Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2020 | 03h00

A pandemia e o capitão

Perversidade

Revoltante, inaceitável, sabermos que o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, alertado por técnicos da própria pasta, desde maio tomou ciência de que sem medidas de isolamento social o impacto da pandemia seria sentido por até dois anos. Ata de reunião do Comitê de Operações de Emergência, a que o Estado teve acesso, diz que "todas as pesquisas" levam a crer que o distanciamento é recomendável até para recuperação mais rápida da economia. "Sem intervenção, esgotamos UTIs, os picos vão aumentar descontroladamente, levando insegurança à população, que vai se recolher mesmo com tudo funcionando, o que geraria um desgaste maior ou igual ao isolamento na economia", advertem os técnicos. Isso é gravíssimo, pois o que tivemos do interino foi o descumprimento dessas medidas recomendadas com toda a clareza, incentivado pelo presidente da República, a quem ele obedece cegamente. A intenção é que o isolamento seja evitado porque, por sua lógica perversa e irresponsável, o ideal é levar-se uma vida normal para não afetar a economia. Quem pegar o vírus pegou, paciência. E daí? Os ministros que antecederam o interino eram médicos respeitados, mas ousaram recomendar justamente o que está na ata. O que fazer diante dessa terrível revelação, que tem levado à morte tantos brasileiros? Muitos deles, aliás, não foram atendidos da forma mais eficaz por falta de insumos de toda ordem em locais mais pobres! Sim, porque para agravar a situação o Ministério da Saúde gastou apenas 29% da verba prevista. Francamente, se isso não pode ser chamado de genocídio dos mais pobres, vamos chamar de quê? Até quando vamos ter de aceitar a perversidade desse governo?

ELIANA FRANÇA LEME

EFLEME@GMAIL.COM

CAMPINAS

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Inépcia letal

Os maiores culpados pelas mortes por covid? A dupla Bolsonaro & Pazuello. O primeiro, por não saber nada de nada. O outro, por seguir tudo o que primeiro fala. Assim fica difícil!

SÉRGIO C. ROSA

SERGIOROSA@UOL.COM.BR

BELO HORIZONTE

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Dupla tragédia

É termos o "País presidido por alguém inepto como Jair Bolsonaro no momento em que enfrenta a mais mortal crise sanitária em mais de um século", como bem observa o editorial A tragédia dentro da tragédia (24/7, A3). Fosse outro o comandante do Planalto, alguém com atitudes republicanas e que respeitasse a ciência, os efeitos dessa pandemia seriam menos traumáticos para o povo brasileiro. Que está órfão de um presidente capaz de dialogar com a sociedade, como pondera o editorial, de inspirar e liderar ações neste momento grave de propagação da covid-19. Atrás apenas de Donald Trump, Bolsonaro é considerado um dos piores presidentes no enfrentamento da pandemia, prejudicando largamente a imagem externa do Brasil. Que já contabiliza, infelizmente, 2,3 milhões de infectados e 85 mil mortes.

PAULO PANOSSIAN

PAULOPANOSSIAN@HOTMAIL.COM

SÃO CARLOS

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Instabilidade política

A pandemia do novo coronavírus escancarou o conflito distributivo como problema estrutural do federalismo. O Supremo Tribunal Federal confirmou a autonomia de Estados e municípios. Óbvio, pois o País não é mais unitário desde o fim da monarquia. Entretanto, o orçamento é autorizativo e centralizado na União. O Executivo federal pode retardar os repasses e, assim, fazer contingenciamento das verbas dos ministérios, um problema fiscal estrutural no Brasil. Os governantes seguem vivendo em seus palácios, longe da realidade do povo, neste presidencialismo monárquico, personalista e centralizador, que não é visto como problema estrutural para o funcionamento do sistema político brasileiro. A normalização da instabilidade política sob a égide da Carta Magna de 1988 repete a sina da Constituição de 1946.

LUIZ ROBERTO DA COSTA JR.

