Fórum dos Leitores

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Notas e Informações, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 03h00

Desgoverno e pandemia

Os interesses do presidente

O editorial A construção de uma tragédia (8/8, A3) resume numa frase a irresponsabilidade de um presidente que pouco se importa com a vida dos brasileiros: “Construiu-se essa tragédia porque todo o tempo Bolsonaro se mostrou preocupado exclusivamente com seus interesses particulares, em especial seu inoportuno projeto de reeleição”. As 100 mil mortes não decorreram de uma “gripinha”. Já “seus interesses particulares” foram escancarados na reunião de 22 de abril, quando, com palavra de baixo calão, confessou estar lá para defender sua família e seus amigos, com ameaça explícita de demissão do então ministro Sergio Moro, já desconsiderado inúmeras vezes na sua luta contra a corrupção. Mas com a prisão do Fabrício Queiroz o presidente perdeu seu ar rompante. Seria a preocupação com o que pode advir do caso Queiroz? Aqueles R$ 24 mil depositados na conta de sra. Michelle já foram ultrapassados. Nós, brasileiros honrados, fomos traídos e estamos preocupados, o que se acentua com as atitudes de um procurador-geral da República, ligado ao PT e escolhido a dedo por Bolsonaro, que demonstra querer acabar com a Lava Jato, coincidentemente com a proposta de Dias Toffoli de quarentena de oito anos para juízes e promotores. Havendo interesse comum, os extremos se tocam.

ANTONIO CARLOS GOMES DA SILVA

ACARLOSGS@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

Só a cloroquina

Não traduz compaixão o comunicado oficial do presidente Bolsonaro pelos 100 mil brasileiros mortos pela covid-19 (só veio depois das condolências de Sergio Moro). A consternação percebe-se falsa, só o que lhe importa, no combate à pandemia, é a caixa de cloroquina.

ENI MARIA MARTIN DE CARVALHO

ENIMARTI@UOL.COM.BR

BOTUCATU

Cidadania

Parabéns pelo melhor editorial dos últimos tempos, A construção da cidadania (9/8, A3). Ao mostrar que todos os indivíduos nascem cidadãos, mas os bons cidadãos precisam ser construídos pela família e pelo Estado, descreve também qual é o papel principal de um líder: dar bons exemplos. Nossos governantes, infelizmente, são apenas cidadãos a quem certamente faltaram bons exemplos, por tibieza da família ou do Estado. E isso se reproduz de geração em geração. 

SANDRA MARIA GONÇALVES

SANDGON46@GMAIL.COM

SÃO PAULO

Bizarrices

O Brasil é um país sui generis. O ministro da Justiça persegue os antifascistas que defendem a democracia, a liberdade de imprensa e combatem a xenofobia e o racismo, quando, a rigor, deveria defendê-los enfaticamente. Ao mesmo tempo, o procurador-geral da República persegue a Operação Lava Jato, que foi a maior ação de combate à corrupção no Brasil em seus 520 anos de História, apenas porque, egoisticamente, só pensa em sua carreira e almeja um cargo mais elevado. Enquanto isso, insistimos em contar velhas piadas de português.

LEÃO MACHADO NETO

LNETO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

Corrupção

Está explicado

Ficou clara a razão da preocupação de Bolsonaro com a proteção de sua família. Embora já tivesse preparado sua defesa – “Fiz não só um, mas dois empréstimos ao Queiroz, que ele pagava em cheques” –, sua família dificilmente escapará da rachadinha. Não bastaram as manobras que tiraram o Coaf das mãos do então ministro Sergio Moro, seguidas por pressões até sua renúncia. E continuam até hoje sobre a Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e órgãos de inteligência do governo. Mesmo que a justiça tarde, fica desde já demonstrado o terrível efeito do uso do poder presidencial, para defender interesses pessoais.

