Fórum dos Leitores

Cartas selecionadas para o Fórum dos Leitores do portal estadao.com.br

Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 03h00

Pandemia

Banalização da morte

A cidade de São Paulo alcançou a impressionante cifra de 10 mil mortos por covid-19. E o Brasil está prestes a ultrapassar os 100 mil. Mas não é só o negacionismo declarado de Jair Bolsonaro quanto a esses números, manifestado por um sonoro e simbólico “E daí? Lamento...”, que choca. Não é difícil observar nas redes sociais que parte não desprezível da população também considera esses números irrelevantes, por questão meramente matemática: segundo eles, o que representam 10 mil numa população de 12 milhões na cidade e 100 mil ante mais de 211 milhões no País? Tal argumentação, além de ser um imenso desrespeito aos mortos e suas famílias, e também aos que sobreviveram após longa batalha em hospitais e unidades de terapia intensiva, representa uma das mais condenáveis características negativas do comportamento humano: a banalização da morte.

LUCIANO HARARY

LHARARY@HOTMAIL.COM

SÃO PAULO

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100 mil!

Nas próximas horas o Brasil deve atingir a marca de 100 mil mortos por covid-19. É assustador, mas não surpreende. Previsões feitas há algum tempo, com base em modelos científicos desenvolvidos pelo comportamento da pandemia nos países que foram acometidos antes do Brasil, projetavam números até maiores. Mas esses modelos não incluíam os efeitos do descaso, do desprezo, do caos e da politização – males que estão infectando a administração da saúde pública no País.

VALTER VICENTE SALES FILHO

VALTERSAOPAULO@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Lesa-humanidade

Com mais de mil brasileiros mortos por dia, já estamos com praticamente 100 mil óbitos, pela omissão e irresponsabilidade criminosas do antigoverno Bolsonaro. Nem sequer temos ministro da Saúde. É estarrecedor. Mas o pior é saber que a grande maioria dessas mortes foi gratuita e poderia ter sido evitada se as medidas sanitárias da OMS tivessem sido adotadas. Quantos milhares de brasileiros inocentes e indefesos ainda terão de morrer, impunemente? Bolsonaro e sua gangue terão, sim, de responder por crimes contra a humanidade.

RENATO KHAIR

RENATOKHAIR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Sem comando

Se o Brasil não fizer testes em massa para deter o avanço da covid-19, nos próximos dois a três meses as mortes poderão chegar a 180 mil. É o que diz a comunidade científica da Universidade de Washington (EUA). Está errada? Parece que não, pois, lamentavelmente, o Brasil está sem ministro da Saúde há quase três meses e não vejo nenhum movimento da comunidade científica nacional pela mudança do sistema de enfrentamento da doença. Desde o início da pandemia só se fala em distanciamento e isolamento social, higiene pessoal, uso de máscara, mas nada de um sistema realmente eficaz de combate ao avanço do vírus. Estão todos perdidos, esperando a vacina. E se ela demorar? Vai-se esperar a contaminação chegar ao ápice para depois desaparecer naturalmente?

TOSHIO ICIZUCA

TOSHIOICIZUCA@TERRA.COM.BR

PIRACICABA

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Imunidade de rebanho

Colunistas e relatos do Estado têm abordado a imunidade de rebanho para prever o fim ou uma grande redução da pandemia em nosso meio. Nesse sentido, causa surpresa a constatação, por exame de sorologia, de apenas 25% de infectados que é verificada em grupos onde a pandemia arrefeceu, na Europa e nos EUA. Este baixo porcentual de infectados sabidamente não confere proteção coletiva a uma população. Assim, devemos aceitar uma de duas hipóteses, ou ambas: 1) que a maioria das pessoas não adoece pelo agente e 2) que parcela significativa dos infectados desenvolve outro tipo de imunidade. Em ambas as situações a soroprevalência deve ser vista apenas como um indicativo, em que o índice de 25% aponta uma grande redução das pessoas suscetíveis ao vírus, e nessa situação a epidemia arrefecerá. Na capital de São Paulo, onde apenas 11,2% apresentam anticorpos específicos circulantes, conforme inquérito da Prefeitura publicado no Estado, ainda estamos distantes de reduzir a pandemia pelo efeito manada.