LRCOSTAJR@UOL.COM.BR

CAMPINAS

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Reforma tributária

Tímida e incompleta

Enquanto nosso presidente, após um veto correto, volta a posar de super-herói abastecido por cloroquina, seu "posto Ipiranga" entrega um projeto de reforma tributária ridiculamente tímido e incompleto. Frustrante e indigno da reputação do gerente, só se explica, a meu ver, pela intervenção do dono do posto. E quanto à reforma administrativa, nem sombra. Somando ainda o retorno ao Centrão, não há plano B que aguente. Quanto mais cedo terminar o governo Bolsonaro, melhor para o Brasil.

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

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Rumo ao Peru

O ministro Paulo Guedes, da Economia, já informou a alguém sobre algum exemplo de país desenvolvido que tenha algo parecido com a CPMF? Eu só conheço o Peru. Será esse o país que o ministro Guedes quer como paradigma fiscal para o Brasil? A Universidade de Chicago ensina CPMF? Perguntar não ofende, até porque país desenvolvido tributa o consumo e não tem imposto em cascata, como no Brasil.

SUELY MANDELBAUM

SUELY.M@TERRA.COM.BR

SÃO PAULO

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Educação

O novo Fundeb

Parabéns pelo editorial Vitória da boa política (23/7, A3). Regozijo-me com todos os brasileiros, pelo bem do Brasil! A proposta de emenda constitucional (PEC) ainda aguarda confirmação do Senado, mas a Nação já comemora o significativo aumento da contribuição da União para a educação, que poderá propiciar aumento salarial aos professores e melhorar a qualidade do atendimento às nossas crianças, da creche a níveis escolares mais altos. Urge que seja aprovada essa louvável PEC, a partir da qual teremos a oportunidade de sair da condição de país identificado por ter uma das mais altas taxas de desigualdade social do mundo.

MARIA CECILIA DE ALMEIDA PARASMO

MCPARASMO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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A REFORMA TRIBUTÁRIA DO GOVERNO

Como se viu na primeira parte do Projeto de Lei (PL) da tão necessária e aguardada reforma tributária enviado ao Congresso pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, as gritantes distorções continuam a existir. De um lado, as empresas que prestam serviços ao consumidor final e são intensivas em mão de obra, como educação, segurança, informática, telecomunicações, hotelaria, transporte aéreo, entre outras, deverão ter expressivo aumento da carga tributária porque têm poucos créditos para serem compensados, o que acarretará aumento no preço de serviços como mensalidade escolar e consultas médicas, caso a proposta seja aprovada da forma como está. De outro, pessoas jurídicas que não exercem atividade econômica ficaram isentas da incidência do novo tributo sobre suas atividades típicas, como igrejas, partidos políticos, sindicatos, fundações, entidades representativas de classe, serviços sociais autônomos e instituições de assistência social. Como se diz, não há melhor negócio no País do que abrir um banco, um partido político ou uma igreja. Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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MUDAR PARA FICAR IGUAL

O novo modelo de impostos está sendo estudado de trás para a frente. O estudo tem de começar verificando quanto o povo pode pagar e definindo as prioridades onde gastar o dinheiro. Esses dois itens não estão sendo considerados, pois está por demais óbvio que, se assim for feito, será visto que é essencial uma redução dos gastos atuais, o que se procura esconder. O que se pretende é mudar o regime de impostos desde que seja mantido o montante total a ser pago pelos contribuintes, para manter intacto o aparato governamental. Nessa discussão de impostos não importa que com a pandemia nós, os de fora do governo, ficamos mais pobres, muitos com grandes alterações de padrões de vida. Isso não incomoda os que se arrumaram no Legislativo, no Executivo e no Judiciário e se apegaram a seus cargos e a seus vencimentos. Aliás, o Judiciário alega que o alto padrão em que muitos estão é imutável e que nós, raia miúda, devemos, sim, pagar altos impostos para mantê-los.  

