Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2020 | 03h00

Política municipal

Eleições à vista


Em seu feliz editorial A política e os municípios (18/7, A3), o Estado chama a atenção, muito apropriadamente, para a importância das eleições municipais, as próximas programadas para novembro. Em meu entender, as escolhas municipais são, de fato, as mais importantes, pois é nos municípios que vivem as pessoas. O editorial alerta-nos para que fiquemos atentos à escolha dos prefeitos, dada a imperiosa necessidade de termos cidadãos honestos e competentes que se aliem aos munícipes na solução dos problemas de suas cidades. Ressalta também a enorme responsabilidade partidária na imprescindível renovação dos quadros políticos. O fim do financiamento público dos partidos é um ponto-chave para que mudanças de fato ocorram. No momento atual, em meio a grave pandemia e altíssimos índices de desemprego, é nas cidades que se pode agir para a recuperação. Escolher bem, portanto, é a responsabilidade que cabe a cada um de nós.


CLAUDIO BAPTISTA

CLABAP45@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Utopia?


Concordo plenamente com o editorial A política e os municípios. Gostaria de ponderar, porém, que, a meu ver, seria muito útil permitir legendas partidárias de abrangência apenas municipal (depois, quiçá, outras estaduais). Sua criação e manutenção seria muito mais simples e barata, requerendo muito menos manobras obscuras, e seus candidatos e programas estariam bem mais próximos da população, favorecendo a meritocracia. Se bem-sucedidos, nada impediria que esses políticos crescessem para o âmbito estadual e/ou federal. Juntamente com o voto distrital (primeiro puro e depois talvez misto), isso criaria um clima adequado para a posterior instituição de um regime parlamentarista com pés e cabeça, para substituir esse nosso presidencialismo despropositado.


ROLANDO KÖRBER

ROLAND@KORBER.COM.BR

SÃO PAULO


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Mudança de patamar


A mídia vem destacando a intenção de grande parte dos atuais deputados de disputar as eleições municipais. Numa análise rápida, verificamos que a atuação parlamentar da maioria deles deixa muito a desejar. Aprovaram reformas importantes, é certo, mas não mexeram nos seus proventos nem nos do pessoal aquinhoado com altos salários públicos, dando continuidade aos seus privilégios. Isso nos permite concluir que, se eleitos agora em novembro, vão seguir a mesma linha de conduta, mantendo o objetivo de usufruir benefícios no cargo de prefeito. Só uma a reforma profunda pode mudar esse cenário. Mas se depender desses políticos nunca virá.


ITAMAR C. TREVISANI

ITAMARTREVISANI@GMAIL.COM

JABOTICABAL


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Serviço público

Rachadinhas


Nos próximos pleitos vamos tentar eleger somente candidatos que tenham como uma de suas bandeiras acabar com os funcionários contratados sem concurso público e que nem aparecem nos locais de trabalho. Afinal, é indecente que os atuais ocupantes dos cargos legislativos (federal, estadual e municipal) usem o dinheiro do povo para pagar a esses párias da cidadania (e as demais despesas que vêm por consequência), que só servem para fomentar as famigeradas rachadinhas e trabalhar pela reeleição desses políticos como cabos eleitorais. Aliás, os atuais detentores de mandato já têm a grade vantagem, sobre os demais, de poderem se destacar com seus projetos e votações interessantes para o alto funcionalismo. Enfim, essa é a única maneira de começar a moralizar o serviço público no País.


NELSON L. BRAGHITTONI

BRAGHITT@USP.BR

SÃO PAULO


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Desemprego x privilégios


No setor privado o número de desempregados já alcançou cerca de 13 milhões, segundo informa a mídia. Mas no setor governamental – municipal, estadual e federal – não há notícia de desempregados e diminuição de salários, etc., etc. O tempo passa, os governos mudam, mas o número de funcionários, os salários e as vantagens continuam os mesmos. Quando começará a igualdade com os demais trabalhadores, de se obter emprego por necessidade funcional e competência, não por QI político?


MÁRIO A. DENTE

ETICOTOTAL@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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Economia

Fragilidade dos pequenos


Infelizmente, a abertura parcial do comércio não garantiu nem garantirá que as vendas voltarão aos níveis de antes da covid-19. Os consumidores estão receosos, preocupam-se com a manutenção do emprego e, assim, não vão às compras, adquirem apenas o indispensável para viver, alimentos em particular. O governo precisa, de imediato, olhar para os pequenos e microempresários, que são os maiores empregadores, diminuindo o impacto na economia e no esforço do governo com a ajuda emergencial. Eles precisam de linhas de crédito de longo prazo e a juros Selic. Essas empresas são a chave para uma recuperação mais rápida da economia.