BERNARDO EJZENBERG

BERNARDOEJZENBERG@YAHOO.COM

SÃO PAULO

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Carga tributária

A CPMF de Guedes

O ministro Paulo Guedes propõe a “módica” alíquota de 0,20% sobre as movimentações financeiras. A CPMF original tinha alíquota de 0,38%. Mas, salvo erro, incidia apenas uma vez em cada transação, enquanto a de Guedes incide duas vezes: uma a cargo do pagador e outra, do recebedor. Quer dizer: o imposto Guedes terá alíquota de 0,40%. Entendi bem? E por falar em tributação, Bolsonaro vai cumprir sua promessa de promover o tão esperado ajuste da tabela de Imposto de Renda da Pessoa Física?

DAVID HASTINGS

AVID.HASTINGS.BRAZIL@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Manicômio

A respeito da relação da tributação da folha de pagamentos das empresa com a pretendida nova CPMF, entendo que o que precisamos é de uma verdadeira reforma, e não de mais bagunça tributária. E a prometida simplificação? Até agora só temos visto enrolação.

ALICE ARRUDA CÂMARA DE PAULA

ALICEARRUDA@GMAIL.COM

SÃO PAULO

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Reforma ideal

Seria bom se a reforma apenas modernizasse e simplificasse o sistema de cobrança de impostos. Mas como? O Congresso e o governo só querem gastar mais e mais, aumentar os privilégios e os penduricalhos, dentre outros subterfúgios. O Legislativo e o Judiciário não abrem mão de seus altos salários. E as empresas sofrem para pagar os impostos, não só pela alta carga, mas pela dificuldade burocrática de fazê-lo. Quem acredita que a mudança não trará aumento do peso dos tributos?

MÁRIO NEGRÃO BORGONOVI

MARIONEGRAO.BORGONOVI@GMAIL.COM

RIO DE JANEIRO


HAJA DEUS!


A 2.ª turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela retirada da delação do ex-ministro Antonio Palocci da ação em que Lula é acusado de receber R$ 12 milhões em propina da Odebrecht, por meio de um terreno que seria destinado ao Instituto Lula. Dois fatos mereceram destaque durante a sessão de julgamento: a ausência dos ministros Celso de Mello e Cármen Lúcia, integrantes da turma, mesmo sendo a sessão virtual; e a argumentação política utilizada em prol de Lula por quem a seu favor votou, deixando pairar no ar a sensação de que os semideuses supremos possam, em breve, impingir-nos o absurdo da anulação dos processos envolvendo o homem “mais honesto deste país”. Haja Deus!


Jomar Avena Barbosa joavena@terra.com.br

Rio de Janeiro


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DOIS VOTOS


O julgamento que invalidou a utilização da delação premiada de Antonio Palocci no processo que apura mais um ato ilícito de Lula, atrasando o julgamento do caso, é mais um fato que faz o povo perder a confiança no Supremo Tribunal Federal. Trata-se de importante repercussão de combate à corrupção, que jamais poderia não ser julgado por todos os integrantes da Segunda Turma. As circunstâncias permitiram que apenas os votos de Gilmar Mendes e de Ricardo Lewandowski decidissem a questão. Onde estavam Cármen Lúcia e Celso de Mello?


José Wilson de Lima Costa jwlcosta@bol.com.br

São Paulo


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O QUE HÁ POR TRÁS?