Wilson Scarpelli wiscar@terra.com.br

Cotia

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NÃO À CPMF

Quantas vezes mais precisaremos demonstrar nosso repúdio a esta forma extorsiva de arrecadação, que infelizmente já fez parte de nosso passado recente, de repulsiva memória? Não é possível que esta equipe econômica, dita liberal, só pense nisso, nesta excrescência que só serve para empobrecer ainda mais os mais pobres, destruir riqueza e atrasar o desenvolvimento de nosso país. Doure-se a pílula do jeito que se quiser, mas continuará sendo um veneno mortal para a sociedade. Inventa-se todo tipo de argumento para restabelecer o verdadeiro golpe que representa isso que ousam chamar singelamente de "contribuição". Até parece coisa de benemerência, mas é perversão pura. É um imposto regressivo, pois afeta os mais pobres, que não têm como se defender. Vai obrigar a população a andar com dinheiro em espécie no bolso, acarretando-lhe risco de vida. Incide em cascata, tornando tudo mais caro e anticompetitivo. O pior ainda virá com a majoração da alíquota ao bel prazer do governante de plantão. Se e quando ele julgar que lhe está faltando dinheiro, aí é só girar um pouco mais a "borboleta da torneira" e mais "água" vai jorrar para as mãos dele, para gáudio de todos os que avidamente esperam para terem o prazer de sorver esse "néctar dos deuses". Não precisa ser adivinho para prever isso. Veja-se o caso da tabela do Imposto de Renda na fonte. Há quanto tempo ela deixou de ser corrigida, implicando elevação contínua da carga tributária? Com a CPMF será a mesma coisa. Basta elevar a alíquota, que propositalmente não será limitada a nenhum valor. Se deixarmos isso acontecer, nunca mais nos livraremos dessa praga mortal. E de praga já estamos cheios, então é hora de o povo agir para impedir que também essa desgraceira desabe sobre nossas cabeças.

Orlando Luiz Semensato osemensa@terra.com.br

Campinas

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LETRINHAS DO DEMÔNIO

Alquimistas palacianos querem a volta da famigerada CPMF. São quatro letras do demônio. Maldito imposto que significa, em Português claro, Canastrões Planejam Mesquinharia Financeira.

Vicente Limongi Netto limonginetto@hotmail.com

Brasília

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CONTRAPARTIDA

O governo não faz nada para enxugar a máquina e vem novamente com esta de CPMF! Absurdo! Desaforo! Safadeza! 

Regina Helena de Paiva Ramos reginahpaiva@uol.com.br

São Paulo

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FALÁCIAS

Li que o ministro Paulo Guedes tem outras reformas muito prejudiciais ao povo brasileiro. Somos obrigados a pagar os estudos de nossos filhos, bem como pagar planos de saúde para nossa família, pois o Estado falha, e muito, nas duas prioridades, Educação e Saúde. Pois é, além de pagar pelo que o Estado arrecadador de impostos devia nos dar, e com qualidade, o ministro Guedes vai propor a eliminação de descontos do Imposto de Renda das despesas que temos com Saúde e Educação. Não tem moral para fazer isso! Como acreditar no presidente Bolsonaro de que não haverá mais "impostos"? Em campanha, ele também disse que não haveria o toma lá dá cá, que não haveria associação com o Centrão, que a Lava Jato não seria desmantelada, a Amazônia não desmatada, e por aí vai. Está fazendo tudo o que disse que não faria. Ele é confiável?

Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo

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MEMÓRIA FRACA

Custo acreditar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, queira ressuscitar a CPMF. O ministro não sabe que os maiores afetados serão os pobres? Por acaso se esqueceu de que a dinheirama recolhida com a CPMF foi roubada e nunca ajudou a saúde? Basta ver o que esta pandemia causou, e mais uma vez os pobres pagaram o pato. Este governo não tinha um outro discurso? Será que não sabe fazer sacrifícios, cortar na própria carne, ao invés de aumentar impostos? CPMF nunca mais.