ALEXSANDRO GONSALES

ALEXSANDRO@AGFC.COM.BR

SÃO PAULO


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OAB contra Moro

Interesses inconfessáveis


Cumprimento o leitor sr. Leão Machado Neto (Direito ao trabalho, 18/7): é simplesmente vergonhoso que essa confraria atual da OAB queira impedir que Sergio Moro exerça a sua profissão. Justo o homem que comandou a condenação da maior quadrilha de brasileiros, que se juntaram para assaltar o Estado de todas as formas, e pôs na cadeia um ex-presidente da República e o empresário mais poderoso do País?! Aonde querem chegar? Só sentimentos dos mais baixos e interesses inconfessáveis podem explicar essa abissal atitude de uma entidade que cada vez mais perde o respeito de quem labuta no campo do Direito.


EDUARDO AUGUSTO DE CAMPOS PIRES

EACPIRES@GMAIL.COM

SÃO PAULO


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NO COMANDO


Com mais de 2 milhões de infectados pela covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro diz que “Deus está no comando”, enquanto o diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que “é o vírus que está no controle” (19/7, A27). Estamos mal: Deus é uma entidade abstrata, cujos desígnios são insondáveis – nada a fazer; os crentes oram. O vírus é entidade concreta, mas de origem desconhecida e grande parte de sua natureza é ainda tão insondável quanto a divina. E o povo? Reza ou a cada descoberta/pseudodescoberta, corre feito barata tonta atrás da salvação, primeiro a cloroquina (que foi produzida aos montes por ordem de Bolsonaro) e, agora, atrás da ivermectina. Será que não seria necessário transformar o enfrentamento de pandemias (outras virão, esteja certo) em questões de Estado, e não de governo, já que este passa ao sabor das ondas eleitorais?  Com um protocolo estabelecido, o “Estado estaria no comando”. Vimos que deixar por conta dos governos federal, estaduais e municipais, como quer a Constituição, deixou todos os políticos mal na foto, e a nós restou um profundo e doloroso luto.


Sandra Maria Gonçalves sandgon46@gmail.com

São Paulo


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BABEL


O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, “determina” que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) volte a defender o uso da cloroquina, contrariando todos os estudos mundiais. Por outro lado, o vice-presidente Hamilton Mourão defende a volta da famigerada CPMF. Nesta Torre de Babel, qual parte esses dois políticos ainda não conseguiram entender: o que dizem os órgãos internacionais ou o que diz o Congresso Nacional, respectivamente?


Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo


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E SE A FIOCRUZ SE NEGAR?


O Ministério da Saúde, contrariando em especial a Organização Mundial da Saúde (OMS), oficia a Fiocruz, no Rio de Janeiro, solicitando que a instituição dê ampla divulgação ao uso de cloroquina e hidroxicloroquina como medicamento no tratamento dos primeiros dias de sintomas de covid-19. Muito estranha a sugestão de uso, que traz consigo o respectivo custo, exceto pelo apoio a esse medicamento do presidente Bolsonaro, ao apresentar uma caixa do próprio sob a mesa quando num de seus pronunciamentos na TV. Vale lembrar que a sociedade é composta em grande parte por leigos que, de boa-fé, podem acatar a sugestão a se precaver como indica o Ministério da Saúde, com a possível ocorrência de consequências indesejáveis. E como ficará a Fundação Oswaldo Cruz, se não atender à divulgação publicitária da esdrúxula sugestão, que conflita com todas as informações científicas conhecidas, que alertam para a inutilidade do medicamento? Mais uma vez, nosso país estaria dando exemplo de estar na contramão do mundo civilizado?