LUIZ ANTONIO RIBEIRO PINTO

BRASILCAT@UOL.COM.BR

RIBEIRÃO PRETO

Gato subindo no telhado

Pouco a pouco vão torpedeando um dos maiores programas de combate à corrupção, elogiado mundo afora e responsável pela prisão de meliantes travestidos de políticos e líderes nacionais. O PGR censura o desempenho da Lava Jato, por ter excesso de informação, segundo ele. Dois ministros do STF usam de chicanas para pôr em dúvida a licitude de um dos processos. O objetivo parece claro: pôr pedras no caminho que se vislumbra para a candidatura de Sergio Moro à Presidência e absolver o ex-presidente condenado, mas solto por obra e graça do mesmo STF, num julgamento que fez corar o mundo jurídico, pela não observância da prisão após condenação em segunda instância. Como esperar justiça, se duas proeminentes figuras são contra ela?

ADEMIR ALONSO RODRIGUES

RODRIGUESALONSO49@GMAIL.COM

SANTOS

Apagar a capivara

As desesperadas tentativas de ressuscitar o grande corrupto da História brasileira estão encontrando ressonância na mais alta Corte do País, que, a despeito de todas as evidências materiais da culpa do dirigente petista, acena com absurdas elaborações subjetivas para impedir a aplicação das devidas penalidades legais a esse cidadão. Se tal desiderato vier a ser consumado, o colégio atual da magna magistratura entrará para a História como o maior detrator das melhores tradições jurídicas do Brasil. 

LAIRTON COSTA 

LAIRTON.COSTA@YAHOO.COM

SÃO PAULO

Economia

Inflação

Deu no caderno de Economia (8/8): Combustíveis e energia levam IPCA a 0,36% em julho. Acho que os pesquisadores, com medo de contrair a covid-19, não estão visitando os supermercados. Vou dar um exemplo: um saco de arroz de 5 kg, que em abril custava R$ 11,90, agora custa R$ 16,90 (42,77% de aumento). Mas, para eles, a demanda reprimida deve manter os preços sob controle.

MAURÍCIO LIMA

MAPELI@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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A NOTA DE R$ 200

 

Nem mesmo foi lançada no mercado, e a nova nota de R$ 200,00 com o lobo-guará já foi “falsificada” por um gaiato que copiou o projeto idealizado por um designer. Só mesmo neste país surreal abençoado por Deus (e amaldiçoado pelo diabo). Muda, Brasil!

J. S. Decol decoljs@gmail.com

São Paulo

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LAMENTÁVEL

Escrevi ao Banco Central pedindo informações sobre o porquê do lançamento da nota de R$ 200,00 em meio a uma pandemia, quando a corrupção está grassando no País, e totalmente contrária à tendência mundial da redução do uso de papel moeda (exceto por corruptos, ladrões, milícias e outras organizações criminosas, que não podem se valer do sistema financeiro) e argumentando que cabe ao Banco Central zelar pela lisura das transações financeiras, e não dar qualquer suporte à operações criminosas, ao contrário, devendo preveni-las. A resposta que obtive foi totalmente burocrática e é transcrita a seguir: “O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou o lançamento da cédula de R$ 200 (duzentos reais), previsto para o final de agosto de 2020, com tiragem de 450 milhões de unidades. O elemento ilustrativo será o lobo-guará. A nova cédula conterá os elementos de segurança capazes de protegê-la das tentativas de falsificação. Informamos que o projeto da nova cédula já estava em planejamento no BC e que o lançamento neste ano se deve a dois fatores: (i) possibilidade de aumento da demanda por papel-moeda em função do entesouramento; e (ii) redução de custos com logísticas e distribuição do dinheiro pelo País. Para saber mais informações sobre a cédula, acesse o canal do Youtube do Banco Central.” Triste ver que ninguém está se pronunciando fortemente contra essa emissão. Ao contrário, tem um deputado querendo mudar apenas a ilustração. Ninguém vai entrar com alguma medida judicial para tentar impedir isso? Onde está o Ministério Público? Estamos realmente num Brasil desgovernado, onde o governo se preocupa com o mal, e não com o bem das pessoas, querendo que os malfeitores tenham mais armas, mais dinheiro vivo em cédulas de maior valor, mais formas de escapar da Justiça. Lamentável!