A nossa Corte Suprema é tão pouco confiável que qualquer resolução importante dela originada leva o cidadão a indagar “o que há por trás?”. Isso está ocorrendo no momento em relação ao posicionamento da segunda turma a respeito da retirada da delação do ex-ministro Antonio Palocci, constante da ação na qual Lula da Silva é acusado de receber propina da Odebrecht para a construção do Instituto Lula em São Bernardo do Campo. Alegam suas excelências que o então juiz Sergio Moro objetivou a criar um fato político às vésperas das eleições presidenciais de 2018, indicativo, segundo elas, de quebra de imparcialidade. Por outro lado, a nota do ex-juiz da Lava Jato questiona a suspeição levantada pelos eminentes ministros, uma vez que a data da sentença assinalada é de 2017, anterior, portanto, a qualquer campanha eleitoral, e se refere a outra ação penal, confirmada pelo TRF-4 e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acrescenta ele, também, que a inclusão da delação teve pouca influência no processo, pois seu conteúdo já constava de depoimentos públicos. Diante de tais alegações, é natural, salvo melhor juízo, que o cidadão comum pondere o que deve haver por trás da atitude da referida turma da Corte.


Paulo Roberto Gotaç pgotac@gmail.com

Rio de Janeiro


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SUSPEIÇÃO DE MORO


Eles não desistem! É inacreditável que estes dois ministros, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, queiram indicar suspeição do ex-ministro Sergio Moro.


Cleo Aidar cleoaidar@hotmail.com

São Paulo


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AUSÊNCIA INCOMUM


A decisão da Segunda Turma do STF determinando, por 2 votos a 1, que a delação do ex-ministro Antonio Palocci seja excluída da ação penal que envolve o Instituto Lula não surpreende. Os votos vencedores foram de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski – notórios críticos da Operação Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro. Foi de Edson Fachin o voto discordante. Entretanto, pela magnitude do tema em discussão e por tratar-se de julgamento por videoconferência, chama a atenção que Cármen Lúcia e Celso de Mello – os outros dois componentes da turma – estivessem ausentes. A tecnologia da informação permite acesso às sessões virtuais em praticamente qualquer condição – que o diga Gilmar Mendes, habituado a frequentá-las desde o longínquo Portugal. Melhor para o réu, o ex-presidente Lula, beneficiado pelos votos de dois amigos pessoais – que não se veem suspeitos para julgá-lo. A decisão vai adiar o termo da ação, o que poderá, eventualmente, até vir a ocasionar sua prescrição. O STF não se manifestou sobre a ausência dos dois ministros no julgamento.


Sergio Ridel sergiosridel@yahoo.com.br

São Paulo


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VERGONHA


Como o STF consegue dizer apenas se ater à justiça, e não à política, ao anular a mais completa e minuciosa delação de Antonio Palocci contra o ex-presidente Lula? Uma vergonha! Não dá, mesmo, para confiar nesta atual Suprema Corte.


Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo


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STF


Mais uma vez o Supremo mostra sua parcialidade quando se trata do ex-presidente Lula. Que Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes votassem contra o uso dos dados da delação premiada de Palocci não é de estranhar, o que é estranho é a ausência de Celso de Mello e Cármen Lúcia numa votação virtual. Algum propósito oculto para manter o resultado de 2 a 1?


Alroger Luiz Gomes alroger-gomes@uol.com.br

São Paulo


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EXPLICAÇÃO


Os ministros do STF Cármen Lúcia Antunes Rocha e José Celso de Mello Filho têm de nos explicar sua omissão na votação da 2.ª turma sobre a delação de Palocci contra Lula, ou prevaricaram?


Tania Tavares taniatma@hotmail.com

São Paulo


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TREVAS


Período de trevas o que estamos atravessando: não bastasse a pandemia, com todas as suas graves sequelas, vivemos um momento em que a censura se faz presente até no Facebook e no Twitter, regulando o que podemos ou não postar, é uma a mordaça compulsória. A grande mídia está toda declaradamente pervertida pela esquerda, não há um mínimo de isenção em nenhum grande jornal. No Estadão de 5/8 vimos que o STF, nas pessoas de Gilmar e Lewandowski, criam insegurança jurídica no País inteiro e acabaram por atacar a atuação do ex-juiz Moro no caso Lula, indicando suspeição do ex-juiz no processo cujo julgamento deve ocorrer até o final de outubro. Os meritíssimos exigem que a delação do ex-ministro Antonio Palocci seja excluída da ação penal que envolve o Instituto Lula. Para os dois togados, há indícios de imparcialidade quando Moro incluiu a delação sem haver o que chamam de “provocação” de órgãos acusatórios. As brechas legais se tornaram verdadeiros viadutos para a impunidade! Não sei aonde iremos chegar, o País navega até que bem em meio às tempestades, mas a atual composição do STF é um buraco no casco a ameaçar afundar o navio.


Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo


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ONDA


A onda que se forma contra o ex-juiz Sergio Moro, acusado de suspeição quando então juiz que condenou o ex-presidente Lula, talvez venha a desaguar em outra onda bem grande, aquela que levará de volta às ruas, apesar das quarentenas, multidões de cidadãos de bem que sonham em mudar de verdade o Brasil e que, pela oportunidade, poderão ainda clamar a Moro que faça a vontade de tantos brasileiros que querem vê-lo como candidato nas próximas eleições presidenciais. E, como dizem, há males que vêm para o bem, quem sabe assim a inveja e a sem-importância de tantos homens públicos deste país não contribuam para algo realmente importante?


Marcelo G. Jorge Feres marcelo.gomes.jorge.feres@gmail.com

Rio de Janeiro


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CONTRA MORO


A atitude de um juiz honesto e competente , colocando políticos e empreiteiros atrás das grades, tem provocado ciúmes e dor de cotovelo naqueles que só vêm complicar, em vez de ajudar. Parece ate que Weintraub tinha razão.


Hamilton Penalva hpenalva@globo.com

São Paulo


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100 MIL MORTOS E O DESAFIO DA PANDEMIA


O Brasil atingirá o patamar de 100 mil mortos pela covid-19 ainda esta semana e a progressão em ascensão pode levar a números ainda maiores até o fim do ano. As medidas sanitárias se mostram inócuas e a população já não confia no discurso das autoridades. Com este panorama, a disseminação encontra terreno fértil para dizimar sonhos e a vontade de viver de milhares de brasileiros. A contínua desagregação política do Estado brasileiro, sem liderança eficaz para mostrar caminho seguro no combate à pandemia, faz com que tenhamos a liderança em infectados e mortos na América Latina, motivo de consternação diante de país rico em recursos naturais e pesquisas. O descaso e corte de verbas com fito a não possibilitar o progresso científico trará consequências nefastas à Nação. A sociedade, ideologicamente dividida, não se mostra capaz de protestar contra atos genocidários do governo federal, cujo desrespeito aos direitos humanos se mostra no cotidiano e não mais assusta a coletividade. O assalto ao bem público é o retrato condizente da realidade vivida no Brasil. A depreciação dos políticos que negam a ciência se junta àqueles que superfaturam produtos médicos e ainda aos que deixam de atuar propositadamente, permitindo o reinado do caos em diversas localidades do Brasil. Os números constantes de mortos diários acima de mil pessoas é o atestado de incompetência do Brasil no manejo da pandemia. As histórias se perdem, famílias se dilaceram e os governos disputam terreno político ao travar luta de interesses particulares com o sangue de vidas que não mais importam, pois se transformaram em números, perdendo o sentimento e a razão de segurança coletiva sanitária que foram sobrepostas pelo interesse eleitoral e o dinamismo econômico que intenta pela reabertura das atividades mercantis. A forma como o desafio se impõe à sociedade e às autoridades guarda razão na adoção de medidas simples que qualquer pessoa pode efetuar, mas percebe-se que a falta de apoio faz com que sejam inócuas e, por isso, o novo coronavírus se alastra silenciosamente. A espera de vacina ou tratamento eficaz é a cartada final de autoridades que se entrincheiram, ao defender um projeto em detrimento do outro, mostrando a irracionalidade sem paralelo. Caso o esforço global não seja eficaz no curto prazo, não podemos abrir mão de medidas de controle e de educação sanitária para não vislumbramos ainda em 2020 o número de 200 mil mortos com a sociedade protagonizando o retorno da vida normal e o caos ficar adstrito às populações mais vulneráveis. O recado está claro, o combate será eficaz com a aliança de todos, despidos de interesses pessoais e proteger o semelhante.  É sobre isso que cremos na força e na diversidade do brasileiro em superar a pandemia, que já é o maior desastre da história nacional.