Izabel Avallone izabelavallone@gmail.com

São Paulo

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GASTOS COM A SAÚDE

Responda rápido: desde março, o Ministério da Saúde gastou apenas 29% do valor destinado pelo governo federal ao combate da covid-19 porque 1) trata-se de pequeno problema ("gripezinha"); 2) por pura incompetência; ou 3) porque os recursos excedentes são bem-vindos para arrumar votos, graças ao Programa Verde-Amarelo e Renda Brasil?

Omar El Seoud elseoud.usp@gmail.com

São Paulo

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O PLANALTO CONTRA SALVAR VIDAS

Não é possível que Jair Bolsonaro não se sensibilize com salvar vidas. À luz do dia, ele despreza a pandemia da covid-19, que já infectou no País mais de 2,3 milhões de pessoas e levou a óbito 85 mil brasileiros. É de estarrecer, por exemplo, que há mais de 60 dias se mantém um Ministério da Saúde literalmente desqualificado, dirigido por um general da ativa, Eduardo Pazuello. Como denunciou o Estadão na semana que passou, Pazuello nem se prestou a respeitar alerta feito no início do mês de maio sobre a falta em hospitais de fármacos essenciais, sedativos e analgésicos, usados na intubação de pacientes para tratamento do coronavírus, enquanto joga no lixo verbas milionárias, deixando nas prateleiras, sem uso, 4 milhões de comprimidos de cloroquina e hidroxicloroquina, medicamento sem comprovação científica para cura da covid-19. E outro 1,4 milhão deste comprimido que Estados e municípios que respeitam a ciência não utilizam e desejam devolver ao Planalto. Enquanto isso, Jair Bolsonaro, mesmo infectado pela covid-19, anda de moto em Brasília, cumprimenta garis e no jardim do Palácio da Alvorada, mostra a embalagem de hidroxicloroquina para uma ema - e até a ave deu as costas para o presidente, como constado em foto publicada no jornal. É o fim da picada!  Jair Bolsonaro só pode estar muito ruim da cabeça, ou prefere zombar da Nação.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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BOLSONARO DOENTE?

Em junho, enviei e-mail ao Fórum dos Leitores deste jornal dizendo que, após observar o comportamento de Bolsonaro diante da pandemia, imaginei que talvez, para se mostrar poderoso, alegasse um mal estar cujos sintomas denunciariam um possível contagio do vírus, e tratado com sua hidrixicloroquina ele saísse numa boa, mostrando-se invicto a seus fãs que o tratam como um mito. Enfim, acabou doente e minha tese não se provou, porque necessitaria da cumplicidade de muitas pessoas ligadas à Presidência que o atendem diretamente todo o tempo. Como vemos, seria difícil de não vazar algo, né não? Como está doente de verdade, segundo três testes feitos que acusaram positivo para a doença, diabos, não é porque é presidente terceiro-mundista que pode sair por aí pilotando moto para mostrar a seus fãs que é poderoso e que nem a doença pode derrotá-lo. Nesse passeio, parou junto de alguns garis para cumprimentá-los e fazer média, sem que estivesse usando máscara. Ele pode fazer o que bem entender, porque nada teme vindo da politicalha comprada com verbas e cargos a granel, ou do meio jurídico, onde tem maioria de 6 a 5 (no STF). E se pensávamos em reação das Forças Armadas contra esses absurdos, melhor esquecer, porque os da reserva ganharam cargos no governo, benefícios aos ativa e o presidente parece estar apoiando as PMs estaduais em suas reivindicações.

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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REELEIÇÃO

"Data vênia", mas a imprensa precisa mudar sua postura, porque, com o atual posicionamento, vai reeleger Bolsonaro no 1.º turno em 2022. Senão vejamos: Bolsonaro e os conservadores contumazes estão adorando posar tendo como pano de fundo a vitimização!