Cristiane Magalhães cris_magalhaes@uol.com.br

São Paulo

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DESNECESSÁRIA E INOPORTUNA

Num momento de tanta gravidade pelo que passa o País, a criação de uma nota de R$ 200 é tão inútil quanto desnecessária e inoportuna, posto que a nota de R$ 100 ainda tem bom poder de compra. A única explicação que vejo é que a pressão para tal evento tenha sido feita pelos corruptos, já que com notas maiores maior será o valor possível de ser colocado em cuecas, mochilas, malas, apartamentos e aviões. Corruptos 10 x 0 Lava Jato, com tendência a melhorar, para os corruptos, é claro.

Lauro Becker bybecker@gmail.com

Indaiatuba

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200 FORMAS DE ROUBAR

O Banco Central está lançando a cédula de R$ 200. Diz que é porque o dinheiro dos “invisíveis” (beneficiários do auxílio emergencial) não volta para o sistema bancário e que muita gente, aqui e lá fora, está guardando o que pode embaixo do colchão (o tal do entesouramento). Principal motivo para a tiragem de 450 milhões de unidades, o equivalente a R$ 90 bilhões. O governo diz, ainda, que não tem nenhuma ligação com a inflação, que está “totalmente sob controle” (deles, é claro). Mas a verdade é que, em momentos de incerteza – neste caso, por causa da pandemia, que vem gerando a mais grave crise de todos os tempos – e por sermos um país de muitos corruptos, a nova cédula vai ajudar na hora do transporte em malas, calcinhas e cuecas e de arrumar o produto do roubo em apartamentos (que poderão ser menores), enfim, facilitar a lavagem de dinheiro, principalmente para aqueles acostumados à velha política, às rachadinhas e a desviar dinheiro público de qualquer valor.

João Di Renna joao_direnna@hotmail.com

Quissamã (RJ)

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RETROCESSO

Talvez as notas de R$ 200 possam proporcionar cuecas menores, com menos pano, malas menores e uso de menos metros quadrados dos apartamentos, “para depósito”. Porque qual outra finalidade teria uma nota de R$ 200, se hoje quase tudo se paga com cartão de débito/crédito? Alguém irá à feira com uma nota de R$ 200? Será?

Arcangelo Sforcin Filho arcangelosforcin@gmail.com

São Paulo

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FACILITANDO

Com as novas notas de R$ 200,00, será necessário menos malas para acondicionar R$ 50 milhões de corrupção.

Luiz Frid luiz.frid@globomail.com

São Paulo

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MEIO LOBO, MEIO GUARÁ

Se tem uma coisa que eçegovernoqueaíestá sabe fazer é dividir. E divide! Ninguém é esquecido! Todos recebem sua parte! Até mesmo agora, na emissão da cédula de R$ 200. É. E daí? Dai que nas “rachadinhas” futuras, depois de “todas as contas analisadas e aprovadas pelo TSE”, uns ficam com o lobo, outros com o guará. O cidadão contribuinte, com o prejuízo. É o tal “Estado Democrático de Direito”. Está em vigor, com “todas as instituições funcionando normalmente”...

A.Fernandes standyball@hotmail.com

São Paulo

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A DESCULPA É O LOBO-GUARÁ

O Brasil teria de ser escrito com b minúsculo, porque só tem tamanho e safadeza, graças a uma politicalha que, em sua maioria, em países sérios estaria em cana ou nem poderia mais disputar eleições e ocupar cargos públicos. A última piada deste desgoverno bolivariano de Jair Bolsonaro é a criação “genial” da nota de R$ 200, que terá estampada a figura do lobo-guará, com a desculpa de ajudar na preservação deste animal que corre risco de extinção – e agradou a ambientalistas, que até bateram palmas para isso. Se a criação tem o objetivo maior de levar a população conhecer a figura de um animal em risco de extinção, então esqueçam, porque já é difícil de termos em mãos uma nota de R$ 100, e pior ainda trocá-la. A de R$ 200, então, será impossível, invisível. Se queriam popularizar o lobo-guará, então que emitissem a nota de R$ 1 ou de R$ 3. Notas de valor alto podem sinalizar princípio de inflação alta e pega mal lá fora. Quanto ao governo bolivariano de Bolsonaro, pode ser pesadelo, mas tenho a impressão de que seu ídolo é Hugo Chávez.