Mario Cobucci Junior maritocobucci@gmail.com

São Paulo


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AFRONTA À FIOCRUZ


Se já é irracional e perigoso o uso de um medicamento sem comprovação científica, maior absurdo ainda é ver o Ministério da Saúde aceitar pela segunda vez (na primeira assinou um protocolo), e por ordem do presidente Jair Bolsonaro, solicitar, como fez à Fiocruz, que é referência mundial em pesquisa na área da saúde, que divulgue largamente o uso de cloroquina, a fim de diminuir números de casos da covid-19. Ora, o uso da cloroquina, conforme estudos, não tem eficácia comprovada cientificamente e tampouco é recomendado pela OMS. Mas o presidente, irresponsável que é, em ato de charlatanismo, insiste em recomendar o uso do medicamento. E nesta horrenda história, sendo Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde, um general da ativa, ao aceitar essa grave transgressão, que pode ceifar vidas, certamente prejudica a imagem do Exército, como criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes há poucos dias. E o governo Bolsonaro, que sempre se lixou para a covid-19, claramente demonstra não se importar que hoje tenhamos mais de 2 milhões de infectados e quase 80 mil óbitos pelo novo coronavírus. Afronta a Fiocruz, submetendo-a, orgulho de nós, brasileiros, ao ridículo.


Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos


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CLOROQUINA


Que o presidente Bolsonaro tem de ser investigado pela compra e estoque de cloroquina, para uso contra a covid-19, sem estar devidamente comprovada sua eficácia pela ciência e pela medicina, isso não tem nem de ser discutido, à vontade do subprocurador, mas estender isso a uma investigação a Donald Trump é meio pernóstico.


Marcos Barbosa micabarbosa@gmail.com

Casa Branca


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TESTAGEM


Há dias o general Eduardo Pazuello habita uma berlinda. Ao declarar que a testagem massiva não é tão importante quanto dizem, levou mais um tiro. Os especialistas ficaram inconformados com a besteira vinda do militar, que, aliás, nem médico é. No entanto, os números nos deixam perplexos, pois a imprensa divulgou que os Estados Unidos testam 500 mil por dia e contabilizam 140 mil mortes, já o Brasil testa 10 mil diariamente, com 70 mil mortes. Será que os Estados Unidos não sabem o que fazer com o resultado dos testes? Os especialistas calados e a culpa é do general.


Antonio Manoel Vasques Gomes amavago@gmail.com

Rio de Janeiro


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MINISTRO DA SAÚDE


O senhor Eduardo Pazuello precisa decidir o que deseja na vida, servir ao Exército ou a um governo, ser militar ou político. Fazer as duas coisas não cabe na nossa Constituição.


Radoico Câmara Guimarães radoico@gmail.com

São Paulo


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EXCLUSIVO DOS MILICOS


Em apenas 1,5 ano de governo do capitão Bolsonaro, o número de militares em cargos civis aumentou 122%. Dá para imaginar ser possível que, em caso de um segundo mandato, com o brutal corporativismo militar, que só tende a aumentar, o governo seja exclusivo dos milicos no final de 2026.


Abel Pires Rodrigues abel@knn.com.br

Rio de Janeiro


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META


Eureka! Descobri a meta de Jair Bolsonaro: assim que termina o mandato como presidente (final de 2022 ou antes), será aspirante de recruta... Tomara que não passe.


Sérgio C. Rosa sergiorosa@uol.com.br

Belo Horizonte


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BRASIL VERDE-OLIVA-AMARELO


Ao tempo em que o País vive no Estado Democrático de Direito, a tão duras penas reconquistado após a longa e sangrenta noite dos anos de chumbo do regime de exceção da ditadura militar, de lamentável memória, causa espécie que o governo civil do presidente-capitão Bolsonaro tenha sido aparelhado até agora com nada menos que 6.157 (!) militares da ativa e da reserva. Este é o retrato do Brasil verde-oliva-amarelo de coturnos, marchando fardado, armado e unido rumo a um projeto de poder autoritário, antidemocrático e antirrepublicano. Cabe ao Congresso, à imprensa e à sociedade permanecerem vigilantes e atentos, prontos a reagir ao primeiro sinal de ameaça concreta do rompimento institucional. Por oportuno, cabe citar frase do discurso político do orador irlandês John Philpot Curran, de 1760, erroneamente atribuído ao presidente americano Thomas Jefferson: “O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Cuidado, Brasil!