Francisco José Sidoti fransidoti@gmail.com

São Paulo 

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A DESGRAÇA DA REELEIÇÃO

Como dizia Churchill, os governos só pensam na próxima eleição, e não na nação... Bolsonaro está nessa linha, e só acabando com a reeleição para fazer os governos trabalharem quatro anos!

Manuel Pires Monteiro manuel.pires1954@hotmail.com

São Paulo

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BOLSOPETISMO

A mais nova corja do Brasil agora tem nome: bolsopetismo. Ela surge de alguns interesses comuns que bolsonaristas e petistas têm, entre eles enterrar a proposta que restabeleceria a prisão em segunda instância. Aquela, aliás, que levou Lula à prisão. Aquele que, aliás, já contou com o apoio - inclusive com o voto - do presidente Bolsonaro. Aquela que pode prender - ou voltar a - gente do atual ou de antigos governos. Como se vê, seja na velha ou na "nova" política, o País não tem jeito quando se trata da defesa dos interesses públicos. A mantra (no sentido de energizar o mal) de políticos, sempre unida, mente, trapaceia, trai, rouba, faz o diabo para defender os seus. Literalmente.

João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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SEM DISCURSO

Em 2018 todos queriam enfrentar Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição para presidente da República. No entanto, ele teve um discurso forte a favor da meritocracia e contra a corrupção e ganhou e eleição. Para 2022 acho que também todo mundo vai querer enfrentá-lo. Só que desta vez não acredito que tenha discurso para se manter no cargo. Foi pura propaganda enganosa. É o que estamos vivendo.

Luiz Frid fridluiz@gmail.com

São Paulo

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MUTILAÇÃO

Desde que a Operação Lava Jato começou a investigar, processar, julgar e condenar figurões da República, ricos e poderosos, as forças políticas, que Getúlio chamou de "forças ocultas" e Jânio de "forças terríveis" - e que agora podem ser chamadas de "forças da corrupção" -, começaram a planejar como aleijar essa operação, que passou a complicar o exercício de suas tenebrosas transações e a ameaçar sua tão preciosa liberdade. Depois de muitas críticas, mas sem nenhum resultado prático, conseguiram amputar a perna e o braço do lado direito da Lava Jato, representados pelo juiz Sergio Moro, hoje informalmente o maior herói nacional. E para tanto usaram de uma artimanha, uma isca que se mostrou falsa. Ele foi convidado pelo presidente para ser ministro da Justiça, o que foi verdade, mas com o aceno de uma isca falsa, qual seja, a oportunidade de vir a ocupar no futuro um lugar de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), hipótese descartada depois que o candidato deixou o governo alegando pressões indevidas de parte do presidente. Agora está sendo urdida a mutilação do outro lado da operação, e, se a primeira foi suave, indolor e com anestesia, esta segunda vai ser a seco, com muita dor. Trata-se da carga jurídica que está sendo aplicada nos procuradores da operação em Curitiba e, principalmente, em seu líder, o competente e brioso procurador Deltan Dallagnol, que está sendo atacado simultaneamente pelo procurador-geral da República, pelo STF, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pelas bancas de advogados que defendem as forças da corrupção. Uma vez conseguida essa amputação, a Lava Jato ficará literalmente desmembrada como um João Bobo, aquele brinquedo infantil que pode ser facilmente desestabilizado, deixando livre o campo para a canalha voltar a se locupletar com o dinheiro público, isto é, o dinheiro do povo brasileiro, ou nosso dinheiro.

José Claudio Marmo Rizzo jcmrizzo@uol.com.br

São Paulo

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EFEITO NULO

Os efeitos da Lava Jato já acabaram há tempos. Haja vista os constantes escândalos que se seguiram ao mensalão, petrolão, etc. Diariamente são noticiadas vigarices em assuntos diversos: compras para a saúde, desvios em fundos de pensão, etc. Até no auxílio emergencial houve abusos. Muita gente que não teria direito se cadastrou e entrou na "boquinha", desde funcionários públicos, militares, prefeitos e parentes, etc. Teríamos de atualizar os dizeres de Nelson Rodrigues, que na década de 70 afirmava que "não éramos 90 milhões de ladrões por medo da polícia". Hoje somos quase (?) 210 milhões de gatunos.