Laércio Zanini spettro@uol.com.br

Garça

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O LOBO E O DINHEIRO

Muita bonita a homenagem ao lobo-guará nas novas notas de R$ 200. O lobo-guará é mais uma das tantas espécies que caminham para a extinção, pela destruição sumária e sistemática de seu habitat natural. O Cerrado, principal habitat do lobo, é um dos biomas mais destruídos pelo avanço insustentável e irracional do agronegócio. Quando se põe fogo nas matas, não são só as árvores que são destruídas, os animais também morrem, muitos não conseguem fugir, filhotes não têm a menor chance de escapar das chamas. A conta das queimadas deveria incluir não só o número de hectares destruídos, mas também uma estimativa de quantos animais morreram, quantas aves perderam seus ninhos com filhotes, quantas colmeias de abelhas foram destruídas – os insetos não escapam do fogo. A conta da destruição ambiental que o governo Bolsonaro promove vai precisar de bilhões de notas de R$ 200 para ser paga.

Mário Barilá Filho mariobarila@yahoo.com.br

São Paulo

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PAVIO CURTO

Se não bastasse ter um Jair Bolsonaro, que não pensa e só fala o que não deve, prejudicando a Nação, o ministro da Economia, Paulo Guedes, infelizmente sem jogo de cintura, vai na mesma linha do presidente. Ora, o ministro, como banqueiro, deveria saber que a área que comanda é muito sensível, exige equilíbrio, sensatez e muita diplomacia. E não será com seu rotineiro pavio curto nem falando grosso, como fez num evento organizado na semana passada por um centro de estudos norte-americano, que obterá apoio de entidades internacionais. Principalmente quando o assunto é o desmatamento da Floresta Amazônica. No lugar de pedir desculpas pelo desprezo de Jair Bolsonaro pela manutenção da nossa floresta, pressionado, Guedes preferiu criticar os EUA, dizendo que não somente desmataram muito, como ainda mataram seus índios. Ora, desmataram lá atrás, assim como países europeus, numa época em que respeito ao meio ambiente era zero à esquerda. Ou não dava ibope! Hoje, a preservação do meio ambiente está na agenda dos maiores investidores mundiais. E o Brasil, que nas últimas décadas era elogiado pela fiscalização das nossas florestas, desgraçadamente, no governo Bolsonaro, põe tudo a perder. Os alertas do sistema Deter de monitoramento no País indica alta de 34% no ano de desmatamento daquela floresta, e no mês de julho, 28%. Mas o antidiplomático Bolsonaro, que no início de sua gestão ofendeu líderes europeus que há anos financiavam com dezenas e centenas de milhões de dólares um fundo para a Amazônia, hoje está de pires nas mãos implorando pela volta desses recursos. Que Guedes fale menos e trabalhe mais para cumprir suas promessas.

Paulo Panossian paulopanossian@hotmail.com

São Carlos

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PROTEÇÃO AOS ÍNDIOS

O Supremo Tribunal Federal (STF), na pessoa do ministro Luís Roberto Barroso, decidiu obrigar o governo a proteger os índios contra a covid-19. Tem lógica, visto que a imunidade dos indígenas é mais baixa que a do branco, mas quem protegerá os indígenas deles mesmos, sabendo que eles praticam garimpo ilegal na Amazônia (há fotos comprobatórias), admitindo a presença de alguns garimpeiros não índios que podem levar-lhes a covid-19 e devastando grandes áreas dos sistemas hídricos e florestais que deveriam ser protegidas por eles mesmos, haja vista que vivem dentro da reserva e a estão destruindo? Temos de parar de idealizar o índio como um ser inimputável e o protótipo do mítico e puro herói nacional típico do romantismo literário. O indianismo romântico não se sustenta em pleno século 21. Há que impor responsabilidades também aos índios sobre as reservas que ocupam, pois, querendo ou não, elas fazem parte do território nacional. O que significa que é um assunto que interessa a todos os brasileiros.