J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo


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PANDEMIA E PANDEMÔNIO


O presidente Jair Bolsonaro afirmou na semana passada que a Saúde e o Meio Ambiente continuarão com os atuais titulares. Portanto, nós, brasileiros, estamos convivendo, ao mesmo tempo, com dois problemas graves: uma pandemia e um pandemônio. O primeiro, em razão do coronavírus, e o segundo, por causa de Bolsonaro. Sigo a política nacional há cerca de 70 anos e com certeza jamais tivemos um governo federal tão confuso como o atual. O nosso presidente, entre outras particularidades, resolveu atender aos “princípios” de um filósofo autodidata, o que é um erro. Afinal, como ensina um velho brocardo popular, “de poeta, filósofo e louco todo mundo tem um pouco”. O presidente declarou que o Ministério da Saúde precisa muito mais de um gestor do que de um médico. Eis um erro incrível, pois parte do princípio de que nenhum médico pode ser um gestor, o que os diretores dos principais hospitais do País desmentem. Seria a mesma coisa que dizer que, numa imaginária batalha, colocássemos no comando um médico, em lugar de um general, porque era mais importante cuidar dos feridos do que derrotar o inimigo. E o que vem acontecendo naquele ministério nos mostra que é gritante a falta que faz um médico no comando das estratégias. Somos o segundo país do planeta em número de vítimas do vírus. E superou-se o presidente ao afirmar que Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, está fazendo um excepcional trabalho. O ministro é réu condenado em primeira instância pela Justiça de São Paulo, por improbidade administrativa enquanto ocupava o cargo de secretário do Meio Ambiente em São Paulo. O presidente o escolheu a dedo para ajudá-lo a transformar a Amazônia em bom lugar para roubos de madeira, de minérios e de terras do governo – coisas que anunciou ainda na sua campanha eleitoral. Após a devastação, ele poderá permitir a mineração – provavelmente estará ao cargo da Vale S.A. – para repetir os desastres que provocou em Minas Gerais. Somente nesse sentido Salles pode ser elogiado. Ele acabou com a fiscalização do Ibama e propiciou os recordes atuais de desmatamento e queimadas na Amazônia. Os dois deveriam ser processados e condenados por tal crime. O presidente ainda adota conceitos do século 19, já superados. De fato, com a evolução da tecnologia para a construção de usinas fotovoltaicas, não se deve mais pensar em construções de hidrelétricas, ainda mais na Amazônia, que é uma planície, exigindo longas linhas de transmissão. Balbina e Belo Monte atestam esse equívoco. Usinas atômicas também não, mais caras que as fotovoltaicas, para a mesma produção de energia elétrica e perigosíssimas para população. Chernobyl e Fukushima atestaram isso.


Gilberto Pacini benetazzos@bol.com.br

São Paulo


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CONTINUAR NO GOVERNO


Contrariando suas posições anteriores, o Brasil votou contra os diretos humanos dos Palestinos (11/2019 e 6/2020) e apoiou uma resolução proposta por ditadores (inclusive Nicolás Maduro) para enfraquecer o papel da ONU no questionamento dos direitos humanos nos países membros (6/2020). Assim, o ministro Ernesto Araújo fica, o que ameaça tornar o Brasil uma pária na comunidade internacional. O ministro Ricardo Salles compartilha a ideia do chefe de que a Amazônia é nossa para usar e abusar. Continua firme no governo, apesar de enfurecer a comunidade internacional, os investidores estrangeiros e a opinião da maioria dos economistas brasileiros sobre fim do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Por apoiar o uso de hidroxicloroquina, o general Eduardo Pazuello pode continuar cuidando do Ministério da Saúde, apesar dos 77.851 óbitos e 2.046.328 casos confirmados da covid-19 consequência, em parte, do fato de que o Brasil está fazendo apenas 15 mil testes de RT-PCR por milhão de habitantes, ante 142 mil do Reino Unido, 138 mil da Rússia e 116 mil cada em Portugal e na Espanha. Ou seja, para continuar no governo, basta executar o que o presidente quer, independentemente dos interesses do Brasil.


Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo


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A ÁRVORE E A AMAZÔNIA


O Brasil de hoje muito se assemelha a uma grande árvore centenária, frondosa e vistosa por fora, mas que, por dentro, vem sendo consumida e ocupada há muito tempo por ilustres e poderosos cupins, gordos e felizes.  Solitária, no meio da selva de concreto, (des)cuidada por servidores desinteressados mais preocupados com as telas de seu smartphones de última geração, ignorada por grande parte da multidão que passa apressada sabe-se de onde vem e para onde vai, sua raiz espremida pelas calçadas e ruas impermeabilizadas pela cultura do bem-estar a qualquer preço, da moderna civilização de consumo exacerbado, portanto, suicida. A natureza, mãe zelosa de todos os seres vivos, não há de estar feliz, tampouco satisfeita, vendo uma de suas promissoras filhas, a exuberante Amazônia, ser maltratada, abusada e estuprada vezes sem conta por homens que detêm o poder de protegê-la. Avisos chegam, a dívida aumentando e a inadimplência vai sendo empurrada pelo umbigo além da conta. Pequenos reparos como podas pontuais, desbastes acolá, adubação fora do tempo ou irrigação emergencial já não bastam: é preciso descupinizar, escorar o tronco e torcer para que a natureza  não mande avisos em forma de ventos fortes, chuvas torrenciais ou ciclones, além de epidemias.