Rogério do Nascimento Carvalho rogerionascimento@usp.br

São Paulo


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SUS


Sobre a discussão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e sua importância na pandemia (Estado de 31/7, 1/8 e 2/8), venho por meio desta emitir meu relato de experiência. Sou farmacêutico e trabalho há 24 anos e meio no SUS municipal de Campo Grande (MS). A Constituição define a gestão do SUS é tripartite, e cada vez mais o gestor federal se exime de suas responsabilidades com o SUS, e exatamente neste governo o Ministério da Saúde, que deveria atuar em nível de coordenação do SUS, simplesmente sumiu. Entendo que é notória a dificuldade de gestão, fiscalização e auditoria do SUS nas esferas estaduais e municipais. Aliás, o cobertor financeiro da saúde estadual e municipal é muito curto. Em se tratando de municípios, que são os ofertadores de ações e serviços de saúde, os pequenos fazem justamente a chamada ambulanciaterapia, como o orçamento municipal para a saúde é muito ralo, os gestores encaminham para os municípios-polo, a fim de que sua população possa ter oferta de ações e serviços. O que acaba estrangulando os municípios-polo das regiões de saúde. Sobre os profissionais do SUS municipal, que atuam na linha de frente da saúde, é uma labuta muito difícil. Precarização de recursos e insumos em saúde (medicamentos, materiais médico hospitalares), falta de valorização dos recursos humanos em saúde, falta planejamento para compras, falta de auditoria e fiscalização em licitações e compras. A questão da remuneração dos servidores municipais em saúde também é medonha – creio que se este jornal fizer um levantamento e reportagem sobre o assunto, entenderá o que falo. Enfim, como profissional da saúde, realmente eu desejava melhoria nas condições de trabalho, desde estrutura física, insumos a contento, melhor remuneração. No domingo a Fórmula 1 homenageou o NHS, o sistema de saúde público inglês. O primeiro-ministro inglês Boris Johnson também fez elogios ao sistema público de saúde. Me pergunto: será que a sociedade, as autoridades políticas, a imprensa não desejam um sistema de saúde tão eficiente quanto o NHS? Nós, que trabalhamos no SUS, na linha de frente, sonhamos e contamos com o seu posicionamento.


Marcos José Cardoso Rondon marcos.rondon1@gmail.com

Campo Grande


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MINISTRO INTERINO


Enquanto ficarmos com um ministro da Saúde interino, que aceita todos os comandos do presidente, continuaremos a ter mais de mil mortes por dia. E o pior é que as pessoas estão se acostumando com isso! São pais, mães, irmãos, irmãs, filho, filha, marido, mulher de alguém, que têm a vida ceifada por esta pandemia. Até quando o poder público vai deixar isso acontecer? Ninguém faz nada? E tudo bem?