Mara Montezuma Assaf montezuma.scriba@gmail.com

São Paulo

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DESPREPARO DO PRESIDENTE

De acordo com o editorial do Estadão Biomas em chamas (5/8, A3), para o presidente Bolsonaro o desmatamento e as queimadas na Amazônia não passam de uma rotina. Se considerarmos que também para ele a síndrome do coronavírus não passa de uma “gripezinha”, será que alguém tem dúvidas de que o presidente Bolsonaro é totalmente despreparado para o cargo que ocupa? 

Edgard Gobbi edgardgobbi@gmail.com

Campinas

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O AVESSO DO AVESSO

“Não bastasse o Ministério da Justiça, também o Ministério Público do Rio Grande do Norte produz dossiês de policiais, com fotos, dados, manifestações e posts nas redes, produzindo um banco de dados de quem está ‘conosco’ e quem está ‘contra nós’. Sabe-se lá em quantos outros Estados a produção de dossiês está virando moda. Se fossem sobre fascistas, até daria para entender, mas são contra ‘antifascistas’. Ser contra antifascista é ser o quê?” (Eliane Cantanhêde, Fardas, armas, dúvidas, Estadão, 7/8). Genial o artigo de Eliane. Aliás, como tudo o que ela escreve em seus comentários neste jornal ou o que ela fala na televisão.

Cláudio Moschella arquiteto@claudiomoschella.net

São Paulo

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‘FARDAS, ARMAS, DÚVIDAS’

Eliane Cantanhêde, em Fardas, armas, dúvidas (7/8), revela as intenções nada veladas do clã Bolsonaro e seu governo fardado e armado, que não deixam dúvidas sobre como pretendem transformar o Brasil numa ditadura totalitária de extrema-direita. Análises ingênuas são publicadas diariamente na imprensa falando em Estado de Direito e democracia de Três Poderes independentes e harmônicos, enquanto se dinamita toda a estrutura do Estado nacional. Esta morte anunciada de um governo democrático moderno e a implantação de um reinado militarista teocrático populista está no DNA da política governamental de Bolsonaro e seus colegas de farda e ideologia, que, a bem da verdade, ele nunca escondeu, como atestam sua biografia e sua carreira politica. Seus eleitores não têm do que reclamar.

     

Paulo Sergio Arisi paulo.arisi@gmail.com

Porto Alegre

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TAXA BÁSICA DE JUROS

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou, novamente, a taxa básica de juros, mais conhecida como Selic. Agora, pela primeira vez desde 1996, a taxa chegou a 2% ao ano, a menor da história, chegando perto das de países de Primeiro Mundo. Todavia, essas condições não se aproximam das taxas desavergonhadas praticadas pelos bancos brasileiros. Na verdade, a “coisa” ficou muito melhor ainda para os bancos, pois, numa ponta, captam recursos a 0,16% ao mês e emprestam, na outra ponta, à base de 10% ao mês. Mesmo assim, o setor se julga prejudicado e injustiçado. Ó coitados!

Júlio Roberto Ayres Brisola jrobrisola@uol.com.br

São Paulo

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JUROS NA PANDEMIA

O Senado Federal aprovou projeto de autoria do senador Álvaro Dias (Podemos/PR) que limita a 30% os juros de cheque especial e de cartões de crédito durante o período da pandemia do coronavírus (Estadão, 7/8, B3). Para entrar em vigor, a medida ainda precisa passar pela votação da Câmara dos Deputados e receber a sanção do presidente da República. É aí que mora o problema. Os senadores também aprovaram, no dia 18 de junho, a suspensão por 120 dias das prestações dos empréstimos consignados de aposentados, pensionistas e servidores públicos, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), se nega a colocar a matéria em pauta, e o mesmo poderá acontecer com o limite de juros. Ambos os temas têm a oposição do lobby dos bancos. O Parlamento tem vivido o drama da divergência entre as duas Casas e, principalmente, o reflexo negativo dos superpoderes dos seus presidentes, que decidem sozinhos o que colocar em votação. Com isso, jogam debaixo do tapete pedidos de impeachment e outras matérias importantes. A montagem da pauta não deveria ser ato do presidente, mas do colégio de líderes partidários. Se isso não mudar, o Congresso terá sua imagem cada dia mais desgastada perante a sociedade, e o povo continuará sofrendo com as decisões pessoais dos “reizinhos”.