Massafumi Araki massafumi.araki@gmail.com

São Paulo


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‘POSTO IPIRANGA’


Na história do Brasil, dificilmente houve ou haverá um ministro da Economia, ao mesmo tempo, tão blindado pela imprensa e pelo tal “mercado” quanto tão devedor de resultados ante as expectativas que foram criadas sobre ele, ainda na campanha eleitoral de 2018, quando lhe foi dado o apelido de “Posto Ipiranga”. Paulo Guedes, que nunca foi capaz de escrever um livro, ou sequer um artigo científico relevante na sua área, desde que chegou ao governo tem emplacado diversas frases que no linguajar popular também podem ser consideradas como “bolas fora”, “gafes” ou “atos falhos”. Algumas entrarão para a história para ilustrar a sua passagem medíocre pelo ministério, tal qual a de que “tem muita doméstica indo para Disney”, ou, agora, a de que, “se o Plano Real tivesse sido tão bom, o PSDB não teria perdido quatro eleições”. Afora a reação frouxa dos tucanos, como sempre, vale lembrar que, apesar da participação efetiva de Fernando Henrique Cardoso na criação do Real, o mesmo foi obra do governo de Itamar Franco. Deu duas vitórias em primeiro turno a FHC e, acima de tudo, debelou o pior imposto sobre os mais pobres do País, que era a inflação. Além de que o Plano Real foi o maior programa social da história do Brasil, apesar dos erros da paridade cambial no início, se não fosse o Real não haveria Bolsa Família nem Minha Casa Minha Vida, não haveria Prouni nem PAC, não haveria estabilidade democrática nem reservas internacionais. Portanto, o Real merece mais respeito. O tal Posto Ipiranga passou todo o período eleitoral prometendo fazer R$ 1 trilhão em privatizações e venda de imóveis do Estado. Neste ano o País vai colher o seu trilhão em déficit. E agora, provando que era apenas um vendedor de terrenos na lua, ou, melhor, um completo estelionato eleitoral, quer a volta da CPMF e acelerar as privatizações, mesmo com a moeda e os ativos nacionais desvalorizados como nunca. O autor das frases desastradas e dos resultados pífios diz que “só sai do ministério à bala”. Bravata de quinta categoria. O senhor vai sair por incapacidade e pelo que fez nos verões passados. Basta a imprensa e o mercado tirarem as muletas que lhe emprestam, de forma vexaminosa.


Sandro Ferreira sandroferreira94@hotmail.com

Ponta Grossa (PR)


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ANO PERDIDO


Visível que vivemos um ano perdido, mas, mesmo assim, a classe política, que está em outro mundo, pretende realizar eleições municipais com o perdulário dinheiro do fundo partidário. Os eleitos não serão capazes de superar as mazelas, combater a corrupção ou entregar serviços públicos aceitáveis. Mais uma vez precisamos ter democracia, e não apenas o limitado exercício do direito de votar.


Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo


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‘O QUE O BRASIL TEM DE MELHOR’


Ao ler a coluna O que o Brasil tem de melhor, de João Gabriel de Lima (18/7), encontrei um paralelo com o legado do ilustre jornalista e advogado Joseval Peixoto: “Estamos aqui construindo a mais fantástica civilização da história, porque síntese de todas as culturas do mundo”. Vejo, neste momento difícil em que vivemos o epicentro da pandemia e com a total ausência de ação do governo federal, que, mais uma vez, o povo brasileiro, de moto próprio, está presente e atuante para buscar melhores dias. Não nego a atuação louvável de muitos governadores, prefeitos e membros do Poder Legislativo, mas, como bem mencionado na coluna, “a sociedade civil é o que o Brasil tem de melhor”. E cabe a ela impulsionar os entes públicos a encontrar as melhores soluções. Muito orgulho de ser brasileira!


