de mortos por habitantes. Do jeito que são apresentados os números, Itália, Espanha e Reino Unido ficam bem abaixo do Brasil, o que é uma tremenda distorção. Além do número de contaminados, deveria haver também o número de pessoas que já se recuperaram. Esses dados já existem, bastaria acrescentá-los ao quadro, só assim teríamos um quadro real do estrago que a covid-19 causa por país.


Rute Lima rutel@terra.com.br

São Paulo


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GENOCÍDIO ARMÊNIO


A Turquia gasta, anualmente, milhões de dólares com “intelectuais” ao redor do mundo (inclusive Brasil) em sua campanha de negação do genocídio armênio. Ao mesmo tempo, sob a máscara de Azerbaijão, mal pode se conter para “terminar o que começou” na 1.ª Grande Guerra. Especificamente, há décadas disponibiliza ao Azerbaijão suas armas americanas, bem como o seu serviço de inteligência militar, tudo sob o pretexto de “guerra”, com apenas um objetivo fanático: matar o maior número possível de civis armênios, homens, mulheres, crianças e idosos.


Jorge João Burunzuzian burunlegal@hotmail.com

São Paulo

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