Dirceu Cardoso Gonçalves aspomilpm@terra.com.br

São Paulo

      

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SEGURANÇA BANCÁRIA

O que está relatado a seguir não é piada, é fato. O titular de um cartão de crédito recebe uma mensagem alertando sobre o uso do seu cartão de crédito num atacadista, no valor de R$ 980,00, no débito. Espantada, a titular, confinada em sua residência desde dezembro de 2019, grita: “Não sou eu, meu cartão está na minha carteira”. Então, busca uma maneira de informar o banco. No minuto seguinte, outra mensagem de pagamento no mesmo cartão, também de R$ 980,00 no débito. A titular exclama: “Meu Deus, não sou eu, onde está o telefone do banco?”. Após outro minuto, a terceira mensagem exatamente com os mesmos dados. A titular em casa começa a se desesperar, em pânico, cardiopata, começa a passar mal, liga para os filhos. Novamente, surgem a quarta mensagem exatamente com os mesmos dados, no minuto seguinte. Finalmente, a tortura das mensagens acaba na quinta mensagem de pagamento, e uma comunicação automática do sistema de segurança bancária (sic) – ou seria sistema de tortura bancária – informando que o cartão foi bloqueado “automaticamente” por fraudes. Essa tortura bancária aconteceu no sábado, portanto na segunda-feira seguinte a titular do cartão, que por sorte não enfartou, na agência, procurou esclarecer a situação. A gerente da agência informou o óbvio: “Senhora, seu cartão foi bloqueado por fraude após 5 transações consecutivas de R$ 980,00 no débito no atacadista xis. Estou comunicando o departamento de segurança”. Após alguns dias, os pagamentos continuam “ativos” no extrato do cartão e – pasmem – inclusive a 5.ª transação, que o próprio sistema de segurança identificou como fraude e o fez bloquear o cartão. Ou seja, nem o próprio Bradesco acredita no próprio sistema de “segurança bancária”. A alegação do banco é de que a titular “facilitou” a clonagem do cartão, portanto não pode considerar como fraude. Só restou à titular tomar as medidas jurídicas cabíveis. Não é piada, não!

Vagner Ricciardi vb.ricciardi@gmail.com

São Paulo 

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POR QUE DESTRUIR?

Foi aprendido na semana passada, no Porto de Santos, um contrabando gigantesco de roupas, sapatos, camisas, tênis, camisetas, ou seja, vestuário em geral, vindo da China com destino a Montevidéu, cerca de 20 toneladas. Como sempre, cumprimentamos a Polícia Federal pelo seu excelente desempenho onde é requisitada. Porém, em contrapartida, nos deparamos com uma decisão absurda e insensata, determinada por quem de direito a defini-la, para simplesmente “destruir tudo”. Será que não há ninguém mais sensato neste meio que pudesse fazer com que esses produtos pudessem ser doados, distribuindo-os para instituições de caridade, internatos, orfanatos, ONGs, famílias carentes, pobres, mendigos, desempregados, etc.?

Angelo Tonelli angelotonelli@yahoo.com.br

São Paulo

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A VOLTA ÀS AULAS

De um lado, a classe empresarial dando sua visão de que é hora, sim, de reabrir as escolas no Estado. Do outro lado, a classe médica diz que ainda não é o momento para que isso ocorra. No meio, o governo, que é pressionado pela classe empresarial a tomar uma atitude. Na parte superior, a classe média alta, com seus carrões dirigidos por seus motoristas particulares, que levam com toda segurança as crianças para a escola. Na parte inferior, eu, você, pessoas comuns que andam de ônibus e metrô, pessoas que contam as moedas para que nossos filhos possam ir de van para a escola – isso quando não vão de ônibus ou a pé mesmo. Na escola particular tem álcool em gel, distanciamento entre os alunos, estrutura para medir temperatura, máscaras e proteção para alunos e professores, e para aqueles alunos que tenham algum problema de saúde a escola ainda conta com plataforma virtual para atendê-los. Na escola pública tem boa vontade, professores que dão o sangue pelo prazer de ensinar, profissionais que se desdobram inventando maneiras de manter os alunos separados na maior distância possível. É, desejo boa sorte a nós, que estamos no lado inferior da pirâmide. Vamos precisar...  