Maria Virgínia Martins Faria mariavirginiamffa23@gmail.com

Botucatu


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GALOPES ASININOS


A edição do Estadão do último sábado (1/8) traz um conteúdo bastante coerente e representativo do nosso atual momento. A pandemia, nosso comportamento (falo nosso no sentido de generalizar o comportamento do brasileiro médio) e os exemplos que vêm de cima. O primeiro caderno está recheado de boas leituras e reflexões nesse sentido. Reflexões necessárias e urgentes. Já na segunda página, o texto de opinião do advogado e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior, intitulado Os súditos do presidente, nos faz pensar a respeito dos impactos que tem o exemplo do dirigente maior da Nação sobre os cidadãos. O último parágrafo é da mais fina ironia (um verdadeiro deleite intelectual). Cito: “É uma vertente do ‘sabe com quem está falando?’. Está falando com um súdito do presidente”. No segundo editorial (página A3), o jornal apresenta uma breve leitura a respeito de uma série de políticas que grandes cidades do mundo têm adotado como decorrência da pandemia. Importante perceber como muitas mudanças que já vinham ocorrendo (notadamente a respeito de sustentabilidade) se aceleram. A cidade eterna se reinventa, leitura bastante informativa num espaço curtíssimo de texto. Na página seguinte, A4, vemos o presidente Jair Bolsonaro antecipando a campanha de 2022. Montado num jumento no Nordeste vê-se o Messias trazendo as boas novas da aglomeração que ignora a gripezinha. Para não me estender mais, finalizo com só mais um destaque, a reportagem Efeitos da morte do republicano que riu do vírus (página A18). Texto traz informações sobre a morte do congressista e ex-candidato à Presidência americana Hermam Cain por complicações derivadas da covid-19. De ruim, apenas o fato de a reportagem insistir em erro crasso do nosso tratamento do termo conservador (embora o texto seja tradução de publicação internacional). No caso americano até passa, uma vez que lá os termos liberal e conservador sofreram distorções históricas e não significam o que de fato representam na tradição filosófica e política (originários dos ingleses). Mas um parágrafo dessa ressalva no texto do Estadão seria fundamental. De resto, mais uma vez, o exemplo do exemplo. Ignorância, gripezinha e morte galopam sorridentes nos lombos asininos.


Marcos Antonio Gomes Pena Júnior marcospenajr@gmail.com

Brasília


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SERÁ VERDADE?


Por que razão o Instituto Butantan não tomou ou não quis tomar conhecimento da descoberta feita Universidade Federal de São Carlos, nem do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, que descobriram que tecido impregnado de nanopartículas de prata e sílica não só eliminam fungos e bactérias, mas também o coronavírus? Essa matéria está apenas sendo divulgada pela internet. Notícia como esta deveria estar nas primeiras páginas dos jornais em letras garrafais e anunciadas pela TV em edição extraordinária. Diversas tecelagens do interior paulista, como a Nanox, já estão produzindo tecidos impregnados por partículas de prata e sílica, bem como outras tecelagens e confecções inicialmente de aventais e jalecos para aqueles que trabalham em hospitais. Esse tecido impregnado de partículas de prata e sílica, em contato com a pele, elimina 99,9% do coronavírus que foi lavado por 30 vezes e não perdeu a sua eficácia. Camisetas tipo regatas, unissex impregnadas de nanopartículas de prata e sílica poderiam dar um fim no coronavírus. No mundo inteiro pessoas estão sendo mortas por essa pandemia e não se sabe quando aparecerão vacinas para toda a população da Terra. Se isso é mesmo verdade, pelo crédito desse instituto, por que o Instituto Butantan não faz oficialmente uma declaração a respeito solidarizando-se publicamente com a grande descoberta feita pelo professor Elson Longo, da Universidade Federal de São Carlos? Ou, então, diz que tudo é mentira, que o tecido impregnado de prata e sílica não produz efeito algum contra o coronavírus? Notícia como esta não pode de modo algum ser simplesmente ignorada, ou querer que seja ignorada, é uma responsabilidade desse instituto, como deveria ser do Instituto Oswaldo Cruz, dizer sim ou não e não ficar ignorando este acontecido.  Notícia como esta, se é notícia falsa, é crime. Na dúvida, por que o Instituto Butantan não se informa com o professor Elson Longo das dosagens de nanopartículas de prata e sílica aplicadas num tecido que elimina até 99,9% do coronavírus e confere em um dos seus laboratórios se o tecido impregnado com partículas de prata e sílica elimina o coronavírus?