Marta de Carvalho  marta.carvalho@terra.com.br

São Paulo


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CURRÍCULO ACADÊMICO


O reitor Marcelo Knobel, em seu aniversário, nos presenteou com o artigo assinado conjuntamente com o professor Alcir Pécora para explicar e defender o árduo e tortuoso caminho para formação de um docente pesquisador em nosso país e sua atribulada carreira (O valor de um currículo acadêmico, 18/7, A2). Dentre as atribuições do professor universitário, faltou ainda a de comunicador da ciência, especialmente nestes dias sombrios de negacionismo que está ceifando muito mais vidas na pandemia. Infelizmente, a carreira acadêmica acaba por ser opção quase única, pois a indústria nacional não absorve esse profissional altamente qualificado, submetendo-se ao histórico papel de colônia das matrizes estrangeiras.


Adilson Roberto Gonçalves prodomoarg@gmail.com

Campinas


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SEMELHANÇA


Geraldo Alckmin é indiciado por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois (Estadão, 16/7). Sobre as acusações, o ex-governador declarou: “Procurei agir com rigor absoluto. A minha vida pessoal é simples, as minhas campanhas foram modestas. Por exemplo, nas minhas campanhas de 2010 e 2014 não gastei tudo o que foi arrecadado, deixei o restante para o partido. Estou com a consciência limpa”, completou. “Meu patrimônio é igualzinho, até menor. Voltei para a medicina, abri mão de tudo”, afirmou. Se Geraldo Alckmin continuar com declarações desse tipo, seu nariz vai ficar ainda mais parecido com o do Pinocchio.


Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo


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CONDENAÇÃO PRÉVIA


Agora, chegou a vez de Geraldo Alckmin ser indiciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, entre tantos outros políticos brasileiros ainda não descobertos. A meu ver, como solução, todos os candidatos eleitos nas próximas eleições deveriam ganhar uma tornozeleira eletrônica, outras para esposas, filhos, parentes próximos, auxiliares e amigos de infância, todos controlados por um gabinete de ódio popular.


Carlos Gaspar carlos-gaspar@uol.com.br

São Paulo


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LAVA JATO NO PSDB


Os caciques do PSDB estão sem fala. Demorou, mas a Lava Jato chegou a Serra e a Alckmin. Os caciques que surfaram na onda da inacabada obra do Rodoanel achavam que só no PT havia amantes de propinas e crimes contra o patrimônio. Infelizmente, caixa 2, corrupção passiva e lavagem de dinheiro nunca vão terminar enquanto perdurarem decisões demoradas da Justiça.  Bruno Covas deve tremer só em pensar quais explicações dará aos eleitores de São Paulo na próxima eleição municipal.


Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo


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RISCOS À OPERAÇÃO LAVA JATO


No fim de semana, chamaram a atenção conversas nos bastidores jurídicos e políticos sobre disputas internas no Ministério Público Federal em São Paulo, que podem levar à anulação de processos em que estão envolvidos Lula, Temer, Dilma, Serra e outros, pondo a perder um trabalho em que, pela primeira vez, políticos corruptos e empresários corruptores foram para a cadeia numa atuação inédita, graças à Operação Lava Jato, reconhecida como exemplo por muitos países. Advogados, claro, mais aqueles que enriquecem na defesa desses envolvidos, visto não trabalharem de graça, prenunciam que, se julgados nulos os processos envolvendo todos os citados nestes casos, podem jogar no lixo tudo o que foi apurado até então. Se isso acontecer, aquela dinheirama bilionária roubada da Petrobrás, parte recuperada, como ficará? Será devolvida com correção aos meliantes que desviaram esses bilhões de reais? Lula será declarado inocente de todas as acusações e, de quebra, o País terá de indenizá-lo por danos morais com um valor no nível de milhões de reais? Todos os que tinham cargo político serão inocentados, com direito a receber os valores que teriam recebido, afora as indenizações por danos morais sofridos? Curioso que os bilhões desviados e as mais que provadas tramas e elementos envolvidos nestas, como ficarão? Não sei o que pensar a respeito disso tudo, a não ser que o Brasil, ao que tudo indica, será um país eternamente corrupto, até porque essa movimentação ocorre sob as vistas das Forças Armadas, que parecem alheias a tudo isso, como a nos dizer que “queríamos democracia?”, então resolvam essa situação sem os envolver, mesmo porque não podem ser cúmplices nesta trama vergonhosa. 


Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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