Fórum dos Leitores

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Fórum dos Leitores, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 03h00

Estado contra a Nação

Eterna mamata

Salim Mattar: “O que mais vi na Esplanada é que o Estado deseja se proteger contra o cidadão. Não há interesse do Estado (em) servir ao cidadão. Temos um Leviatã bem maduro aqui, no Brasil. (...) Por mim, eu venderia todas as empresas, sem exceções. O governo tem que cuidar da qualidade de vida do cidadão, da saúde, educação, segurança. Temos 470 mil funcionários nas estatais. Isso tira energia, enquanto deveria estar cuidando do social. Essas estatais acabam servindo para toma lá, dá cá e corrupção. (...) O establishment não quer a transformação do Estado. Não deseja a reforma administrativa. O establishment não deseja privatização. Se tiver privatização, acaba o toma lá, dá cá. Acaba o rio de corrupção. O establishment deseja segurança (de) que as coisas vão continuar do jeito que estão. O establishment é o Judiciário, o Executivo, o Congresso, são os servidores públicos, os funcionários das estatais. Não querem mudanças”. Alexandre Schwartsman: “Vai demorar mais 20 anos para que um presidente se eleja novamente com uma plataforma liberal. Bolsonaro desmoraliza o liberalismo, mais do que qualquer presidente de esquerda. E (Paulo) Guedes também. O presidente, por ser tosco; e o ministro, por ser raso”. Enquanto isso, “substituto de Salim Mattar pode indicar 300 cargos em estatais com salário de até R$ 120 mil” (Estado, 12/8). Mas só para apadrinhados dos do pudê. Afinal, quem vive sem uma boquinha? Só o povão, que rala todos os dias – quando tem onde ralar.

FILIPPO PARDINI

FILIPPO@PARDINI.NET

SÃO SEBASTIÃO

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Os liberais e o ‘establishment’

Apesar de já ser esperado, não deixa de ser curioso observar o tom da saída dos “liberais” do governo Jair Bolsonaro. Joaquim Levy (BNDES), Mansueto Almeida (Tesouro Nacional) e, nos últimos dias, Salim Mattar (Secretaria de Desestatização) e Paulo Uebel (Secretaria de Desburocratização) pularam do barco sem timoneiro pelas mesmas razões. No caso dos dois últimos, em especial de Mattar, acusou-se a resistência do establishment às reformas modernizadoras. Com efeito, não se pode negar a predominância de interesses corporativistas e sectários presentes no setor público brasileiro, bem como sua reconhecida ineficiência. São heranças da ditadura varguista, que o País fracassou em superar ao longo das últimas décadas. Mas o que Jair Bolsonaro representa senão o próprio establishment? Ascendeu ao Legislativo representando os interesses de uma corporação, a dos militares, e por lá se manteve por cerca de três décadas. Ao longo de sua malfadada trajetória parlamentar, opôs-se a reformas previdenciárias e privatizações, realizando a descortesia de sugerir o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Votou sempre segundo as orientações de um “sindicato”, o dos militares, que não se podem sindicalizar, jamais pela égide do interesse público. A fantasia liberal travestida nas eleições não sobreviveu à realidade dos fatos, de tal sorte que o presidente continua a representar quem sempre representou. Os quadros que abandonaram o governo não o fizeram por causa das amarras legais e das resistências internas de servidores, das quais já tinham conhecimento quando de sua posse. Desertaram, para usar uma linguagem que o presidente aprovaria, pela percepção de que não há a menor intenção do chefe do Executivo federal de levar avante um projeto de redução do Estado brasileiro e promoção de desenvolvimento econômico do País.

ELIAS MENEZES

ELIAS.NATAL@HOTMAIL.COM

BELO HORIZONTE

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A debandada

O Brasil não é uma verdadeira República, continua um regime colonial. O tal establishment, conforme carimbado pelo ex-secretário Salim Mattar, nada mais é do que as antigas capitanias hereditárias do Brasil colônia, que hoje são representadas pelo Executivo, Legislativo, Judiciário e a maioria das estatais, que dominam o Brasil e criam a seu bel-prazer benesses para eles mesmos. E pior, têm no presidente Bolsonaro seu mais forte representante, contrariando tudo o que ele prometeu na campanha eleitoral de 2018.

JOSÉ LUIZ ABRAÇOS

OCTOPUS1@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Mudando para ficar igual

O novo líder do governo, Ricardo Barros, já anunciou ser favorável à distribuição de cargos. Ou seja, novo trem da alegria para políticos e amigos, com vista à reeleição do presidente. Mesmo o cenário brasileiro apresentado infraestrutura inadequada, risco de doenças e segurança questionável, os serviços de bordo e as recompensas entusiasmarão os conhecidos oportunistas de sempre.

CARLOS GASPAR

CARLOS-GASPAR@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Alienação

Em referência ao editorial A proposta orçamentária do TJSP (13/8, A3), permitam-me complementar: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário nunca compreenderam, ainda não compreendem e jamais compreenderão a situação, qualquer que seja ela, em que o Brasil se encontre, para não terem pejo em aumentar ainda mais seus já absurdos e imorais orçamentos.

GUTO PACHECO

JAM.PACHECO@UOL.COM.BR

SÃO PAULO

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Mundo à parte

Enquanto os cidadãos brasileiros comuns sofrem os impactos financeiros negativos desta pandemia, a casta do poder público, em todos os níveis, demonstra sua insensibilidade, sem contribuir com um real sequer para ajudar a amenizar a caótica situação econômica que o Brasil atravessa. Os privilegiados deixaram de tomar qualquer iniciativa nesse sentido, culminando com a decisão do STF de irredutibilidade de salários. Ora, se os salários são irredutíveis, as mordomias, verbas adicionais e outros penduricalhos não são! Infelizmente, eles continuam vivendo num país à parte, sem consideração alguma pela população. Injustiça!

SAVÉRIO CRISTÓFARO

SCRISTOFARO@UOL.COM.BR

SANTO ANDRÉ

 

 

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