José Carlos de Castro Rios castroriosjosecarlos@gmail.com

São Paulo


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COVID-19, COMEMORAÇÕES & VOTOS


As autoridades pretendem desautorizar ou até impedir comemorações e festejos de ano-novo e de carnaval. Já as do Natal, à exceção da Venezuela de Maduro, continuam mantidas no dia 25 de dezembro, com sol ou chuva. Ou pandemia! O diferencial na data se refere aos presentes do Papai Noel, com entrega suspensa até a imunização total e completa pela tão esperada vacina, dos fabricantes de brinquedos, das renas do trenó e, principalmente, do próprio entregador. Justifica-se. O bom velhinho faz parte do grupo de risco e, em assim sendo, pretende continuar a salvo confinado em casa, no Polo Norte, guardando o devido distanciamento gélido-social de 2 mil km, na mais estrita obediência à preconizada e mais que necessária quarentena, exaustivamente veiculada nas diversas mídias pelas autoridades sanitárias competentes. E autoridade dita competente não diz respeito ao sr. presidente ou ao seu sr. ministro da Saúde de plantão. A despeito do descaso e da insensibilidade muda diante do número de vítimas e das emas dos jardins do palácio brindadas com cloroquina, que todos os brasileiros tenham um feliz Natal. ano-novo e carnaval, os que sobreviverem...


A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo


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A DEFESA NACIONAL


A vida é uma luta constante. Vencer é a meta de todos nós. Para que se vença, há que se estar psicológica e materialmente mais bem preparado que seu oponente. Neste cabedal de atributos destaca-se o conhecimento adquirido pelo contínuo aprendizado. A atualização. E é nesse sentido que o texto do general Sérgio W. Etchegoyen A defesa nacional para discussão da sociedade (Estado, 2/8, A2) é impecável ao defender a Política e a Estratégia Nacionais de Defesa. Trechos deste texto, como “a história e farta em registro do trágico destino dos vencidos (...)” ou “se vencer é o dever intransferível do general, educar seus quadros também, porque a ele caberá responder pelo resultado”. “Lutar a guerra passada é receita para o fracasso. O adágio militar está correto”. Assim como as Forças Armadas têm na pessoa do general Etchegoyen alguém de peso para defender a preparação de oficiais, nós, civis, precisamos de defensores na área de educação capazes de desenvolver políticas e estratégias e implementá-las satisfatoriamente. Isso faz todo sentido, já que as pesquisas sobre resultado de nossa educação mostram resultados pífios. Não podemos todos nós nos irmanarmos num plano comum de vencedores se Exército e civis forem mais bem preparados? Será a resposta para acordar o gigante adormecido.


Sergio Holl Lara jrmholl.idt@terra.com.br

Indaiatuba


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AS FORÇAS ARMADAS E O GOVERNO


Interessante o artigo do General Sérgio W. Etchegoyen sobre a Defesa Nacional. Infelizmente, as Forças Armadas brasileiras, ao permitirem que integrantes do serviço ativo sejam lotados no governo em cargos não afetos à área militar, causa uma profunda divisão no cerne da própria atividade militar, pois permite que esses profissionais sirvam a dois senhores (o jogo político e a Nação). E ainda representa uma tentação, para participar do jogo político, aos demais profissionais da Defesa que estão no serviço ativo. O País já é vítima da grave pandemia e está prestes a enfrentar grande pressão internacional, de magnitude ainda desconhecida, sobre a Amazônia, com possíveis intenções de prejudicar a soberania nacional sobre aquela área. Enquanto isso, vemos nossas Forças Armadas aparentemente divididas, com integrantes interessados nas migalhas oferecidas pelo jogo político. A Nação chora, pois o inimigo já está as suas portas. Nas palavras do general Etchegoyen, o destino dos vencidos é trágico.


Fernando T. H. F. Machado fthfmachado@hotmail.com

São Paulo


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DEBATE


O general Sérgio W. Etchegoyen é uma voz sensata em meio a tanta polarização. No texto A defesa nacional para discussão da sociedade (Estadão, 2/8, A2), demonstra, com clareza e concisão, a importância da Política (PND) e da Estratégia (END) Nacionais de Defesa. Parabéns ao eminente general pela contribuição, com argumentos convincentes, ao enriquecimento do debate que deverá ser travado no Congresso Nacional, a quem incumbe a aprovação da PND e da END.


Ivo Mützenberg ivomut@gmail.com

Brasília

 

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