Rodrigo Ibraim rodrigoibraim@gmail.com

Taboão da Serra

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AS CRIANÇAS E O VÍRUS

É nubilosa a defesa da reabertura das escolas, conforme postula a Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar). Evidentemente, trata-se de uma posição de viés econômico. A estratégia argumentativa, porém, não eclipsa um fato: crianças são vulneráveis ao contágio por covid-19. Mesmo a alegação de que casos graves entre elas sejam raros, como ignorar as relações orgânicas mantidas por elas junto a seu familiares, muitos desses pertencentes ao grupo de risco? E quanto aos docentes e demais funcionários direta e indiretamente envolvidos? Excetuando os idosos e os atingidos por comorbidades, os que ficam são suficientes para dar sequência ao ano letivo sem prejuízo na qualidade do ensino? O resíduo de tempo que há é suficiente para justificar o retorno precoce? Compreendo quem defende a volta imediata às aulas. Sou incapaz, contudo, de mensurar o sofrimento de ter de defender essa monstruosidade, mas, de forma alguma, me solidarizo com o peso de quem empresta seu nome a esse absurdo.

Márcio Simões da Silva msimoespiv@gmail.com

Santos

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PREJUÍZOS IRREPARÁVEIS

Retomar a economia é preciso. A questão é a que preço essa retomada está sendo realizada, já que o número de óbitos pela covid-19 chega aos 100 mil. Comércio aberto, restaurantes tentando se adaptar aos novos horários, futebol sem torcida e a polêmica sobre a volta às aulas presenciais. Apesar de a prefeitura de São Paulo reafirmar que não há uma data específica para a retomada das aulas presenciais, um projeto de lei aprovado em primeira votação na Câmara reacendeu a discussão sobre colocar milhões de crianças e adolescentes em convívio, num momento em que isolamento é umas das palavras mais ditas e escritas no País por autoridades da área da Saúde e por cientistas e médicos. O retorno ao ambiente escolar impacta não só escola e alunos, mas a comunidade como um todo, de escolas públicas e particulares. A segunda votação acontece nesta semana, mas de concreto, mesmo, o projeto só acalorou as discussões sobre a crise sem precedente que teremos na economia, no emprego e na educação, como um todo, enquanto não houver uma vacina aprovada. Colocar milhões de alunos dentro da escola significa dar ao inimigo invisível (covid-19) a chance de voltar a se espalhar em grande escala, incontrolável. Discutir como será a volta às aulas presenciais é importante. Porém medidas urgentes deixaram de serem tomadas e planejadas pelo poder público. Uma delas, sem dúvida de errar, era garantir alimentação para alunos durante a pandemia, acesso ao ensino remoto e tantas outras lacunas que ficaram em segundo plano. Os prejuízos maiores no aprendizado dos alunos – estes irreparáveis – só serão dimensionados no pós-pandemia, o que é lamentável. 

Turíbio Liberatto turibioliberatto@hotmail.com

São Caetano do Sul

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QUALICORP

Em relação à manifestação do sr. Sylvio Ferreira (Fórum dos Leitores, 8/8), a Qualicorp esclarece que, conforme previsto em contrato, o reajuste anual é definido pela operadora de planos de saúde. A Qualicorp, na função de administradora de benefícios de planos coletivos, busca negociar a aplicação do menor índice de reajuste possível, preservando o equilíbrio financeiro do contrato. Além disso, oferece alternativas para que seus clientes possam manter o acesso à assistência médica de qualidade. A empresa ressalta que entrou em contato com o cliente e permanece à disposição em caso de eventuais dúvidas.

Qualicorp Administradora de Benefícios S/A 

São Paulo

 

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