Jose Elias Salomão jsalomao@ism.com.br

Rio de Janeiro

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A QUALICORP E OS REAJUSTES

Recebi, agora, da administradora do meu plano de saúde, a Qualicorp, um reajuste na casa de 15%, e ali consta que há possibilidade de negociação. Aposentada, idosa e com majoração da alíquota da contribuição previdenciária e congelamento do benefício, de boa-fé, fiz contato por telefone. Logo me avisaram de que a proposta seria mudar de plano. Como o ex-administrador da Qualicorp hoje está envolvido em matéria pouco salutar, conforme noticia a mídia, isso deveria ser apurado pelo MP em ação coletiva, para que o reajuste não superasse 5%, índice oficial da inflação. Afinal de contas, o que faz Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em prol do consumidor? Absolutamente nada. O que desejam, além da pandemia generalizada, é aos poucos matar os idosos com um reajuste impossível de ser aceito, e o governo se cala, além das autoridades nada fazerem. Triste. Este é o Brasil onde o estatuto do idoso é violado e a terceira idade, penalizada.

Yvette Kfouri Abrao abraoc@uol.com.br

São Paulo

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O ESGARÇAMENTO DO TECIDO SOCIAL

 

Antes mesmo desta nefasta pandemia, o Brasil caminhou no sentido da ruptura social. O governo atual não disfarçou seu propósito de fomentar um capitalismo selvagem. E o buscou concretamente, ao enfraquecer de modo quase absoluto os sindicatos, numa canetada denominada reforma trabalhista. O que restou dos sindicatos está sendo altamente importante para garantir os acordos coletivos que hoje reduzem direitos para preservar os empregos. Tentou-se desconstruir todos os conselhos profissionais e as organizações não governamentais. Estas, hoje, na falta de lideranças políticas, conforme editorial de O Estado de 16/7, são a única esperança de geração das reformas necessárias de nossas instituições no pós-crise. O isolamento social - necessário no combate à tragédia da covid-19 - é nefasto sob a ótica da composição político-social. A crise demonstrou que o individualismo, o populismo e a fragilização dos laços sociais, sem organizações intermediárias entre o povo e o Estado sólidas e dotadas de credibilidade, tornarão nossa resiliência coletiva impossível e de uma república de bananas o Brasil se tornará uma república de minhocas.

 

Amadeu R. Garrido de Paula amadeugarridoadv@uol.com.br

São Paulo

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OS NEGÓCIOS E A VIDA NO PÓS-PANDEMIA

 

De março a junho, no confinamento da população, as compras pelo meio eletrônico aumentaram 104,2% em relação ao mesmo período de 2019. Os operadores preveem que, mesmo depois da reabertura do comércio presencial, as transações online continuarão. O meio oferece o conforto de comprar sem "ir às compras", o que numa cidade grande ou média consome o tempo de uma manhã, tarde ou noite. Além do comércio eletrônico, outro setor que se consolida é o de home office. Muitos dos que foram trabalhar em casa por causa do coronavírus não voltarão ao escritório, porque restou provada a conveniência de executarem suas tarefas do próprio lar. As escolas, obrigadas a ministrar seus cursos à distância, deverão incorporar tecnologias recolhidas e desenvolvidas às pressas. Até repartições públicas, mesmo com toda a burocracia, vão mudar. Ao mesmo tempo que ainda nos resguardamos dos riscos da covid-19, é de bom alvitre ir pensando em novas estratégias para quando o mal estiver totalmente debelado. A vida terá de continuar, mas muitas coisas serão diferentes. Isso exige adaptação.

 

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

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